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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Três laranjinhas menos duas laranjinhas é igual a uma laranjinha

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013 0
A falta de vergonha na cara é um problema sério que se está a transformar numa pandemia. No nosso país e no mundo.
Resumir o ano de 2013 torna-se fácil após a mensagem natalícia de Passos Coelho. A bandalheira e a chico-espertice foi ao cúmulo de, fazendo de todos nós parvos, afirmar que em 6 meses o governo criou 120 mil postos de trabalho. Mais uma vez os números choram e tremem nas mãos de Passos. São torturados até atingirem os propósitos do seu carcereiro. Se eu produzir 3 laranjinhas e papar 2 laranjinhas, só tenho uma laranjinha para vender. A matemática é exacta e universal. Se ocultarmos que enchemos a barriga com 2 laranjinhas, podemos anunciar aos crentes que produzimos 3 laranjinhas sem que seja necessário mostrá-las. A tristeza da coisa, é que tal como Tomé também nós quisemos ver para crer. E quando fomos ver faltavam 2 laranjinhas. E assim descobrimos, os que quiseram ver, que no primeiro trimestre se destruíram 100 mil postos de trabalho. E que nos últimos 2 anos se destruíram 500 mil postos de trabalho. Aplicando a difícil equação ao terço de Passos Coelho, chegamos à conclusão que este ano foram criados 20 mil postos de trabalho. Eu ajudo: 120-100=20... E se formos aos últimos 2 anos, já com a fórmula correcta aplicada dá: 500-20=480... Ou seja, Passos destruiu 480 mil postos de trabalho com a sua política de empobrecimento, ajustamento, austeridade, o que lhe queiram chamar. No final das contas não dá nem um gomo da laranja para espremer. E bem espremido não há sumo que se veja. Quando mexemos com as laranjinhas e com a tabuada, tal como nos ensinaram na primária, a verdade matemática é como o azeite. O governo já tinha tentado fazer o mesmo com os números do desemprego, ocultando da equação os números da emigração. Andam sempre ás turras e ás apalpadelas, como um cego sem bengala.
Aliás, 2013 ficou marcado pela crise irrevogável de Julho, e que sabe-se agora, custou ao país 2300 milhões de euros. Pois é, a rapaziada revogável que anda a brincar à política e aos tribunais esqueceu-se deste número e da brincadeira.
Assim como esquecem amiúde que em plena comissão de inquérito aos swaps, o próprio governo negociou um swap que nos onera em mais uma década. Comissão de inquérito cujo relatório final foi ardilosamente concluído pela maioria e seus pajens.
A democracia armodaçada de 2013 com que nos querem convencer que a dívida é insustentável e impagável sem o caminho da austeridade extrema, da privatização de todos os nossos recursos e sectores estratégicos é um caminho fraudulento assente na repetição populista e exaustiva do martelar dos números, do empobrecimento para além da troika, da chantagem e da pressão, ainda que seja exercida sobre um órgão de soberania como ainda é o nosso TC.
A falta de vergonha na cara não tem limites, principalmente se tiver a cara do primeiro Ministro e do seu vice...

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A cara e a careta

sexta-feira, 8 de novembro de 2013 0
Congratular-se com a ténue descida da taxa de desemprego sem considerar o aumento sazonal, e como tal temporário, de empregabilidade e a descida abrupta da população residente por causa da debandada de emigração, com números semelhantes aos anos 60, é um exercício bacoco de aproveitamento demagógico e sobretudo falso.
Aliás, já nos habituámos ao constante martelar dos números, até os próprios chorarem de vergonha. Considerar a taxa de desemprego, ignorando todos os outros factores não deixa de ser uma falsidade e uma manipulação estatística.
Poiares Maduro tem tiques de Relvas e insiste em dizer que o pior já passou e pelos vistos o governo tem em Margarida Rebelo Pinto e em D. José Policarpo seguidores de grande gabarito. Aquele acaso em que a cara dá com a careta.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Impulso Jovem?

quarta-feira, 3 de abril de 2013 0
Após o conselho aos jovens para emigrar, mais tarde o governo aconselhou-os a dedicarem-se à agricultura. Agora, Miguel Relvas tirou um coelho da cartola e convidou Miguel Gonçalves para ser o 'embaixador' do programa Impulso Jovem. Relvas diz que conheceu o jovem empreendedor no youtube.
E quem é Miguel Gonçalves? É o jovem solícito e desembaraçado que falou muitas vezes no programa 'Prós e Contras' da RTP. Aliás, parece ser esse o seu 'emprego': dar palestras. Concedo até que tenha muito boa vontade e acredite na enxurrada de coisas dinâmicas que diz, com aquele estilo peculiar de vendedor de sonhos. Mas não chega. A sessão da sua apresentação decorreu na manhã de terça-feira, na presidência do Conselho de Ministros. Começou por embaraçar o próprio ministro Miguel Relvas, ao dar como exemplo os alunos da sua mãe, professora, que 'acham que se não estudarem passam na mesma'. Utilizar a palavra 'estudar' seguida de 'passar na mesma' ao lado de Relvas serve para causar aquele silêncio ensurdecedor e constrangedor que ocorre quando alguém é inconveniente. Principalmente quando a inconveniência brota da negligência ou da ignorância. Quando de seguida os jornalistas o questionaram sobre a austeridade e as políticas do governo, o Miguel, que trata toda a gente por tu, à boa maneira de Futre, solicitou-lhes que lhe fizessem perguntas às quais ele fosse capaz de responder. Ora bem, a falta de impulso jovem que supostamente não deixava Relvas dormir, tem agora um 'embaixador' à sua altura. Voluntarioso, mas incompetente. Dinâmico, mas inconsequente. Falar não chega, e ainda assim vender pipocas também não será um exemplo feliz. O Impulso Jovem é que não ganha nada com isto. O desemprego virou anedota com os Miguéis... Podem ver a reportagem aqui...

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Teste à paciência (só para ver se tem limites como dizem)

sexta-feira, 26 de outubro de 2012 0
TSU sim, TSU não... mais meia hora de trabalho sim, a seguir não... cortes nos subsídios de desemprego mais baixos, primeiro sim, depois já não... o governo lá vai apalpando terreno, como faria um recém cego, imune às críticas à sua política de lesa pátria; de todo o lado, de dentro dos próprios partidos da coligação ao FMI.
A política de terra queimada, de anunciar primeiro, testar, ouvir as manif's, as críticas e a reacção, para depois recuar numa pirueta encarpada à retaguarda, é uma espécie de escola sabática com contornos de ligeireza académica. Porventura apreendida num curso qualquer de geopolítica estratégica feito com 90% de equivalências.
Mota Soares aprendeu bem a doutrina dos mestres Gaspar, Coelho e Relvas... E tão crítico que ele era da política social quando estava na oposição. Tão defensor dos pobres, dos desempregados, dos trabalhadores e pensionistas, dos agricultores, assim como o Paulinho das feiras.
A falta de rigor, de competência, de critério e de coerência é gritante. A falta de respeito é ainda maior. E a falta de vergonha na cara, essa, é fascinante.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Reserva de caça grossa

quinta-feira, 26 de julho de 2012 0
Os 25 mais ricos de Portugal têm uma fortuna avaliada em 14 mil milhões de euros. O desemprego em Portugal atinge os 16,2%.
Enquanto o verão mete férias, e o gelo derrete na Gronelândia, o mosquito continua a sugar o sangue como quer. O mosquito da sacanice, mais conhecido por banqueiro investidor, ou então a sua sub-espécie, o especulador, continua a atacar nos mercados os mais desprotegidos.
Assim, e à falta de antibióticos, porque o SNS não consegue dar resposta a tantos pedidos, agora que o Estado Social começa finalmente a ser desmantelado, numa espiral de ajuste de contas com o passado, onde só vê números e não vê pessoas, o individuo desprotegido compete por baixos salários, numa corrida à entrada na lista dos 25 mais pobres.
Os tubarões dão-se bem com o mosquito porque têm a pele protegida e fizeram um pacto de não agressão, num conluio negociado nas lojas da maçonaria. A justiça a esses não se  lhes aplica, porque quem furta milhões merece louvor, quem furta uma maçã merece castigo... Esses tubarões, os abastados dos interesses e dos lobbies, e a sua sub-espécie, o político bajulador e oportunista, dão-se bem em oceanos desregulados e só em França e na Irlanda começam a ver as suas barbatanas em risco.
De outro lado aparece também o polvo, com vários tentáculos, é um polvo com uma transformação genética num evolucionismo que é ao mesmo tempo e paradoxalmente um retrocesso civilizacional. Tenta controlar a quem se vende os mais preciosos activos do país, camuflando assim, lugares de prestígio e de riqueza, onde a sua influência será garantida no futuro, quando o barco for ao fundo, permitindo-lhes assim usar o Estado de uma outra forma, que não o corte na despesa de organismos públicos e empresas municipais fúteis, quase inactivas e deficitárias. Aí também o polvo tenta proteger alguns lugares de favor, que poderão dar alguma estabilidade na manutenção do status quo e da poltrona com vista para o mar onde abundam os tubarões. O polvo neo-liberal é também populista e conta com colaboradores que usam expressões do género "que se lixem" e outros que fazem questão de 'arranjar' um dr. antes do nome.
O polvo permite que o tubarão faça a caça nas suas águas, mesmo que o tubarão venha da China ou de Angola. Anula com outros polvos da Europa qualquer hipótese de os indivíduos desprotegidos poderem vir a adquirir qualquer espécie de repelente contra os mosquitos e/ou antibióticos para quando já foram infectados. Aniquilando assim a espécie do individuo desprotegido, e colocando nesse patamar os outros mais desprevenidos, quer porque lhes retira poder de compra, com salários baixos e despedimentos ad hoc, quer porque o lança no desemprego ou o manda para o estrangeiro, o polvo consegue assegurar que o capitalismo é mesmo selvagem, numa reserva de caça protegida, onde só entram tubarões e mosquitos...
A selva, já com as cercas a arder, que protegiam os indivíduos desprotegidos e desprevenidos, é o sonho de qualquer predador, agora que se permite caçar sem quaisquer regras, proibições ou limitações.
Depois da cerca arder por completo, e a caça acabar, os polvos, os tubarões e os mosquitos regressarão a casa para gozar a merecida reforma, ou numas férias pagas com os juros e rendimentos resultantes da venda da caça grossa...
A selva e os oceanos, esses, nunca mais serão os mesmos...

terça-feira, 29 de maio de 2012

O mendigo

terça-feira, 29 de maio de 2012 0
Trazia uns calções rotos e manchados de sangue. A t-shirt de aspecto imundo mais parecia um farrapo de lavar o chão. E o calor apertava. O que não abonava nada para disfarçar o cheiro nauseabundo a sangue, suor e lágrimas. Estava descalço. O rosto cansado de desespero e queimado pelo sol. Apesar da aparência não tinha mais de 40 anos. Pedia esmola a quem passava fingindo não o ver. Disfarçavam a realidade com um desvio do olhar. Porque o olhar pode trair. É melhor não ver. Passei como se não existisse. O remorso pode remoer uma alma até à catarse final. "Eu venho já." Regressei ao mesmo sítio. E ele lá estava. Tinha a seus pés um boné desgastado pelo tempo e pelas agruras da vida. No seu interior jaziam abandonadas meia dúzia de moedas de cinco cêntimos. Só então reparei no cartaz. O cartaz... pousado a seu lado dizia: 'só peço trabalho'...

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Q.

quarta-feira, 23 de maio de 2012 0
O Q. é meu amigo. É família. E vizinho. Trabalha na construção civil. Habituei-me a ouvi-lo nos fins de tarde quentes de verão. Havia sempre que fazer. As batatas, as videiras, a lenha. A mulher desempregada e os dois filhos menores 'carregavam-lhe' os ombros. Desafiava-me várias vezes para uma mini fresquinha, no alpendre, olhando o horizonte e o pôr do sol, bebendo-o como se no dia seguinte não houvesse de nascer outra vez teimosamente. Dissertava aziago sobre a vida, sempre com um sorriso nos lábios. Costumava dizer-me que preferia o inverno. O sol põe-se mais cedo. E enquanto há dia, há que fazer. Os sábados eram de jeira. Enfrentava a vida com trabalho. Mas não era piegas. Nem achava que o desemprego podia ser uma oportunidade.
Fui levá-lo ontem ao aeroporto. Emigrou...

domingo, 13 de maio de 2012

Novas oportunidades

domingo, 13 de maio de 2012 0
O desemprego pode ser uma oportunidade se tiver um amigo chamado Ângelo Correia.




 
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