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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A areia e o mar

segunda-feira, 27 de novembro de 2017 0
Quando existe falta de bom senso, a probabilidade de fazer asneira é grande. O jantar da Web Summit no Panteão nacional é um bom exemplo disso. Várias questões se levantam, nomeadamente se fará algum sentido a cedência de espaços públicos para a realização de festas privadas? Talvez, dependendo do sítio e numa lógica de rentabilização desse espaço, alocando as possíveis receitas para fazer face às despesas de manutenção. No caso do Panteão, o anterior secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, veio dizer que o diploma aprovado pelo governo anterior, e que regula este tipo de casos, não autoriza de cruz todos os pedidos, terá que ser feita uma avaliação caso a caso. O Instituto Geral do Património despachou de cruz até porque já se tinham feito outras festas antes. O ministro da Cultura e o primeiro-ministro não sabiam. Mas com bom senso, lá está, a festa poderia ter sido feita noutro sítio. Até porque, para lá do bom senso há uma questão de mau gosto. Não faz sentido fazer uma festa com dezenas de mortos à volta, mesmo que as zonas dos túmulos estivessem fechadas.
Fazer disto uma batalha política, não é falta de bom senso, é simplesmente estúpido. O diploma foi feito pelo anterior governo, e durante a sua legislatura houve vários eventos em espaços históricos e assim continuou nesta porque a legislação assim o permite. Barreto Xavier queria que se usasse o Panteão Nacional para jantares, prevendo a cobrança de pelo menos três mil euros, como está expresso no seu despacho. O erro da diretora do Panteão e da DGCP foi cumprirem esse regulamento, o do atual ministro foi não o rever. Mas os últimos a poderem apontar o dedo a alguém são exatamente as virgens ofendidas que fizeram e aprovaram estas regras.
Ainda na semana transacta, Portugal emitiu €1,25 mil milhões em títulos de dívida a 10 anos à taxa de juro mais baixa de sempre da sua história para um período tão longo (1,939%). É um resultado estrondoso, que tem por trás a expectativa de que a Fitch vai elevar o rating de Portugal a 15 de dezembro e que a Moody’s fará o mesmo no início de 2018, a par da evolução positiva de vários indicadores económicos (PIB, défice, dívida, emprego, desemprego, exportações, turismo). O desemprego, por exemplo, caiu para 8,5%, o valor mais baixo desde 2008, estando já abaixo do valor que o Governo prevê para o próximo ano. O défice ficará em 1,4%, mais um marco histórico. O PIB crescerá este ano 2,6%. A dívida pública terá o maior decréscimo de sempre. Um mar de razões para uma visão futura optimista.
A conclusão só pode ser uma: os mercados e as agências de rating estão a validar a política económica e orçamental do país. O resto é areia.

Publicado in "A Voz de Chaves", 16 de novembro de 2017

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O economês da treta

quinta-feira, 21 de agosto de 2014 0




José Gomes Ferreira, Medina Carreira, Camilo Lourenço (cito apenas estes porque são a nata do comentário económico/político), fazem da economia a sua praia. Explicam por A + B como se pode atingir um valor de X, e porque é que só foi atingido o valor de Y quando se podia ter perfeitamente um Z... Vendem livros a granel com títulos catastróficos do género 'A bomba atómica que rebentou com o país' ou 'Sócrates e os outros mentirosos que enganaram não sei quem mas que pouco interessa para o caso'. As capas dos livros chegam a apresentar as fotografias dos 'culpados' do último século e meio. Como nunca abri nenhum desses livros, só posso imaginar as invectivas que por lá grassam.
Têm em comum no seu comentário económico/político, tão em voga nos tempos que correm, uma narrativa sempre muito assertiva, feita com a convicção dos génios produtores de teorias que vão revolucionar o mundo e a forma como o pensamos. São os defensores das teorias do Estado mínimo, em que a turba tem que se sujeitar ao corte de pensões, salários, reformas, etc. São os visionários do novo paradigma neoliberal, por oposição ao social, fanáticos dos mercados e acérrimos seguidores das medidas auto-infligidas de austeridade, em que a base sustentadora obedece à narrativa do viver-se acima das possibilidades, a justificação de todo o mal. São capazes de abater com o olhar qualquer primeiro-Ministro que se cruze no tema do dia. A não ser que, como no caso de Gomes Ferreira, tenha mesmo a hipótese de entrevistar o primeiro-Ministro em funções, e olhos nos olhos, lhe faça um frete político, sem direito a perguntas incómodas e sem direito a confrontos com atitudes e declarações do presente e do passado (afinal não se trata do vilão do Sócrates). Gomes Ferreira, muito recentemente, e a escassos 15 dias do colapso do BES, esclareceu perante o país que o banco era seguro, chegando mesmo, com toda a sua frontalidade e saber de experiência feito, a incentivar os portugueses a investir no BES, alvitrando benesses ao nível das de Cavaco no BPN e dizendo que ele próprio (se dúvidas pudessem restar), tinha lá dinheiro investido e estaria mesmo a pensar investir todo o seu património no dito banco. É realmente penoso ver como Gomes Ferreira perdeu milhões ao não chegar a fazer o investimento prometido...
Já quanto a Medina Carreira as frases que utiliza classificam-no na perfeição, um ditador populista ultrapassado no tempo e com tempo de antena: "Os portugueses têm que optar - ou querem ser pobrezinhos ou têm que trabalhar mais e melhor, porque, se quiserem ter dezenas de feriados e de pontes, não se podem queixar que são pobres.", "Salazar foi um bom gestor. Era bom termos hoje um bom gestor", "Se o TC pudesse desaparecer o país só beneficiaria".
Camilo Lourenço (o tal do livro com a capa dos políticos em modo presidiário), foi, na sua ânsia de protagonismo boçal e fácil, ao estilo de João Jardim, o autor da frase da semana: "Os princípios constitucionais são uma treta".
Independentemente das críticas que se possam fazer às decisões do TC, dizer que os princípios constitucionais são uma treta, revela uma ignorância atroz e desprezo total por princípios e valores que devem reger qualquer sociedade dita civilizada. Em nome de quê? Da sua vaidade de grande comentador e fazedor de opinião no país, mas também em nome da estratégia de defesa do 'seu governo' seguidor da ideologia neoliberal que lhes é comum. E nesse caso, o TC continua a ser um inimigo, e com ele a Constituição. Mas como para Camilo, a igualdade, a liberdade e a democracia são uma treta, sugiro que censurem todos os livros da sua autoria, como já fizeram com outros no passado. Amordaça-lo também podia ser uma opção viável e já agora obrigando-o a ler repetidas vezes toda a obra de Keynes e de Marx... Como no tempo em que os princípios constitucionais eram mesmo uma treta...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Está tudo doido

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014 0
Aconselha o bom senso que as pessoas só falem daquilo que sabem, e ainda assim, principalmente no caso de serem titulares de órgãos públicos, a falar com prudência num discurso que se exige esclarecedor.
Ora, a histeria colectiva que se vive em Portugal e na Europa é um caso do foro psiquiátrico que não deixa espaço a uma discussão sadia sobre o papel do país na Europa e do Estado no e do país. Enquanto se vai empurrando com a barriga, toda a atoarda propagandista serve para camuflar a realidade. Vai desde um vice primeiro ministro que a pretexto de classificar e enaltecer a grande obra feita nas exportações, recorre a um porta-aviões figurativo, ele que viu um processo de submarinos afundar-se nas entrelinhas do nosso sistema de justiça. E como nós sabemos! que o desempenho das exportações ou o aumento do consumo privado nada tem a ver com algo de concreto que este governo tenha feito, mas antes se deve ao que o TC desfez. Ainda Portas se preparava para desenvolver a propaganda eleitoralista de baixa de impostos em 2015, sublinhando assim o milagre económico anunciado por Passos Coelho que permitiria uma saída limpa (ou suja conforme o ponto de vista), e já o FMI e a Comissão Europeia desfaziam com os pés toda a narrativa que se desenhava no governo e partidos da maioria. Um valente puxão de orelhas nos meninos de coro e até aqui bons alunos que já se preparavam para afrouxar o cinto e voltar aos pecados de antigamente. Assim como quem diz que a supervisão parental vai continuar. O relatório da troika afirma ainda que a austeridade é para manter por muito tempo e ainda urge baixar mais os salários, anunciando um corte de 3 mil milhões de euros para este ano que ainda ninguém tinha descoberto. O empobrecimento que está a destruir o tecido social e empresarial do país é para manter, por mais que se faça mea culpa. Os soluços da pequenada ainda se ouviam quando apareceu o líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, a dizer que "a vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor", como se fosse possível um país sem pessoas. Mas é nisto mesmo que eles acreditam, chegando até ao desespero de, com o intuito populista de disfarçar as medidas menos boas, inventar coisas no memorando inicial, para assim conseguir sacudir a água do capote imputando-as ao Sócrates do costume. Assim sucedeu com o mapa judiciário.
Mas há mais, desde a esquizofrénica proposta de Assunção Esteves de pedir a mecenas para patrocinar as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, passando pela absurda proposta de Seguro de criar um tribunal especial para grandes investidores e acabando na CPLP que irá permitir a entrada na comunidade de um país que tem um regime ditatorial e sanguinário e onde se fala tudo menos português (Guiné Equatorial), em troca de 150 milhões de euros para o BANIF. Quero ver o escabroso Acordo Ortográfico a ser assinado e ratificado pela Guiné Equatorial, e assim será assinada de vez a sua sentença de morte que já começou a ser escrita pelo Brasil. Tudo está à venda e está tudo doido...

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

2014 - A nova fronteira

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013 0
Portugal não é autossustentável. É um ponto assente que não produzimos o suficiente para o país sobreviver sem se endividar. As políticas mercantilistas, de betão e de PPP's, iniciadas ainda nos governos de Cavaco, que trocou as pescas, a agricultura, as minas e o sector industrial pelos dinheiros da Europa, apostando nos produtos não transaccionáveis e na grande distribuição feita de hipermercados e centros comerciais. A prosperidade e modernidade tornou-se efémera num país que continuou a política da obra feita ainda que à custa de onerar por décadas o futuro. A protecção dos grandes interesses pelos sucessivos governos, da energia à construção civil e à especulação imobiliária, da banca às celuloses, com nomeações garantidas a inúmeros políticos saídos dos governos como se fosse um mero trampolim, arruinou o que restava da produção nacional e garantiu que o país fosse apanhado com as calças na mão ao chegar a crise internacional. A quebra abrupta da natalidade, a emigração com níveis só comparáveis aos anos 60 do século passado, tornando insustentável a médio prazo o pagamento de pensões, porque quem trabalha é em menor número do que quem não trabalha ou já trabalhou, o enterrar do interior do país, abandonando-o à sua sorte, com encerramento de tribunais, postos de correio, repartições de finanças e mais que possa existir, a mentalidade de que o Estado chega para todos e a todos tem que amparar, sem que o critério seja o do mérito mas sim o tráfico de influências e a corrupção.
Como se não bastasse, este governo arruinou a economia em nome da salvação das contas públicas, e a pequena retoma a que agora se assiste mais não é senão a certeza de que batemos no fundo, aliada ao ligeiro aumento de poder de compra que o TC proporcionou ao impedir os cortes nos subsídios dos funcionários públicos. Quando se chega ao fundo do poço é impossível descer mais. Um povo que passou de piegas ao melhor povo do mundo, num memorando troikiano mal calibrado (Passos Coelho dixit ao fim de dois anos), ele que quis ir além do memorando, pondo em cena todo um plano de terra queimada numa cartilha vingativa contra o Estado social em nome de uma ideologia que sacrificou uma geração. A tão apregoada reforma do Estado continua por fazer, o tal objectivo que era suposto atingir-se com os sacrifícios de todo um país. O barco navega ao sabor do vento, sem rumo nem estratégia que não seja a de agradar à troika, e nem que isso signifique matar o pouco que resta do sector público estratégico e lucrativo do país. Uns quantos cortes na despesa, cegos e aleatórios foi tudo o que se fez nestes últimos dois anos, com o PIB a recuar 8 mil milhões de euros, a dívida não parou de crescer, assim como o desemprego, as taxas de juro não baixam e as desigualdades são cada vez maiores. O coma induzido será substituído a breve trecho pelos cuidados intensivos de longo prazo, Portas até já tem um relógio em contagem decrescente para com pompa e circunstância poder anunciar que continuaremos hospitalizados. O bom aluno aleijou-se nas aulas, e o professor é um espécime a extinguir. A tragédia e a devastação continuarão a trilhar o seu caminho com a muleta da UE e o olhar paternal de um governo incompetente e miserável, que se ajoelha sempre que lhe falam mais alto. A troika não pode nem quer aceitar um falhanço, e irá impor um segundo resgate, mudando-lhe o nome sob a supervisão do BCE. 2013 foi um ano para esquecer em Portugal, e não espero melhor em 2014 ou nos anos seguintes, porque Portugal continuará sem conseguir autossustentar-se e porque nenhuma reforma de fundo foi feita. Espero que em 2014 ninguém esqueça que a vitória de Pirro que o governo anunciará, não passará de uma nova e longa etapa que representará a mesma austeridade e o mesmo caminho. No léxico de Portas, será uma vitória irrevogável...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A refundição do Estado

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 0
O que é afinal o Estado Social? A resposta assume três vertentes.
A primeira diz respeito à afectação de recursos do país traduzida na provisão de bens e serviços públicos como a justiça, a segurança, a educação, a defesa, a saúde e a proteção social.
A segunda vertente refere-se à igualdade de oportunidades e como tal, tentar distribuir a riqueza e o rendimento de uma maneira socialmente justa, é aqui que entra, por exemplo, a progressividade dos escalões do IRS, agora em causa no Tribunal Constitucional.
A terceira vertente é a da estabilidade. O poder de autoridade do executivo, v.g. Estado, de comandar e regular o mercado, para combater a inflação, o desemprego, equilibrar as contas externas e promover o crescimento económico. Este é o modelo Keynesiano.
O modelo liberal, aposta sobretudo na auto-regulação do mercado. O Estado deve abster-se o mais possível de intervir. A teoria da mão invisível, de Adam Smith, prevê a eficiência dos mercados, apenas se estes se autoregularem, assente no bem privado em detrimento do bem público.
O modelo neoliberal é muito mais radical. É o capitalismo de casino no seu esplendor. Começou com Reagan e Thatcher e teve o seu epílogo na crise que agora vivemos e de que o governo actual é um fiel seguidor.
A economia deve estar ao serviço da comunidade, regulada por um poder político que impede monopólios e a lei do mais forte. Nos últimos tempos, a doutrina libertinária convenceu-nos que só afastando o papel regulador do Estado seria possível alcançar maiores lucros. O resultado é conhecido. O pior da natureza humana ascendeu como um rastilho. Deslealdade, ilegalidade, avareza, compraram com dinheiro fácil, pessoas, governos, e até países. De uma forma ou de outra.
O recente relatório do FMI, aponta para refundação do Estado Social em Portugal. A tal refundação que o governo sempre apontou. Um relatório feito à medida, em que a refundação do Estado Social não existe. É a sua destruição ideológica urdida nos bastidores do eixo Passos, Relvas, Moedas e Gaspar.
Com o carimbo do FMI, mesmo contradizendo o que até aqui vem afirmando, o governo pode agora, numa chapelada do tamanho do país, refundir (é esta a palavra exacta a utilizar), o Estado Social.
Afinal, o último objectivo do modelo ideológico seguido por este governo, por muito que o CDS esperneie.
O corte cego de 4 mil milhões de euros será feito, mais uma vez, à custa dos contribuintes, dos trabalhadores, dos desempregados, dos pensionistas, dos de sempre. O elo mais fraco. A refundação que se pretende, é o corte das bases do Estado. As suas empresas mais estratégicas e/ou lucrativas, os pilares elencados acima do Estado Social. O que se pretende é a vingança ideológica de um sistema que apesar de ter que ser revisto, concedo, será simplesmente eliminado, coartado, suprimido. O que dantes estava ao serviço do cidadão, passará a estar ao serviço de um qualquer chinês, angolano ou colombiano/brasileiro, que apenas visará o lucro, e se estará marimbando para o comum do pensionista, desempregado, pobre ou excluído.
Se é verdade que eleições antecipadas não ajudam em nada o país, também é verdade que neste momento, poderão ser um mal menor. Com Seguro ou sem Seguro, o caminho que nos querem  fazer percorrer será sempre para pior...
E porque gosto de apresentar alternativas aqui vão algumas:
- Renegociação do memorando de entendimento, nomeadamente, mais um ano de prazo para pagar a dívida, com alívio na conta de juros, alicerçando a economia, aligeirando os bolsos dos portugueses, que com mais poder de compra, mais dinheiro têm para consumo;
- Redução do IVA da restauração e do turismo para a taxa mínima;
- Redução do IRC para 10%, para captar investimento estrangeiro, uma boa medida proposta pelo ministro da economia, já ridicularizada pelo técnico oficial de contas Vítor Gaspar;
- Nacionalização de todas as PPP's deficitárias e prejudiciais para o Estado, pagando as compensações e indemnizações, mas garantindo um futuro livre de juros, prestações, comissões e afins;
- Não ao resgate do BANIF, poupando mil e cem milhões de euros no imediato;
- Corte a sério no parque empresarial do Estado, ao invés das 3! fundações extintas;
- Redimensionamento do Estado Social, com estudos sérios e discussão séria e fundamentada, e não a sua refundação/refundição/alienação, com cortes cegos e, para variar, inconstitucionais.

PS- Um governo de um país, cuja Constituição, estorva em todos os sentidos, diz muito do que poderia ser, se ela não existisse.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Até quando?

terça-feira, 10 de abril de 2012 0
O fim das indemnizações por despedimento para os contratos a prazo, assim como novos limites para a prestação de sobrevivência e de subsídio em caso de morte e a diminuição das indemnizações para os contratos sem termo são as novas grandes medidas do governo para relançar a economia e baixar o desemprego. Alie-se a isto a proibição das reformas antecipadas e o esbulho dos subsídios até 2015, feitas, como diria Louçã, "à ssssocapa", e temos uma estratégia digna de constar nas futuras enciclopédias de história, na parte 'Os grandes erros da economia do século XXI'.
É um desígnio nacional baixar salários para poder competir com os da China. Lembrando tão só, que os salários reais já estão ao nível daqueles de 1990...
O emagrecimento do Estado, que devia ser feito à custa da redução de 2/3 do lado da despesa, se é que alguém ainda se lembra disso, no último Orçamento rectificativo, já é feito do aumento de 3/4 do lado da receita. O que equivale a dizer que não houve emagrecimento do Estado.
Até quando?
Todas as previsões do memorando da Troika saíram furadas até hoje. No consumo público e privado, no PIB, no desemprego, no crescimento, no investimento, nas exportações. Já tinha sucedido na Grécia, e o empobrecimento e a austeridade deram no que deram lá, como vão dar aqui. Não resulta em lado nenhum. Mesmo no seio da Troika, FMI e BCE já não acham que faça qualquer sentido. Nos próprios EUA, Obama resolveu investir dinheiro na economia para combater a crise, voltando-se para as obras públicas e tudo o que lhe está associado, com resultados imediatos, e por isso vai sair da crise muito antes que a UE, com toda a vantagem que isso representa, para eles, obviamente. A recessão é o resultado inexorável da destruição da maior conquista do século passado, o estado social. Mas Passos e Gaspar gostam e aplaudem. Defendem até à morte o seu plano de guerra ao estado social.
Até quando?

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

As contas 'austeras' de Gaspar

terça-feira, 17 de janeiro de 2012 1
O défice externo de Portugal em 2011 deveria, e segundo o acordo firmado com a Troika, situar-se abaixo do limite de 5,9% do PIB. Com a transferência dos fundos de pensões da banca para o Estado (numa engenharia financeira já utilizada por outros governos, contas de merceeiro à portuguesa portanto), a meta foi largamente cumprida, e o défice ficou nuns gloriosos e eficazes 4% (o défice real foi de 7,1%). Uma lição de economia com que Vítor Gaspar nos brindou, um autêntico milagre.
Mas, como neste país de chico-espertalhões, não há bela sem senão, esqueceu-se o prodigioso mestre das finanças (que fala num tom monocórdico e lento, como um professor a dar aulas a atrasados mentais), que as pensões têm que agora ser pagas pelo Estado aos pensionistas bancários. Agora e no futuro. O valor  a ser pago em 2012 é de €478 milhões. Ou seja, o que era evidente para qualquer pessoa, mesmo a mais leiga na matéria, não foi equacionado pelo brilhante Gaspar. Assim, como a operação não foi contabilizada no Orçamento para 2012,  e juntando-lhe €1500 milhões vindos da liquidez dessa mesma operação e que serão utilizados para pagar dívidas dos hospitais EPE, o défice para 2012 cuja meta seria de 4,5% do PIB, vai situar-se nos 5,4%, que correspondem a um acréscimo desses 0,9% extra de dívidas hospitalares. Faltam então contabilizar os tais €478 milhões, que correspondem a 0,3% do PIB. Um pequeno erro de cálculo que obrigará a mais austeridade, por muito que o Ministro diga que não. No fim de contas, os do costume vão pagar também as reformas dos bancários; falta saber se não pagaremos também os erros nas contas das administrações dos hospitais EPE.
Com um Ministro da Economia que quer vender e exportar pastéis de belém como solução para a revitalização do sector, um Ministro das Finanças que não sabe fazer contas, um Primeiro-Ministro que nos manda emigrar e protege os seus amigos, com uma recessão que se vai situar à volta dos 3%, com mais austeridade, mais taxas, mais recessão, mais austeridade, mais impostos, mais recessão (acho que já perceberam), é este o caminho que cegamente nos impingem, nem que para isso se venda Portugal a retalho, como um cão chinês servido em bandeja.

P.S.- Alberto João Jardim continua a chantagem como se não fosse ele que precisa de dinheiro e o responsável pela fraude na Madeira. Tem razão contudo num ponto, ao não assinar um acordo que seja impossível vir a cumprir, ao contrário do que nós 'cubanos' fizemos.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Cuidado com os cães

terça-feira, 6 de dezembro de 2011 0
As cúpulas que dominam a política e a economia de mercado, são por estes dias uma espécie de oligarquia. Reinam à vontade protegidos pelo sistema. A verdade é que tudo tem um preço, e se não for mais alto ou mais baixo, alguém há-de ter um almoço de borla. A política protege a economia, desregulando e afastando o Estado dos centros decisores. Dá liberdade e margem de manobra para as engenharias financeiras poderem operar sem a fiscalização que impediria a agiotagem, especulação e fraude a que se assiste diariamente, e através das privatizações dá de barato os seus centros de decisão e de riqueza, para que outros possam entrar num mercado que antes era uma miragem. A economia devolve os favores com 'luvas', empregos remunerados ao nível de um jogador do Real Madrid (em empresas privadas com capitais públicos ou públicas com capitais privados), e participação em negócios, directa ou indirectamente, com lucro garantido. Assim numa espécie de limbo apaziguador de consciências mais afoitas. Os princípios e valores são os que se vendem nos canais de comunicação social que todos eles controlam, directa ou indirectamente. A justiça é feita ao som do clarim mediático, fazedor de opiniões, de inocentes e de culpados.
A Europa segue ao mesmo ritmo, dominada por conceitos ideológicos de 'troikistas' (não confundir com 'trotskistas') e alemães e franceses com saudades imperiais. Os EUA são os oligarcas por natureza, e onde todos aprenderam a conjugar o verbo especular. A China, o Brasil e Angola estão-se a marimbar para o assunto (até porque só um deles é uma democracia), e compram ao desbarato, já sem vergonha de dizer que querem 'entrar' na Europa.
A oligarquia é um sistema em que o poder político está concentrado num pequeno grupo de pessoas ligadas por laços familiares, empresariais ou de influências. Quando se fala em Estados a oligarquia assume o nome de imperialismo. Austeridade é o nome que se dá à garantia pela qual este grupo continuará a governar. Procurem exemplos por aí, e se conseguirem identificar pelo menos 10 em menos de 30 segundos é porque se calhar a democracia que conhecemos já está subvertida e prestes a ser enterrada...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Vozes de burro não chegam ao céu

terça-feira, 15 de novembro de 2011 0
Manuel Pinho anunciou o fim da crise... depois desmentiu-se, simulou um par de cornos na AR e demitiu-se... é esta a história de um dos ex-Ministros da Economia em Portugal.
O Álvaro (como gosta de ser tratado), Ministro da Economia, dos Transportes, Obras públicas, Energia e Turismo, como só às segundas-feiras é que trata da economia, resolveu também ele anunciar o fim da crise para 2012, quando se sabe que vai ser o ano mais recessivo em Portugal desde que vivemos em democracia... Eu até percebo que ele se queira ver livre da economia, coitado, com tanto que fazer, a economia é mesmo uma chatice, uma pedra no sapato.
Seguindo os passos de Pinho também já se desmentiu... vamos ver se não troca o par de cornos de Pinho por um par de orelhas de burro e se põe de costas no fundo da sala, porque alguém que é Ministro de uma das mais importantes pastas dos tempos em que vivemos, numa das maiores crises nacionais e internacionais de sempre, num ano de cortes, desemprego e de recessão profunda, e que copia o mesmo erro colossal de um seu antecessor, ou é burro ou é incompetente... Seja como for, "Você é o elo mais fraco...Adeus!"


 
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