25 DE ABRIL
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Sophia
quarta-feira, 2 de julho de 2014
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Sophia de Mello Breyner
quinta-feira, 26 de junho de 2014
And meanwhile....
quinta-feira, 26 de junho de 2014
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Enquanto uns cada vez menos cerca de 10 milhões esperavam em terras lusas que o "sol girasse", desta vez prós lados de Vera Cruz...
Um pequeno grupo esperava um outro milagre: a extinção do TC.
A esse grupo, deixo o aviso:
- Eu detesto tanto as vossas agressões, quanto vocês detestam os meus direitos!
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Quarto aniversário inconformado
quarta-feira, 25 de junho de 2014
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No dia do quarto aniversário deste blogue dá-me cá uma saudade das manifestações de polícias... De rezar baixinho para que partissem aquela merda toda, com o apoio declarado de quem estava lá para os guardar. Dá-me uma vontade enorme de ir à manifestação dos advogados do dia 15 de Julho na mesma escadaria (vou estar ausente do país, na Madeira)... E partir aquela merda toda... Uma manifestação inédita e só possível pela merda que se esconde atrás daquela escadaria... Que esconde uma ministra ignorante, arrogante e... fico-me por aqui. Que vontade de lhe apertar as bochechas e acordá-la da ressaca permanente em que parece viver... Que inveja dos brasileiros que se manifestam na rua e partem aquela merda toda... E fico-me por aqui... Que ânsia de pegar nos Portas e nos Coelhos e enfiar-lhes um Correio da Manhã pelo goela abaixo... Ou por outro sítio acima... O presidente do Sporting é que sabe descrever bem o sítio... Porque o Correio da Manhã só serve por ali acima... Que incontinência de pregar com o Tózézinho Seguro na Coreia da Norte e esperar que lhe façam a justiça que ele apregoa... À pequeno líder coreano... Que pena o meu país ser assim, comezinho, malabarista, incompetente, impotente, miserabilista, e o que mais me dói na alma, conformado.
sábado, 21 de junho de 2014
Hermano, que te puedo yo decir?
sábado, 21 de junho de 2014
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Afinal de contas está bom de ver que não vai resultar. Parece-me demasiado forçado, se cada um seguir o seu caminho serão mais felizes e olha que ela não era para ti....
O quê??? Não, não é para ti Felipe, eu estou a falar para a Espanha!
Bem sei que somos daqueles vizinhos de prédio de 10 andares, mal nos conhecemos. Mas eu consigo ouvir-te entre paredes, sei que programas vês, que música ouves, quando te deitas, e depois olha, eu tenho mesmo esta mania das afinidades, daí os "nuestros hermanos", o "povo irmão", a "língua mãe".
E dou-te este conselho: - Livra-te desse Felipe!
Também tivemos há uns tempos três desses e foi uma verdadeira chatice. Para nos livrarmos deles, lá mandamos a "roupa suja" janela fora...
Nunca percebi o mérito da sucessão. Não compreendo as virtudes da Monarquia nem a sua aceitação em povos de Democracia consolidada. Porque raio terá alguém o direito de me chamar de súbdito, apenas por ser filho de outro alguém?
Por cá e apesar dos resquícios mais visíveis da monarquia serem ou um autocolante na parte traseira do automóvel decadente de alta cilindrada, invariavelmente na cor "state deep blue" ou a bandeirinha pendurada na janela a contrastar com as restantes verde rubras, ainda prevalece alguma defesa à sucessão em detrimento do valor do trabalho.
Que razão terão os novos liberais e conservadores, apregoando aos quatro ventos o valor do mérito e do empreendedorismo, ao castigarem o trabalho e quem trabalha de forma tão brutal? Será que não existe mérito no trabalho? Será que o único mérito merecedor de premeio é o de ser-se filho ou suceder a alguém ou a algo?
VIVA A REPÚBLICA!!!
quarta-feira, 18 de junho de 2014
A minha folha excel
quarta-feira, 18 de junho de 2014
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Gosto de futebol. Não menosprezo o futebol por ser um tema menor. Não me armo em intelectualóide que despreza o jogo e as emoções que desperta. Emoções inexplicáveis a quem não sente e vibra com o jogo.
Em todas as grandes competições de futebol (v.g. europeus e mundiais), costumo fazer download e usar uma folha excel, daquelas que mostram os jogos todos e os horários. Depois à medida que preencho os resultados, o ficheiro actualiza-se automaticamente, quer no quadro lateral com os grupos, quer nas subsequentes fases, aparecendo os nomes das selecções apuradas e de quem joga contra quem até à final.
Antes de a competição principiar faço sempre um exercício especulativo e ao sabor daquilo que me parece que irá ser o resultado dos vários jogos. Preencho os resultados todos até à final. E o resultado final é sempre o mesmo. Portugal é sempre campeão da europa ou do mundo.
A realidade é sempre mais imaginativa. Não acerto na maioria dos resultados dos jogos. E nunca me lembraria de pôr a Espanha a perder por 5-1 contra a Holanda. Pela mesma razão tive muita dificuldade em preencher o quadradinho com um 4 para a Alemanha e um 0 para Portugal.
Depois vêm as desculpas, culpas e teorias da conspiração. Já ouvi dizer que na selecção só joga quem cujo empresário for o Jorge Mendes. Não acredito. Mas sei outras coisas. Sei que um terço dos jogadores foi para o Brasil lesionado. Sei que a escolha do estágio nos EUA serviu para a FPF meter mais uns milhões no bolso à pala do CR7. Sei que Campinas fica a milhares de km dos sítios onde jogamos, obrigando a deslocações mais ou menos longas de avião. Sei que a FIFA vai tentar levar ao colo as grandes selecções até às fases mais adiantadas. Sei que não vamos ser campeões do mundo... Mas, porra, pelo menos joguem à bola e não nos envergonhem...
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sexta-feira, 13 de junho de 2014
Um país adiado 2
sexta-feira, 13 de junho de 2014
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Ontem, e por causa dos 'inconseguimentos' de Portugal, e do início do mundial de futebol no Brasil sugeri que a bola a rolar vai manter os portugueses alheados e distraídos pelo menos um mês. Um país adiado.
Mas enquanto que aqui no nosso rectângulo, a ordem é para cortar a eito no Estado social, pondo-se agora em marcha, e após o chumbo do TC, cortes de salários feitos no tempo de Sócrates, e que motivaram até um pedido de desculpas por parte do actual primeiro-ministro (lembram-se??), no Brasil o povo sai à rua para contestar os gastos pornográficos em estádios inacabados e impostos pela ditadura majestosa da FIFA. O Brasil passou a última década a encurtar distâncias entre ricos e pobres e conseguiu baixar o índice de pobreza em mais de 50%, tornando-se um país emergente a potência mundial. A política reguladora do Estado, o fomento de estratégias e do crescimento económico, o controlo da despesa e da inflação, o aumento dos apoios sociais e do salário mínimo deram poder de compra aos mais desfavorecidos e elevaram a economia brasileira para o terceiro maior crescimento mundial em 2013. Dilma só teve que seguir, e seguiu, o plano Lula. Mas os milhões a mais exigem sempre uma mudança de paradigma. A crise financeira troikiana e pré-americana teve na base a distribuição de lucros pelos mais favorecidos. Que melhor sítio para o fazer senão nos sítios onde está o dinheiro. Bancos, correctoras, agências de rating, seguradoras, imobiliárias, no fundo a bolha capitalista. No Brasil foi a FIFA. Até ver...
O povo sentiu-se traído e sai à rua para reivindicar mais Estado social, mais educação, mais saúde, mais investimento, melhores salários, enfim, o que seria normal numa sociedade avançada porque mais igual... Os mais de 400 mil milhões de euros investidos equivalem a três vezes o nosso PIB anual. A FIFA, com o beneplácito de Dilma Rousseff adiou também o Brasil. A grande diferença é que por lá não se habituaram a ser serenos e a comer e calar...
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Um país adiado
quinta-feira, 12 de junho de 2014
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Segundo Freitas do Amaral, as primárias no PS serão ilegais. Segundo José Manuel Meirim, as eleições para a Liga Portuguesa de Futebol foram ilegais. Segundo o Tribunal Constitucional, os últimos orçamentos de Estado são inconstitucionais.
Não querendo ir ao fundo da questão, e não pondo em causa nem os especialistas supra citados (apesar de tender a concordar com eles) nem opiniões divergentes, sobra a pergunta: o que é que esta gente toda anda a fazer?
Portugal continua a ser um país adiado. Um país de jogos de bastidores, de tricas e malabarismos, sempre em nome do poder e da vaidade pessoal.
O que vale é que hoje começa o mundial e durante um mês tudo isso passa para segundo ou terceiro plano, dependendo das prestações do CR7... (e não!, não vou tecer qualquer comentário ao desmaio de Cavaco nas celebrações do 10 de Junho).
P.S.- Nas vésperas do quarto aniversário deste blog, é uma honra poder partilhar este espaço com o meu amigo Marco Chaves, que em boa hora aceitou o meu convite. 'May the force be with you, ma friend!'
quarta-feira, 11 de junho de 2014
“The privilege of making the wrong choice”
quarta-feira, 11 de junho de 2014
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Gosto de dias compridos, de noites que entram tardiamente e
da ambiguidade do que os separa.
Que belos festins se fazem por estas alturas…
Não foram eles e a influência que sobre mim exercem e talvez
não tivesse dado um sim repentino, qual noivo de St.º António e por-me aqui a
escrever.
Recordo dias passados em cima de uma BMX quitada ao sabor
do parco orçamento e da necessidade mais premente de arranjo, com um qualquer parceiro,
o “Huckleberry Finn” de serviço e partir em deambulação pelo vale, sendo que o
que vestiria a pele de “Tom” nesse dia, seria o que tivesse a ideia de fazer
corta mato pela serra, passar a rasgar
pelo meio das hortas, ou saltar a vedação para fazer uma corrida de bikes pela
pista do aeródromo. Aliás, não existe melhor local e época para apreciar o
esplendor da chegada da noite do que a pista do aeródromo em plena veiga. É
só deitarmos-nos sobre o alcatrão aquecido pelo sol, e… Just Watch !!!
O título do meu primeiro post neste blog é inteiramente
dedicado ao seu fundador e ao convite que me endereçou. Fica a provocação e o
meu sentido abraço de amigo.
Como podem imaginar aqui não reinará a bicefalia. Não
acreditamos nisso! (altura de colocar um smile, já que a conotação política é
evidente, porém não encontrei nenhum com gravata).
Deixo ainda indicação de que o título deste post, pertence
ao nome de um álbum de uma extinta banda portuense, os ZEN, recomendo vivamente a
revisitação do mesmo já que muito ficou por contar.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Constituição, uma questão de pormenor
quinta-feira, 5 de junho de 2014
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Nada melhor que trocar os juízes de um tribunal quando as decisões não agradam. A maioria governamental não sabe governar com a Constituição do seu país, o que já diz muito da sua competência. Mas o problema maior é a montante. O governo não sabe governar, ponto.
Passos Coelho e a maioria escolheram a seu bel prazer os juízes do TC a que tinham direito, numa negociação legítima e prevista na CRP. Só não estavam à espera é que os juízes cumprissem o mandato que lhes foi incumbido, e pasmem-se, passassem mesmo a defender a Constituição em vez do programa do governo.
Quando a governação se torna impossível por violação constante da CRP e da lei, talvez fosse melhor mudar de rumo ao invés de sugerir mudar de juízes.
Imagino só a algazarra na justiça, se cada vez que uma decisão de um determinado tribunal (soberano!?) não agradasse a fulano ou a beltrano, estes decidissem pedir a aclaração da sentença ou acórdão (não é Henrique Monteiro?) e exigissem a substituição do juiz ou juízes em causa, para prevenir uma futura decisão mais favorável... A isto chama-se irresponsabilidade, numa tentativa fútil de ganhar tempo, e que pode até ser punida criminalmente. E não é a CRP que o prevê. A não ser que se ponha em causa também o Código Penal. Já não me admiraria... De outros, por bem menos, se exigiu a sua responsabilidade criminal... Já agora, a aclaração, foi, segundo julgo saber, eliminada do nosso sistema jurídico por proposta de Paula Teixeira da Cruz. É no mínimo irónico.
A questão da separação de poderes, da independência, dos princípios e das normas e afins são questões de pormenor... para alguns...
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quarta-feira, 4 de junho de 2014
O António melhor
quarta-feira, 4 de junho de 2014
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É incrível como em apenas 23 minutos, com um discurso fácil, harmonizador e assertivo, António Costa consegue dizer mais e de forma mais esclarecedora do que Seguro num ano inteiro...
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Seguro
segunda-feira, 2 de junho de 2014
A porta da rua é serventia da casa
segunda-feira, 2 de junho de 2014
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A posição de Seguro de tentar a todo o custo impedir a realização de um congresso do PS nada tem que ver com princípios ou estatutos se Seguro estivesse convencido de uma vitória.
Mas Seguro sabe que já perdeu o país e que muitos dos eleitores tradicionais do PS preferiram votar no Marinho e Pinto. Seguro sabe que perdeu o país e mais tarde ou mais cedo perderá o PS pondo fim à sua ambição de chegar ao poder.
A rábula das primárias mais não é do que uma fuga para a frente, tentando ganhar tempo que o país e o PS não têm.
A rábula das primárias mais não é do que uma fuga para a frente, tentando ganhar tempo que o país e o PS não têm.
Seguro pode adiar uma vitória de António Costa mas não conseguirá adiar o seu fim político. A razão pela qual as pessoas não vêm no PS uma alternativa é a mesma pela qual não vêm no governo uma solução. E daí a pancada no centrão nas últimas eleições europeias. Foi esta a conclusão de Costa. É esta a conclusão do país, agravada pelo discurso da vitória 'esmagadora' de Seguro na noite das eleições e que não passou de uma vitória pírrica. Ou será que Seguro já não se lembra da oposição interna que fez a Sócrates? E vem agora falar de traições...
Se a actual liderança é tão defensora das regras estatuárias em relação ao PS porque razão não revelam os mesmos bons princípios em relação ao país? Aceitando Seguro participar em negociações com o PSD que tinham como contrapartida a realização de eleições antecipadas à margem dos princípios constitucionais?
Se Seguro é tão defensor das regras, como explica que tenha ido ao Tribunal Constitucional pedir que este declarasse os cortes dos vencimentos inconstitucionais e depois tenha apresentado um programa de governo ridículo em que mantém os cortes mesmo depois de declarados inconstitucionais e quando o próprio governo já programou a sua eliminação progressiva?
Se no passado Seguro defendeu a participação dos simpatizantes do PS na eleição do líder porque razão blindou os estatutos para proteger a sua liderança e agora esconde-se atrás desses estatutos para manter a liderança sem ter de enfrentar os adversários?
Seguro acha normal que o PS que durante a campanha eleitoral foi o mais visado pelo PCP e que se aliou à direita para derrubar o seu governo decida agora anunciar o voto favorável a uma moção de censura onde se combate aquilo que se designa como «o retrocesso económico e social a que conduziu a política de direita executada nos últimos 37 anos por sucessivos governos»? É normal aprovar moções de censura antes de as ler? E classificar essa moção como "um frete ao governo" e depois votá-la favoravelmente?
E será normal haver um candidato a primeiro ministro e ao mesmo tempo um secretário geral, numa bicefalia que tão bons resultados tem dado no BE?
A bem do país, a garotada tem que ir embora. A do PS, a do governo, e o PR que jurou defender a Constituição e nada diz sobre a tentativa persistente de a contornar por um governo fora da lei. Um governo, que para além de outras medidas, leva 3 orçamentos inconstitucionais em 3 possíveis.
A bem do país, a garotada tem que ir embora. A do PS, a do governo, e o PR que jurou defender a Constituição e nada diz sobre a tentativa persistente de a contornar por um governo fora da lei. Um governo, que para além de outras medidas, leva 3 orçamentos inconstitucionais em 3 possíveis.
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sexta-feira, 23 de maio de 2014
Palito
sexta-feira, 23 de maio de 2014
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'Palito' é um homicida. Que o povo elevou a herói. Gostava sinceramente de perguntar aquela gente toda que o aplaudiu à entrada para o tribunal se teriam a mesma atitude se o 'Palito' tivesse assassinado a sangue frio, com tiros de caçadeira, as suas queridas mãezinhas. Se tivesse esfrangalhado a cara da sua querida filhinha, ou o corpo da sua bela mulherzinha ou do raio que os parta.
Ou estariam a aplaudir quem andou a gozar com o ministro da Administração Interna e com a ministra da Justiça durante um mês e que só foi apanhado porque se entregou?
Perante tudo isto, o Estado de Direito volta a fazer figura de tolo. Tem um palito enfiado nos dentes. A polícia andou a fazer turismo rural, demorou mais de um mês a apanhar um velho que todos na aldeia sabiam onde se escondia. Bin Laden não sabia da existência de Valongo dos Azeites, ou nunca teria sido apanhado. É incrível a leviandade com que as pessoas literalmente troçam da lei: ajudaram, alimentaram e deram guarida a um criminoso procurado.
E, suprema vergonha, ainda o aplaudem à porta do tribunal.
A fazer lembrar os ignóbeis de Lousada que queriam esfolar vivo Afonso Dias, após ter sido absolvido do rapto do João Pedro.
Ou os energúmenos que agrediram Francisco Assis em Felgueiras em defesa da também fugitiva e criminosa Fátima.
Exemplos não faltam, infelizmente, de pessoas tresloucadas e ignorantes de quem tenho vergonha de ser compatriota.
Sinais dos tempos. Tempos que pensei há muito passados.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Europeias?
quarta-feira, 21 de maio de 2014
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E de repente parece que no próximo domingo há eleições europeias. Parece. Porque na verdade o que se discute nada tem a ver com a Europa ou com o papel que cada um defende para o que seja a sua intervenção futura ou para o que foi a sua intervenção na crise. Como sempre em Portugal a politiquice rasteira e mesquinha continua a sobrepôr-se ao debate de ideias.
Sabemos que o candidato da Aliança Portugal, Paulo Rangel, antes de o ser, era crítico das medidas de austeridade cegas e brutais impostas pela UE e pelo diktat alemão e aplicadas pelo governo que sempre quis ir além da troika. Mas o lugar à sombra da bananeira do parlamento europeu fez com que invertesse a tendência e passasse a defender com unhas e dentes a acção governativa e a panaceia imposta. Talvez por isso, tenha também decidido retirar das suas intervenções de campanha, qualquer alusão aos problemas da Europa e à forma como esta decidiu combater a crise com a devida vénia do governo em funções. Preferiu o confronto revanchista com o "vírus socialista" e o ataque cobarde ao do costume, Sócrates. Portas aliou-se ao ataque e reafirmou a ideia de um exame a Sócrates em forma de uma indignação redireccionada, "Sócrates, o pai da troika", disse. Mas se quiseram ir por aí, a troca por um exame a Sócrates talvez acabe por se revelar uma surpresa. A estratégia assenta fundamentalmente num esquema de tapar o sol com a peneira, desviando as atenções da verdadeira indignação latente. Ninguém nega que as eleições europeias são sempre um exame intermédio à política nacional. Na verdade, já passaram três anos desde o chumbo do PEC IV, o pedido de ajuda externa e a chegada ao governo de Passos Coelho, Gaspar, Relvas e Portas. A perspectiva que os portugueses têm hoje desse período é muito diferente da que tinham então. Estaria o PEC IV em condições de evitar uma ajuda externa e uma passagem pela crise mais tranquila para os portugueses? Evitaria os números trágicos de desemprego, de défice, de emigração, de recessão e de aumento de impostos? Sabemos que tinha o aval da UE e de Merkel. Sabemos que Passos aldrabou tudo o que podia na campanha eleitoral para chegar ao governo. Mas também é certo que com o PEC IV e outros que se lhe seguiriam, com certeza, a política seguida e a vida dos portugueses teria sido bem diferente. E de certeza absoluta que nos teríamos poupado a Relvas, Gaspar e ao vice Portas. Mas o que é mesmo certo, é que Portugal tem o que merece. Em nome de uma vingança e de um ódio que apenas se explicam pela inveja e pelo medo, inveja pelo que foi feito, medo que o povo se aperceba do logro em que caiu.
Marcelo entrou na campanha para dizer que não vota em Rangel nem em Nuno Melo, vota na Aliança que apoia Juncker, o 'luxem-burguês' que disse que "pessoas são iguais a mercadorias ou capitais". Esclarecedor.
No momento em que se impunha um debate sério e esclarecido sobre o papel da UE e sobre a forma de resolver a crise, ou sobre a fórmula que foi aplicada até aqui, a discussão política nacional é sempre mais redutora.
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quinta-feira, 15 de maio de 2014
葡萄牙
quinta-feira, 15 de maio de 2014
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Ainda recordo com saudade a época em que era considerado quase um crime vender computadores na Venezuela.
Nos tempos que correm, vai-se à China tentar vender tudo o que os chineses possam comprar, numa campanha sem precedentes de um país em saldos...
Como se sabe, a China é neste momento o farol da democracia que guia toda a Ásia, e já manda em vários sectores estratégicos em Portugal. Estou tão contente que vou já começar a aprender chinês, mandarim e mais um ou outro dialecto que se fale por lá. Não quero ficar de fora da próxima grande revolução humana. E nunca se sabe, daqui a uns anos posso ter como patrão um senhor de olhos em bico. Quando a justiça, a educação e a saúde estiverem também completamente privatizadas. Já sei que é a ganhar o salário mínimo, que será ainda mais mínimo por essa altura, mas viverei feliz na minha palhota, porque saberei então que estarei a contribuir para a grandeza da grande República Popular de Portugal.
P.S.- O título deste artigo quer dizer Portugal em chinês (segundo o google).
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quarta-feira, 7 de maio de 2014
Cuecas e fraldas
quarta-feira, 7 de maio de 2014
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Saída limpa tiveram o Oliveira e Costa e o Dias Loureiro e todos os cavacos que cometeram a maior fraude financeira de que há memória em Portugal. Usam fralda, por isso só se sente se há merda pelo cheiro. Os criminosos do BPN saíram limpinhos, mudaram a fralda e tudo se transformou em mera contra-ordenação com via verde para a prescrição. Ajudaram com a sua mão invisível a escavar mais uns bons metros no buraco do país. Isso sim foi uma saída limpa. Limpinha, limpinha...
O que Passos anunciou no domingo, foi a troca da fralda pelas cuecas reforçadas com abas. Cuecas roubadas aos trabalhadores, pensionistas, reformados e funcionários públicos. As reformas estruturais nem foram reformas nem nada têm de estruturais. Três anos a empobrecer um país, a delapidar património, a esvaziar o interior do país, a arruinar a economia. Desemprego, emigração e dívida pública a subir. De guerra aos trabalhadores e liberalização de despedimentos. Três anos de recessão alavancados no brutal aumento de impostos e na austeridade cega. Três anos de inconstitucionalidades há muito programadas, alicerçadas em pressões antidemocráticas a órgãos soberanos de um país, vindas do próprio governo, mas também de instituições tecnocratas europeias. Um memorando que é ele próprio inconstitucional à luz da nossa lei. A lei que deve e tem que ser aplicada, não a do FMI ou a do BCE. A Europa esfrangalhada e dividida também ela a precisar de fralda. A troika veio a Portugal fazer o favor a Passos Coelho de lhe legitimar a cartilha ideológica que tinha em mente e como estratégia. A estratégia do dr. Relvas e do Gaspar. Do irrevogável (infelizmente) Portas que não conhece a porta de saída. A dos fundos...
E para acabar em beleza, nada melhor que o DEO (Documento de Estratégia Orçamental), exigido pela troika e aldrabado pelo governo. O DEO que 15 dias antes da sua divulgação Passos Coelho jurara não conter aumento de impostos. Sabe-se agora que o IVA não é um imposto. E que a TSU aumenta. Coisa de nada. E que a CES muda de nome em modo mais levezinho. E que vigora até 2019 mesmo havendo legislativas em 2015. Portanto a troika sai sem sair... Que é como quem diz, acautela o que tem que acautelar. Mas Passos não se fica por aí, e em ciclo eleitoral, o que se avizinha e o que se vê ao virar da esquina, promete um aumento gradual de reposição dos salários na função pública para os próximos anos, a começar, adivinhem... em 2015 pois claro.
Três anos de economês político, em que um pontapé numa pedra fazia um economista. Um economista como Cavaco que pergunta hoje no facebook onde estão os que defendiam há menos de seis meses que Portugal não evitaria um segundo resgate? Onde estão? Hã? Toma!!! Vai buscar...!!! Eu sei, parece um puto que marcou o golo decisivo ao amigo gordo que o provocou o jogo todo... E todos sabem que o amigo gordo é Seguro. E a equipa de Cavaco é o governo. É assim o nosso PR.
O papel higiénico é por estes dias um bem raro que só serve entradas e não saídas. A legitimação das políticas de austeridade acaba com a saída da troika, mas só no papel, porque continuarão a andar por aí a enfardar pastéis de Belém. O discurso da saída limpa e do fim da crise, tal como anunciada por Passos ainda ontem, é a propaganda que vai encher a boca e o rabo aos limpinhos trauteares do sebastianismo bacoco, tão típico de quem não pensa pela sua própria cabeça, e come tudo o que lhe põem em frente aos olhos.
O papel higiénico é por estes dias um bem raro que só serve entradas e não saídas. A legitimação das políticas de austeridade acaba com a saída da troika, mas só no papel, porque continuarão a andar por aí a enfardar pastéis de Belém. O discurso da saída limpa e do fim da crise, tal como anunciada por Passos ainda ontem, é a propaganda que vai encher a boca e o rabo aos limpinhos trauteares do sebastianismo bacoco, tão típico de quem não pensa pela sua própria cabeça, e come tudo o que lhe põem em frente aos olhos.
Saída limpa... Pois... Parabéns... Mas o país vai continuar na merda...
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quarta-feira, 30 de abril de 2014
Ode
quarta-feira, 30 de abril de 2014
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Não vendam toda a luz do país
Deixem-nos o sol e a saudade
Saiam de mansinho! e de verdade
Não arrendem a nossa matriz.
Por rios e oceanos sobrefeitos
Não vendam as águas
Não deixem as mágoas;
Saiam de mansinho!
Vão e não voltem
Uns e outros contrafeitos
De conluio satisfeitos
Uns que vieram
Os que estão eleitos;
Feitos de usura costurada
Na margem da infâmia mais soturna
São as foices deste povo
De gente amargurada
São a machada, são a urna
São os coveiros de novo.
Ide de mansinho!
E se memória houver um dia de tudo o que cobrastes
Ficará em pergaminho
A morte cruel que enfrentastes...
sexta-feira, 25 de abril de 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
A minha viagem a 'Lesboa' e um novo mapa judiciário
terça-feira, 22 de abril de 2014
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Entrámos na Assembleia da República por volta das 13h. após 6 horas de viagem. Levávamos a esperança de alertar as consciências dos deputados dos vários grupos parlamentares com quem tínhamos reuniões agendadas. Assunto: o novo mapa judiciário. Dividimos o nosso grupo de 30 advogados para atender a todas as reuniões, uma vez que eram espaçadas por meia hora. Havia colegas das comarcas de Chaves, Boticas e Montalegre. Após o 'check in', e já com as reuniões marcadas e as divisões feitas fomos ao bar. Calhou-me (escolhi) reunir com o PS, CDS e PCP.
Olhava para aqueles corredores e pensava como era fácil inebriar-me com toda aquela ostentação. Afinal cabia ali Chaves inteiro. Era capaz de viver disto, dizia meio a brincar. Passámos pelo restaurante 5 estrelas 'reservado a deputados' antes de chegar ao bar. Uma tosta mista, um sumo e um café. Um euro e vinte cêntimos! Não me queixei do preço. Dei comigo a pensar no mundo à parte em que me encontrava e em como devia ser difícil ter uma noção da realidade lá fora. Os assessores e empregados, seguranças e funcionários eram ás dezenas atropelando-se nos corredores. Vários deputados a falar ao telemóvel revezando-se na função. E como eram largos os corredores... A alcatifa vermelha, os móveis antigos e trabalhados, os espelhos e os quadros gigantes, os lustres e as escadarias balaustradas, os bancos acolchoados tipo sofá. A casa da democracia é verdadeiramente um palácio.
A primeira reunião foi com o PS. Argumentos e dossiers em cima da mesa. As distâncias, o volume processual dos tribunais em causa, os custos agravados das populações e respectivas deslocações para Vila Real, a desertificação e abandono do interior, a perda de valências e dos símbolos da República, etc. Muita compreensão e assentimento, normal para quem é oposição. Saí com a sensação de tempo perdido. Não eram aqueles que precisavam de ser convencidos. O mesmo com o PCP, BE e Os Verdes relatado horas mais tarde pelos outros colegas.
Chegou a vez do CDS-PP. Entramos na sala com uma mesa comprida no meio. Parecia uma sala de jantar, não fosse estar desprovida de qualquer outro ornamento que não fossem livros antigos dos tempos áureos do CDS dispersos por um armário a fazer de estante. Distribuímo-nos pelas cadeiras em volta da mesa enquanto observávamos lá fora a manifestação dos estivadores. Também nós tínhamos organizado uma manifestação em Chaves, e vínhamos de uma 'greve' de 40 dias, coisa nunca vista em Portugal, sem contudo termos qualquer apoio da população ou do poder local. Hão-de sentir na pele quando for tarde demais.
Entram os dois deputados escalados pelo CDS. O homem gordo não abriu a boca durante toda a reunião, não escondendo amiúde trejeitos de frete. A mulher era a Teresa Anjinho. Assim que entrou na sala a justiça pareceu-me iluminada por um anjo. Os causídicos masculinos trocaram olhares cúmplices. A deputada transformara-se no objecto do nosso objectivo. Argumentos e dossiers em cima da mesa. A deputada abria a boca de espanto à medida que nos ouvia. A distância para Vila Real, a meteorologia, a falta de transportes públicos em tempo útil, os gastos, etc. Enquanto ouvia, a deputada, espantada e admirada, fazia comentários do género "como é que é possível?!?!", e "isso não pode ser!"... E variadas vezes, como que muito interessada no assunto, interpelava-nos como se não soubesse que aquilo estava para acontecer, lá em cima, no norte interior do país. E eu ia-me perguntando como era possível que a deputada que supostamente acompanhava as questões da justiça num dos grupos parlamentares que apoia o governo (responsável pelo novo mapa judiciário) não soubesse mesmo do que estávamos a falar! Convidámos os dois deputados a visitar a nossa região. A Teresa disse que já lá tinha estado uma vez. Que adorou a zona de Entre-Os-Rios. A justiça caiu-me aos pés. E com ela os tomates... A Teresa deixou de ser um anjo e passou a representar a centralidade bacoca de 'Lesboa'. Os arredores são mesmo paisagem para quem está enfiado naquelas paredes e corredores. O mapa é desenhado a régua e esquadro por assessores enfiados nos gabinetes. É depois apresentado aos deputados como solução infalível, que sem qualquer espírito critico a defendem até à morte, alicerçados em estudos ridículos desenhados por imbecis ás ordens de ignorantes que nem o próprio país conhecem.
Não, não era capaz de fazer vida naquele palácio.
A reunião com o PSD foi presidida por outra Teresa (Leal Coelho) e pela deputada eleita natural de Chaves e é aqui inenarrável. A deputada de Chaves mais tarde votaria a favor deste mapa judiciário, escudando-se na disciplina de voto. Acobardou-se a traidora. E assim deveria ser tratada sempre que saísse de 'Lesboa' e quisesse entrar em Chaves. Mas as boas graças de uma deputada sobrepõem-se sempre aos saloios dos seus conterrâneos e ao bafio dos bajuladores do partido.
O poder local em Chaves, esse, continua entregue aos calculistas do costume. A política é o rosto do povo, e aqui como noutros lados, tem o que merece.
Quanto às Teresas da AR, deixo-lhes a sugestão de que quando estiverem a discutir ou a tentar alterar um mapa, tenham um por perto.
O interior do país e a minha cidade têm os dias contados...
Quanto à AR, jurei nunca mais lá entrar...
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Telegramas
quarta-feira, 16 de abril de 2014
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1- Eu sei que é uma piada fácil e será muito repetida, mas não resisto à tentação: Jesus (J.J.) vai ressuscitar no domingo de Páscoa...
2- Ainda no futebol, Bruno de Carvalho vai exigir à UEFA e à FIFA o título de campeão europeu para o Sporting do ano de 2013...
3- Os militares de Abril queriam discursar na AR nas comemorações do 25 de Abril. 'O problema é deles' respondeu Assunção Esteves. Se é verdade que tal nunca sucedeu e nem sequer me escandaliza que tal não lhes seja permitido (apesar de também não vislumbrar nenhuma razão para que não o façam), já a resposta da presidente da AR, uma segunda escolha depois da rábula Fernando Nobre, veio confirmar o que já suspeitava, Assunção Esteves tem momentos alucinados, e fico-me por aqui. Ao menos algum respeito, algum respeito...
4- Que se lixem as eleições? Não! Nada como a campanha eleitoral para se pensar em subir o salário mínimo nacional. Com as devidas exigências de contrapartidas (v.g. indemnizações por despedimentos ainda mais baratas). Este governo só conhece uma forma de negociar: a chantagem.
5- Os juízes que vão presidir às novas comarcas já estão envoltos em polémica. Segundo o Conselho Superior da Magistratura, os critérios para a escolha foram tudo menos objectivos e transparentes, e selecionados por uma comissão ad hoc sem competência para o efeito. O juiz presidente, figura também saída do novo mapa judiciário tem toda uma nova panóplia de funções e competências, como por exemplo atribuir ou não a determinado juiz determinado processo. Torna-se agora mais fácil ao poder político influenciar o caminho da justiça, porque o poder judicial está mais concentrado nas mãos de apenas 23 juízes, correspondentes às 23 novas comarcas. A insídia ganha terreno perante o silêncio de quem acha que não adianta fazer nada. O controlo do poder judicial é um passo fundamental para que os fantasmas regressem. A porta vai-se abrindo. Frincha a frincha. Após o PREC, nunca a democracia viveu tempos tão perigosos, com o maior ataque de que há memória em Portugal ao Estado social, a tudo o que é domínio público e ao interior do país...
3- Os militares de Abril queriam discursar na AR nas comemorações do 25 de Abril. 'O problema é deles' respondeu Assunção Esteves. Se é verdade que tal nunca sucedeu e nem sequer me escandaliza que tal não lhes seja permitido (apesar de também não vislumbrar nenhuma razão para que não o façam), já a resposta da presidente da AR, uma segunda escolha depois da rábula Fernando Nobre, veio confirmar o que já suspeitava, Assunção Esteves tem momentos alucinados, e fico-me por aqui. Ao menos algum respeito, algum respeito...
4- Que se lixem as eleições? Não! Nada como a campanha eleitoral para se pensar em subir o salário mínimo nacional. Com as devidas exigências de contrapartidas (v.g. indemnizações por despedimentos ainda mais baratas). Este governo só conhece uma forma de negociar: a chantagem.
5- Os juízes que vão presidir às novas comarcas já estão envoltos em polémica. Segundo o Conselho Superior da Magistratura, os critérios para a escolha foram tudo menos objectivos e transparentes, e selecionados por uma comissão ad hoc sem competência para o efeito. O juiz presidente, figura também saída do novo mapa judiciário tem toda uma nova panóplia de funções e competências, como por exemplo atribuir ou não a determinado juiz determinado processo. Torna-se agora mais fácil ao poder político influenciar o caminho da justiça, porque o poder judicial está mais concentrado nas mãos de apenas 23 juízes, correspondentes às 23 novas comarcas. A insídia ganha terreno perante o silêncio de quem acha que não adianta fazer nada. O controlo do poder judicial é um passo fundamental para que os fantasmas regressem. A porta vai-se abrindo. Frincha a frincha. Após o PREC, nunca a democracia viveu tempos tão perigosos, com o maior ataque de que há memória em Portugal ao Estado social, a tudo o que é domínio público e ao interior do país...
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terça-feira, 8 de abril de 2014
Durão baixa as orelhas e mostra os dentes
terça-feira, 8 de abril de 2014
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Durão Barroso não tem nada que o recomende. Patrocinou na Base das Lajes a fotografia histórica que permitiu a invasão do Iraque baseada nas célebres armas de destruição maciça, um pressuposto errado e enganador. Abandonou o país em nome de um cargo europeu para o qual e após 10 anos de exercício provou não ter qualquer competência. Um 'job' que com Durão ficou esvaziado ao doce balançar do fantoche de Merkel. Ganhou ódios em quase todos os sectores decisórios da União e chegou mesmo enquanto tal a dar-se à lata de criticar uma instituição soberana do seu país (falo claro do Tribunal Constitucional). Lambe as botas de Berlim como um cão amestrado, sem demonstrar qualquer respeito pelo cargo que ocupa. Não se lhe conhece qualquer contributo positivo para a resolução da crise financeira e económica que grassa na Europa, antes pelo contrário. Não tem opinião sobre nada que não seja o ámen reverencial ao diktat troikiano. E quer agora regressar impoluto ao país que deixou entregue nas mãos de Santana Lopes. Mas não regressa sem antes tentar limpar a imagem de um PSD obscuro que se afundou no BPN. E tenta fazê-lo atacando o regulador da época, na figura de Constâncio. Diz agora que houve falhas na regulação e que perguntou por ela aquando da sua fugaz passagem por primeiro Ministro. Esquece todavia que faria um melhor favor ao seu partido se calasse para sempre o maior escândalo financeiro de que há memória em Portugal. Esquece que foi o seu partido e o cavaquismo de que ele é fiel seguidor, os únicos e principais responsáveis pelos crimes perpetrados no BPN e que custaram aos portugueses 7 mil milhões de euros. Esquece que nomeou Dias Loureiro para órgão dirigente do PSD 2 anos depois de ter alertado Constâncio. E alertou sobre o quê e em que termos? Falava de crimes? Se sim, também alertou as autoridades policiais? É que uma coisa são as irregularidades que são da responsabilidade do BdP, outra coisa são os crimes que por lá se cometeram, até hoje sem castigo, como é apanágio português quando se trata da alta criminalidade financeira. E porquê só agora? Porque é que só 10 anos depois se lembrou do BPN?
Quer o lugar de Constâncio ou quer o de Cavaco?
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segunda-feira, 7 de abril de 2014
O jornalismo acéfalo
segunda-feira, 7 de abril de 2014
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A raiva bacoca assente em fugazes trechos ideológicos do 'que se ouve dizer' de José Rodrigues dos Santos, que não consegue disfarçar um imbecil ódio a Sócrates, é na verdade uma defesa acéfala do governo. E na tentativa de ferir o animal, só conseguiu acordar a sua ferocidade. Na verdade, a vã tentativa de confrontar Sócrates com tudo o que se vai dizendo, sem qualquer interpretação própria ou estudo prévio leva a que JRS seja confrontado com a sua própria falta de honestidade intelectual. O animal feroz transformou o caçador em vítima, pois Sócrates, com todos os seus defeitos, é reconhecido por 'quase' todos como o mestre da política e da retórica em Portugal. E devo dizer também, que em minha opinião, o tiro saiu ao lado, porque, tal como já referi, Sócrates não se deixou caçar. 'Safou-se' muito bem há uma semana, e arrasou ontem.
Contudo, em anos de missa dominical de Marcelo, ou de Marques Mendes (o 'ministro' espião do governo), não vi em lado nenhum os defensores do papel activo do jornalista no espaço de opinião. O clubismo hipócrita, de que Sócrates é a maior vítima, não se coaduna com as suas próprias contradições. Os comentadores que por aí grassam (alguns há muito mais tempo), acompanhados de fantoches inanimados que lhes dão as deixas, nunca foram postos em causa.
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quinta-feira, 3 de abril de 2014
Aldrabices de Abril
quinta-feira, 3 de abril de 2014
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Este tempo de antena usado pelo PS no passado dia 1 de Abril (dia das mentiras ou enganos), e com direito a recorde de audiências na RTP, faz mais em 7 minutos do que todas as intervenções diárias de Seguro. Um tempo de antena por semana, com Seguro muito calado e sossegadinho dava-lhe maioria absoluta no espaço de um mês. E também mete num bolso qualquer pseudo-entrevista do José Rodrigues dos Santos.
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quarta-feira, 26 de março de 2014
A pobreza de espírito
quarta-feira, 26 de março de 2014
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Não há nada como uma pré-campanha eleitoral para se descobrir que afinal há pobreza em Portugal. De repente torna-se urgente dizer qualquer coisa aos excluídos e vítimas maiores da troika e da política de terra queimada. Agora já é necessário compensar e reduzir as desigualdades e as injustiças sociais que os últimos 3 anos agravaram. Mas só porque foram conhecidos esta semana os reais números da pobreza em Portugal.
Quando se passam dias a discutir as incoerências do discurso de Sócrates, ninguém é capaz de perguntar ao senhor primeiro Ministro porque é que tem que se empobrecer o país para depois combater a pobreza gerada por esse empobrecimento? E já agora seria também interessante que José Rodrigues dos Santos (que na próxima vez deve levar o arquivo completo) entrevistasse Passos Coelho acerca das suas incoerências antes de ser primeiro Ministro, no período de campanha eleitoral, em que o contexto temporal do que disse então é exactamente o mesmo de agora. Ao contrário do entrevistado de domingo. Perguntar-lhe também se não sabia quais eram as consequências da sua política económica e social baseada na austeridade, que por sua vez significou a ausência dessas mesmas políticas. É interessante contudo notar que Passos Coelho afirmou isso mesmo. Que era necessário empobrecer o país e as pessoas, com uma competitividade baseada numa política de baixos salários e dos custos do trabalho, no fundo transformar o país no Bangladesh da Europa sem nunca abdicar dos juros e da dívida impagável já reconhecido por todos de boa-fé.
Descobrir agora que existe um Estado Social nascido das cinzas da 2ª Guerra Mundial e que pôs a Europa na senda do desenvolvimento e da paz durante mais de 50 anos não é sério, quando se tenta destruí-lo em nome de um discurso estritamente ideológico e, esse sim, radical. O Estado Social que não serve para proteger bancos mas sim para proteger pessoas. Que garante igualdade de acesso de todos à saúde, à educação e de oportunidades por consequência. Que promove o bem estar assinado no contrato social com todos. E que tem como consequência e objectivo final o progresso individual que em união com todos os outros significa o progresso societário e colectivo de uma nação.
Passos sacrificou tudo em nome da austeridade e dos mercados, da Alemanha e do bom aluno, e quando se der conta destruiu um país sem pessoas, sem garantias, sem crescimento, sem economia e sem esperança.
P.S.- É curioso que os números continuem a cismar em não dar razão ao governo e à troika. Os dados da execução orçamental de Janeiro e Fevereiro apresentam um défice de 30 milhões de euros. É o crescimento, estúpido!
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sexta-feira, 21 de março de 2014
Telegramas
sexta-feira, 21 de março de 2014
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1- Jorge Jesus não aprendeu nada com o final da época transacta. A sua verborreia, aliada à sua falta de cultura, que por sua vez se alia à sua arrogância, fazem-no muitas vezes engolir sapos e quase sempre desprestigiam a instituição para a qual trabalha. Um treinador que bate em polícias, nos adjuntos e directores, que não respeita colegas, e principalmente que não sabe ganhar, quando saber ganhar é para mim mais importante que saber perder.
Um homem que não humilha o adversário derrotado, que respeita o sofrimento de quem não alcança os seus objectivos é verdadeiramente sábio.
O 'mestre da táctica', 'da nota artística', 'acradita' que só desrespeitando e humilhando os outros pode ser grande. Como está enganado. Pena é que não o obriguem a pedir desculpas públicas ao Shéu e ao Rui Costa, a toda a equipa técnica, e ao Sherwood, e principalmente aos benfiquistas. E não é preciso ajoelhar-se...
2- Torna-se urgente uma lei que impeça os deputados da maioria que chumbaram a co-adopção, apenas alguns meses após a terem aprovado, de poderem adoptar qualquer criança, uma vez que não têm maturidade nem coerência intelectual para poderem exercer responsabilidades parentais.
3- Finalmente fez-se justiça. A culpa de terem prescrito ou estarem em vias de prescrever multas e coimas no valor de vários milhões de euros nos processos movidos contra Jardim Gonçalves e João Rendeiro desta vez não foi atribuída a manobras dilatórias usadas pelos advogados...
4- A crise na Ucrânia pode ser uma boa oportunidade para aproveitar e aumentar os vistos-gold a oligarcas russos. Já temos chineses e angolanos. Reatamos com os venezuelanos. Aceitamos os da Guiné Equatorial e portanto só faltam mesmo os russos para completar o ramalhete das nações mais democráticas do mundo que podem vir ao nosso país ensinar como se faz...
4- A crise na Ucrânia pode ser uma boa oportunidade para aproveitar e aumentar os vistos-gold a oligarcas russos. Já temos chineses e angolanos. Reatamos com os venezuelanos. Aceitamos os da Guiné Equatorial e portanto só faltam mesmo os russos para completar o ramalhete das nações mais democráticas do mundo que podem vir ao nosso país ensinar como se faz...
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sexta-feira, 14 de março de 2014
É melhor estarem caladinhos
sexta-feira, 14 de março de 2014
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A dívida portuguesa é impagável nos próximos anos tal e qual como está previsto nos moldes actuais. O manifesto pela reestruturação da dívida assinado por 74 personalidades de amplos sectores e diversos campos da área política, entre eles dois ex-ministros das Finanças (Ferreira Leite e Bagão Félix) e até dois, (agora ex), consultores de Cavaco, propõe um caminho diferente. Apesar de não ser a solução, inicia uma base para atingir essa solução. Aponta sobretudo a falta de uma verdadeira reforma do Estado como o maior problema que o país enfrenta e a reestruturação da dívida proposta pelo devedor como forma de a tornar sustentável e pagável. A reforma do Estado está por fazer. Os cortes salariais e nas pensões, o aumento de impostos e facilitação dos despedimentos tornando-os mais baratos, ainda que os ilegais, não são de forma nenhuma a reforma do Estado que se impunha. O último exemplo surgiu a semana passada com os protestos das polícias. Abstendo-me agora de comentar a manifestação junto da AR, a verdade é que também nesse sector nada foi feito para reformar o sistema de segurança e da administração interna. O que se verifica nesse como noutros sectores são os cortes cegos. Como na saúde onde um acidentado em Chaves só é atendido em Lisboa. Como na justiça, em que as populações têm que fazer centenas de quilómetros para aceder aos tribunais em vias de encerrar ou de perder competências (debate que ainda não vi em nenhum lado). O país está melhor, dizem, mas as pessoas estão pior. Exacto. Um país sem pessoas seria bem mais fácil de gerir.
Mas o que fica mesmo do manifesto foram as reacções. Desde acusações de radicalismo e eleitoralismo, até às propostas da lei da rolha, vindas dos muito na moda jornalistas/comentadores/escritores/economistas, donos da razão e arautos da verdade, mas só da deles. Os outros é melhor estarem caladinhos. Não se pode desagradar à troika e aos mercados. É melhor comer e calar. Pensar de forma diferente, apontar outras soluções deve ser calado e contrariado sem debate. A forma mais séria, honesta e democrática dos dias que correm. Uma proposta desta natureza que contraria o pensamento dominante da inevitabilidade que nos venderam até aqui não pode sequer ser expressa. Era só o que faltava haver gente a pensar de forma diferente do governo e dos seus cães de fila. Onde é que isso já se viu...
Curioso é notar, todavia, que o que o manifesto defende não é em nada diferente do que Cavaco escreveu no mais recente prefácio aos seus 'Roteiros'. Cavaco é sem querer o subscritor setenta e cinco do manifesto. Anda para aí muita gente distraída.
O que diz o manifesto:
"Nenhuma estratégia de combate à crise poderá ter êxito se não conciliar a resposta à questão da dívida com a efectivação de um robusto processo de crescimento económico e de emprego num quadro de coesão e efectiva solidariedade nacional."
"A dívida pública tornar-se-á insustentável na ausência de crescimento duradouro significativo: seriam necessários saldos orçamentais primários verdadeiramente excepcionais (...)."
O que diz Cavaco:
"A situação portuguesa melhorará se a União Europeia for mais ativa e eficiente na promoção do crescimento económico e na criação de emprego."
"Será decisivo para que, no período "pós-troika", se possa conciliar o respeito pelas regras europeias de equilíbrio orçamental e a redução do desemprego, o crescimento dos salários e das pensões, a melhoria da qualidade dos serviços públicos, como a educação e a saúde, e a resposta que ao Estado cabe dar no combate à pobreza e à exclusão social."
"É essencial proceder à correção de injustiças acumuladas no período de execução do programa de ajustamento."
"Pressupondo um crescimento anual do produto nominal de 4% e uma taxa de juro implícita da dívida pública de 4%, para atingir, em 2035, o valor de referência de 60% para o rácio da dívida, seria necessário que o Orçamento registasse, em média, um excedente primário anual de cerca de 3% do PIB. Em 2014, prevê-se que o excedente primário atinja 0,3% do PIB."
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sexta-feira, 7 de março de 2014
O matarroano
sexta-feira, 7 de março de 2014
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O matarroano é um espécime em vias de extinção. É originário de Portugal com maior predominância no interior do país. Fala 'futebolês' na perfeição e caracteriza-se fundamentalmente pela forma como se desloca a caminhar. Os braços e as pernas afastados do corpo num ângulo de 90º dão a sensação de estar a marchar ao mesmo tempo que se prepara para uma luta de sumo japonesa. O bigode farfalhudo é característica típica apesar de ter caído em algum desuso. A barriga proeminente de mulher grávida em última semana de gestação é outra característica tipificadora desta classe de paquiderme. O seu tipo de locomoção é muito influenciado por esta última característica. É também muito comum encontrarmos nesta espécie o uso de um palito no canto da boca, camisola interior cavada e quase sempre manchada. O pêlo abundante nos ombros, no peito e nas costas dão-lhe um ar brilhante na época do calor devido às gotículas acumuladas de suor nas suas pontas. É frequente encontrarmos matarroanos que usem uma volta de ouro ao pescoço, principalmente se o individuo em causa estiver deslocado noutro país. Na época mais fria essa volta em ouro é usada por cima da camisa aos quadrados grandes e garridos e na época de mais calor, se não estiver a usar a camisola interior cavada, é usada com uma camisa desabotoada até ao umbigo. Expressa-se com monossílabos e palavrões em tom grave que facilmente é identificável a 3 km de distância e tem sempre um ar ameaçador. A sua alimentação é baseada em tudo o que puder ingerir permanecendo várias horas seguidas nesse processo.
A subespécie que vive no litoral tem um peso corporal substancialmente menor mas as principais características mantêm-se. Desenvolveu no entanto alguma capacidade de se expressar, conseguindo juntar até 3 frases seguidas com algum sentido, mas ainda assim de difícil compreensão. Têm em comum ser do Benfica e imitam frequentemente a opinião dominante que o Porto está em fim de ciclo. O matarroano é também muito religioso: apelida o presidente do principal rival de 'papa', o seu estádio de 'catedral', o seu jornal de 'bíblia' e tem fé no Jesus.
P.S.- O Benfica também tem adeptos que não são matarroanos.
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quinta-feira, 6 de março de 2014
E tu Pedro? Já pegaste numa enxada?
quinta-feira, 6 de março de 2014
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Durante o debate quinzenal na AR no dia de ontem, Passos Coelho deu mais uma machadada na democracia parlamentar do país. Ao recusar responder a uma deputada, Catarina Martins, que, tem o dever e o direito de fiscalizar a acção política do governo, Passos Coelho tirou finalmente a máscara. Ou caiu-lhe. Este senhor, que foi eleito democraticamente, já não tem legitimidade moral e ética nem cultura parlamentar para continuar a gerir os destinos do país, enquanto temos país. Aliás, esta maioria, que governa contra a lei e a constituição, que defende o empobrecimento e mente ao país, como ainda ontem se viu com espanto (ou talvez não) a afirmação que afinal os cortes em salários, pensões e reformas são definitivos quando sempre juraram que eram temporários. Uma maioria que não tem respeito por ninguém e que esconde que a sua intenção é viver num Portugal sem portugueses. Que descobriu o consenso quando afirmara uns meses antes que não precisaria do PS e da oposição para nada no período pós-troika. Esta é a verdadeira cara deste primeiro ministro, deste governo e desta maioria. Uma cara com odor ao bafio salazarista. Vejo com azedume a presença deste primeiro ministro nas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril. Este senhor não faz lá nada e Abril nada lhe diz.
Recomendo a visualização do vídeo acima para prova do alegado. Aviso porém que contém material potencialmente corrosivo para pessoas mais impressionáveis...
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
A ameaça europeia
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
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O projecto europeu que agora se desmorona foi uma das melhores ideias do século passado. Morta ao primeiro sinal de crise e às mãos dos alemães e seus aliados, com o escárnio dos ingleses e o chauvinismo dos franceses. O idealismo do projecto de uma União Europeia caiu juntamente com a solidariedade dos ratos que abandonam o navio ao sentir o primeiro sinal do seu afundar. A moeda única, sem mecanismos de defesa e igualdade para os estados membros mais fracos, foi o iceberg responsável pelo primeiro rombo e no agudizar das diferenças entre ricos e pobres. As instituições europeias, eleitas pelos cidadãos europeus, reféns do diktat alemão que ninguém elegeu, não passam de verbos de encher melhor personificadas na marioneta que dá pelo nome de Durão Barroso.
Uma Europa desafiada pelo nacionalismo e xenofobia da Suíça e sem qualquer poder argumentativo ou persuasivo nas relações internacionais, como se viu no caso ucraniano em que quem dita as regras do jogo são os EUA (estarão recordados certamente das célebres escutas do "fuck EU") e o FMI. Uma Europa que viu recentemente a Islândia dar um passo atrás no seu pedido de adesão pressentindo a ameaça do roubo descarado que os países mais fortes impõem aos 'irmãos' mais fracos.
Nestas circunstâncias não é de estranhar os sucessivos apelos de Passos Coelho ao PS para um consenso. E compreende-se porquê. Passos Coelho tem medo da saída limpa ao ser deixado por sua conta e risco perante os mercados e sem a rede garantida das taxas de juro do BCE. Passos Coelho sabe que assim que sair a troika, Portugal será largado às feras sem qualquer condescendência ou solidariedade por parte dos parceiros que lhe passaram a mão no lombo até ao momento. Já fizemos a nossa parte e eles a deles. Nós entregámos e demos tudo, destruímos o estado social (SNS, escola pública), a nossa rede produtiva, a economia, o sector público (justiça) e a classe média, empobrecemos o factor trabalho, as pessoas e o país e vendemos os nossos sectores estratégicos, eles receberam tudo com juros.
Por isso as próximas eleições europeias são tão importantes. É a diferença entre haver um novo paradigma na construção europeia e de quem o defenda, ou a continuação do desmoronamento da Europa. É, meus amigos, quer se queira quer não, a diferença entre ganhar a esquerda, ou a direita no poder.
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
O congresso é uma festa pá!
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
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Muito penosamente Marcelo, o catavento de serviço da TVI, lá se arrastou ao congresso do PSD. Num misto de surpresa e de saudosismo, alicerçado numa vã tentativa de travar os barrosistas que se preparam para nomear o alto comissário para a presidência da República. O avião ou o táxi em que diz que decidiu dizer qualquer coisa para marcar posição, mais não é senão uma táctica populista de juras de amor e perdão a quem o terá atraiçoado. Santana Lopes registou.
Passos Coelho que prepara a narrativa eleitoralista do país que operou o milagre económico de Fátima e a saída limpa, pressionou mais uma vez o PS a alinhar com a sua política de empobrecimento que o próprio anuncia e fomenta. Ao mesmo tempo que toda a gente bate em Seguro, secretamente esperançosos numa vitória socialista nas europeias, não vá o homem demitir-se e ceder o lugar ao Costa. Talvez venha daí o desafio de Rangel para que o PS (bem mandado) apresentasse o seu candidato. Assis foi a rolha que saltou da garrafa de champanhe de Passos, aberta no momento em que soube do anúncio socialista. Assis é o garante da vitória do PS nas europeias e da continuação de Seguro ao leme da sua fraca oposição e que poderá proporcionar ao PSD um laivo de confiança para as legislativas de 2015.
Entretanto, e como Passos nada sabe de política, resolveu dar mais um tiro no pé, reabilitando em 6 meses Relvas, o amigo leal, cumprindo a promessa que lhe havia feito aquando da sua demissão. Passos não o deixaria cair. Registei que Portas foi mais aplaudido apenas e só desfilando na passadeira vermelha do que o único discurso com conteúdo político da autoria de Morais Sarmento.
Quanto aos chumbos do TC, nomeadamente o mais recente ao referendo sobre a co-adopção e o relatório do FMI nem uma palavra. O congresso é uma festa e um concurso de banalidades. Sem críticos, que ficam em casa à espera de vez, o congresso é o sítio onde se pode esquecer a realidade e celebrar-se a si mesmo. Não há espaço para elitistas, sulistas e menos ainda para liberais...
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Está tudo doido
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
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Aconselha o bom senso que as pessoas só falem daquilo que sabem, e ainda assim, principalmente no caso de serem titulares de órgãos públicos, a falar com prudência num discurso que se exige esclarecedor.
Ora, a histeria colectiva que se vive em Portugal e na Europa é um caso do foro psiquiátrico que não deixa espaço a uma discussão sadia sobre o papel do país na Europa e do Estado no e do país. Enquanto se vai empurrando com a barriga, toda a atoarda propagandista serve para camuflar a realidade. Vai desde um vice primeiro ministro que a pretexto de classificar e enaltecer a grande obra feita nas exportações, recorre a um porta-aviões figurativo, ele que viu um processo de submarinos afundar-se nas entrelinhas do nosso sistema de justiça. E como nós sabemos! que o desempenho das exportações ou o aumento do consumo privado nada tem a ver com algo de concreto que este governo tenha feito, mas antes se deve ao que o TC desfez. Ainda Portas se preparava para desenvolver a propaganda eleitoralista de baixa de impostos em 2015, sublinhando assim o milagre económico anunciado por Passos Coelho que permitiria uma saída limpa (ou suja conforme o ponto de vista), e já o FMI e a Comissão Europeia desfaziam com os pés toda a narrativa que se desenhava no governo e partidos da maioria. Um valente puxão de orelhas nos meninos de coro e até aqui bons alunos que já se preparavam para afrouxar o cinto e voltar aos pecados de antigamente. Assim como quem diz que a supervisão parental vai continuar. O relatório da troika afirma ainda que a austeridade é para manter por muito tempo e ainda urge baixar mais os salários, anunciando um corte de 3 mil milhões de euros para este ano que ainda ninguém tinha descoberto. O empobrecimento que está a destruir o tecido social e empresarial do país é para manter, por mais que se faça mea culpa. Os soluços da pequenada ainda se ouviam quando apareceu o líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, a dizer que "a vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor", como se fosse possível um país sem pessoas. Mas é nisto mesmo que eles acreditam, chegando até ao desespero de, com o intuito populista de disfarçar as medidas menos boas, inventar coisas no memorando inicial, para assim conseguir sacudir a água do capote imputando-as ao Sócrates do costume. Assim sucedeu com o mapa judiciário.
Mas há mais, desde a esquizofrénica proposta de Assunção Esteves de pedir a mecenas para patrocinar as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, passando pela absurda proposta de Seguro de criar um tribunal especial para grandes investidores e acabando na CPLP que irá permitir a entrada na comunidade de um país que tem um regime ditatorial e sanguinário e onde se fala tudo menos português (Guiné Equatorial), em troca de 150 milhões de euros para o BANIF. Quero ver o escabroso Acordo Ortográfico a ser assinado e ratificado pela Guiné Equatorial, e assim será assinada de vez a sua sentença de morte que já começou a ser escrita pelo Brasil. Tudo está à venda e está tudo doido...
Ora, a histeria colectiva que se vive em Portugal e na Europa é um caso do foro psiquiátrico que não deixa espaço a uma discussão sadia sobre o papel do país na Europa e do Estado no e do país. Enquanto se vai empurrando com a barriga, toda a atoarda propagandista serve para camuflar a realidade. Vai desde um vice primeiro ministro que a pretexto de classificar e enaltecer a grande obra feita nas exportações, recorre a um porta-aviões figurativo, ele que viu um processo de submarinos afundar-se nas entrelinhas do nosso sistema de justiça. E como nós sabemos! que o desempenho das exportações ou o aumento do consumo privado nada tem a ver com algo de concreto que este governo tenha feito, mas antes se deve ao que o TC desfez. Ainda Portas se preparava para desenvolver a propaganda eleitoralista de baixa de impostos em 2015, sublinhando assim o milagre económico anunciado por Passos Coelho que permitiria uma saída limpa (ou suja conforme o ponto de vista), e já o FMI e a Comissão Europeia desfaziam com os pés toda a narrativa que se desenhava no governo e partidos da maioria. Um valente puxão de orelhas nos meninos de coro e até aqui bons alunos que já se preparavam para afrouxar o cinto e voltar aos pecados de antigamente. Assim como quem diz que a supervisão parental vai continuar. O relatório da troika afirma ainda que a austeridade é para manter por muito tempo e ainda urge baixar mais os salários, anunciando um corte de 3 mil milhões de euros para este ano que ainda ninguém tinha descoberto. O empobrecimento que está a destruir o tecido social e empresarial do país é para manter, por mais que se faça mea culpa. Os soluços da pequenada ainda se ouviam quando apareceu o líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, a dizer que "a vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor", como se fosse possível um país sem pessoas. Mas é nisto mesmo que eles acreditam, chegando até ao desespero de, com o intuito populista de disfarçar as medidas menos boas, inventar coisas no memorando inicial, para assim conseguir sacudir a água do capote imputando-as ao Sócrates do costume. Assim sucedeu com o mapa judiciário.
Mas há mais, desde a esquizofrénica proposta de Assunção Esteves de pedir a mecenas para patrocinar as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, passando pela absurda proposta de Seguro de criar um tribunal especial para grandes investidores e acabando na CPLP que irá permitir a entrada na comunidade de um país que tem um regime ditatorial e sanguinário e onde se fala tudo menos português (Guiné Equatorial), em troca de 150 milhões de euros para o BANIF. Quero ver o escabroso Acordo Ortográfico a ser assinado e ratificado pela Guiné Equatorial, e assim será assinada de vez a sua sentença de morte que já começou a ser escrita pelo Brasil. Tudo está à venda e está tudo doido...
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