Assim simples...
sexta-feira, 25 de abril de 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
A minha viagem a 'Lesboa' e um novo mapa judiciário
terça-feira, 22 de abril de 2014
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Entrámos na Assembleia da República por volta das 13h. após 6 horas de viagem. Levávamos a esperança de alertar as consciências dos deputados dos vários grupos parlamentares com quem tínhamos reuniões agendadas. Assunto: o novo mapa judiciário. Dividimos o nosso grupo de 30 advogados para atender a todas as reuniões, uma vez que eram espaçadas por meia hora. Havia colegas das comarcas de Chaves, Boticas e Montalegre. Após o 'check in', e já com as reuniões marcadas e as divisões feitas fomos ao bar. Calhou-me (escolhi) reunir com o PS, CDS e PCP.
Olhava para aqueles corredores e pensava como era fácil inebriar-me com toda aquela ostentação. Afinal cabia ali Chaves inteiro. Era capaz de viver disto, dizia meio a brincar. Passámos pelo restaurante 5 estrelas 'reservado a deputados' antes de chegar ao bar. Uma tosta mista, um sumo e um café. Um euro e vinte cêntimos! Não me queixei do preço. Dei comigo a pensar no mundo à parte em que me encontrava e em como devia ser difícil ter uma noção da realidade lá fora. Os assessores e empregados, seguranças e funcionários eram ás dezenas atropelando-se nos corredores. Vários deputados a falar ao telemóvel revezando-se na função. E como eram largos os corredores... A alcatifa vermelha, os móveis antigos e trabalhados, os espelhos e os quadros gigantes, os lustres e as escadarias balaustradas, os bancos acolchoados tipo sofá. A casa da democracia é verdadeiramente um palácio.
A primeira reunião foi com o PS. Argumentos e dossiers em cima da mesa. As distâncias, o volume processual dos tribunais em causa, os custos agravados das populações e respectivas deslocações para Vila Real, a desertificação e abandono do interior, a perda de valências e dos símbolos da República, etc. Muita compreensão e assentimento, normal para quem é oposição. Saí com a sensação de tempo perdido. Não eram aqueles que precisavam de ser convencidos. O mesmo com o PCP, BE e Os Verdes relatado horas mais tarde pelos outros colegas.
Chegou a vez do CDS-PP. Entramos na sala com uma mesa comprida no meio. Parecia uma sala de jantar, não fosse estar desprovida de qualquer outro ornamento que não fossem livros antigos dos tempos áureos do CDS dispersos por um armário a fazer de estante. Distribuímo-nos pelas cadeiras em volta da mesa enquanto observávamos lá fora a manifestação dos estivadores. Também nós tínhamos organizado uma manifestação em Chaves, e vínhamos de uma 'greve' de 40 dias, coisa nunca vista em Portugal, sem contudo termos qualquer apoio da população ou do poder local. Hão-de sentir na pele quando for tarde demais.
Entram os dois deputados escalados pelo CDS. O homem gordo não abriu a boca durante toda a reunião, não escondendo amiúde trejeitos de frete. A mulher era a Teresa Anjinho. Assim que entrou na sala a justiça pareceu-me iluminada por um anjo. Os causídicos masculinos trocaram olhares cúmplices. A deputada transformara-se no objecto do nosso objectivo. Argumentos e dossiers em cima da mesa. A deputada abria a boca de espanto à medida que nos ouvia. A distância para Vila Real, a meteorologia, a falta de transportes públicos em tempo útil, os gastos, etc. Enquanto ouvia, a deputada, espantada e admirada, fazia comentários do género "como é que é possível?!?!", e "isso não pode ser!"... E variadas vezes, como que muito interessada no assunto, interpelava-nos como se não soubesse que aquilo estava para acontecer, lá em cima, no norte interior do país. E eu ia-me perguntando como era possível que a deputada que supostamente acompanhava as questões da justiça num dos grupos parlamentares que apoia o governo (responsável pelo novo mapa judiciário) não soubesse mesmo do que estávamos a falar! Convidámos os dois deputados a visitar a nossa região. A Teresa disse que já lá tinha estado uma vez. Que adorou a zona de Entre-Os-Rios. A justiça caiu-me aos pés. E com ela os tomates... A Teresa deixou de ser um anjo e passou a representar a centralidade bacoca de 'Lesboa'. Os arredores são mesmo paisagem para quem está enfiado naquelas paredes e corredores. O mapa é desenhado a régua e esquadro por assessores enfiados nos gabinetes. É depois apresentado aos deputados como solução infalível, que sem qualquer espírito critico a defendem até à morte, alicerçados em estudos ridículos desenhados por imbecis ás ordens de ignorantes que nem o próprio país conhecem.
Não, não era capaz de fazer vida naquele palácio.
A reunião com o PSD foi presidida por outra Teresa (Leal Coelho) e pela deputada eleita natural de Chaves e é aqui inenarrável. A deputada de Chaves mais tarde votaria a favor deste mapa judiciário, escudando-se na disciplina de voto. Acobardou-se a traidora. E assim deveria ser tratada sempre que saísse de 'Lesboa' e quisesse entrar em Chaves. Mas as boas graças de uma deputada sobrepõem-se sempre aos saloios dos seus conterrâneos e ao bafio dos bajuladores do partido.
O poder local em Chaves, esse, continua entregue aos calculistas do costume. A política é o rosto do povo, e aqui como noutros lados, tem o que merece.
Quanto às Teresas da AR, deixo-lhes a sugestão de que quando estiverem a discutir ou a tentar alterar um mapa, tenham um por perto.
O interior do país e a minha cidade têm os dias contados...
Quanto à AR, jurei nunca mais lá entrar...
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Telegramas
quarta-feira, 16 de abril de 2014
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1- Eu sei que é uma piada fácil e será muito repetida, mas não resisto à tentação: Jesus (J.J.) vai ressuscitar no domingo de Páscoa...
2- Ainda no futebol, Bruno de Carvalho vai exigir à UEFA e à FIFA o título de campeão europeu para o Sporting do ano de 2013...
3- Os militares de Abril queriam discursar na AR nas comemorações do 25 de Abril. 'O problema é deles' respondeu Assunção Esteves. Se é verdade que tal nunca sucedeu e nem sequer me escandaliza que tal não lhes seja permitido (apesar de também não vislumbrar nenhuma razão para que não o façam), já a resposta da presidente da AR, uma segunda escolha depois da rábula Fernando Nobre, veio confirmar o que já suspeitava, Assunção Esteves tem momentos alucinados, e fico-me por aqui. Ao menos algum respeito, algum respeito...
4- Que se lixem as eleições? Não! Nada como a campanha eleitoral para se pensar em subir o salário mínimo nacional. Com as devidas exigências de contrapartidas (v.g. indemnizações por despedimentos ainda mais baratas). Este governo só conhece uma forma de negociar: a chantagem.
5- Os juízes que vão presidir às novas comarcas já estão envoltos em polémica. Segundo o Conselho Superior da Magistratura, os critérios para a escolha foram tudo menos objectivos e transparentes, e selecionados por uma comissão ad hoc sem competência para o efeito. O juiz presidente, figura também saída do novo mapa judiciário tem toda uma nova panóplia de funções e competências, como por exemplo atribuir ou não a determinado juiz determinado processo. Torna-se agora mais fácil ao poder político influenciar o caminho da justiça, porque o poder judicial está mais concentrado nas mãos de apenas 23 juízes, correspondentes às 23 novas comarcas. A insídia ganha terreno perante o silêncio de quem acha que não adianta fazer nada. O controlo do poder judicial é um passo fundamental para que os fantasmas regressem. A porta vai-se abrindo. Frincha a frincha. Após o PREC, nunca a democracia viveu tempos tão perigosos, com o maior ataque de que há memória em Portugal ao Estado social, a tudo o que é domínio público e ao interior do país...
3- Os militares de Abril queriam discursar na AR nas comemorações do 25 de Abril. 'O problema é deles' respondeu Assunção Esteves. Se é verdade que tal nunca sucedeu e nem sequer me escandaliza que tal não lhes seja permitido (apesar de também não vislumbrar nenhuma razão para que não o façam), já a resposta da presidente da AR, uma segunda escolha depois da rábula Fernando Nobre, veio confirmar o que já suspeitava, Assunção Esteves tem momentos alucinados, e fico-me por aqui. Ao menos algum respeito, algum respeito...
4- Que se lixem as eleições? Não! Nada como a campanha eleitoral para se pensar em subir o salário mínimo nacional. Com as devidas exigências de contrapartidas (v.g. indemnizações por despedimentos ainda mais baratas). Este governo só conhece uma forma de negociar: a chantagem.
5- Os juízes que vão presidir às novas comarcas já estão envoltos em polémica. Segundo o Conselho Superior da Magistratura, os critérios para a escolha foram tudo menos objectivos e transparentes, e selecionados por uma comissão ad hoc sem competência para o efeito. O juiz presidente, figura também saída do novo mapa judiciário tem toda uma nova panóplia de funções e competências, como por exemplo atribuir ou não a determinado juiz determinado processo. Torna-se agora mais fácil ao poder político influenciar o caminho da justiça, porque o poder judicial está mais concentrado nas mãos de apenas 23 juízes, correspondentes às 23 novas comarcas. A insídia ganha terreno perante o silêncio de quem acha que não adianta fazer nada. O controlo do poder judicial é um passo fundamental para que os fantasmas regressem. A porta vai-se abrindo. Frincha a frincha. Após o PREC, nunca a democracia viveu tempos tão perigosos, com o maior ataque de que há memória em Portugal ao Estado social, a tudo o que é domínio público e ao interior do país...
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terça-feira, 8 de abril de 2014
Durão baixa as orelhas e mostra os dentes
terça-feira, 8 de abril de 2014
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Durão Barroso não tem nada que o recomende. Patrocinou na Base das Lajes a fotografia histórica que permitiu a invasão do Iraque baseada nas célebres armas de destruição maciça, um pressuposto errado e enganador. Abandonou o país em nome de um cargo europeu para o qual e após 10 anos de exercício provou não ter qualquer competência. Um 'job' que com Durão ficou esvaziado ao doce balançar do fantoche de Merkel. Ganhou ódios em quase todos os sectores decisórios da União e chegou mesmo enquanto tal a dar-se à lata de criticar uma instituição soberana do seu país (falo claro do Tribunal Constitucional). Lambe as botas de Berlim como um cão amestrado, sem demonstrar qualquer respeito pelo cargo que ocupa. Não se lhe conhece qualquer contributo positivo para a resolução da crise financeira e económica que grassa na Europa, antes pelo contrário. Não tem opinião sobre nada que não seja o ámen reverencial ao diktat troikiano. E quer agora regressar impoluto ao país que deixou entregue nas mãos de Santana Lopes. Mas não regressa sem antes tentar limpar a imagem de um PSD obscuro que se afundou no BPN. E tenta fazê-lo atacando o regulador da época, na figura de Constâncio. Diz agora que houve falhas na regulação e que perguntou por ela aquando da sua fugaz passagem por primeiro Ministro. Esquece todavia que faria um melhor favor ao seu partido se calasse para sempre o maior escândalo financeiro de que há memória em Portugal. Esquece que foi o seu partido e o cavaquismo de que ele é fiel seguidor, os únicos e principais responsáveis pelos crimes perpetrados no BPN e que custaram aos portugueses 7 mil milhões de euros. Esquece que nomeou Dias Loureiro para órgão dirigente do PSD 2 anos depois de ter alertado Constâncio. E alertou sobre o quê e em que termos? Falava de crimes? Se sim, também alertou as autoridades policiais? É que uma coisa são as irregularidades que são da responsabilidade do BdP, outra coisa são os crimes que por lá se cometeram, até hoje sem castigo, como é apanágio português quando se trata da alta criminalidade financeira. E porquê só agora? Porque é que só 10 anos depois se lembrou do BPN?
Quer o lugar de Constâncio ou quer o de Cavaco?
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segunda-feira, 7 de abril de 2014
O jornalismo acéfalo
segunda-feira, 7 de abril de 2014
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A raiva bacoca assente em fugazes trechos ideológicos do 'que se ouve dizer' de José Rodrigues dos Santos, que não consegue disfarçar um imbecil ódio a Sócrates, é na verdade uma defesa acéfala do governo. E na tentativa de ferir o animal, só conseguiu acordar a sua ferocidade. Na verdade, a vã tentativa de confrontar Sócrates com tudo o que se vai dizendo, sem qualquer interpretação própria ou estudo prévio leva a que JRS seja confrontado com a sua própria falta de honestidade intelectual. O animal feroz transformou o caçador em vítima, pois Sócrates, com todos os seus defeitos, é reconhecido por 'quase' todos como o mestre da política e da retórica em Portugal. E devo dizer também, que em minha opinião, o tiro saiu ao lado, porque, tal como já referi, Sócrates não se deixou caçar. 'Safou-se' muito bem há uma semana, e arrasou ontem.
Contudo, em anos de missa dominical de Marcelo, ou de Marques Mendes (o 'ministro' espião do governo), não vi em lado nenhum os defensores do papel activo do jornalista no espaço de opinião. O clubismo hipócrita, de que Sócrates é a maior vítima, não se coaduna com as suas próprias contradições. Os comentadores que por aí grassam (alguns há muito mais tempo), acompanhados de fantoches inanimados que lhes dão as deixas, nunca foram postos em causa.
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quinta-feira, 3 de abril de 2014
Aldrabices de Abril
quinta-feira, 3 de abril de 2014
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Este tempo de antena usado pelo PS no passado dia 1 de Abril (dia das mentiras ou enganos), e com direito a recorde de audiências na RTP, faz mais em 7 minutos do que todas as intervenções diárias de Seguro. Um tempo de antena por semana, com Seguro muito calado e sossegadinho dava-lhe maioria absoluta no espaço de um mês. E também mete num bolso qualquer pseudo-entrevista do José Rodrigues dos Santos.
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quarta-feira, 26 de março de 2014
A pobreza de espírito
quarta-feira, 26 de março de 2014
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Não há nada como uma pré-campanha eleitoral para se descobrir que afinal há pobreza em Portugal. De repente torna-se urgente dizer qualquer coisa aos excluídos e vítimas maiores da troika e da política de terra queimada. Agora já é necessário compensar e reduzir as desigualdades e as injustiças sociais que os últimos 3 anos agravaram. Mas só porque foram conhecidos esta semana os reais números da pobreza em Portugal.
Quando se passam dias a discutir as incoerências do discurso de Sócrates, ninguém é capaz de perguntar ao senhor primeiro Ministro porque é que tem que se empobrecer o país para depois combater a pobreza gerada por esse empobrecimento? E já agora seria também interessante que José Rodrigues dos Santos (que na próxima vez deve levar o arquivo completo) entrevistasse Passos Coelho acerca das suas incoerências antes de ser primeiro Ministro, no período de campanha eleitoral, em que o contexto temporal do que disse então é exactamente o mesmo de agora. Ao contrário do entrevistado de domingo. Perguntar-lhe também se não sabia quais eram as consequências da sua política económica e social baseada na austeridade, que por sua vez significou a ausência dessas mesmas políticas. É interessante contudo notar que Passos Coelho afirmou isso mesmo. Que era necessário empobrecer o país e as pessoas, com uma competitividade baseada numa política de baixos salários e dos custos do trabalho, no fundo transformar o país no Bangladesh da Europa sem nunca abdicar dos juros e da dívida impagável já reconhecido por todos de boa-fé.
Descobrir agora que existe um Estado Social nascido das cinzas da 2ª Guerra Mundial e que pôs a Europa na senda do desenvolvimento e da paz durante mais de 50 anos não é sério, quando se tenta destruí-lo em nome de um discurso estritamente ideológico e, esse sim, radical. O Estado Social que não serve para proteger bancos mas sim para proteger pessoas. Que garante igualdade de acesso de todos à saúde, à educação e de oportunidades por consequência. Que promove o bem estar assinado no contrato social com todos. E que tem como consequência e objectivo final o progresso individual que em união com todos os outros significa o progresso societário e colectivo de uma nação.
Passos sacrificou tudo em nome da austeridade e dos mercados, da Alemanha e do bom aluno, e quando se der conta destruiu um país sem pessoas, sem garantias, sem crescimento, sem economia e sem esperança.
P.S.- É curioso que os números continuem a cismar em não dar razão ao governo e à troika. Os dados da execução orçamental de Janeiro e Fevereiro apresentam um défice de 30 milhões de euros. É o crescimento, estúpido!
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sexta-feira, 21 de março de 2014
Telegramas
sexta-feira, 21 de março de 2014
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1- Jorge Jesus não aprendeu nada com o final da época transacta. A sua verborreia, aliada à sua falta de cultura, que por sua vez se alia à sua arrogância, fazem-no muitas vezes engolir sapos e quase sempre desprestigiam a instituição para a qual trabalha. Um treinador que bate em polícias, nos adjuntos e directores, que não respeita colegas, e principalmente que não sabe ganhar, quando saber ganhar é para mim mais importante que saber perder.
Um homem que não humilha o adversário derrotado, que respeita o sofrimento de quem não alcança os seus objectivos é verdadeiramente sábio.
O 'mestre da táctica', 'da nota artística', 'acradita' que só desrespeitando e humilhando os outros pode ser grande. Como está enganado. Pena é que não o obriguem a pedir desculpas públicas ao Shéu e ao Rui Costa, a toda a equipa técnica, e ao Sherwood, e principalmente aos benfiquistas. E não é preciso ajoelhar-se...
2- Torna-se urgente uma lei que impeça os deputados da maioria que chumbaram a co-adopção, apenas alguns meses após a terem aprovado, de poderem adoptar qualquer criança, uma vez que não têm maturidade nem coerência intelectual para poderem exercer responsabilidades parentais.
3- Finalmente fez-se justiça. A culpa de terem prescrito ou estarem em vias de prescrever multas e coimas no valor de vários milhões de euros nos processos movidos contra Jardim Gonçalves e João Rendeiro desta vez não foi atribuída a manobras dilatórias usadas pelos advogados...
4- A crise na Ucrânia pode ser uma boa oportunidade para aproveitar e aumentar os vistos-gold a oligarcas russos. Já temos chineses e angolanos. Reatamos com os venezuelanos. Aceitamos os da Guiné Equatorial e portanto só faltam mesmo os russos para completar o ramalhete das nações mais democráticas do mundo que podem vir ao nosso país ensinar como se faz...
4- A crise na Ucrânia pode ser uma boa oportunidade para aproveitar e aumentar os vistos-gold a oligarcas russos. Já temos chineses e angolanos. Reatamos com os venezuelanos. Aceitamos os da Guiné Equatorial e portanto só faltam mesmo os russos para completar o ramalhete das nações mais democráticas do mundo que podem vir ao nosso país ensinar como se faz...
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sexta-feira, 14 de março de 2014
É melhor estarem caladinhos
sexta-feira, 14 de março de 2014
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A dívida portuguesa é impagável nos próximos anos tal e qual como está previsto nos moldes actuais. O manifesto pela reestruturação da dívida assinado por 74 personalidades de amplos sectores e diversos campos da área política, entre eles dois ex-ministros das Finanças (Ferreira Leite e Bagão Félix) e até dois, (agora ex), consultores de Cavaco, propõe um caminho diferente. Apesar de não ser a solução, inicia uma base para atingir essa solução. Aponta sobretudo a falta de uma verdadeira reforma do Estado como o maior problema que o país enfrenta e a reestruturação da dívida proposta pelo devedor como forma de a tornar sustentável e pagável. A reforma do Estado está por fazer. Os cortes salariais e nas pensões, o aumento de impostos e facilitação dos despedimentos tornando-os mais baratos, ainda que os ilegais, não são de forma nenhuma a reforma do Estado que se impunha. O último exemplo surgiu a semana passada com os protestos das polícias. Abstendo-me agora de comentar a manifestação junto da AR, a verdade é que também nesse sector nada foi feito para reformar o sistema de segurança e da administração interna. O que se verifica nesse como noutros sectores são os cortes cegos. Como na saúde onde um acidentado em Chaves só é atendido em Lisboa. Como na justiça, em que as populações têm que fazer centenas de quilómetros para aceder aos tribunais em vias de encerrar ou de perder competências (debate que ainda não vi em nenhum lado). O país está melhor, dizem, mas as pessoas estão pior. Exacto. Um país sem pessoas seria bem mais fácil de gerir.
Mas o que fica mesmo do manifesto foram as reacções. Desde acusações de radicalismo e eleitoralismo, até às propostas da lei da rolha, vindas dos muito na moda jornalistas/comentadores/escritores/economistas, donos da razão e arautos da verdade, mas só da deles. Os outros é melhor estarem caladinhos. Não se pode desagradar à troika e aos mercados. É melhor comer e calar. Pensar de forma diferente, apontar outras soluções deve ser calado e contrariado sem debate. A forma mais séria, honesta e democrática dos dias que correm. Uma proposta desta natureza que contraria o pensamento dominante da inevitabilidade que nos venderam até aqui não pode sequer ser expressa. Era só o que faltava haver gente a pensar de forma diferente do governo e dos seus cães de fila. Onde é que isso já se viu...
Curioso é notar, todavia, que o que o manifesto defende não é em nada diferente do que Cavaco escreveu no mais recente prefácio aos seus 'Roteiros'. Cavaco é sem querer o subscritor setenta e cinco do manifesto. Anda para aí muita gente distraída.
O que diz o manifesto:
"Nenhuma estratégia de combate à crise poderá ter êxito se não conciliar a resposta à questão da dívida com a efectivação de um robusto processo de crescimento económico e de emprego num quadro de coesão e efectiva solidariedade nacional."
"A dívida pública tornar-se-á insustentável na ausência de crescimento duradouro significativo: seriam necessários saldos orçamentais primários verdadeiramente excepcionais (...)."
O que diz Cavaco:
"A situação portuguesa melhorará se a União Europeia for mais ativa e eficiente na promoção do crescimento económico e na criação de emprego."
"Será decisivo para que, no período "pós-troika", se possa conciliar o respeito pelas regras europeias de equilíbrio orçamental e a redução do desemprego, o crescimento dos salários e das pensões, a melhoria da qualidade dos serviços públicos, como a educação e a saúde, e a resposta que ao Estado cabe dar no combate à pobreza e à exclusão social."
"É essencial proceder à correção de injustiças acumuladas no período de execução do programa de ajustamento."
"Pressupondo um crescimento anual do produto nominal de 4% e uma taxa de juro implícita da dívida pública de 4%, para atingir, em 2035, o valor de referência de 60% para o rácio da dívida, seria necessário que o Orçamento registasse, em média, um excedente primário anual de cerca de 3% do PIB. Em 2014, prevê-se que o excedente primário atinja 0,3% do PIB."
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sexta-feira, 7 de março de 2014
O matarroano
sexta-feira, 7 de março de 2014
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O matarroano é um espécime em vias de extinção. É originário de Portugal com maior predominância no interior do país. Fala 'futebolês' na perfeição e caracteriza-se fundamentalmente pela forma como se desloca a caminhar. Os braços e as pernas afastados do corpo num ângulo de 90º dão a sensação de estar a marchar ao mesmo tempo que se prepara para uma luta de sumo japonesa. O bigode farfalhudo é característica típica apesar de ter caído em algum desuso. A barriga proeminente de mulher grávida em última semana de gestação é outra característica tipificadora desta classe de paquiderme. O seu tipo de locomoção é muito influenciado por esta última característica. É também muito comum encontrarmos nesta espécie o uso de um palito no canto da boca, camisola interior cavada e quase sempre manchada. O pêlo abundante nos ombros, no peito e nas costas dão-lhe um ar brilhante na época do calor devido às gotículas acumuladas de suor nas suas pontas. É frequente encontrarmos matarroanos que usem uma volta de ouro ao pescoço, principalmente se o individuo em causa estiver deslocado noutro país. Na época mais fria essa volta em ouro é usada por cima da camisa aos quadrados grandes e garridos e na época de mais calor, se não estiver a usar a camisola interior cavada, é usada com uma camisa desabotoada até ao umbigo. Expressa-se com monossílabos e palavrões em tom grave que facilmente é identificável a 3 km de distância e tem sempre um ar ameaçador. A sua alimentação é baseada em tudo o que puder ingerir permanecendo várias horas seguidas nesse processo.
A subespécie que vive no litoral tem um peso corporal substancialmente menor mas as principais características mantêm-se. Desenvolveu no entanto alguma capacidade de se expressar, conseguindo juntar até 3 frases seguidas com algum sentido, mas ainda assim de difícil compreensão. Têm em comum ser do Benfica e imitam frequentemente a opinião dominante que o Porto está em fim de ciclo. O matarroano é também muito religioso: apelida o presidente do principal rival de 'papa', o seu estádio de 'catedral', o seu jornal de 'bíblia' e tem fé no Jesus.
P.S.- O Benfica também tem adeptos que não são matarroanos.
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quinta-feira, 6 de março de 2014
E tu Pedro? Já pegaste numa enxada?
quinta-feira, 6 de março de 2014
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Durante o debate quinzenal na AR no dia de ontem, Passos Coelho deu mais uma machadada na democracia parlamentar do país. Ao recusar responder a uma deputada, Catarina Martins, que, tem o dever e o direito de fiscalizar a acção política do governo, Passos Coelho tirou finalmente a máscara. Ou caiu-lhe. Este senhor, que foi eleito democraticamente, já não tem legitimidade moral e ética nem cultura parlamentar para continuar a gerir os destinos do país, enquanto temos país. Aliás, esta maioria, que governa contra a lei e a constituição, que defende o empobrecimento e mente ao país, como ainda ontem se viu com espanto (ou talvez não) a afirmação que afinal os cortes em salários, pensões e reformas são definitivos quando sempre juraram que eram temporários. Uma maioria que não tem respeito por ninguém e que esconde que a sua intenção é viver num Portugal sem portugueses. Que descobriu o consenso quando afirmara uns meses antes que não precisaria do PS e da oposição para nada no período pós-troika. Esta é a verdadeira cara deste primeiro ministro, deste governo e desta maioria. Uma cara com odor ao bafio salazarista. Vejo com azedume a presença deste primeiro ministro nas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril. Este senhor não faz lá nada e Abril nada lhe diz.
Recomendo a visualização do vídeo acima para prova do alegado. Aviso porém que contém material potencialmente corrosivo para pessoas mais impressionáveis...
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
A ameaça europeia
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
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O projecto europeu que agora se desmorona foi uma das melhores ideias do século passado. Morta ao primeiro sinal de crise e às mãos dos alemães e seus aliados, com o escárnio dos ingleses e o chauvinismo dos franceses. O idealismo do projecto de uma União Europeia caiu juntamente com a solidariedade dos ratos que abandonam o navio ao sentir o primeiro sinal do seu afundar. A moeda única, sem mecanismos de defesa e igualdade para os estados membros mais fracos, foi o iceberg responsável pelo primeiro rombo e no agudizar das diferenças entre ricos e pobres. As instituições europeias, eleitas pelos cidadãos europeus, reféns do diktat alemão que ninguém elegeu, não passam de verbos de encher melhor personificadas na marioneta que dá pelo nome de Durão Barroso.
Uma Europa desafiada pelo nacionalismo e xenofobia da Suíça e sem qualquer poder argumentativo ou persuasivo nas relações internacionais, como se viu no caso ucraniano em que quem dita as regras do jogo são os EUA (estarão recordados certamente das célebres escutas do "fuck EU") e o FMI. Uma Europa que viu recentemente a Islândia dar um passo atrás no seu pedido de adesão pressentindo a ameaça do roubo descarado que os países mais fortes impõem aos 'irmãos' mais fracos.
Nestas circunstâncias não é de estranhar os sucessivos apelos de Passos Coelho ao PS para um consenso. E compreende-se porquê. Passos Coelho tem medo da saída limpa ao ser deixado por sua conta e risco perante os mercados e sem a rede garantida das taxas de juro do BCE. Passos Coelho sabe que assim que sair a troika, Portugal será largado às feras sem qualquer condescendência ou solidariedade por parte dos parceiros que lhe passaram a mão no lombo até ao momento. Já fizemos a nossa parte e eles a deles. Nós entregámos e demos tudo, destruímos o estado social (SNS, escola pública), a nossa rede produtiva, a economia, o sector público (justiça) e a classe média, empobrecemos o factor trabalho, as pessoas e o país e vendemos os nossos sectores estratégicos, eles receberam tudo com juros.
Por isso as próximas eleições europeias são tão importantes. É a diferença entre haver um novo paradigma na construção europeia e de quem o defenda, ou a continuação do desmoronamento da Europa. É, meus amigos, quer se queira quer não, a diferença entre ganhar a esquerda, ou a direita no poder.
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
O congresso é uma festa pá!
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
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Muito penosamente Marcelo, o catavento de serviço da TVI, lá se arrastou ao congresso do PSD. Num misto de surpresa e de saudosismo, alicerçado numa vã tentativa de travar os barrosistas que se preparam para nomear o alto comissário para a presidência da República. O avião ou o táxi em que diz que decidiu dizer qualquer coisa para marcar posição, mais não é senão uma táctica populista de juras de amor e perdão a quem o terá atraiçoado. Santana Lopes registou.
Passos Coelho que prepara a narrativa eleitoralista do país que operou o milagre económico de Fátima e a saída limpa, pressionou mais uma vez o PS a alinhar com a sua política de empobrecimento que o próprio anuncia e fomenta. Ao mesmo tempo que toda a gente bate em Seguro, secretamente esperançosos numa vitória socialista nas europeias, não vá o homem demitir-se e ceder o lugar ao Costa. Talvez venha daí o desafio de Rangel para que o PS (bem mandado) apresentasse o seu candidato. Assis foi a rolha que saltou da garrafa de champanhe de Passos, aberta no momento em que soube do anúncio socialista. Assis é o garante da vitória do PS nas europeias e da continuação de Seguro ao leme da sua fraca oposição e que poderá proporcionar ao PSD um laivo de confiança para as legislativas de 2015.
Entretanto, e como Passos nada sabe de política, resolveu dar mais um tiro no pé, reabilitando em 6 meses Relvas, o amigo leal, cumprindo a promessa que lhe havia feito aquando da sua demissão. Passos não o deixaria cair. Registei que Portas foi mais aplaudido apenas e só desfilando na passadeira vermelha do que o único discurso com conteúdo político da autoria de Morais Sarmento.
Quanto aos chumbos do TC, nomeadamente o mais recente ao referendo sobre a co-adopção e o relatório do FMI nem uma palavra. O congresso é uma festa e um concurso de banalidades. Sem críticos, que ficam em casa à espera de vez, o congresso é o sítio onde se pode esquecer a realidade e celebrar-se a si mesmo. Não há espaço para elitistas, sulistas e menos ainda para liberais...
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Está tudo doido
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
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Aconselha o bom senso que as pessoas só falem daquilo que sabem, e ainda assim, principalmente no caso de serem titulares de órgãos públicos, a falar com prudência num discurso que se exige esclarecedor.
Ora, a histeria colectiva que se vive em Portugal e na Europa é um caso do foro psiquiátrico que não deixa espaço a uma discussão sadia sobre o papel do país na Europa e do Estado no e do país. Enquanto se vai empurrando com a barriga, toda a atoarda propagandista serve para camuflar a realidade. Vai desde um vice primeiro ministro que a pretexto de classificar e enaltecer a grande obra feita nas exportações, recorre a um porta-aviões figurativo, ele que viu um processo de submarinos afundar-se nas entrelinhas do nosso sistema de justiça. E como nós sabemos! que o desempenho das exportações ou o aumento do consumo privado nada tem a ver com algo de concreto que este governo tenha feito, mas antes se deve ao que o TC desfez. Ainda Portas se preparava para desenvolver a propaganda eleitoralista de baixa de impostos em 2015, sublinhando assim o milagre económico anunciado por Passos Coelho que permitiria uma saída limpa (ou suja conforme o ponto de vista), e já o FMI e a Comissão Europeia desfaziam com os pés toda a narrativa que se desenhava no governo e partidos da maioria. Um valente puxão de orelhas nos meninos de coro e até aqui bons alunos que já se preparavam para afrouxar o cinto e voltar aos pecados de antigamente. Assim como quem diz que a supervisão parental vai continuar. O relatório da troika afirma ainda que a austeridade é para manter por muito tempo e ainda urge baixar mais os salários, anunciando um corte de 3 mil milhões de euros para este ano que ainda ninguém tinha descoberto. O empobrecimento que está a destruir o tecido social e empresarial do país é para manter, por mais que se faça mea culpa. Os soluços da pequenada ainda se ouviam quando apareceu o líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, a dizer que "a vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor", como se fosse possível um país sem pessoas. Mas é nisto mesmo que eles acreditam, chegando até ao desespero de, com o intuito populista de disfarçar as medidas menos boas, inventar coisas no memorando inicial, para assim conseguir sacudir a água do capote imputando-as ao Sócrates do costume. Assim sucedeu com o mapa judiciário.
Mas há mais, desde a esquizofrénica proposta de Assunção Esteves de pedir a mecenas para patrocinar as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, passando pela absurda proposta de Seguro de criar um tribunal especial para grandes investidores e acabando na CPLP que irá permitir a entrada na comunidade de um país que tem um regime ditatorial e sanguinário e onde se fala tudo menos português (Guiné Equatorial), em troca de 150 milhões de euros para o BANIF. Quero ver o escabroso Acordo Ortográfico a ser assinado e ratificado pela Guiné Equatorial, e assim será assinada de vez a sua sentença de morte que já começou a ser escrita pelo Brasil. Tudo está à venda e está tudo doido...
Ora, a histeria colectiva que se vive em Portugal e na Europa é um caso do foro psiquiátrico que não deixa espaço a uma discussão sadia sobre o papel do país na Europa e do Estado no e do país. Enquanto se vai empurrando com a barriga, toda a atoarda propagandista serve para camuflar a realidade. Vai desde um vice primeiro ministro que a pretexto de classificar e enaltecer a grande obra feita nas exportações, recorre a um porta-aviões figurativo, ele que viu um processo de submarinos afundar-se nas entrelinhas do nosso sistema de justiça. E como nós sabemos! que o desempenho das exportações ou o aumento do consumo privado nada tem a ver com algo de concreto que este governo tenha feito, mas antes se deve ao que o TC desfez. Ainda Portas se preparava para desenvolver a propaganda eleitoralista de baixa de impostos em 2015, sublinhando assim o milagre económico anunciado por Passos Coelho que permitiria uma saída limpa (ou suja conforme o ponto de vista), e já o FMI e a Comissão Europeia desfaziam com os pés toda a narrativa que se desenhava no governo e partidos da maioria. Um valente puxão de orelhas nos meninos de coro e até aqui bons alunos que já se preparavam para afrouxar o cinto e voltar aos pecados de antigamente. Assim como quem diz que a supervisão parental vai continuar. O relatório da troika afirma ainda que a austeridade é para manter por muito tempo e ainda urge baixar mais os salários, anunciando um corte de 3 mil milhões de euros para este ano que ainda ninguém tinha descoberto. O empobrecimento que está a destruir o tecido social e empresarial do país é para manter, por mais que se faça mea culpa. Os soluços da pequenada ainda se ouviam quando apareceu o líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, a dizer que "a vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor", como se fosse possível um país sem pessoas. Mas é nisto mesmo que eles acreditam, chegando até ao desespero de, com o intuito populista de disfarçar as medidas menos boas, inventar coisas no memorando inicial, para assim conseguir sacudir a água do capote imputando-as ao Sócrates do costume. Assim sucedeu com o mapa judiciário.
Mas há mais, desde a esquizofrénica proposta de Assunção Esteves de pedir a mecenas para patrocinar as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, passando pela absurda proposta de Seguro de criar um tribunal especial para grandes investidores e acabando na CPLP que irá permitir a entrada na comunidade de um país que tem um regime ditatorial e sanguinário e onde se fala tudo menos português (Guiné Equatorial), em troca de 150 milhões de euros para o BANIF. Quero ver o escabroso Acordo Ortográfico a ser assinado e ratificado pela Guiné Equatorial, e assim será assinada de vez a sua sentença de morte que já começou a ser escrita pelo Brasil. Tudo está à venda e está tudo doido...
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
A factura de Abril
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
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Anda no ar uma nova narrativa, que (mal) disfarçada de propaganda pretende fazer crer que Portugal terá uma saída limpa (à Irlandesa) do programa de ajustamento. Veja-se como Portas já admite baixar o IRS no ano eleitoral de 2015. E para isso, faz-se a vontade à troika, que está à vontadinha, e oferece-se aos patrões o poder de despedir indiscriminadamente quem bem entendem, como entendem e quantos entendem, apoiados na lei que lhes atribui competências de juiz em causa própria, com avaliações de desempenho sempre subjectivas e imagine-se em que um dos critérios diz respeito à 'vantagem' de quem tiver o salário mais baixo. Era a 'reforma' que faltava para ficar completo o ciclo de destruição do factor trabalho. Essa classe rastejante e repugnante que tem a desfaçatez de reivindicar direitos, adquiridos ou não. A troika agradece e lá remete mais 900 milhões de euros enquanto o governo planeia a saída limpa com emissões de dívida pagando 5% de juros e deixa impunes mais de 400 milhões de euros em juros e coimas num perdão fiscal em que se premeia os incumpridores. Portugal entrou para o apelidado programa de ajustamento com muito menos dívida, com muito menos desempregados, com mais empresas viáveis, com uma economia mais optimista. 'Democratizou-se' o país abrindo-o ao partido comunista chinês e ao angolano e inventa-se um sorteio semanal em que se premeia uma obrigação e um dever de qualquer cidadão com um automóvel pago por todos, após a tentativa de tornar cada um num bufo. Não haja porém qualquer dúvida que a emissão de facturas vai ter um crescimento nunca visto, mas transmite a ideia errada. A reforma do Estado é a aniquilação do sector público, do contrato social. A saída limpa será a da troika, que depois do desastre de experimentação no país, lavarão as mãos com lixívia aproveitando a propaganda de um grupo de extremistas novatos, incompetentes e que ajudaram militantemente a rebentar a bomba de ensaio no país. Sobre o assunto o PS já perdeu a sua margem de manobra e esvazia dia após dia o seu discurso. Seguro não conseguirá em tempo útil transmitir qualquer mensagem que não tenha a desconfiança de quem o ouve, inclusive do seu próprio partido. Já nem sei se a coligação não estará a rezar por uma derrota nas próximas europeias, ganhando lastro para as legislativas de 2015, ao sabor da navegação à vista e do desnorte da oposição. A esperança mora (pessoalmente) no edil de Lisboa.
Entretanto o debate em torno do 40º aniversário do 25 de Abril gira em torno dos seus custos e não em torno das suas conquistas. Percebe-se porquê. Não subestimando o receio (que asseguro não está em causa) de Assunção Esteves poder não receber a sua reforma vencida aos quarenta, eis que se propõe a intervenção de mecenas na comparticipação de despesas. É falar com Soares dos Santos e Fernando Ulrich, mais os chineses e os angolanos, e obrigar todos os deputados, convidados e afins a usar nas comemorações uma t-shirt com os altos patrocínios do Pingo Doce, BPI, EDP, REN ou BIC e já agora a publicitar 50% de desconto nas próximas.
A proposta não é inocente e nada melhor do que o populismo mais rasteiro para paulatinamente moldar o presente fazendo esquecer o passado. As conquistas de Abril não se coadunam com este tipo (ou estes tipos) de política. Os direitos laborais, a liberdade de associação, de organização, de expressão, de imprensa, o SNS, a educação para todos, a igualdade e a justiça social, a integração europeia e o aumento da qualidade de vida de todos. A ditadura selvagem e usurária, usurpadora de Estados e de pessoas, não se revê em culturas para o individuo. Abril é um estorvo distractor da panaceia em curso, vendida à pala de patrocínios e de números.
Eu vou para a rua celebrar os 40 anos do 25 de Abril. Hoje faz mais sentido que nunca...
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sábado, 8 de fevereiro de 2014
Direita ou esquerda? Ultra!
sábado, 8 de fevereiro de 2014
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Direita e esquerda não podem viver uma sem a outra. A supressão de uma delas implica directamente a negação da outra. Em termos axiológicos, históricos, económicos e até culturais faz sentido a distinção e sobretudo a dicotomia que estimula o debate. Enquanto ele for mantido na esfera democrática, bem entendido. Ignorando os extremos de um lado e de outro, toda a última semana serviu para demonstrar de forma cabal as diferenças entre os dois, sem subestimar o carácter da crise e o estado de necessidade a esta anexado, a coligação de direita no governo e a própria matriz ideológica dos seus intérpretes.
Quando falamos de políticas intervencionistas do Estado, igualdade social, liberalização individual, mobilidade social, estamos, obviamente, na esfera de uma política de esquerda. É a direita que defende a política do mercado livre, o laissez-faire, a mão invisível. A esquerda é também favorável a uma redistribuição da riqueza e da receita, ao passo que a direita apresenta uma política de aceitação das diferenças provocadas pelo próprio mercado livre.
Claramente, a direita apela à importância das tradições e da ordem comportamental impostas pela história, pelos valores, pela religião e pela cultura já estabelecidos. A esquerda é muito mais dada à liberalização dos modos de vida dos indivíduos. Por isso mesmo, a esquerda é muito mais favorável à mudança enquanto que a direita apresenta-se muito mais conservadora. As questões fracturantes como a liberalização do aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e agora a co-adopção são oriundas da esquerda. São fracturantes porque rompem com as tradições.
A direita defende que apenas através do trabalho e do mérito será possível conseguir a ascensão social, ao passo que à esquerda se acredita que naturalmente essa ascensão ocorrerá, nem que seja pela mão do próprio Estado.
A esquerda prefere o apoio à autonomia cultural e económica das nações e, pelo contrário, a direita surge como favorável à globalização e partilha à escala.
Ambos lados têm pontos em comum e naturais virtudes e defeitos, e na evolução natural do mundo de hoje, muito difícil se torna governar num só sentido.
O sector económico e financeiro que disputa com a política a luta pelo poder, e que com esta crise internacional nitidamente o suplantou, não permite um governo unicamente guiado pela esquerda. O centro, é, há uns anos a esta parte, o espaço ocupado pelos partidos que almejam ganhar eleições, de direita ou de esquerda, apesar de serem identificáveis vários exemplos que permitem distingui-los quando no poder. Na sua raiz histórica (com toda a evolução desde o séc. XIX que seria demasiado exaustivo estar a aqui a expor), direita e esquerda são liberais. A tendência é colocar o liberalismo na direita quando se fala da relevância que esta dá à propriedade e ao mercado. Mas o liberalismo situa-se à esquerda sempre que se opõe ao gosto pelas hierarquias e pelas tradições que são próprias do conservadorismo.
O problema situa-se noutro plano. Cingindo-me agora à situação portuguesa, o problema surge quando o governo da nação, intervencionada por credores ultra-liberais de direita (coniventes com os causadores da crise internacional), se identifica também ele com esse caminho. O caminho do ultra-liberalismo ou neo-liberalismo, tende a aproximar-se do extremo, desvirtuando as virtudes (passo o pleonasmo) da ideologia de direita norteadora deste governo. E assim, o capital e as empresas ocupam o discurso demagógico e populista de quem necessita de fazer dinheiro a qualquer custo, prescindindo do individuo e assente numa retórica de números em que o que interessa é o preço das coisas e não o seu valor, negligenciando os procedimentos legais como temos visto com o TC. Aliás, a judicialização da política é hoje em dia uma defesa intrínseca contra a desregulação e a ilegalidade.
É por isso, que este governo nada tem a ver com a matriz ideológica e histórica dos partidos que o compõem, a não ser nas tais questões fracturantes. O exagero das suas opções ideológicas, seguindo a tendência cega dos usurários credores e fazedores de Estados, adulteram os valores da direita no poder. E é por isso também que a crença cega e exotérica no mercado livre, já por si pernicioso (como se provou), levada ao exagero pode gerar perversões de difícil retorno. A venda de património, de empresas do sector estratégico estadual, de espólios culturais encaixa nesta visão da ditadura do capital. Esta direita no poder não é sensível ao individuo, não tem qualquer preocupação social e não se interessa por qualquer tipo de presença estadual na sua vida, contanto que apareçam números que justifiquem a sua actuação. Assim, a venda de espólios culturais (Miró), a razia na educação e na ciência (bolsas de investigação), a venda de empresas do Estado, estratégicas ou não para o país (PT, CTT, ANA, seguros da CGD, EDP, REN, etc.), o abandono da coesão territorial e do Estado na vida das pessoas (SNS, tribunais), o desprezo pelas instituições ao serviço do Estado (TC), a política mercantilista que impõe os números ao indivíduo (cortes nas pensões, salários, subsídios com o consequente brutal aumento de impostos), ignorando os números da emigração com o objectivo de esconder a real situação do desemprego, a desvalorização do factor trabalho (despedimentos e mais baratos) em benefício do factor capital, tudo junto, fazem deste governo um factor desestabilizador da paz social e das conquistas da democracia como o estado social com implicações graves por décadas. E não, a narrativa da culpa do governo ou governos anteriores já não pega, geralmente empregada à míngua de argumentos. 'Atrás de mim virá, quem de mim bom fará.'
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
O dinheiro dos outros
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
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O homem que fez o negócio dos submarinos, Portas, veio dizer que os socialistas são bons a gastar o dinheiro dos outros...
Digo eu que este governo é bom a roubar o dinheiro dos outros...
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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Miró se fué
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
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Joan Miró, o insigne pintor catalão, pintou 85 quadros a mais, que vieram parar a um país que os não merece...
Entre pareceres negativos, decisões monetaristas de lesa pátria e até uma saída eventualmente ilegal, o bom senso veio de onde menos se esperava... da própria leiloeira.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Défice de país
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
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As contradições entre o que se apregoa e o que a realidade demonstra não param de surpreender mesmo aqueles mais incautos. No dia em que se soube o valor do défice de 2013, abaixo da meta de 5,5% acordada com a troika, todo o país rejubilou com promessas de fim de crise e de liberdade ganha nos mercados. Até receberem a factura na folha de pagamentos. A realidade esbofeteou quem viu no relógio de Portas uma oportunidade para reatar o sonho lusitano. De repente, quem é obrigado a emigrar não passa de um calimero piegas, como já vi nessas correntes de opinião partilhadas com um click de ignorância. No dia em que se soube o valor do défice, os mercados responderam em alta nas taxas de juro. Como que afirmando que ali mandam eles e que se estão a cagar para cumprimentos de metas e para os défices aldrabados dos resgatados, obtidos com perdões fiscais injustos e escondendo as benfeitorias dadas a um qualquer BANIF. Afinal, esses são os que beneficiam dos 10% de toda a riqueza gerada na Europa. São eles que sustentam metade da população mundial com a caridade para inglês ver e decidem quem tem igualdade de oportunidades. São os que dizem que é pobre quem quer e quem não tem capacidade para mais. São estes que querem que se foda o défice e o país, contanto que a dívida seja gerida de modo a serem pagos com juros, e se for por mais anos tanto melhor. Como a dívida continua a crescer está assegurado o seu futuro brilhante por décadas a fio. É isto que o governo nos esconde, porque a sua cartilha em aplicação, permitirá que também eles tenham o futuro assegurado numa qualquer empresa vendida aos chineses, que só depois de vendida foi considerada estratégica, assim como um peido bem nas fuças dos que pagaram em 2013 mais 32% de IRS do que no ano anterior. Há défice sim, de cultura, de homens de tomates, de igualdade, de vergonha na cara, de competência e tanto mais... Entretanto, entretêm o país com panteões, referendos ilegais e inconstitucionais, para não variar, com perfis de candidatos a PR, com catavento e carapuça incluída e praxes feitas por hordas de ignóbeis e cobardes para bestas quadradas com falta de tesão e que nada têm a ver com vida académica...
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Coadoptar um deputado da maioria
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
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Sobre o fundo e o essencial da questão já escrevi aqui em Maio do ano transacto. A palhaçada a que assistimos na última sexta-feira nada tem a ver com o assunto.
Aprovada a lei que permite a co-adopção de crianças por parte de casais do mesmo sexo, com a liberdade de voto dada aos deputados do PSD, 16 deles votando a favor, houve de seguida um longo debate na especialidade.
Durante meses um grupo de trabalho ouviu organizações e especialistas. Eis senão quando, Hugo Soares, líder da JSD e deputado, já em cima da votação final, tirou da cartola, um referendo.
Na última sexta-feira assistimos ao que de pior existe na política, num exercício mesquinho da democracia populista a que este PSD nos tem habituado. Quando se introduz no final de um processo uma manobra dilatória desta natureza, visando obstar à votação final global, numa chicana de cinta descida e rabo à mostra, não dando liberdade de voto ao seu grupo parlamentar quando a tinha dado numa primeira instância, estão a dizer ao país que a democracia parlamentar portuguesa não é para levar a sério. Brincar à política é um apanágio desta maioria que ninguém de bom senso adoptaria. Passos Coelho usa a sua jota para fazer o seu trabalho sujo, pena é que essa jota, iludida por um tacho maior ou igual ao do seu querido líder não pense pela sua própria cabeça porque oriunda do mesmo espaço de florescimento.
Os direitos das minorias, a luta contra as desigualdades e os direitos humanos são condições essenciais de uma democracia livre e salutar que não podem ser postos em causa pelo poder de uma maioria. Tal como não se concederia usar referendos a favor da escravatura, ou contra os casamentos inter-raciais, o divórcio e os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Há princípios fundamentais de um Estado democrático que não são referendáveis porque a desigualdade não pode ser referendada junto de uma maioria que pode retirar direitos a uma minoria. A democracia não se referenda. E não é por haver uma crise que uma sociedade ou um país não pode pensar e deliberar sobre outros assuntos. O artifício da crise que tudo justifica está esgotado. Já agora quanto custará um referendo? Espero que mais uma vez o TC ou então o PR dêem mais uma lição à canalhada...
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
O escândalo do meio-dia
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
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O que se passa com o meio-dia é um escândalo! A hora do meio-dia é um hiato indefinido que muitas vezes dá azo ao engano e à dúvida. Porque às onze da manhã são onze da manhã, e à uma da tarde é uma da tarde, já o meio-dia não é de manhã nem de tarde. A única forma de distinção, que mesmo assim pode ser discutível, resulta da ideia de almoço. Assim, se alguém já tiver almoçado por exemplo ao meio-dia e meio, passará a cumprimentar o resto da humanidade com um expressivo "boa tarde". Mas se o seu interlocutor ainda não tiver almoçado logo replicará que para ele ainda é de manhã. E, se por exemplo, o relógio marcar 12h59, a um minuto de ser uma da tarde, continua-se a dizer "bom dia", independentemente de já termos almoçado, ou pelo contrário, já é de tarde? E se for ao meio-dia e um minuto? Muito provavelmente essa hora ainda é de manhã, porque a generalidade das pessoas ainda não almoçou. Como se pode ver o que se passa com o meio-dia é um escândalo... Ninguém sabe dizer se ao meio-dia é de manhã ou de tarde. É meio-dia. Aquela coisa intermédia e indefinida que fica entre a manhã e a tarde. Sugeria por isso, que se passasse a dizer "bom meia-dia", para evitar que as pessoas sejam levadas ao engano, principalmente porque não sabem se a pessoa que cumprimentam já almoçou ou não. São muito frequentes diálogos do género "Bom-dia"; "Para mim já é boa tarde, que já almoçei"; " Ah mas eu ainda não", e por aí fora, correndo o risco de começarem a aparecer casos em tribunal para dirimir o conflito.
O mesmo se passa, ainda que, admito com menos fulgor, com as 19 horas... Se no horário de verão não há dúvida que a essa hora são sete da tarde, no horário de inverno já não é bem assim. Ás sete da tarde, apesar do nome indicar tarde, está, efectivamente de noite. É que às 20 horas, não há dúvida, toda a gente diz que são oito da noite, mas se forem 19h59 diz-se "boa tarde" ou "boa noite"? É de tarde ou de noite? É de noite apesar de serem sete da tarde.
Já a meia-noite não apresenta qualquer dúvida. É de noite e ponto. Ao contrário do meio-dia, que não representando outra coisa que não seja o meio do dia, não é de manhã nem de tarde e gera nas pessoas a confusão acerca de como se hão-de cumprimentar umas às outras. Um escândalo...
sábado, 11 de janeiro de 2014
Telegramas
sábado, 11 de janeiro de 2014
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Arnaut assessoria a privatização dos CTT. Goldman Sachs compra 5% dos CTT. Arnaut é nomeado para membro do conselho de administração do conselho consultivo internacional do Goldman Sachs. Porreiro pá!
Vítor Gaspar vai para o FMI, o Álvaro vai para a OCDE e fala-se em Portas para comissário europeu ou para o lugar de Durão Barroso. Entretanto os seguros (lucrativos claro está) da Caixa Geral de Depósitos foram vendidos a... chineses... Porreiro pá!
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Eusébio
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
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Na Grécia antiga o templo onde se adoravam os Deuses era o Panteão. Actualmente, o Panteão é um Mausoléu onde se abrigam os restos mortais de pessoas que se notabilizaram nas mais diversas áreas e elevaram o nome do seu país. Em Portugal, o Panteão Nacional divide-se entre a Igreja de Santa Engrácia em Lisboa e o Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, estatuto reconhecido em 2003 por albergar os túmulos de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I. Recordo que os túmulos de Camões e Vasco da Gama estão no Mosteiro dos Jerónimos.
Feita a introdução, e porque a questão está em cima da mesa por causa de Eusébio, vários nomes me ocorrem que, falecidos há mais tempo, merecem a sua trasladação para o Panteão Nacional, reconhecida como a mais alta homenagem de prestígio e agradecimento de um povo aos seus heróis e ídolos. Dentre esses nomes os mais consensuais seriam Eça de Queiroz, Egas Moniz, Aristides de Sousa Mendes, Camilo Castelo Branco, José Saramago entre muitos outros. O que importa aqui e neste momento é definir quais são os critérios, as justificações e a sua natureza, para que a alguém possa ser atribuído o estatuto de Panteável. Julgo que esses critérios, para além dos definidos na lei, devem também ser definidos pelo sentimento do povo que os sustenta. Outro critério será o da memória. Porque o mediato é efémero e só o tempo e a história fazem justiça, com o distanciamento necessário dos factos e da verdade. Não me chocaria por aí além que Eusébio pudesse entrar para o Panteão. Numa época de ditadura, de fome e de pobreza, muitas vezes o consolo está nas pequenas coisas. E inequivocamente Eusébio marcou uma geração, elevou o nome do Benfica e da Selecção ao topo, e com eles o país. Poderia usar facilmente o nome de Amália, que pelas mesmas razões de Eusébio já faz parte dos nossos "deuses". A época foi a mesma, a alegria de ouvir um e ver o outro seria a mesma, a fama de Eusébio será porventura ainda maior por esse mundo fora, e ambos foram ícones de um povo subjugado por um regime opressor. Por tudo isto, repito, não sou contra a ida de Eusébio para o Panteão, apenas exigo que os outros vão primeiro. Sem qualquer laivo de elitismo cultural, a memória de um povo e a sua alma não se resume às letras e à política, às artes e à história, são uma mescla de tudo, e são sobretudo o que o povo quiser que seja. O desporto é uma pequena parte dessa memória colectiva, dessa história, e marca como já marcou muitas cenas da história, basta lembrar os jogos olímpicos de 1936 ou os de 1972 e os de 1980, em que o desporto se misturou com a política. Os heróis são assim improváveis. Concedendo facilmente que não é comparável o incomparável, misturar Eusébio com qualquer um dos nomes que acima descrevi é um erro e não pode servir para a discussão em causa. A memória, o sentimento, a gratidão, a notabilidade com que se ergueu acima dos outros, do povo e para o povo, sempre com humildade, sabendo sempre onde pertencia e o levar com ele o nome do país para todo o lado, são as justificações; distintas, sem dúvida de outros notáveis que fizeram, escreveram e pensaram o país, ou que por outras razões como Aristides de Sousa Mendes merecem a vénia dos seus pares. Talvez, ainda assim, a maior justificação possa estar na época em que Eusébio foi jogador de futebol e tudo o que representou para a vivência de milhões nessa altura, aliada ao valor da humildade que sempre cultivou, com amigos e rivais. Essa será a única justificação porque senão o patamar chegaria à comparação com Ronaldo e Mourinho, que como sabemos, de humildes nada têm. Provavelmente Eusébio, do alto da sua profunda e genuína humildade preferiria ficar no Estádio da Luz. A memória colectiva do país vê em Eusébio consagrado o valor da humildade. Para mim chega. Ainda que com todo o circo que rodeou a sua morte. Volto, contudo, a reafirmar que não se pode comparar o que não é comparável, sendo que na minha opinião, o mediato emocional colectivo e popular, sempre fugaz, não se deve sobrepor à maturação que um processo deste género exigirá.
Já quase tudo foi dito e escrito sobre Eusébio. Foi, aliás, repetido até à exaustão por todos os meios de comunicação social. O mediático assim o exige e como se sabe o mediático vende. Desde aproveitamentos políticos, populismos nauseabundos, aparições de lavagem de cara, expressões e tiradas menos felizes, recordo só as de Mozer, Assunção Esteves, Mário Soares e Sócrates, cortejo fúnebre a parar uma capital, Panteão e Avenidas, de tudo um pouco se serviu à mesa dos portugueses. E como eles comem! Nada disso importaria a Eusébio. E essa é a melhor homenagem que lhe posso prestar. Porque gosto de futebol. Teve em campo a mesma atitude que revelou fora dele. Um rei nas quatro linhas, um senhor fora delas. Sempre humilde, foi por isso respeitado por esse mundo fora, admirado por rivais e idolatrado pelos seus adeptos. Não vi jogar Eusébio, mas as imagens que já vi de jogadas e golos de génio, as vénias dos colegas da época e a admiração dos maiores chegam para formar uma opinião. Eusébio foi um dos melhores jogadores da sua época e um dos melhores de sempre. Basta atentar nas estatísticas da sua carreira e nos títulos ganhos. O sentimento de perda de um benfiquista será sempre maior que o meu, mas ainda assim reconheço em Eusébio uma figura que não teve até hoje qualquer rival (Ronaldo à parte porque a sua história ainda não terminou). Fico-lhe grato por tudo o que fez ao serviço da selecção e nas competições internacionais ao serviço do seu clube. Nos jogos contra o Porto perdoar-me-ão mas não consigo agradecer-lhe. Rest In Peace Eusébio.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Plano B
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
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O ano de 2013 terminou com Cavaco a dar também ele por terminado o ciclo da recessão... Sabendo-se que a ligeira melhoria se deveu sobretudo às decisões do TC que permitiu que os funcionários públicos e pensionistas tivessem mais algum poder de compra, espero sinceramente que o Orçamento para 2014 não venha tirar-lhe razão.
Entretanto o governo já encontrou o plano B para o chumbo do TC à convergência das pensões. O plano B é o alargamento da CES (contribuição extraordinária de solidariedade) aos reformados e pensionistas a partir dos mil euros. Dizem que não é um aumento de impostos. Já não nos enganam. A CES não passa de um imposto disfarçado com o epíteto de solidário. Enquanto que uma taxa pressupõe uma bilateralidade, isto é, pressupõe o fornecimento de um serviço por parte do Estado, neste caso a CES, tal como os impostos, é unilateral, e imposto por isso mesmo. Um imposto pode ser exigido por via coerciva, caso não seja pago de forma voluntária. As taxas têm uma carácter voluntário, se não se utiliza o serviço subjacente não se é obrigado a pagar. A não ser que agora nos queiram convencer que se paga a CES em troca de um salário, reforma ou pensão, tal como se paga uma taxa em troca da utilização do sistema de saneamento. Já pouco me surpreenderia. 2014 começa em grande...
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
2014 - A nova fronteira
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
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Portugal não é autossustentável. É um ponto assente que não produzimos o suficiente para o país sobreviver sem se endividar. As políticas mercantilistas, de betão e de PPP's, iniciadas ainda nos governos de Cavaco, que trocou as pescas, a agricultura, as minas e o sector industrial pelos dinheiros da Europa, apostando nos produtos não transaccionáveis e na grande distribuição feita de hipermercados e centros comerciais. A prosperidade e modernidade tornou-se efémera num país que continuou a política da obra feita ainda que à custa de onerar por décadas o futuro. A protecção dos grandes interesses pelos sucessivos governos, da energia à construção civil e à especulação imobiliária, da banca às celuloses, com nomeações garantidas a inúmeros políticos saídos dos governos como se fosse um mero trampolim, arruinou o que restava da produção nacional e garantiu que o país fosse apanhado com as calças na mão ao chegar a crise internacional. A quebra abrupta da natalidade, a emigração com níveis só comparáveis aos anos 60 do século passado, tornando insustentável a médio prazo o pagamento de pensões, porque quem trabalha é em menor número do que quem não trabalha ou já trabalhou, o enterrar do interior do país, abandonando-o à sua sorte, com encerramento de tribunais, postos de correio, repartições de finanças e mais que possa existir, a mentalidade de que o Estado chega para todos e a todos tem que amparar, sem que o critério seja o do mérito mas sim o tráfico de influências e a corrupção.
Como se não bastasse, este governo arruinou a economia em nome da salvação das contas públicas, e a pequena retoma a que agora se assiste mais não é senão a certeza de que batemos no fundo, aliada ao ligeiro aumento de poder de compra que o TC proporcionou ao impedir os cortes nos subsídios dos funcionários públicos. Quando se chega ao fundo do poço é impossível descer mais. Um povo que passou de piegas ao melhor povo do mundo, num memorando troikiano mal calibrado (Passos Coelho dixit ao fim de dois anos), ele que quis ir além do memorando, pondo em cena todo um plano de terra queimada numa cartilha vingativa contra o Estado social em nome de uma ideologia que sacrificou uma geração. A tão apregoada reforma do Estado continua por fazer, o tal objectivo que era suposto atingir-se com os sacrifícios de todo um país. O barco navega ao sabor do vento, sem rumo nem estratégia que não seja a de agradar à troika, e nem que isso signifique matar o pouco que resta do sector público estratégico e lucrativo do país. Uns quantos cortes na despesa, cegos e aleatórios foi tudo o que se fez nestes últimos dois anos, com o PIB a recuar 8 mil milhões de euros, a dívida não parou de crescer, assim como o desemprego, as taxas de juro não baixam e as desigualdades são cada vez maiores. O coma induzido será substituído a breve trecho pelos cuidados intensivos de longo prazo, Portas até já tem um relógio em contagem decrescente para com pompa e circunstância poder anunciar que continuaremos hospitalizados. O bom aluno aleijou-se nas aulas, e o professor é um espécime a extinguir. A tragédia e a devastação continuarão a trilhar o seu caminho com a muleta da UE e o olhar paternal de um governo incompetente e miserável, que se ajoelha sempre que lhe falam mais alto. A troika não pode nem quer aceitar um falhanço, e irá impor um segundo resgate, mudando-lhe o nome sob a supervisão do BCE. 2013 foi um ano para esquecer em Portugal, e não espero melhor em 2014 ou nos anos seguintes, porque Portugal continuará sem conseguir autossustentar-se e porque nenhuma reforma de fundo foi feita. Espero que em 2014 ninguém esqueça que a vitória de Pirro que o governo anunciará, não passará de uma nova e longa etapa que representará a mesma austeridade e o mesmo caminho. No léxico de Portas, será uma vitória irrevogável...
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Três laranjinhas menos duas laranjinhas é igual a uma laranjinha
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
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A falta de vergonha na cara é um problema sério que se está a transformar numa pandemia. No nosso país e no mundo.
Resumir o ano de 2013 torna-se fácil após a mensagem natalícia de Passos Coelho. A bandalheira e a chico-espertice foi ao cúmulo de, fazendo de todos nós parvos, afirmar que em 6 meses o governo criou 120 mil postos de trabalho. Mais uma vez os números choram e tremem nas mãos de Passos. São torturados até atingirem os propósitos do seu carcereiro. Se eu produzir 3 laranjinhas e papar 2 laranjinhas, só tenho uma laranjinha para vender. A matemática é exacta e universal. Se ocultarmos que enchemos a barriga com 2 laranjinhas, podemos anunciar aos crentes que produzimos 3 laranjinhas sem que seja necessário mostrá-las. A tristeza da coisa, é que tal como Tomé também nós quisemos ver para crer. E quando fomos ver faltavam 2 laranjinhas. E assim descobrimos, os que quiseram ver, que no primeiro trimestre se destruíram 100 mil postos de trabalho. E que nos últimos 2 anos se destruíram 500 mil postos de trabalho. Aplicando a difícil equação ao terço de Passos Coelho, chegamos à conclusão que este ano foram criados 20 mil postos de trabalho. Eu ajudo: 120-100=20... E se formos aos últimos 2 anos, já com a fórmula correcta aplicada dá: 500-20=480... Ou seja, Passos destruiu 480 mil postos de trabalho com a sua política de empobrecimento, ajustamento, austeridade, o que lhe queiram chamar. No final das contas não dá nem um gomo da laranja para espremer. E bem espremido não há sumo que se veja. Quando mexemos com as laranjinhas e com a tabuada, tal como nos ensinaram na primária, a verdade matemática é como o azeite. O governo já tinha tentado fazer o mesmo com os números do desemprego, ocultando da equação os números da emigração. Andam sempre ás turras e ás apalpadelas, como um cego sem bengala.
Aliás, 2013 ficou marcado pela crise irrevogável de Julho, e que sabe-se agora, custou ao país 2300 milhões de euros. Pois é, a rapaziada revogável que anda a brincar à política e aos tribunais esqueceu-se deste número e da brincadeira.
Assim como esquecem amiúde que em plena comissão de inquérito aos swaps, o próprio governo negociou um swap que nos onera em mais uma década. Comissão de inquérito cujo relatório final foi ardilosamente concluído pela maioria e seus pajens.
A democracia armodaçada de 2013 com que nos querem convencer que a dívida é insustentável e impagável sem o caminho da austeridade extrema, da privatização de todos os nossos recursos e sectores estratégicos é um caminho fraudulento assente na repetição populista e exaustiva do martelar dos números, do empobrecimento para além da troika, da chantagem e da pressão, ainda que seja exercida sobre um órgão de soberania como ainda é o nosso TC.
A falta de vergonha na cara não tem limites, principalmente se tiver a cara do primeiro Ministro e do seu vice...
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Querido Pai Natal...
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
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Imbuído do espírito natalício, escrevi ao Pai Natal, e nessa missiva pedi paz e amor para todo o mundo, como uma miss qualquer coisa faria, e num derradeiro ato de puro altruísmo pedi para oferecer uma Constituição ao Passos Coelho e outra ao Paulo Portas...
P.S.- Boas festas para todos sem exceção...
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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Que violência
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
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O Papa Francisco atacou o capitalismo sem limites como “uma nova tirania” e advertiu que a desigualdade e a exclusão social "geram violência" no mundo e podem provocar "uma explosão".
E pergunto eu: ninguém acusa o homem de incitamento à violência?
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Nadir Afonso
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
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As coisas que nos fazem recordar, identificar em silêncio, um aperto do estômago, com um nó da garganta. As memórias, saudade de um lugar, a felicidade da pertença, os risos gargalhantes ou um sorriso entusiasmante, corajoso, tímido, cheio de esperança, prometedor de suspiros soluçantes.
Numa inocência partilhada por séculos de distância, olhados com ternura após anos de vivências ébrias de esquinas e recantos. Sussurros escondidos nas portas e janelas, varandas de encantamento e nostalgia pintadas de paisagens de emoção. As lágrimas que fazem crescer, ali naqueles sítios, naquelas ruelas, naquelas casas. A existência comum e a comunidade que existe. A paixão da alma e o amor à terra.
Assim são os quadros de Nadir Afonso quando os vejo. São os quadros do Mestre que nasceu em Chaves. O Mestre flaviense que pintou a cidade como ninguém. Que levou Chaves a Le Corbusier e Niemeyer. Que percorreu as mesmas ruelas que eu. Que conheceu como eu o mistério de amar uma cidade. A nossa...
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Nelson Mandela
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
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Não deixem de partilhar e de divulgar até à exaustão o legado de Mandela, para que sobreviva por muitos e bons anos, e para que ninguém deixe de saber o que a política pode fazer de bom quando ao serviço do povo, e feita por políticos que a sabem usar para esse fim.
E porque traduz fielmente aquilo que penso, e porque não o escreveria melhor, aqui deixo a minha homenagem a Nelson Mandela, nas palavras de Daniel Oliveira, hoje, no Expresso Online:
"Não matem de novo Mandela
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A melhor forma de anular um homem, e em especial um político, é torná-lo consensual. Depois da morte física mata-se, pelo elogio desmesurado e vazio de conteúdo, a memória política. É isso e apenas isso que me irrita no kumbaia internacional em torno de Mandela, transformado numa personagem romântica de Hollywood, com a vida quase resumida ao apoio que deu à seleção nacional de Rugby e ao olhar bondoso dum velhinho simpático.
Mandela foi um revolucionário. Considerado um radical e um terrorista por grande parte do ocidente e pela generalidade da direita europeia. Isto quase até às vésperas de ser libertado - ou seja, durante quase toda a sua longa existência. Constou, por decisão da administração Reagan, na lista de terroristas do Departamento de Estado norte-americano. Não se enganavam ao não o verem como um moderado. Foi contra a linha tradicional de resistência passiva do ANC, influenciada pelo pensamento de Gandhi, que, também ele, vivera muitos anos na África do Sul. Defendeu e usou a violência, tendo dirigido o grupo armado próximo do ANC, que ele criara em 1961, depois do massacre de Sharpeville. O MK (Umkhonto we Sizwe, Lança de uma Nação) contou com enormes resistências do pacifista e líder histórico do ANC, Albert Luthuli, que já se tinha confrontado com Mandela, ao defender o ingresso de não negros no ANC, que aconteceria em 1954, através do Congresso do Povo. Foi também Mandela o obreiro da aliança que dura até hoje com Partido Comunista da África do Sul, importante para conquistar apoios do bloco socialista. E conseguiu algum, no plano financeiro, político e militar.
A opção de Mandela pela luta armada não resultou duma posição de principio ou dum temperamento bélico, assim como não foi uma posição de principio ou um temperamento conciliador que justificaram sua posterior política de apaziguamento. Foi por puro pragmatismo, ao perceber que o regime e as potências ocidentais seriam insensíveis à via pacifica de resistência, durante uma guerra fria que o deixava a ele do "lado errado da história" e fazia do regime do Apartheid um mal menor para uns EUA, eles próprios com pouca sensibilidade para temas como a igualdade racial. Por isso, aceitou que a guerra civil, sendo indesejada, poderia vir a ser inevitável. E que teria como aliados internacionais aqueles que estavam dispostos a sê-lo.
Depois de 27 anos de prisão, Mandela não se deixou cegar pelo rancor, que aparentemente desconhecia. Essa é talvez a sua mais admirável qualidade humana. Mas seria bom não simplificar estas coisas. Não é apenas por um espírito vingativo que as mudanças nas sociedades degeneram em violência. Nem por descontrolo ou falta de visão. É também, e quem o escreve é um pacifista, porque a paz, e não apenas a guerra, tem um preço. Se assim não fosse, não encontraríamos um homem bom e justo com uma arma na mão. E história está cheia deles.
Por causa da escolha da via do apaziguamento e reconciliação (apenas possível porque a queda do muro de Berlim tornava Mandela aceitável aos olhos do ocidente), o fim do apartheid não correspondeu ao fim da segregação social, da miséria, da violência, da criminalidade e da desigualdade extrema. Na realidade, pouco as atenuou. Porque aceitar que a estrutura social não se alterava radicalmente era a única forma de impedir uma reação da minoria branca. E era a única forma de travar as aspirações de milhões de negros, apenas alcançáveis, pelo menos numa geração, por uma autêntica revolução social necessariamente violenta. Só a autoridade histórica de Mandela, que nascia da sua luta, dos anos de prisão e da sua radicalidade - e não de ser um velhinho bondoso -, podia travar as alas mais radicais do ANC (de que ele fizera parte). Muitos elogios ao espírito de reconciliação de Mandela ignoram que para haver reconciliação é preciso ter havido luta. Só negoceia quem combateu. Só modera quem teve a coragem de ser radical quando a realidade contra a qual lutava era radicalmente injusta. E que autoridade de Mandela para, aos olhos dos que então se libertavam do apartheid, ser o pai dessa reconciliação eram as suas credenciais de vigoroso combatente.
A verdade é que o apaziguamento implicou cedências, e o preço foi bem alto: não se rompeu com a injustiça social do passado. Não digo que tenha sido errado. Parece-me mesmo que era a única solução sensata. Mas preferia que não se reduzisse esta escolha tremenda às qualidades humanas de quem sabe perdoar. Esta capacidade é necessária, mas não é suficiente nem prevalece sobre tudo o resto. Mandela fez, antes de tudo, uma escolha política que, sendo na minha opinião acertada, teve grandes custos e era pelo menos discutível.
E estas escolhas tiveram também um preço político. Só era possível manter este rumo com um ANC coeso, sob a batuta moral e simbólica de Mandela, que foi apadrinhando as sucessivas lideranças, sem grande intervenção nas suas escolhas fundamentais. Graças a essa tutela de Mandela, o ANC manteve, de facto, o peso que antes tinha, com raras dissidências que acabaram por se revelar pouco relevantes. O resultado foi que à ditadura do apartheid sucedeu um sistema partidário em que apenas um partido ambiciona a vitória e onde tudo se decide nas suas violentas lutas intestinas. E isso contribuiu de forma decisiva para que permanecessem os níveis de corrupção que o ANC não só não combateu como deles se alimentou e que salpicam de lama quase todos as principais figuras da organização. À velha elite branca juntou-se uma elite negra que orbita em torno do ANC e que dele se serve.
Sobre esta transição, aconselho vivamente um documentário de Jihan El-Tahri (trailer no início). A realizadora libanesa é autora de outros documentários sobre o envolvimento cubano em África - demasiado simpático para Havana, na minha opinião - e um excelente trabalho sobre a Arábia Saudita. Em "Behind the Rainbow", El-Tahri, que parece ter simpatia por Mandela, abandona as imagens românticas e faz uma análise política rigorosa da África do Sul e da história do ANC. São relatados os conflitos e tensões no interior do ANC, mesmo antes da prisão de Mandela. Conflitos que acabariam por desaguar, mais recentemente, na vitória de Jacob Zuma, que era visto como um "radical" dentro do movimento.
O filme é denso, contraditório e sem respostas fechadas. Tudo ao contrário do enjoativos panegíricos que tenho lido sobre Mandela. É que nenhum panegirico é merecido, porque reduz o homenageado à sua própria caricatura. Jihan El-Tahri faz o esforço contrário. Não sei mesmo se não se torna, na vontade de ser rigorosa, demasiado severa com Mandela, que quase acusa de demissão na fase de consolidação da democracia, entregando de forma acrítica o poder a um Thabo Mbeki, tratado, com toda a justiça, como o padrinho da nova elite negra, que não parece ser mais sensível ao sofrimento dos sul-africanos mais pobres do que era a elite branca.
Justa ou injusta, a realizadora contraria um olhar sobre a África do Sul que se fica sempre pela questão racial e pelo risco de guerra civil. Recorda-nos que, como em todo o lado, há outras esferas do confronto político. Começando pelo esfera social, onde os mesmos debates que aqui temos são centrais: desigualdade, distribuição da riqueza, direitos sociais, papel do Estado e do mercado. Isto num país que vive numa desigualdade extrema. E a diferença entre um político e um líder religioso, é que o político, tendo de lidar com estas escolhas práticas, nunca pode aspirar, se quer agir, à santidade.
Na África do Sul, porque a vida continuou depois do fim do sistema formal de segregação racial, quando o mundo suspirou de alivio por ali não ter havido um banho de sangue, algumas escolhas que Mandela fez, e outras tantas que não fez, foram determinantes. E quase todas esbarraram com o mais difícil de todos os dilemas políticos: devemos aceitar a desigualdade extrema para ter a paz ou temos a obrigação de escolher a guerra para conquistar a justiça? Resumir estas escolhas à bondade de um homem, despindo-o de todos os dilemas morais e cálculos políticos, é pura e simplesmente infantil.
Pode parecer o contrário com este texto, mas tenho por Mandela uma infinita admiração que não divido, na mesma dimensão, com nenhum político vivo. Mas ela baseia-se na paixão pela política, que tem sempre uma dimensão ética e moral, mas que nunca se fica por aí. Não no desprezo pela ação política, típico em quem procura santos e heróis românticos entre governantes. Mandela foi um homem bom e, pela sua combatividade e contenção, foi e será sempre um herói. Mas foi um herói político. Fez escolhas difíceis e discutíveis. No momento em que o ANC era frágil e não contava com o apoio do ocidente, escolheu a violência quando outros teriam preferido manter a linha pacifista. Quando o poder lhe estava quase nas mãos, escolheu o apaziguamento contra os que queriam correr todos os riscos para combater o legado social e económico do apartheid (e não apenas ou sobretudopara se vingarem), de que só uma pequena elite negra se viu livre.
As escolhas que fez tiveram muitas vantagens e grandes custos. Todos imaginam os rios de sangue e de ódio, tão comuns por aquelas e por outras paragens, se Mandela tivesse seguido o caminho oposto ao do apaziguamento. Mas também não podemos ignorar que o apaziguamento se pagou com uma interminável "guerra civil" de baixa intensidade, através do crime e da violência inerentes à desigualdade extrema. E na degradação moral de grande parte dos líderes do ANC (com Mandela de fora, como exemplo raramente seguido), mergulhados num sistema em que apenas uma pequena elite dirigente vive fora dum apartheid social ainda vigente.
O que interessa é saber que Mandela não foi uma estátua. Foi uma pomba e um falcão, foi um combatente, um negociador, um calculista e um pragmático. O que me custa, em quase tudo o que tenho lido e ouvido sobre ele, é o assassinato da sua vida e da sua história. Como se a política se resumisse à escolha entre o bem e o mal. Como se Mandela tivesse sido apenas um homem bom. Ao contrário do que pensam os cínicos, há muitos homens bons no mundo. O que é raro é, como Mandela, terem a coragem de dispensar a santidade e preferirem a política, esse mundo "sujo" repleto de escolhas perigosas e gestos calculados."
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