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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Os dedos cruzados

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016 0
Quando era criança e se jurava por tudo e por nada, apenas para se obter um benefício, quase sempre banal e benigno, cruzavam-se os dedos da mão atrás das costas, com receio de algum castigo divino. Passos Coelho com a sua voz maviosa, não acredita que o OE seja possível de concretizar. Segundo o próprio, o enorme aumento de impostos sobre as famílias e a classe média, a austeridade asfixiante e ao mesmo tempo a devolução de apoios sociais, de salários e de pensões vão fazer disparar o défice e a dívida e a terra tremerá sob o castigo divino dos mercados, os cavaleiros do apocalipse e as pragas do Egipto. Adianta no entanto, que espera, para o bem do país, que o governo de Costa consiga cumprir as metas, mas todos vimos, quando abandonou o parlamento, cabisbaixo, os dedos da mão cruzados atrás das costas.
Se Costa conseguir cumprir as metas do défice, ao mesmo tempo que reduz a dívida e o desemprego, e mesmo assim conseguir que o país cresça, isso significará a derrota em toda a linha de tudo o que Passos e Dijsselbloem e Schauble nos ensinaram a fazer. Ou será, que por ironia do destino, as horas passadas por Passos de joelhos em Bruxelas, não seriam elas próprias um auto de fé?...
Porque também já sabemos que o OE que ontem foi aprovado historicamente por toda a esquerda, não pode ser ao mesmo tempo de austeridade e de despesismo. Se é de austeridade não é de despesismo, e portanto o bicho papão socialista da banca rota não pode ser usado. E também não pode ser despesista, afinal aumenta alguns impostos, negociados e aprovados por Bruxelas. E a direita, campeã da austeridade, ainda não conseguiu desatar o nó cego que este orçamento lhe deu. É até capaz de criticar uma austeridade que em nada tem a ver com os últimos cinco anos no país. E isso ninguém consegue compreender. Nem a própria. 
O que é então? É uma geringonça que funciona, que trata as pessoas pelo nome, que não lhes faz mal, que repõe direitos roubados, que diminui assimetrias e desigualdades, que aposta no território como um todo, que cumpre e não afronta a Constituição, que não capitula nem se ajoelha perante Bruxelas. Despreza a inevitabilidade dos coitadinhos, manda às malvas a teoria do empobrecimento como castigo ideológico que usa frases feitas de propaganda paternalista.
A geringonça funciona e não usa sacanices... é chegada a vez da Europa começar a sua reconstrução, ou enfrentar o seu fim. 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Descobertas de fim de ano

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015 0
Lentamente lá se vai descobrindo o que a coligação andou a fazer em tempos de campanha e de gestão. Descobriu-se que afinal a devolução da sobretaxa do IRS que em tempos de campanha eleitoral era de 35% e agora é 0%. Lá se vai descobrindo que os cofres estão vazios, que foi gasto um terço da almofada financeira só em Novembro. Que a dívida não pára de aumentar, que o défice não vai ser cumprido, que a economia estagnou e que os problemas dos portugueses continuam por resolver. E a direita trauliteira que povoa a nova AR ainda não se deu conta que enquanto continuar com o discurso da ilegitimidade, enquanto tiver Portas e Passos na bancada, só dá trunfos ao PCP e ao Bloco para aguentarem o governo PS.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A crise da Europa, do país e do PS - Por uma narrativa alternativa

quinta-feira, 3 de julho de 2014 0
A construção europeia, foi, nos últimos anos, uma das maiores vítimas da crise internacional. A resposta da zona euro assente na austeridade e em políticas restritivas e depressivas subjugou o ideal europeu aos interesses de alguns países mais fortes, numa atitude defensiva que passou por cima das instituições e obedeceu aos ditames de tecnocratas, do CE e do diktat.
A presidência de Barroso, moço de recados dos referidos mandadores sem a legitimidade das urnas, permitiu sempre com total complacência que as decisões fossem tomadas por pessoas que apenas representam os interesses dos seus países, sem visão de conjunto e sem coragem.
A falta de democraticidade no seio da União, em que as decisões não são tomadas pelos organismos realmente eleitos pelos cidadãos europeus e a quem teriam que prestar contas, torna o eurocepticismo numa realidade profunda e ambígua, com os resultados desastrosos que se conheceram nas últimas eleições europeias, nomeadamente em França. Quando os cidadãos europeus viram as costas às suas instituições por entenderem, bem, que o seu voto não os representa nem tem qualquer utilidade, é a própria UE que está em risco. A falta de visão progressista (por oposição à do ritmo da austeridade) e a falta de legitimação dos órgãos da UE, açaimados por uns poucos em benefício próprio, estão a minar toda a construção europeia.
O actual estado da zona euro está assente na tal visão egoísta, neoliberal e monetarista que torna inviável o projecto social europeu, muitas vezes promovendo a sua destruição, que levou 50 anos a construir e permitiu cinco décadas de paz na Europa. Visão seguida pelos governos pobres de espírito, alunos engraxadores, ansiosos pelo reconhecimento dos seus mestres. Senhores de uma coluna vertebral elástica, de vénias contorcionistas aos fortes, e de braço de ferro com os fracos. Para defender o Estado social europeu, o caminho é o de romper com esta direita no poder, que não merece consenso. Nem no projecto europeu, nem na receita aplicada, muito menos na visão do futuro.
É essa a esperança que deposito em António Costa. Um líder forte, que não se anule durante 3 longos anos, precisamente quando todas estas questões estavam em cima da mesa. Que não use truques para se perpetuar no poder, que não se esconda nos estatutos que inventou para ele, que não ponha em causa o futuro do seu partido e por conseguinte o do seu país, trocando-o por ambições pessoais mesquinhas de poder. Que crie finalmente as pontes da esquerda, coxa anos a fio. E, que sobretudo, não se conforme com a narrativa que a direita vem apregoando. A narrativa segundo a qual Portugal não soube adaptar-se à moeda única, porque viveu acima das suas possibilidades, porque não fez as reformas necessárias, porque foi despesista, por causa da insustentabilidade do Estado Social, por causa das PPP's. Esta narrativa assenta na ideia que a nossa crise é interna e das finanças públicas. E esta é a narrativa que grassa na Europa. E assim sendo a austeridade é de facto a única solução. Seguro nunca foi capaz de desconstruir esta tese, seja por inabilidade, seja por nunca ter feito as pazes com o seu passado de opositor de Sócrates, visando sobretudo proveitos eleitorais.
Desde a década de 90 que Portugal tem acumulado dívida externa, sobretudo privada. Com a crise financeira internacional de 2008, o sistema através do qual essa dívida era financiada, com especial relevo na banca, implodiu. Após a intervenção dos estados, incentivados numa primeira fase pela zona euro (BPN e afins), o que era uma crise da balança comercial transformou-se numa crise das finanças públicas e das dívidas soberanas, com o aumento das taxas de juros exigidas pelo esbulho e pela ganância dos credores e dos mercados. A crise das finanças públicas não é uma causa, mas sim a consequência e o efeito da crise. Basta atentar que nos 3 anos anteriores ao início da crise, Portugal conseguiu atingir um défice público inferior a 3%. Portugal tem os seus pecados e exageros, é certo, tem vários problemas de nível estrutural, mas tem sobretudo fragilidades expostas por uma crise internacional que pôs a nu as contradições e a incompleta integração da moeda única, sem os mecanismos necessários que possam igualar os diferentes estados.
Seguro sempre jogou o jogo do adversário e por isso nunca foi capaz de se constituir como alternativa e desmontar a narrativa simplista do governo, que impõe aos prevaricadores (todos nós) a austeridade como castigo. Neste preciso momento arranjou um verão quente ao PS, de todo desnecessário, e que poderá trazer ainda mais surpresas desagradáveis (as primárias não constam dos estatutos e como tal poderão ser ilegais e impugnadas por qualquer militante). António Costa já se posicionou no terreno do combate à narrativa da direita, sem medo das consequências ou do passado do seu partido. E essa é a diferença, essa é a alternativa.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Direita ou esquerda? Ultra!

sábado, 8 de fevereiro de 2014 1
Direita e esquerda não podem viver uma sem a outra. A supressão de uma delas implica directamente a negação da outra. Em termos axiológicos, históricos, económicos e até culturais faz sentido a distinção e sobretudo a dicotomia que estimula o debate. Enquanto ele for mantido na esfera democrática, bem entendido. Ignorando os extremos de um lado e de outro, toda a última semana serviu para demonstrar de forma cabal as diferenças entre os dois, sem subestimar o carácter da crise e o estado de necessidade a esta anexado, a coligação de direita no governo e a própria matriz ideológica dos seus intérpretes.
Quando falamos de políticas intervencionistas do Estado, igualdade social, liberalização individual, mobilidade social, estamos, obviamente, na esfera de uma política de esquerda. É a direita que defende a política do mercado livre, o laissez-faire, a mão invisível. A esquerda é também favorável a uma redistribuição da riqueza e da receita, ao passo que a direita apresenta uma política de aceitação das diferenças provocadas pelo próprio mercado livre.
Claramente, a direita apela à importância das tradições e da ordem comportamental impostas pela história, pelos valores, pela religião e pela cultura já estabelecidos. A esquerda é muito mais dada à liberalização dos modos de vida dos indivíduos. Por isso mesmo, a esquerda é muito mais favorável à mudança enquanto que a direita apresenta-se muito mais conservadora. As questões fracturantes como a liberalização do aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e agora a co-adopção são oriundas da esquerda. São fracturantes porque rompem com as tradições.
A direita defende que apenas através do trabalho e do mérito será possível conseguir a ascensão social, ao passo que à esquerda se acredita que naturalmente essa ascensão ocorrerá, nem que seja pela mão do próprio Estado.
A esquerda prefere o apoio à autonomia cultural e económica das nações e, pelo contrário, a direita surge como favorável à globalização e partilha à escala.
Ambos lados têm pontos em comum e naturais virtudes e defeitos, e na evolução natural do mundo de hoje, muito difícil se torna governar num só sentido.
O sector económico e financeiro que disputa com a política a luta pelo poder, e que com esta crise internacional nitidamente o suplantou, não permite um governo unicamente guiado pela esquerda. O centro, é, há uns anos a esta parte, o espaço ocupado pelos partidos que almejam ganhar eleições, de direita ou de esquerda, apesar de serem identificáveis vários exemplos que permitem distingui-los quando no poder. Na sua raiz histórica (com toda a evolução desde o séc. XIX que seria demasiado exaustivo estar a aqui a expor), direita e esquerda são liberais. A tendência é colocar o liberalismo na direita quando se fala da relevância que esta dá à propriedade e ao mercado. Mas o liberalismo situa-se à esquerda sempre que se opõe ao gosto pelas hierarquias e pelas tradições que são próprias do conservadorismo.
O problema situa-se noutro plano. Cingindo-me agora à situação portuguesa, o problema surge quando o governo da nação, intervencionada por credores ultra-liberais de direita (coniventes com os causadores da crise internacional), se identifica também ele com esse caminho. O caminho do ultra-liberalismo ou neo-liberalismo, tende a aproximar-se do extremo, desvirtuando as virtudes (passo o pleonasmo) da ideologia de direita norteadora deste governo. E assim, o capital e as empresas ocupam o discurso demagógico e populista de quem necessita de fazer dinheiro a qualquer custo, prescindindo do individuo e assente numa retórica de números em que o que interessa é o preço das coisas e não o seu valor, negligenciando os procedimentos legais como temos visto com o TC. Aliás, a judicialização da política é hoje em dia uma defesa intrínseca contra a desregulação e a ilegalidade.
É por isso, que este governo nada tem a ver com a matriz ideológica e histórica dos partidos que o compõem, a não ser nas tais questões fracturantes. O exagero das suas opções ideológicas, seguindo a tendência cega dos usurários credores e fazedores de Estados, adulteram os valores da direita no poder. E é por isso também que a crença cega e exotérica no mercado livre, já por si pernicioso (como se provou), levada ao exagero pode gerar perversões de difícil retorno. A venda de património, de empresas do sector estratégico estadual, de espólios culturais encaixa nesta visão da ditadura do capital. Esta direita no poder não é sensível ao individuo, não tem qualquer preocupação social e não se interessa por qualquer tipo de presença estadual na sua vida, contanto que apareçam números que justifiquem a sua actuação. Assim, a venda de espólios culturais (Miró), a razia na educação e na ciência (bolsas de investigação), a venda de empresas do Estado, estratégicas ou não para o país (PT, CTT, ANA, seguros da CGD, EDP, REN, etc.), o abandono da coesão territorial e do Estado na vida das pessoas (SNS, tribunais), o desprezo pelas instituições ao serviço do Estado (TC), a política mercantilista que impõe os números ao indivíduo (cortes nas pensões, salários, subsídios com o consequente brutal aumento de impostos), ignorando os números da emigração com o objectivo de esconder a real situação do desemprego, a desvalorização do factor trabalho (despedimentos e mais baratos) em benefício do factor capital, tudo junto, fazem deste governo um factor desestabilizador da paz social e das conquistas da democracia como o estado social com implicações graves por décadas. E não, a narrativa da culpa do governo ou governos anteriores já não pega, geralmente empregada à míngua de argumentos. 'Atrás de mim virá, quem de mim bom fará.'

quinta-feira, 25 de abril de 2013

25 de Abril SEMPRE!!!

quinta-feira, 25 de abril de 2013 0
Celebrar o 25 de Abril é celebrar a democracia e a liberdade. A liberdade de expressão, de opinião, de facto e de direito. Celebrar o fim da ditadura, da censura, do medo, da fome e da pobreza. É celebrar as conquistas do Estado de Direito, da saúde para todos, da educação e da segurança social, do progresso e das eleições, da cidadania. Da igualdade de oportunidades e dos direitos, liberdades e garantias  expressos na Constituição de 1976. A Constituição mais garantística e das mais perfeitas do mundo. Desactualizada em alguns aspectos, é certo, mas não naqueles. Alvo, hoje, dos maiores ataques desde que a palavra foi devolvida ao povo. E essa é uma conquista de Abril. Como o foi também o fim da guerra colonial, injusta e opressora do direito à liberdade e autodeterminação de povos e territórios escravizados durante séculos, que sempre pertenceram às populações que neles habitavam. Mais uma justiça que Abril fez. A forma como decorreu o processo de descolonização já será outro assunto, o que interessa é que foi levado a cabo.
Nunca como hoje, o título deste blogue foi mais actual. Os ataques aos valores de Abril, são os ataques aos valores da social democracia, levados a efeito por um governo incompetente, todavia com uma agenda ideológica e neoliberal bem definida de ataque ao Estado social e de uma estratégia de empobrecimento dos portugueses. Uma estratégia de vingança mesquinha contra tudo o que o Estado representa, contra tudo o que representa diminuição do poder dos mercados, dos particulares e dos interesses. Se é certo que o Estado representa para alguns viver à sombra de recursos inesgotáveis de poder, corrupção e dinheiro fácil, porque construídos sob a égide do domínio público, também é certo que o caminho percorrido ultimamente representa a ditadura do mercado e da austeridade como resposta à corrupção desses mesmos mercados que nos trouxeram até aqui, assentes na usura, na especulação e na ganância.
Os valores de Abril são postos em causa porque os mesmos que os quiseram contornar, são os mesmos que ditam a forma de os ultrapassar definitivamente. A guerra ao Estado é imposta por um diktat, mais ou menos com interesses alemães, mais ou menos com interesses difusos que ninguém sabe quem são. Fundados no empobrecimento, na austeridade, no medo, no populismo e na chantagem. Escudados na troika e no memorando vão trilhando o caminho do desemprego e da recessão. O caminho escolhido pela guerra em surdina dos bastidores do FMI e da Alemanha, seguido com subserviência pela UE e pelo governo de um Portugal amordaçado, lambe botas e sem voz. Esta direita não é a direita social-democrata, a direita do PSD de Sá Carneiro. Esta direita é a direita revanchista. É uma direita que usa os cravos na lapela hipocritamente. É a direita que não gosta da Grândola e não sabe a letra. É a direita que trai os valores de Abril. É a direita que vê na Constituição um óbice ao seu exercício de poder, um obstáculo à prática da sua agenda neoliberal. Que escarna e mal diz dos seus tribunais e instituições, é uma direita tecnocrática e apolítica, sem rumo, sem visão, e esperemos que sem futuro...
Cavaco, que sempre conviveu mal com o 25 de Abril, com a sua memória e com os seus valores, provou hoje que não é digno de representar Portugal e os portugueses, que esqueceu propositadamente Saramago, a quem censurou, numa vingança mesquinha a um Nobel, só porque não partilhava da sua ideologia, provou hoje que tem dois pesos e duas medidas consoante a cor de quem governa, que é complacente com o estado do Estado e do país, que é a mão por detrás do arbusto e que é cúmplice do descalabro e da austeridade, revanchista e fascizóide, fez hoje um dos discursos mais antidemocráticos de que tenho memória.
O 25 de Abril sobreviverá a Cavaco e a este governo. O 25 de Abril é de todos, mas é mais de uns que de outros...

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Um pouco mais de esquerda

quinta-feira, 13 de setembro de 2012 0
O calor de Verão naquele dia de Agosto era um fogacho do que se esperaria. E como o tempo é sempre um óptimo desbloqueador de conversa, quebrei o gelo referindo que o Verão naquele dia se tinha escondido. "Os comunistas é que deram cabo disto tudo!" - recebi como resposta. Ora, não sendo comunista, ainda assim percebi que a resposta não se limitava ao estado do tempo em particular, mas a tudo de um modo geral, e não consegui disfarçar um sorriso irónico. No entanto, nada disse.
Como explicar a um homem emigrado nos EUA há mais de 50 anos, que vive o sonho americano, que a coisa não era bem assim?! Como explicar-lhe que os EUA são dos poucos países que se recusaram a assinar os acordos de Quioto? Como explicar que foram as políticas liberais de Thatcher, Reagan, Bush pai e do idiota do Bush Jr. que permitiram a total desregulação do sistema financeiro e levaram ao rebentar da 'bolha'. Com as consequências que se conhecem. Como explicar que foram os especuladores 'agiotas' de colarinho branco que destruíram a economia ocidental, em nome dos mercados e da livre iniciativa de mão invisível. Como explicar que são os mesmos ainda que se propõem resgatar os estados, reféns das suas políticas de austeridade, urdidas em conselhos de administração de empresas que têm ministros e o FMI em speed dial. Como explicar que continuam a ser os mesmos a ditar (do verbo diktat) a maneira como serão os contribuintes e os trabalhadores a pagar o colapso do sistema por eles implodido e que agora pretendem reformar com mais do mesmo, impondo cartilhas liberais a cegos discípulos cheios de tesão, inebriados por uma falsa sensação de poder, cada vez menos legitimados (sim, agora estou a falar do 'conselheiro' Borges). Como explicar que o país mais 'democrat' do mundo, considera eleger para presidente outro idiota (Romney) do género Bush Jr. Será coincidência que todos os referidos venham dos católicos republicanos, que representam uma América contra o aborto, mesmo em caso de violação ou má formação, a favor dos lobbies, dos cidadãos armados até aos dentes, da política externa baseada no petróleo e na mentira e na guerra para o conseguir, num mapa geoestratégico de interesses, de perseguição e de intolerância só comparada com a dos terroristas, numa política fiscal de favorecimento dos mais ricos e proteção dos mais influentes (para o bem ou para o mal), no óbvio reforço do sector militar, na política de saúde do pagador/utilizador, estilo comparar pessoas com scut's (tens dinheiro e seguro vives, não tens morres). Como explicar que 50% de americanos do país com mais estúpidos por m2 não percebe nada disto, nem quer, ferrados no patriotismo bacoco de melhor nação do mundo, com uma arma na mão e uma bandeira na outra.
Obama será melhor? É, mas não muito. É confrangedor ver que a nação mais poderosa do mundo (até a China lhe apetecer) só tem uma visão, de direita ou de  imbecil direita (a China não é uma democracia, por isso não conta para este cálculo), olhando de soslaio uma visão mais social e igualitária da sociedade, assente no individuo, na equidade e na redistribuição. Quem assim pensar leva com o rótulo de comunista, o pior insulto que se pode dirigir a um americano, como tentam insinuar com Obama, que instituiu a saúde gratuita para quem não puder pagá-la. Mais ou menos o contrário do que acontece hoje em dia em Portugal, seguindo uma ideologia deliberadamente assente na desforra do liberalismo sobre a doutrina social, abdicando da soberania dos estados, da proteção social na saúde e no trabalho, rasgando décadas de luta e de evolução.
Um pouco mais de esquerda, e um pouco menos de direita cá e lá e podia ser que os sacrifícios e a crise não doessem tanto... A crise começou lá e continua por cá!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

É o Povo pá!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012 0
O liberalismo e o primado do mercado está em queda livre. A frase não é minha. Diz-se em surdina por aí. Ainda ninguém (com voz que se ouça) o disse abertamente.
De 1978 a 2008, aumentar as desigualdades era um mal menor, em troca do crescimento. Que o digam Reagan ou Thatcher. Os líderes mundiais confiaram que assim fosse.
As bases do início da crise internacional de 2008 abalaram o sistema, e a sua suposta cura, com as draconianas medidas de austeridade, criaram a ruptura entre os afortunados e os excluídos. A luta de classes está aí ao virar da esquina. As dicotomias acentuaram-se, patrões/trabalhadores, financeiros/políticos/manifestantes/indignados. Se é certo que o liberalismo progrediu e vingou durante 30 anos, a sua 'mão invisível' de mercado, transformou-se na mão manipuladora, egoísta e especuladora, que visa o lucro a qualquer preço, ainda e à custa dos mais desfavorecidos.
A seguir ao liberalismo, dizem-nos, que a resposta é o neo-liberalismo (apesar de que quem o pratica assim não se considere). Em duas correntes. A corrente populista de direita, do Partido da Liberdade na Holanda, da Frente Nacional da França ou da Liga do Norte na Itália. São anti-globalização, anti-UE e anti-imigração. São proteccionistas de extrema-direita e estão em forte expansão por toda a Europa e com ligações ao movimento Tea Party nos EUA. Sarkozy conta com eles para vencer as eleições francesas. Oxalá não consiga.
A segunda corrente é a que está a aplicar e a fazer aplicar a austeridade na Europa, a que defende o Estado mínimo, a corrente defendida pelo governo português. Acham que o Estado tem demasiada intervenção e denunciam o socialismo. Defendem que a actual crise não se deve a excesso de capitalismo, mas sim a excesso de Estado demasiado poderoso. Por isso, privatizam os seus sectores fundamentais, e liberalizam o trabalho, em nome da austeridade e da Troika. Seguem o caminho cegamente, movidos por uma ideologia que só vê números, custe o que custar. É a corrente libertária ou neo-liberal.
A tendência oposta não se consegue impor. Por culpa própria ou porque o poder liberal é neste momento mais forte, a que não será alheia a Alemanha 'ditadora' das regras. A esquerda social-democrata, Keynesiana e socialista, da igualdade e do Estado social defende mais regulamentação para a alta finança, bancos incluídos, um travão na especulação imobiliária e das bolsas, combate à desigualdade, maior redistribuição da riqueza através dos impostos e consequentemente, maior intervenção do Estado. Só que os Estados, falidos e reféns da austeridade, não conseguem libertar-se. O crescimento da desigualdade e do desemprego tornaram-se uma preocupação global, que pode criar condições a um movimento anti-capitalista mais alargado e influente, como já se viu no caso Occupy Wall Street.
Qual das tendências sairá vencedora não sei, mas espero que seja a social-democracia de esquerda, porque a de centro-direita está agora subvertida, como se vê no próprio PSD português, contra toda a sua matriz ideológica. O mau estar em alguns sectores do partido é evidente. A cegueira que acompanha esta nova ideologia não deixa ver que a economia dificilmente recuperará sem um alívio na austeridade castradora de consumo, poupança e investimento e sem uma renegociação da dívida de forma a aligeirar a corda na garganta e permitir um crescimento sustentável e sustentado. As regras que ditarão a nova era sairão das cinzas deste combate. Só falta saber à custa de quê e de quem... para já, sofrem os mesmos de sempre. É o Povo pá...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Proibido virar à esquerda

segunda-feira, 21 de novembro de 2011 0
Em Espanha a direita está em estado de graça. Tal como cá, chegou ao poder com maioria, castigando a esquerda que lá esteve. Na Alemanha, na França e na Itália a direita sairá do poder assim que houver eleições. A não ser que se substituam os líderes por tecnocratas de cartilha e pasta na mão. Já aconteceu  na Itália. A crise agora também é da democracia.
A esquerda que estava no poder não soube atacar o problema da desregulação financeira, cozinhada desde os anos setenta. Não conseguiu enfrentar o poder económico instalado. Desistiu do contrato social em nome da especulação e da economia de casino, que substituiu a de mercado. Alavancados no eixo franco-alemão, a esquerda democrata soçobrou perante as exigências e a chantagem de quem verdadeiramente usa e abusa do poder político. E quando a direita populista está no poder e existe o perigo de ser substituída, encontra-se a tal solução de substituição tecnocrata, sem que o povo tenha direito a escolher o seu futuro. É que assim, estes 'encartados' vão poder assegurar que se paguem as dívidas, e já agora com juros a contento. O contribuinte é como o mexilhão, no fim é ele que se lixa. A esquerda tem que encontrar novas vias de se impor pelas ideias e sobretudo pela coragem de tomar medidas justas e equitativas, não desprezando o capital, mas não deixando que seja este a comandar as linhas de orientação da justiça e da igualdade. Se assim não suceder, o Povo não confia na esquerda. Os resultados estão à vista. A esquerda deixou-se adormecer e quando quis acordar já era tarde. Quando começou o ataque liberal, a única via foi aumentar a despesa e a resposta pôs em crise toda uma esquerda definhada, conformada e ultrapassada por uma agenda de ataque ao euro e à bolsa dos contribuintes. Não é por acaso que a agulha liberal tomou conta dos novos governos da Europa. A especulação e o capital de risco, comandados pelos mesmos gestores do Lehman Brothers e afins, influenciam assim com a sua 'mão invisível' os novos governos da direita liberal europeia. Os mesmos que coincidentemente, ou talvez não, foram os principais responsáveis pela crise internacional. Os mesmos que se apoderaram da banca e das famigeradas agências de rating. Veja-se a negociata que o nosso governo está a preparar com Angola para tomar conta do BCP.
Mário Soares disse recentemente que a democracia pode estar em causa. Assunção Esteves afirmou que é chegada a altura de o poder político assumir o papel central que perdeu para o poder económico. Ângela Merkel disse na semana passada que é necessário que a Europa reveja os seus Tratados com vista a uma real união económica. Será que finalmente se começam a despertar consciências?
No nosso burgo, Passos Coelho continua amarrado ao ideal que lhe venderam na feira da ladra, e depois de tentar despachar os 'imprestáveis'  Magalhães ao México e à Venezuela (sim, a do Chávez), tenta agora vender as nossas empresas a Angola. Se o nosso crédito é pouco, temo que se o ardil for para a frente, a nossa 'escassa' reputação não passará de um pântano onde se mergulha de tanga... A fama lamacenta de um país feito de capitais obscuros, mergulhará no lodo o resto da reputação que nos resta. Ao mesmo tempo, soube-se ontem que há um erro no Orçamento para 2012 e teremos que dar mais dinheiro à Madeira. O Alberto João veio ao Continente às compras e saiu com um vale postal de uma correcção nas contas e um brinde para poder gastar 3 milhões de euros em iluminações de Natal e queimar em fogo de artifício. Que linda é a Madeira!!!

Post Scriptum - Os 'Gatos Fedorentos' andam distraídos a embolsar uns milhares à pala da PT, e deixam para trás uma oportunidade única de fazer humor inteligente e histórico com fontes inesgotáveis todos os dias...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Um aperto de direita

sexta-feira, 28 de outubro de 2011 0
O dogma do primado do mercado é finalmente posto em causa pela própria direita. A austeridade a qualquer preço, que representará em 2012 uma recessão de 2,6%, só a mais alta desde que vivemos em democracia e uma taxa de desemprego recorde de 13%, num pacote bem embrulhado de cortes de salários, reformas e subsídios. Um esbulho que irá custar entre 40% a 50% do rendimento disponível até 2013. Um radicalismo cego contra todos os avisos, incluido o de Cavaco, que agora é criticado quando antes era aplaudido. Porque é que o nosso plano de ajustamento não pode ir até 2015, como o da Irlanda?
A estratégia falaciosa da austeridade, com o consequente crescimento das desigualdades sociais, não leva a mais eficiência, mas a uma desagregação que seria catastrófica. Não quero parecer demasiado pessimista, mas o caminho que isto segue é o da destruição completa da nossa economia.
A direita mundial, após o fracasso do 'mercado livre', começa agora a reconhecer a importância do Estado-providência, mais intervencionista, moderador de desigualdades e zelador das igualdades. O dogma de que todos podíamos enriquecer pelo risco e pelo capital, tornou-se a quinta das galinhas dos ovos de ouro para meia dúzia de empresários e especuladores. Está à vista de todos que só alguns enriqueceram, e só esses poderão enriquecer ainda mais. Os outros que se seguem, são afilhados e protegidos pelo sistema. Os que sobram são contribuintes e indigentes. Os que pagam para que tudo fique na mesma.
A esquerda moderada não quer acabar com o capitalismo, não quer um socialismo soviético, quer um capitalismo com regras. A direita começa a reconhecer que um capitalismo selvagem sem regras, caminha a passos largos para a sua derrota.
O populismo do discurso liberal, é aproveitado pelos poderosos para manterem os seus privilégios. Se se fala na falta de fiscalização para pôr ou tirar uma dúzia de rendimentos sociais de inserção, já aos salários e mordomias de políticos e empresários salafrários, escrutinados todos os dias, nada acontece. E a diferença entre uns e outros é de milhões de euros no que aos cofres públicos concerne. Como me dizia um amigo meu, nem 8 nem 80.
A diferença está pois no que o sistema político faz assim que chega ao poder. Entre a esquerda e a direita, ainda ninguém conseguiu governar contra o grande capital, que oferece empregos de administração pagos principescamente a quem sai do governo e deu uma mãozinha. Note-se que o capital e o património continuam a não ser tributados à medida da subida dos impostos sobre o rendimento e o consumo.
Tanta falta de visão, tanta austeridade suicida, tantos cortes, uma desvalorização salarial fortíssima, acompanhada de facilitismo de despedimentos e quebras de investimento e de consumo como não se viam desde os anos 80, e teremos uma economia competitiva do género da China na Europa, mas só à base de mão-de-obra barata e de um Estado pequenino, sem centros de decisão e vendido pela oferta mais baixa a quem quiser comprar.


 
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