segunda-feira, 7 de abril de 2014

O jornalismo acéfalo

A raiva bacoca assente em fugazes trechos ideológicos do 'que se ouve dizer' de José Rodrigues dos Santos, que não consegue disfarçar um imbecil ódio a Sócrates, é na verdade uma defesa acéfala do governo. E na tentativa de ferir o animal, só conseguiu acordar a sua ferocidade. Na verdade, a vã tentativa de confrontar Sócrates com tudo o que se vai dizendo, sem qualquer interpretação própria ou estudo prévio leva a que JRS seja confrontado com a sua própria falta de honestidade intelectual. O animal feroz transformou o caçador em vítima, pois Sócrates, com todos os seus defeitos, é reconhecido por 'quase' todos como o mestre da política e da retórica em Portugal. E devo dizer também, que em minha opinião, o tiro saiu ao lado, porque, tal como já referi, Sócrates não se deixou caçar. 'Safou-se' muito bem há uma semana, e arrasou ontem.
Contudo, em anos de missa dominical de Marcelo, ou de Marques Mendes (o 'ministro' espião do governo), não vi em lado nenhum os defensores do papel activo do jornalista no espaço de opinião. O clubismo hipócrita, de que Sócrates é a maior vítima, não se coaduna com as suas próprias contradições. Os comentadores que por aí grassam (alguns há muito mais tempo), acompanhados de fantoches inanimados que lhes dão as deixas, nunca foram postos em causa.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Aldrabices de Abril



Este tempo de antena usado pelo PS no passado dia 1 de Abril (dia das mentiras ou enganos), e com direito a recorde de audiências na RTP, faz mais em 7 minutos do que todas as intervenções diárias de Seguro. Um tempo de antena por semana, com Seguro muito calado e sossegadinho dava-lhe maioria absoluta no espaço de um mês. E também mete num bolso qualquer pseudo-entrevista do José Rodrigues dos Santos.

quarta-feira, 26 de março de 2014

A pobreza de espírito

Não há nada como uma pré-campanha eleitoral para se descobrir que afinal há pobreza em Portugal. De repente torna-se urgente dizer qualquer coisa aos excluídos e vítimas maiores da troika e da política de terra queimada. Agora já é necessário compensar e reduzir as desigualdades e as injustiças sociais que os últimos 3 anos agravaram. Mas só porque foram conhecidos esta semana os reais números da pobreza em Portugal.
Quando se passam dias a discutir as incoerências do discurso de Sócrates, ninguém é capaz de perguntar ao senhor primeiro Ministro porque é que tem que se empobrecer o país para depois combater a pobreza gerada por esse empobrecimento? E já agora seria também interessante que José Rodrigues dos Santos (que na próxima vez deve levar o arquivo completo) entrevistasse Passos Coelho acerca das suas incoerências antes de ser primeiro Ministro, no período de campanha eleitoral, em que o contexto temporal do que disse então é exactamente o mesmo de agora. Ao contrário do entrevistado de domingo. Perguntar-lhe também se não sabia quais eram as consequências da sua política económica e social baseada na austeridade, que por sua vez significou a ausência dessas mesmas políticas. É interessante contudo notar que Passos Coelho afirmou isso mesmo. Que era necessário empobrecer o país e as pessoas, com uma competitividade baseada numa política de baixos salários e dos custos do trabalho, no fundo transformar o país no Bangladesh da Europa sem nunca abdicar dos juros e da dívida impagável já reconhecido por todos de boa-fé.
Descobrir agora que existe um Estado Social nascido das cinzas da 2ª Guerra Mundial e que pôs a Europa na senda do desenvolvimento e da paz durante mais de 50 anos não é sério, quando se tenta destruí-lo em nome de um discurso estritamente ideológico e, esse sim, radical. O Estado Social que não serve para proteger bancos mas sim para proteger pessoas. Que garante igualdade de acesso de todos à saúde, à educação e de oportunidades por consequência. Que promove o bem estar assinado no contrato social com todos. E que tem como consequência e objectivo final o progresso individual que em união com todos os outros significa o progresso societário e colectivo de uma nação.
Passos sacrificou tudo em nome da austeridade e dos mercados, da Alemanha e do bom aluno, e quando se der conta destruiu um país sem pessoas, sem garantias, sem crescimento, sem economia e sem esperança.

P.S.- É curioso que os números continuem a cismar em não dar razão ao governo e à troika. Os dados da execução orçamental de Janeiro e Fevereiro apresentam um défice de 30 milhões de euros. É o crescimento, estúpido!

sexta-feira, 21 de março de 2014

Telegramas

1- Jorge Jesus não aprendeu nada com o final da época transacta. A sua verborreia, aliada à sua falta de cultura, que por sua vez se alia à sua arrogância, fazem-no muitas vezes engolir sapos e quase sempre desprestigiam a instituição para a qual trabalha. Um treinador que bate em polícias, nos adjuntos e directores, que não respeita colegas, e principalmente que não sabe ganhar, quando saber ganhar é para mim mais importante que saber perder.
Um homem que não humilha o adversário derrotado, que respeita o sofrimento de quem não alcança os seus objectivos é verdadeiramente sábio.
O 'mestre da táctica', 'da nota artística', 'acradita' que só desrespeitando e humilhando os outros pode ser grande. Como está enganado. Pena é que não o obriguem a pedir desculpas públicas ao Shéu e ao Rui Costa, a toda a equipa técnica, e ao Sherwood, e principalmente aos benfiquistas. E não é preciso ajoelhar-se...

2- Torna-se urgente uma lei que impeça os deputados da maioria que chumbaram a co-adopção, apenas alguns meses após a terem aprovado, de poderem adoptar qualquer criança, uma vez que não têm maturidade nem coerência intelectual para poderem exercer responsabilidades parentais.

3- Finalmente fez-se justiça. A culpa de terem prescrito ou estarem em vias de prescrever multas e coimas no valor de vários milhões de euros nos processos movidos contra Jardim Gonçalves e João Rendeiro desta vez não foi atribuída a manobras dilatórias usadas pelos advogados...

4- A crise na Ucrânia pode ser uma boa oportunidade para aproveitar e aumentar os vistos-gold a oligarcas russos. Já temos chineses e angolanos. Reatamos com os venezuelanos. Aceitamos os da Guiné Equatorial e portanto só faltam mesmo os russos para completar o ramalhete das nações mais democráticas do mundo que podem vir ao nosso país ensinar como se faz...

sexta-feira, 14 de março de 2014

É melhor estarem caladinhos

A dívida portuguesa é impagável nos próximos anos tal e qual como está previsto nos moldes actuais. O manifesto pela reestruturação da dívida assinado por 74 personalidades de amplos sectores e diversos campos da área política, entre eles dois ex-ministros das Finanças (Ferreira Leite e Bagão Félix) e até dois, (agora ex), consultores de Cavaco, propõe um caminho diferente. Apesar de não ser a solução, inicia uma base para atingir essa solução. Aponta sobretudo a falta de uma verdadeira reforma do Estado como o maior problema que o país enfrenta e a reestruturação da dívida proposta pelo devedor como forma de a tornar sustentável e pagável. A reforma do Estado está por fazer. Os cortes salariais e nas pensões, o aumento de impostos e facilitação dos despedimentos tornando-os mais baratos, ainda que os ilegais, não são de forma nenhuma a reforma do Estado que se impunha. O último exemplo surgiu a semana passada com os protestos das polícias. Abstendo-me agora de comentar a manifestação junto da AR, a verdade é que também nesse sector nada foi feito para reformar o sistema de segurança e da administração interna. O que se verifica nesse como noutros sectores são os cortes cegos. Como na saúde onde um acidentado em Chaves só é atendido em Lisboa. Como na justiça, em que as populações têm que fazer centenas de quilómetros para aceder aos tribunais em vias de encerrar ou de perder competências (debate que ainda não vi em nenhum lado). O país está melhor, dizem, mas as pessoas estão pior. Exacto. Um país sem pessoas seria bem mais fácil de gerir.
Mas o que fica mesmo do manifesto foram as reacções. Desde acusações de radicalismo e eleitoralismo, até às propostas da lei da rolha, vindas dos muito na moda jornalistas/comentadores/escritores/economistas, donos da razão e arautos da verdade, mas só da deles. Os outros é melhor estarem caladinhos. Não se pode desagradar à troika e aos mercados. É melhor comer e calar. Pensar de forma diferente, apontar outras soluções deve ser calado e contrariado sem debate. A forma mais séria, honesta e democrática dos dias que correm. Uma proposta desta natureza que contraria o pensamento dominante da inevitabilidade que nos venderam até aqui não pode sequer ser expressa. Era só o que faltava haver gente a pensar de forma diferente do governo e dos seus cães de fila. Onde é que isso já se viu...
Curioso é notar, todavia, que o que o manifesto defende não é em nada diferente do que Cavaco escreveu no mais recente prefácio aos seus 'Roteiros'. Cavaco é sem querer o subscritor setenta e cinco do manifesto. Anda para aí muita gente distraída.

O que diz o manifesto:

"Nenhuma estratégia de combate à crise poderá ter êxito se não conciliar a resposta à questão da dívida com a efectivação de um robusto processo de crescimento económico e de emprego num quadro de coesão e efectiva solidariedade nacional."
"A dívida pública tornar-se-á insustentável na ausência de crescimento duradouro significativo: seriam necessários saldos orçamentais primários verdadeiramente excepcionais (...)."

O que diz Cavaco:

"A situação portuguesa melhorará se a União Europeia for mais ativa e eficiente na promoção do crescimento económico e na criação de emprego."
"Será decisivo para que, no período "pós-troika", se possa conciliar o respeito pelas regras europeias de equilíbrio orçamental e a redução do desemprego, o crescimento dos salários e das pensões, a melhoria da qualidade dos serviços públicos, como a educação e a saúde, e a resposta que ao Estado cabe dar no combate à pobreza e à exclusão social."
"É essencial proceder à correção de injustiças acumuladas no período de execução do programa de ajustamento."
"Pressupondo um crescimento anual do produto nominal de 4% e uma taxa de juro implícita da dívida pública de 4%, para atingir, em 2035, o valor de referência de 60% para o rácio da dívida, seria necessário que o Orçamento registasse, em média, um excedente primário anual de cerca de 3% do PIB. Em 2014, prevê-se que o excedente primário atinja 0,3% do PIB."

sexta-feira, 7 de março de 2014

O matarroano

O matarroano é um espécime em vias de extinção. É originário de Portugal com maior predominância no interior do país. Fala 'futebolês' na perfeição e caracteriza-se fundamentalmente pela forma como se desloca a caminhar. Os braços e as pernas afastados do corpo num ângulo de 90º dão a sensação de estar a marchar ao mesmo tempo que se prepara para uma luta de sumo japonesa. O bigode farfalhudo é característica típica apesar de ter caído em algum desuso. A barriga proeminente de mulher grávida em última semana de gestação é outra característica tipificadora desta classe de paquiderme. O seu tipo de locomoção é muito influenciado por esta última característica. É também muito comum encontrarmos nesta espécie o uso de um palito no canto da boca, camisola interior cavada e quase sempre manchada. O pêlo abundante nos ombros, no peito e nas costas dão-lhe um ar brilhante na época do calor devido às gotículas acumuladas de suor nas suas pontas. É frequente encontrarmos matarroanos que usem uma volta de ouro ao pescoço, principalmente se o individuo em causa estiver deslocado noutro país. Na época mais fria essa volta em ouro é usada por cima da camisa aos quadrados grandes e garridos e na época de mais calor, se não estiver a usar a camisola interior cavada, é usada com uma camisa desabotoada até ao umbigo. Expressa-se com monossílabos e palavrões em tom grave que facilmente é identificável a 3 km de distância e tem sempre um ar ameaçador. A sua alimentação é baseada em tudo o que puder ingerir permanecendo várias horas seguidas nesse processo.
A subespécie que vive no litoral tem um peso corporal substancialmente menor mas as principais características mantêm-se. Desenvolveu no entanto alguma capacidade de se expressar, conseguindo juntar até 3 frases seguidas com algum sentido, mas ainda assim de difícil compreensão. Têm em comum ser do Benfica e imitam frequentemente a opinião dominante que o Porto está em fim de ciclo. O matarroano é também muito religioso: apelida o presidente do principal rival de 'papa', o seu estádio de 'catedral', o seu jornal de 'bíblia' e tem fé no Jesus.

P.S.- O Benfica também tem adeptos que não são matarroanos.

quinta-feira, 6 de março de 2014

E tu Pedro? Já pegaste numa enxada?


Durante o debate quinzenal na AR no dia de ontem, Passos Coelho deu mais uma machadada na democracia parlamentar do país. Ao recusar responder a uma deputada, Catarina Martins, que, tem o dever e o direito de fiscalizar a acção política do governo, Passos Coelho tirou finalmente a máscara. Ou caiu-lhe. Este senhor, que foi eleito democraticamente, já não tem legitimidade moral e ética nem cultura parlamentar para continuar a gerir os destinos do país, enquanto temos país. Aliás, esta maioria, que governa contra a lei e a constituição, que defende o empobrecimento e mente ao país, como ainda ontem se viu com espanto (ou talvez não) a afirmação que afinal os cortes em salários, pensões e reformas são definitivos quando sempre juraram que eram temporários. Uma maioria que não tem respeito por ninguém e que esconde que a sua intenção é viver num Portugal sem portugueses. Que descobriu o consenso quando afirmara uns meses antes que não precisaria do PS e da oposição para nada no período pós-troika. Esta é a verdadeira cara deste primeiro ministro, deste governo e desta maioria. Uma cara com odor ao bafio salazarista. Vejo com azedume a presença deste primeiro ministro nas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril. Este senhor não faz lá nada e Abril nada lhe diz.
Recomendo a visualização do vídeo acima para prova do alegado. Aviso porém que contém material potencialmente corrosivo para pessoas mais impressionáveis...

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A ameaça europeia

O projecto europeu que agora se desmorona foi uma das melhores ideias do século passado. Morta ao primeiro sinal de crise e às mãos dos alemães e seus aliados, com o escárnio dos ingleses e o chauvinismo dos franceses. O idealismo do projecto de uma União Europeia caiu juntamente com a solidariedade dos ratos que abandonam o navio ao sentir o primeiro sinal do seu afundar. A moeda única, sem mecanismos de defesa e igualdade para os estados membros mais fracos, foi o iceberg responsável pelo primeiro rombo e no agudizar das diferenças entre ricos e pobres. As instituições europeias, eleitas pelos cidadãos europeus, reféns do diktat alemão que ninguém elegeu, não passam de verbos de encher melhor personificadas na marioneta que dá pelo nome de Durão Barroso.
Uma Europa desafiada pelo nacionalismo e xenofobia da Suíça e sem qualquer poder argumentativo ou persuasivo nas relações internacionais, como se viu no caso ucraniano em que quem dita as regras do jogo são os EUA (estarão recordados certamente das célebres escutas do "fuck EU") e o FMI. Uma Europa que viu recentemente a Islândia dar um passo atrás no seu pedido de adesão pressentindo a ameaça do roubo descarado que os países mais fortes impõem aos 'irmãos' mais fracos.
Nestas circunstâncias não é de estranhar os sucessivos apelos de Passos Coelho ao PS para um consenso. E compreende-se porquê. Passos Coelho tem medo da saída limpa ao ser deixado por sua conta e risco perante os mercados e sem a rede garantida das taxas de juro do BCE. Passos Coelho sabe que assim que sair a troika, Portugal será largado às feras sem qualquer condescendência ou solidariedade por parte dos parceiros que lhe passaram a mão no lombo até ao momento. Já fizemos a nossa parte e eles a deles. Nós entregámos e demos tudo, destruímos o estado social (SNS, escola pública), a nossa rede produtiva, a economia, o sector público (justiça) e a classe média, empobrecemos o factor trabalho, as pessoas e o país e vendemos os nossos sectores estratégicos, eles receberam tudo com juros.
Por isso as próximas eleições europeias são tão importantes. É a diferença entre haver um novo paradigma na construção europeia e de quem o defenda, ou a continuação do desmoronamento da Europa. É, meus amigos, quer se queira quer não, a diferença entre ganhar a esquerda, ou a direita no poder.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O congresso é uma festa pá!

Muito penosamente Marcelo, o catavento de serviço da TVI, lá se arrastou ao congresso do PSD. Num misto de surpresa e de saudosismo, alicerçado numa vã tentativa de travar os barrosistas que se preparam para nomear o alto comissário para a presidência da República. O avião ou o táxi em que diz que decidiu dizer qualquer coisa para marcar posição, mais não é senão uma táctica populista de juras de amor e perdão a quem o terá atraiçoado. Santana Lopes registou.
Passos Coelho que prepara a narrativa eleitoralista do país que operou o milagre económico de Fátima e a saída limpa, pressionou mais uma vez o PS a alinhar com a sua política de empobrecimento que o próprio anuncia e fomenta. Ao mesmo tempo que toda a gente bate em Seguro, secretamente esperançosos numa vitória socialista nas europeias, não vá o homem demitir-se e ceder o lugar ao Costa. Talvez venha daí o desafio de Rangel para que o PS (bem mandado) apresentasse o seu candidato. Assis foi a rolha que saltou da garrafa de champanhe de Passos, aberta no momento em que soube do anúncio socialista. Assis é o garante da vitória do PS nas europeias e da continuação de Seguro ao leme da sua fraca oposição e que poderá proporcionar ao PSD um laivo de confiança para as legislativas de 2015.
Entretanto, e como Passos nada sabe de política, resolveu dar mais um tiro no pé, reabilitando em 6 meses Relvas, o amigo leal, cumprindo a promessa que lhe havia feito aquando da sua demissão. Passos não o deixaria cair. Registei que Portas foi mais aplaudido apenas e só desfilando na passadeira vermelha do que o único discurso com conteúdo político da autoria de Morais Sarmento.
Quanto aos chumbos do TC, nomeadamente o mais recente ao referendo sobre a co-adopção e o relatório do FMI nem uma palavra. O congresso é uma festa e um concurso de banalidades. Sem críticos, que ficam em casa à espera de vez, o congresso é o sítio onde se pode esquecer a realidade e celebrar-se a si mesmo. Não há espaço para elitistas, sulistas e menos ainda para liberais...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Está tudo doido

Aconselha o bom senso que as pessoas só falem daquilo que sabem, e ainda assim, principalmente no caso de serem titulares de órgãos públicos, a falar com prudência num discurso que se exige esclarecedor.
Ora, a histeria colectiva que se vive em Portugal e na Europa é um caso do foro psiquiátrico que não deixa espaço a uma discussão sadia sobre o papel do país na Europa e do Estado no e do país. Enquanto se vai empurrando com a barriga, toda a atoarda propagandista serve para camuflar a realidade. Vai desde um vice primeiro ministro que a pretexto de classificar e enaltecer a grande obra feita nas exportações, recorre a um porta-aviões figurativo, ele que viu um processo de submarinos afundar-se nas entrelinhas do nosso sistema de justiça. E como nós sabemos! que o desempenho das exportações ou o aumento do consumo privado nada tem a ver com algo de concreto que este governo tenha feito, mas antes se deve ao que o TC desfez. Ainda Portas se preparava para desenvolver a propaganda eleitoralista de baixa de impostos em 2015, sublinhando assim o milagre económico anunciado por Passos Coelho que permitiria uma saída limpa (ou suja conforme o ponto de vista), e já o FMI e a Comissão Europeia desfaziam com os pés toda a narrativa que se desenhava no governo e partidos da maioria. Um valente puxão de orelhas nos meninos de coro e até aqui bons alunos que já se preparavam para afrouxar o cinto e voltar aos pecados de antigamente. Assim como quem diz que a supervisão parental vai continuar. O relatório da troika afirma ainda que a austeridade é para manter por muito tempo e ainda urge baixar mais os salários, anunciando um corte de 3 mil milhões de euros para este ano que ainda ninguém tinha descoberto. O empobrecimento que está a destruir o tecido social e empresarial do país é para manter, por mais que se faça mea culpa. Os soluços da pequenada ainda se ouviam quando apareceu o líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, a dizer que "a vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor", como se fosse possível um país sem pessoas. Mas é nisto mesmo que eles acreditam, chegando até ao desespero de, com o intuito populista de disfarçar as medidas menos boas, inventar coisas no memorando inicial, para assim conseguir sacudir a água do capote imputando-as ao Sócrates do costume. Assim sucedeu com o mapa judiciário.
Mas há mais, desde a esquizofrénica proposta de Assunção Esteves de pedir a mecenas para patrocinar as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, passando pela absurda proposta de Seguro de criar um tribunal especial para grandes investidores e acabando na CPLP que irá permitir a entrada na comunidade de um país que tem um regime ditatorial e sanguinário e onde se fala tudo menos português (Guiné Equatorial), em troca de 150 milhões de euros para o BANIF. Quero ver o escabroso Acordo Ortográfico a ser assinado e ratificado pela Guiné Equatorial, e assim será assinada de vez a sua sentença de morte que já começou a ser escrita pelo Brasil. Tudo está à venda e está tudo doido...