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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Já não há paciência

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012 0

"PIEGAS É A TUA TIA, PÁ!!!"


Nota: João Jardim vai dar tolerância de ponto no Carnaval... o que Passos Coelho diz, cada vez mais, cai em saco-roto...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Desconcertação social

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 0
1- João Proença, líder da UGT, diz que assinou o acordo mais penalizador de sempre para os trabalhadores em Portugal, porque foi ameaçado pelo governo e persuadido por activistas da CGTP, que por sua vez abandonou as negociações. Várias associações sindicais pertencentes à central sindical que João Proença 'lidera' vieram dizer que não se revêem na posição assumida por este.  A meia hora de trabalho extra que o governo deixou cair, foi claramente uma subtileza negocial de pedir o impossível e aceitar o pretendido. João Proença não se apercebeu. Não foi enganado, foi incompetente. É sempre de desconfiar de sindicalistas de carreira, retrógados e acomodados. Que protegem o próprio 'emprego' em vez de proteger o dos outros, como era suposto. Os patrões estão felizes e isso resume tudo.
Passos Coelho veio, claro está, congratular-se com o alcançar de mais um objectivo da sua agenda neo-liberal. Mas, com uma ressalva, meteu Cavaco ao barulho ao anunciar a sua discreta participação no 'negócio'. Assim como uma criança que é apanhada na traquinice, e imediatamente, quando questionada, acusa logo 'não fui só eu!'. Tem, no entanto, um mérito, conseguiu dividir para reinar.
Agora é que a competividade e o emprego vão finalmente entrar nos eixos. Para além de ser altamente improvável, será feito á custa dos trabalhadores. Mais incerteza, mais desconfiança, menos direitos, mais desigualdade, com a consequente maior subjectividade e discricionariedade para os patrões e a baixa acentuada dos salários e indemnizações por despedimento, até chegar a um nível mais ou menos chinês, se calhar com contratados chineses. Portugal sem portugueses é bem mais fácil de governar. Emigrem portanto. Pormenores sem importância para quem vive de reformas acumuladas com direitos adquiridos.

2- O novo PS de conflitos e oportunismos, com falta de liderança mais que óbvia, e onde uns poucos ressabiados pouco democratas decidiram pedir a fiscalização sucessiva no Tribunal Constitucional das medidas do governo de cortes dos subsídios, assim como uma espécie de solidariedade pouco solidária com o Banco de Portugal e a CGD. E as medidas podem até ser declaradas inconstitucionais, mas o PS, com ou sem declarações de voto, viabilizou o Orçamento de Estado que as instituiu. Basta atentar nos nomes dos subscritores: Alberto Martins, Paulo Campos, o grande estadista e livre pensador José Lello, entre outros, e todo o grupo parlamentar do BE. 

domingo, 18 de dezembro de 2011

Emigrar para a Rússia

domingo, 18 de dezembro de 2011 0
A Rússia continua a ser gerida por caciques e senhores feudais, numa promiscuidade entre política e interesses económicos; uma rede de governadores regionais, comités em escolas e fábricas para controlar os trabalhadores, ao melhor estilo do pior que havia no auge do comunismo. Se aliarmos a isto, milhares de relatos de fraude eleitoral nas últimas eleições, sempre em benefício do partido do poder de Putin, o Rússia Unida, e uma  corrupção a toda a escala das empresas estatais dominadas por 'boys' nomeados, marionetas de Putin, podemos afirmar que a Rússia continua com vícios antigos, e que de democracia apenas tem o nome. Se outra coisa não o denunciasse, a dança de cadeiras entre o primeiro-ministro Medvedev e o presidente Putin, que em última análise permitirá a este manter-se no poder por mais 12 anos, não deixa margem para dúvidas da falta de transparência e corrosão do sistema. O populismo de Putin, sempre perigoso, ao nível de outros que por aí grassam e prosperam, chega ao cúmulo de pôr em causa o tratado de redução de armas estratégicas assinado com os EUA, numa lógica nacionalista de angariação de votos.
No nosso país, que ainda é uma democracia (last time i checked), Passos Coelho aconselhou os docentes desempregados a emigrar, porque este país não é para velhos, nem para novos, nem para reformados, e muito menos para desempregados... Se Sócrates pintava o país de rosa, o actual primeiro-ministro apunhala-o pelas costas sempre que pode... Já agora aproveita-se o embalo e deportam-se os restantes desempregados, trabalhadores precários, beneficiários do SNS e do RSI, as putas e os reclusos, os imigrantes e todos os que não dão jeitinho nenhum... para a Rússia talvez Sr. primeiro-ministro?


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

5 à Sec

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011 0
Afinal os 2 mil milhões de euros que Passos Coelho diz ter 'a mais' vêm do fundo de pensões da banca e servirá para pagar dívidas do SNS... Será?
Afinal o estripador de Lisboa diz que não é o estripador de Lisboa, segundo uma investigação jornalística à investigação jornalística, tudo não passou de uma brincadeira... Será?
Afinal havia agentes da PSP infiltrados na manifestação de 24 de Novembro com o intuito de provocar quem lá estava pacificamente. O director nacional da PSP diz que ainda vamos ver pior, ao estilo de um Estado policial de outras épocas... Será?
Afinal Duarte Lima também tem negócios obscuros de milhões de euros com o BPN, para 'matar' saudades de Dias Loureiro e companhia ilimitada... Será?
Afinal a família de Sócrates tem um offshore que movimenta milhões de euros... Será?
Afinal a TAP foi considerada a melhor companhia aérea da Europa, por isso é que nos queremos ver livres dela, vendendo os anéis e cortando os dedos... Será?
Afinal Américo Amorim, um simples trabalhador, deve ao fisco 750 mil euros, em viagens dos netos, massagens e cintos de crocodilo, que por 'lapso' foram debitadas na Amorim Holding 2... Será?

Conheço uma empresa (passo a publicidade) que talvez ajudasse na 'roupa suja'...


domingo, 4 de dezembro de 2011

A Europa da austeridade

domingo, 4 de dezembro de 2011 0
Mais um Conselho Europeu marcado para o próximo fim de semana. Desta vez, e após as recentes declarações de Merkel estamos perante a iminência de uma união fiscal total.
Portugal teria muito mais a ganhar com a emissão imediata dos 'eurobonds' ou com a transformação do BCE num banco central normal. Ambas as medidas ajudariam num mais rápido e eficaz combate à crise da dívida soberana. Enquanto ela for soberana. A alavancagem daí resultante permitiria que a nossa, como outras dívidas pudessem ser protegidas dos ataques externos dos mercados mais pessimistas e impacientes, por assim dizer. A emissão de moeda por um banco central europeu, ou a emissão de títulos de dívida subscritos por todos os membros do euro permitiria refrear qualquer especulação e credibilizar uma moeda catatónica, vítima de agiotas e da falta de coragem dos líderes medíocres que era suposto protegerem-na.
O BCE teme a inflação e os tratados actuais não permitem que salve um país membro, reduzindo a sua actuação à compra de dívida nos mercados secundários, e a Alemanha teme a bancarrota e a sistematização da falta de responsabilidade dos países prevaricadores. Assim sendo, propõe a união fiscal, e a alteração dos tratados, em troca de castigar com mais austeridade os países que já têm a corda na garganta. Pode ser a solução a longo prazo, pode ser que nos consiga manter no euro, trará mais integração europeia, mas a violência a que nos sujeita nos próximos anos, e que não serão 3 ou 4, causará convulsões de resultado imprevisível, assim como a necessária perda de soberania e a redução do Estado social, na saúde, justiça e educação a meros serviços de gestão, sem qualidade, sem profissionais e sem motivação. Tudo isto num contexto de desemprego e recessão endémica.
Passos Coelho que não tem ideia nenhuma sobre a Europa, faz a vénia a Merkel, como um súbdito bem comportado. Aliás, convém lembrar a sua recente entrevista, em que afirma haver 2 mil milhões de euros para injectar na economia. Como? Não sabemos. Será esta a folga orçamental de que falava Seguro? Será este o dinheiro tirado aos funcionários públicos e aos pensionistas, que agora vai ser dado a empresários para gastar, ninguém sabe como? É que os pensionistas e os funcionários públicos utilizam o dinheiro em consumo, qualquer economista sabe isso, e necessariamente ele irá parar ao comércio e à indústria. Assim, ficamos sem saber. Mas sabemos como funcionam os empréstimos a empresários menos escrupulosos. À semelhança da Grécia e da Itália, ainda vou ver o tecnocrata Vítor Gaspar a substituir Passos Coelho como Primeiro-Ministro, sem recurso a eleições, para garantir que as medidas liberais são bem aplicadas e que a austeridade é só para alguns. Passos Coelho na mesma entrevista já nos avisou que vem aí mais. Mais meia-hora de trabalho escravo, mais desigualdades, mais cortes onde não se deve, mais populismo em que este governo é doutorado, ao estilo da rábula das gravatas, da Vespa que o Ministro da Segurança Social trocou por um Audi de 86 mil euros, do amarfanhar do fundo de pensões da banca, numa engenharia financeira de controlo do défice que tanto criticaram no passado mais recente e dos vôos em económica que João Jardim manda às malvas do alto da sua gabarolice. Estou farto...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Proibido virar à esquerda

segunda-feira, 21 de novembro de 2011 0
Em Espanha a direita está em estado de graça. Tal como cá, chegou ao poder com maioria, castigando a esquerda que lá esteve. Na Alemanha, na França e na Itália a direita sairá do poder assim que houver eleições. A não ser que se substituam os líderes por tecnocratas de cartilha e pasta na mão. Já aconteceu  na Itália. A crise agora também é da democracia.
A esquerda que estava no poder não soube atacar o problema da desregulação financeira, cozinhada desde os anos setenta. Não conseguiu enfrentar o poder económico instalado. Desistiu do contrato social em nome da especulação e da economia de casino, que substituiu a de mercado. Alavancados no eixo franco-alemão, a esquerda democrata soçobrou perante as exigências e a chantagem de quem verdadeiramente usa e abusa do poder político. E quando a direita populista está no poder e existe o perigo de ser substituída, encontra-se a tal solução de substituição tecnocrata, sem que o povo tenha direito a escolher o seu futuro. É que assim, estes 'encartados' vão poder assegurar que se paguem as dívidas, e já agora com juros a contento. O contribuinte é como o mexilhão, no fim é ele que se lixa. A esquerda tem que encontrar novas vias de se impor pelas ideias e sobretudo pela coragem de tomar medidas justas e equitativas, não desprezando o capital, mas não deixando que seja este a comandar as linhas de orientação da justiça e da igualdade. Se assim não suceder, o Povo não confia na esquerda. Os resultados estão à vista. A esquerda deixou-se adormecer e quando quis acordar já era tarde. Quando começou o ataque liberal, a única via foi aumentar a despesa e a resposta pôs em crise toda uma esquerda definhada, conformada e ultrapassada por uma agenda de ataque ao euro e à bolsa dos contribuintes. Não é por acaso que a agulha liberal tomou conta dos novos governos da Europa. A especulação e o capital de risco, comandados pelos mesmos gestores do Lehman Brothers e afins, influenciam assim com a sua 'mão invisível' os novos governos da direita liberal europeia. Os mesmos que coincidentemente, ou talvez não, foram os principais responsáveis pela crise internacional. Os mesmos que se apoderaram da banca e das famigeradas agências de rating. Veja-se a negociata que o nosso governo está a preparar com Angola para tomar conta do BCP.
Mário Soares disse recentemente que a democracia pode estar em causa. Assunção Esteves afirmou que é chegada a altura de o poder político assumir o papel central que perdeu para o poder económico. Ângela Merkel disse na semana passada que é necessário que a Europa reveja os seus Tratados com vista a uma real união económica. Será que finalmente se começam a despertar consciências?
No nosso burgo, Passos Coelho continua amarrado ao ideal que lhe venderam na feira da ladra, e depois de tentar despachar os 'imprestáveis'  Magalhães ao México e à Venezuela (sim, a do Chávez), tenta agora vender as nossas empresas a Angola. Se o nosso crédito é pouco, temo que se o ardil for para a frente, a nossa 'escassa' reputação não passará de um pântano onde se mergulha de tanga... A fama lamacenta de um país feito de capitais obscuros, mergulhará no lodo o resto da reputação que nos resta. Ao mesmo tempo, soube-se ontem que há um erro no Orçamento para 2012 e teremos que dar mais dinheiro à Madeira. O Alberto João veio ao Continente às compras e saiu com um vale postal de uma correcção nas contas e um brinde para poder gastar 3 milhões de euros em iluminações de Natal e queimar em fogo de artifício. Que linda é a Madeira!!!

Post Scriptum - Os 'Gatos Fedorentos' andam distraídos a embolsar uns milhares à pala da PT, e deixam para trás uma oportunidade única de fazer humor inteligente e histórico com fontes inesgotáveis todos os dias...

domingo, 13 de novembro de 2011

'Trust' é um fundo financeiro

domingo, 13 de novembro de 2011 0
Os liberais já não confiam nos 'amigos', nem neles próprios. Os europeus desconfiam uns dos outros e já se fala à boca cheia de exclusões mais ou menos autoinfligidas, e até de divisões por categorias 'cozinhadas' pelo eixo franco-alemão. Assim, como uma espécie de lª e 2ª divisões ao melhor estilo do 'futebolês'. Uma para os bem comportados, e outra para os mais fracos, sem recursos para poderem subir de divisão, que jogam em campos emprestados e austerizados pelos primo-divisionários, que se esquecem que precisam deles para enriquecer. Até os mercados obrigaram 'Il Cavalieri' a sair de cena. O patrão dos patrões, o populista, o mestre da propaganda. Com amigos destes...
'Eurobonds' ou a mera possibilidade de o BCE poder comprar dívida pública dos seus membros são soluções adiantadas por muitos como as mais razoáveis e eficazes medidas para salvar o euro. A França e a Alemanha não estão interessadas. Os outros deixam. Nós também...
Por cá a banca apanhou-se sem investidores e vai agora ser recapitalizada, através de uma entrada do Estado nos respectivos capitais, com a contrapartida de ter que pagar o que pedir no espaço de três anos, sob pena de ser nacionalizada parcialmente. É assim como que uma 'golden share' suspensiva, em que o Estado pode controlar como é gasto o dinheiro, nomeadamente, nas linhas de crédito para as PME's. O conceito é bom e poderá ser a forma mais eficaz de fiscalização e de assegurar que o Estado não empresta a fundo perdido o dinheiro dos contribuintes. É curioso no entanto, observar como o mesmo Governo que acabou com as 'golden shares', apesar de a isso não ser obrigado, agora, e porque não confia na banca, utiliza um expediente semelhante para a controlar. O mesmo Governo que quer vender o 'país' ao desbarato. O mais liberal de sempre. Curioso e muito irónico.
Passos Coelho falou num ajustamento da dívida... Possivelmente estender o prazo para mais um ou dois anos... Há seis meses era impensável, mas agora a realidade caiu~lhe em cima da cabeça. Bastou, contudo, Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, aterrar em Lisboa na quarta-feira e dizer que Portugal não precisa de mais dinheiro, nem de qualquer reajustamento. Passos Coelho concordou de imediato, porque sabe que ninguém confia em nós.
Confiar é um verbo que não pode ser conjugado com mercado, ou com capital.
Ainda por cá, Miguel Relvas, andou três dias a entreter o menino de coro do PS (A. J. Seguro), com a hipotética almofada dos 900 milhões de euros, e com a esperança de poder devolver um subsídio aos funcionários públicos e aos reformados. Seguro devia ter votado contra o OE. Não por causa da travessura de Miguel Relvas, mas porque estas medidas e muitas outras não estão no memorando que o PS também assinou com a Troika. Porque este Orçamento é restritivo e vai destruir a nossa economia. Porque é injusto e ataca quem trabalha. Porque é irrealista e cego. Apesar de termos pouca margem de manobra, ela existe, como se viu com a Taxa Social Única. Confiou e foi enganado. Pena é que durante três dias houve alguma esperança para muita gente, que depois saiu frustrada. 'Trust' é um fundo financeiro e não passa disso mesmo. A confiança é uma coisa que não lhes assiste.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

O combate do século

terça-feira, 18 de outubro de 2011 0
Pedro Passos Coelho é um desportista fantástico, um atleta profissional de alto gabarito, com uma direita poderosa e um estilo moderno e liberal, não é nada fácil de derrubar. O boxe que pratica é de alto rigor técnico, transformando-o num dos melhores da actualidade na sua categoria.
Aliado a isso, ter como agente Miguel Relvas, que lhe assegura uma estratégia de combates mais ou menos fáceis, intercalados com um ou outro do seu nível, permitiram-lhe assegurar a posição de imbatível nos dois últimos anos. O treinador, Ângelo Correia, é uma raposa velha, habituado à lide, ex-boxeador e levou o seu pupilo ao colo até ser o primeiro. O saco que utiliza é da marca Vítor Gaspar. Muito resistente e maleável.
No combate com Ferreira Leite, Passos nem precisou de 2 rounds, basicamente a estratégia do seu agente e do seu treinador garantiram-lhe a vitória.
O combate com Sócrates, foi o mais difícil da carreira até ao momento, mas mais uma vez a estratégia dos seus homens-sombra foi fundamental. Negaram a Sócrates o combate até este estar desgastado... Deixaram que Sócrates combatesse primeiro com os canhotos, Jerónimo e Louçã. Aproveitando o momento, num combate assente em falsas premissas (o combate ficou para a história como o PEC IV), Passos derrubou um Sócrates visivelmente desgastado ao terceiro round.
Passos Coelho chegava a primeiro, após uma intensa preparação de anos a fio. O seu treinador finalmente tinha um número um.
A seguir veio o murro no estômago que levou Passos ao tapete pela primeira vez. A agência de rating Moody's é um opositor feroz, que já tinha derrotado Sócrates, mas desta vez o promotor e ex-boxeador Cavaco ajudou Passos a voltar ao ringue, mais feroz que nunca.
A seguir veio a segunda ida ao tapete. João Jardim, um veterano, experiente e sabido atacou o ponto fraco de Passos, o estômago, mas Passos conseguiu recuperar. Copiando o estilo de Cavaco, conseguiu passar incólume, deixando a João Jardim o título regional.
Foi então que os homens de Passos lhe arranjaram um combate mais fraco, no entanto muito mediático, para Passos voltar à ribalta. Seria contra a classe média portuguesa. E ao fim do primeiro round já Passos tinha dado três murros no estômago e um gancho de direita bem no meio do nariz da indefesa e descuidada classe média. A mesma que até tinha apoiado Passos no combate contra Sócrates.
Vem aí no entanto, um combate bem mais duro, o Povo. A princípio diziam que era brando, mas isso revelou-se um logro, mais uma estratégia para o tentar diminuir. No entanto, o Povo começa a ganhar músculo, inteligência e já não se deixará enganar pelos ganchos de direita de Passos. Os próximos combates do Povo, contra a Troika e contra Passos serão decisivos. Ou o Povo regressa a número um onde já esteve, ou é derrotado e termina a carreira. Eu aposto no Povo. Mas aposto pouco.





quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A dieta Thatcher

quarta-feira, 28 de setembro de 2011 0
1- O Estado obeso é a imagem caricaturada que se nos apresenta como meio de justificar os tão apregoados cortes na despesa, SNS, escola pública e no sector empresarial do Estado. O corte nas gorduras do Estado, como um qualquer concorrente do programa da SIC 'Peso Pesado', deveria implicar exercício físico aliado a uma saudável dieta. Ao mesmo tempo que se reduzia na alimentação sem regra, substituindo-a por outra mais saudável e rica, punha-se o Estado a correr e a ganhar músculo. Ora, a receita que nos apresentam, como cura milagrosa, é nada mais, nada menos, que uma lipoaspiração.
A orientação ideológica de Passos Coelho e seus pares, escudada num acordo com a Troika, visa a fragilização do trabalho, ainda que com medidas que possam inclusivamente atropelar a Constituição, vejam-se as novas medidas anunciadas para acrescentar à licitude do despedimento individual (incumprimento de objectivos e quebra de produtividade). Estas medidas a serem aprovadas, de tão genéricas e discricionárias que são, fragilizam as relações laborais e flexibilizam os despedimentos.
Os dividendos, os juros e o capital não são taxados, em primeiro lugar por uma questão ideológica, em segundo lugar porque é mais fácil ir buscar receita ao trabalho da classe média que trabalha por conta de outrem. Os arautos da economia discutiram até à exaustão a famosa taxa Buffet, para eventualmente poder ser aplicada em Portugal, não chegando a conclusão nenhuma, porque a cientificidade empírica do imposto sobre o património era muito difícil de alcançar. Amorim é um assalariado, Berardo tem um empréstimo de 360 milhões na CGD, que pediu para tomar conta da direcção do BCP, amortizável em acções que não valem um rebuçado, e os cortes que nos impingem são feitos nas prestações e nos apoios sociais, na educação, na saúde e na cultura.
A política de privatizações, em vez de fortalecer o Estado, onde ele é mesmo necessário, vende ao desbarato, numa política cega de terra queimada, sem qualquer estratégia, deixando o Estado afastado dos centros de decisão e indefeso do ponto de vista económico. Ex: se venderem a TAP a Espanha, o tráfego para África será feito a partir de Madrid. Ora, África é precisamente para onde Portugal exporta mais. Sem me alongar mais, Águas de Portugal, GALP, REN, e outros case study de um modelo Thatcheriano aplicado 30 anos depois, irão desmoronar qualquer castelo de esperança e atirar-nos para uma profunda recessão endémica, comparticipada a galope do desemprego, da especulação e da crise das dívidas soberanas, que entraram pelo buraco aberto pelos nossos próprios erros e falhas.
Com tudo isto, teremos um Estado balofo, com menos peso é certo, mas sem músculo, deixando a sociedade abandonada à sua sorte, sem confiança nas instituições, porque tudo o que é público, ou não existe ou não tem qualidade. A iniciativa privada terá então a missão de fazer renascer das cinzas um Portugal amordaçado. A fé irracional neste sistema irá desagregar e desestruturar toda a construção conquistada em democracia de um Estado Social mais justo e eficaz. Até porque já se sabe que o nosso tecido empresarial, não é suficiente nem forte, para poder competir com a especulação financeira e com o impasse negligente e a incapacidade da Europa.

2- O dr. João Jardim escondeu deliberadamente as contas. O dr. João Jardim apela ao separatismo e à desordem. O dr. Jardim goza com a cara de toda a gente e ainda se vangloria em orgias de vinho e inaugurações. Se outros deveriam ser responsabilizados criminalmente como ouvi dizer há uns meses, o dr. João 'cratera' Jardim devia ser extraditado para a Venezuela ou para o Irão...
Passos Coelho na entrevista dada à RTP, para além de não ter ideia nenhuma de dinamização da economia, admitiu uma renegociação da dívida com a Troika. Em Junho isso era uma blasfémia... Cavaco continua sereno e calado como habitualmente. Terá engolido algum sapo com sabor a banana?

3- O reality-show da TVI 'Casa dos Segredos 2', é talvez o pior lixo televisivo a que tive «oportunidade» de assistir (sim, consegui perder 5 minutos), feito à base de pessoas semi-nuas em estado de morte cerebral.




sexta-feira, 1 de julho de 2011

Liquidação Total

sexta-feira, 1 de julho de 2011 0
O país está à venda, e quem nele vive também. É proibido por lei vender seres humanos, mas pode desbaratar-se-lhes a alma, os bolsos e a esperança.
Afinal a desilusão não demorou uma semana a abater-se sobre o novo Governo, que deverá ter o menor período de 'estado de graça' de sempre.
Não se bastando com a polémica em volta de Fernando Nobre, o único deputado que depois de indicado para presidir à AR não conseguiu ser eleito, a medida ontem anunciada não estava nos planos da troika, não estava no programa de governo e não estava nos planos de Passos Coelho... ou estava? É que na pré-campanha o próprio anunciou que era um disparate falar-se de cortes no 13º mês... Porquê? Porque é que insistem em descredibilizar a missão nobre que lhes é confiada pelo povo? Onde estão os guardiões da verdade e da moral acima de qualquer suspeita? Aqueles que insultavam Sócrates e quem o defendesse? Falem agora ó soberanos da democracia!!! Juntem lá os painéis de economistas, comentaristas, politólogos e jornalistas.
Até porque a medida não se vai aplicar aos detentores do grande capital, não haverá nenhuma medida especial que se aplique aos grandes depósitos e dividendos... para variar. Esses continuam a encaixar o produto da austeridade imposta e a receber os juros que compensam eventuais perdas que tenham tido com a crise... a troco de um piquenique e um concerto do Tony.
O aumento do IVA não estava nos planos da troika, não estava no programa de governo e não estava nos planos de Passos Coelho... ou estava?
Mas então não era do lado da despesa que estava todo o mal que vinha ao mundo?
E agora também já puseram à venda todo o património que pertencia aos extintos Governos Civis, mas será que conhecem os edifícios que lhes serviram de sede? Nomeadamente o de Aveiro, que é um património histórico e de interesse nacional. Ou o interesse nacional também está à venda?
Uma pequena curiosidade: Passos Coelho disse esta semana que os Governos Civis tinham sido importantes e cumprido o seu papel sobretudo na época da ditadura... ora, atendendo a que estes foram criados em 1835, não se percebe o que terá querido dizer... é mais uma fuga para a frente.
A privatização da RTP ficará para momento oportuno. Pinto Balsemão já disse que não há espaço para mais um canal privado... dois mais dois igual a quatro... já se percebeu que aí não vão ter coragem de mexer. Atenta contra outros interesses privados e o que interessa é que esses tenham acesso ao Estado e não este que lhes faça concorrência...
O PSD e o CDS/PP mentiram ao país e esconderam tudo isto... é mais do mesmo, e mais do mesmo vai levar o país do hospital para o cemitério.
Vamos deixar que nos enterrem?

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Um ano de desacertos

sexta-feira, 24 de junho de 2011 2
Um ano após a abertura deste espaço, posso afirmar que o saldo é francamente positivo. Quanto mais não seja, a escrita de opinião é no mínimo redentora e liberatória para quem a faz. Agradeço a todos os que perderam o seu precioso tempo a ler o que aqui se vai dizendo. perdoem-me aqueles a quem não consegui agradar e com quem não terei sido justo...

Isto posto, o assunto da semana é o chumbo de Nobre para Presidente da Assembleia da República. Nunca tinha acontecido na democracia portuguesa, e mesmo os mais fiéis seguidores e militantes do PSD concordarão que a justiça da sua não escolha é mais do que merecida. Passos Coelho podia ter evitado esta derrota. Derrota que aparece ainda antes de ter tomado posse como PM. Cedeu à demagogia de não quebrar uma suposta promessa pré-eleitoral. Espero que tenha aprendido com o nefasto erro e não ceda à tentação de impor medidas injustas só que porque não quer ficar mal na fotografia. Já agora, demagógico e populista é a fachada da viagem a Bruxelas em classe turística para poupar uns trocos. Ninguém se importaria que o nosso PM viajasse em 1ª classe. Há limites para tudo. Não sou daqueles que pensa que os mais altos cargos da nação, que nos representam enquanto eleitos, tenham que andar de transportes públicos. Corte-se onde se deve cortar de uma vez por todas. E não cedam a demagogias popularuchas que não interessam a ninguém.

Villas-Boas saiu do Porto a troco de 6 milhões de euros anuais. Eu também saía...

Platini disse que o FCP utilizou demasiados sul-americanos e poucos portugueses na final da Liga Europa. Só quero lembrar a esse francês chauvinista de trazer por casa, que o Inter de Milão que venceu a Champions no ano passado jogou a final sem nenhum italiano, e que o próprio Platini fez a sua carreira toda fora de França. E já agora aproveito para lhe lembrar que a sua selecção é feita de jogadores naturalizados e naturais de colónias francesas duvidosas... Lembro ainda a esse energúmeno que  se quiser fazer alguma coisa contra isso, que não ceda à chantagem dos milhões que rolam na UEFA e nas transferências milionárias a que assistimos todos os anos. Bastava querer, e contornar a lei Bosman seria fácil... mas aí, o desmiolado vómito já não chega a tanto... porque já não interessa. Mais uma vez o bom senso cai perante as evidências. É caso para dizer shut the fuck up...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Um memorando à medida

terça-feira, 7 de junho de 2011 2
O Povo votou em massa no memorando da Troika (porque é esse que tem que ser executado), e mesmo à medida do programa do PSD, como o próprio Passos Coelho referiu. E bem. Se há coisa de que não se pode acusar o novo Primeiro-Ministro é de esconder o jogo, portanto, quem votou nele não poderá queixar-se mais tarde de ter sido enganado.
E Passos Coelho já avisou que o programa da Troika é curto (!) e o novo governo quer ir mais além. Desde as privatizações mais díspares e disparatadas como as Águas de Portugal, a RTP, a CGD, a REN, aos cortes de um terço no financiamento da saúde e na educação (pondo em causa o SNS, a Escola Pública e o próprio Estado Social - são milhões em caixa se os privados lhes puderem deitar uma mãozinha), desviando assim fundos para a recapitalização da banca, a drástica redução da taxa social única, destruindo a sustentabilidade da Segurança Social e o consequente aumento do IVA, até à redução dos salários e ao despedimento facilitado, tudo isto é o que aí vem - memorando da Troika mais programa do PSD. Não é de estranhar pois, o apoio em plena campanha do 'mecenas' Belmiro de Azevedo. Aliás, e uma vez mais afirmo, honra lhe seja feita, Passos Coelho não escondeu nada, muito do que está no seu programa, estava na sua proposta de revisão constitucional. Tenho pena que a campanha não esclarecesse nem discutisse nada disto. Foi contra isto que lutei, do alto da minha insignificância. Resta um consolo: a Constituição só pode ser alterada com dois terços de maioria no Parlamento.

Não há dúvida que estas eleições foram principalmente contra Sócrates. Eu compreendo, ele foi o rosto das dificuldades económicas e do pedido de ajuda externa... Aliás, nunca vi tanta gente desesperada, chegando mesmo ao insulto fácil, quando as sondagens davam um empate técnico entre PS e PSD, sem qualquer pudor ou respeito por opiniões alheias. Devo dizer que este novo tipo de sondagem diária foi fundamental na vitória do PSD. O voto contra Sócrates, transformou-se em voto útil no PSD. A viragem à esquerda do PS, em resposta à ultra liberal do PSD, capitalizou votos do suicida BE, o centro não estava ocupado por ninguém, o que não se via desde os tempos do PREC, e as massas que geralmente deambulam nesse espaço preferiram livrar-se de Sócrates.
Sócrates que cometeu um enorme erro, do discurso determinado, evoluiu para o determinista e irrealista, e daí para a teimosia. Foi enganado por Passos Coelho, que mentiu aquando do chumbo do PEC IV. Passos disse que iria chumbar o PEC IV porque não tinha sido informado de nada. Soube-se mais tarde que se reuniu com Sócrates no dia anterior... Passos tirou-lhe o tapete e Cavaco deu-lhe o último empurrão. Demitiu-se no passado domingo, num discurso sério e dignificante, para ele e para a democracia em Portugal. A história se encarregará de o julgar.

Estou muito curioso e apreensivo com o que aí vem, ao contrário dos apaniguados de Passos Coelho, que no dia das eleições diziam á boca cheia que no dia a seguir tudo iria ser melhor. Como se o FMI já cá não estivesse.
Ainda assim, desejo sorte a Passos Coelho, pelo bem do meu país.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O fato italiano

quinta-feira, 12 de maio de 2011 0
Concordo com toda a gente que diz que vivemos anos a fio acima das nossas possibilidades, concordo com todos aqueles que dizem que Sócrates demorou a reagir, concordo com os que dizem que não há opções credíveis para se poder votar no futuro do país, concordo ainda com os que dizem que o acordo alcançado entre a República Portuguesa e a Troika (FMI, BCE e UE) foi um bom acordo (para pesar de toda a oposição que esperava capitalizar em votos o corte do 13º e 14º mês), que é um memorando que é o melhor e mais detalhado programa de governo jamais apresentado em Portugal, que aponta metas e define reformas e que apesar de ser um empréstimo, capitaliza juros a uma média de 5%, contra os especuladores 11% que já pagávamos.

Não concordo todavia com o seu cariz ideológico. O memorando da troika é tendencioso. Sobrevaloriza o mercado em detrimento do Estado. A saber: sacrifica os actuais e futuros desempregados, reduz muitos apoios da rede pública na saúde, segurança social e emprego, acaba com as golden share, liquidando assim qualquer defesa de decisão estadual, facilita o despedimento, limita o subsídio de desemprego, obriga à privatização de diversas empresas do Estado, reduz o investimento público, liberaliza o mercado de arrendamento, aumenta o preço dos transportes, dos medicamentos, da energia, do gás e da electricidade, e por fim, last but not least, põe a mãozinha por baixo aos bancos, que continuam a pagar os mesmos impostos (12%!!!), e a quem vai emprestar 12 mil milhões de euros, quase 1/5 do bolo total... que nós pagaremos com juros, quer aos bancos quer à Troika.

Permitam-me que diga, que é um acordo à medida do PSD de Passos Coelho, já sei, vou bater outra vez no ceguinho, se quiserem parem de ler por aqui, mas a verdade é que os radicais que acompanham Passos Coelho, querem a privatização de tudo o que é Estado. A CGD, um canal da RTP, a REN e pasmem-se até as Águas de Portugal. Esquecendo por momentos que a proposta é do PSD, digam-me se acham plausível que dois monopólios como são a REN (Rede Eléctrica Nacional) e as Águas de Portugal possam algum dia ser privatizadas? E como monopólio que são de sectores fundamentais em qualquer Estado livre, não estaremos a entregar nas mãos de uma só pessoa ou empresa, um poder demasiado lesivo para a própria soberania nacional? Imaginem que, e não é difícil acontecer, todos sabemos os malabarismos que se podem fazer e ocultar, até legalmente, que o comprador destas quatro empresas é o mesmo? Querem um Berlusconi à portuguesa? A mandar nos preços da água, da distribuição energética e consequentemente da electricidade, ao mesmo tempo que detém a maioria do capital financeiro e bancário, e com um canal televisivo próprio para a sua propaganda...

P.S. - Os Homens da Luta ficaram-se pela meia-final no Eurofestival...e bem!

P.S. 2 - A dívida das empresas públicas criadas por A. João Jardim já vai em 93% do PIB da Madeira, 4.600 milhões de euros, dois BPN...contas escondidas até agora... Ah! É tão fácil criticar e mandar atoardas...



terça-feira, 12 de abril de 2011

Vamos à bola

terça-feira, 12 de abril de 2011 4
Bom tempo para a prática do futebol. Estádio bonito, com capacidade para 10 milhões de espectadores, mas que por esta altura deve rondar os 50% da sua capacidade total. Era esperada mais gente para assistir a este grande clássico do futebol português. De um lado o PS, de Sócrates, o capitão de equipa e organizador de todo o jogo socialista. Do outro lado, a oposição, sem grandes estrelas, mas uma equipa coesa e unida.
A equipa de arbitragem veio da Alemanha, liderada pela Sra. Merkel, os fiscais de linha, FMI e BCE, e o quarto árbitro é a CE. Ambos os treinadores se cumprimentam, Mário Soares pelo PS, sempre interventivo, mas que tem averbado algumas derrotas ultimamente. O treinador da oposição, Cavaco Silva, já leva alguns anos no cargo, disciplinador e raramente contestado.
As principais ausências: de um lado Manuel Alegre, expulso no último jogo e a cumprir castigo. Do outro Manuela Ferreira Leite, que se lesionou gravemente há já um ano e que falha o resto da temporada. A surpresa surge do lado da oposição, Fernando Nobre, contratação de última hora, surge a titular no lugar do central António Capucho, relegado para o banco.
Este é o jogo do tudo ou nada, com um grau de risco muito elevado, em especial pela troca de palavras mais azedas trocadas nos últimos dias, pelos dirigentes de ambas as equipas.
E aí está, começa o jogo. Miguel Relvas, leva a bola pela estrema esquerda, passa para Louçã, que tenta driblar Sócrates que lhe sai ao caminho... uma primeira finta, e é rasteirado por Sócrates... grande confusão agora, com ambos a trocar argumentos e empurrões. E atenção, Louçã agride Sócrates com uma censura, e a juiz da partida expulsa Louçã com vermelho directo. A oposição fica agora reduzida a dez elementos, mesmo no princípio do jogo. Mário Soares e todo o banco socialista a gesticular, e Cavaco, sempre impávido e sereno ainda não se levantou.
Primeiro quarto de hora de jogo cumprido, e ainda ninguém fez qualquer remate à baliza adversária, aliás Passos Coelho já perdeu três vezes a bola e é sempre apanhado em fora de jogo.
Portas conduz a bola pela extrema direita, com um passe longo, cruza para a extrema esquerda onde Jerónimo aparece, e de cabeça põe a bola à mercê de Passos Coelho, que se isola em frente à baliza, grande perigo, Passos Coelho remata e...gooooolo! Mas, atenção, o fiscal de linha BCE, invalida o golo, diz que Passos Coelho controlou o PEC com a mão, Passos Coelho protesta, mas Merkel confirma a anulação do golo.
O jogo socialista está muito amarrado no meio campo, muito por culpa do jogo táctico da oposição, não deixando Sócrates controlar o jogo.
Começa a segunda parte, e surpresa na equipa socialista, Sócrates ficou nas cabinas ao intervalo, substituído por Francisco Assis. O jogo socialista está agora mais solto, mas continua sem criar grandes oportunidades de golo.
Setenta minutos de jogo, e a assistência começa a abandonar o estádio. Está um jogo desinteressante, muito faltoso, com Merkel a ter que mostrar muitos amarelos. Aliás, Fernando Nobre, até aqui sem qualquer amarelo na Liga, também já viu um amarelo, por gestos agressivos em direcção ao público.
Final do jogo, com um empate a zero, sem dúvida o pior clássico dos últimos anos, com a equipa de arbitragem a ser obrigada a muita intervenção, para parar o jogo sujo e faltoso de ambas as equipas, sem grande sentido de responsabilidade e de oportunidades criadas. Destaque pela negativa para o jogo pobre de Sócrates, excelente jogador, mas hoje muito criticado pelo público, e também Passos Coelho que não soube agarrar a titularidade, caindo sempre no fora de jogo, e com o lugar em risco.
Cavaco não faz comentários como habitualmente, e Mário Soares a dizer que foi mais uma oportunidade desperdiçada.
Dia 5 de Junho temos novo clássico, onde se espera um jogo muito melhor, mas que se prevê com pouca adesão do público e que a Liga ainda não se decida nesse jogo. Para infortúnio dos espectadores...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A máfia quando aposta ganha sempre

quinta-feira, 7 de abril de 2011 3
Juro que hoje era minha intenção escrever sobre futebol...mas, tal como no domingo em pleno estádio da Luz, também a luz se apagou em Portugal...

E, se no domingo rejubilei com a vitória histórica do meu clube, em plena casa do rival, hoje vivo um dia triste, pelo meu país...
O lenocínio e a extorsão, a máfia e a especulação venceram um país soberano com 800 anos de história...A UE cedeu ao roubo e à chantagem, o poder financeiro finalmente venceu o poder político. Pensem bem nisto, e perguntem se é este futuro que queremos, se são estes valores que desejamos. O cobrador do fraque está a chegar, e nós abrimos a porta, com a cabeça baixa, vergados e envergonhados, como os meninos que estão prestes a levar uma tareia.

Não houve ninguém com a coragem de dizer basta!, nós não pagamos!, que tivesse coragem de taxar a banca, de dizer às agências de rating que podiam ir à merda, juntamente com o lixo dos seus clientes...que em Portugal mandam os portugueses e o seu Governo, que na Europa mandam os europeus e a sua Comissão.
Se é verdade que Sócrates ficou à beira do abismo, também é verdade que Passos Coelho deu o empurrão que faltava. É curioso que ambos vão a votos, e que nenhum será derrotado...alguém tem paciência neste país para a campanha eleitoral que se vai seguir? Não seria melhor o PEC? Que programa de governo poderão apresentar os partidos, se sabem que não vão ser eles a governar? Por muito que tentem, não há como esconder que esta campanha será mais uma vez a do empurra-culpas...e todos são culpados!

Os profetas da desgraça que se regozijam por finalmente verem o FEE e o FMI a desmantelar o país, talvez mudem de opinião daqui a três meses...porque o que aí vem não vai pôr o país na ordem, vai apenas certificar-se que os credores recebem e que Portugal paga. Não vão acabar com PPP's, com empresas públicas deficitárias por norma ou sem qualquer sentido, com empresas municipais, com os jobs dos boys, etc...apostamos o país, eles fizeram bluff e nós mesmo pagando para ver, fomos a jogo e perdemos...

quinta-feira, 31 de março de 2011

'As armas e os barões assinalados'

quinta-feira, 31 de março de 2011 0
As armas e os barões são hoje diferentes dos cantados por Camões no seu tempo. Aqui fica uma análise ao governo Sócrates, bem ou mal, por acção ou omissão, certo contudo de que existiram dois momentos, antes de 2008 e após 2008. Ou seja, antes da crise internacional e depois dela...

Uma pequena nota porém, para os mais distraídos; se não havia coligação negativa quando os partidos da oposição a uma só voz chumbaram o PEC IV, que vai ser aplicado na mesma e até reforçado, Passos Coelho dixit (inclusivamente com aumento de IVA, o mais cego de todos os impostos e privatização, imagine-se, da CGD), esta semana voltaram a unir-se, depois de Sócrates se ter demitido, para anular a avaliação dos professores. Espero que, tal não signifique que os professores não vão ser avaliados tout-court, espero que pelo menos não surja essa tentação populista, assim como esta foi em vésperas de eleições...os mesmos professores que recebem 5 euros por cada exame que corrigem. Já agora, que recebam os bombeiros 10 euros por cada fogo que apaguem, e os juízes 20 euros por cada processo que julguem...

Antes da crise havia 420.000 desempregados em 2005, os mesmos que em 2008, depois da crise o número passou para 600.000; antes da crise o barril do petróleo custava 70 dólares, depois da crise custa quase o dobro; antes da crise a dívida pública em percentagem do PIB era de 64%, depois da crise é de 82%; antes da crise o défice orçamental foi reduzido de 5% para 2,6% entre 2005 e 2008, dentro do Pacto de Estabilidade e Crescimento Europeu, depois da crise estará nos 7%, e até já esteve nos 9,4%.

 + do governo de Sócrates:
  •  Reforma do Estado (PRACE - Programa de Restruturação da Administração Central do Estado);
  • Aposta nas renováveis (construção de barragens, eólicas e centrais fotovoltaicas - top 5 mundial);
  • Reforma da Segurança Social (introdução do factor de sustentabilidade associado à longevidade, o que garante pensões e reformas até à década de 2030 pelo menos);
  • Criação das Unidades de Saúde Familiar (deu a mais 450.000 portugueses um médico de família);
  • Lei da Igualdade;
  • Simplex (avanço geracional);
  • Fim da Alta Autoridade para a Comunicação Social;
  • Cimeira da Nato e eleição para o seu Conselho de Segurança;
  • Reforma da Estrutura Superior das Forças Armadas;
  • Reorganização territorial (bombeiros e protecção civil ganharam comando único);
  • Cursos profissionais (de quase inexistentes passaram a estar em quase em todas as escolas);
  • Reforma da organização dos Tribunais e sua informatização;
  • Mais 2.500 km em AutoEstradas, IP's e IC's;
  • Aumento em 110 euros do salário mínimo nacional;
  • Diminuição de 50.000 funcionários públicos;
  • Investimento em ciência (superou Espanha e Itália, entre outros);
  • Programa de regadio do Alqueva;
  • Inflação desceu de 2,3% para 1,4%;
  • Rede escolar melhorada e optimizada.

 - do governo de Sócrates:


  • Processos e suspeitas de Sócrates (algumas injustas mas com grande impacto na sua imagem);
  • Demora em admitir a derrapagem do défice de 2009;
  • Aumento das tarifas de electricidade, gás natural e combustíveis;
  • Aumento do desemprego em 4 pontos percentuais;
  • Cortes nos apoios a medicamentos, transportes e exames;
  • Gastos do SNS;
  • Cartão do cidadão com impacto em eleições;
  • Condicionamento dos media (algum merecido, lembrando aqui a desbocada M. Moura Guedes);
  •  Lei eleitoral autárquica e do parlamento por fazer;
  • Blindados para a cimeira da Nato;
  • Má gerência dos dossiês do TGV, novo aeroporto e avaliação de professores;
  • Más relações entre política e justiça;
  • Má gestão do PRODER (fraco aproveitamento do Programa de Desenvolvimento Rural);
  • Subserviência aos grandes grupos económicos.

A crise internacional não explica tudo, mas é difícil não ver que há um antes e um depois de 2008. E haverá um antes e um depois de Março de 2011, para pior, e a culpa não será de Sócrates. Houve realmente uma coligação negativa, basta ver e ouvir o que diz e propõe Passos Coelho e o que não diz Cavaco Silva. Para mal do país.

PS- Ninguém se indigna quando uma qualquer agência de rating 'ameaça' Portugal? As mesmas agências que sobrevalorizaram 'lixo', como elas gostam de dizer, em nome dos juros e dos lucros dos seus clientes, e que estiveram na origem da crise do subprime americano e de toda a crise internacional. A UE não põe travão nisto de uma vez por todas e define ela própria em que moldes e por que regras se regerá a ajuda externa? Portugal, Espanha, Irlanda e Grécia não se unem contra a especulação? Talvez alguém não queira...

quinta-feira, 24 de março de 2011

Inside Job - ou como a bomba nos explodiu nas mãos

quinta-feira, 24 de março de 2011 0
Finalmente! Caiu o papão... o animal feroz, o mentiroso! Aleluia! Até que enfim, vem aí o FMI, por culpa dele claro, e eleições que já tinha saudades, por culpa dele, claro. Vem aí um governo diferente, que vai aplicar com orgulho as medidas de Merkel, que vai acabar com a justa causa de despedimento, que vai pôr toda a gente a recibos verdes, que vai recuar 30 anos nas leis laborais, que vai despedir 20.000 funcionários públicos, a mando do FMI claro, que vai cortar entre 10% a 20% nos salários, a mando do FMI obviamente, que vai pôr o país na ordem, que eles é que são bons, e com a crise podem eles, que os outros é que tiveram culpa da maior crise desde 1929, agora é que vai ser...explodiu a bomba e o país fica para depois.

Eis o que vi e ouvi no dia de ontem...demissão de Sócrates incluída.
Assisti incrédulo à seguinte afirmação por parte de Miguel Macedo, líder parlamentar do PSD: "O PSD não chumbou as medidas do PEC, o PSD chumbou a credibilidade do Governo."
Antes disto, numa nota em inglês para os seus homólogos de Bruxelas, o PSD, entre outras disse: "é preciso atacar a base de apoio de funcionários públicos do PS".
Vi a intervenção na AR de M. Ferreira Leite. Tive vontade de rir, mas não consegui, só conseguia visualizar a austera  Ministra das Finanças de Durão Barroso. Tentei lembrar-me de alguma medida de mérito que ela tenha tomado, de alguma obra que ficasse, de redução do défice, de redução da despesa, etc. Não consegui. Lembrei-me então de quando ela era Ministra da Educação. Definitivamente não consegui sequer esboçar um sorriso.
Então, com muito esforço, tentei lembrar-me de alguma coisa que Cavaco tenha dito para, com a sua magistratura activa, tentar pôr ordem nos rapazolas que estavam a brincar aos governos de um país endividado. E não é que o homem não disse nem fez nada?!?!
Tentei lembrar-me de alguma ideia, medida ou letra de canção a roçar o foleiro mas com epíteto de intervenção, que o PSD tivesse sugerido...nada.
Vi que ninguém quis saber do apoio e aplauso de todas as instituições europeias às medidas constantes do PEC IV, que, como é imposto por estas vão mergulhar o país numa crise ainda pior.
Pensei que Sócrates devia estar mesmo agarrado ao poder, demitindo-se quando a isso não era obrigado, mas sentindo que não lhe davam condições mínimas de estabilidade para continuar a  governar.
Mais tarde, já com muito sono, deu-me para tentar imaginar o que é que PSD e CDS poderiam fazer de diferente, e acordei com Passos Coelho a dizer que já está a pensar aumentar o IVA.
Como é possível brincar assim com o país, principalmente com  um golpe vindo de dentro (Inside Job). Como se não bastasse o maravilhoso sistema em que a União Europeia se deixou amordaçar, em que a agências de rating Fitch, Moody's e Standard and Poor's, baseadas nos Estados Unidos da América (onde havia de ser?) controlam as políticas fiscais, económicas e sociais dos Estados-Membros da União Europeia através da atribuição das notações de crédito.


"Aníbal António Cavaco Silva, agora Presidente, mas primeiro-ministro durante uma década, entre 1985 e 1995, anos em que estavam despejando bilhões através das suas mãos a partir dos fundos estruturais e do desenvolvimento da UE, é um excelente exemplo de um dos melhores políticos de Portugal. Eleito fundamentalmente porque ele é considerado "sério" e "honesto" (em terra de cegos, quem vê é rei), como se isso fosse um motivo para eleger um líder (que só em Portugal, é) e como se a maioria dos restantes políticos (PSD/PS) fossem um bando de sanguessugas e parasitas inúteis (que são), ele é o pai do défice público em Portugal e o campeão de gastos públicos.
A sua "política de betão" foi bem concebida, mas como sempre, mal planeada, o resultado de uma inepta, descoordenada e, às vezes inexistente localização no modelo governativo do departamento do Ordenamento do Território, vergado, como habitualmente, a interesses investidos que sugam o país e seu povo.
Uma grande parte dos fundos da UE foram canalizadas para a construção de pontes e auto-estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte interno e fomentando a construção de parques industriais nas cidades do interior para atrair a grande parte da população que assentava no litoral.
O resultado concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem do interior e chegar ao litoral ainda mais rápido. Os parques industriais nunca ficaram repletos e as indústrias que foram criadas, em muitos casos já fecharam. Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou em empresas e esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram encomendados Lamborghini. Maserati. Foram organizadas caçadas de javali em Espanha. Foram remodeladas casas particulares. O Governo e Aníbal Silva ficou a observar, no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi desperdiçado. No seu segundo mandato, Aníbal Silva ficou a observar os membros do seu governo a perderem o controle e a participarem. Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido político. E ele é um dos melhores (...) Depois de Aníbal A. Cavaco da Silva veio o bem-intencionado e humanitário, António Guterres (PS), um excelente Alto Comissário para os Refugiados e um candidato perfeito para Secretário-Geral da ONU, mas um buraco negro em termos de (má) gestão financeira. Ele foi seguido pelo diplomata excelente, mas abominável primeiro-ministro José Barroso (PSD) (agora Presidente da Comissão da EU, "Eu vou ser primeiro-ministro, só que não sei quando") que criou mais problemas com seu discurso do que ele resolveu, passou a batata quente para Pedro Lopes (PSD), que não tinha qualquer hipótese ou capacidade para governar e não viu a armadilha.
Resultando em dois mandatos de José Sócrates; um Ministro do Ambiente competente, que até formou um bom governo de maioria e tentou corajosamente corrigir erros anteriores. Mas foi rapidamente asfixiado por interesses instalados.
Agora, as medidas de austeridade apresentadas por este primeiro-ministro, são o resultado da sua própria inépcia para enfrentar esses interesses, no período que antecedeu a última crise mundial do capitalismo (aquela em que os líderes financeiros do mundo foram buscar três triliões de dólares de um dia para o outro para salvar uma mão cheia de banqueiros irresponsáveis, enquanto nada foi produzido para pagar pensões dignas, programas de saúde ou projectos de educação)."
Timothy Bancroft-Hinc in "Pravda", jornal russo, esta semana, sobre Portugal.


Post Scriptum - Aconselho vivamente o documentário sobre a crise internacional "Inside Job".


terça-feira, 2 de novembro de 2010

O ridículo em Estado de sítio

terça-feira, 2 de novembro de 2010 1
O país está a saque! Manda quem pode, obedece quem deve...sempre ouvi dizer. E, como diz um amigo meu, manda quem paga. Ora, quem paga são os banqueiros - todos vimos o circo da reunião destes com Passos Coelho pressionando-o para deixar passar o Orçamento - , pudera, não há medidas que os controlem, nem tão pouco que os penalizem neste Orçamento para 2011...e além do mais, 1 em cada 5 ex-governantes foram, são ou serão quadros destes grupos financeiros.
Manda Bruxelas, que nos diz o que fazer, que faz Sócrates passar de animal feroz para um cordeiro envergonhado, naquele Conselho Europeu escandaloso da semana passada. Manda a Alemanha que paga, esquecendo-se que foram os outros a pagar a sua reunificação e o seu défice excessivo entre 2003 e 2006, quando todos eram obrigados e ainda conseguiam mantê-lo dentro dos parâmetros da convergência. Onde está a igualdade entre estados desta União Europeia? Cada vez mais se assiste ao domínio Franco-Alemão em que uns são pequenos e outros são PIGS. Não auguro nada de bom no futuro europeu, que se queria federalista e não elitista. Onde está o modelo social europeu?
Assistimos também às negociações entre Catroga e Teixeira dos Santos, para quem acha que foram negociações. Não passaram de jogo político, calendarizadas à medida de cada partido, com truques de campanha pré-eleitoral, para ver quem ficava melhor na fotografia. Catroga tem a sua no telemóvel...ridículo.
E que dizer de um Conselho de Estado que serviria para pressionar os partidos a um entendimento, quando ele já existia? E que dizer das declarações de Cavaco imediatamente a seguir...inédito e...ridículo.
Assim como ridícula foi a apresentação de Cavaco da sua recandidatura...às perguntas retóricas e modestas por ele colocadas do tipo "Como estaria Portugal hoje sem os meus avisos?", "Como estaria Portugal hoje sem a minha magistratura de influência?"; eu respondo: IGUAL! O professor de economia e presidente da República é inócuo, inábil - todos se lembram da trapalhada das escutas em Belém e da promulgação da Lei do casamento homossexual - e de memória curta. ´Nos últimos 25 anos ele foi primeiro-ministro 10 anos e Presidente da República 5 anos. Também é responsável quer queira quer não, apesar de conseguir passar sempre entre a chuva, ainda não percebi bem como.
E que dizer de Branquinho, deputado do PSD que abandonou o parlamento para integrar os quadros da ONGOING, sim essa, que ele na comissão de investigação ao caso PT/TVI não se cansou de questionar: "Quem é a Ongoing?", "O que fazem?", parece que agora já sabe...cheira a mudança no poder e os cães têm que ir saber do osso...ridículo.
E que dizer dos juízes e procuradores da República que acham que não são cidadãos iguais aos outros e por isso não se pode cortar nas suas ridículas regalias?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O "bicho"

terça-feira, 19 de outubro de 2010 1
O "bicho" era pequenino, nos tempos em que não havia noção de serviço público e de Estado, em que não existia mercado, feito de tecido empresarial consistente.
E, eis que de rompante se instala a liberdade, feita de nacionalizações, FMI's e CEE's, para dar de comer ao "bicho" e assim este poder crescer, e bem, porque o "bicho" passava fome.  Criou-se o conceito de escola pública e o Serviço Nacional de Saúde, proliferaram os serviços públicos e as empresas públicas, inexistentes até então. Eis então que aparece, tal qual D. Sebastião, um novo dono para o "bicho", era Cavaco e não dava cavaco. Deram um nome ao "bicho", chamaram-lhe Despesa Pública. Coitado. Mas o "bicho" lá cresceu,  e entre 1989 e 1995 (v.d. gráfico), conheceu o seu maior pico de desenvolvimento, fruto do dinheiro que começava a jorrar via europa.
Ora, o Cavaco, que não dava cavaco porque nunca se enganava e raramente tinha dúvidas, resolveu arranjar uns amiguinhos para o "bicho", que já estava gordo e cansado. Surgiram assim as Parcerias Público-Privadas, amigas do "bicho" e de outros "bichos", mas com dono diferente, mais independentes, tipo gatos, e lá cresceram todos lado a lado. Começaram bem e depressa a crescer. Mas, rapidamente as PPP's se aperceberam que o "bicho" se tornava lento e senil, vai daí, começam a resvalar no preço das facturas (a Ponte Vasco da Gama custou ao Estado mais 400 milhões de euros que o previsto e a travessia de comboio na Ponte 25 de Abril mais 114 milhões), isto no tempo do dono do betão e do "bicho" entre 1985 e 1995.
De seguida, e porque o "bicho" ainda não estava gordo o suficiente, mas já ameaçava a saturação da comida que era sempre a mesma e que já não podia pagar, eis que aparecem as Empresas Municipais. Era necessário que os filhotes do "bicho" crescessem saudáveis e fortes, e assim foi.
O "bicho" muda de dono várias vezes, até que aparece um, com nome de filósofo grego, que veio para ficar, até tentou e de certa forma conseguiu que o "bicho" fizesse uma dieta, mas foi sol de pouca dura, os cães e os gatos, os sem dono, criaram o arqui-rival do "bicho", ..., apareceu a "crise".
A crise é rápida e eficaz, e o "bicho", mais os amigos e os filhos, gordos e viciados, já não se conseguem defender, e só ajudam a crise a instalar-se.
O dono nem quer acreditar, e com vergonha do que digam do "bicho" ao vê-lo passar na rua, esconde-o por tempo indeterminado do Profeta do Apocalipse, Medina Carreira, ele que ajudou o "bicho" a engordar, mas desconfia que já não se pode alimentá-lo mais. O "bicho" aparece tarde demais para uma dieta forçada e exigente, antes que se tenham que contratar peritos ao estrangeiro que o venham treinar a combater a crise. Entretanto, milhões de portugueses vivem à custa do "bicho" durante anos, mesmo sem hipóteses de o alimentar, e os amigos e os filhos do "bicho" já não conseguem sobreviver sozinhos.
A factura está a ser paga agora e assim será no futuro, só no caso das PPP's há 50 mil milhões de euros a pagar até 2049. A China e os europeus já não são amigos do "bicho" e já só lhe emprestam dinheiro com juros elevados, e se o orçamento de dieta não for aprovado, o "bicho"vai ser treinado por outros (FMI incluído), que não querem saber dos amigos, dos filhos, e muito menos dos sacrifícios dos portugueses. Vai ser muito pior. É por isso que sei que o orçamento vai ser aprovado, mau-grado para P. Coelho que só pode ter eleições em Maio, e que as queria para agora, ou para um dia destes.
Façam este exercício, P. Coelho não aprova o orçamento, o Governo cai e tem que se pedir dinheiro ao Fundo Europeu recém criado, detido em 30% pelo FMI. Em dois meses, P. Coelho é obrigado a votar a favor na A.R., medidas impostas pela europa muito mais gravosas do que as que constam no orçamento.
Entretanto, brinca com o orçamento de dieta do "bicho", e a culpa do estado de coisas que não é dele, quase parece que é.
Em 36 anos de democracia, todos alimentaram o "bicho", todos viveram acima das possibilidades, todos se aproveitaram de todos, banqueiros, empresários, políticos, gestores. A culpa é de todos, mas a responsabilidade é do dono. E o dono actual escondeu o "bicho" até darem conta da sua falta. Se calhar com um orçamento zero, comprando um novo "bicho" a coisa melhorava.
Desculpem-me se abusei do "bicho" e se já não puderem ouvir falar dele.

P.S. - Congratulo-me pela "minha" Escola Secundária Fernão de Magalhães de Chaves, ser a 28ª do país no ranking de escolas, e a 6ª a nível nacional das escolas públicas.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Orçamento e Bom-Senso vs Orgulho e Preconceito

terça-feira, 12 de outubro de 2010 6
O orçamento de Estado para 2011 ficará na história portuguesa ao mesmo nível do orçamento do "queijo limiano". Se estão recordados, Guterres com um governo minoritário, mais forte (115-115) é certo que o de Sócrates, "comprou" o seu orçamento de então a um deputado do CDS de Ponte de Lima, a troco de meia dúzia de promoções do dito queijo e investimentos no concelho do senhor deputado, que mais tarde seria eleito Presidente da Câmara sem o apoio de qualquer partido. E, não se pode criticar a sua atitude (do deputado), pois se do ponto de vista político foi um golpe no seu partido e carreira política, do ponto de vista dos interesses do seu concelho foi um feito de que poucos deputados se orgulharão (a maioria pertence aos alinhados que pensam pela cabeça do chefe).
Assim sendo, Passos Coelho tenta trocar a aprovação deste orçamento, pela aprovação de mudanças constitucionais, não perdendo assim toda a margem de manobra que já perdeu e que adiante se referirá...
Ora, como o PS não foi de modas na aprovação de uma revisão Constitucional, que aqui já apelidei de neo-liberal e atentatória do Estado Social, evolução civilizacional mais importante do último século, Passos Coelho e o PSD, decidiram fazer chantagem política com o PS, relativamente ao orçamento de Estado. Não me iludem, com a crise, com o aumento de impostos, nem com o défice, nem com a recessão. O PSD só quer forçar um entendimento para a aprovação da sua extemporânea e mal calculada revisão Constitucional, que lhe custou e está a custar a sua descolagem do PS nas sondagens.
Senão, o maior favor que Passos Coelho faria a Sócrates era chumbar o orçamento de Estado, porque, ao provocar uma crise política que iria exponenciar a crise económica, financeira e a ver vamos se não vai ser social, não se livraria da imagem de lobo mau e revanchista, que se aproveitou da crise numa tentativa de chegar ao poder. E, isso, a acontecer, não lhe garantirá nunca a sua eleição para Primeiro-Ministro, ainda que contra o "gasto", mas preserverante e corajoso Sócrates. Mais, a ganhar as eleições, tenho sérias dúvidas, para não dizer certezas, que as ganharia com maioria.
Ora, o que faz Passos Coelho? Alimenta um tabu de aprova, não aprova orçamento, que conduzirá a que fique ligado ao orçamento, por muito mau que seja. Aliás, Passos Coelho, deu um tiro no pé ao dizer que jamais aprovaria um orçamento que conduzisse ao aumento de impostos, quando toda a gente sabe que no final o irá aprovar por abstenção. Vai pedir desculpa outra vez? Passos Coelho é mau jogador e com este tabu só alimenta as famigeradas agências de rating (que são escandalosas na pressão e especulação que criam - ainda ninguém se pronunciou sobre a sua legalidade/admissibilidade/credibilidade!?).
Ora, aprovando o orçamento, porque pressionado por toda a gente, desde Cavaco, até ao mais leigo dos leais militantes ansiosos por poder e temerosos de serem excluídos das listas do chefe, Passos Coelho dá o dito por não dito, aprova um orçamento que aumenta impostos, mas que está provado, por qualquer opinion maker/colunista com licenciatura em economia, ser necessário. E Passos Coelho pede desculpa outra vez aos portugueses? Porque não apresenta propostas? Porque introduziu a revisão Constitucional no programa, se está mais que visto, que há mais com que nos preocuparmos? Joga mal Passos Coelho, e pode custar ainda mais caro ao país... Aprovando, não aprovando, ou neste já enervante aprova-não aprova, Passos Coelho sai sempre a perder.
Não quero aqui também desculpabilizar o Governo, que não tendo culpa da crise mundial de especuladores, banqueiros egoístas e oportunistas bolsistas, que custou ao Estado português a nacionalização do BPN e quase do BPP, a primeira fundamental para a estabilidade dos mercados, também tem, como não podia deixar de ser, a sua quota de responsabilidade, quer no aumento da despesa pública quer do défice. Mas que, também não tem culpa de ter que pagar dois submarinos para a nossa futura entrada em guerra com os espanhóis e com os muçulmanos.
Continuo a ser da opinião, que em tempos de crise, se deve investir mais, cabendo ao Estado tomar as rédeas desse investimento público e regulando aquela dos mercados e da sua "mão invisível", só que chegamos a um ponto tal de ruptura em que esse investimento já não é possível, e que não será nenhum Passos Coelho a resolver nos próximos cinco anos. Também sou da opinião que a Portugal não virá o FMI e estou sinceramente convencido que não iremos entrar em recessão, a não ser que Passos Coelho durma bem antes do debate de aprovação do orçamento na AR.
Tenho a opinião (provada recentemente), de que o Estado é fundamental à regulação dos mercados e da economia, mas também acho que o seu emagrecimento, bem como o dos salários dos seus gestores milionários, é por estas alturas fulcral. Os números: 356 institutos públicos dependentes de Ministérios (mais de 20 por Ministério!); 639 fundações; 343 empresas municipais; 95 empresas públicas centrais; 87 parcerias público-privadas; 4560 administradores com boas despesas de representação.
Podiam desaperecer muitas, podiam fundir-se outras tantas, podiam cortar nas despesas e salários ridículos dos administradores e podiam fazer uma REGIONALIZAÇÃO em condições, suprimindo autarquias com 1300 habitantes, juntas de freguesia com 300 e por aí fora...haja vontade, coragem e sobretudo bom-senso.

 
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