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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A impunidade tem limites

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015 0
Quando estourou o caso BES, Cavaco Silva foi o primeiro a sacudir a água do capote, num estilo que lhe é característico há já longos anos, numa postura de nunca assumir qualquer responsabilidade, evitando sempre assumir-se na política como político. Na resposta Passos Coelho disse que Cavaco sabia de tudo e aquele comeu e calou. Agora sabe-se que muito antes de dizer que provavelmente não sabia de tudo reuniu duas vezes com Ricardo Salgado. O PR burlou centenas de cidadãos e enganou o povo que o elegeu. Já sabia que a pose arrogante de alguém que se põe sempre em bicos de pés com atitudes paternalistas era alguém em quem não se podia ou devia confiar...
Curiosamente, ou talvez não, as pasta ministeriais da saúde, educação e justiça e que dizem respeito aos maiores cortes no estado social e cujas consequências ficaram e estão bem à vista - como seja a colocação e os exames de professores, as mortes nas urgências de pessoas que não chegam a ser atendidas ou o novo mapa judiciário e o colapso do citius - , têm à sua frente ministros que fazem exactamente o mesmo. A impunidade é só para alguns e a falta de vergonha na cara anda arredia de muita gente...
 


terça-feira, 18 de novembro de 2014

O clube dourado insiste e resiste

terça-feira, 18 de novembro de 2014 0
Torna-se bastante difícil ao comum dos mortais conseguir enumerar o número de secretários de Estado ou de ministros deste governo que já se demitiram. Houve até um deles, o autor do clube dourado (leia-se vistos gold), cuja decisão de demissão era irrevogável, mas é dos poucos que ainda resiste. Desde Gaspar, passando por Relvas e pelo Álvaro até ao mais recente Miguel Macedo.
Há quem entenda que Macedo era dos mais competentes ministros deste governo, ou, reformulando, o único ministro competente deste governo, mas eu lembro-me bem das manifestações das polícias contra polícias e da reforma compulsiva e dourada do comandante da PSP.
Há quem diga que saiu com dignidade, eu digo que saiu acossado por uma rede de influências douradas.
No entanto, há todo um governo a cair de podre que persiste em gerir como administrador de insolvência um país retalhado, com pessoas que não contam para nada, a não ser para as estatísticas marteladas do desemprego. E nesse governo há dois ministros (da Justiça e da Educação), que insistem em fazer de conta que sabem o que estão a fazer. Como eu gostava que saíssem todos com dignidade. A dignidade que é o único que lhes resta, mas em doses cada vez menores...

quarta-feira, 19 de junho de 2013

A greve que alguns professores deviam fazer

quarta-feira, 19 de junho de 2013 0
Formávamos uma fila à entrada da sala de aula, um pré-fabricado em madeira, onde a D. Maria Celeste, ainda não sei bem como, dava aulas à terceira e à quarta classe em simultâneo. A terceira classe entrava ordenadamente, um por um. A seguir, a quarta classe, afinal a idade é um posto. Ás segundas, quartas e sextas era dia de matemática. Ficava sempre para o fim da fila, receoso. Como detestava matemática! É daquelas coisas sem explicação. Os números nunca me fascinaram. Mas a D. Maria Celeste era exigente. Entrava cabisbaixo e sentava-me no lugar habitual. Mesas redondas com cinco ou seis colegas. Tinha o horror estampado nos olhos. Corria o ano de 1986. A sala de aula, ornamentada com os desenhos e trabalhos mais meritórios era um espaço que na altura me parecia do tamanho do mundo e albergava cinquenta a sessenta alunos. O pequeno almoço e o lanche ia na lancheira. A régua e as palmadas faziam-me engolir à força os números e as contas, e o português, a história de Portugal (em que ficava hipnotizado com a sua forma de a contar) e o Meio Social. Por vezes tinha pavor da D. Maria Celeste. A matemática, por minha teimosia ou defeito, tinha os dias contados.
Anos mais tarde, já depois de licenciado, e após dezenas de professores pelo caminho, reconheci-lhe o mérito de ter sido a mais marcante e melhor professora que apanhei no meu percurso. Não pelo respeito ou medo que incutia, mas porque ensinava a pensar, a calcular meios alternativos, a raciocinar, ao invés de se limitar a debitar informação (como a grande maioria fez nestes anos todos). O método podia ser por vezes questionável, mas vos garanto que era eficaz e sempre justo. Preparou-me para o resto da minha vida e nunca tive a oportunidade de lhe fazer a justiça que merecia. 
Existem mais D. Marias Celestes por esse país fora. Infelizmente, como em todo o lado, também existe o professor calão (não, não é exclusivo dos alunos), e num país em que a meritocracia é inexistente, essas maçãs podres contaminam o resto, tal como em todas as profissões. Conheci inúmeros professores calões, conheci alguns que me foram indiferentes, outros não o foram pelos piores motivos (qual dos dois o pior), e também tive o privilégio de ser ensinado (na verdadeira acepção da palavra) por outros que me ajudaram, de uma forma ou de outra, a moldar a minha personalidade. Estes, infelizmente, foram poucas excepções à regra.
A minha experiência pessoal pode ser a de muitos ou a de poucos, mas, uma coisa é certa, os professores que se manifestaram contra a política de avaliações de Maria de Lurdes Rodrigues, ao tempo do executivo socrático, foram, na sua maioria, os professores calões. Contra o mérito, contra a avaliação, contra os seus colegas que mereciam uma diferenciação positiva. O resto foram fait-divers.
Porque a minha memória não é curta, recordo o apelo de Cavaco para que os professores viessem em força para a rua.
E hoje? Hoje sim, tem razão de ser a greve e a manifestação dos professores. A mobilidade especial, a ameaça de desemprego, a redução salarial, a perda de direitos e garantias, o atropelo da Constituição com ameaças ao direito à greve, etc. Mas, tal como os professores, todos os funcionários públicos têm razões de queixa, a maior fatia de austeridade vai para eles.
Em nome da coerência, também devo dizer que há professores a mais, e funcionários públicos a mais. De quem é a culpa? Certamente não será deles, as políticas eleitoralistas dos últimos 30 anos levaram o país a basear toda a sua economia nos serviços. Em nome da verdade, o horário zero dos professores é insustentável, inadmissível e injusto para os professores de quadro a isso obrigados. A classe está macificada e nivelada por baixo. As políticas de educação, no ensino superior e afins, delimitaram uma fronteira larga demais, em que o acesso à profissão se tornou prejudicial para toda a classe. A meritocracia baseada na avaliação iria pôr um travão e maior justiça quer no acesso à profissão, quer no seu desempenho. Os calões e os sindicatos, por vezes ávidos de protagonismo bacoco não deixaram. Hoje por hoje a sua luta é justa mas só até certo ponto. Querer tudo, sem dar nada em troca é desleal. Quem sofre é a própria classe e principalmente os alunos.
Num outro campo, o verdadeiro responsável pela situação, Nuno Crato é o exemplo acabado da politiquice e do autoritarismo. A teimosia ditatorial representa sempre o desespero de quem não sabe comunicar, dialogar e não quer nem procura consensos. Obrigou milhares de alunos a fazer exame, não o desmarcando, enquanto outros tantos milhares não o fizeram, sendo, na mesma, obrigado a marcar nova data. Certamente que não estava à espera que os professores fizessem greve em Agosto ou no Natal? Ou estava? E agora, que foi obrigado, após uma lição democrática de humildade dada pelos professores em greve, a adiar o exame para quem não o fez, arranjou outro sarilho. Se o exame for mais fácil, esses alunos são beneficiados, se for mais difícil são prejudicados. Igual não pode ser. A igualdade de acesso à universidade ficou assim prejudicada por teimosia do ministro.

P.S. - A greve é um direito constitucionalmente garantido. Bem sabemos como este governo lida mal com a Constituição, mas definitivamente, não pode haver datas em que a greve não dá jeito e portanto não se pode exercer.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Universidade para génios

quarta-feira, 4 de julho de 2012 0
Existem certas universidades bem interessantes em Portugal.
Dão cursos intensivos de um ano e o diploma garante que não se terá um salário de 4€ por hora... mas sim um salário condigno no governo, juntamente com os bacharéis e incompetentes do costume.
Noutras universidades incentivam-se os alunos a contraírem um empréstimo para pagar as propinas, e noutras ainda é possível ter um certificado dominical...
Assim vai a educação em Portugal, ao nível de todos os outros sectores... uma merda!

 
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