sábado, 30 de agosto de 2014

Quando a luz se apaga...

sábado, 30 de agosto de 2014 0
Para lembrar a quem esqueceu...
Ensinar quem nunca aprendeu...






quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A dialéctica dos discursos do senhor Portas

quarta-feira, 27 de agosto de 2014 0
Para memória futura quando este senhor pedir o voto...



terça-feira, 26 de agosto de 2014

É o crescimento, estúpido!

terça-feira, 26 de agosto de 2014 0
O défice continua a derrapar. A dívida pública continua a aumentar. Dados da última execução orçamental conhecidos no dia de ontem. Não vejo qual seja a novidade. O 'inconseguimento' deste governo para cortar na despesa é atroz. E não me venham dizer que foi por causa do TC. Há muita muita mais despesa para além dos salários e das pensões. As rendas na energia continuam quase inalteradas, os institutos e fundações públicas às centenas que servem apenas para nomear um boy qualquer lá continuam, a despesa de funcionamento da máquina do Estado (corrente e efectiva) não pára de aumentar, e os cortes são nas Universidades, nos tribunais, e na saúde, nas pessoas e no essencial. Não me espantaria um novo aumento do IVA, afinal nesse campo o governo faz e faz bem.
A grande novidade para mim são as taxas de juro terem atingido mínimos históricos, baixando dos 3% nas maturidades a 10 anos. E tudo por causa das declarações de Mario Draghi, presidente do BCE, que apelou à adopção de medidas e políticas de estímulo económico na zona Euro. O crescimento e o emprego, pois. E não é que os mercados aplaudem???

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Para o pessoal dos baldes

sexta-feira, 22 de agosto de 2014 0
NIB da Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica: 000703690003046000616 (link).

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O economês da treta

quinta-feira, 21 de agosto de 2014 0




José Gomes Ferreira, Medina Carreira, Camilo Lourenço (cito apenas estes porque são a nata do comentário económico/político), fazem da economia a sua praia. Explicam por A + B como se pode atingir um valor de X, e porque é que só foi atingido o valor de Y quando se podia ter perfeitamente um Z... Vendem livros a granel com títulos catastróficos do género 'A bomba atómica que rebentou com o país' ou 'Sócrates e os outros mentirosos que enganaram não sei quem mas que pouco interessa para o caso'. As capas dos livros chegam a apresentar as fotografias dos 'culpados' do último século e meio. Como nunca abri nenhum desses livros, só posso imaginar as invectivas que por lá grassam.
Têm em comum no seu comentário económico/político, tão em voga nos tempos que correm, uma narrativa sempre muito assertiva, feita com a convicção dos génios produtores de teorias que vão revolucionar o mundo e a forma como o pensamos. São os defensores das teorias do Estado mínimo, em que a turba tem que se sujeitar ao corte de pensões, salários, reformas, etc. São os visionários do novo paradigma neoliberal, por oposição ao social, fanáticos dos mercados e acérrimos seguidores das medidas auto-infligidas de austeridade, em que a base sustentadora obedece à narrativa do viver-se acima das possibilidades, a justificação de todo o mal. São capazes de abater com o olhar qualquer primeiro-Ministro que se cruze no tema do dia. A não ser que, como no caso de Gomes Ferreira, tenha mesmo a hipótese de entrevistar o primeiro-Ministro em funções, e olhos nos olhos, lhe faça um frete político, sem direito a perguntas incómodas e sem direito a confrontos com atitudes e declarações do presente e do passado (afinal não se trata do vilão do Sócrates). Gomes Ferreira, muito recentemente, e a escassos 15 dias do colapso do BES, esclareceu perante o país que o banco era seguro, chegando mesmo, com toda a sua frontalidade e saber de experiência feito, a incentivar os portugueses a investir no BES, alvitrando benesses ao nível das de Cavaco no BPN e dizendo que ele próprio (se dúvidas pudessem restar), tinha lá dinheiro investido e estaria mesmo a pensar investir todo o seu património no dito banco. É realmente penoso ver como Gomes Ferreira perdeu milhões ao não chegar a fazer o investimento prometido...
Já quanto a Medina Carreira as frases que utiliza classificam-no na perfeição, um ditador populista ultrapassado no tempo e com tempo de antena: "Os portugueses têm que optar - ou querem ser pobrezinhos ou têm que trabalhar mais e melhor, porque, se quiserem ter dezenas de feriados e de pontes, não se podem queixar que são pobres.", "Salazar foi um bom gestor. Era bom termos hoje um bom gestor", "Se o TC pudesse desaparecer o país só beneficiaria".
Camilo Lourenço (o tal do livro com a capa dos políticos em modo presidiário), foi, na sua ânsia de protagonismo boçal e fácil, ao estilo de João Jardim, o autor da frase da semana: "Os princípios constitucionais são uma treta".
Independentemente das críticas que se possam fazer às decisões do TC, dizer que os princípios constitucionais são uma treta, revela uma ignorância atroz e desprezo total por princípios e valores que devem reger qualquer sociedade dita civilizada. Em nome de quê? Da sua vaidade de grande comentador e fazedor de opinião no país, mas também em nome da estratégia de defesa do 'seu governo' seguidor da ideologia neoliberal que lhes é comum. E nesse caso, o TC continua a ser um inimigo, e com ele a Constituição. Mas como para Camilo, a igualdade, a liberdade e a democracia são uma treta, sugiro que censurem todos os livros da sua autoria, como já fizeram com outros no passado. Amordaça-lo também podia ser uma opção viável e já agora obrigando-o a ler repetidas vezes toda a obra de Keynes e de Marx... Como no tempo em que os princípios constitucionais eram mesmo uma treta...

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Aconteceu nas férias

quarta-feira, 13 de agosto de 2014 0
Não vou escalpelizar todo o imbróglio do BES, bom ou mau, porque para além de não possuir toda a informação (à semelhança de Cavaco, Passos Coelho, Maria Luís ou Carlos Costa quando asseguraram que o BES estava sólido e sem motivo para alarme, escassos 15 dias antes da sua falência), também não tenho competência para o efeito. Deixo só umas considerações acerca do que julgo ser o maior pecado do capitalismo, a falta de regulação e de controlo dos mercados que geraram esta e toda a crise.
Desde o nome do novo banco, já registado por outros, à solução remendada e apressada. Desde a trapaça do aumento de capital afiançado por todos, jornalistas, comentadores e economistas incluídos, à acta escondida e divulgada com o empréstimo de capitais públicos.
Passando pela forma como o Conselho de Ministros, sem quórum e ilegal amanhou à pressa os decretos de que apenas alguns privilegiados tiveram conhecimento. Entre eles o 'porta-voz' governamental e comentador televisivo Marques Mendes, que deu as 'informações' sobre a 'solução' do BES e cujas únicas preocupações evidentes, foram a justificação e defesa do Governador do Banco de Portugal e a elaboração de uma "narrativa" propagandística destinada a impedir que se diga o que aconteceu: o BES faliu e foi nacionalizado. Lembram-se do que diziam do BPN e do que disseram da então actuação de Vítor Constâncio? Pois...
O Banco de Portugal ao funcionar como um instrumento directo do governo põe em causa a autonomia da instituição. O Governador Carlos Costa com a sua proximidade excessiva ao governo e a colagem da actuação do Banco em relação ao governo traz sérias consequências para a autonomia pressuposta do banco central. E com ela, mais uma novela do empurra responsabilidades entre o BdP e a CMVM. Carlos Costa e o governo entraram mesmo na pele da D. Inércia no último ano, e não fizeram nada como a própria garantia.
O caso da PT é mais um caso de polícia, o Goldman Sachs é-o desde 2008, já não me espanta.
As trapaças e a ganância dos Espírito Santos, a incompetência e ineficácia dos reguladores, em particular do Banco de Portugal, e as hesitações do Governo, que segundo a ministra das Finanças acompanha o caso há um ano, estiveram na origem de mais um case study do falhanço do capitalismo de banca e de casino, que havemos de pagar, outra vez...




sexta-feira, 25 de julho de 2014

Justiça para o povo palestiniano

sexta-feira, 25 de julho de 2014 0
"O exército israelita atacou 15 dos 27 hospitais de Gaza, uma trintena de ambulâncias, matou 16 membros do pessoal médico. A AI não encontrou indício algum de que os combatentes do Hamas ou doutros grupos armados tenham utilizado os hospitais para se esconder ou para conduzir ataques, e as autoridades israelitas não forneceram provas dessas alegações; impediram deliberadamente a ajuda humanitária e as equipas de socorro (da Agência das Nações Unidas para os Refugiados e da Cruz Vermelha) de entrar em Gaza, ou obstaculizaram a sua circulação, atacaram veículos, centros de distribuição e pessoal médico.”
(Amnistia Internacional, Relatório Anual 2010).


A reacção israelita aos rockets lançados a partir de Gaza é um crime, realizado perante o voyeurismo do resto do mundo. Obama invoca o direito de Israel a defender-se, já nem sequer (mal) disfarçando o interesse estratégico que o aliado Israel representa no contexto do Médio Oriente e do petróleo. Israel há 47 anos que ocupa Gaza (e a Cisjordânia, e Jerusalém Oriental) ilegalmente, e a bloqueia por terra, ar e mar, contra todas as deliberações e recomendações da ONU.
De todo o quadro de ilegalidades cometidas por Israel e que a UE e os EUA toleram, o bloqueio a Gaza supera tudo. Nada há neste planeta mais próximo de um gueto, no qual se fecham, até à exasperação total, quase dois milhões de pessoas. Os israelitas, e esta coisa lúgubre e híbrida a que cinicamente se chama comunidade internacional, comportam-se como se eles fossem todos 'terroristas' do Hamas.
Os ataques a hospitais e civis, na sua maioria crianças, é uma infâmia que só tem castigo com o fogo do inferno. A resposta por ora só chega em forma de pedras arremessadas, e uns poucos rockets, que não fazem o Golias estremecer. Mas haverá um dia, em que a justiça para quem mata crianças e dispara sobre hospitais será um punho esmagador que arrancará membro por membro até o sangue abandonar o corpo por completo. Desses e dos que nada fazem senão contabilizar as possíveis perdas de uma decisão firme e a favor da lei, da justiça, e da humanidade. Tal como na Síria, no Iraque ou na Ucrânia.
Os anos de impasses, de guerras e de vítimas, em que dois povos se digladiam por um pedaço de terra não terão solução enquanto os interesses mundanos se sobrepuserem aos interesses das populações. Enquanto muros e religiões dividirem pessoas e enquanto as outras pessoas fecharem os olhos quando passa uma imagem na televisão com um pai ou uma mãe carregando o corpo dilacerado de um filho ou de uma filha. 
Não há inocentes dos dois lados, mas suprema ironia, Israel impõe um genocídio a um povo semelhante ao sofrido na II Guerra Mundial. Não aprenderam nada. Não aprendemos nada. E a história repete-se perante a complacência mundial.
Vejam bem as imagens que se seguem, com a certeza porém, que enquanto as vêem, elas estão neste preciso momento a repetir-se...









terça-feira, 22 de julho de 2014

Aposta

terça-feira, 22 de julho de 2014 0
Julgo não ter os privilégios suficientes para por um contador no blog.
- Rogério, can you manage that?
A aposta será (gosto mesmo desta cena dos Ingleses de fazer apostas sobre tudo):
- Guiné Equatorial na CPLP ? Sim ou Não?
Claro que para quem quiser ganhar uma bela maquia, a aposta deve ser no "Não" já que a proporção será bem mais favorável, em virtude do risco.  Será caso para dizer que, o poder do negócio obscuro e a hipocrisia são uma certeza ou, dirão outros, uma aposta ganha.
O mais irónico é que esta decisão passe por um país e uma capital (Dili), cuja libertação moveu uma grande franja dos portugueses e do mundo, pelas mesmas razões que devem afastar a Guiné Equatorial da CPLP.
Por isso, senhor PR e PM, aguardo com curiosidade....

Quase a propósito e já o devia ter feito antes, saúdo o regresso a Portugal do General D.
- PROPS D!
Alguns já não se recordam e outros não sabem, mas  Sérgio Matsinhe, ou melhor, General D foi o principal percursor do Rap e Hip Hop em Portugal  foi também um dos que mais se notabilizou na luta contra o racismo no início dos 90. Sem dúvida um dos que muito contribuiram para que se vivesse melhor neste rectângulo. Espero mesmo que este possa ser um regresso premonitório.

Deixo-vos com um ultimo apontamento.
Quando puderem e como puderem vejam a esposição de VHILS:  "Dissecação/Dissection"  no museu da electricidade em Lisboa.






quarta-feira, 9 de julho de 2014

O meu quarto

quarta-feira, 9 de julho de 2014 0
Os sítios onde fui feliz deixam-me a nostalgia de tempos passados que não têm a mesma magia de um regresso. Volto amiúde ao meu quarto em casa de meus pais. O meu quarto, de solteiro, de criança e de adolescente, mas raras vezes reparo nele. Onde tantas vezes esperei e imaginei ansioso, ri e chorei. As penas e paixões. O castigo. O meu quarto guarda toda a minha infância e juventude. O meu quarto está como o deixei. O meu quarto guarda a inocência e a ingenuidade das minhas memórias. Guarda os meus sonhos e buscas. Talvez por isso, não tenha saudades do meu quarto. E isso é o maior elogio que lhe posso fazer. O meu quarto cumpriu o seu papel, e entre as paredes permitiu que esses sonhos alcançassem a sua busca. O quarto onde tantas vezes sonhei com ela é hoje o quarto onde ela brinca e dorme ocasionalmente. E como ela é linda. Como nunca o meu quarto conseguiu imaginar. Melhor que nos meus sonhos. Espero que o quarto dela seja tão feliz como foi o meu...



quinta-feira, 3 de julho de 2014

A crise da Europa, do país e do PS - Por uma narrativa alternativa

quinta-feira, 3 de julho de 2014 0
A construção europeia, foi, nos últimos anos, uma das maiores vítimas da crise internacional. A resposta da zona euro assente na austeridade e em políticas restritivas e depressivas subjugou o ideal europeu aos interesses de alguns países mais fortes, numa atitude defensiva que passou por cima das instituições e obedeceu aos ditames de tecnocratas, do CE e do diktat.
A presidência de Barroso, moço de recados dos referidos mandadores sem a legitimidade das urnas, permitiu sempre com total complacência que as decisões fossem tomadas por pessoas que apenas representam os interesses dos seus países, sem visão de conjunto e sem coragem.
A falta de democraticidade no seio da União, em que as decisões não são tomadas pelos organismos realmente eleitos pelos cidadãos europeus e a quem teriam que prestar contas, torna o eurocepticismo numa realidade profunda e ambígua, com os resultados desastrosos que se conheceram nas últimas eleições europeias, nomeadamente em França. Quando os cidadãos europeus viram as costas às suas instituições por entenderem, bem, que o seu voto não os representa nem tem qualquer utilidade, é a própria UE que está em risco. A falta de visão progressista (por oposição à do ritmo da austeridade) e a falta de legitimação dos órgãos da UE, açaimados por uns poucos em benefício próprio, estão a minar toda a construção europeia.
O actual estado da zona euro está assente na tal visão egoísta, neoliberal e monetarista que torna inviável o projecto social europeu, muitas vezes promovendo a sua destruição, que levou 50 anos a construir e permitiu cinco décadas de paz na Europa. Visão seguida pelos governos pobres de espírito, alunos engraxadores, ansiosos pelo reconhecimento dos seus mestres. Senhores de uma coluna vertebral elástica, de vénias contorcionistas aos fortes, e de braço de ferro com os fracos. Para defender o Estado social europeu, o caminho é o de romper com esta direita no poder, que não merece consenso. Nem no projecto europeu, nem na receita aplicada, muito menos na visão do futuro.
É essa a esperança que deposito em António Costa. Um líder forte, que não se anule durante 3 longos anos, precisamente quando todas estas questões estavam em cima da mesa. Que não use truques para se perpetuar no poder, que não se esconda nos estatutos que inventou para ele, que não ponha em causa o futuro do seu partido e por conseguinte o do seu país, trocando-o por ambições pessoais mesquinhas de poder. Que crie finalmente as pontes da esquerda, coxa anos a fio. E, que sobretudo, não se conforme com a narrativa que a direita vem apregoando. A narrativa segundo a qual Portugal não soube adaptar-se à moeda única, porque viveu acima das suas possibilidades, porque não fez as reformas necessárias, porque foi despesista, por causa da insustentabilidade do Estado Social, por causa das PPP's. Esta narrativa assenta na ideia que a nossa crise é interna e das finanças públicas. E esta é a narrativa que grassa na Europa. E assim sendo a austeridade é de facto a única solução. Seguro nunca foi capaz de desconstruir esta tese, seja por inabilidade, seja por nunca ter feito as pazes com o seu passado de opositor de Sócrates, visando sobretudo proveitos eleitorais.
Desde a década de 90 que Portugal tem acumulado dívida externa, sobretudo privada. Com a crise financeira internacional de 2008, o sistema através do qual essa dívida era financiada, com especial relevo na banca, implodiu. Após a intervenção dos estados, incentivados numa primeira fase pela zona euro (BPN e afins), o que era uma crise da balança comercial transformou-se numa crise das finanças públicas e das dívidas soberanas, com o aumento das taxas de juros exigidas pelo esbulho e pela ganância dos credores e dos mercados. A crise das finanças públicas não é uma causa, mas sim a consequência e o efeito da crise. Basta atentar que nos 3 anos anteriores ao início da crise, Portugal conseguiu atingir um défice público inferior a 3%. Portugal tem os seus pecados e exageros, é certo, tem vários problemas de nível estrutural, mas tem sobretudo fragilidades expostas por uma crise internacional que pôs a nu as contradições e a incompleta integração da moeda única, sem os mecanismos necessários que possam igualar os diferentes estados.
Seguro sempre jogou o jogo do adversário e por isso nunca foi capaz de se constituir como alternativa e desmontar a narrativa simplista do governo, que impõe aos prevaricadores (todos nós) a austeridade como castigo. Neste preciso momento arranjou um verão quente ao PS, de todo desnecessário, e que poderá trazer ainda mais surpresas desagradáveis (as primárias não constam dos estatutos e como tal poderão ser ilegais e impugnadas por qualquer militante). António Costa já se posicionou no terreno do combate à narrativa da direita, sem medo das consequências ou do passado do seu partido. E essa é a diferença, essa é a alternativa.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sophia

quarta-feira, 2 de julho de 2014 0
25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


                         Sophia de Mello Breyner Andresen

quinta-feira, 26 de junho de 2014

And meanwhile....

quinta-feira, 26 de junho de 2014 0
Enquanto uns cada vez menos cerca de 10 milhões esperavam em terras lusas que o "sol girasse", desta vez prós lados de Vera Cruz...
Um pequeno grupo esperava um outro milagre: a extinção do TC.

A esse grupo, deixo o aviso:
 - Eu detesto tanto as vossas agressões, quanto vocês detestam os meus direitos!


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Quarto aniversário inconformado

quarta-feira, 25 de junho de 2014 0
No dia do quarto aniversário deste blogue dá-me cá uma saudade das manifestações de polícias... De rezar baixinho para que partissem aquela merda toda, com o apoio declarado de quem estava lá para os guardar. Dá-me uma vontade enorme de ir à manifestação dos advogados do dia 15 de Julho na mesma escadaria (vou estar ausente do país, na Madeira)... E partir aquela merda toda... Uma manifestação inédita e só possível pela merda que se esconde atrás daquela escadaria... Que esconde uma ministra ignorante, arrogante e... fico-me por aqui. Que vontade de lhe apertar as bochechas e acordá-la da ressaca permanente em que parece viver... Que inveja dos brasileiros que se manifestam na rua e partem aquela merda toda... E fico-me por aqui... Que ânsia de pegar nos Portas e nos Coelhos e enfiar-lhes um Correio da Manhã pelo goela abaixo... Ou por outro sítio acima... O presidente do Sporting é que sabe descrever bem o sítio... Porque o Correio da Manhã só serve por ali acima... Que incontinência de pregar com o Tózézinho Seguro na Coreia da Norte e esperar que lhe façam a justiça que ele apregoa... À pequeno líder coreano... Que pena o meu país ser assim, comezinho, malabarista, incompetente, impotente, miserabilista, e o que mais me dói na alma, conformado.

sábado, 21 de junho de 2014

Hermano, que te puedo yo decir?

sábado, 21 de junho de 2014 0
- Deixa lá, vais ver que ficas melhor.
Afinal de contas está bom de ver que não vai resultar. Parece-me demasiado forçado, se cada um seguir o seu caminho serão mais felizes e olha que ela não era para ti....
O quê??? Não, não é para ti Felipe, eu estou a falar para a Espanha!

Bem sei que somos daqueles vizinhos de prédio de 10 andares, mal nos conhecemos. Mas eu consigo ouvir-te entre  paredes, sei que programas vês, que música ouves, quando te deitas, e depois olha, eu tenho mesmo esta mania das afinidades, daí os "nuestros hermanos", o "povo irmão", a "língua mãe".
E dou-te este conselho: - Livra-te desse Felipe!
Também tivemos há uns tempos três desses e foi uma verdadeira chatice. Para nos livrarmos deles, lá mandamos a "roupa suja" janela fora...

Nunca percebi o mérito da sucessão. Não compreendo as virtudes da Monarquia nem a sua aceitação em povos de Democracia consolidada. Porque raio terá alguém o direito de me chamar de súbdito, apenas por ser filho de outro alguém?
Por cá e apesar dos resquícios mais visíveis da monarquia serem ou um autocolante na parte traseira do automóvel decadente de alta cilindrada, invariavelmente na cor "state deep blue" ou a bandeirinha pendurada na janela a contrastar com as restantes verde rubras, ainda prevalece alguma defesa à sucessão em detrimento do valor do trabalho.
Que razão terão os novos liberais e conservadores, apregoando aos quatro ventos o valor do mérito e do empreendedorismo, ao castigarem  o trabalho e quem trabalha de forma  tão brutal? Será que não existe mérito no trabalho? Será que o único mérito merecedor de premeio é o de ser-se filho ou suceder a alguém ou a algo?

VIVA A REPÚBLICA!!!

quarta-feira, 18 de junho de 2014

A minha folha excel

quarta-feira, 18 de junho de 2014 0

Gosto de futebol. Não menosprezo o futebol por ser um tema menor. Não me armo em intelectualóide que despreza o jogo e as emoções que desperta. Emoções inexplicáveis a quem não sente e vibra com o jogo.
Em todas as grandes competições de futebol (v.g. europeus e mundiais), costumo fazer download e usar uma folha excel, daquelas que mostram os jogos todos e os horários. Depois à medida que preencho os resultados, o ficheiro actualiza-se automaticamente, quer no quadro lateral com os grupos, quer nas subsequentes fases, aparecendo os nomes das selecções apuradas e de quem joga contra quem até à final.
Antes de a competição principiar faço sempre um exercício especulativo e ao sabor daquilo que me parece que irá ser o resultado dos vários jogos. Preencho os resultados todos até à final. E o resultado final é sempre o mesmo. Portugal é sempre campeão da europa ou do mundo.
A realidade é sempre mais imaginativa. Não acerto na maioria dos resultados dos jogos. E nunca me lembraria de pôr a Espanha a perder por 5-1 contra a Holanda. Pela mesma razão tive muita dificuldade em preencher o quadradinho com um 4 para a Alemanha e um 0 para Portugal.
Depois vêm as desculpas, culpas e teorias da conspiração. Já ouvi dizer que na selecção só joga quem cujo empresário for o Jorge Mendes. Não acredito. Mas sei outras coisas. Sei que um terço dos jogadores foi para o Brasil lesionado. Sei que a escolha do estágio nos EUA serviu para a FPF meter mais uns milhões no bolso à pala do CR7. Sei que Campinas fica a milhares de km dos sítios onde jogamos, obrigando a deslocações mais ou menos longas de avião. Sei que a FIFA vai tentar levar ao colo as grandes selecções até às fases mais adiantadas. Sei que não vamos ser campeões do mundo... Mas, porra, pelo menos joguem à bola e não nos envergonhem...

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Um país adiado 2

sexta-feira, 13 de junho de 2014 0

Ontem, e por causa dos 'inconseguimentos' de Portugal, e do início do mundial de futebol no Brasil sugeri que a bola a rolar vai manter os portugueses alheados e distraídos pelo menos um mês. Um país adiado.
Mas enquanto que aqui no nosso rectângulo, a ordem é para cortar a eito no Estado social, pondo-se agora em marcha, e após o chumbo do TC, cortes de salários feitos no tempo de Sócrates, e que motivaram até um pedido de desculpas por parte do actual primeiro-ministro (lembram-se??), no Brasil o povo sai à rua para contestar os gastos pornográficos em estádios inacabados e impostos pela ditadura majestosa da FIFA. O Brasil passou a última década a encurtar distâncias entre ricos e pobres e conseguiu baixar o índice de pobreza em mais de 50%, tornando-se um país emergente a potência mundial. A política reguladora do Estado, o fomento de estratégias e do crescimento económico, o controlo da despesa e da inflação, o aumento dos apoios sociais e do salário mínimo deram poder de compra aos mais desfavorecidos e elevaram a economia brasileira para o terceiro maior crescimento mundial em 2013. Dilma só teve que seguir, e seguiu, o plano Lula. Mas os milhões a mais exigem sempre uma mudança de paradigma. A crise financeira troikiana e pré-americana teve na base a distribuição de lucros pelos mais favorecidos. Que melhor sítio para o fazer senão nos sítios onde está o dinheiro. Bancos, correctoras, agências de rating, seguradoras, imobiliárias, no fundo a bolha capitalista. No Brasil foi a FIFA. Até ver...
O povo sentiu-se traído e sai à rua para reivindicar mais Estado social, mais educação, mais saúde, mais investimento, melhores salários, enfim, o que seria normal numa sociedade avançada porque mais igual... Os mais de 400 mil milhões de euros investidos equivalem a três vezes o nosso PIB anual. A FIFA, com o beneplácito de Dilma Rousseff adiou também o Brasil. A grande diferença é que por lá não se habituaram a ser serenos e a comer e calar...

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Um país adiado

quinta-feira, 12 de junho de 2014 0
Segundo Freitas do Amaral, as primárias no PS serão ilegais. Segundo José Manuel Meirim, as eleições para a Liga Portuguesa de Futebol foram ilegais. Segundo o Tribunal Constitucional, os últimos orçamentos de Estado são inconstitucionais.
Não querendo ir ao fundo da questão, e não pondo em causa nem os especialistas supra citados (apesar de tender a concordar com eles) nem opiniões divergentes, sobra a pergunta:  o que é que esta gente toda anda a fazer?
Portugal continua a ser um país adiado. Um país de jogos de bastidores, de tricas e malabarismos, sempre em nome do poder e da vaidade pessoal.
O que vale é que hoje começa o mundial e durante um mês tudo isso passa para segundo ou terceiro plano, dependendo das prestações do CR7... (e não!, não vou tecer qualquer comentário ao desmaio de Cavaco nas celebrações do 10 de Junho). 


P.S.- Nas vésperas do quarto aniversário deste blog, é uma honra poder partilhar este espaço com o meu amigo Marco Chaves, que em boa hora aceitou o meu convite. 'May the force be with you, ma friend!'

quarta-feira, 11 de junho de 2014

“The privilege of making the wrong choice”

quarta-feira, 11 de junho de 2014 0
Gosto de dias compridos, de noites que entram tardiamente e da ambiguidade do que os separa.
Que belos festins se fazem por estas alturas…
Não foram eles e a influência que sobre mim exercem e talvez não tivesse dado um sim repentino, qual noivo de St.º António e por-me aqui a escrever.
Recordo dias passados em cima de uma BMX quitada ao sabor do parco orçamento e da necessidade mais premente de arranjo, com um qualquer parceiro, o “Huckleberry Finn” de serviço e partir em deambulação pelo vale, sendo que o que vestiria a pele de “Tom” nesse dia, seria o que tivesse a ideia de fazer corta mato pela serra, passar a rasgar pelo meio das hortas, ou saltar a vedação para fazer uma corrida de bikes pela pista do aeródromo. Aliás, não existe melhor local e época para apreciar o esplendor da chegada da noite do que a pista do aeródromo em plena veiga. É só deitarmos-nos sobre o alcatrão aquecido pelo sol, e… Just Watch !!!

O título do meu primeiro post neste blog é inteiramente dedicado ao seu fundador e ao convite que me endereçou. Fica a provocação e o meu sentido abraço de amigo.
Como podem imaginar aqui não reinará a bicefalia. Não acreditamos nisso! (altura de colocar um smile, já que a conotação política é evidente, porém não encontrei nenhum com gravata).


Deixo ainda indicação de que o título deste post, pertence ao nome de um álbum de uma extinta banda portuense, os ZEN, recomendo vivamente a revisitação do mesmo já que muito ficou por contar.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Constituição, uma questão de pormenor

quinta-feira, 5 de junho de 2014 0

Nada melhor que trocar os juízes de um tribunal quando as decisões não agradam. A maioria governamental não sabe governar com a Constituição do seu país, o que já diz muito da sua competência. Mas o problema maior é a montante. O governo não sabe governar, ponto.
Passos Coelho e a maioria escolheram a seu bel prazer os juízes do TC a que tinham direito, numa negociação legítima e prevista na CRP. Só não estavam à espera é que os juízes cumprissem o mandato que lhes foi incumbido, e pasmem-se, passassem mesmo a defender a Constituição em vez do programa do governo.
Quando a governação se torna impossível por violação constante da CRP e da lei, talvez fosse melhor mudar de rumo ao invés de sugerir mudar de juízes.
Imagino só a algazarra na justiça, se cada vez que uma decisão de um determinado tribunal (soberano!?) não agradasse a fulano ou a beltrano, estes decidissem pedir a aclaração da sentença ou acórdão (não é Henrique Monteiro?) e exigissem a substituição do juiz ou juízes em causa, para prevenir uma futura decisão mais favorável... A isto chama-se irresponsabilidade, numa tentativa fútil de ganhar tempo, e que pode até ser punida criminalmente. E não é a CRP que o prevê. A não ser que se ponha em causa também o Código Penal. Já não me admiraria... De outros, por bem menos, se exigiu a sua responsabilidade criminal... Já agora, a aclaração, foi, segundo julgo saber, eliminada do nosso sistema jurídico por proposta de Paula Teixeira da Cruz. É no mínimo irónico.
A questão da separação de poderes, da independência, dos princípios e das normas e afins são questões de pormenor... para alguns...

quarta-feira, 4 de junho de 2014

O António melhor

quarta-feira, 4 de junho de 2014 0

É incrível como em apenas 23 minutos, com um discurso fácil, harmonizador e assertivo, António Costa consegue dizer mais e de forma mais esclarecedora do que Seguro num ano inteiro...

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A porta da rua é serventia da casa

segunda-feira, 2 de junho de 2014 0
A posição de Seguro de tentar a todo o custo impedir a realização de um congresso do PS nada tem que ver com princípios ou estatutos se Seguro estivesse convencido de uma vitória.
Mas Seguro sabe que já perdeu o país e que muitos dos eleitores tradicionais do PS preferiram votar no Marinho e Pinto. Seguro sabe que perdeu o país e mais tarde ou mais cedo perderá o PS pondo fim à sua ambição de chegar ao poder.
A rábula das primárias mais não é do que uma fuga para a frente, tentando ganhar tempo que o país e o PS não têm.
Seguro pode adiar uma vitória de António Costa mas não conseguirá adiar o seu fim político. A razão pela qual as pessoas não vêm no PS uma alternativa é a mesma pela qual não vêm no governo uma solução. E daí a pancada no centrão nas últimas eleições europeias. Foi esta a conclusão de Costa. É esta a conclusão do país, agravada pelo discurso da vitória 'esmagadora' de Seguro na noite das eleições e que não passou de uma vitória pírrica. Ou será que Seguro já não se lembra da oposição interna que fez a Sócrates? E vem agora falar de traições...
Se a actual liderança é tão defensora das regras estatuárias em relação ao PS porque razão não revelam os mesmos bons princípios em relação ao país? Aceitando Seguro participar em negociações com o PSD que tinham como contrapartida a realização de eleições antecipadas à margem dos princípios constitucionais?
Se Seguro é tão defensor das regras, como explica que tenha ido ao Tribunal Constitucional pedir que este declarasse os cortes dos vencimentos inconstitucionais e depois tenha apresentado um programa de governo ridículo em que mantém os cortes mesmo depois de declarados inconstitucionais e quando o próprio governo já programou a sua eliminação progressiva?
Se no passado Seguro defendeu a participação dos simpatizantes do PS na eleição do líder porque razão blindou os estatutos para proteger a sua liderança e agora esconde-se atrás desses estatutos para manter a liderança sem ter de enfrentar os adversários?
Seguro acha normal que o PS que durante a campanha eleitoral foi o mais visado pelo PCP e que se aliou à direita para derrubar o seu governo decida agora anunciar o voto favorável a uma moção de censura onde se combate aquilo que se designa como «o retrocesso económico e social a que conduziu a política de direita executada nos últimos 37 anos por sucessivos governos»? É normal aprovar moções de censura antes de as ler? E classificar essa moção como "um frete ao governo" e depois votá-la favoravelmente?
E será normal haver um candidato a primeiro ministro e ao mesmo tempo um secretário geral, numa bicefalia que tão bons resultados tem dado no BE?
A bem do país, a garotada tem que ir embora. A do PS, a do governo, e o PR que jurou defender a Constituição e nada diz sobre a tentativa persistente de a contornar por um governo fora da lei. Um governo, que para além de outras medidas, leva 3 orçamentos inconstitucionais em 3 possíveis.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Palito

sexta-feira, 23 de maio de 2014 0
'Palito' é um homicida. Que o povo elevou a herói. Gostava sinceramente de perguntar aquela gente toda que o aplaudiu à entrada para o tribunal se teriam a mesma atitude se o 'Palito' tivesse assassinado a sangue frio, com tiros de caçadeira, as suas queridas mãezinhas. Se tivesse esfrangalhado a cara da sua querida filhinha, ou o corpo da sua bela mulherzinha ou do raio que os parta.
Ou estariam a aplaudir quem andou a gozar com o ministro da Administração Interna e com a ministra da Justiça durante um mês e que só foi apanhado porque se entregou?
Perante tudo isto, o Estado de Direito volta a fazer figura de tolo. Tem um palito enfiado nos dentes. A polícia andou a fazer turismo rural, demorou mais de um mês a apanhar um velho que todos na aldeia sabiam onde se escondia. Bin Laden não sabia da existência de Valongo dos Azeites, ou nunca teria sido apanhado. É incrível a leviandade com que as pessoas literalmente troçam da lei: ajudaram, alimentaram e deram guarida a um criminoso procurado.
E, suprema vergonha, ainda o aplaudem à porta do tribunal.
A fazer lembrar os ignóbeis de Lousada que queriam esfolar vivo Afonso Dias, após ter sido absolvido do rapto do João Pedro.
Ou os energúmenos que agrediram Francisco Assis em Felgueiras em defesa da também fugitiva e criminosa Fátima.
Exemplos não faltam, infelizmente, de pessoas tresloucadas e ignorantes de quem tenho vergonha de ser compatriota.
Sinais dos tempos. Tempos que pensei há muito passados.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Europeias?

quarta-feira, 21 de maio de 2014 0
E de repente parece que no próximo domingo há eleições europeias. Parece. Porque na verdade o que se discute  nada tem a ver com a Europa ou com o papel que cada um defende para o que seja a sua intervenção futura ou para o que foi a sua intervenção na crise. Como sempre em Portugal a politiquice rasteira e mesquinha continua a sobrepôr-se ao debate de ideias.
Sabemos que o candidato da Aliança Portugal, Paulo Rangel, antes de o ser, era crítico das medidas de austeridade cegas e brutais impostas pela UE e pelo diktat alemão e aplicadas pelo governo que sempre quis ir além da troika. Mas o lugar à sombra da bananeira do parlamento europeu fez com que invertesse a tendência e passasse a defender com unhas e dentes a acção governativa e a panaceia imposta. Talvez por isso, tenha também decidido retirar das suas intervenções de campanha, qualquer alusão aos problemas da Europa e à forma como esta decidiu combater a crise com a devida vénia do governo em funções. Preferiu o confronto revanchista com o "vírus socialista" e o ataque cobarde ao do costume, Sócrates. Portas aliou-se ao ataque e reafirmou a ideia de um exame a Sócrates em forma de uma indignação redireccionada, "Sócrates, o pai da troika", disse. Mas se quiseram ir por aí, a troca por um exame a Sócrates talvez acabe por se revelar uma surpresa. A estratégia assenta fundamentalmente num esquema de tapar o sol com a peneira, desviando as atenções da verdadeira indignação latente. Ninguém nega que as eleições europeias são sempre um exame intermédio à política nacional. Na verdade, já passaram três anos desde o chumbo do PEC IV, o pedido de ajuda externa e a chegada ao governo de Passos Coelho, Gaspar, Relvas e Portas. A perspectiva que os portugueses têm hoje desse período é muito diferente da que tinham então. Estaria o PEC IV em condições de evitar uma ajuda externa e uma passagem pela crise mais tranquila para os portugueses? Evitaria os números trágicos de desemprego, de défice, de emigração, de recessão e de aumento de impostos?  Sabemos que tinha o aval da UE e de Merkel. Sabemos que Passos aldrabou tudo o que podia na campanha eleitoral para chegar ao governo. Mas também é certo que com o PEC IV e outros que se lhe seguiriam, com certeza, a política seguida e a vida dos portugueses teria sido bem diferente. E de certeza absoluta que nos teríamos poupado a Relvas, Gaspar e ao vice Portas. Mas o que é mesmo certo, é que Portugal tem o que merece. Em nome de uma vingança e de um ódio que apenas se explicam pela inveja e pelo medo, inveja pelo que foi feito, medo que o povo se aperceba do logro em que caiu.
Marcelo entrou na campanha para dizer que não vota em Rangel nem em Nuno Melo, vota na Aliança que apoia Juncker, o 'luxem-burguês' que disse que "pessoas são iguais a mercadorias ou capitais". Esclarecedor.
No momento em que se impunha um debate sério e esclarecido sobre o papel da UE e sobre a forma de resolver a crise, ou sobre a fórmula que foi aplicada até aqui, a discussão política nacional é sempre mais redutora.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

葡萄牙

quinta-feira, 15 de maio de 2014 0
Ainda recordo com saudade a época em que era considerado quase um crime vender computadores na Venezuela.
Nos tempos que correm, vai-se à China tentar vender tudo o que os chineses possam comprar, numa campanha sem precedentes de um país em saldos...
Como se sabe, a China é neste momento o farol da democracia que guia toda a Ásia, e já manda em vários sectores estratégicos em Portugal. Estou tão contente que vou já começar a aprender chinês, mandarim e mais um ou outro dialecto que se fale por lá. Não quero ficar de fora da próxima grande revolução humana. E nunca se sabe, daqui a uns anos posso ter como patrão um senhor de olhos em bico. Quando a justiça, a educação e a saúde estiverem também completamente privatizadas. Já sei que é a ganhar o salário mínimo, que será ainda mais mínimo por essa altura, mas viverei feliz na minha palhota, porque saberei então que estarei a contribuir para a grandeza da grande República Popular de Portugal.

P.S.- O título deste artigo quer dizer Portugal em chinês (segundo o google).

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Cuecas e fraldas

quarta-feira, 7 de maio de 2014 0
Saída limpa tiveram o Oliveira e Costa e o Dias Loureiro e todos os cavacos que cometeram a maior fraude financeira de que há memória em Portugal. Usam fralda, por isso só se sente se há merda pelo cheiro. Os criminosos do BPN saíram limpinhos, mudaram a fralda e tudo se transformou em mera contra-ordenação com via verde para a prescrição. Ajudaram com a sua mão invisível a escavar mais uns bons metros no buraco do país. Isso sim foi uma saída limpa. Limpinha, limpinha...
O que Passos anunciou no domingo, foi a troca da fralda pelas cuecas reforçadas com abas. Cuecas roubadas aos trabalhadores, pensionistas, reformados e funcionários públicos. As reformas estruturais nem foram reformas nem nada têm de estruturais. Três anos a empobrecer um país, a delapidar património, a esvaziar o interior do país, a arruinar a economia. Desemprego, emigração e dívida pública a subir. De guerra aos trabalhadores e liberalização de despedimentos. Três anos de recessão alavancados no brutal aumento de impostos e na austeridade cega. Três anos de inconstitucionalidades há muito programadas, alicerçadas em pressões antidemocráticas a órgãos soberanos de um país, vindas do próprio governo, mas também de instituições tecnocratas europeias. Um memorando que é ele próprio inconstitucional à luz da nossa lei. A lei que deve e tem que ser aplicada, não a do FMI ou a do BCE. A Europa esfrangalhada e dividida também ela a precisar de fralda. A troika veio a Portugal fazer o favor a Passos Coelho de lhe legitimar a cartilha ideológica que tinha em mente e como estratégia. A estratégia do dr. Relvas e do Gaspar. Do irrevogável (infelizmente) Portas que não conhece a porta de saída. A dos fundos...
E para acabar em beleza, nada melhor que o DEO (Documento de Estratégia Orçamental), exigido pela troika e aldrabado pelo governo. O DEO que 15 dias antes da sua divulgação Passos Coelho jurara não conter aumento de impostos. Sabe-se agora que o IVA não é um imposto. E que a TSU aumenta. Coisa de nada. E que a CES muda de nome em modo mais levezinho. E que vigora até 2019 mesmo havendo legislativas em 2015. Portanto a troika sai sem sair... Que é como quem diz, acautela o que tem que acautelar. Mas Passos não se fica por aí, e em ciclo eleitoral, o que se avizinha e o que se vê ao virar da esquina, promete um aumento gradual de reposição dos salários na função pública para os próximos anos, a começar, adivinhem... em 2015 pois claro.
Três anos de economês político, em que um pontapé numa pedra fazia um economista. Um economista como Cavaco que pergunta hoje no facebook onde estão os que defendiam há menos de seis meses que Portugal não evitaria um segundo resgate? Onde estão? Hã? Toma!!! Vai buscar...!!! Eu sei, parece um puto que marcou o golo decisivo ao amigo gordo que o provocou o jogo todo... E todos sabem que o amigo gordo é Seguro. E a equipa de Cavaco é o governo. É assim o nosso PR.
O papel higiénico é por estes dias um bem raro que só serve entradas e  não saídas. A legitimação das políticas de austeridade acaba com a saída da troika, mas só no papel, porque continuarão a andar por aí a enfardar pastéis de Belém. O discurso da saída limpa e do fim da crise, tal como anunciada por Passos ainda ontem, é a propaganda que vai encher a boca e o rabo aos limpinhos trauteares do sebastianismo bacoco, tão típico de quem não pensa pela sua própria cabeça, e come tudo o que lhe põem em frente aos olhos. 
Saída limpa... Pois... Parabéns... Mas o país vai continuar na merda...

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Ode

quarta-feira, 30 de abril de 2014 0
Não vendam toda a luz do país
Deixem-nos o sol e a saudade
Saiam de mansinho! e de verdade
Não arrendem a nossa matriz.
 
Por rios e oceanos sobrefeitos
Não vendam as águas
Não deixem as mágoas;
Saiam de mansinho!
Vão e não voltem
Uns e outros contrafeitos
De conluio satisfeitos
Uns que vieram
Os que estão eleitos;
Feitos de usura costurada
Na margem da infâmia mais soturna
São as foices deste povo
De gente amargurada
São a machada, são a urna
São os coveiros de novo.
 
Ide de mansinho!
E se memória houver um dia de tudo o que cobrastes
Ficará em pergaminho
A morte cruel que enfrentastes...
 


sexta-feira, 25 de abril de 2014

25 de Abril Sempre!

sexta-feira, 25 de abril de 2014 0
Assim simples...




terça-feira, 22 de abril de 2014

A minha viagem a 'Lesboa' e um novo mapa judiciário

terça-feira, 22 de abril de 2014 0
Entrámos na Assembleia da República por volta das 13h. após 6 horas de viagem. Levávamos a esperança de alertar as consciências dos deputados dos vários grupos parlamentares com quem tínhamos reuniões agendadas. Assunto: o novo mapa judiciário. Dividimos o nosso grupo de 30 advogados para atender a todas as reuniões, uma vez que eram espaçadas por meia hora. Havia colegas das comarcas de Chaves, Boticas e Montalegre. Após o 'check in', e já com as reuniões marcadas e as divisões feitas fomos ao bar. Calhou-me (escolhi) reunir com o PS, CDS e PCP.
Olhava para aqueles corredores e pensava como era fácil inebriar-me com toda aquela ostentação. Afinal cabia ali Chaves inteiro. Era capaz de viver disto, dizia meio a brincar. Passámos pelo restaurante 5 estrelas 'reservado a deputados' antes de chegar ao bar. Uma tosta mista, um sumo e um café. Um euro e vinte cêntimos! Não me queixei do preço. Dei comigo a pensar no mundo à parte em que me encontrava e em como devia ser difícil ter uma noção da realidade lá fora. Os assessores e empregados, seguranças e funcionários eram ás dezenas atropelando-se nos corredores. Vários deputados a falar ao telemóvel revezando-se na função. E como eram largos os corredores... A alcatifa vermelha, os móveis antigos e trabalhados, os espelhos e os quadros gigantes, os lustres e as escadarias balaustradas, os bancos acolchoados tipo sofá. A casa da democracia é verdadeiramente um palácio.
A primeira reunião foi com o PS. Argumentos e dossiers em cima da mesa. As distâncias, o volume processual dos tribunais em causa, os custos agravados das populações e respectivas deslocações para Vila Real, a desertificação e abandono do interior, a perda de valências e dos símbolos da República, etc. Muita compreensão e assentimento, normal para quem é oposição. Saí com a sensação de tempo perdido. Não eram aqueles que precisavam de ser convencidos. O mesmo com o PCP, BE e Os Verdes relatado horas mais tarde pelos outros colegas.
Chegou a vez do CDS-PP. Entramos na sala com uma mesa comprida no meio. Parecia uma sala de jantar, não fosse estar desprovida de qualquer outro ornamento que não fossem livros antigos dos tempos áureos do CDS dispersos por um armário a fazer de estante. Distribuímo-nos pelas cadeiras em volta da mesa enquanto observávamos lá fora a manifestação dos estivadores. Também nós tínhamos organizado uma manifestação em Chaves, e vínhamos de uma 'greve' de 40 dias, coisa nunca vista em Portugal, sem contudo termos qualquer apoio da população ou do poder local. Hão-de sentir na pele quando for tarde demais.
Entram os dois deputados escalados pelo CDS. O homem gordo não abriu a boca durante toda a reunião, não escondendo amiúde trejeitos de frete. A mulher era a Teresa Anjinho. Assim que entrou na sala a justiça pareceu-me iluminada por um anjo. Os causídicos masculinos trocaram olhares cúmplices. A deputada transformara-se no objecto do nosso objectivo. Argumentos e dossiers em cima da mesa. A deputada abria a boca de espanto à medida que nos ouvia. A distância para Vila Real, a meteorologia, a falta de transportes públicos em tempo útil, os gastos, etc. Enquanto ouvia, a deputada, espantada e admirada, fazia comentários do género "como é que é possível?!?!", e "isso não pode ser!"... E variadas vezes, como que muito interessada no assunto, interpelava-nos como se não soubesse que aquilo estava para acontecer, lá em cima, no norte interior do país. E eu ia-me perguntando como era possível que a deputada que supostamente acompanhava as questões da justiça num dos grupos parlamentares que apoia o governo (responsável pelo novo mapa judiciário) não soubesse mesmo do que estávamos a falar! Convidámos os dois deputados a visitar a nossa região. A Teresa disse que já lá tinha estado uma vez. Que adorou a zona de Entre-Os-Rios. A justiça caiu-me aos pés. E com ela os tomates... A Teresa deixou de ser um anjo e passou a representar a centralidade bacoca de 'Lesboa'. Os arredores são mesmo paisagem para quem está enfiado naquelas paredes e corredores. O mapa é desenhado a régua e esquadro por assessores enfiados nos gabinetes. É depois apresentado aos deputados como solução infalível, que sem qualquer espírito critico a defendem até à morte, alicerçados em estudos ridículos desenhados por imbecis ás ordens de ignorantes que nem o próprio país conhecem.
Não, não era capaz de fazer vida naquele palácio.
A reunião com o PSD foi presidida por outra Teresa (Leal Coelho) e pela deputada eleita natural de Chaves e é aqui inenarrável. A deputada de Chaves mais tarde votaria a favor deste mapa judiciário, escudando-se na disciplina de voto. Acobardou-se a traidora. E assim deveria ser tratada sempre que saísse de 'Lesboa' e quisesse entrar em Chaves. Mas as boas graças de uma deputada sobrepõem-se sempre aos saloios dos seus conterrâneos e ao bafio dos bajuladores do partido.
O poder local em Chaves, esse, continua entregue aos calculistas do costume. A política é o rosto do povo, e aqui como noutros lados, tem o que merece. 
Quanto às Teresas da AR, deixo-lhes a sugestão de que quando estiverem a discutir ou a tentar alterar um mapa, tenham um por perto.
O interior do país e a minha cidade têm os dias contados...
Quanto à AR, jurei nunca mais lá entrar...

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Telegramas

quarta-feira, 16 de abril de 2014 0
1- Eu sei que é uma piada fácil e será muito repetida, mas não resisto à tentação: Jesus (J.J.) vai ressuscitar no domingo de Páscoa...

2- Ainda no futebol, Bruno de Carvalho vai exigir à UEFA e à FIFA o título de campeão europeu para o Sporting do ano de 2013...

3- Os militares de Abril queriam discursar na AR nas comemorações do 25 de Abril. 'O problema é deles' respondeu Assunção Esteves. Se é verdade que tal nunca sucedeu e nem sequer me escandaliza que tal não lhes seja permitido (apesar de também não vislumbrar nenhuma razão para que não o façam), já a resposta da presidente da AR, uma segunda escolha depois da rábula Fernando Nobre, veio confirmar o que já suspeitava, Assunção Esteves tem momentos alucinados, e fico-me por aqui. Ao menos algum respeito, algum respeito...

4- Que se lixem as eleições? Não! Nada como a campanha eleitoral para se pensar em subir o salário mínimo nacional. Com as devidas exigências de contrapartidas (v.g. indemnizações por despedimentos ainda mais baratas). Este governo só conhece uma forma de negociar: a chantagem.

5- Os juízes que vão presidir às novas comarcas já estão envoltos em polémica. Segundo o Conselho Superior da Magistratura, os critérios para a escolha foram tudo menos objectivos e transparentes, e selecionados por uma comissão ad hoc sem competência para o efeito. O juiz presidente, figura também saída do novo mapa judiciário tem toda uma nova panóplia de funções e competências, como por exemplo atribuir ou não a determinado juiz determinado processo. Torna-se agora mais fácil ao poder político influenciar o caminho da justiça, porque o poder judicial está mais concentrado nas mãos de apenas 23 juízes, correspondentes às 23 novas comarcas. A insídia ganha terreno perante o silêncio de quem acha que não adianta fazer nada. O controlo do poder judicial é um passo fundamental para que os fantasmas regressem. A porta vai-se abrindo. Frincha a frincha. Após o PREC, nunca a democracia viveu tempos tão perigosos, com o maior ataque de que há memória em Portugal ao Estado social, a tudo o que é domínio público e ao interior do país...

terça-feira, 8 de abril de 2014

Durão baixa as orelhas e mostra os dentes

terça-feira, 8 de abril de 2014 0
Durão Barroso não tem nada que o recomende. Patrocinou na Base das Lajes a fotografia histórica que permitiu a invasão do Iraque baseada nas célebres armas de destruição maciça, um pressuposto errado e enganador. Abandonou o país em nome de um cargo europeu para o qual e após 10 anos de exercício provou não ter qualquer competência. Um 'job' que com Durão ficou esvaziado ao doce balançar do fantoche de Merkel. Ganhou ódios em quase todos os sectores decisórios da União e chegou mesmo enquanto tal a dar-se à lata de criticar uma instituição soberana do seu país (falo claro do Tribunal Constitucional). Lambe as botas de Berlim como um cão amestrado, sem demonstrar qualquer respeito pelo cargo que ocupa. Não se lhe conhece qualquer contributo positivo para a resolução da crise financeira e económica que grassa na Europa, antes pelo contrário. Não tem opinião sobre nada que não seja o ámen reverencial ao diktat troikiano. E quer agora regressar impoluto ao país que deixou entregue nas mãos de Santana Lopes. Mas não regressa sem antes tentar limpar a imagem de um PSD obscuro que se afundou no BPN. E tenta fazê-lo atacando o regulador da época, na figura de Constâncio. Diz agora que houve falhas na regulação e que perguntou por ela aquando da sua fugaz passagem por primeiro Ministro. Esquece todavia que faria um melhor favor ao seu partido se calasse para sempre o maior escândalo financeiro de que há memória em Portugal. Esquece que foi o seu partido e o cavaquismo de que ele é fiel seguidor, os únicos e principais responsáveis pelos crimes perpetrados no BPN e que custaram aos portugueses 7 mil milhões de euros. Esquece que nomeou Dias Loureiro para órgão dirigente do PSD 2 anos depois de ter alertado Constâncio. E alertou sobre o quê e em que termos? Falava de crimes? Se sim, também alertou as autoridades policiais? É que uma coisa são as irregularidades que são da responsabilidade do BdP, outra coisa são os crimes que por lá se cometeram, até hoje sem castigo, como é apanágio português quando se trata da alta criminalidade financeira. E porquê só agora? Porque é que só 10 anos depois se lembrou do BPN?
Quer o lugar de Constâncio ou quer o de Cavaco?

 
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