Ao verdadeiro Nobel... da música... e uma das melhores canções de sempre...
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
Trumpalhada
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
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Trump venceu as eleições americanas... Este título há uns anos faria rir muita gente. Hoje ninguém se ri. A não ser os idiotas que nele votaram. Não há volta a dar. Só podem ser idiotas, para não dizer outra coisa. Alguém que diz que as mulheres devem ser tratadas como merda, que diz que vai erguer um muro na fronteira com o México, que diz que vai proibir a entrada a mais imigrantes, especialmente os muçulmanos, que afirmou que se fosse eleito mandaria prender a sua oponente, que diz que o aquecimento global é uma coisa inventada pela China, que é xenófobo, racista, populista, fascista e misógino, alguém que diz o que diz e pensa assim não pode ser eleito para coisa nenhuma, quanto mais para o cargo mais poderoso do mundo. Quem apoia e vota numa pessoa assim não pode merecer respeito. Ou é completamente ignorante, tal como Trump, ou não é, e então é como ele. Milhões de americanos são assim, ignorantes, quero crer.
Importa agora, chegar ao fundo da questão. Porque é que isto aconteceu? E não vale a pena dizerem que aquilo foi tudo show off de campanha. Os discursos do homem vão ser sempre um murro no estômago. E vamos vê-lo e ouvi-lo inúmeras vezes.
O fenómeno, nestas eleições, não era apenas Trump. Era também Clinton. Não poderia haver escolha mais falhada para uma oposição a Trump do que um dos maiores símbolos de tudo o que a maioria dos norte-americanos queria recusar.
A verdadeira razão para a eleição de Trump, é a mesma que surge na Europa. É a ruptura entre a política e as sociedades ocidentais, resultado da longa crise económica e financeira e da globalização que deixa grande parte dos cidadãos de fora.
A insegurança e o medo, as desigualdades, o desemprego, a perda de rendimento, a austeridade, o endividamento e a dívida. A globalização que tinha a virtude de aproximar pessoas e mercados, rapidamente se transformou e subverteu. Desregulou-se o capital e a economia passou a mandar na política. Os mercados orientais entraram-nos pela porta adentro, fazendo uma concorrência impossível de acompanhar pelas nossas empresas. O grande capital financeiro das grandes empresas passou a recrutar no oriente a sua mão de obra, mais barata para minimizar custos e aumentar lucros. O emprego ficou aqui mais caro e a consequência foi o aumento brutal do desemprego. A crise financeira, causada pela total desregulação do mercado rapidamente tomou conta dos estados e dos países.
As pessoas assustaram-se e maltratadas pela globalização estão disponíveis para ouvir e apoiar quem lhes prometa mudança. Com ou sem princípios. Com ou sem conhecimento. O problema é que essa mudança não vem de quem deve vir, num sistema político falhado e paralisado, Nos EUA como aqui.
Usando a demagogia, Trump conseguiu dar uma resposta, ainda que assente em falsidades, aos anseios de milhões. A eleição de Trump é mesmo uma mudança histórica. A sua chegada à Casa Branca criará um clima insuportável de tensão racial no país. Um homem que não acredita no Estado de Direito terá um poder decisivo na constituição do Supremo. Os muçulmanos não esquecerão nada do que Trump disse e os norte-americanos voltarão a ser insidiosos na luta contra o terrorismo. O combate às alterações climáticas recuará e o preço será pago pelos nosso filhos e netos. O mundo ficará ainda mais perigoso porque Trump não acredita na democracia, apesar de ser um filho da globalização.
O mundo está a caminhar para aqui. Líderes populistas e de pensamento fascista, que conseguem capitalizar por essa via o descontentamento popular, transformando-o em poder pessoal anti-sistema.
Vivem-se tempos negros, e se não aparecerem líderes capazes de dar resposta ao ímpeto de mudança que as pessoas desamparadas exigem, que não consigam serenar e diminuir as desigualdades, que não lhes inspirem confiança, que não usem o sistema a seu favor, mas a favor dos votantes, temo o pior... Não sei se depois de Trump ainda iremos a tempo...
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quinta-feira, 3 de novembro de 2016
A agenda que regressa
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
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A Comissão Europeia enquanto comandada por Durão Barroso e já no tempo de Juncker, tinha um acordo secreto com a França para a ajudar a encobrir os défices excessivos. Passava assim a França por país cumpridor. Mais ou menos como o Lehman Brothers fez com as contas da Grécia. O Lehman Brothers para onde foi o Durão trabalhar. Não há coincidências...
Mas, como disse um dia Schauble "A França é a França". E Herr Schauble, o arrogante e xenófobo ministro das finanças da Alemanha, cada vez que abre a boca é para amesquinhar os mais pobres, os mais indefesos, as nações europeias que nunca destruíram a Europa como o seu país fez por duas vezes, e que agora pretende enterrar-nos na sodomia financeira dos ricos e poderosos. As nações que se afundaram numa moeda que cultiva a divergência económica e social entre os povos que deveria unir. Iludidos por promessas de desenvolvimento e união. Confiantes em completar o ideal europeu.
Herr Schauble não gosta de latinos, nem de gregos, tal como outros no seu tempo não gostaram de judeus, negros e ciganos. O racismo e a xenofobia são as armas que voltam à propaganda e à agenda política. O golpe no Brasil, a incrível possibilidade de Trump, os Herrs...
Assim vai a Europa dos czares e dos chanceleres. O Reino Unido tem à partida um povo bem mais inteligente do que aquilo que seria de esperar. E se discordei do BREXIT, neste momento nem sei se concordo com a UE. Essa, onde todos os dias e todas as noites morrem milhares de refugiados nas suas costas.
A agenda política dos herr's e dos chanceleres, vira-se então para os mais indefesos. Ameaçam com castigos e têm nos media por eles controlados, a sua voz da propaganda. A Comissão Europeia podia ter um comissário da propaganda, a lembrar tempos mais sombrios, que estão de volta, ninguém duvide.
Veja-se o caso português, que de tão bom aluno em querer ir mais além que a troika, não quis renegociar a dívida e agora paga por ano mais 1% de juros que a própria Grécia!, deixou o seu sistema bancário por capitalizar, e endereçou o problema para o governo que viesse a seguir fechar a porta. O Banif e a CGD certamente bombas nas mãos do anterior governo, estavam como se desconfia agora, protegidos pela CE e por Schauble para a saída limpa, com a esperança de serem eleitos outra vez, para continuar as políticas de terra queimada de comissários e alemães. Schauble, que não cala a cremalheira, lá veio dizer mais uma vez, muito aziago e sem esconder o fel dos dentes, que o governo anterior é que era... Eu percebo, caro Herr, o Costa não estava nos planos... e ainda há quem resista ao desmantelar do estado social europeu!
Aliás, o caso de Sérgio Monteiro, nomeado “vendedor” do Novo Banco por um governo demissionário de que era secretário de Estado e que quase todos põem em causa as suas habilitações curriculares para a tarefa, está a receber, para fazer ninguém sabe muito bem o quê, quase 30 mil euros mensais. António Domingues foi nomeado para presidente da CGD por este novo governo, com a missão urgente de tratar da sua recapitalização. Vai ganhar um salário segundo o mercado. Ninguém critica a sua competência técnica e profissional. Mas eis que, a agenda política da direita mesquinha de Passos e Cristas, habituados a lamber as botas da direitalha alemã, logo tratam de pôr na agenda mediática o salário do gestor da CGD, arredios de saber se isso será contra os interesses da Nação, pois a recapitalização da CGD é uma urgência que não lhes assiste. A sua agenda política, acouraçada na agenda mediática, dá para ir fazendo casos e casinhos de coisas que não deveriam ser assunto. O populismo é assim e a isso obriga. Nos sites do “Público” e do “Diário de Notícias” as referências ao salário de António Domingues foram cinco vezes superiores às do salário de Sérgio Monteiro. Nos do “Expresso” e da TSF foram três vezes mais. No do “Correio da Manhã” seis. Nos canais de televisão a proporção deverá ser ainda mais 'favorável' a Domingues. A desproporcionalidade de tratamento entre este governo e o anterior leva a desconfiar de parcialidade que já todos sabemos existir em toda a comunicação social, porque ela também está a soldo dos grupos económicos que são seus donos. Daí a tentativa de Passos em privatizar a RTP e tudo o que mexesse. Directivas ideológicas, lesa-pátria, criminosas, para agradar aos fascistas no poder.
Assistimos a um cerco político que resulta, antes de tudo, do facto de António Costa ter integrado o PCP e o Bloco no arco da governação, dando muletas a uma esquerda coxa há mais de 40 anos. Essa é a razão de fundo para a parcialidade da comunicação social, que foi especialmente visível nas vésperas do Orçamento de Estado, onde cada pequena informação ou sugestão foi transformada num assunto nacional para depois do Orçamento apresentado (e esvaziadas quase todas as polémicas) rapidamente passarmos para outros assuntos e pequeninos escândalos. Até se chegar ao ridículo de se dizer que o Orçamento para a Educação tinha sido reduzido, alimentou-se a comunicação social e os 'paineleiros' e depois analisam-se os gráficos e afinal aumentou 180 milhões de euros.
Vão continuar a criar casos, a alimentar escândalos, a fomentar os media. Até se afundarem nas suas próprias vísceras...
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
O Nobel dá música
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
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Colocar Bob Dylan no mesmo nível de Yeats, Bernard Shaw, Thomas Mann, Hesse, Faulkner, Churchill, Hemingway, Camus, Steinbeck, Sartre, Beckett, Neruda, Garcia Marquez, Saramago, Grass, Vargas Llosa, entre outros, é roçar o ridículo.
Aberta a caixa de Pandora, Axl Rose, Bono e até quem sabe Abrunhosa, poderão em breve surgir como potenciais vencedores.
A academia sueca do Nobel está a conseguir destruir o prestígio que representa o mais alto galardão ao nível planetário. Como já tinha feito aquando da entrega do Nobel da Paz a Obama acabado de chegar à Casa Branca, e à UE, essa grande instituição de solidariedade...
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Nobel da Literatura
sábado, 8 de outubro de 2016
O esgoto humanóide
sábado, 8 de outubro de 2016
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A resposta que todos os 'hijos de puta' mereciam. De toda a gente. Em todo o lado. Porque não vale tudo, porque o dinheiro, as vendas e o lucro não podem justificar tudo. A polémica. o choque, a devassa, o escândalo e o voyeurismo são as armas predilectas do produto que vende, do mercado que exige. E a banalização dos tablóides não pode ser normalizada por aqueles que têm o dever de guardar a ética e a moral. O dever de informar diz respeito à liberdade de imprensa e de expressão. Mas no mundo global de hoje, sem escrúpulos, sem filtros, os 'TRUMPetistas' tocam e a caravana passa. Se não estamos a ficar mais estúpidos, estamos mais estupidificados... Sim, porque quem come e cala são neste momento a esmagadora maioria da chamada opinião pública. Que tem opinião sobre tudo, mas não sabe de nada. Que compra religiosamente o Correio da Manhã e vê o 'Secret Story'. Os Saraivas que por aí soçobram, ignorantes e abjectos, com um cartão qualquer na mão que lhes dá o direito de escrever qualquer coisa, vender qualquer coisa, regurgitar qualquer coisa, sem saber o que dizem, na impossibilidade de dizer o que não sabem...
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quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Celebre-se
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
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5 de Outubro. Feriado. Dia da República. Não honraremos o país e as pessoas se não honrarmos os seus símbolos e instituições. Quer se queira quer não, Portugal é uma República, e ao celebrar a sua instituição estamos a celebrar as suas instituições. Democráticas e livres. É por isso que se fazem feriados. Para que não haja esquecimentos.
Cereja no topo do bolo. António Guterres, eleito para o mais alto cargo da ONU. Um orgulho enorme para Portugal, com a certeza de que venceu o melhor candidato por mérito próprio.
Merkel e Juncker aprenderam que não se podem comportar no mundo com recurso aos mesmos truques a que recorrem na política europeia. A Alemanha aprendeu uma dura lição e o presidente da Comissão Europeia caiu no ridículo com a já famosa licença sem vencimento da Kristalina. Uma rapariga armada com a chico-espertice saloia de quem foge ao exame escrito e vai directamente à oral por portas travessas.
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quinta-feira, 22 de setembro de 2016
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
A classe média dos ricos
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
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Por norma ninguém é a favor de aumento de impostos ou da criação de novos impostos. Não fujo à regra. Mas a celeuma com o ainda projecto de tributação de património acima de um milhão de euros parece até mentira. Isso ou então há muita gente por aí com património desse valor ou acima. Se calhar dissimulado. Isso e a divulgação de tal projecto ter sido protagonizado por Mariana Mortágua, uma perigosa 'comuna', alvo de ataques pessoais, ignorantes e cobardes.
A direita apareceu indignadíssima com o ataque "monstruoso" que a geringonça se prepara para fazer à classe média. Parece que um imposto sobre um património imobiliário avaliado anualmente num milhão de euros acordou a direita para uma “política para as pessoas, as da classe média”.
A direita apareceu indignadíssima com o ataque "monstruoso" que a geringonça se prepara para fazer à classe média. Parece que um imposto sobre um património imobiliário avaliado anualmente num milhão de euros acordou a direita para uma “política para as pessoas, as da classe média”.
Em matéria de escolhas políticas fiscais e de cortes de rendimentos, o último governo entendeu que um pensionista e funcionários públicos com uma pensão de 600 euros eram classe média, pelo que decidiu cortar definitivamente dois meses da vida dessas pessoas. Esse ataque ao conceito de classe média do então governo laranja e azul só não foi definitivo porque 17 deputados do PS e BE e, depois, todos os partidos da esquerda impugnaram a infâmia junto do TC.
Em matéria de conceito de classe média, o anterior governo tinha por rico a abater fiscalmente, com o seu enorme aumento de impostos, gente com rendimentos abaixo dos mil euros brutos mensais, disse ter aumentado as pensões mínimas, nunca dizendo que o fez à custa do esbulho do Complemento Solidário para Idosos, tinha preparado um corte de 600 milhões de euros nas pensões, introduziu a sobretaxa no IRS, que a geringonça eliminou contra a vontade dos súbitos puritanos, opôs-se no último OE à redução do IRS sem aumentar o IRC, isentou de impostos os fundos de investimentos imobiliários, que a geringonça fez acabar, está contra o aumento do salário mínimo, contra a reposição do valor do Complemento Solidário para Idosos e do valor de referência do Rendimento Social de Inserção, para um total de 440 mil portugueses.
É confrangedor ver o PSD e o CDS a falarem de classe média quando olhamos para as suas escolhas políticas enquanto governantes. Quem rebentou com a classe média foi precisamente o governo anterior.
Neste momento e à míngua de argumentos, redescobriram a classe média, numa deriva populista que tão só visa a sobrevivência política de Passos e Cristas. E chega à idiota conclusão que agora a classe média não é quem ganha 600 euros, como no passado, é quem tem um património imobiliário anual avaliado em mais de um milhão de euros.
E o que significa afinal deter património avaliado em mais de um milhão de euros? Uma mansão? Dez apartamentos? Quatro casas de luxo? Um prédio, ou dois, ou três?
Onde estavam estes senhores da 'classe média' quando se cortaram salários, pensões, reformas, apoios sociais e se taxaram os mais pobres?
Esta medida prova que finalmente se está a mexer com os mais poderosos, com os mais ricos, e com alguns biltres que lucram com a desgraça alheia.
Se não achasse inconstitucional, seria cem por cento a favor do levantamento do sigilo bancário e aí sim podiam ter a certeza que muita gente teria que prestar contas, quase todas à justiça.
Em matéria de coerência Passos Coelho já nos habitou à falta dela... e nem vou perder tempo com a porcaria em que se meteu com a certa, hipotética e gorada apresentação do 'livro' do arquitecto Saraiva...
E o que significa afinal deter património avaliado em mais de um milhão de euros? Uma mansão? Dez apartamentos? Quatro casas de luxo? Um prédio, ou dois, ou três?
Onde estavam estes senhores da 'classe média' quando se cortaram salários, pensões, reformas, apoios sociais e se taxaram os mais pobres?
Esta medida prova que finalmente se está a mexer com os mais poderosos, com os mais ricos, e com alguns biltres que lucram com a desgraça alheia.
Se não achasse inconstitucional, seria cem por cento a favor do levantamento do sigilo bancário e aí sim podiam ter a certeza que muita gente teria que prestar contas, quase todas à justiça.
Em matéria de coerência Passos Coelho já nos habitou à falta dela... e nem vou perder tempo com a porcaria em que se meteu com a certa, hipotética e gorada apresentação do 'livro' do arquitecto Saraiva...
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quinta-feira, 15 de setembro de 2016
O modelo experimental europeu
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
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Terminada a chamada silly season, passou ao lado de muita gente o relatório pedido pelo FMI sobre o programa da troika em Portugal. E não terá sido inocente. Não diz nada que já não se tivesse dito. Foram muitas as vozes a chamar a atenção dos erros flagrantes do chamado plano de resgate, das prioridades trocadas, da destruição do tecido económico que inevitavelmente aconteceria, do desemprego e emigração que provocaria.
Essas e muitas outras críticas foram feitas antes da sua implementação e, sobretudo, quando eram já mais que óbvias as falhas do programa. O próprio Vítor Gaspar as reconheceu na sua célebre carta de despedida. O próprio FMI já tinha noutras ocasiões admitido vários erros.
Nesse relatório o que lá está é o seguinte: o programa da troika falhou em toda a linha. Ponto. Os pressupostos estavam errados, enganaram-se nas fórmulas e nos seus efeitos e, claro, nenhum dos problemas estruturais da nossa economia melhorou, a sustentabilidade da dívida pública e da balança continua tão débil como antes e até o crescimento das exportações - visto como um dos sucessos do programa - ou o celebrado regresso aos mercados - os autores do relatório com uma mal disfarçada vergonha sugerem que não será evidente que isso não tenha sido consequência das políticas do BCE - em nada esteve relacionado com a malfadada receita. Ou seja, ajudou-se a destruir o nosso sistema bancário e, surpresa das surpresas, chega-se à conclusão de que uma restruturação da dívida teria sido uma medida bem vinda.
O pior de tudo não é perceber que se mandaram para o desemprego milhares de pessoas, não foi termos perdido milhares para a emigração, não foi só ver o factor trabalho humilhado com a aposta em salários baixos, não terá sido a aposta no empobrecimento, não foi por a receita ter produzido um país ainda mais desigual e mais injusto.
O que mais choca no relatório não é a assunção dos erros, é perceber a ligeireza com que se fizeram experiências com as vidas das pessoas, como meras cobaias ao serviço de uns senhores que nunca tinham testado uma fórmula, e com a cobertura de um ex-primeiro Ministro que serviu em bandeja um país inteiro e que continua interessado no insucesso do atual modelo em gestão.
E depois, e ainda segundo o FMI, o Deutsche Bank é o maior risco sistémico em todo o mundo. Mas não deixa de ser curioso que, com uma bomba relógio em casa, Shauble tenha obrigado a Europa a entreter-se com a destabilização de Portugal. Se essa bomba lhe rebentar nas mãos, os famigerados limites do défice serão uma brincadeira de criança e a Alemanha voltará a violar esses limites, como já o fez por várias vezes e sem qualquer sanção ou sequer ameaça.
Desde o Brexit que a Alemanha intensificou o bullying sobre Portugal. O objetivo é mostrar mão firme depois da debandada britânica ou criar problemas a um governo que não lhe agrada. E a direita portuguesa, responsável pela derrapagem do défice do ano passado, volta-se a comportar como o cordeirinho degolado e de joelhos à espera que alguém lhe venha um dia a dar razão.
Basta ver os novos empregos da nossa anterior Ministra das Finanças e do anterior Presidente da Comissão Europeia para se perceber de que lado estavam enquanto nos ‘governavam’. O código de ética não pode ser só para alguns, deveria ser para todos.
P.S. – Costumo dizer em tom de brincadeira que os heróis que conheço estão todos mortos. Mas conheço uns quantos bem vivos, os nossos bombeiros, bem hajam...
Publicado hoje no semanário 'A Voz de Chaves'
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quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Tirado da net - Um aldrabão com tempo de antena pode ser perigoso
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
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"Tal como prevíamos ontem, a mentira acerca da alteração no cálculo do IMI já deu várias voltas a Portugal, alimentada pelo ignorante populismo de quem diz que o Governo quer "taxar o sol".
A realidade objectiva não importa e o facto de que a maioria dos proprietários até verá o valor do seu IMI a descer também não. A simplória indignação nas redes sociais sobrepõe-se à racionalidade. E há sempre um José Gomes Ferreira pronto para comentar o assunto no noticiário da SIC, alegando que esta alteração ao cálculo do IMI é uma forma do Governo arrecadar mais impostos para equilibrar as contas públicas, quando o imposto do IMI nem sequer reverte para os cofres do Estado, mas sim para as autarquias.
Meia dúzia de jornais criaram o sensacionalista título de que o Governo vai taxar o sol, José Gomes Ferreira ajuda à festa, mentindo com todos os dentes que tem, e o país, confuso e legitimamente preocupado, cai na esparrela da "austeridade de Esquerda".
Vamos a 30 segundos de serviço público e esclarecimento? Vamos a isso:
- A alteração só incide sobre novas casas. O IMI sobre imóveis já existentes só será alterado se o proprietário deliberadamente solicitar a reavaliação do seu imóvel. Ou seja, proprietários que façam a simulação e verifiquem que o valor do seu IMI subiria não terão problemas, pois basta não pedirem a reavaliação para não terem aumento de IMI.
- Por outro lado, todos os proprietários que verificarem que a reavaliação do imóvel desceria o valor do seu IMI terão apenas de solicitar essa reavaliação, que produzirá a redução do imposto.
- É verdade que, além dos proprietários, também as autarquias poderão solicitar a reavaliação do IMI. No entanto, essa reavaliação só pode acontecer se avaliação mais recente tiver mais de três anos e se a própria autarquia tomar essa iniciativa. Portanto, ao contrário do que dizia José Gomes Ferreira, no seu espaço de propaganda, na SIC, o Governo nada ganha com esta alteração.
- Na prática, o que esta alteração significa é que imóveis com maior valor de mercado poderão pagar mais IMI, se o proprietário tomar a iniciativa de pedir a reavaliação, enquanto que imóveis com menor valor de mercado terão o seu IMI reduzido, pois será do interesse do proprietário solicitar a reavaliação.
- Isto é uma medida de justiça elementar, completamente de acordo com o princípio da progressividade dos impostos: quem tem mais, paga mais. Quem tem menos, paga menos. É simples.
- São os próprios fiscalistas que admitem que há imóveis a pagar um valor de IMI superior ao que deveriam estar a pagar, devido à falta de critérios de qualidade e conforto que incluam a localização e a operacionalidade relativa dos imóveis. Com esta alteração, o Governo melhora os critérios que acrescentam equidade ao cálculo do valor do imóvel, e o respectivo IMI.
- Esta alteração é mais que justa, pois não faz sentido que, por exemplo, os moradores de um prédio com vista orientada para o mar paguem o mesmo valor de IMI que os seus vizinhos nas costas do prédio, cujo apartamento tem vistas bem menos privilegiadas e um valor de mercado claramente inferior.
- Por fim, parem lá com a parvoíce de que o Governo está a taxar o sol. Afinar o cálculo e os critérios dos coeficientes de qualidade e conforto é uma forma de reduzir a subjectividade deste imposto e de aumentar o princípio de justiça social que tem subjacente. Uma casa com centenas e centenas de metros quadrados de área paga um imposto superior ao de uma casa de 40 X 30 m e nem um aldrabrão como o José Gomes Ferreira se lembraria de dizer que o Governo está a taxar o espaço no planeta Terra, certo?"
O site Economia e Finanças explicou a alteração ao Código do IMI ponto por ponto, com ligações para todos os documentos relevantes. Poderão encontrar a explicação aqui:
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José Gomes Ferreira
segunda-feira, 11 de julho de 2016
Obrigado dégueulasse
segunda-feira, 11 de julho de 2016
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quinta-feira, 30 de junho de 2016
A geringonça espanhola
quinta-feira, 30 de junho de 2016
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Em Espanha já se realizaram duas eleições e estão há mais de 6 meses sem governo. Falta-lhes um Costa para pôr a geringonça a funcionar... Ai se fosse em Portugal? Quantos santos já teriam caído do altar?!
A inteligência de António Costa foi a de mudar a estratégia do PS antes que o PS ficasse numa situação muitíssimo mais frágil, como está a acontecer a muitos partidos socialistas por essa Europa fora. Quem acusa Costa de estar refém do resto da esquerda devia olhar para Espanha e para a situação do PSOE...
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sexta-feira, 24 de junho de 2016
BREXIT
sexta-feira, 24 de junho de 2016
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As divergências económicas e fiscais egoístas que dinamitaram o modelo social europeu, todas as ingerências e castigos, o abandono da solidariedade, tendo como exemplo máximo a não resposta à crise dos refugiados, as ameaças de sanções por ministros das finanças de um país contra os outros, fizeram implodir por dentro e por culpa própria todo o ideário da Europa unida que trouxe décadas de paz e desenvolvimento social e económico.
As regras que a uns são impostas e a outros esquecidas, a desigualdade por oposição ao caminho trilhado da integração, os vistos prévios de tecnocratas que ninguém elegeu, a substituição da política pelo mercantilismo dos números que torcem e fazem cair governos, que atropelam e substituem por marionetas de mão. Mandadores sem lei que impõem crivos ideológicos contra programas de governos eleitos, e que cujo conceito de democracia se desvia à luz do mais forte. Tudo isto minou as fundações da UE e fez sobressair o populismo e o nacionalismo das extremas, esquerdas ou direitas.
Sobrou o medo, a chantagem, a xenofobia e o racismo. A forma como a Grécia foi enxovalhada e vergada foi o princípio do fim. E o problema que era o governo de esquerda em Portugal...
A saída do Reino Unido pode também causar mossa no próprio, com divisões que se adivinham na Escócia e na Irlanda do Norte, e em abono da verdade se diga que o Reino Unido nunca esteve com os dois pés na UE. Os nacionalistas estão no palanque a exigir referendos na Holanda, na França e por aí fora... A Alemanha caminha sozinha há quase uma década, e prepara-se para ficar sozinha. A UE tal como a conhecemos começou a acabar com as crises das dívidas soberanas, continuou hoje com o Brexit, terminará em breve. A triste realidade que transformou um europeísta em eurocéptico. Os muros costumam nascer assim, como alguns que crescem por aí. Outros muros se levantarão, se não se arrepiar caminho e se não se souber convencer o povo que a democracia é o caminho que garante a liberdade, ao invés do medo, do racismo e da xenofobia...
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Ronaldo e eu...
quarta-feira, 22 de junho de 2016
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... temos uma coisa em comum...
O total desprezo pelo Correio da Manhã e pela CMTV... Não levando aqui em consideração se a atitude foi a melhor...
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terça-feira, 7 de junho de 2016
sexta-feira, 27 de maio de 2016
Quem é Schauble?
sexta-feira, 27 de maio de 2016
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Espera aí! Mas as políticas dos últimos 4 anos, tão elogiadas pelo velho Schauble, agora merecem castigo?
O défice excessivo de 2015 em Portugal, de que o governo português actual não é responsável, como é óbvio, porque só governou em Dezembro, merece castigo?
Ou é só por ser um governo que escolheu outro caminho?
Mas Schauble por acaso é Presidente ou Primeiro-Ministro da UE?
E a Alemanha de que Schauble é Ministro das Finanças tem cumprido as regras do défice? E as outras regras?
E a Alemanha manda e os outros obedecem, ainda que moralistas sem moral?
É justo e equitativo pôr todos os países da zona euro no mesmo saco?
Que UE afinal queremos?
Existe de facto solidariedade e igualdade entre Estados?
Quem é Schauble?
quarta-feira, 25 de maio de 2016
Quero um contrato de associação só para mim
quarta-feira, 25 de maio de 2016
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Não existe mal nenhum no debate público e mediático. Mas ter escolas públicas a meio gás, que inflacionam o custo médio por aluno, enquanto se financiam escolas privadas ao lado, é criticável à luz de qualquer posição ideológica. O argumento da liberdade de escolha é um argumento estafado. Há liberdade de escolha se existir uma escola pública ao lado de uma escola privada. Não se pode confundir isso com o facto de essa escola privada ser financiada pelo Estado. Quem escolher a escola privada, onde exista uma escola pública nas imediações, tem que pagar por isso. Não tem que ser o Estado a financiar a iniciativa privada.
A igreja católica, que beneficia deste privilégio, veio a terreiro criticar a opção do governo. Mas onde estava a igreja católica quando milhares empobreceram, emigraram e perderam o seu emprego e dignidade no mandato do anterior governo?
Espero que o ministro da Educação não recue e que de forma faseada acabe com o pagode. Porque estamos a falar de educação e crianças. Mesmo as do papá e da mamã. Porque essas escolas barram à entrada os alunos problemáticos. Esses dão muito trabalho, ainda que o Estado pague...
A igreja católica, que beneficia deste privilégio, veio a terreiro criticar a opção do governo. Mas onde estava a igreja católica quando milhares empobreceram, emigraram e perderam o seu emprego e dignidade no mandato do anterior governo?
Espero que o ministro da Educação não recue e que de forma faseada acabe com o pagode. Porque estamos a falar de educação e crianças. Mesmo as do papá e da mamã. Porque essas escolas barram à entrada os alunos problemáticos. Esses dão muito trabalho, ainda que o Estado pague...
Será esta a melhor forma de debater o assunto? Não me parece...
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segunda-feira, 9 de maio de 2016
Fim de semana transmontano
segunda-feira, 9 de maio de 2016
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Os custos da interioridade podem ser difíceis de combater. Só com boa vontade, muita boa vontade por parte do poder central, tais custos podem ser mais ou menos esbatidos.
Neste fim de semana foi inaugurado o túnel do Marão. Uma obra que após vários anos de avanços e recuos permite esbater distâncias e assimetrias. Fez bem António Costa em convidar os seus antecessores para a inauguração. Sócrates foi quem lançou a empreitada, Passos continuou-a e coube a Costa terminá-la. O que devia estar na mente de todos era precisamente o dia de festa que representa para a região e não fait divers mais ou menos enviesados. Passos não se quis associar a tal festejo e optou por arranjar uma desculpa mal amanhada dizendo que nunca inaugurou obras enquanto primeiro Ministro. Mentiu e saiu mal na fotografia. Inaugurou pelo menos a nova sede da PJ em Lisboa e o novo museu dos Coches também na capital. Chegou a inaugurar, pasmem-se, uma escola, na qualidade de líder da oposição. Passos, nascido e criado em Vila Real, merecia ter na região, os votos nas próximas legislativas que merece, ou seja, zero.
Também este fim de semana, o Desportivo de Chaves regressou ao convívio com os grandes do futebol, após 17 anos de quase morte. Salvou-o um mecenas da terra. Só o Desportivo consegue ser o farol de toda a região e pôr no mapa a cidade que lhe dá nome. Uma cidade deserta de pessoas, que pagou bem caro os custos da interioridade e do governo de Passos que quis empobrecer o país e incentivou a emigração, em Chaves notou-se e bem. Uma cidade conduzida por um executivo camarário sem ideias nem visão de futuro, que asfixiou o município financeiramente, em obras megalómanas, algumas delas por abrir e que terão custos de funcionamento incomportáveis. À semelhança de Passos Coelho também este executivo camarário deveria merecer uma atenção especial por parte dos Flavienses em próximas eleições autárquicas, com cartão vermelho.
Salva-se o Desportivo...
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quarta-feira, 4 de maio de 2016
Já agora... vale a pena ler isto
quarta-feira, 4 de maio de 2016
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RODRIGUES DOS SANTOS: “A SEXUALIDADE DAS ONOMATOPEIAS"
SOPA DE PEIXE COM LEITE DE MAMA
Comece por saborear esta deliciosa sopa de peixe com leite de mama, soberba criação daquele que, mais ano, menos ano, será seguramente o segundo português laureado com o Prémio Nobel da Literatura.
Depois, se tiver a milésima parte da pachorra do António Araújo (que leu várias vezes a volumosíssima produção romanesca de JRS nas sucessivas edições portuguesas e inglesas), prossiga a leitura pelos cinco intermináveis episódios da saga “Rodrigues dos Santos: a sexualidade das onomatopeias”, no blogue Malomil, nos atalhos que indico no final.
“Longe, muito longe, vão os tempos da célebre cena da sopa de peixe, levada aos escaparates em Outubro de 2005, no inesquecível romance «O Codex 632». Neste episódio, dos mais marcantes da ficção portuguesa pós-25 de Abril, a estudante Lena Lindholm, uma sueca de «seios atrevidos e generosos» e com «nádegas carnudas», seduz Tomás Noronha, professor da Universidade Nova de Lisboa que naquela época tinha 35 anos e envergava «olhos verdes e cintilantes».
Recordemos o incidente:
«Parou de comer e fitou-o com uma expressão insinuante. “Sabe qual é a minha maior fantasia de cozinheira?”
“Hã?”
“Quando um dia for casada e tiver um filho, vou fazer uma sopa de peixe com o leite das minhas mamas.”
Tomás quase se engasgou com a sopa.
“Como?”
“Quero fazer uma sopa de peixe com o leite das minhas mamas”, repetiu ela, como se dissesse a coisa mais natural do mundo. Colocou a mão no seio esquerdo e espremeu-o de modo tal que o mamilo espreitou pela borda do decote. “Gostava de provar?”
Tomás sentiu uma erecção gigantesca a formar-se-lhe nas calças. Incapaz de proferir uma palavra e com a garganta subitamente seca, fez que sim com a cabeça. Lena tirou todo o seio esquerdo para fora do decote de seda azul (…). A sueca ergueu-se e aproximou-se do professor; em pé, ao lado dele, encostou-lhe o seio à boca. Tomás não resistiu. Abraçou-a pela cintura e começou a chupar-lhe o mamilo saliente.»”
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sábado, 30 de abril de 2016
42 anos depois
sábado, 30 de abril de 2016
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42 anos após o 25 de Abril, e rompendo com o sistema coxo do arco da governação, temos finalmente um Governo do PS suportado pelos partidos à sua esquerda, e que se atreve a ter uma política que rompe com o caminho do empobrecimento. A geringonça que funciona. Um governo que não faz a devida vénia e critica Bruxelas ao defender Portugal. Um Governo que já apresentou um verdadeiro plano nacional de reformas com reforço da coesão e igualdade social, e que não ficou na gaveta.
Perante as críticas da comissão europeia, nomeadamente quanto ao aumento do salário mínimo, temos finalmente um primeiro-ministro que não faz de criado, afirmando claramente que recusa um modelo de país baseado em baixos salários e que a batalha pela igualdade continua.
Temos finalmente um primeiro-ministro que diz: “a batalha pela igualdade é permanente, já a travámos antes do 25 de Abril de 1974 e temos de continuar a travá-la. Quando vemos alguns cá dentro ou na Europa a dizerem que em Portugal nós não nos desenvolveremos aumentando o salário mínimo nacional, porque estamos condenados a viver num país de baixos salários e de pobreza, temos de dizer que não aceitamos”. A isto chama-se defender Portugal e Abril.
O 25 de Abril é de todos, mas para não cair na tentação da hipocrisia, é justo dizer-se que alguma direita encara o 25 de Abril como uma coisa mais à esquerda, e de que esta se apropriou. Veja-se a forma como alguma direita encara o cravo enquanto símbolo do 25 de Abril como um símbolo da esquerda, daí a forma desengonçada como os sucessivos dirigentes dos partidos da direita o encaram, em particular, aqueles que chegam a Presidente da República. Cavaco nunca o usou, Marcelo exibe-o na mão e as fontes de Belém justificam a sua não colocação na lapela por ser um político do centro.
O facto de o cravo ser o símbolo da revolução deve-se ao facto de ser uma flor da época. Alguém se lembrou de colocar um cravo numa G3 e por uma feliz coincidência do destino um fotógrafo aproveitou para fazer uma bela imagem. Quem colocou o cravo na G3 não estava a fazê-lo por o cravo ser vermelho, era simplesmente uma flor que brotava de uma arma de onde seria de esperar que brotassem balas.
Portanto, nem o cravo é um símbolo da esquerda, nem o vermelho dessa flor era uma opção ideológica. O cravo foi um símbolo de uma tolerância que se tornou a imagem da revolução.
42 anos depois, a direita, na casa da democracia, fica desconfortável quando o presidente da Assembleia da República agradece aos capitães de Abril pelo 25 de Abril. Está desconfortável quando o Presidente da República, oriundo da sua área política, agradece aos militares pelo 25 de Abril e pela liberdade e pela democracia devolvida aos portugueses. Militares de Abril que regressaram à casa da democracia, após 4 anos de interrupção, enquanto por lá passou o governo neoliberal de Passos Coelho e de Paulo Portas. O primeiro que anunciou no último congresso do PSD o regresso à social democracia, que, portanto, tinha perdido, a matriz ideológica de Sá Carneiro e que até nasceu à esquerda, e o segundo que saiu de cena, espera-se, irrevogavelmente. Haverá alguém que acredite numa e noutra?
Mas 42 anos depois, temos mesmo uma democracia livre? Ou temos uma democracia a soldo dos grupos económicos, como no caso recente do GES em que se descobriu que a empresa de Salgado pagava avenças a políticos e jornalistas?
Uma democracia com o garrote dos poderes europeus e do diktat alemão que manda e desmanda na política de países soberanos seus parceiros, alimentado por uma direita subserviente aos jogos de casino e dos juros usurários.
Ficámos todos contentes porque nos deram a liberdade. Podemos dizer mal de quem nos apetecer. Mas, na verdade, após 42 anos, estão a reduzir-nos ao papel de idiotas votantes, manipulados na opinião a soldo, livres, sim, mas utilizados para caucionar uma democracia hipócrita em que meia dúzia reinam sobre os súbditos ululantes e explorados na quinta do capitalismo selvagem.
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