terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O chico-esperto

O Português mais comum do século XXI é um percevejo narcisista e pessimista, que faz do chico-espertismo o seu ideal de conduta.

É cínico, arrogante, ignorante em quase tudo tirando futebol, sabe sempre mais que os outros, não pode ser alvo de críticas a não ser que sejam boas e acha que teve azar porque tinha capacidades para estar no poder e tudo melhorava em 2 dias. Olha para o próprio umbigo sempre, imediatamente antes de criticar o do vizinho, ou quando olha primeiro para o do vizinho tem como missão especial e secreta a de se render ao seu desporto favorito: a inveja. Aproveita sempre que pode uma benesse, uma lacuna, ou uma fuga ao fisco. Nunca é responsável por nada, mesmo que seja chefe ou patrão de várias pessoas, e por muito que a coisa dê para o torto. Ser chefe de qualquer coisa é um fim e não importa o meio de o atingir.
O chico-esperto português acha sempre que tudo vai mal e que dantes é que era. Quando não havia créditos, nem publicidades, nem Europa, nem se calhar televisão. Assim, no Portugal colonial dos escravos, do esbulho e do lenocínio de povos inteiros, no Portugal dos emigrantes que lavavam escadas por essa Europa fora, no Portugal da guerra é que era.
Um país que mesmo há 30 anos atrás tinha taxas de mortalidade infantil ao nível de África, que tinha mais de 50% de analfabetos, onde só havia carros para alguns, assim como electricidade, não se imaginava um Serviço Nacional de Saúde, quanto mais de Educação, o Portugal do FMI dos princípios da década de 80.
Mas, é um facto, também não havia empréstimos, nem desemprego, nem rendimento social de inserção, nem reformas, nem subsídios, nem telemóveis, nem férias, um luxo. Magnífico país...Endividamento zero! Nesse país é que eu gostava de morar.
Curioso ver que essa geração de chico-espertos, tem os políticos que vemos (da esquerda à direita), espelho da sociedade que representam, a geração dos corruptos e dos pedófilos. A geração que olha admirada o Portugal dos Descobrimentos, um Portugal de portugueses extintos há muito. A geração que nos vai fazer pagar os juros durante anos a fio.
A geração que inventa aumentos quando outros têm cortes, que acha que há Portugueses de 1ª e de 2ª e de 3ª, que está acima da lei e que apesar de privilegiados, querem sempre mais, que acha que deve beneficiar enquanto outros pagam a crise que não é nossa, que acha que o trabalho e o emprego é um bem supérfluo que pode ser desbaratado e precarizado, que pimenta no cu dos outros é refresco...e que o FMI nunca mais vem...
Felizmente há excepcões e ainda há em Portugal quem pense de maneira diferente, quem acredite num Estado Social, num mercado com regras, no SNS, na educação para todos e na política de serviço público feita para o Povo e a favor do Povo.
Ainda existe o Português optimista, apesar de estar em vias de extinção.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Presidenciais 2011

Quem sempre achou que Sócrates se devia demitir, ou não se devia ter apresentado a eleições, por causa das suspeitas que sobre ele recaíram nos caso Freeport e PT/TVI, e mesmo assim votar em Cavaco Silva não é coerente e deve muito à honestidade intelectual.

Falo, das suspeitas que desta vez se abateram sobre Cavaco Silva, e quanto ao 'caso' SLN/BPN remeto para o meu último artigo, resumindo que um 'mísero' professor de economia devia ter desconfiado de um banco que lhe deu 150% de lucros em 2 anos...Ou então já percebo porque é que o país está na situação em que está, apesar de ter um Presidente da República que percebe ou não de economia, e que tanto nos avisou sobre o que aí vinha.
De resto, mais uma trapalhada veio à baila esta semana. O nosso PR, com a ajuda dos seus amigos da SLN e do BPN, fez uma escritura de permuta de uma casa no Algarve. Ora, essa permuta foi feita com uma empresa que era detida por que outra empresa? (ora adivinhem lá)... exactamente! Pela SLN! E Cavaco responde que na altura era um 'mísero professor de economia'. Já percebemos, era mau mesmo. De economia não percebe nada, como ficou visto no 'caso' das ações. Mas já não é admissível que Cavaco se esconda, e não se lembre onde e quando fez essa escritura, nem o que deu em troca na tal permuta. A não ser que se lhe descubram mais 20 casas e aí é desculpável que não se lembre. Já agora, o presidente da empresa que na altura foi a contraente com quem Cavaco fez o negócio da casa do Algarve é lá seu vizinho e pertence à sua comissão de honra. Curioso.
Noutro contexto, Cavaco diz que agora é que vai ter uma magistratura activa...digo eu, por contraste à nulidade passiva do primeiro mandato, do 'promulgo mas não concordo', das escutas em Belém, etc.
E Manuel Alegre? Apoiado pelo BE e pelo PS está preso na sua reconhecida independência, não pode elogiar, nem criticar o Governo, não ferindo as susceptibilidades de quem o apoia. E porque a ele ninguém o cala, fora quando devia estar calado (basicamente desde 2006), por isso a candidatura de Defensor Moura, que foi a lebre que estes partidos encontraram para legitimar o ataque a Cavaco, não dando Alegre o corpo às balas. Lembro que quem chamou à liça o BPN, foi Defensor. Quanto aos outros candidatos, Nobre é pífio, Francisco Lopes é cassete e Coelho é o palhaço de serviço. Têm apesar disso toda a legitimidade de se candidatar à PR. Como é óbvio.
Duas coisas esta campanha provou: o  pobre deserto de ideias, o nulo debate de programas e de respostas, numa eleição que de importante só representa a possibilidade de o novo PR vir ou não a dissolver a Assembleia da República. Provou também que Cavaco tem amigos pouco aconselháveis, tal como Sócrates, que Cavaco tem histórias mal contadas, tal como Sócrates, um queixa-se de campanha negra, o outro diz que ela é suja.
Assim vai o nosso país, dos polítiqueiros, dos 'boys', dos 13740 organismos públicos, dos quais só 1724 apresentam contas e 418 são fiscalizados.
Ainda assim, vou exercer o meu direito/dever de cidadania no próximo dia 23, votando à espera de um país mais Alegre.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O candidato Presidente

É incontornável e não há como fugir ao tema. O caso BPN está a marcar a campanha para as Presidenciais  de 2011.

Como se sabe, o Banco Português de Negócios e o seu fundador Oliveira e Costa, são os clones numa escala e dimensão à portuguesa do Lemahn Brothers e do Madoff americanos. O resto é fácil de imaginar, investimentos com lucros garantidos a percentagens escandalosas, produtos tóxicos e casos de polícia. A única diferença foi que o nosso Governo nacionalizou o BPN, ao contrário do americano, mas ainda assim deixou cair o BPP. Poder-se-á discutir o mérito da decisão, pode-se discutir se não deveria ter nacionalizado também a SLN, sociedade anónima que detinha a maioria do capital do Banco, mas isso fica para outra ocasião, talvez quando Passos Coelho chegar a Primeiro Ministro e já governe como pretende lado a lado com o FMI e Paulo Portas. Aliás, imagino-o a salivar pela entrada do FMI em Portugal, preparando-se a queda do Governo com a ajuda da magistratura activa de Cavaco.
E por falar em Cavaco, o candidato Presidente viu-se confrontado por Defensor Moura, com uma venda de acções que detinha então na SLN. O candidato Presidente, que é político mas diz que não é, o impoluto economista que deu luz verde à nacionalização desse Banco, o autoproclamado arauto da honestidade e que nunca se molha debaixo de chuva, respondeu ao seu interlocutor com a frase "...para ser honesto como eu, tem que se nascer duas vezes". Ora, nesse campo improvável da biologia humana, só encontro Santana Lopes, que já nasceu quatro vezes e continua a andar por aí.
O candidato Presidente que acha que não deve explicações, questionado por Manuel Alegre, outro candidato, chutou para a frente e acusou a actual direcção do Banco de incompetência, esquecendo ou tentando fazer esquecer a anterior direcção criminosa dos seus amigos. 
Confrontado por Francisco Lopes, o candidato do PCP, remeteu para a sua declaração de IRS de então.
De que tem medo o candidato Presidente? Provavelmente não haveria aqui caso político se Cavaco nos brindasse com uma resposta, mas o Senhor Presidente, com a boca a rebentar de bolo rei não consegue responder. E como não responde e a honestidade não se proclama, pratica-se, dúvidas se levantam. Assim, quem o convenceu a investir na SLN? Oliveira e Costa, seu ex-Secretário de Estado, ou Dias Loureiro, seu ex-Ministro e Conselheiro? Porque é que remete para uma declaração de IRS que sabe que  não é pública nem tinha que ser entregue no TC porque nos anos de 2001 a 2003, a que se reportam os factos, Cavaco não exercia funções públicas? Porque comprou as acções a €1 quando outros compravam a mais? Porque remete para uma declaração de 2008 que nada explica?
Eis algumas respostas: o candidato Presidente, a convite dos seus amigos do SLN, investiu e ganhou. Ganhou à volta de €150.000,00 e a sua filha €200.000,00, com ganhos superiores a 75% ao ano. Quem deu ordem de venda dessas acções foi Oliveira e Costa, sabe-se agora. A declaração que fez em Novembro de 2008 diz que nada tinha a ver com o BPN, sabe-se agora que nos estava a atirar poeira para os olhos, não tinha que ver com o BPN, mas sim com a SLN, que controlava o BPN. Honesto?
O candidato da honestidade, acha que é superior a todos os políticos rasteiros e menores, mas se para alguma coisa serviu esta campanha, ela mostra que Cavaco não é o que ele diz que é. E é interessante ouvi-lo falar em campanha negra imaginando o quanto se deve ter rido quando calhou a Sócrates.
O assunto é sujo e o candidato Presidente desta vez molhou-se.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Solidariedade Nacional e Coesão Europeia

Já aqui escrevi no último artigo sobre a falta de solidariedade e de coesão nacional que representava a medida de Carlos César de compensar os cortes salariais nos Açores. Também me insurgi contra a falta de ética que representa a existência de um sindicato que represente os Magistrados do Ministério Público e os Juízes, como órgão de soberania e um dos pilares da democracia que são. E para me dar razão, vieram agora os sindicatos do M.P. e dos Juízes anunciar que vão dar entrada em tribunal de acções para travar os cortes salariais. Ora, em última análise, quem julga essas acções são os juízes, fazendo-o assim em causa própria. Mais um exemplo do país solidário e de valores que somos. Não adianta nada a luta contra a crise, com estes portuguesinhos de  terceira. Só espero a entrada do FMI, para que de uma vez por todas este povo ingovernável saiba que o seu voto não adianta de nada porque quem manda é Bruxelas do eixo Franco-Alemão, que de solidário também não tem nada. E então sim, quando os cortes salariais forem de 10% a 20%, quando finalmente os patrões puderem despedir sem justa causa e sem indemnização, com o consequente maior desemprego, talvez  assim andemos de sorriso aberto na rua.
E volta a questão incontornável: como é que os mercados, agências de rating, bancos e afins, responsáveis pela crise, são os mesmos que ditam as regras e tomam as rédeas da suposta recuperação económica e financeira?
Como é que as agências de rating que aconselhavam a comprar créditos incobráveis, que sem quaisquer escrúpulos valorizavam os 'activos tóxicos' dos bancos, e quanto mais o fizessem mais destes recebiam, são agora as mesmas que valorizam ou não as dívidas soberanas dos Estados? Como é que a União Europeia permite que três agências de notação americanas, regulem o mercado e as dívidas europeias?
É simples, a França a reboque da Alemanha, pretendem salvar o coiro, ainda que isso implique a implosão de um ou dois países europeus, ou mesmo de toda a União Europeia. A moeda única sem a união política e sem a coesão que também vai faltando em Portugal, aliadas à crise de valores e de lideranças fortes e corajosas, está a levar ao colo a China não democrática, mas agora capitalista e sem qualquer respeito pelos direitos humanos. Aliás, a mão-de-obra barata chinesa, contrastante com a subida exponencial e pouco criteriosa dos salários da zona euro e em especial de Portugal ao longo dos anos, permite à China neste momento comprar ao desbarato os países da desmembrada União Europeia, comprando o seu silêncio na luta por valores democráticos e de respeito pelos direitos humanos. Os abutres que controlam os mercados continuam a viver á custa dos milhões de contribuintes e de desempregados, á custa dos Estados que permitiram a sua desregulação e agora não têm alternativa a não ser obedecer ao capital e a quem o controla. A crise de ética e de valores veio para ficar, mais tempo que a crise económica e financeira. A ganância capitalista atropela tudo e todos e nós deixamos. A União Europeia perdeu o rumo, e ao mínimo sinal de crise, acabou-se a solidariedade entre estados, o estado-social europeu foi trocado pelo salve-se quem puder, e quem pode salvar-se mandou à fava a integração e os valores sociais que faziam a diferença na Europa. 
2010 foi o ano em que ficou provado que os mercados devem ser regulados pelos Estados, um sem o outro não podem existir, a virtude está no meio.
2011 é o ano em que, ou sabemos o que queremos, ou seremos engolidos pelos charlatães e pelas burlas de mão branca.
Portugal e a Europa precisam mais do que nunca de coesão, solidariedade e  de uma sociedade a rumar para o mesmo lado, separando o trigo e regulando o joio. Precisa de saber quais os seus valores, os que quer seguir, e que com certeza não são os valores da China, da Moody's, da Fitch, da Standard & Poor's, da Goldman Sachs, de Merkel, de Sarkozy e dos mercados capitalistas, gananciosos e desregulados.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Os Portugueses dos Açores e da Madeira

Os Açores e a Madeira sáo duas regiões, que pela sua situação geográfica gozam na nossa Constituição de autonomia política e administrativa. Não há aqui novidade para ninguém. Como também não é notícia dizer-se que ambos arquipélagos integram o território português e por isso se regem pelas suas leis e Constituição.

Ora, nos últimos dias assistimos incrédulos à rábula das compensações financeiras, que o Presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, decidiu implementar aos funcionários públicos açoreanos, que fossem alvo de cortes salariais. À falta de solidariedade da medida, conseguiu juntar uma dose populista e arrogante, que em nada serve a coesão nacional, tão necessária no momento que o país atravessa. Será de perguntar ao Sr. Carlos César se a medida também se aplica a ele. Mas, muito pior que isso, é termos ficado a saber que o Governo da Nação não tem poder para travar a medida e assim fazer aplicar a lei em todo o território nacional, de forma equitativa. De pouco adianta Sócrates vir dizer que lamenta a decisão do Governo Regional e que não concorda com ela.
Pelo contrário, o PSD nada diz ou comenta há anos!, sobre as atoardas separatistas e fascistas do cacique que governa a Madeira. A semana passada brindou-nos com mais uma das suas pérolas, e passo a citar "Ou o continente aprova a revisão constitucional, ou a Madeira irá repensar o seu futuro e a sua integração nacional." Ora, o continente não é outro país, o Sr. João Jardim refere-se a Portugal continental, e a revisão constitucional que ele refere é a feita à sua medida, não pode ser outra. Isto é a democracia da Madeira. Já não há paciência! Será que todos os Portugueses da Madeira pensam assim? A afirmação encerra ameaças de separatismo gravíssimas. E já não é a primeira vez.
Só por curiosidade, a Madeira vai receber do Orçamento de estado do 'continente' para 2011, 200 milhões de euros, a que acrescem 50 milhões para a reconstrução das zonas afectadas pelo temporal deste ano, e ainda vai ver aprovado pelo 'continente' um quadro comunitário que ultrapassa os 1000 milhões de euros para o mesmo efeito. Será que a Madeira sozinha tinha capacidade para tal? E então que dizer da construção sem regras, sem plano, sem licenciamento e ilegal que contribuiu de forma decisiva para o descalabro que se viu? O cacique, obviamente, sobre tudo isto nada diz.
É chegada a hora, e porque a revisão constitucional vai mesmo ser feita, de discutir a autonomia sem fim nem limites que se goza nas regiões autónomas de Portugal. Talvez até integrada num projecto de regionalização, bem feito, e para todos, Açores e Madeira incluídos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

1984 online

Liberdade de informação ou violação de correspondência? Liberdade de expressão ou violação de privacidade?

O Estado somos nós. Governo, Povo, Território. Mas existe um outro estado dentro do Estado. O estado online, da internet, da liberdade anárquica. Resta saber que Estado queremos. Com certeza, não queremos o Estado de "1984" de George Orwell, da novilíngua e do Big Brother, mas paradoxalmente, é disso que se trata cada vez mais no mundo da WorldWideWeb. A devassa privada, a revelação de segredos, o escrutínio do olho. A grande diferença reside no sujeito activo voyeur, não é o Estado do regime ditatatorial, não é o Estado do Povo. É o povo do estado. Assim, surgem os libertinários, anarquistas de um estado. Tudo é liberdade de informação, tudo é interesse público. Julian Assange e o seu Wikileaks. Porque é que os documentos diplomáticos do "cablegate" revelados no site Wikileaks têm que ser de interesse público? Porque é que as conversas privadas entre políticos e diplomatas têm que ser divulgadas e de interesse público? O que é que de verdadeiramente relevante vieram divulgar que não seja do conhecimento de todos? Que a Arábia Saudita tem medo do Irão nuclear? Já sabiamos. Que vários voos da CIA com presos políticos para Guantânamo passaram pelos Açores? Não deviam mas também já sabíamos. Que em Moçambique se trafica droga ao mais alto nível? E já agora que Sócrates é carismático, Berlusconi gosta de mulheres, que Putin é vaidoso e autoritário e com amizades perigosas na máfia russa, que Erdogan da Turquia tem dinheiro na Suíça? A coscuvilhice não tem limites mas devia ter. Será que iríamos gostar de ver a nossa correspondência diplomática revelada? Será que gostaríamos de ver a nossa opinião sobre vários assuntos e países reveladas ao mundo? E então as nossas conversas telefónicas, e-mails, etc? É assim como a revelação de escutas de processos em que ainda não há condenados, mas servem para o serem na praça pública, donde nunca mais sairão com o nome limpo. Julian Assange é o jornalista que se constitui Assistente num determinado processo, com o único interesse de revelar mediaticamente as suas escutas, e não, como devia, ter o interesse de defender as vítimas ou a verdade material. A gula mediática do Wikileaks não tem qualquer moralidade nem critério, e várias vidas foram e podem ser postas em risco. O mundo terá ficado mais seguro com as revelações do Wikileaks? A diplomacia será a mesma daqui para a frente? Tenho aquela visceral sensação que me dão as conversas de comadres que comentam a vida do vizinho. Aquela sensação de vómito de ouvir alguém a falar mal de a, b, ou c, só porque sim. Aquela estranha sensação de que as paredes têm ouvidos e está sempre alguém a ouvir.
Não concordo, todavia, com a detenção de Assange, porque me parece feita ao abrigo de um qualquer estratagema pseudo-judicial. Os amigos ingleses dos americanos continuam de gatas. Sou um crítico do sistema americano, da sua moralidade orgulhosa e pacóvia, das suas falcatruas imperialistas e capitalistas, mas com todos os seus defeitos é para lá que nos viraremos se o mundo estiver para explodir.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

In Memoriam

Pearl Harbor
Domingo, 7 de dezembro de 1941. "Um dia que viverá para sempre na infâmia", Franklim Roosevelt.

Os japoneses lançaram um ataque surpresa contra as Forças dos E.U.A. estacionadas em Pearl Harbor, Hawaii. Para a planificação deste ataque a um domingo, os japoneses sob o comando do comandante almirante Nagumo, esperavam apanhar toda a frota do porto. Por sorte, alguns porta-aviões e um dos barcos de guerra não estavam no porto. O USS Enterprise voltava da ilha Wake, onde acabava de entregar alguns aviões. O USS Lexington transportava aviões para Midway e o USS Saratoga e o USS Colorado estavam a ser reparados nos Estados Unidos.
Apesar das últimas informações de inteligência sobre os porta-aviões que faltavam (os seus objectivos mais importantes), o almirante Nagumo decidiu continuar o ataque com a sua força de seis companhias e 423 aviões. A uma distância de 230 milhas ao norte de Oahu, lançou a primeira onda de um ataque de duas ondas. A partir das 06.00 horas a primeira série constava de 183 combatentes e torpedeiros que atacou a frota em Pearl Harbor e os aeródromos en Hickam, Kaneohe y Ewa. O segundo ataque, lançado às 07.15 horas, era composto por 167 aviões, que de novo golpeou os mesmos objectivos.
Às 07.53 horas, o primeiro ciclo consta de 40 aviões Nakajima B5N2, torpedeiros "KATE", bombardeiros Val '51 Aichi D3A1', 50 bombardeiros de grande altitude e 43 Zeros. Atacaram aeródromos e Pearl Harbor, na hora seguinte, a segunda onda chegou e continuou o ataque.
TOTAL: 2.403 mortos, 1.178 feridos e destruição quase completa da frota estacionada em Pearl Harbor (21 barcos - torpedeiros, couraçados, etc. - e 188 aviões).

Por sorte, uma velha máquina fotográfica Brownie e respectiva película foi encontrada recentemente, após quase 70 anos. A película estava surpreendentemente intacta.


















Este ataque teve o condão de "convencer" os relutantes e pouco interessados E.U.A. a entrar na guerra, que de outra forma, nunca ou tarde seria ganha, com consequências ainda mais dramáticas para o que foi e representou no nosso passado e assim continuará a ser no futuro. Para que nunca ninguém esqueça, a II Grande Guerra permitiu a todos perceberem que tal não se pode repetir.
Mas, não acredito que não volte a suceder, agora que os E.U.A., ao contrário de outrora, estão sempre dispostos a entrar em guerra e a invadir outros países em busca dos cada vez mais parcos recursos planetários e com a existência hoje em dia de várias bombas-relógio prestes a rebentar, v.g. em África, continente de ditaduras, diamantes de sangue e de guerras civis, Somália, Costa do Marfim, Zimbabué, a região do Darfur no Sudão, Angola, Ruanda, Egipto, Argélia, Líbia; no Médio-Oriente, a velha questão judaico-palestiniana, com forte influência na Síria, Irão, Iraque, Afeganistão e Arábia Saudita; outra velha questão na Ásia, da Índia e Paquistão, passando pela Chéchénia, a China, o Tibete, Taiwan (Ilha Formosa em português), Birmânia, as Coreias do Norte e do Sul; a América do Sul e Central da Bolívia, Venezuela e Cuba, etc...se tudo explode ao mesmo tempo...!?!?! Acho que a Humanidade não aprendeu com a II Guerra Mundial, pelo que nunca é demais recordá-la, até porque os ciclos da nossa história têm tendência a repetir-se.
Convém salientar que sou totalmente contra qualquer forma de terrorismo, e defendo que os seus responsáveis devem ser levados à justiça...mas não a qualquer preço, muito menos fazendo milhares de vítimas inocentes. Não se combate terrorismo com terror.
Agora está na moda o voyeurismo, a nova tortura sob a forma de divulgação de escutas e documentos secretos (wikileaks), que vêm mandar mais lenha para a fogueira...a coisa está a ficar descontrolada, e mais uma vez reafirmo que têm que ser os Estados com a sua regulação e providência a pôr um travão em tudo isto, antes que seja tarde demais e corram o risco de desaparecer, vergados aos interesses de poucos, que controlam muitos...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A Crise que não é nossa...

Já muito se tem dito sobre a malfadada crise, apontam-se culpados, esgrimem-se argumentos, debatem-se teorias, inventam-se soluções. O FMI, a UE, os bancos, os mercados, os Estados, etc... É chegada a altura de desmistificar tudo isto.

1- Em primeiro lugar, esta crise nasce da desregulação dos mercados, que na sua sede de ganância e do lucro fácil passaram a controlar o sistema financeiro, com o beneplácito dos Estados e do poder político, que numa espiral especulativa, aliado ao consequente crescimento da dívida pública e do défice orçamental e público, foram enchendo o balão até ao seu iminente estouro.
A crise nasceu nos E.U.A. – meca do capitalismo liberal do banco Lemhan Brothers, da seguradora AIG e do especulador e usurário Maddof - , com início na crise do subprime em que as instituições de crédito americanas concediam empréstimos hipotecários de alto risco, arrastando os bancos para uma situação de insolvência e da especulação imobiliária, e com o beneplácito da sua Reserva Federal no mandato de Alan Greenspan e das famosas agências de rating, que inundaram o mercado com esses produtos tóxicos.
Surgiram os primeiros escândalos financeiros, de bancos e seguradoras que já não conseguiam obter liquidez nem pagar o preço do risco de produtos que não valiam o que por eles se pagava, sem se endividarem até ao limite do rebentamento da “bolha” e consequente falência. Os E.U.A. optaram por deixar cair um dos seus maiores bancos, simultâneamente com a falência de seguradoras e imobiliárias. Obviamente que de seguida, no mercado global em que vivemos, dependente das directrizes e dos ventos favoráveis do grande capital, os efeitos não demoraram a fazer-se sentir.

Afinal, tínhamos sido enganados. Os bancos viviam com dinheiro virtual, feito de especulação, de propaganda, de aposta no risco do lucro fácil, mas sobretudo dos empréstimos que vendiam com empréstimos que faziam. Os juros eram a sua liquidez. De repente, a dívida externa dos bancos, e por arrasto dos Estados, tornou-se insuportável. Os empréstimos no estrangeiro dos bancos para bancos, para fazer face à falta de liquidez real, além de sofrerem uma drástica redução, sofreram um inevitável aumento de juros. Os juros do que se emprestava aos clientes, começou a não chegar para pagar aqueles da dívida externa. Os Estados viram-se forçados a segurar o sistema bancário, fundamental na economia de mercado, injectando capital em alguns bancos, nacionalizando outros, e, por consequência, aumentando a dívida pública. Na Irlanda isso representou a bancarrota. Em Portugal os exemplos do BPP e do BPN.

Os Estados com maior défice e maior dívida pública até então, eram os mais fragilizados. Os periféricos PIIGS. O exemplo português não é nada de que devamos orgulhar-nos. É verdade que vivemos anos a fio acima das possibilidades, com empréstimos sobre empréstimos, com PPP’s, com salários escandalosos de crescimento superior a 10% ao ano, com favores perniciosos e tráfico de influências entre a coisa pública e a privada, com descontrolo financeiro de empresas públicas e privadas, mas também não é caso para baixar a cabeça, enfiar as orelhas de burro e ir para o canto da sala. Existe pior. Muito pior. E não fomos nós os coveiros.
Curiosidade: o nosso Serviço Nacional de Saúde é dos melhores do mundo. De facto.
A Islândia e a Irlanda, países nórdicos e mais desenvolvidos caíram primeiro que nós. A Grécia nem se compara e a própria Espanha está na calha. É falso dizer-se como se dizia que os mercados acalmariam com o pedido de ajuda da Irlanda, baixando as taxas de juro da dívida pública. Já ninguém sabe explicar porquê.
Também não é verdade que saímos prejudicados com a nossa demora a reagir. A Irlanda há um ano reduziu severamente salários de políticos e da função pública e tomou sérias medidas contra a despesa do Estado. Foi alvo de aplausos, mas não houve perdão. Caiu a semana passada. Portugal reagiu tarde e AINDA não se ajoelhou.

Impõe-se uma pergunta: porque há-de ser o estado-social e os contribuintes a pagar os erros, os buracos e a ganância de corruptos, especuladores do mercado? Como é que em dois anos não se aprendeu nada, continuando os Estados reféns dos mercados desregulados tal como estavam? Como é que se transforma a crise do modelo neo-liberal numa crise do estado-social? Como é que se põe em questão um dos maiores avanços civilizacionais dos últimos 30 anos? Eu sei, já são várias perguntas.
Há uma resposta: o mercado quer receber o que esbanjou, e já não há marcha-atrás. O cobrador do fraque não vai mudar de opinião e vai arrasar, confiscar e roubar tudo o que puder aos contribuintes. A política é ditada pelos mercados, pelo BCE, pelo FMI, pela Alemanha cuja despesa pública é das maiores da UE, e por todos os que continuam a ter dinheiro que influencia a tomada de decisões.

E é por tudo isto, que agora devo dizer, que já não estou tão convencido que Portugal não tenha que pedir ajuda ao exterior. Os mercados assim o exigem. A Espanha é a grande meta, e só lá chegam através da Grécia, da Irlanda e de Portugal. Dos dois primeiros estamos conversados, a seguir só posso imaginar. É o preço que temos a pagar por pertencer ao mercado. Há dois anos a UE falava a uma só voz, e incentivava o investimento público, hoje cada um fala por si e a Alemanha por todos mas sobretudo no seu exclusivo interesse, tentando desviar a atenção do seu país e mandando à fava 50 anos de integração europeia. O capitão devia ser o último a abandonar o barco. Confesso que o meu optimismo esmorece a cada dia que passa e se cair a Espanha como parece ser o interesse ainda não sei ao certo de quem, a UE pode ter os dias contados com tudo o que de negativo daí pode advir, nomeadamente a perda de influência no mundo cada vez mais chinês. A troca do estado social europeu pelo modelo de mercado liberal tout-court foi, afinal, o resultado da crise. Money makes the World go around.

2- A entrada do FMI em Portugal significa perda de soberania, de democracia e recessão. A redução de salários passaria de 5% a 10% para 20%, milhares de funcionários públicos no desemprego, flexibilização das leis laborais criando ainda mais desemprego com influência negativa no sector privado. Ignora-se uma das maiores e mais bem sucedidas reformas da Segurança Social em toda a Europa. Os cortes salariais estão feitos, a redução nas prestações sociais também, foi feita alguma reforma das leis laborais em 2008. O FMI quer um sistema de despedimento ao mesmo nível do preconizado por Passos Coelho, que curiosamente esta semana disse não se importar de governar com o FMI. Esquece-se de um pormenor. Não irá governar com o FMI, o FMI é que irá governar por ele. Já agora, Dr. Passos Coelho, não seja demagógico nem populista e compre uma prendinha às suas filhas no Natal. Não faça de nós parvos.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Curiosidades de um país da NATO

1- Começo com umas breves curiosidades. O país em que o investimento público português no estrangeiro tem mais expressão, com mais de €31,1 mil milhões, é a Irlanda (que esta semana pediu ajuda ao fundo de resgate europeu e consequentemente ao FMI). Curioso. Mas há mais, no 4º lugar desse ranking de investimentos públicos de Portugal aparecem as Ilhas Caimão que representam mais de €13 mil milhões, e só no ano de 2009 fugiram para esse offshore €2600 mil milhões (1,6% do PIB). Curioso. Ainda, o "perdão" aos partidos da Madeira de €23 milhões com a nova lei de financiamento dos partidos, passando uma esponja a esses gastos indevidos. Timor-Leste, que é dos países mais pobres do mundo, ofereceu-se para ajudar Portugal, comprando dívida pública...apetece dizer como Sócrates: "Não obrigado, não precisamos...". A Portucel, a PT, o Grupo Jerónimo Martins anunciaram a distribuição extraordinária de dividendos para este ano. Fuga ao fisco? Não, fuga para a frente. Quem fez a lei do Orçamento e quem a aprovou não pensou nisto ou não lhe dava jeito? O maior negócio europeu do ano que foi a venda da VIVO vai render ao Estado em impostos €200 milhões, quando devia dar para comprar um submarino... Das nossas 308 autarquias, 100 estão com a corda ao pescoço e 50 falidas, só a de Lisboa deve mais de €2000 mil milhões...e termino com uma última curiosidade..., afinal a redução de salários não se vai aplicar às empresas do Estado, uma excepção feita à medida da Caixa Geral de Depósitos, cujos administradores ameaçaram demitir-se. Rua com eles já...
Entretanto, a China continua a comprar meio mundo, e com ele o silêncio daqueles que se subjugam aos mercados. As constantes violações dos direitos humanos ficam para mais tarde...
Declaração de Interesse - Não gosto dos mercados.
Luís Amado (MNE), deu uma entrevista ao Expresso, dizendo-se saturado do poder, e mais importante que isso, que devia haver um entendimento entre PS/PSD/CDS. Não falou em coligação, porque essa é já tardia e a nossa politiquice não está para aí virada, mas um entendimento/pacto de regime era uma boa ideia. Foi muito criticado por ter sido tão sincero...está visto que em política a sinceridade não é virtude. Também esta semana se falou em remodelação governamental. Sócrates negou. Ora, de que vale um entendimento entre os principais partidos, ou uma remodelação governamental, se passados 2 dias um espirro dos mercados nos manda o FMI bater à porta?
A 3 dias da Cimeira da NATO, demitiu-se o director do SIED (espiões de Portugal basicamente). Não podia ter esperado mais um fim-de-semana?


2- NATO (OTAN em português), Organização do Tratado do Atlântico Norte, fundada em 1949, por 12 países entre os quais Portugal, porque os E.U.A. assim exigiram - já lá vamos -, tinha como objectivo resolver o problema de segurança na Europa, na sequência da II Guerra Mundial e do Plano Marshall. O seu primeiro secretário geral, resumiu-o assim: "Manter os Soviéticos fora, os Americanos dentro e a Alemanha em baixo".
Assim, e apesar das reservas portuguesas do então ditador Salazar, que queria estar sempre "orgulhosamente só", Portugal foi puxado para a Aliança pelos E.U.A. por causa do "porta-aviões insubmersível", da "bomba de gasolina do Tio Sam", os Açores! Esse trampolim para a Europa que tinha sido fundamental na Guerra, foi a condição que pôs Portugal no mapa da Aliança.
A adesão é discutida em três Conselhos de Ministros, com o Ministro da Guerra claramente a favor. Salazar teve que ceder e pela primeira vez no Estado Novo militares e política separam-se. A mudança vai chegando, com os militares portugueses a conhecerem novos e mais largos horizontes para além da Península Ibérica a que estavam confinados. A Península de Salazar e do Caudilho Franco, a quem o próprio Hitler se referiu dizendo que uma reunião com Franco era pior que arrancar cinco dentes ao mesmo tempo. Esclarecedor, vindo de quem veio. À medida que os militares vão sendo enviados para cursos nos E.U.A. e sendo colocados no mapa mundi, entre eles Humberto Delgado, as diferenças que notam comparando com o pequeno burgo tornavam-se flagrantes.
Os episódios da eleição de Humberto Delgado, o seu assassinato, a Guerra Colonial, o descontentamento militar e o seu progresso intelectual, associados às mudanças tecnológicas e económicas, e a outros factores, levariam anos mais tarde à Revolução do 25 de Abril.
A Cimeira do passado fim-de-semana, trouxe claramente a assunção do erro da invasão do Afeganistão, procurando-se uma saída airosa do conflito, uma aproximação à Rússia, definindo novos objectivos com o fim da Guerra Fria e do mundo unipolar, em que proliferam novas potências e ameaças, mantendo-se intocável o célebre artigo 5º que diz que o ataque contra um é também contra todos.
A NATO tem hoje 28 Estados-Membros e eu gosto.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Deus e o Mundo

Como é certo e sabido de todos, Deus meteu 15 dias de férias e deixou o mundo em auto-regulação. Só que os 15 dias celestiais correspondem em tempo humano a mais ou menos 3000 anos...Ora, ainda só passaram mais ou menos 2000 anos desde que Deus resolveu visitar outras paragens, pelo que ainda faltarão alguns anitos até ao seu regresso.
Ora, como é costume dizer-se "patrão fora, dia santo na loja". E nós terráqueos, fomos fazendo como pudemos...inventámos umas religiões e umas igrejas para pôr o pessoal na ordem, ameaçando-os com o possível regresso do Chefe e criámos um CEO, representante do Chefe no mundo, que se encarregaria de gerir a empresa católica, a mais influente de todas.
Século após século, os CEO's (papas) foram-se sucedendo, com apoio nos seus estatutos, criados unicamente para castigar e despedir os prevaricadores. E, olhando unicamente para o seu próprio umbigo sedento de poder e riqueza, não se deram conta do crescimento rápido de outras empresas do sector, que imediatamente reclamaram o seu papel no mundo.
Ora, se os homens se podiam auto-regular, decidiram também que os mercados de capital - e aqui já estou uns séculos mais à frente - também podiam fazer o mesmo. Foi o que se viu...sem Chefe que definisse estratégias e objectivos, os mercados estouraram e com eles os Estados que se deixaram regular por eles, em vez de ser ao contrário.
A empresa católica continua a ser rica, não está em risco de falência, mas o seu poder e influência, foi, e bem, substituído por aquela do capital. E, como agora quem manda é o capital, ficamos sem saber a que CEO nos dirigir...quem é que manda afinal? A Sra. da Alemanha que meteu a UE na gaveta? O Sr. da China que quer meter a UE na sua gaveta? O Sr. dos EUA que já mandou muito e agora não manda quase nada? O Sr. da Rússia que quer mandar mas não tem como? O Papa que já mandou e agora não sabe o que fazer sem o Chefe? E em Portugal? Quem manda?
Aí a resposta é fácil: manda a Sra. da Alemanha que só quer saber do seu capital, mesmo que ponha em risco toda a UE (aliás, cada vez que abre a boca é uma pazada de terra em cima da nossa urna)...mandam os bancos e os banqueiros, mandam as agências de rating, etc...
E quem não manda e devia mandar? Cavaco que é o Chefe mas tem falta de comparência, os Magistrados que são òrgão de soberania mas têm sindicato que fala por eles, tirando-lhes a pouca credibilidade que ainda têm, o Ministro das Finanças que já não sabe, Sócrates porque já não o deixam, Passos Coelho porque ainda não pode e não sabe se sabe.
E na Madeira? Manda Portugal? Não! Manda o Alberto que tem um dos maiores ratios de funcionários públicos por população, que fez uma lei de excepção para poder continuar a usufruir da sua reforma de quatro mil e tal euros e ainda tem lata para dizer que o Estado é ladrão e chamar filhos da puta aos jornalistas que descobriram o embuste.
E no Partido Socialista, dizem que vai mandar Francisco Assis, que contou esta semana com o apoio de peso e surpreendente de António Costa. Aplaudo de pé...
O que me vai valendo é que no futebol manda o FCPorto.....