Dar ao povo a fatura enquanto quem era suposto governar e tratar da coisa pública desbarata milhões em swaps e lixo tóxico é fodido. E fodido é a palavra correta. Enquanto o governo vai enxertando uns secretários de Estado ungidos nos estábulos, sem qualquer noção do que é a coisa pública, o povo continua a ser fodido e a pagar pelos erros e pela ambição de meia dúzia de oportunistas. Os swaps (como nas trocas de casais só que em versão apostas de casino nos juros e afins de empresas públicas de transportes) rendeu aos portugueses mais uma fatura de largos milhões. A juntar ao BPN, à gestão do cubano da Madeira e às políticas subversivas eleitoralistas e da obra feita com pagamento diferido para o futuro. A gestão à portuguesa da coisa pública e porque é de todos é usada como uma puta de esquina a quem os portugueses pagam uma volta para perder a virgindade. E depois disso já não há marcha atrás. Mesmo que ela diga que já não aguenta, arranja-se sempre forma de a continuar a usar.
Os portugueses foram fodidos durante séculos, e aguentam sempre mais uma, mas se o gangbang continuar a orgia vai ter que acabar. E se está visto que já não é caso para ejaculação precoce, pois a coisa dura há vários anos, então vai acabar subitamente quando já não houver mais nada que valha a pena continuar a mamar. A manjedoura acabará numa qualquer madrugada de Abril. Como naquela a 25...
Cavaco Silva fez um discurso do dia 5 de Outubro passando ao de leve na crise, calando a revolta e a desgraça a que se assiste no país. Nada disse sobre a República, nada disse sobre nada. Ao invés do que fez quando Sócrates era primeiro ministro e quando se revelou líder da oposição...
Mudou-se o sítio da cerimónia, fecharam-se as portas ao Povo e Passos Coelho foi ter com os amigos da coesão. A República não lhes diz nada, e a democracia se calhar também não.
Vítor Gaspar insulta os deputados, na sua verborreia zombie, com uma citação de quem não diz o que sabe, nem sabe o que diz.
A tirada salazarista de "o Povo português é o melhor do mundo", imediatamente a seguir ao assalto que sobre ele dirigiu, é o maior insulto, gozo e dislate que me lembro de ter ouvido. É daqueles de chapada na cara.
A democracia, filha da República, está ferida... espero que não esteja ferida de morte, ou assistiremos a 1926, cem anos depois. A fraqueza das instituições democráticas e do regime republicano de Estado de direito pode abrir caminho, como a história já nos ensinou, a um regime totalitário, policial e fascista.
Não deixa de ser simbólico o hastear da bandeira nacional ao contrário.
Pedro Passos Coelho é um desportista fantástico, um atleta profissional de alto gabarito, com uma direita poderosa e um estilo moderno e liberal, não é nada fácil de derrubar. O boxe que pratica é de alto rigor técnico, transformando-o num dos melhores da actualidade na sua categoria.
Aliado a isso, ter como agente Miguel Relvas, que lhe assegura uma estratégia de combates mais ou menos fáceis, intercalados com um ou outro do seu nível, permitiram-lhe assegurar a posição de imbatível nos dois últimos anos. O treinador, Ângelo Correia, é uma raposa velha, habituado à lide, ex-boxeador e levou o seu pupilo ao colo até ser o primeiro. O saco que utiliza é da marca Vítor Gaspar. Muito resistente e maleável.
No combate com Ferreira Leite, Passos nem precisou de 2 rounds, basicamente a estratégia do seu agente e do seu treinador garantiram-lhe a vitória.
O combate com Sócrates, foi o mais difícil da carreira até ao momento, mas mais uma vez a estratégia dos seus homens-sombra foi fundamental. Negaram a Sócrates o combate até este estar desgastado... Deixaram que Sócrates combatesse primeiro com os canhotos, Jerónimo e Louçã. Aproveitando o momento, num combate assente em falsas premissas (o combate ficou para a história como o PEC IV), Passos derrubou um Sócrates visivelmente desgastado ao terceiro round.
Passos Coelho chegava a primeiro, após uma intensa preparação de anos a fio. O seu treinador finalmente tinha um número um.
A seguir veio o murro no estômago que levou Passos ao tapete pela primeira vez. A agência de rating Moody's é um opositor feroz, que já tinha derrotado Sócrates, mas desta vez o promotor e ex-boxeador Cavaco ajudou Passos a voltar ao ringue, mais feroz que nunca.
A seguir veio a segunda ida ao tapete. João Jardim, um veterano, experiente e sabido atacou o ponto fraco de Passos, o estômago, mas Passos conseguiu recuperar. Copiando o estilo de Cavaco, conseguiu passar incólume, deixando a João Jardim o título regional.
Foi então que os homens de Passos lhe arranjaram um combate mais fraco, no entanto muito mediático, para Passos voltar à ribalta. Seria contra a classe média portuguesa. E ao fim do primeiro round já Passos tinha dado três murros no estômago e um gancho de direita bem no meio do nariz da indefesa e descuidada classe média. A mesma que até tinha apoiado Passos no combate contra Sócrates.
Vem aí no entanto, um combate bem mais duro, o Povo. A princípio diziam que era brando, mas isso revelou-se um logro, mais uma estratégia para o tentar diminuir. No entanto, o Povo começa a ganhar músculo, inteligência e já não se deixará enganar pelos ganchos de direita de Passos. Os próximos combates do Povo, contra a Troika e contra Passos serão decisivos. Ou o Povo regressa a número um onde já esteve, ou é derrotado e termina a carreira. Eu aposto no Povo. Mas aposto pouco.