Mostrar mensagens com a etiqueta globalização. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta globalização. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Trumpalhada

sexta-feira, 11 de novembro de 2016 0
Trump venceu as eleições americanas... Este título há uns anos faria rir muita gente. Hoje ninguém se ri. A não ser os idiotas que nele votaram. Não há volta a dar. Só podem ser idiotas, para não dizer outra coisa. Alguém que diz que as mulheres devem ser tratadas como merda, que diz que vai erguer um muro na fronteira com o México, que diz que vai proibir a entrada a mais imigrantes, especialmente os muçulmanos, que afirmou que se fosse eleito mandaria prender a sua oponente, que diz que o aquecimento global é uma coisa inventada pela China, que é xenófobo, racista, populista, fascista e misógino, alguém que diz o que diz e pensa assim não pode ser eleito para coisa nenhuma, quanto mais para o cargo mais poderoso do mundo. Quem apoia e vota numa pessoa assim não pode merecer respeito. Ou é completamente ignorante, tal como Trump, ou não é, e então é como ele. Milhões de americanos são assim, ignorantes, quero crer.
Importa agora, chegar ao fundo da questão. Porque é que isto aconteceu? E não vale a pena dizerem que aquilo foi tudo show off de campanha. Os discursos do homem vão ser sempre um murro no estômago. E vamos vê-lo e ouvi-lo inúmeras vezes.
O fenómeno, nestas eleições, não era apenas Trump. Era também Clinton. Não poderia haver escolha mais falhada para uma oposição a Trump do que um dos maiores símbolos de tudo o que a maioria dos norte-americanos queria recusar.
A verdadeira razão para a eleição de Trump, é a mesma que surge na Europa. É a ruptura entre a política e as sociedades ocidentais, resultado da longa crise económica e financeira e da globalização que deixa grande parte dos cidadãos de fora.
A insegurança e o medo, as desigualdades, o desemprego, a perda de rendimento, a austeridade, o endividamento e a dívida. A globalização que tinha a virtude de aproximar pessoas e mercados, rapidamente se transformou e subverteu. Desregulou-se o capital e a economia passou a mandar na política. Os mercados orientais entraram-nos pela porta adentro, fazendo uma concorrência impossível de acompanhar pelas nossas empresas. O grande capital financeiro das grandes empresas passou a recrutar no oriente a sua mão de obra, mais barata para minimizar custos e aumentar lucros. O emprego ficou aqui mais caro e a consequência foi o aumento brutal do desemprego. A crise financeira, causada pela total desregulação do mercado rapidamente tomou conta dos estados e dos países.
As pessoas assustaram-se e maltratadas pela globalização estão disponíveis para ouvir e apoiar quem lhes prometa mudança. Com ou sem princípios. Com ou sem conhecimento. O problema é que essa mudança não vem de quem deve vir, num sistema político falhado e paralisado, Nos EUA como aqui.
Usando a demagogia, Trump conseguiu dar uma resposta, ainda que assente em falsidades, aos anseios de milhões. A eleição de Trump é mesmo uma mudança histórica. A sua chegada à Casa Branca criará um clima insuportável de tensão racial no país. Um homem que não acredita no Estado de Direito terá um poder decisivo na constituição do Supremo. Os muçulmanos não esquecerão nada do que Trump disse e os norte-americanos voltarão a ser insidiosos na luta contra o terrorismo. O combate às alterações climáticas recuará e o preço será pago pelos nosso filhos e netos. O mundo ficará ainda mais perigoso porque Trump não acredita na democracia, apesar de ser um filho da globalização.
O mundo está a caminhar para aqui. Líderes populistas e de pensamento fascista, que conseguem capitalizar por essa via o descontentamento popular, transformando-o em poder pessoal anti-sistema.
Vivem-se tempos negros, e se não aparecerem líderes capazes de dar resposta ao ímpeto de mudança que as pessoas desamparadas exigem, que não consigam serenar e diminuir as desigualdades, que não lhes inspirem confiança, que não usem o sistema a seu favor, mas a favor dos votantes, temo o pior... Não sei se depois de Trump ainda iremos a tempo...

sábado, 8 de outubro de 2016

O esgoto humanóide

sábado, 8 de outubro de 2016 0

A resposta que todos os 'hijos de puta' mereciam. De toda a gente. Em todo o lado. Porque não vale tudo, porque o dinheiro, as vendas e o lucro não podem justificar tudo. A polémica. o choque, a devassa, o escândalo e o voyeurismo são as armas predilectas do produto que vende, do mercado que exige. E a banalização dos tablóides não pode ser normalizada por aqueles que têm o dever de guardar a ética e a moral. O dever de informar diz respeito à liberdade de imprensa e de expressão. Mas no mundo global de hoje, sem escrúpulos, sem filtros, os 'TRUMPetistas' tocam e a caravana passa. Se não estamos a ficar mais estúpidos, estamos mais estupidificados... Sim, porque quem come e cala são neste momento a esmagadora maioria da chamada opinião pública. Que tem opinião sobre tudo, mas não sabe de nada. Que compra religiosamente o Correio da Manhã e vê o 'Secret Story'. Os Saraivas que por aí soçobram, ignorantes e abjectos, com um cartão qualquer na mão que lhes dá o direito de escrever qualquer coisa, vender qualquer coisa, regurgitar qualquer coisa, sem saber o que dizem, na impossibilidade de dizer o que não sabem... 

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O alfaiate do Panamá

sexta-feira, 15 de abril de 2016 0


O escândalo com as possíveis fugas ao fisco de líderes, estrelas e artistas mundiais, do BES e de multinacionais não chega a ser notícia. Já sabíamos da existência destes labirintos. O que é escandaloso e merece notícia é podermos ver como funciona o capitalismo globalizado em que vivemos, em que o sistema financeiro e económico legítimo trabalha nas mesmas casas de apostas que o crime organizado, usando estratagemas semelhantes e com o mesmo objetivo: esconder o dinheiro. Os paraísos fiscais são um mundo opaco, cujo objetivo é permitir que não seja conhecido o verdadeiro dono do dinheiro que lá está depositado, fazem poucas perguntas e fecham bem os olhos.
Já sabíamos que parte das grandes fortunas pessoais no mundo, bem como receitas equívocas de conglomerados empresariais, usam offshores para enganar Estados e roubar contribuintes. Não é novidade para ninguém a existência das offshores, do Swiss Leaks e do Lux Leaks onde o atual presidente da Comissão Europeia apareceu como facilitador da evasão fiscal. Também já sabíamos que apenas uma empresa do PSI 20, em Portugal, tem cá a sua sede fiscal. A globalização da falcatrua é o mundo em que vivemos e que nos habituamos a aceitar. A democracia que se conhece hoje em dia lava mais branco e recusa aceitar o Estado regulador e que impõe a lei. O capitalismo financeiro globalizado, que verga Estados e joga no casino da banca precisa da selva para se movimentar. Com o beneplácito dos líderes europeus, fortes com os fracos e fracos com os fortes, e que se rendem facilmente ao poder financeiro, substituindo rapidamente a política por tecnocratas que olham para as pessoas como números. Líderes europeus que pagaram à Turquia para varrer refugiados para debaixo do tapete.
Apostas de casino a que a banca se foi habituando sob o 'manto protetor' do Estado, obrigado a chamar os contribuintes para pagar a fatura. Uma banca privada que conta com o conforto de ter sempre no Estado o último garante. Pode ser que comece finalmente a discutir-se que papel deve ter o Estado como regulador, uma vez que os privados nunca assumem as suas responsabilidades por má gestão, assim como todo o sistema bancário que nacionaliza o risco e as perdas e privatiza o lucro.
Brincar aos bancos é fácil se houver sempre a certeza que no fim os Estados e os contribuintes pagam a brincadeira. É essa a verdadeira mão invisível do mercado e da banca desregulados. E o regabofe de brincar ao capitalismo continua, com os mesmos atores que deitaram abaixo a economia mundial, sentados nos mesmos lugares, com exceções aqui e ali.
Este tipo de capitalismo, sem lei, está corrompido e cresce de uma forma gananciosa e complexa, nos cantos escondidos do cartel financeiro mundial. Quanto mais complexo, maior a dificuldade de regulação. A transparência é uma mera nota de rodapé. O grande drama do capitalismo é a falta de regulação num labirinto de burocracia e de interesses pouco éticos e até criminosos.
E quando alguém tenta assegurar e defender os interesses do Estado, como no caso recente de António Costa e o BPI, secundado pelo atual Presidente da República, logo saltam a terreiro os paladinos da cartilha neoliberal em defesa da não ingerência pública em assuntos privados. O caso BANIF ainda não terminou e já parece que desejam outro. Porque quanto menos se puder cobrar impostos ao factor capital, mais se cobrará aos rendimentos do trabalho. É este o sistema capitalista e globalizado atual. Onde uns escondem, os outros pagam a dobrar. E o que se esconde em Portugal dá para pagar todo o SNS. É um fato à medida e chamam-lhe austeridade...

terça-feira, 25 de agosto de 2015

O mundo em que vivemos

terça-feira, 25 de agosto de 2015 0
Continuamos a assistir estupefactos às repetidas tragédias ocorridas com refugiados do Médio Oriente e de África.
A situação de catástrofe humanitária tem vindo a degradar-se de forma insustentável e a violação dos direitos fundamentais da pessoa humana pode assumir proporções e consequências inimagináveis.
A ONU e a Europa optam por empurrar com a barriga, de país para país, ignorando propositadamente o auxílio e solidariedade para com os refugiados. A tudo isto não será estranho a crise social, de emprego e de valores que teima em fazer parte do quotidiano europeu, com divisões impulsionadas pelos que tudo querem e a todos tiram, a coberto de uma solução de austeridade, de humilhação e de propaganda que só tem paralelo nos idos da segunda grande guerra.
São milhares e milhares de seres humanos, a viver na mais profunda miséria, sem terem acesso aos recursos mais básicos. Fogem da guerra e da fome, procuram liberdade e paz.
A opção pela construção de muros e vedações que impedem a inclusão e a solidariedade é o traço marcador do mundo global em que vivemos, e em que o capital é o denominador que verdadeiramente interessa, deixando milhares de cidadãos, homens, mulheres e crianças, à mercê do negócio feito à custa da dignidade e vidas humanas.
As crises políticas, económicas, sociais e religiosas que devastam essas comunidades foram, em muitos casos, consequência da irresponsabilidade internacional, bem como de um especulativo mercado financeiro global que fomentou a exploração, a guerra, a divisão e a miséria social. E para quem julgava que na Europa da prosperidade e solidariedade jamais se cometeriam os erros do passado, pois bem, eles estão aí a bater-nos à porta. Bastou que a especulação do mercado desregulado perdesse o seu capital de risco. A solidariedade, a compreensão, a integração, os valores da Europa, logo ficaram em segundo plano perante a urgência de recuperar com juros os lucros e as fortunas perdidas. Ainda que à custa de alguns países e do empobrecimento e da miséria de milhares de pessoas.
O Mediterrâneo transformou-se num imenso cemitério e o Túnel da Mancha num dos mais degradantes exemplos da intolerância, da exclusão e do abandono de milhares de seres humanos.
A paz na Europa já não é uma certeza absoluta... e a culpa é do sistema especulativo e desregulado em que nos disseram que era melhor vivermos. Um sistema que verga Estados e atropela toda a gente em nome do capital...
Ainda ninguém lhes disse que na Europa só falta a guerra, porque miséria, pobreza e desemprego estão a sobrar para todos... e os valores da Europa já não são aqueles que lhes contaram que eram... não são muito diferentes daqueles dos países de onde vieram, a Europa hoje não é solidária, não é unida e o racismo e a xenofobia são valores cada vez mais emergentes. Esta é a Europa em que vivemos. O mundo de onde vieram todos esses refugiados, também já cá está, no nosso quintal... bem vedado claro!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Vejam! diz Keynes

terça-feira, 29 de junho de 2010 3

Numa época em que a globalização em que vivemos nos empurra para uma catadupa de competição catalisante, cada vez mais se sente a necessidade de uma especialização e/ou de uma formação, por forma a fazer face à cada vez maior ansiedade de competição ao nível de objectivos pessoais e de profissões.
Assim sendo, à falta de emprego especializado e com maior nível de habilitações, a que toda esta competição não é alheia, o desemprego de sectores fundamentais, em que a concorrência desenfreada e o lucro são o fim que se quer atingir não olhando a meios, é normal acontecer um empobrecimento maior das classes mais baixas e ser aí que se encontra o grosso do desemprego. Se juntarmos a isto a proliferação de gestores, professores, funcionários públicos ou apenas licenciados, temos a estratificação societária ao contrário, ou seja, classe operária sem emprego, para empregadores e gestores a mais, e o Estado com a corda na garganta, tendo a apertá-la os funcionários públicos e os beneficiários de subsídio de desemprego.
E vejam o que aí vem, com um governo desnorteado, por culpa própria, e descredibilizado por uma opinião pública não esclarecida, mas atordoada pelos media, que conseguem impunemente, perseguir governos e publicar escutas, passando por cima das mais elementares regras de ética e de respeito pelos cidadãos, tudo se alinha para um novo governo de aliança PSD/CDS-PP.
E já sabemos o que vai dar, Paulo Portas no poder, a querer mudar a lei do casamento homossexual, e Pedro Passos Coelho a flexibilizar o emprego e os despedimentos, dando toda a discricionariedade aos patrões, que, não sei se já repararam, acabam de fundir as suas principais associações patronais.
Não vejo onde vai estar a melhoria, aliás, querem mexer na Constituição, para já com uma atoarda justificativa, tirar a palavra “República” do diploma fundamental:

Art. 1º
“Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.”


Agora digam-me, vão tirar República e substituir por Estado?, ou tira-se a parte final da sociedade justa e solidária e substitui-se por uma sociedade neoliberal e patronal?
Ainda não se cansaram do modelo neoliberal, numa altura em que o mercado livre foi responsável pela crise de valores e pela crise económico-financeira, numa altura em que o pensamento de Keynes se devia sobrepor, mais intervenção do Estado e menos especuladores?O mercado não é auto-regulador, mas determinado pelo espírito egoísta dos empresários, especuladores e patrões. É por esse motivo, e pela ineficiência do sistema capitalista em empregar todos os que querem trabalhar que a intervenção do Estado na economia, sem ser sufocante, é fundamental.
Vejam só o que vem aí!
 
◄ Free Blogger Templates by The Blog Templates | Design by Pocket