sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A ameaça europeia

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014 0
O projecto europeu que agora se desmorona foi uma das melhores ideias do século passado. Morta ao primeiro sinal de crise e às mãos dos alemães e seus aliados, com o escárnio dos ingleses e o chauvinismo dos franceses. O idealismo do projecto de uma União Europeia caiu juntamente com a solidariedade dos ratos que abandonam o navio ao sentir o primeiro sinal do seu afundar. A moeda única, sem mecanismos de defesa e igualdade para os estados membros mais fracos, foi o iceberg responsável pelo primeiro rombo e no agudizar das diferenças entre ricos e pobres. As instituições europeias, eleitas pelos cidadãos europeus, reféns do diktat alemão que ninguém elegeu, não passam de verbos de encher melhor personificadas na marioneta que dá pelo nome de Durão Barroso.
Uma Europa desafiada pelo nacionalismo e xenofobia da Suíça e sem qualquer poder argumentativo ou persuasivo nas relações internacionais, como se viu no caso ucraniano em que quem dita as regras do jogo são os EUA (estarão recordados certamente das célebres escutas do "fuck EU") e o FMI. Uma Europa que viu recentemente a Islândia dar um passo atrás no seu pedido de adesão pressentindo a ameaça do roubo descarado que os países mais fortes impõem aos 'irmãos' mais fracos.
Nestas circunstâncias não é de estranhar os sucessivos apelos de Passos Coelho ao PS para um consenso. E compreende-se porquê. Passos Coelho tem medo da saída limpa ao ser deixado por sua conta e risco perante os mercados e sem a rede garantida das taxas de juro do BCE. Passos Coelho sabe que assim que sair a troika, Portugal será largado às feras sem qualquer condescendência ou solidariedade por parte dos parceiros que lhe passaram a mão no lombo até ao momento. Já fizemos a nossa parte e eles a deles. Nós entregámos e demos tudo, destruímos o estado social (SNS, escola pública), a nossa rede produtiva, a economia, o sector público (justiça) e a classe média, empobrecemos o factor trabalho, as pessoas e o país e vendemos os nossos sectores estratégicos, eles receberam tudo com juros.
Por isso as próximas eleições europeias são tão importantes. É a diferença entre haver um novo paradigma na construção europeia e de quem o defenda, ou a continuação do desmoronamento da Europa. É, meus amigos, quer se queira quer não, a diferença entre ganhar a esquerda, ou a direita no poder.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O congresso é uma festa pá!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014 0
Muito penosamente Marcelo, o catavento de serviço da TVI, lá se arrastou ao congresso do PSD. Num misto de surpresa e de saudosismo, alicerçado numa vã tentativa de travar os barrosistas que se preparam para nomear o alto comissário para a presidência da República. O avião ou o táxi em que diz que decidiu dizer qualquer coisa para marcar posição, mais não é senão uma táctica populista de juras de amor e perdão a quem o terá atraiçoado. Santana Lopes registou.
Passos Coelho que prepara a narrativa eleitoralista do país que operou o milagre económico de Fátima e a saída limpa, pressionou mais uma vez o PS a alinhar com a sua política de empobrecimento que o próprio anuncia e fomenta. Ao mesmo tempo que toda a gente bate em Seguro, secretamente esperançosos numa vitória socialista nas europeias, não vá o homem demitir-se e ceder o lugar ao Costa. Talvez venha daí o desafio de Rangel para que o PS (bem mandado) apresentasse o seu candidato. Assis foi a rolha que saltou da garrafa de champanhe de Passos, aberta no momento em que soube do anúncio socialista. Assis é o garante da vitória do PS nas europeias e da continuação de Seguro ao leme da sua fraca oposição e que poderá proporcionar ao PSD um laivo de confiança para as legislativas de 2015.
Entretanto, e como Passos nada sabe de política, resolveu dar mais um tiro no pé, reabilitando em 6 meses Relvas, o amigo leal, cumprindo a promessa que lhe havia feito aquando da sua demissão. Passos não o deixaria cair. Registei que Portas foi mais aplaudido apenas e só desfilando na passadeira vermelha do que o único discurso com conteúdo político da autoria de Morais Sarmento.
Quanto aos chumbos do TC, nomeadamente o mais recente ao referendo sobre a co-adopção e o relatório do FMI nem uma palavra. O congresso é uma festa e um concurso de banalidades. Sem críticos, que ficam em casa à espera de vez, o congresso é o sítio onde se pode esquecer a realidade e celebrar-se a si mesmo. Não há espaço para elitistas, sulistas e menos ainda para liberais...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Está tudo doido

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014 0
Aconselha o bom senso que as pessoas só falem daquilo que sabem, e ainda assim, principalmente no caso de serem titulares de órgãos públicos, a falar com prudência num discurso que se exige esclarecedor.
Ora, a histeria colectiva que se vive em Portugal e na Europa é um caso do foro psiquiátrico que não deixa espaço a uma discussão sadia sobre o papel do país na Europa e do Estado no e do país. Enquanto se vai empurrando com a barriga, toda a atoarda propagandista serve para camuflar a realidade. Vai desde um vice primeiro ministro que a pretexto de classificar e enaltecer a grande obra feita nas exportações, recorre a um porta-aviões figurativo, ele que viu um processo de submarinos afundar-se nas entrelinhas do nosso sistema de justiça. E como nós sabemos! que o desempenho das exportações ou o aumento do consumo privado nada tem a ver com algo de concreto que este governo tenha feito, mas antes se deve ao que o TC desfez. Ainda Portas se preparava para desenvolver a propaganda eleitoralista de baixa de impostos em 2015, sublinhando assim o milagre económico anunciado por Passos Coelho que permitiria uma saída limpa (ou suja conforme o ponto de vista), e já o FMI e a Comissão Europeia desfaziam com os pés toda a narrativa que se desenhava no governo e partidos da maioria. Um valente puxão de orelhas nos meninos de coro e até aqui bons alunos que já se preparavam para afrouxar o cinto e voltar aos pecados de antigamente. Assim como quem diz que a supervisão parental vai continuar. O relatório da troika afirma ainda que a austeridade é para manter por muito tempo e ainda urge baixar mais os salários, anunciando um corte de 3 mil milhões de euros para este ano que ainda ninguém tinha descoberto. O empobrecimento que está a destruir o tecido social e empresarial do país é para manter, por mais que se faça mea culpa. Os soluços da pequenada ainda se ouviam quando apareceu o líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, a dizer que "a vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor", como se fosse possível um país sem pessoas. Mas é nisto mesmo que eles acreditam, chegando até ao desespero de, com o intuito populista de disfarçar as medidas menos boas, inventar coisas no memorando inicial, para assim conseguir sacudir a água do capote imputando-as ao Sócrates do costume. Assim sucedeu com o mapa judiciário.
Mas há mais, desde a esquizofrénica proposta de Assunção Esteves de pedir a mecenas para patrocinar as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, passando pela absurda proposta de Seguro de criar um tribunal especial para grandes investidores e acabando na CPLP que irá permitir a entrada na comunidade de um país que tem um regime ditatorial e sanguinário e onde se fala tudo menos português (Guiné Equatorial), em troca de 150 milhões de euros para o BANIF. Quero ver o escabroso Acordo Ortográfico a ser assinado e ratificado pela Guiné Equatorial, e assim será assinada de vez a sua sentença de morte que já começou a ser escrita pelo Brasil. Tudo está à venda e está tudo doido...

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A factura de Abril

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014 0
Anda no ar uma nova narrativa, que (mal) disfarçada de propaganda pretende fazer crer que Portugal terá uma saída limpa (à Irlandesa) do programa de ajustamento. Veja-se como Portas já admite baixar o IRS no ano eleitoral de 2015. E para isso, faz-se a vontade à troika, que está à vontadinha, e oferece-se aos patrões o poder de despedir indiscriminadamente quem bem entendem, como entendem e quantos entendem, apoiados na lei que lhes atribui competências de juiz em causa própria, com avaliações de desempenho sempre subjectivas e imagine-se em que um dos critérios diz respeito à 'vantagem' de quem tiver o salário mais baixo. Era a 'reforma' que faltava para ficar completo o ciclo de destruição do factor trabalho. Essa classe rastejante e repugnante que tem a desfaçatez de reivindicar direitos, adquiridos ou não. A troika agradece e lá remete mais 900 milhões de euros enquanto o governo planeia a saída limpa com emissões de dívida pagando 5% de juros e deixa impunes mais de 400 milhões de euros em juros e coimas num perdão fiscal em que se premeia os incumpridores. Portugal entrou para o apelidado programa de ajustamento com muito menos dívida, com muito menos desempregados, com mais empresas viáveis, com uma economia mais optimista. 'Democratizou-se' o país abrindo-o ao partido comunista chinês e ao angolano e inventa-se um sorteio semanal em que se premeia uma obrigação e um dever de qualquer cidadão com um automóvel pago por todos, após a tentativa de tornar cada um num bufo. Não haja porém qualquer dúvida que a emissão de facturas vai ter um crescimento nunca visto, mas transmite a ideia errada. A reforma do Estado é a aniquilação do sector público, do contrato social. A saída limpa será a da troika, que depois do desastre de experimentação no país, lavarão as mãos com lixívia aproveitando a propaganda de um grupo de extremistas novatos, incompetentes e que ajudaram militantemente a rebentar a bomba de ensaio no país. Sobre o assunto o PS já perdeu a sua margem de manobra e esvazia dia após dia o seu discurso. Seguro não conseguirá em tempo útil transmitir qualquer mensagem que não tenha a desconfiança de quem o ouve, inclusive do seu próprio partido. Já nem sei se a coligação não estará a rezar por uma derrota nas próximas europeias, ganhando lastro para as legislativas de 2015, ao sabor da navegação à vista e do desnorte da oposição. A esperança mora (pessoalmente) no edil de Lisboa.
Entretanto o debate em torno do 40º aniversário do 25 de Abril gira em torno dos seus custos e não em torno das suas conquistas. Percebe-se porquê. Não subestimando o receio (que asseguro não está em causa) de Assunção Esteves poder não receber a sua reforma vencida aos quarenta, eis que se propõe a intervenção de mecenas na comparticipação de despesas. É falar com Soares dos Santos e Fernando Ulrich, mais os chineses e os angolanos, e obrigar todos os deputados, convidados e afins a usar nas comemorações uma t-shirt com os altos patrocínios do Pingo Doce, BPI, EDP, REN ou BIC e já agora a publicitar 50% de desconto nas próximas.
A proposta não é inocente e nada melhor do que o populismo mais rasteiro para paulatinamente moldar o presente fazendo esquecer o passado. As conquistas de Abril não se coadunam com este tipo (ou estes tipos) de política. Os direitos laborais, a liberdade de associação, de organização, de expressão, de imprensa, o SNS, a educação para todos, a igualdade e a justiça social, a integração europeia e o aumento da qualidade de vida de todos. A ditadura selvagem e usurária, usurpadora de Estados e de pessoas, não se revê em culturas para o individuo. Abril é um estorvo distractor da panaceia em curso, vendida à pala de patrocínios e de números.
Eu vou para a rua celebrar os 40 anos do 25 de Abril. Hoje faz mais sentido que nunca... 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Direita ou esquerda? Ultra!

sábado, 8 de fevereiro de 2014 1
Direita e esquerda não podem viver uma sem a outra. A supressão de uma delas implica directamente a negação da outra. Em termos axiológicos, históricos, económicos e até culturais faz sentido a distinção e sobretudo a dicotomia que estimula o debate. Enquanto ele for mantido na esfera democrática, bem entendido. Ignorando os extremos de um lado e de outro, toda a última semana serviu para demonstrar de forma cabal as diferenças entre os dois, sem subestimar o carácter da crise e o estado de necessidade a esta anexado, a coligação de direita no governo e a própria matriz ideológica dos seus intérpretes.
Quando falamos de políticas intervencionistas do Estado, igualdade social, liberalização individual, mobilidade social, estamos, obviamente, na esfera de uma política de esquerda. É a direita que defende a política do mercado livre, o laissez-faire, a mão invisível. A esquerda é também favorável a uma redistribuição da riqueza e da receita, ao passo que a direita apresenta uma política de aceitação das diferenças provocadas pelo próprio mercado livre.
Claramente, a direita apela à importância das tradições e da ordem comportamental impostas pela história, pelos valores, pela religião e pela cultura já estabelecidos. A esquerda é muito mais dada à liberalização dos modos de vida dos indivíduos. Por isso mesmo, a esquerda é muito mais favorável à mudança enquanto que a direita apresenta-se muito mais conservadora. As questões fracturantes como a liberalização do aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e agora a co-adopção são oriundas da esquerda. São fracturantes porque rompem com as tradições.
A direita defende que apenas através do trabalho e do mérito será possível conseguir a ascensão social, ao passo que à esquerda se acredita que naturalmente essa ascensão ocorrerá, nem que seja pela mão do próprio Estado.
A esquerda prefere o apoio à autonomia cultural e económica das nações e, pelo contrário, a direita surge como favorável à globalização e partilha à escala.
Ambos lados têm pontos em comum e naturais virtudes e defeitos, e na evolução natural do mundo de hoje, muito difícil se torna governar num só sentido.
O sector económico e financeiro que disputa com a política a luta pelo poder, e que com esta crise internacional nitidamente o suplantou, não permite um governo unicamente guiado pela esquerda. O centro, é, há uns anos a esta parte, o espaço ocupado pelos partidos que almejam ganhar eleições, de direita ou de esquerda, apesar de serem identificáveis vários exemplos que permitem distingui-los quando no poder. Na sua raiz histórica (com toda a evolução desde o séc. XIX que seria demasiado exaustivo estar a aqui a expor), direita e esquerda são liberais. A tendência é colocar o liberalismo na direita quando se fala da relevância que esta dá à propriedade e ao mercado. Mas o liberalismo situa-se à esquerda sempre que se opõe ao gosto pelas hierarquias e pelas tradições que são próprias do conservadorismo.
O problema situa-se noutro plano. Cingindo-me agora à situação portuguesa, o problema surge quando o governo da nação, intervencionada por credores ultra-liberais de direita (coniventes com os causadores da crise internacional), se identifica também ele com esse caminho. O caminho do ultra-liberalismo ou neo-liberalismo, tende a aproximar-se do extremo, desvirtuando as virtudes (passo o pleonasmo) da ideologia de direita norteadora deste governo. E assim, o capital e as empresas ocupam o discurso demagógico e populista de quem necessita de fazer dinheiro a qualquer custo, prescindindo do individuo e assente numa retórica de números em que o que interessa é o preço das coisas e não o seu valor, negligenciando os procedimentos legais como temos visto com o TC. Aliás, a judicialização da política é hoje em dia uma defesa intrínseca contra a desregulação e a ilegalidade.
É por isso, que este governo nada tem a ver com a matriz ideológica e histórica dos partidos que o compõem, a não ser nas tais questões fracturantes. O exagero das suas opções ideológicas, seguindo a tendência cega dos usurários credores e fazedores de Estados, adulteram os valores da direita no poder. E é por isso também que a crença cega e exotérica no mercado livre, já por si pernicioso (como se provou), levada ao exagero pode gerar perversões de difícil retorno. A venda de património, de empresas do sector estratégico estadual, de espólios culturais encaixa nesta visão da ditadura do capital. Esta direita no poder não é sensível ao individuo, não tem qualquer preocupação social e não se interessa por qualquer tipo de presença estadual na sua vida, contanto que apareçam números que justifiquem a sua actuação. Assim, a venda de espólios culturais (Miró), a razia na educação e na ciência (bolsas de investigação), a venda de empresas do Estado, estratégicas ou não para o país (PT, CTT, ANA, seguros da CGD, EDP, REN, etc.), o abandono da coesão territorial e do Estado na vida das pessoas (SNS, tribunais), o desprezo pelas instituições ao serviço do Estado (TC), a política mercantilista que impõe os números ao indivíduo (cortes nas pensões, salários, subsídios com o consequente brutal aumento de impostos), ignorando os números da emigração com o objectivo de esconder a real situação do desemprego, a desvalorização do factor trabalho (despedimentos e mais baratos) em benefício do factor capital, tudo junto, fazem deste governo um factor desestabilizador da paz social e das conquistas da democracia como o estado social com implicações graves por décadas. E não, a narrativa da culpa do governo ou governos anteriores já não pega, geralmente empregada à míngua de argumentos. 'Atrás de mim virá, quem de mim bom fará.'

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O dinheiro dos outros

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014 0
O homem que fez o negócio dos submarinos, Portas, veio dizer que os socialistas são bons a gastar o dinheiro dos outros...
Digo eu que este governo é bom a roubar o dinheiro dos outros...

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Miró se fué

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014 0
Joan Miró, o insigne pintor catalão, pintou 85 quadros a mais, que vieram parar a um país que os não merece...
Entre pareceres negativos, decisões monetaristas de lesa pátria e até uma saída eventualmente ilegal, o bom senso veio de onde menos se esperava... da própria leiloeira.
E assim continua a saga da venda de todos os nossos anéis, no dia em que se soube que mais 500 milhões de euros estão a caminho do BPN.


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Défice de país

terça-feira, 28 de janeiro de 2014 0
As contradições entre o que se apregoa e o que a realidade demonstra não param de surpreender mesmo aqueles mais incautos. No dia em que se soube o valor do défice de 2013, abaixo da meta de 5,5% acordada com a troika, todo o país rejubilou com promessas de fim de crise e de liberdade ganha nos mercados. Até receberem a factura na folha de pagamentos. A realidade esbofeteou quem viu no relógio de Portas uma oportunidade para reatar o sonho lusitano. De repente, quem é obrigado a emigrar não passa de um calimero piegas, como já vi nessas correntes de opinião partilhadas com um click de ignorância. No dia em que se soube o valor do défice, os mercados responderam em alta nas taxas de juro. Como que afirmando que ali mandam eles e que se estão a cagar para cumprimentos de metas e para os défices aldrabados dos resgatados, obtidos com perdões fiscais injustos e escondendo as benfeitorias dadas a um qualquer BANIF. Afinal, esses são os que beneficiam dos 10% de toda a riqueza gerada na Europa. São eles que sustentam metade da população mundial com a caridade para inglês ver e decidem quem tem igualdade de oportunidades. São os que dizem que é pobre quem quer e quem não tem capacidade para mais. São estes que querem que se foda o défice e o país, contanto que a dívida seja gerida de modo a serem pagos com juros, e se for por mais anos tanto melhor. Como a dívida continua a crescer está assegurado o seu futuro brilhante por décadas a fio. É isto que o governo nos esconde, porque a sua cartilha em aplicação, permitirá que também eles tenham o futuro assegurado numa qualquer empresa vendida aos chineses, que só depois de vendida foi considerada estratégica, assim como um peido bem nas fuças dos que pagaram em 2013 mais 32% de IRS do que no ano anterior. Há défice sim, de cultura, de homens de tomates, de igualdade, de vergonha na cara, de competência e tanto mais... Entretanto, entretêm o país com panteões, referendos ilegais e inconstitucionais, para não variar, com perfis de candidatos a PR, com catavento e carapuça incluída e praxes feitas por hordas de ignóbeis e cobardes para bestas quadradas com falta de tesão e que nada têm a ver com vida académica...

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Coadoptar um deputado da maioria

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014 0
Sobre o fundo e o essencial da questão já escrevi aqui em Maio do ano transacto. A palhaçada a que assistimos na última sexta-feira nada tem a ver com o assunto.
Aprovada a lei que permite a co-adopção de crianças por parte de casais do mesmo sexo, com a liberdade de voto dada aos deputados do PSD, 16 deles votando a favor, houve de seguida um longo debate na especialidade.
Durante meses um grupo de trabalho ouviu organizações e especialistas. Eis senão quando, Hugo Soares, líder da JSD e deputado, já em cima da votação final, tirou da cartola, um referendo.
Na última sexta-feira assistimos ao que de pior existe na política, num exercício mesquinho da democracia populista a que este PSD nos tem habituado. Quando se introduz no final de um processo uma manobra dilatória desta natureza, visando obstar à votação final global, numa chicana de cinta descida e rabo à mostra, não dando liberdade de voto ao seu grupo parlamentar quando a tinha dado numa primeira instância, estão a dizer ao país que a democracia parlamentar portuguesa não é para levar a sério. Brincar à política é um apanágio desta maioria que ninguém de bom senso adoptaria. Passos Coelho usa a sua jota para fazer o seu trabalho sujo, pena é que essa jota, iludida por um tacho maior ou igual ao do seu querido líder não pense pela sua própria cabeça porque oriunda do mesmo espaço de florescimento.
Os direitos das minorias, a luta contra as desigualdades e os direitos humanos são condições essenciais de uma democracia livre e salutar que não podem ser postos em causa pelo poder de uma maioria. Tal como não se concederia usar referendos a favor da escravatura, ou contra os casamentos inter-raciais, o divórcio e os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Há princípios fundamentais de um Estado democrático que não são referendáveis porque a desigualdade não pode ser referendada junto de uma maioria que pode retirar direitos a uma minoria. A democracia não se referenda. E não é por haver uma crise que uma sociedade ou um país não pode pensar e deliberar sobre outros assuntos. O artifício da crise que tudo justifica está esgotado. Já agora quanto custará um referendo? Espero que mais uma vez o TC ou então o PR dêem mais uma lição à canalhada...

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O escândalo do meio-dia

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014 1
O que se passa com o meio-dia é um escândalo! A hora do meio-dia é um hiato indefinido que muitas vezes dá azo ao engano e à dúvida. Porque às onze da manhã são onze da manhã, e à uma da tarde é uma da tarde, já o meio-dia não é de manhã nem de tarde. A única forma de distinção, que mesmo assim pode ser discutível, resulta da ideia de almoço. Assim, se alguém já tiver almoçado por exemplo ao meio-dia e meio, passará a cumprimentar o resto da humanidade com um expressivo "boa tarde". Mas se o seu interlocutor ainda não tiver almoçado logo replicará que para ele ainda é de manhã. E, se por exemplo, o relógio marcar 12h59, a um minuto de ser uma da tarde, continua-se a dizer "bom dia", independentemente de já termos almoçado, ou pelo contrário, já é de tarde? E se for ao meio-dia e um minuto? Muito provavelmente essa hora ainda é de manhã, porque a generalidade das pessoas ainda não almoçou. Como se pode ver o que se passa com o meio-dia é um escândalo... Ninguém sabe dizer se ao meio-dia é de manhã ou de tarde. É meio-dia. Aquela coisa intermédia e indefinida que fica entre a manhã e a tarde. Sugeria por isso, que se passasse a dizer "bom meia-dia", para evitar que as pessoas sejam levadas ao engano, principalmente porque não sabem se a pessoa que cumprimentam já almoçou ou não. São muito frequentes diálogos do género "Bom-dia"; "Para mim já é boa tarde, que já almoçei"; " Ah mas eu ainda não", e por aí fora, correndo o risco de começarem a aparecer casos em tribunal para dirimir o conflito.
O mesmo se passa, ainda que, admito com menos fulgor, com as 19 horas... Se no horário de verão não há dúvida que a essa hora são sete da tarde, no horário de inverno já não é bem assim. Ás sete da tarde, apesar do nome indicar tarde, está, efectivamente de noite. É que às 20 horas, não há dúvida, toda a gente diz que são oito da noite, mas se forem 19h59 diz-se "boa tarde" ou "boa noite"? É de tarde ou de noite? É de noite apesar de serem sete da tarde.
Já a meia-noite não apresenta qualquer dúvida. É de noite e ponto. Ao contrário do meio-dia, que não representando outra coisa que não seja o meio do dia, não é de manhã nem de tarde e gera nas pessoas a confusão acerca de como se hão-de cumprimentar umas às outras. Um escândalo...

sábado, 11 de janeiro de 2014

Telegramas

sábado, 11 de janeiro de 2014 0
Arnaut assessoria a privatização dos CTT. Goldman Sachs compra 5% dos CTT. Arnaut é nomeado para membro do conselho de administração do conselho consultivo internacional do Goldman Sachs. Porreiro pá!
Vítor Gaspar vai para o FMI, o Álvaro vai para a OCDE e fala-se em Portas para comissário europeu ou para o lugar de Durão Barroso. Entretanto os seguros (lucrativos claro está) da Caixa Geral de Depósitos foram vendidos a... chineses... Porreiro pá!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Eusébio

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014 0
Na Grécia antiga o templo onde se adoravam os Deuses era o Panteão. Actualmente, o Panteão é um Mausoléu onde se abrigam os restos mortais de pessoas que se notabilizaram nas mais diversas áreas e elevaram o nome do seu país. Em Portugal, o Panteão Nacional divide-se entre a Igreja de Santa Engrácia em Lisboa e o Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, estatuto reconhecido em 2003 por albergar os túmulos de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I. Recordo que os túmulos de Camões e Vasco da Gama estão no Mosteiro dos Jerónimos.
Feita a  introdução, e porque a questão está em cima da mesa por causa de Eusébio, vários nomes me ocorrem que, falecidos há mais tempo, merecem a sua trasladação para o Panteão Nacional, reconhecida como a mais alta homenagem de prestígio e agradecimento de um povo aos seus heróis e ídolos. Dentre esses nomes os mais consensuais seriam Eça de Queiroz, Egas Moniz, Aristides de Sousa Mendes, Camilo Castelo Branco, José Saramago entre muitos outros. O que importa aqui e neste momento é definir quais são os critérios, as justificações e a sua natureza, para que a alguém possa ser atribuído o estatuto de Panteável. Julgo que esses critérios, para além dos definidos na lei, devem também ser definidos pelo sentimento do povo que os sustenta. Outro critério será o da memória. Porque o mediato é efémero e só o tempo e a história fazem justiça, com o distanciamento necessário dos factos e da verdade. Não me chocaria por aí além que Eusébio pudesse entrar para o Panteão. Numa época de ditadura, de fome e de pobreza, muitas vezes o consolo está nas pequenas coisas. E inequivocamente Eusébio marcou uma geração, elevou o nome do Benfica e da Selecção ao topo, e com eles o país. Poderia usar facilmente o nome de Amália, que pelas mesmas razões de Eusébio já faz parte dos nossos "deuses". A época foi a mesma, a alegria de ouvir um e ver o outro seria a mesma, a fama de Eusébio será porventura ainda maior por esse mundo fora, e ambos foram ícones de um povo subjugado por um regime opressor. Por tudo isto, repito, não sou contra a ida de Eusébio para o Panteão, apenas exigo que os outros vão primeiro. Sem qualquer laivo de elitismo cultural, a memória de um povo e a sua alma não se resume às letras e à política, às artes e à história, são uma mescla de tudo, e são sobretudo o que o povo quiser que seja. O desporto é uma pequena parte dessa memória colectiva, dessa história, e marca como já marcou muitas cenas da história, basta lembrar os jogos olímpicos de 1936 ou os de 1972 e os de 1980, em que o desporto se misturou com a política. Os heróis são assim improváveis. Concedendo facilmente que não é comparável o incomparável, misturar Eusébio com qualquer um dos nomes que acima descrevi é um erro e não pode servir para a discussão em causa. A memória, o sentimento, a gratidão, a notabilidade com que se ergueu acima dos outros, do povo e para o povo, sempre com humildade, sabendo sempre onde pertencia e o levar com ele o nome do país para todo o lado, são as justificações; distintas, sem dúvida de outros notáveis que fizeram, escreveram e pensaram o país, ou que por outras razões como Aristides de Sousa Mendes merecem a vénia dos seus pares. Talvez, ainda assim, a maior justificação possa estar na época em que Eusébio foi jogador de futebol e tudo o que representou para a vivência de milhões nessa altura, aliada ao valor da humildade que sempre cultivou, com amigos e rivais. Essa será a única justificação porque senão o patamar chegaria à comparação com Ronaldo e Mourinho, que como sabemos, de humildes nada têm. Provavelmente Eusébio, do alto da sua profunda e genuína humildade preferiria ficar no Estádio da Luz. A memória colectiva do país vê em Eusébio consagrado o valor da humildade. Para mim chega. Ainda que com todo o circo que rodeou a sua morte. Volto, contudo, a reafirmar que não se pode comparar o que não é comparável, sendo que na minha opinião, o mediato emocional colectivo e popular, sempre fugaz, não se deve sobrepor à maturação que um processo deste género exigirá.
Já quase tudo foi dito e escrito sobre Eusébio. Foi, aliás, repetido até à exaustão por todos os meios de comunicação social. O mediático assim o exige e como se sabe o mediático vende. Desde aproveitamentos políticos, populismos nauseabundos, aparições de lavagem de cara, expressões e tiradas menos felizes, recordo só as de Mozer, Assunção Esteves, Mário Soares e Sócrates, cortejo fúnebre a parar uma capital, Panteão e Avenidas, de tudo um pouco se serviu à mesa dos portugueses. E como eles comem! Nada disso importaria a Eusébio. E essa é a melhor homenagem que lhe posso prestar. Porque gosto de futebol. Teve em campo a mesma atitude que revelou fora dele. Um rei nas quatro linhas, um senhor fora delas. Sempre humilde, foi por isso respeitado por esse mundo fora, admirado por rivais e idolatrado pelos seus adeptos. Não vi jogar Eusébio, mas as imagens que já vi de jogadas e golos de génio, as vénias dos colegas da época e a admiração dos maiores chegam para formar uma opinião. Eusébio foi um dos melhores jogadores da sua época e um dos melhores de sempre. Basta atentar nas estatísticas da sua carreira e nos títulos ganhos. O sentimento de perda de um benfiquista será sempre maior  que o meu, mas ainda assim reconheço em Eusébio uma figura que não teve até hoje qualquer rival (Ronaldo à parte porque a sua história ainda não terminou). Fico-lhe grato por tudo o que fez ao serviço da selecção e nas competições internacionais ao serviço do seu clube. Nos jogos contra o Porto perdoar-me-ão mas não consigo agradecer-lhe. Rest In Peace Eusébio.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Plano B

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014 0
O ano de 2013 terminou com Cavaco a dar também ele por terminado o ciclo da recessão... Sabendo-se que a ligeira melhoria se deveu sobretudo às decisões do TC que permitiu que os funcionários públicos e pensionistas tivessem mais algum poder de compra, espero sinceramente que o Orçamento para 2014 não venha tirar-lhe razão.
Entretanto o governo já encontrou o plano B para o chumbo do TC à convergência das pensões. O plano B é o alargamento da CES (contribuição extraordinária de solidariedade) aos reformados e pensionistas a partir dos mil euros. Dizem que não é um aumento de impostos. Já não nos enganam. A CES não passa de um imposto disfarçado com o epíteto de solidário. Enquanto que uma taxa pressupõe uma bilateralidade, isto é, pressupõe o fornecimento de um serviço por parte do Estado, neste caso a CES, tal como os impostos, é unilateral, e imposto por isso mesmo. Um imposto pode ser exigido por via coerciva, caso não seja pago de forma voluntária. As taxas têm uma carácter voluntário, se não se utiliza o serviço subjacente não se é obrigado a pagar. A não ser que agora nos queiram convencer que se paga a CES em troca de um salário, reforma ou pensão, tal como se paga uma taxa em troca da utilização do sistema de saneamento. Já pouco me surpreenderia. 2014 começa em grande...

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

2014 - A nova fronteira

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013 0
Portugal não é autossustentável. É um ponto assente que não produzimos o suficiente para o país sobreviver sem se endividar. As políticas mercantilistas, de betão e de PPP's, iniciadas ainda nos governos de Cavaco, que trocou as pescas, a agricultura, as minas e o sector industrial pelos dinheiros da Europa, apostando nos produtos não transaccionáveis e na grande distribuição feita de hipermercados e centros comerciais. A prosperidade e modernidade tornou-se efémera num país que continuou a política da obra feita ainda que à custa de onerar por décadas o futuro. A protecção dos grandes interesses pelos sucessivos governos, da energia à construção civil e à especulação imobiliária, da banca às celuloses, com nomeações garantidas a inúmeros políticos saídos dos governos como se fosse um mero trampolim, arruinou o que restava da produção nacional e garantiu que o país fosse apanhado com as calças na mão ao chegar a crise internacional. A quebra abrupta da natalidade, a emigração com níveis só comparáveis aos anos 60 do século passado, tornando insustentável a médio prazo o pagamento de pensões, porque quem trabalha é em menor número do que quem não trabalha ou já trabalhou, o enterrar do interior do país, abandonando-o à sua sorte, com encerramento de tribunais, postos de correio, repartições de finanças e mais que possa existir, a mentalidade de que o Estado chega para todos e a todos tem que amparar, sem que o critério seja o do mérito mas sim o tráfico de influências e a corrupção.
Como se não bastasse, este governo arruinou a economia em nome da salvação das contas públicas, e a pequena retoma a que agora se assiste mais não é senão a certeza de que batemos no fundo, aliada ao ligeiro aumento de poder de compra que o TC proporcionou ao impedir os cortes nos subsídios dos funcionários públicos. Quando se chega ao fundo do poço é impossível descer mais. Um povo que passou de piegas ao melhor povo do mundo, num memorando troikiano mal calibrado (Passos Coelho dixit ao fim de dois anos), ele que quis ir além do memorando, pondo em cena todo um plano de terra queimada numa cartilha vingativa contra o Estado social em nome de uma ideologia que sacrificou uma geração. A tão apregoada reforma do Estado continua por fazer, o tal objectivo que era suposto atingir-se com os sacrifícios de todo um país. O barco navega ao sabor do vento, sem rumo nem estratégia que não seja a de agradar à troika, e nem que isso signifique matar o pouco que resta do sector público estratégico e lucrativo do país. Uns quantos cortes na despesa, cegos e aleatórios foi tudo o que se fez nestes últimos dois anos, com o PIB a recuar 8 mil milhões de euros, a dívida não parou de crescer, assim como o desemprego, as taxas de juro não baixam e as desigualdades são cada vez maiores. O coma induzido será substituído a breve trecho pelos cuidados intensivos de longo prazo, Portas até já tem um relógio em contagem decrescente para com pompa e circunstância poder anunciar que continuaremos hospitalizados. O bom aluno aleijou-se nas aulas, e o professor é um espécime a extinguir. A tragédia e a devastação continuarão a trilhar o seu caminho com a muleta da UE e o olhar paternal de um governo incompetente e miserável, que se ajoelha sempre que lhe falam mais alto. A troika não pode nem quer aceitar um falhanço, e irá impor um segundo resgate, mudando-lhe o nome sob a supervisão do BCE. 2013 foi um ano para esquecer em Portugal, e não espero melhor em 2014 ou nos anos seguintes, porque Portugal continuará sem conseguir autossustentar-se e porque nenhuma reforma de fundo foi feita. Espero que em 2014 ninguém esqueça que a vitória de Pirro que o governo anunciará, não passará de uma nova e longa etapa que representará a mesma austeridade e o mesmo caminho. No léxico de Portas, será uma vitória irrevogável...

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Três laranjinhas menos duas laranjinhas é igual a uma laranjinha

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013 0
A falta de vergonha na cara é um problema sério que se está a transformar numa pandemia. No nosso país e no mundo.
Resumir o ano de 2013 torna-se fácil após a mensagem natalícia de Passos Coelho. A bandalheira e a chico-espertice foi ao cúmulo de, fazendo de todos nós parvos, afirmar que em 6 meses o governo criou 120 mil postos de trabalho. Mais uma vez os números choram e tremem nas mãos de Passos. São torturados até atingirem os propósitos do seu carcereiro. Se eu produzir 3 laranjinhas e papar 2 laranjinhas, só tenho uma laranjinha para vender. A matemática é exacta e universal. Se ocultarmos que enchemos a barriga com 2 laranjinhas, podemos anunciar aos crentes que produzimos 3 laranjinhas sem que seja necessário mostrá-las. A tristeza da coisa, é que tal como Tomé também nós quisemos ver para crer. E quando fomos ver faltavam 2 laranjinhas. E assim descobrimos, os que quiseram ver, que no primeiro trimestre se destruíram 100 mil postos de trabalho. E que nos últimos 2 anos se destruíram 500 mil postos de trabalho. Aplicando a difícil equação ao terço de Passos Coelho, chegamos à conclusão que este ano foram criados 20 mil postos de trabalho. Eu ajudo: 120-100=20... E se formos aos últimos 2 anos, já com a fórmula correcta aplicada dá: 500-20=480... Ou seja, Passos destruiu 480 mil postos de trabalho com a sua política de empobrecimento, ajustamento, austeridade, o que lhe queiram chamar. No final das contas não dá nem um gomo da laranja para espremer. E bem espremido não há sumo que se veja. Quando mexemos com as laranjinhas e com a tabuada, tal como nos ensinaram na primária, a verdade matemática é como o azeite. O governo já tinha tentado fazer o mesmo com os números do desemprego, ocultando da equação os números da emigração. Andam sempre ás turras e ás apalpadelas, como um cego sem bengala.
Aliás, 2013 ficou marcado pela crise irrevogável de Julho, e que sabe-se agora, custou ao país 2300 milhões de euros. Pois é, a rapaziada revogável que anda a brincar à política e aos tribunais esqueceu-se deste número e da brincadeira.
Assim como esquecem amiúde que em plena comissão de inquérito aos swaps, o próprio governo negociou um swap que nos onera em mais uma década. Comissão de inquérito cujo relatório final foi ardilosamente concluído pela maioria e seus pajens.
A democracia armodaçada de 2013 com que nos querem convencer que a dívida é insustentável e impagável sem o caminho da austeridade extrema, da privatização de todos os nossos recursos e sectores estratégicos é um caminho fraudulento assente na repetição populista e exaustiva do martelar dos números, do empobrecimento para além da troika, da chantagem e da pressão, ainda que seja exercida sobre um órgão de soberania como ainda é o nosso TC.
A falta de vergonha na cara não tem limites, principalmente se tiver a cara do primeiro Ministro e do seu vice...

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Querido Pai Natal...

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013 0
Imbuído do espírito natalício, escrevi ao Pai Natal, e nessa missiva pedi paz e amor para todo o mundo, como uma miss qualquer coisa faria, e num derradeiro ato de puro altruísmo pedi para oferecer uma Constituição ao Passos Coelho e outra ao Paulo Portas...

P.S.- Boas festas para todos sem exceção...

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Que violência

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013 0
O Papa Francisco atacou o capitalismo sem limites como “uma nova tirania” e advertiu que a desigualdade e a exclusão social "geram violência" no mundo e podem provocar "uma explosão".
E pergunto eu: ninguém acusa o homem de incitamento à violência?

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Nadir Afonso

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013 0

As coisas que nos fazem recordar, identificar em silêncio, um aperto do estômago, com um nó da garganta. As memórias, saudade de um lugar, a felicidade da pertença, os risos gargalhantes ou um sorriso entusiasmante, corajoso, tímido, cheio de esperança, prometedor de suspiros soluçantes.
Numa inocência partilhada por séculos de distância, olhados com ternura após anos de vivências ébrias de esquinas e recantos. Sussurros escondidos nas portas e janelas, varandas de encantamento e nostalgia pintadas de paisagens de emoção. As lágrimas que fazem crescer, ali naqueles sítios, naquelas ruelas, naquelas casas. A existência comum e a comunidade que existe. A paixão da alma e o amor à terra.
Assim são os quadros de Nadir Afonso quando os vejo. São os quadros do Mestre que nasceu em Chaves. O Mestre flaviense que pintou a cidade como ninguém. Que levou Chaves a Le Corbusier e Niemeyer. Que percorreu as mesmas ruelas que eu. Que conheceu como eu o mistério de amar uma cidade. A nossa...

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Nelson Mandela

terça-feira, 10 de dezembro de 2013 0
Não deixem de partilhar e de divulgar até à exaustão o legado de Mandela, para que sobreviva por muitos e bons anos, e para que ninguém deixe de saber o que a política pode fazer de bom quando ao serviço do povo, e feita por políticos que a sabem usar para esse fim. 
E porque traduz fielmente aquilo que penso, e porque não o escreveria melhor, aqui deixo a minha homenagem a Nelson Mandela, nas palavras de Daniel Oliveira, hoje, no Expresso Online:


"Não matem de novo Mandela

A melhor forma de anular um homem, e em especial um político, é torná-lo consensual. Depois da morte física mata-se, pelo elogio desmesurado e vazio de conteúdo, a memória política. É isso e apenas isso que me irrita no kumbaia internacional em torno de Mandela, transformado numa personagem romântica de Hollywood, com a vida quase resumida ao apoio que deu à seleção nacional de Rugby e ao olhar bondoso dum velhinho simpático.
Mandela foi um revolucionário. Considerado um radical e um terrorista por grande parte do ocidente e pela generalidade da direita europeia. Isto quase até às vésperas de ser libertado - ou seja, durante quase toda a sua longa existência. Constou, por decisão da administração Reagan, na lista de terroristas do Departamento de Estado norte-americano. Não se enganavam ao não o verem como um moderado. Foi contra a linha tradicional de resistência passiva do ANC, influenciada pelo pensamento de Gandhi, que, também ele, vivera muitos anos na África do Sul. Defendeu e usou a violência, tendo dirigido o grupo armado próximo do ANC, que ele criara em 1961, depois do massacre de Sharpeville. O MK (Umkhonto we Sizwe, Lança de uma Nação) contou com enormes resistências do pacifista e líder histórico do ANC, Albert Luthuli, que já se tinha confrontado com Mandela, ao defender o ingresso de não negros no ANC, que aconteceria em 1954, através do Congresso do Povo. Foi também Mandela o obreiro da aliança que dura até hoje com Partido Comunista da África do Sul, importante para conquistar apoios do bloco socialista. E conseguiu algum, no plano financeiro, político e militar.
A opção de Mandela pela luta armada não resultou duma posição de principio ou dum temperamento bélico, assim como não foi uma posição de principio ou um temperamento conciliador que justificaram sua posterior política de apaziguamento. Foi por puro pragmatismo, ao perceber que o regime e as potências ocidentais seriam insensíveis à via pacifica de resistência, durante uma guerra fria que o deixava a ele do "lado errado da história" e fazia do regime do Apartheid um mal menor para uns EUA, eles próprios com pouca sensibilidade para temas como a igualdade racial. Por isso, aceitou que a guerra civil, sendo indesejada, poderia vir a ser inevitável. E que teria como aliados internacionais aqueles que estavam dispostos a sê-lo.
Depois de 27 anos de prisão, Mandela não se deixou cegar pelo rancor, que aparentemente desconhecia. Essa é talvez a sua mais admirável qualidade humana. Mas seria bom não simplificar estas coisas. Não é apenas por um espírito vingativo que as mudanças nas sociedades degeneram em violência. Nem por descontrolo ou falta de visão. É também, e quem o escreve é um pacifista, porque a paz, e não apenas a guerra, tem um preço. Se assim não fosse, não encontraríamos um homem bom e justo com uma arma na mão. E história está cheia deles.
Por causa da escolha da via do apaziguamento e reconciliação (apenas possível porque a queda do muro de Berlim tornava Mandela aceitável aos olhos do ocidente), o fim do apartheid não correspondeu ao fim da segregação social, da miséria, da violência, da criminalidade e da desigualdade extrema. Na realidade, pouco as atenuou. Porque aceitar que a estrutura social não se alterava radicalmente era a única forma de impedir uma reação da minoria branca. E era a única forma de travar as aspirações de milhões de negros, apenas alcançáveis, pelo menos numa geração, por uma autêntica revolução social necessariamente violenta. Só a autoridade histórica de Mandela, que nascia da sua luta, dos anos de prisão e da sua radicalidade - e não de ser um velhinho bondoso -, podia travar as alas mais radicais do ANC (de que ele fizera parte). Muitos elogios ao espírito de reconciliação de Mandela ignoram que para haver reconciliação é preciso ter havido luta. Só negoceia quem combateu. Só modera quem teve a coragem de ser radical quando a realidade contra a qual lutava era radicalmente injusta. E que autoridade de Mandela para, aos olhos dos que então se libertavam do apartheid, ser o pai dessa reconciliação eram as suas credenciais de vigoroso combatente.
A verdade é que o apaziguamento implicou cedências, e o preço foi bem alto: não se rompeu com a injustiça social do passado. Não digo que tenha sido errado. Parece-me mesmo que era a única solução sensata. Mas preferia que não se reduzisse esta escolha tremenda às qualidades humanas de quem sabe perdoar. Esta capacidade é necessária, mas não é suficiente nem prevalece sobre tudo o resto. Mandela fez, antes de tudo, uma escolha política que, sendo na minha opinião acertada, teve grandes custos e era pelo menos discutível.
E estas escolhas tiveram também um preço político. Só era possível manter este rumo com um ANC coeso, sob a batuta moral e simbólica de Mandela, que foi apadrinhando as sucessivas lideranças, sem grande intervenção nas suas escolhas fundamentais. Graças a essa tutela de Mandela, o ANC manteve, de facto, o peso que antes tinha, com raras dissidências que acabaram por se revelar pouco relevantes. O resultado foi que à ditadura do apartheid sucedeu um sistema partidário em que apenas um partido ambiciona a vitória e onde tudo se decide nas suas violentas lutas intestinas. E isso contribuiu de forma decisiva para que permanecessem os níveis de corrupção que o ANC não só não combateu como deles se alimentou e que salpicam de lama quase todos as principais figuras da organização. À velha elite branca juntou-se uma elite negra que orbita em torno do ANC e que dele se serve.
Sobre esta transição, aconselho vivamente um documentário de Jihan El-Tahri (trailer no início). A realizadora libanesa é autora de outros documentários sobre o envolvimento cubano em África - demasiado simpático para Havana, na minha opinião - e um excelente trabalho sobre a Arábia Saudita. Em "Behind the Rainbow", El-Tahri, que parece ter simpatia por Mandela, abandona as imagens românticas e faz uma análise política rigorosa da África do Sul e da história do ANC. São relatados os conflitos e tensões no interior do ANC, mesmo antes da prisão de Mandela. Conflitos que acabariam por desaguar, mais recentemente, na vitória de Jacob Zuma, que era visto como um "radical" dentro do movimento.
O filme é denso, contraditório e sem respostas fechadas. Tudo ao contrário do enjoativos panegíricos que tenho lido sobre Mandela. É que nenhum panegirico é merecido, porque reduz o homenageado à sua própria caricatura. Jihan El-Tahri faz o esforço contrário. Não sei mesmo se não se torna, na vontade de ser rigorosa, demasiado severa com Mandela, que quase acusa de demissão na fase de consolidação da democracia, entregando de forma acrítica o poder a um Thabo Mbeki, tratado, com toda a justiça, como o padrinho da nova elite negra, que não parece ser mais sensível ao sofrimento dos sul-africanos mais pobres do que era a elite branca.
Justa ou injusta, a realizadora contraria um olhar sobre a África do Sul que se fica sempre pela questão racial e pelo risco de guerra civil. Recorda-nos que, como em todo o lado, há outras esferas do confronto político. Começando pelo esfera social, onde os mesmos debates que aqui temos são centrais: desigualdade, distribuição da riqueza, direitos sociais, papel do Estado e do mercado. Isto num país que vive numa desigualdade extrema. E a diferença entre um político e um líder religioso, é que o político, tendo de lidar com estas escolhas práticas, nunca pode aspirar, se quer agir, à santidade.
Na África do Sul, porque a vida continuou depois do fim do sistema formal de segregação racial, quando o mundo suspirou de alivio por ali não ter havido um banho de sangue, algumas escolhas que Mandela fez, e outras tantas que não fez, foram determinantes. E quase todas esbarraram com o mais difícil de todos os dilemas políticos: devemos aceitar a desigualdade extrema para ter a paz ou temos a obrigação de escolher a guerra para conquistar a justiça? Resumir estas escolhas à bondade de um homem, despindo-o de todos os dilemas morais e cálculos políticos, é pura e simplesmente infantil.
Pode parecer o contrário com este texto, mas tenho por Mandela uma infinita admiração que não divido, na mesma dimensão, com nenhum político vivo. Mas ela baseia-se na paixão pela política, que tem sempre uma dimensão ética e moral, mas que nunca se fica por aí. Não no desprezo pela ação política, típico em quem procura santos e heróis românticos entre governantes. Mandela foi um homem bom e, pela sua combatividade e contenção, foi e será sempre um herói. Mas foi um herói político. Fez escolhas difíceis e discutíveis. No momento em que o ANC era frágil e não contava com o apoio do ocidente, escolheu a violência quando outros teriam preferido manter a linha pacifista. Quando o poder lhe estava quase nas mãos, escolheu o apaziguamento contra os que queriam correr todos os riscos para combater o legado social e económico do apartheid (e não apenas ou sobretudopara se vingarem), de que só uma pequena elite negra se viu livre.
As escolhas que fez tiveram muitas vantagens e grandes custos. Todos imaginam os rios de sangue e de ódio, tão comuns por aquelas e por outras paragens, se Mandela tivesse seguido o caminho oposto ao do apaziguamento. Mas também não podemos ignorar que o apaziguamento se pagou com uma interminável "guerra civil" de baixa intensidade, através do crime e da violência inerentes à desigualdade extrema. E na degradação moral de grande parte dos líderes do ANC (com Mandela de fora, como exemplo raramente seguido), mergulhados num sistema em que apenas uma pequena elite dirigente vive fora dum apartheid social ainda vigente.
O que interessa é saber que Mandela não foi uma estátua. Foi uma pomba e um falcão, foi um combatente, um negociador, um calculista e um pragmático. O que me custa, em quase tudo o que tenho lido e ouvido sobre ele, é o assassinato da sua vida e da sua história. Como se a política se resumisse à escolha entre o bem e o mal. Como se Mandela tivesse sido apenas um homem bom. Ao contrário do que pensam os cínicos, há muitos homens bons no mundo. O que é raro é, como Mandela, terem a coragem de dispensar a santidade e preferirem a política, esse mundo "sujo" repleto de escolhas perigosas e gestos calculados."

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Vão-se os anéis e os dedos

terça-feira, 3 de dezembro de 2013 0
Entregar os Estaleiros Navais de Viana do Castelo a uma empresa falida é no mínimo estranho, não pondo em causa a legalidade do processo, é uma decisão que poderá ser a médio prazo irresponsável e reveladora da falta de estratégia a que infelizmente já nos habituaram.
Crato volta atrás e por causa da contestação, mais de 25 mil professores já não vão a exame. Um exame limitativo do acesso à profissão e portanto a roçar a inconstitucionalidade, semelhante ao exame que Marinho e Pinto tentou impor aos licenciados em Direito para acesso à Ordem dos Advogados.
Entretanto continua o desmantelamento do Estado e do sector público com a venda a retalho dos CTT, mais uma empresa lucrativa desbaratada e vendida por causa das metas do défice e da obsessão deste governo. Por duas razões, a vingança ideológica contra o sector público e a sua regulação e a incapacidade de baixar o défice e a dívida, que não seja em cortes nas pensões e reformas cegos e fáceis, aumento de impostos, baixa de salários e privatizações. Vão-se os anéis mas os dedos são amputados à razão de 10.000 por mês, pessoas bem entendido, forçadas a emigrar.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Um país que persiste e insiste

sexta-feira, 22 de novembro de 2013 0
A degradação da política e dos seus valores resulta quase sempre da actuação dos seus intérpretes. Os limites da decência e da vergonha não conhecem, por estes dias, fronteiras nem linhas vermelhas. O relatório da Comissão Europeia sobre os resultados da 8ª e 9ª avaliações faz referência de forma inaceitável e depreciativa a decisões do Tribunal Constitucional de Portugal, um país independente e soberano, que tem instituições soberanas e onde impera o princípio da separação de poderes, entre muitos outros, garantidos, felizmente, por uma Constituição. Mas contém ainda conjeturas acerca da forma como o TC deverá agir e decidir, pressionando levianamente uma instituição democrática, independente e soberana, nunca é demais repetir. A chantagem dos agiotas, venham de Bruxelas, do FMI ou da Alemanha tem como único objectivo garantir que os credores recebem o seu dinheiro, com juros a contento, marimbando-se para o país, para as pessoas e para a economia. Veja-se como a Alemanha tem um superavit de 7%, com medidas restritivas de importações, violando os tratados, a confiança, a solidariedade e a cooperação da UE.
Durão Barroso, o empregado de mesa na célebre reunião da base das Lajes, que 'legitimou' a invasão do Iraque, foi pago e promovido a empregado de mesa da Alemanha, e como sempre passou a mão no lombo de Merkel. Cá dentro, Passos Coelho, Cavaco e seguidores, correlegionários bafientos, de cuspe sempre pronto para lamber sapatos, comem e calam, em silêncio, sem qualquer laivo de dignidade ou de responsabilidade institucional de defesa da soberania de um povo que os elegeu para representar as suas instituições e a sua identidade. Aos sermões humilhantes de burocratas de corredor, baixam as orelhas como os alunos impotentes que querem ser bons mas que são limitados à única causa que conhecem: arranjar um caminho alternativo de subjugação e bajulação. O governo que sistematicamente provoca o TC e teima em legislar contra a lei é um governo que está de má-fé. O governo que canta em coro, com toda a complacência, a música que se toca lá fora é um governo de lesa-pátria. Um Presidente da República que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição e se põe com especulações de custo-benefício não está a desempenhar as suas funções com rigor. O enxovalho só conhece travão se ofenderem o Ronaldo e o futebol. E não, nunca vi ninguém comentar os Tribunais ou as Constituições de outros países, em particular da Alemanha, e que já tomou medidas no passado de grande impacto na UE.
Ontem, na Aula Magna, uma reunião em nome da defesa da Constituição, da democracia e do Estado Social contrastou com uma reunião de desobediência civil por parte das... polícias.
Quanto à primeira, Mário Soares, apesar de demonstrar alguma fraqueza própria da idade, um tanto ou quanto desbocado, nomeadamente quanto ao uso de expressões que quase incitam à violência, faz mais pelo país numa noite que Seguro num mês inteiro de total ausência de ideias.
Faz sentido uma reunião de esquerdas (que não foi exclusivamente das esquerdas) em defesa da CRP, da democracia e do Estado Social? Quando se abalam as fundações do edifício que é o garante da democracia em Portugal, quando se pressiona de uma forma inqualificável um Tribunal, órgão de soberania do nosso país e bastião da defesa da Lei Fundamental, de direitos, liberdades e garantias; quando o princípio da confiança não se pode aplicar aos cortes nos salários, nas pensões e nas reformas mas já se pode aplicar aos contratos privados da energia, das privatizações e das PPP´s, então sim faz todo o sentido.
Quanto aos polícias, é caso para perguntar: quem guarda os guardas? Factualmente os agentes de segurança violaram um cordão de segurança, de facto houve uma desobediência por parte das polícias, e isso, comparando com outros cidadãos que ali se manifestaram e foram alvo de cargas policiais, é injusto e discriminatório. No entanto, registo com agrado, tanto nas escadarias da AR como na Aula Magna um país que persiste e insiste em defender os seus direitos, as suas garantias, as suas instituições, os seus tribunais, ainda que com algum excesso de liberdade. Mas dessas e doutras liberdades tratamos nós, nas nossas instituições. No Brasil, país emergente, as manifestações são pela exigência de mais Estado Social, aqui são pela sua defesa e manutenção. Já agora vale a pena pensar nisto.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Sangue, suor e lágrimas

sexta-feira, 15 de novembro de 2013 0
É oficial! Portugal saiu da recessão. A espiral recessiva acabou, o PIB cresce há dois trimestres consecutivos, as exportações batem recordes. O Ronaldo marcou à Suécia. O sol brilha. O país rejubila de satisfação. Nem segundo resgate, nem programa cautelar.
Temos que continuar a trilhar o caminho do bom aluno. Flexibilizar o trabalho, baixar os salários, despedir a função pública, principalmente esses professores todos que teem a mania que querem emprego. Nem que para isso se invente um exame, e, humilhação das humilhações, pago por eles.
Há que extinguir tribunais, estações de correios e repartições de finanças. Acabar com a escola pública, com os hospitais e pode ser que assim as pessoas emigrem e até a taxa de desemprego desça. Com o OE para 2014, cortando nas pensões, reformas, salários e em tudo o que mexa e seja público, pode ser que o PIB cresça quase 0,5%. E aí sim, a vitória do capital sobre o trabalho será total. A vingança será consumada e finalmente o Estado, social e não só, será reduzido à sua insignificância. O novo paradigma será enfim uma realidade. Afinal os países não precisam de pessoas para nada. É retirar-lhes a esperança e toda a migalha que se atirar será vista como uma benesse dos céus. Para completar o ramalhete só falta mesmo alterar a Constituição, esse chorrilho de direitos, liberdades e garantias que coarta toda a governação dos homens bem intencionados.
0,2 % de crescimento do PIB é ainda assim melhor que nada. Pena é que seja pago com sangue, suor e lágrimas. Keep calm, 2014 vai ser pior...

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A cara e a careta

sexta-feira, 8 de novembro de 2013 0
Congratular-se com a ténue descida da taxa de desemprego sem considerar o aumento sazonal, e como tal temporário, de empregabilidade e a descida abrupta da população residente por causa da debandada de emigração, com números semelhantes aos anos 60, é um exercício bacoco de aproveitamento demagógico e sobretudo falso.
Aliás, já nos habituámos ao constante martelar dos números, até os próprios chorarem de vergonha. Considerar a taxa de desemprego, ignorando todos os outros factores não deixa de ser uma falsidade e uma manipulação estatística.
Poiares Maduro tem tiques de Relvas e insiste em dizer que o pior já passou e pelos vistos o governo tem em Margarida Rebelo Pinto e em D. José Policarpo seguidores de grande gabarito. Aquele acaso em que a cara dá com a careta.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A FIFA no seu melhor

quarta-feira, 30 de outubro de 2013 0
Será só impressão minha ou Blatter estava, em plena universidade de Oxford, alcoolicamente bem disposto, inebriado pela sua própria representação, resumindo, completamente bêbado...
Ronaldos à parte, não fora a forma injusta e ridícula como o distingue de Messi para justificar a sua preferência, o vídeo é hilariante, e bem podia ter acontecido à saída de um qualquer bar...



sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A alternativa impõe-se

sexta-feira, 25 de outubro de 2013 0
Uma constipação, por mais ligeira que seja, deixa-me sempre incapacitado, e sobretudo irritado por me sentir incapacitado, e assim por diante numa espiral recessiva e viciosa. A minha mulher costuma dizer-me que se tivesse que parir não tinha filhos. Tem razão. Mas não há nada a fazer. Tirei o dia de quarta-feira para curar toda uma ressaca de ranho e de nojo. Não contente, resolvi assistir em directo ao debate quinzenal com o primeiro Ministro na AR. Enquanto assoava o nariz de 2 em 2 minutos, montando inadvertidamente um castelo de lenços virulentos, registei algo irritado e amiúde as desconcertantes e confrangedoras intervenções de Seguro. Obviamente que se discutia o Orçamento de Estado para 2014. O maior atentado aos cidadãos portugueses de que há memória impunha uma oposição determinada e sobretudo consistente. Mantendo o 'brutal' aumento de impostos feito em 2013 o Orçamento para 2014 acrescenta ainda o aumento de imposto para veículos a gasóleo e no IMI. Mas principalmente o que está em questão são os cortes em salários e pensões. Desta vez a partir de uns inimagináveis 600 euros. Sempre aos funcionários públicos e aos pensionistas. Onde é mais fácil. Quando o TC chumbar algumas destas medidas, e não vale a pena hostilizar o TC, porque assim vai acontecer, outra vez, o plano 'B' do governo será o aumento de impostos. Até ao momento o governo tenta vender o 'brutal' corte na despesa. Posto como inevitável, esquecem até que um dos principais responsáveis pelos chumbos do TC até é, imagine-se, o próprio PR. Sim, Cavaco, tem alimentado consistentemente as dúvidas que envia a posteriori para o TC. O único erro é não o fazer numa fase preventiva.
Mas voltando ao debate, Seguro bem tentou fazer de forma directa e limitativa, perguntas de uma só resposta, a que Passos Coelho respondeu conforme quis, tendo até a veleidade de afirmar que a reforma do Estado começou há dois anos e meio, distinguindo de forma abusiva reforma e guião, aquele que Portas terá em mãos indefinidamente e irrevogavelmente. Atreveu-se ainda, de forma descontraída e totalmente despudorada a fazer alusões e acusações ao governo anterior, sem que Seguro, pouco seguro e confortável, receando o nome que estava por detrás, tivesse o ânimo de o confrontar com o chumbo de lesa-pátria e falacioso do PEC IV, sem o confrontar com as promessas demagógicas e de má-fé que se sucederam à consequente queda do governo de Sócrates. Passos Coelho chegou a afirmar que não sabia o que sucederia a Portugal num futuro próximo, menosprezando um possível programa cautelar, que como não quer explicar, mantém a aplicação das mesmas medidas de austeridade, apenas com a ajuda 'assistida' da tão ansiada ida ao mercado. À pergunta de Seguro sobre o falhanço do défice, o primeiro Ministro ardilosamente referiu-se ao défice primário, ignorando o que estava em questão, e que são as metas do défice orçamental. Seguro deixou que assim ficasse e manteve a sua linha de ataque pessoalizado, sem fundo e vulgar, num discurso martelado como se tivesse sido memorizado. As respostas e perguntas memorizadas de Seguro não tiveram assim margem de manobra e golpe de cintura para contornar a estratégia de contra-ataque de Passos Coelho. A prova disso é que ao desafio de Passos para que a oposição nomeasse algumas medidas alternativas, Seguro refugiou-se e remeteu para um alegado documento que já teria enviado ao primeiro Ministro. Passos ripostou de imediato dizendo que não o conhecia e que nunca lhe foi entregue, e que as medidas que conhecia só aumentavam despesa. A resposta óbvia de quem não quer discutir coisa nenhuma. O problema foi que Seguro não nomeou uma única medida alternativa, nem desmentiu a teoria. Para quem não as conhece, fica com a dúvida de que assim será. Pelo menos a descida do IVA na restauração era óbvia, a tal que Pires de Lima e Portas não conseguiram aplicar por suposta imposição da troika, e que se sabe ser uma falácia imposta por Maria Luís Albuquerque.
Após tanto ranho, percebi porque é que o PS não tem maioria nas sondagens, assistindo-se até à quebra de intenção de voto. É porque o país não vê em Seguro uma alternativa.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Parceria estratégica? Com quem?

quarta-feira, 16 de outubro de 2013 0
O governo de Angola é muito mal agradecido. Então não é que ao pedido de desculpas de Machete respondem com o fim da parceria estratégica com Portugal? Pois sim senhor ministro Rui Machete. É costume dizer-se em bom português 'quanto mais te baixas, mais se te vê o cu'...
Bem sei, que o dinheirinho angolano, assim como o chinês faz muita falta. Mas a que preço? Provavelmente ao preço de um BPN...
Quem é que no seu perfeito juízo, ainda para mais com as responsabilidades de um ministro dos Negócios Estrangeiros, tem a veleidade e a ligeireza de pedir desculpas a Angola porque os tribunais do seu país (Portugal) estão a funcionar? Porque há razões para desconfiar que altos quadros angolanos andam a lavar dinheiro em Portugal, diga-se de uma vez por todas, alto e bom som. Vou pôr a negrito para se perceber melhor.
Portugal não faz questão de lavar dinheiro sujo de Angola, assente na escravatura, violação de direitos humanos e numa ditadura muito bem paga com petróleo e diamantes de sangue!!!
Em que o as cúpulas do poder são milionárias, e o povo não tem estradas, saúde nem educação. Já nem sequer falo em rede de saneamento básico, comida e janelas nas casas (sim, a população mais pobre vive em prédios/casas em ruínas e sem janelas). País onde cada vez que chove mais que o previsto morrem centenas de pessoas afogadas e arrastadas pela enxurrada de lixo e de lama.
Ñão! Não queremos o vosso dinheiro e não queremos parceria nenhuma com um país assim, e principalmente com as pessoas que o governam!
Quanto ao senhor ministro, houve quem se demitisse por bem menos, mas já sabemos como anda a moral e a integridade deste governo. Simplesmente não existe...

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

CHEGA!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013 0
Após ouvir Passos Coelho congratulo-me com o facto de a RTP ter abdicado de transmitir a entrevista em plena campanha eleitoral para as eleições autárquicas. Passo a explicar. É que o formato do programa permitiu ao primeiro Ministro fugir a quase todas as questões, dando até a imagem de alguma empatia com o público, e abdicando de qualquer comentário quando confrontado com as suas próprias incongruências, nomeadamente no que concerne ás falsas promessas que o levaram ao poder. Deu até para Passos Coelho se arvorar em salvador da pátria, dizendo que se a sua missão falhar, falha o país. Como se o país se resumisse nele. O tom paternalista do líder que responde aos súbditos sem direito a contraponto favorecem a dimensão demagógica de quem diz aquilo que quer dizer.
Resumindo, o programa é interessante, mas não serve para confrontar o primeiro Ministro com a real repercussão da sua política de terra queimada. Serviu ainda assim para o ouvirmos dizer quase entrelinhas que haverá um segundo orçamento rectificativo e que o empobrecimento dos portugueses é para continuar. A sério? E a classe média é que paga? A sério? E a banca? E a Madeira e os b(r)oches? Por falar nisso, há um novo mito urbano que diz que os alemães pagam as dívidas dos outros e tal e tal. Os alemães não pagam nada! Emprestam dinheiro, que lhes será devolvido com juros, e aproveitam a austeridade que impõem e defendem para se financiar a custo zero e até com juros negativos!!!
Assim, nesta esteira, ninguém confrontou Passos Coelho, com os cortes de pensões e salários, que sinceramente, já nem sei onde são e qual a sua dimensão. Mais de 600 euros, 10%, 5%, líquido, bruto, de sobrevivência, de viuvez, salários ou reformas. O guião que Portas prepara há 7 meses e que nunca sairá das 3 páginas escritas do seu bloco de notas vai agora ser aplicado no próximo Orçamento, e que cujos contornos só serão conhecidos na totalidade para a semana. Entretanto, as notícias vão saindo a conta-gotas sem qualquer explicação razoável e sem se saber ao certo as suas implicações e motivações. Num estrebucho de abano de consciências tentam tapar-nos os olhos com o corte de 15% nas subvenções vitalícias de ex-políticos. A título de exemplo, para quem recebe 600 euros e sofre um corte de 60 euros faz mossa. Para quem recebe 5000 euros e sofre um corte de 750 euros  fica com uns míseros 4250 euros para 'sobreviver'. Depois temos, as inconstitucionalidades do costume, carreiras e descontos contributivos, sobrevivência, pensões e desigualdades.
Assim sendo, e enquanto esperamos pelos cortes nas valências dos tribunais do interior, aguardam-se com expectativa o fecho de estações dos CTT com a sua privatização e o fecho de repartições de finanças. Aproveito para informar que a medida de encerrar repartições de finanças consta do memorando assinado com a troika que prevê um corte de 50%. Mas a forma como se aplica é da responsabilidade do governo. Assim, encerrarão 3 repartições de finanças na área metropolitana de Lisboa e 70% no distrito de Vila Real. Igualdade, proporcionalidade, descentralização e desconcentração. Muito obrigado... Mais uma vez lamento que as novas medidas não fossem conhecidas antes das eleições autárquicas. Já sei que nas autárquicas se vota nas pessoas e no poder local, mas se não houvesse repercussão nacional, o PSD não teria a pior votação de sempre em eleições autárquicas e o PS não teria a melhor de sempre. Facto.
Aproxima-se o dia da manifestação na ponte 25 de Abril, e se chegar a efectivar-se pondero estar presente e apelarei à DESOBEDIÊNCIA CIVIL!!! É um direito previsto na Constituição! Estou disposto a discutir a sua aplicação em tribunal como arguido...

sábado, 5 de outubro de 2013

Machete

sábado, 5 de outubro de 2013 0
Rui Machete, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, é, em poucas semanas o novo 'Relvas' do governo. Após a mentira sobre as ações que detinha no BPN e na SLN, que não deu queixa crime porque a maioria parlamentar assim não quis, veio agora, num ato perfeitamente provinciano, pedir desculpa ao governo de Angola por causa de alegadas investigações a altos dirigentes daquele país africano.
Se pedir desculpa porque os nossos meios de investigação e os nossos tribunais funcionam, para todos, sejam eles quem forem, já era suficientemente grave, mais grave se torna a violação de vários princípios (constitucionais como não podia deixar de ser), entre eles o da separação de poderes, que como se sabe, é coisa que os angolanos não conhecem. A ditadura encapotada que rege Angola, resolveu lavar o seu dinheiro em Portugal. Em nome do investimento e do provincianismo tacanho, alicerçado no pedantismo, o governo português permite tudo, desde que caiam uns trocos a favor da redução do défice, e ainda que isso signifique vender o país a estrangeiros cujos valores assentam no respeito pelos direitos humanos e democráticos, como sejam a China e Angola. É por isso normal que num país nivelado pela mediocridade, angolanos e chineses, pensem que podem fazer como nos seus países, em que impera a corrupção e a desigualdade, e em que a liberdade de expressão e de imprensa simplesmente não existem e a justiça só é aplicável a quem tente contrariar o status quo. Aliás, neste momento a política que este governo prossegue e persegue já esteve mais longe de conseguir equiparar Portugal ao que de melhor se faz nos países nossos 'amigos investidores'. A memória é curta entre nós, mas lembro-me dos rios de tinta que correram com o 'escândalo' da venda de computadores à Venezuela (computadores! e não empresas).
Machete, é uma marioneta nas mãos de rapazolas insensíveis à pátria e aos valores do primado da lei e da constituição. É um oportunista, que depois de reformado, quer a todo o custo, pôr mais uma medalha ao peito. A medalha vai assentar-lhe mal no fato. É uma medalha verde e viscosa, vinda da expectoração mais nojenta que a política portuguesa cuspiu após o 25 de Abril...
Fazia falta o verdadeiro Machete para aliviar e esventrar toda a porcaria...

P.S.- Hoje é dia 5 de Outubro, mas como não houve bandeira hasteada ao contrário, e nem sequer é feriado, deixou de ser notícia. Assim vai a República...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Não foi V. Exa. que disse?...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013 0
Cavaco veio acusar políticos e comentadores de serem masoquistas quando se referem à insustentabilidade da dívida... mas espere Sr. Presidente! Não foi V. Exa. que disse o mesmo na mensagem de Ano Novo???

A ver a partir dos 2m50s...


Será Cavaco agora sádico?

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Autárquicas 2013 - Chaves

quinta-feira, 26 de setembro de 2013 0
Bem sei que as eleições autárquicas, como o próprio nome indica, dizem respeito à eleição dos órgãos das autarquias. Do poder político local. Freguesias, Assembleias Municipais e Câmaras Municipais. Mas é sempre indissociável desta realidade a conjuntura nacional. E essa, em abono da verdade, é muito pouco recomendável. Escuso-me neste momento a enunciar todas as vicissitudes, trapalhadas e atropelos da governação atual. Não existe, desde o 25 de Abril de 1974, governo tão incompetente e lesivo dos direitos e interesses dos cidadãos e do próprio Estado. É costume dizer-se por esta altura que necessário se torna mostrar um cartão amarelo ao governo e ao estado a que conduziu o país. Na óptica do utilizador é urgente mostrar um cartão vermelho directo por indecente e má figura! Se esse for o critério, dúvidas não restam... até porque toda a política do neoliberalismo de Passos se reflecte em maior ou menor grau nas pessoas e nos concelhos onde residem. A forma como o processo é gerido é que difere consoante o autarca que está ao leme dos destinos do seu concelho. Dois ou três exemplos emergem de imediato. Rui Rio no Porto tem as contas em dia, trabalho excepcional na actual conjuntura económico-financeira, mas tem a cidade a ruir, literalmente, a cultura não faz parte do seu léxico e a única 'obra' que se lhe conhece é a demolição de duas torres do bairro do Aleixo. Menezes do outro lado da ponte tem a câmara mais endividada do país, mas com obra feita. Costa em Lisboa conseguiu o pleno, contas equilibradas e gestão para e a favor dos seus residentes.
Analisarei agora em particular, Chaves, a minha cidade natal e escolha de uma vida, e que é gerida há doze anos pelo PSD.
Comecemos pelo princípio. O executivo camarário liderado por João Batista, tem no arquivo municipal e na biblioteca municipal as suas únicas bandeiras. O resto, bom o resto é mau de mais. Têm outra obra emblemática concretizada, as nossas Freiras. O projecto do Largo General Silveira (Freiras), cartão de visita da cidade, é sempre arma de arremesso entre as várias candidaturas. Facto: existia um projecto elaborado pelo executivo anterior do PS, mas a execução da obra foi responsabilidade e é obra do atual executivo. Está à vista de todos o 'buraco' e o lugarejo em que foi transformado o mais belo postal de Portugal e arredores.
Os arranjos das margens, jardins e espaços contíguos ao Tâmega, são obra de José Sócrates!, e do 'seu' programa 'POLIS', ao contrário do que muitos pensam, e do que outros querem fazer crer. Mas o rio, nossa identidade, continua sujo e abandonado.
O PSD de João Batista e António Cabeleira, o segundo, candidato ao lugar do primeiro, que por sua vez se candidata a Presidente da Assembleia Municipal, (eu sei é confuso), prometeu, nos vários atos eleitorais a que concorreu, obras mediáticas, megalómanas e até pouco sérias, como sejam as piscinas olímpicas, o pavilhão multiusos com capacidade para não sei quantos milhares de pessoas e uma zona desportiva única no país, com direito a construção de um novo estádio, e tudo, e tudo. Pois...
A cultura ficou confinada às bandas do concelho, que atuam na Feira dos Santos e no dia da cidade, que por sua vez se resume a uma pequena cerimónia protocolar, sem mais nada que o recomende, e a uma 'invenção' maneirinha de uma pseudo-eurocidade sem qualquer retorno, que não seja a normal interação de populações transfronteiriças.
E por falar em Feira dos Santos. Alguém me consegue dizer qual é a diferença entre a feira que se realiza semanalmente à quarta-feira e a Feira dos Santos? Eu só encontro uma diferença. Nos dias da realização da Feira dos Santos, a feira semanal é um 'estenderete' alargado a mais umas quantas ruas da cidade, num caos desorganizado, sempre da mesma maneira. O que muda são as diversões, que nunca ninguém sabe onde estão localizadas. É, por assim dizer, uma feira grande.
Os produtos da região, o presunto, o folar, o pastel, a batata, entre outros, são espécies desprotegidas e em vias de extinção, pelo menos em Chaves. As tentativas inócuas de organizar certames de divulgação dos nossos produtos endógenos são sempre mal organizadas, nada divulgadas e muito pouco procuradas, por isso mesmo. A constante mudança do nome também não ajudará. Há pouco tempo descobriram que Chaves já foi uma importante cidade romana, e organizaram, (nem sei se esta é a expressão mais correta) à pressão, uma intitulada Feira dos Povos, como se houvesse mais algum que não o Romano que melhor nos identifique. É que os Celtas não construíram a Ponte, as Termas e o Balneário... Enfim...
E as contas? Pois bem, a autarquia de Chaves investiu milhões de euros numa plataforma logística, que está, digamos de forma mais 'soft', às moscas. Abandono é uma expressão pouco assertiva para conseguir classificar o estado da coisa. Coisa pública... Se o objectivo era preservar ervas daninhas, então, parabéns! Se o objectivo era criar emprego, fixar pessoas e empresas, oferecendo condições de exceção na cidade linda deste nosso Portugal.., ora bolas... fica para uma outra oportunidade.
E então que dizer da grande obra que foi a construção do acesso da A-24 ao centro da cidade. Grandes avenidas, com duas faixas de rodagem para cada lado... e que depois desemboca num caminho em que o alcatrão é a exceção e em que dois automóveis se cruzam com grande dificuldade. São as boas vindas à Eurocidade, a grande metrópole do Alto Tâmega idealizada por um executivo que tem um arquiteto como vice-presidente.
Mas há mais. E que tal 250 mil euros atribuídos a uma associação chamada 'A Voz da Juventude', em que a juventude tem como única atribuição ser militante da JSD, com direito a uma sede cujo prédio, alvo de recente reconstrução e ampliação, custou ao erário da autarquia 1 milhão de euros? Porquê, com que fundamento, quem?
E mais. Várias indemnizações foram pagas a construtores e empreiteiros, quase 1 milhão de euros, porque a Câmara Municipal adjudicou a obra e depois não teve dinheiro para as levar a efeito.
E que tal 50 milhões de euros de dívida para uma autarquia da dimensão da de Chaves. E mais de 6% de perda de população ainda antes da crise nos atingir, por falta de políticas de fixação de pessoas, de juventude, desporto e educação.
Não espanta portanto, que dos 308 municípios existentes em Portugal, Chaves seja um dos 50 que teve de recorrer ao PAEL (Programa de Apoio à Economia Local). Eu troco por miúdos, imaginem que Chaves é Portugal e o Estado e o governo são a troika. Chaves teve que recorrer à ajuda externa, neste caso, interna, porque o executivo do PSD pôs o concelho na falência. Sem obra que se veja...
Mais ainda, metade das freguesias do concelho teem os protocolos com a Câmara Municipal por cumprir, já com ações em Tribunal por parte dos particulares a quem devem, porque o executivo desta autarquia não honrou os seus compromissos. Porque a gestão foi ruinosa e está a arruinar o concelho e as suas gentes. Tem uma dívida de curto prazo asfixiante e que asfixia as empresas aqui sediadas, que dependem, como se sabe, do investimento público, inexistente ou em dívida.
Não chega? Há mais. Deixaram cair por inércia e incompetência, as valências e a classificação do hospital. Culpa do governo Sócrates? Se bem me lembro, a única valência que perdemos então foi a obstetrícia, entretanto já foram, com o atual governo em funções, mais algumas e as urgências estiveram por um fio. A falta de poder argumentativo e de reivindicação do executivo municipal é gritante. Não quero afirmar que seja porque simplesmente se estão borrifando, mas numa escala, deve vir no verbo a seguir. Que é feito da proposta aprovada em Assembleia Municipal e na Assembleia da República acerca da Unidade Local de Saúde tão apregoada e desejada? Agora o governo é da mesma cor. Porque é que a deixaram cair? Por inércia e incompetência!
E o tribunal? Também desclassificado e com perda de valências. De quem é a responsabilidade pela total ausência de ação e de interesse, numa questão que tanto vai custar aos Flavienses? Também é do governo, mas o executivo camarário do PSD ignorou e ignora por completo o assunto. Não se consegue perceber. Ou então a explicação mais simples é a que se aplica, não querem saber, não se informam e não se mexem!!!
Também é costume neste tipo de eleições, dizer-se que se vota nas pessoas e não nos partidos. Mas também necessariamente, é preciso analisar a atuação das pessoas. Principalmente, quando são as mesmas que também são responsáveis pelo marasmo, pelo descalabro e pelo definhamento de todo um concelho que era suposto liderar o Alto Tâmega. António Cabeleira disse em recente entrevista que "não era necessário mudar nada. É só dar continuidade ao projeto anterior". Mais valia seguir o ensinamento do seu presidente de partido e aconselhar as pessoas a emigrar, porque salta à vista que a continuidade é a rotura total e a falência da possibilidade de um futuro no concelho de Chaves.
Passemos finalmente ao MAI (Movimento Autárquico Independente). Liderado por um dissidente 'dinossauro', boçal e ignorante, quer o que sempre quis. Desde que há democracia em Portugal sempre soube fazer o que fez e faz: caciqueirsimo e politiquice de tasca. Continua em funções, eleito pelo PSD local como presidente da junta da freguesia de Santa Maria Maior, e desdiz e contradiz, tudo o que e que para que, também contribuiu, numa candidatura revanchista e tudo menos independente. Apoiado por outros tantos dissidentes, carneirinhos obedientes e esperançosos numa vingança de tira-tacho ao amigo, transformado em arqui-inimigo. O MAI, embelezado por umas figuras que até há pouco tempo lambiam botas nos partidos, surge agora como o movimento anti-político. Pena é que muito boa gente se tenha deixado enganar, inebriados por algum mediatismo assente numa campanha despesista, a léguas dos orçamentos dos partidos que tanto odeiam, com direito a autocarro personalizado e tudo. Não enxergam que a populaça em tempos de crise e de fome, já não aprecia o show-off, a encenação. Não passam de caricaturas dos próprios partidos que dizem desprezar.
O único partido e tendência sem qualquer responsabilidade na gestão danosa do concelho de Chaves, e o único que não apresenta uma solução de continuidade, apostando nas pessoas e no desenvolvimento sustentado de toda uma região é o PS liderado por Paula Barros. Para recuperar a esperança.

Errar é próprio do homem. Persistir no erro é próprio dos loucos. (Cicero)
 
◄ Free Blogger Templates by The Blog Templates | Design by Pocket