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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
quinta-feira, 3 de julho de 2014
A crise da Europa, do país e do PS - Por uma narrativa alternativa
quinta-feira, 3 de julho de 2014
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A construção europeia, foi, nos últimos anos, uma das maiores vítimas da crise internacional. A resposta da zona euro assente na austeridade e em políticas restritivas e depressivas subjugou o ideal europeu aos interesses de alguns países mais fortes, numa atitude defensiva que passou por cima das instituições e obedeceu aos ditames de tecnocratas, do CE e do diktat.
A presidência de Barroso, moço de recados dos referidos mandadores sem a legitimidade das urnas, permitiu sempre com total complacência que as decisões fossem tomadas por pessoas que apenas representam os interesses dos seus países, sem visão de conjunto e sem coragem.
A falta de democraticidade no seio da União, em que as decisões não são tomadas pelos organismos realmente eleitos pelos cidadãos europeus e a quem teriam que prestar contas, torna o eurocepticismo numa realidade profunda e ambígua, com os resultados desastrosos que se conheceram nas últimas eleições europeias, nomeadamente em França. Quando os cidadãos europeus viram as costas às suas instituições por entenderem, bem, que o seu voto não os representa nem tem qualquer utilidade, é a própria UE que está em risco. A falta de visão progressista (por oposição à do ritmo da austeridade) e a falta de legitimação dos órgãos da UE, açaimados por uns poucos em benefício próprio, estão a minar toda a construção europeia.
O actual estado da zona euro está assente na tal visão egoísta, neoliberal e monetarista que torna inviável o projecto social europeu, muitas vezes promovendo a sua destruição, que levou 50 anos a construir e permitiu cinco décadas de paz na Europa. Visão seguida pelos governos pobres de espírito, alunos engraxadores, ansiosos pelo reconhecimento dos seus mestres. Senhores de uma coluna vertebral elástica, de vénias contorcionistas aos fortes, e de braço de ferro com os fracos. Para defender o Estado social europeu, o caminho é o de romper com esta direita no poder, que não merece consenso. Nem no projecto europeu, nem na receita aplicada, muito menos na visão do futuro.
É essa a esperança que deposito em António Costa. Um líder forte, que não se anule durante 3 longos anos, precisamente quando todas estas questões estavam em cima da mesa. Que não use truques para se perpetuar no poder, que não se esconda nos estatutos que inventou para ele, que não ponha em causa o futuro do seu partido e por conseguinte o do seu país, trocando-o por ambições pessoais mesquinhas de poder. Que crie finalmente as pontes da esquerda, coxa anos a fio. E, que sobretudo, não se conforme com a narrativa que a direita vem apregoando. A narrativa segundo a qual Portugal não soube adaptar-se à moeda única, porque viveu acima das suas possibilidades, porque não fez as reformas necessárias, porque foi despesista, por causa da insustentabilidade do Estado Social, por causa das PPP's. Esta narrativa assenta na ideia que a nossa crise é interna e das finanças públicas. E esta é a narrativa que grassa na Europa. E assim sendo a austeridade é de facto a única solução. Seguro nunca foi capaz de desconstruir esta tese, seja por inabilidade, seja por nunca ter feito as pazes com o seu passado de opositor de Sócrates, visando sobretudo proveitos eleitorais.
Desde a década de 90 que Portugal tem acumulado dívida externa, sobretudo privada. Com a crise financeira internacional de 2008, o sistema através do qual essa dívida era financiada, com especial relevo na banca, implodiu. Após a intervenção dos estados, incentivados numa primeira fase pela zona euro (BPN e afins), o que era uma crise da balança comercial transformou-se numa crise das finanças públicas e das dívidas soberanas, com o aumento das taxas de juros exigidas pelo esbulho e pela ganância dos credores e dos mercados. A crise das finanças públicas não é uma causa, mas sim a consequência e o efeito da crise. Basta atentar que nos 3 anos anteriores ao início da crise, Portugal conseguiu atingir um défice público inferior a 3%. Portugal tem os seus pecados e exageros, é certo, tem vários problemas de nível estrutural, mas tem sobretudo fragilidades expostas por uma crise internacional que pôs a nu as contradições e a incompleta integração da moeda única, sem os mecanismos necessários que possam igualar os diferentes estados.
Seguro sempre jogou o jogo do adversário e por isso nunca foi capaz de se constituir como alternativa e desmontar a narrativa simplista do governo, que impõe aos prevaricadores (todos nós) a austeridade como castigo. Neste preciso momento arranjou um verão quente ao PS, de todo desnecessário, e que poderá trazer ainda mais surpresas desagradáveis (as primárias não constam dos estatutos e como tal poderão ser ilegais e impugnadas por qualquer militante). António Costa já se posicionou no terreno do combate à narrativa da direita, sem medo das consequências ou do passado do seu partido. E essa é a diferença, essa é a alternativa.
Desde a década de 90 que Portugal tem acumulado dívida externa, sobretudo privada. Com a crise financeira internacional de 2008, o sistema através do qual essa dívida era financiada, com especial relevo na banca, implodiu. Após a intervenção dos estados, incentivados numa primeira fase pela zona euro (BPN e afins), o que era uma crise da balança comercial transformou-se numa crise das finanças públicas e das dívidas soberanas, com o aumento das taxas de juros exigidas pelo esbulho e pela ganância dos credores e dos mercados. A crise das finanças públicas não é uma causa, mas sim a consequência e o efeito da crise. Basta atentar que nos 3 anos anteriores ao início da crise, Portugal conseguiu atingir um défice público inferior a 3%. Portugal tem os seus pecados e exageros, é certo, tem vários problemas de nível estrutural, mas tem sobretudo fragilidades expostas por uma crise internacional que pôs a nu as contradições e a incompleta integração da moeda única, sem os mecanismos necessários que possam igualar os diferentes estados.
Seguro sempre jogou o jogo do adversário e por isso nunca foi capaz de se constituir como alternativa e desmontar a narrativa simplista do governo, que impõe aos prevaricadores (todos nós) a austeridade como castigo. Neste preciso momento arranjou um verão quente ao PS, de todo desnecessário, e que poderá trazer ainda mais surpresas desagradáveis (as primárias não constam dos estatutos e como tal poderão ser ilegais e impugnadas por qualquer militante). António Costa já se posicionou no terreno do combate à narrativa da direita, sem medo das consequências ou do passado do seu partido. E essa é a diferença, essa é a alternativa.
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quarta-feira, 10 de abril de 2013
Thatcher e o início da crise
quarta-feira, 10 de abril de 2013
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Excluindo raras excepções, a morte de uma pessoa não deve ser celebrada. Ocorrem-me alguns nomes cujo desaparecimento são dignos de festa de arromba: Hitler, Mussolini, Estaline, Pinochet e, entre nós, Salazar.
Esta semana morreu Margaret Thatcher. Houve elogios à sua memória e celebrações da sua morte. A Primeira ministra britânica entre 1979 e 1990 ficou conhecida como a Dama de Ferro. Esta é uma morte que não deve ser celebrada, porque não se compara aos exemplos acima referidos, no entanto o seu percurso político não é digno de elogio. Muito pelo contrário. Thatcher que um dia disse que Nelson Mandela era um terrorista ficará para a história como a mãe do neoliberalismo que está na origem de toda a crise dos Estados que agora vivemos.
A par com Ronald Reagan nos EUA, Thatcher foi responsável pela política mais liberal de sempre. Uma agenda radical de desregulação financeira da banca e do mercado de trabalho. A sua agenda política, de que agora Gaspar e Passos Coelho são seguidores, ainda que tal esteja na origem de toda a crise mundial, assentava nas privatizações do sector empresarial do Estado e apostava na guerra ao Estado social e aos sindicatos. Reduziu o Estado social a um mínimo quase intolerável e reprimiu com punho de ferro as greves dos mineiros, chegando a limitar o direito à greve. Tudo isso, a acrescentar à recessão e ao desemprego levou à sua quase imediata impopularidade. Mas foi salva pela guerra das Malvinas. Com a vitória sobre a Argentina em 1982, conseguiu ser reeleita para o cargo e continuar a sua política, que, anos mais tarde, nos EUA e na Europa levaria à crise económica e financeira mais grave da história recente da humanidade.
Foi com Thatcher que o neoliberalismo nasceu na Europa, e com ele a entrega do poder económico e financeiro aos usurários, investidores e banqueiros, retirando-o da alçada do Estado e da política. Foi com a Dama de Ferro que a política começou a submeter-se ao poder financeiro do capital e do monetarismo em vez de ser ao contrário. O poder político, que está ao serviço do Estado, ficou refém do poder económico e financeiro. Ao submeter o poder político à vontade do capital especulador e desregulado submete-se o Estado à vontade da economia, que devia servir o homem e não o seu contrário.
Foi também com Thatcher que a Inglaterra se auto-excluiu da UE e do euro. No entanto, a sua política é a utilizada (agora mais requentada) para fazer face à crise económica e financeira e da dívida soberana dos Estados e de que a mesma é responsável. É uma contradição insanável de que ninguém tem 'tomates' (assim mesmo) para denunciar. A falta de líderes corajosos e a falta desse poder político agora submetido à vontade do poder financeiro fazem com que a Europa não consiga sair da crise. Os resultados estão à vista. Recessão, défice, dívida pública, desemprego, pobreza. Guerras começaram por bem menos, e não vejo luz ao fundo do túnel, porque o túnel continua a ser escavado.
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terça-feira, 26 de março de 2013
Norte e Sul
terça-feira, 26 de março de 2013
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A guerra da secessão norte americana teve na sua génese a escravatura e o racismo que os estados do sul defendiam e os do norte queriam abolir. Ganhou o norte para bem da humanidade.
As duas guerras mundiais do século XX tiveram como protagonista a Alemanha imperialista e xenófoba. Perdeu das duas vezes para bem da humanidade.
Em pleno século XXI assiste-se à guerra financeira no seio de uma UE que devia ser solidária e igual entre estados. A UE não é um Estado federado, e portanto, apesar de haver uma moeda única, não se põe em questão uma secessão. Não existe o perigo de declarações unilaterais de independência porque os estados são independentes, fora os que tiveram ou têm intervenção da troika.
A Alemanha entrou para a UE sob pressão da França, de modo a conseguir controlar o seu poderio económico e militar. Com receio do que lhe tinha acontecido anos antes. Chipre entrou na UE sob chantagem da Grécia.
Num caso e noutro, a França e a Grécia acabaram por sucumbir a um maior poderio da economia alemã e aos seus próprios erros, que a Alemanha jurou nunca mais cometer.
Sem ter medo das palavras, o imperialismo alemão é de novo uma realidade. Desta vez por uma via menos bélica. A diferença entre o norte e o sul da europa acentua-se à medida que a crise se desenvolve. A Alemanha que controla o BCE, define a intervenção nos países periféricos, mais pequenos e mais expostos. Repare-se como, apesar de urgente, em Espanha e Itália não houve resgate como em Portugal e na Irlanda. Mas a austeridade fez-se sentir quase nos mesmos moldes.
A última novidade é o assalto a Chipre. Duas notas prévias. O Chipre é um paraíso fiscal de lavagem de dinheiro, sobretudo russo. Chipre tem das maiores reservas naturais de gás natural. Os depósitos bancários do Chipre representam quase 900% do seu PIB. Chipre comprou massivamente dívida pública grega. A banca deu o estouro, e naqueles termos, obviamente o país. Qual a solução encontrada para impedir o domínio russo sobre o país e consequentemente sobre o seu gás natural? O confisco das contas bancárias. O que se segue? A fuga de capitais que a Alemanha e a Holanda já se ofereceram para receber. Percebem?
O Eurogrupo, ordenou este assalto a Chipre com o beneplácito de Gaspar, que por ser ministro das Finanças dele faz parte. Votou a favor. Dijsselbloem, o holandês presidente do Eurogrupo disse no domingo que a forma de resgate a Chipre é uma nova forma de resolver os problemas na banca da zona euro. O ministro das Finanças alemão Schauble, disse ontem que os críticos do sul têm inveja da Alemanha.
Norte e Sul, duas europas, e a UE que já não é união nenhuma. A Alemanha paga muito. É verdade. Mas lucra bem mais... Não se iludam. Este assalto às contas bancárias é uma nova forma de comprar um país que só representa 0,2% do PIB da UE. O norte da Europa, impediu a Rússia de controlar o Chipre, comprando-o. E prepara-se agora para enriquecer a sua banca, com a inevitável fuga de capitais do Chipre. O confisco dos depósitos é o maior assalto da história. Um assalto sem precedentes e perigoso. Os líderes europeus ainda não perceberam que as suas acções e sobretudo omissões, serão o fim da UE e o dos ideais que a construíram. Agora juntaram a desconfiança à desesperança.
Acrescente-se ainda que o único órgão que é eleito pelos cidadãos europeus, o Parlamento Europeu, não tem qualquer poder nem voz activa no processo e a Comissão Europeia é subserviente aos desígnios alemães. Quem manda na Europa é o Eurogrupo, e o BCE e quem manda nestes é Merkel. A UE tem falta de democraticidade. É uma amálgama de órgãos inúteis, a que se sobrepõe o diktat alemão.
O Eurogrupo, ordenou este assalto a Chipre com o beneplácito de Gaspar, que por ser ministro das Finanças dele faz parte. Votou a favor. Dijsselbloem, o holandês presidente do Eurogrupo disse no domingo que a forma de resgate a Chipre é uma nova forma de resolver os problemas na banca da zona euro. O ministro das Finanças alemão Schauble, disse ontem que os críticos do sul têm inveja da Alemanha.
Norte e Sul, duas europas, e a UE que já não é união nenhuma. A Alemanha paga muito. É verdade. Mas lucra bem mais... Não se iludam. Este assalto às contas bancárias é uma nova forma de comprar um país que só representa 0,2% do PIB da UE. O norte da Europa, impediu a Rússia de controlar o Chipre, comprando-o. E prepara-se agora para enriquecer a sua banca, com a inevitável fuga de capitais do Chipre. O confisco dos depósitos é o maior assalto da história. Um assalto sem precedentes e perigoso. Os líderes europeus ainda não perceberam que as suas acções e sobretudo omissões, serão o fim da UE e o dos ideais que a construíram. Agora juntaram a desconfiança à desesperança.
Acrescente-se ainda que o único órgão que é eleito pelos cidadãos europeus, o Parlamento Europeu, não tem qualquer poder nem voz activa no processo e a Comissão Europeia é subserviente aos desígnios alemães. Quem manda na Europa é o Eurogrupo, e o BCE e quem manda nestes é Merkel. A UE tem falta de democraticidade. É uma amálgama de órgãos inúteis, a que se sobrepõe o diktat alemão.
domingo, 17 de março de 2013
Portugal foi à bruxa e saiu-lhes o Gaspar!
domingo, 17 de março de 2013
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Vítor Gaspar fez mais uma consulta ao país. A consulta de cartomância e bruxaria do costume. Previu o futuro, outra vez, e mais uma vez sabemos que vamos ser enganados. A bola de cristal de Gaspar definitivamente não funciona. É um embuste. Como qualquer bruxo que se preze do nome, faz previsões e não acerta uma, a não ser por mera coincidência. E Portugal não pode ser governado com base em hipóteses enigmáticas e aposta na coincidência. Até porque já toda a gente percebeu, excepto o nosso ministro das Finanças que não são coincidências. Aumento dos impostos, cortes nas pensões e reformas, quebra no consumo, redução de investimento, aumento do desemprego, menos receita fiscal, recessão, desemprego, a espiral recessiva que já se conhece e para a qual há vários meses vem sendo alertado. No tom hipnotizante habitual acabou a conferência de imprensa a responder aos jornalistas com um enigmático, preocupante e indiferente: "Não sei...".
A sétima avaliação da troika pôs a nu toda a incompetência de Gaspar e do governo. Estes por sua vez puseram a descoberto toda a ignorância que a troika demonstra sobre a economia de Portugal.
O corte de €4000 milhões na despesa do Estado (apresentados falaciosamente como refundação do Estado) revelou-se impossível de alcançar num ano. Não será fácil nos dois que se seguem. Os ministros conseguem aumentar impostos do pé para a mão. Basta não olhar a pessoas e vê-las como números. Olhar para 300 mil pequenas e médias empresas que necessitam do acesso ao crédito para sobreviver e pôr isso nas mãos da banca descapitalizada por culpa própria, com jogos de casino e bónus pouco éticos. Qualquer leigo sabe que isso representa a insolvência do tecido empresarial português e o aumento brutal do desemprego. Para além da incapacidade de cortar na verdadeira despesa do Estado. Recorrendo a truques de tesouraria e à custa da venda em leilão dos sectores fundamentais de regulação estadual. Abdicando de empresas estratégicas de interesse nacional como é o caso da EDP que apresentou lucros de €1000 milhões, e de que ainda vamos ser chamados a pagar o défice tarifário. Pasmem-se!
O défice de 3%, que é a meta a atingir do memorando, passou de 2013 para 2015. A troika abonou mais dois anos. Gaspar não queria nenhum. A sua humanidade e humildade inexistentes roçam o ultraje. Este memorando já não é o assinado em 2011. Esse memorando já sofreu ajustes que o põem no patamar que Passos Coelho sempre idealizou. O desemprego como dano colateral para baixar salários e custos com o trabalho, despedimentos e indemnizações. A recessão como inevitabilidade com os fins únicos da desalavancagem da banca e redução rápida dos desequilíbrios externos. Um dos objectivos do memorando ideológico está quase cumprido, a redução drástica dos custos do trabalho. Mesmo que seja à custa de milhares de desempregados, pensionistas e reformados. E isto ainda não acabou. O processo de intenções da conferência de imprensa de sexta-feira de Gaspar é a curto prazo preparar-nos para mais cortes. Mas não os €4000 milhões anunciados. São mais cortes do mesmo. Pensões, reformas e salários. Afinal é só o que o governo sabe fazer. Fá-lo como ninguém em abono da verdade. E se o TC declarar a inconstitucionalidade dos três artigos em causa do Orçamento para 2013, que já por si e por mérito de Gaspar é inaplicável, então, só resta um caminho ao governo, a demissão e a saída pela porta dos fundos.
Não é desejável uma crise política, no entanto, dando como certo que Portugal necessita de um ajustamento, sério, justo e capaz, e precisa de cortar nas famosas gorduras do Estado, após dois anos deste desgoverno, já não é tão certo, neste momento, se isso não será o melhor para o país. Ou não sabem que mesmo depois deste esforço a dívida pública portuguesa atingirá 124% do PIB em 2014? Ou que a consolidação orçamental é um descalabro? Ou que em 2014 o desemprego atingirá mais de um milhão de portugueses? Ou que este governo é tão incompetente que nem a sua matriz ideológica consegue cumprir? Que a sua matriz liberal já não é sequer um programa mas antes uma questão de sobrevivência quotidiana sem qualquer ideia para o futuro? Que queria tirar do Estado e dar aos privados, cortando e vingando-se do Estado social e que nem isso consegue fazer porque não sabe como?
Portugal foi à bruxa e saiu-lhes o Gaspar!
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Vítor Gaspar
quarta-feira, 6 de março de 2013
Morreu um ditador
quarta-feira, 6 de março de 2013
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Morreu Hugo Chávez. Morreu um ditador. Apesar de nutrir alguma simpatia pelo homem que sempre disse de Bush Jr. o que ninguém tinha coragem para dizer, a verdade é que deixou o seu país na pobreza, mesmo nacionalizando a maioria dos factores de produção, com especial destaque para o petróleo. A sua veia pouco democrática de poder absoluto, de controlo do Estado e de plebiscitos duvidosos é um factor que não pode nem deve ser ignorado. Morreu um ditador. Que usou a propaganda e o populismo como todos os ditadores o fizeram no passado. Aproveitando as crises, económica e financeira, do capitalismo (de mercado e liberal) e dos valores da democracia.
Assim sucedeu, como a história nos faz questão sempre de lembrar, há quase um século. Na Alemanha, na Itália e em Portugal. Em Espanha e na América Latina. Na África e na Ásia. Na URSS.
Na ressaca da I Grande Guerra, o desemprego e a pobreza eram os principais problemas da Europa. Na Alemanha o desemprego atinge os 33% nos princípios dos anos 30. As reparações de guerra e o tratado de paz de Versalhes com perda de território e de população é visto como uma humilhação. As convulsões antidemocráticas e contra a I República de Weimar fazem proliferar os grupos paramilitares e extremistas, entre eles o nazi da Baviera. A onda antidemocrática e antirrepublicana varre o país. A desvalorização do marco e a hiperinflação transformam burgueses em mendigos e especuladores em milionários. A austeridade esmagava o povo e protegia as classes mais abastadas. Entretanto dá-se o crash da Bolsa de Nova Iorque em 1929, o crédito fechou as torneiras e a recessão agrava o que já era grave. Um jovem aproveita a onda e munido de propaganda e populismo promete fazer da Alemanha um império (Reich). Esse jovem chamava-se Adolf Hitler.
À semelhança da Alemanha, na Itália as críticas aos partidos, ao funcionamento do parlamento e aos deputados, ao próprio regime democrático, a crise económica, a crise de valores e de referências são capitalizadas por um orador capaz de inflamar e influenciar as massas, levá-las ao delírio. Dotado de um grande sentido cénico aparece Mussolini.
Em Portugal a I República que chegou a ter três presidentes no mesmo dia está em crise de identidade. De valores. A crise económica e o desemprego levam a um nível nunca visto de emigração. A propaganda fez um homem. Salazar. O resto da história já sabemos.
Nos EUA um homem segue as teorias keynesianas de luta contra a crise. Investimento público, criação do sistema de segurança social, foi lançada a génese do Estado-providência, do Estado social. Foi o New Deal de Roosevelt. A seguir à II Grande Guerra os EUA conheceram uma das épocas de maior prosperidade da sua história. Até Reagan e a mudança de políticas. Já agora, reparem na diferença entre as políticas seguidas na Europa e as dos EUA. Há quase um século e agora. Obama já começou em força o investimento público. A Alemanha começa a reforçar o seu Estado social, enquanto impõe políticas de austeridade à Europa. O diktat de Versalhes é agora o diktat da Troika. Porque a Alemanha jurou nunca mais ter dentro de portas o hiperinflacionismo que a amordaçou antes da II Grande Guerra. As semelhanças com o passado entre esta Europa e aquela de princípios do século XX são assustadoras e muito preocupantes. É bom que os políticos saibam ler os sinais vindos de todo o lado, para já com maior alarme, de Itália.
A propaganda e o populismo que já se pode ver por essa Europa fora, v.g. Grillo em Itália, é um perigo à espreita. O défice de confiança na política e a austeridade castradora de direitos, liberdades e garantias, aliadas à falta de resposta dos líderes em funções, podem levar a uma onda de independentes dispostos a cavalgar a onda da pobreza e da crise. Está nas mãos de quem elege escolher com sabedoria. Para não aparecerem mais grilos falantes a bloquear democracias. E, sobretudo, para que a história não se repita.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
O estado do Estado
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
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O direito à greve é um direito fundamental de qualquer democracia. É inalienável e constitucionalmente garantido. Não me interessa se se banaliza ou não. Se houver greve todos os dias, todos os dias ela é legal e garantia de um direito e de um estado livre e democrático.
O argumento da produtividade do país é usado por quem não reconhece que haja quem tenha o direito e motivos para usar da sua liberdade para manifestar o seu descontentamento. E isso é tudo a que corresponde o direito à greve.
Cavaco disse ironicamente que tinha estado a trabalhar. Passos Coelho elogiou quem tinha estado a trabalhar e num acervo de atrevimento bacoco elogiou os desempregados. Eu elogio quem teve coragem de aderir à greve. Hoje em dia é preciso muita coragem e fôlego.
O direito à manifestação é um direito fundamental de qualquer democracia. É inalienável e constitucionalmente garantido. Não me interessa se se banaliza ou não. Se houver manifestações todos os dias, todos os dias elas são garantia de um direito e de um estado livre e democrático.
Coisa diferente é o uso de violência, a desobediência e a provocação. Durante hora e meia um bando (uma dúzia) de energúmenos provocou e agrediu de várias formas as forças policiais presentes na AR. A carga policial foi mais que justificada. O direito à greve e à manifestação não se confunde com distúrbios, ameaças e agressões. Manifestar descontentamento não é provocar desacatos, não corresponde a qualquer tipo de violência e não é forma de poder reivindicar seja o que for. Até porque só serviu para desacreditar as manifestações e abafar a estrondosa adesão à greve, talvez a maior dos últimos 30 anos.
Também não se pode confundir manifestantes com agitadores, e aí a linha que os separa é muito ténue quando chega a hora da carga policial.
A AR é a casa da democracia e entendo que não deve ser aí o alvo do descontentamento. O alvo deve ser o governo. O governo é que é o responsável pelo agudizar da crise, pela recessão, pelo galopar do desemprego e da miséria, que ao contrário do que diz Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar!?, existe e cada vez mais. É o governo que permite o passear pavoneante de Merkel em Lisboa, acompanhada de empresários vampirescos atraídos pelo cheiro de privatizações baratuchas. É o governo que falhou e falha em todas as previsões, números, execuções, consolidações e concertações. Que se diz social democrata, e rasga todos os seus princípios de base. Que ataca o estado social como se fosse o principal problema enquanto a professora Merkel investe milhares de milhões no estado social alemão à pala dos resgatados, austerizados e bons alunos. Enquanto Sá Carneiro dá voltas no caixão, é este governo que continua a bancar a banca de casino e os gestores milionários, dos angolanos e do BPN, das PPP's e dos merceeiros da política, em detrimento dos trabalhadores e da coesão social, da justiça e da economia, do crescimento e do emprego, da saúde e da educação, da classe média e de todo o estado. É este governo que usa a crise para ajustar contas com o pacto social que vem sendo conquistado e construído desde a Segunda Guerra Mundial.
A violência usada por este governo é diferente daquela a que se assistiu hoje, mas é muito mais arrasadora.
Acho curioso que o governo tenha aumentado em 10% os salários das forças de intervenção. Espero que a guerra ao estado social não signifique a sua substituição por um estado policial, porque assim toda a violência será justificável. Fascismo nunca mais, mas eles andam aí...
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quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Sentimento de culpa
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
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A luta pelos nossos direitos equivale a lutar pelo nosso futuro, mas sobretudo pelo dos nossos filhos.
Quando nos dizem que é preciso empobrecer porque andamos anos a fio a viver acima das nossas possibilidades, é também necessário que nos expliquem porque é que o país andou a ser governado anos a fio com défice em cima de défice e dívida em cima de dívida, empurrando com a barriga aquilo que outros comiam com os olhos.
Quando nos dizem que temos que cortar tudo a todos, doa o que doer, é também preciso que nos expliquem porque nos vendem os centros decisores e estratégicos do país em leilões mais ou menos duvidosos, hipotecando o futuro em rendas e lugares pagos a peso de ouro.
Quando nos dizem que é preciso refundar o estado social porque não se sustenta a si próprio, é também obrigatório que nos digam porque falhou em toda a linha a execução orçamental e porque é que a banca continua a obter lucros sensacionais em época de crise. É preciso que nos digam porque é que a quinta avaliação da troika nos colocou ao nível grego e agora exige os cortes na despesa que já deviam estar feitos e porque é que o empréstimo que nos dão só serve para pagar juros e alavancar o sistema bancário de casino.
Quando nos dizem que a austeridade é o caminho e um fim em si mesmo, é urgente que nos expliquem porque é que a dívida e o défice continuam a aumentar. Porque é que a banca continua desregulada e porque é que apenas se aplicam as medidas 'fáceis' de aumento de impostos.
Quando nos dizem que todos somos culpados da crise, é também necessário que nos expliquem porque é que aumentaram salários acima da inflação, porque aumentaram impostos a um nível que só facilita a fuga ao fisco e a quebra de consumo, a recessão e os truques contabilísticos com os fundos de pensões. Que nos digam porque é que as populações hão-de pagar a deslocação centralista dos tribunais e da justiça, que contas feitas ainda sai mais caro ao estado, porque é que se permite que se aposte nos casinos da banca com o dinheiro da segurança social que perdeu milhões para os Ulrich's do sistema.
Quando nos dizem que a maratona vai a meio, que nos expliquem porque é que não se removem os obstáculos, em vez de zigue-zaguear ao som do que se ouve na rua, em vez de parar para pensar, em vez de deixar que sejam sempre os mesmos a empobrecer.
A verdade é que somos todos culpados, que vivemos acima das nossas possibilidades, que permitimos tudo, festejamos com o que não tínhamos, com o euro e por causa dele, mas perdoar-me-ão, uns são mais culpados do que outros... não me importa agora saber quem é mais culpado, começando lá fora em Reagan e acabando no recém eleito flop Obama, e cá dentro começando em Cavaco e até hoje todos tiveram a sua quota-parte.
A democracia está doente, o capitalismo selvagem continua o seu assalto, e quem tem responsabilidades é que o permite, por todo o lado.
Porque não nos explicam que a banca apesar de ser um sector fundamental é dos sectores que mais contribuiu para a crise actual, desde a desregulação do século XX, com gestores que apenas visavam os dividendos e os prémios, apostando tudo desde seguros a casas e contra eles próprios, da crise do subprime à crise das dívidas soberanas que os vieram salvar por causa da cláusula 'too big to fall'. Que foram os partidos e os governantes que permitiram a ascensão e a queda dos derivados e que permitem que tudo continue na mesma.
Porque não nos explicam que foram os sucessivos erros e má governação que permitiram PPP's usurárias para o estado, em que o lucro era para as empresas amigas e os riscos para o contribuinte, feitas com pareceres milionários e prémios pornográficos para os do costume.
Porque não nos explicam porque só cortaram três fundações e zero empresas municipais.
A culpa do cidadão eleitor e contribuinte está a ser expiada, a dos outros vamos exigi-la na rua, para o bem ou para o mal. Já chega!!! E não me venham depois dizer que o país é ingovernável, se o for a culpa não é minha...
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Esbulho assistido
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
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2013 será o ano do maior esbulho fiscal a que já assistimos em Portugal. Ao contrário do que Passos Coelho anunciou no Pontal, 2013 não será o ano da retoma económica do país. Essas declarações populistas e feitas por quem não tem ideia nenhuma do que anda a fazer, nem sequer estava preparado para assumir as funções de primeiro ministro, reforçam a ideia de que se guia por uma cartilha ideológica e sem qualquer noção da realidade do país e da economia.
O desastre chegará ainda pior do que o já anunciado. Um ano de miséria social e com o desabar definitivo da classe média asfixiada. O estado calamitoso da economia agravar-se-á, agora que se sabe que o OE para 2013 prevê que 80% da sua notação venha do lado da receita. A dose de austeridade experimentada em Portugal por este governo fará exponenciar o desemprego, a pobreza e a recessão. Toda a gente sabe, até o CDS/PP, que ameaça a qualquer momento romper com a coligação e mergulhar o país no desastre final. E a culpa, meus amigos, doa a quem doer, é de Coelho, Gaspar, Relvas e companhia limitada.
Até a presidente do FMI veio finalmente reconhecer que o medicamento aplicado em Portugal poderá a breve prazo acabar por matá-lo e defendeu um travão na austeridade. Até o Álvaro, ministro da economia e de mais seis ou sete coisas, já concordou que sem crescimento será impossível pagar a dívida. Deverá ser o primeiro a ser 'remodelado'... Cavaco, com tanto sítio onde discursou, resolveu desabafar no facebook, como um teenager arrependido. Portas mantém um silêncio envergonhado e misterioso.
2013 será pior se Gaspar e companhia continuarem cegos teimosos de cartilha na mão. Esta hipocrisia de casino, austera como um cobrador de fraque, que rouba aos pobres para dar aos ricos, que ignora, arrogante, trabalhadores e reformados, como se fossem chulos, depois de entregarem as suas reformas, os seus salários cada vez mais miseráveis, a um qualquer Borges em comissão de serviço.
O fiasco deste governo será o fiasco do país, e aí é que reside a grande questão do momento. Ou se muda de atitude, ou se muda de governo. Chegou a hora de sacar o travão de mão. Porque este governo falhou e traiu todas as expectativas, metas e princípios... 2013 será de mais recessão, de mais pobreza, de falhanço de contas e de metas, de défice e de desemprego. É chegada a hora de recusar o suicídio assistido a que nos querem condenar...
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sexta-feira, 20 de julho de 2012
A solução adiada
sexta-feira, 20 de julho de 2012
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O debate parlamentar sobre o Estado da Nação foi um não debate para cumprir calendário e cumprir a tradição, no seguimento do não assunto do caso Relvas. O debate sobre o mapa judiciário e o sistema prisional serviu para coisa nenhuma, pois tanto os deputados como a ministra da justiça se fartaram de repetir que ainda não havia projecto para discutir e votar, uma vez que este ainda não estava concluído e portanto, iam ter que repetir tudo de novo...
Hollande e Merkel parecem ser agora tão amigos como quando no tempo de Sarkozy. Os mercados não se compadecem com emergências, não querem saber de pactos de crescimento e do simbolismo político de processos de intenções, de recuos mais do que avanços e de negociações em cimeiras inócuas marcadas para quase todas as semanas.
O caso do Barclay's demonstra como a banca e os investimentos não aprenderam nada com a crise, chegando-se ao ponto de serem os próprios gestores, não os do Barclay's, pois claro, a pedir mais regulação. A situação periclitante da França, a contas com níveis de despesa perigosos, não lhe permitem equilibrar os pratos da balança com a Alemanha. Os PIIGS, em último recurso, tomarão parte do lado do dinheiro, e num futuro choque entre alemães e franceses, optarão pelo mais forte, e por quem dependem para salvar o coiro...
Entretanto, e desesperadamente, enquanto alguns tentam manter o pescoço à tona, a austeridade é a bíblia que se descose numa ladainha imperceptível, como a beata no altar...
O Tribunal Constitucional (apesar de existirem algumas lacunas no acórdão), decidiu que os cortes dos subsídios eram inconstitucionais. Goste-se ou não, um dos aspectos positivos de tal decisão, foi a certeza de que para já a nossa Constituição ainda é a nossa Lei Fundamental, o do topo da hierarquia.
Uma pequena nota para desmistificar o papel de Cavaco, que ao alertar para a possível inconstitucionalidade dos cortes, no entanto, nada fez, quando o diploma lhe chegou às mãos, quando, se não concordava, podia ter usado dos poucos poderes que tem... ou o veto, ou o envio para o TC, quer numa fiscalização prévia, quer sucessiva... Aliás, em abono da verdade, os cortes dos subsídios não constavam do memorando assinado com a Troika...
Uma pequena nota para desmistificar o papel de Cavaco, que ao alertar para a possível inconstitucionalidade dos cortes, no entanto, nada fez, quando o diploma lhe chegou às mãos, quando, se não concordava, podia ter usado dos poucos poderes que tem... ou o veto, ou o envio para o TC, quer numa fiscalização prévia, quer sucessiva... Aliás, em abono da verdade, os cortes dos subsídios não constavam do memorando assinado com a Troika...
A falta de coragem e de ação são hoje por hoje dos principais obstáculos para uma solução na Europa e só depois, (desenganem-se), em Portugal. A única coisa que Portugal pode fazer por si só é tentar libertar o sector económico da asfixia em que se encontra, e foi precisamente o caminho contrário que o governo escolheu; já todos sabemos que é assim que Gaspar e Passos Coelho pensam. Ir além da Troika, tentando sair dela o mais rápido possível, e por questões ideológicas... O problema é que esse caminho é errado, como se pode ver pelas consequências da recessão e do desemprego.
Soluções? (existem!)... Baixar para a taxa mínima o IVA da restauração e turismo; mais tempo para atingir as metas do défice orçamental, que conduziria a uma maior folga orçamental, com menos austeridade, e possível crescimento económico, com tudo o que lhe vem associado, nomeadamente em matéria de desemprego; reorganização e renegociação de todas as PPP's; efectivo corte nas empresas e institutos do Estado; sobretaxa do IRS para sector público e privado, à imagem do que foi feito em Dezembro do ano passado; tudo isto significa um pacto de crescimento;... pena é que o PS não consiga, ou não queira explicá-lo com medidas concretas.
A Europa, tal como Portugal, continuam adiados...
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sexta-feira, 15 de junho de 2012
O caminho do federalismo
sexta-feira, 15 de junho de 2012
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A grave crise económica e financeira que atravessamos, e nunca é demais repetir, assente nos crimes do capitalismo e nos sucessivos roubos de quem se serviu dos estados em vez de os servir, pode abalar toda a Europa. As crises políticas e sociais que já se fazem sentir, consequência das primeiras, podem deitar por terra toda uma construção e integração da zona euro que permitiu décadas de paz entre os povos europeus. E com elas o desmoronar do Estado Social Europeu.
Os desequilíbrios da zona euro, a crise de confiança na sustentabilidade das dívidas públicas, o efeito de bola de neve, as bolhas imobiliárias, a desregulação da banca, os juros usurários, revelaram o falhanço e as brechas no sistema estrutural da UE. A queda iminente da Grécia e o clima de incerteza que se instalou e que irá agravar-se, por inação e falta de solidariedade entre povos que ainda não sabem que caminho querem para a zona euro, irá, a breve trecho, levar à implosão da união.
A recuperação dos países resgatados não pode resultar da austeridade. As famílias preferem poupar, a investir ou a consumir, com medo do desaparecimento da moeda única e do sistema bancário retraído e/ou falido. Os países endividados não resistirão a um crescimento fraco ou mesmo recessivo. O desemprego galopante, necessariamente saído da austeridade e da quebra dos custos do trabalho, é um factor gerador de desconfiança e de tensões sociais crescentes. O populismo e a demagogia emergem e contribuem para o afrouxar dos cintos de segurança da democracia e dos seus pilares e valores.
A mera coordenação entre estados-membros já não é suficiente. O próximo passo a dar é o decisivo. É o tudo ou nada, e já não há volta atrás. O federalismo é a base do futuro. Um federalismo saído da necessidade, é certo, mas é escolher entre a espada e a parede, sendo que a parede significa o recuo civilizacional do nosso modo de vida, para níveis desastrosos de fome, pobreza e miséria, só comparados com os do Portugal rural dos inícios do Estado Novo. O avanço político é o passo que falta para salvar toda uma geração do caos.
Tal federalismo, com a criação de um Tesouro da Europa, um Banco Central com todos os poderes de intervenção de um banco estatal, injectando ou desvalorizando moeda, com verdadeiros mecanismos de fiscalização fiscal e comuns a todos os estados, um Orçamento único, project bonds que sirvam para financiar projectos de rendimentos futuros, reformas estruturais comuns em todos os serviços e domínios assentes no Estado Social Europeu, instituições que garantam políticas orçamentais e monetárias justas e equilibradas poriam a Europa no caminho da coesão social, mais justa, solidária e democrata, e que reclamaria definitivamente o seu lugar no mundo.
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terça-feira, 10 de abril de 2012
Até quando?
terça-feira, 10 de abril de 2012
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O fim das indemnizações por despedimento para os contratos a prazo, assim como novos limites para a prestação de sobrevivência e de subsídio em caso de morte e a diminuição das indemnizações para os contratos sem termo são as novas grandes medidas do governo para relançar a economia e baixar o desemprego. Alie-se a isto a proibição das reformas antecipadas e o esbulho dos subsídios até 2015, feitas, como diria Louçã, "à ssssocapa", e temos uma estratégia digna de constar nas futuras enciclopédias de história, na parte 'Os grandes erros da economia do século XXI'.
É um desígnio nacional baixar salários para poder competir com os da China. Lembrando tão só, que os salários reais já estão ao nível daqueles de 1990...
O emagrecimento do Estado, que devia ser feito à custa da redução de 2/3 do lado da despesa, se é que alguém ainda se lembra disso, no último Orçamento rectificativo, já é feito do aumento de 3/4 do lado da receita. O que equivale a dizer que não houve emagrecimento do Estado.
Até quando?
Todas as previsões do memorando da Troika saíram furadas até hoje. No consumo público e privado, no PIB, no desemprego, no crescimento, no investimento, nas exportações. Já tinha sucedido na Grécia, e o empobrecimento e a austeridade deram no que deram lá, como vão dar aqui. Não resulta em lado nenhum. Mesmo no seio da Troika, FMI e BCE já não acham que faça qualquer sentido. Nos próprios EUA, Obama resolveu investir dinheiro na economia para combater a crise, voltando-se para as obras públicas e tudo o que lhe está associado, com resultados imediatos, e por isso vai sair da crise muito antes que a UE, com toda a vantagem que isso representa, para eles, obviamente. A recessão é o resultado inexorável da destruição da maior conquista do século passado, o estado social. Mas Passos e Gaspar gostam e aplaudem. Defendem até à morte o seu plano de guerra ao estado social.
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
É o Povo pá!
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
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O liberalismo e o primado do mercado está em queda livre. A frase não é minha. Diz-se em surdina por aí. Ainda ninguém (com voz que se ouça) o disse abertamente.
De 1978 a 2008, aumentar as desigualdades era um mal menor, em troca do crescimento. Que o digam Reagan ou Thatcher. Os líderes mundiais confiaram que assim fosse.
As bases do início da crise internacional de 2008 abalaram o sistema, e a sua suposta cura, com as draconianas medidas de austeridade, criaram a ruptura entre os afortunados e os excluídos. A luta de classes está aí ao virar da esquina. As dicotomias acentuaram-se, patrões/trabalhadores, financeiros/políticos/manifestantes/indignados. Se é certo que o liberalismo progrediu e vingou durante 30 anos, a sua 'mão invisível' de mercado, transformou-se na mão manipuladora, egoísta e especuladora, que visa o lucro a qualquer preço, ainda e à custa dos mais desfavorecidos.
A seguir ao liberalismo, dizem-nos, que a resposta é o neo-liberalismo (apesar de que quem o pratica assim não se considere). Em duas correntes. A corrente populista de direita, do Partido da Liberdade na Holanda, da Frente Nacional da França ou da Liga do Norte na Itália. São anti-globalização, anti-UE e anti-imigração. São proteccionistas de extrema-direita e estão em forte expansão por toda a Europa e com ligações ao movimento Tea Party nos EUA. Sarkozy conta com eles para vencer as eleições francesas. Oxalá não consiga.
A segunda corrente é a que está a aplicar e a fazer aplicar a austeridade na Europa, a que defende o Estado mínimo, a corrente defendida pelo governo português. Acham que o Estado tem demasiada intervenção e denunciam o socialismo. Defendem que a actual crise não se deve a excesso de capitalismo, mas sim a excesso de Estado demasiado poderoso. Por isso, privatizam os seus sectores fundamentais, e liberalizam o trabalho, em nome da austeridade e da Troika. Seguem o caminho cegamente, movidos por uma ideologia que só vê números, custe o que custar. É a corrente libertária ou neo-liberal.
A tendência oposta não se consegue impor. Por culpa própria ou porque o poder liberal é neste momento mais forte, a que não será alheia a Alemanha 'ditadora' das regras. A esquerda social-democrata, Keynesiana e socialista, da igualdade e do Estado social defende mais regulamentação para a alta finança, bancos incluídos, um travão na especulação imobiliária e das bolsas, combate à desigualdade, maior redistribuição da riqueza através dos impostos e consequentemente, maior intervenção do Estado. Só que os Estados, falidos e reféns da austeridade, não conseguem libertar-se. O crescimento da desigualdade e do desemprego tornaram-se uma preocupação global, que pode criar condições a um movimento anti-capitalista mais alargado e influente, como já se viu no caso Occupy Wall Street.
Qual das tendências sairá vencedora não sei, mas espero que seja a social-democracia de esquerda, porque a de centro-direita está agora subvertida, como se vê no próprio PSD português, contra toda a sua matriz ideológica. O mau estar em alguns sectores do partido é evidente. A cegueira que acompanha esta nova ideologia não deixa ver que a economia dificilmente recuperará sem um alívio na austeridade castradora de consumo, poupança e investimento e sem uma renegociação da dívida de forma a aligeirar a corda na garganta e permitir um crescimento sustentável e sustentado. As regras que ditarão a nova era sairão das cinzas deste combate. Só falta saber à custa de quê e de quem... para já, sofrem os mesmos de sempre. É o Povo pá...
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Proibido virar à esquerda
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
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Em Espanha a direita está em estado de graça. Tal como cá, chegou ao poder com maioria, castigando a esquerda que lá esteve. Na Alemanha, na França e na Itália a direita sairá do poder assim que houver eleições. A não ser que se substituam os líderes por tecnocratas de cartilha e pasta na mão. Já aconteceu na Itália. A crise agora também é da democracia.A esquerda que estava no poder não soube atacar o problema da desregulação financeira, cozinhada desde os anos setenta. Não conseguiu enfrentar o poder económico instalado. Desistiu do contrato social em nome da especulação e da economia de casino, que substituiu a de mercado. Alavancados no eixo franco-alemão, a esquerda democrata soçobrou perante as exigências e a chantagem de quem verdadeiramente usa e abusa do poder político. E quando a direita populista está no poder e existe o perigo de ser substituída, encontra-se a tal solução de substituição tecnocrata, sem que o povo tenha direito a escolher o seu futuro. É que assim, estes 'encartados' vão poder assegurar que se paguem as dívidas, e já agora com juros a contento. O contribuinte é como o mexilhão, no fim é ele que se lixa. A esquerda tem que encontrar novas vias de se impor pelas ideias e sobretudo pela coragem de tomar medidas justas e equitativas, não desprezando o capital, mas não deixando que seja este a comandar as linhas de orientação da justiça e da igualdade. Se assim não suceder, o Povo não confia na esquerda. Os resultados estão à vista. A esquerda deixou-se adormecer e quando quis acordar já era tarde. Quando começou o ataque liberal, a única via foi aumentar a despesa e a resposta pôs em crise toda uma esquerda definhada, conformada e ultrapassada por uma agenda de ataque ao euro e à bolsa dos contribuintes. Não é por acaso que a agulha liberal tomou conta dos novos governos da Europa. A especulação e o capital de risco, comandados pelos mesmos gestores do Lehman Brothers e afins, influenciam assim com a sua 'mão invisível' os novos governos da direita liberal europeia. Os mesmos que coincidentemente, ou talvez não, foram os principais responsáveis pela crise internacional. Os mesmos que se apoderaram da banca e das famigeradas agências de rating. Veja-se a negociata que o nosso governo está a preparar com Angola para tomar conta do BCP.
Mário Soares disse recentemente que a democracia pode estar em causa. Assunção Esteves afirmou que é chegada a altura de o poder político assumir o papel central que perdeu para o poder económico. Ângela Merkel disse na semana passada que é necessário que a Europa reveja os seus Tratados com vista a uma real união económica. Será que finalmente se começam a despertar consciências?
No nosso burgo, Passos Coelho continua amarrado ao ideal que lhe venderam na feira da ladra, e depois de tentar despachar os 'imprestáveis' Magalhães ao México e à Venezuela (sim, a do Chávez), tenta agora vender as nossas empresas a Angola. Se o nosso crédito é pouco, temo que se o ardil for para a frente, a nossa 'escassa' reputação não passará de um pântano onde se mergulha de tanga... A fama lamacenta de um país feito de capitais obscuros, mergulhará no lodo o resto da reputação que nos resta. Ao mesmo tempo, soube-se ontem que há um erro no Orçamento para 2012 e teremos que dar mais dinheiro à Madeira. O Alberto João veio ao Continente às compras e saiu com um vale postal de uma correcção nas contas e um brinde para poder gastar 3 milhões de euros em iluminações de Natal e queimar em fogo de artifício. Que linda é a Madeira!!!
Post Scriptum - Os 'Gatos Fedorentos' andam distraídos a embolsar uns milhares à pala da PT, e deixam para trás uma oportunidade única de fazer humor inteligente e histórico com fontes inesgotáveis todos os dias...
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terça-feira, 15 de novembro de 2011
Vozes de burro não chegam ao céu
terça-feira, 15 de novembro de 2011
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Manuel Pinho anunciou o fim da crise... depois desmentiu-se, simulou um par de cornos na AR e demitiu-se... é esta a história de um dos ex-Ministros da Economia em Portugal.
O Álvaro (como gosta de ser tratado), Ministro da Economia, dos Transportes, Obras públicas, Energia e Turismo, como só às segundas-feiras é que trata da economia, resolveu também ele anunciar o fim da crise para 2012, quando se sabe que vai ser o ano mais recessivo em Portugal desde que vivemos em democracia... Eu até percebo que ele se queira ver livre da economia, coitado, com tanto que fazer, a economia é mesmo uma chatice, uma pedra no sapato.
Seguindo os passos de Pinho também já se desmentiu... vamos ver se não troca o par de cornos de Pinho por um par de orelhas de burro e se põe de costas no fundo da sala, porque alguém que é Ministro de uma das mais importantes pastas dos tempos em que vivemos, numa das maiores crises nacionais e internacionais de sempre, num ano de cortes, desemprego e de recessão profunda, e que copia o mesmo erro colossal de um seu antecessor, ou é burro ou é incompetente... Seja como for, "Você é o elo mais fraco...Adeus!"
domingo, 13 de novembro de 2011
'Trust' é um fundo financeiro
domingo, 13 de novembro de 2011
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Os liberais já não confiam nos 'amigos', nem neles próprios. Os europeus desconfiam uns dos outros e já se fala à boca cheia de exclusões mais ou menos autoinfligidas, e até de divisões por categorias 'cozinhadas' pelo eixo franco-alemão. Assim, como uma espécie de lª e 2ª divisões ao melhor estilo do 'futebolês'. Uma para os bem comportados, e outra para os mais fracos, sem recursos para poderem subir de divisão, que jogam em campos emprestados e austerizados pelos primo-divisionários, que se esquecem que precisam deles para enriquecer. Até os mercados obrigaram 'Il Cavalieri' a sair de cena. O patrão dos patrões, o populista, o mestre da propaganda. Com amigos destes...
'Eurobonds' ou a mera possibilidade de o BCE poder comprar dívida pública dos seus membros são soluções adiantadas por muitos como as mais razoáveis e eficazes medidas para salvar o euro. A França e a Alemanha não estão interessadas. Os outros deixam. Nós também...
Por cá a banca apanhou-se sem investidores e vai agora ser recapitalizada, através de uma entrada do Estado nos respectivos capitais, com a contrapartida de ter que pagar o que pedir no espaço de três anos, sob pena de ser nacionalizada parcialmente. É assim como que uma 'golden share' suspensiva, em que o Estado pode controlar como é gasto o dinheiro, nomeadamente, nas linhas de crédito para as PME's. O conceito é bom e poderá ser a forma mais eficaz de fiscalização e de assegurar que o Estado não empresta a fundo perdido o dinheiro dos contribuintes. É curioso no entanto, observar como o mesmo Governo que acabou com as 'golden shares', apesar de a isso não ser obrigado, agora, e porque não confia na banca, utiliza um expediente semelhante para a controlar. O mesmo Governo que quer vender o 'país' ao desbarato. O mais liberal de sempre. Curioso e muito irónico.
Passos Coelho falou num ajustamento da dívida... Possivelmente estender o prazo para mais um ou dois anos... Há seis meses era impensável, mas agora a realidade caiu~lhe em cima da cabeça. Bastou, contudo, Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, aterrar em Lisboa na quarta-feira e dizer que Portugal não precisa de mais dinheiro, nem de qualquer reajustamento. Passos Coelho concordou de imediato, porque sabe que ninguém confia em nós.
Confiar é um verbo que não pode ser conjugado com mercado, ou com capital.
Ainda por cá, Miguel Relvas, andou três dias a entreter o menino de coro do PS (A. J. Seguro), com a hipotética almofada dos 900 milhões de euros, e com a esperança de poder devolver um subsídio aos funcionários públicos e aos reformados. Seguro devia ter votado contra o OE. Não por causa da travessura de Miguel Relvas, mas porque estas medidas e muitas outras não estão no memorando que o PS também assinou com a Troika. Porque este Orçamento é restritivo e vai destruir a nossa economia. Porque é injusto e ataca quem trabalha. Porque é irrealista e cego. Apesar de termos pouca margem de manobra, ela existe, como se viu com a Taxa Social Única. Confiou e foi enganado. Pena é que durante três dias houve alguma esperança para muita gente, que depois saiu frustrada. 'Trust' é um fundo financeiro e não passa disso mesmo. A confiança é uma coisa que não lhes assiste.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Sinais dos tempos
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
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1- É costume dizer-se que só existem duas coisas certas na vida: a morte e os impostos. Quanto à primeira vou abster-me de comentários, é certa, imprevisível e quase sempre injusta. Curiosamente os impostos têm mais ou menos as mesmas características. Para além de certos, para quem trabalha como é óbvio, a sua imprevisibilidade tem sido uma constante nos últimos tempos, o que gera instabilidade e desconfiança. Até porque sabemos que vêm aí mais, só não sabemos é como e quando. E na grande esmagadora maioria dos casos são sempre para os mesmos. Os mesmos que os pagam descontando do produto do seu trabalho. A injustiça esconde-se na forma como são cobrados, distribuídos e aplicados. É já bem conhecido de todos a forma como se taxa cegamente neste país, quer através de impostos extraordinários sobre o trabalho, deixando de fora o capital, aumenta-se o IVA na electricidade e no gás, sem qualquer preocupação social, aumentam-se as taxas moderadoras indiscriminadamente e de forma uniforme, sem olhar às diferenças entre quem pode pagá-las ou não, baixa-se a Taxa Social Única, entregando às empresas o dinheiro dos trabalhadores, aumentando o desemprego em vez de o diminuir como se aponta em todo o lado. Taxa esta que iremos pagar com o mais cego dos impostos: o aumento de pelo menos 2% no escalão máximo do IVA. Sim, outra vez. Dão-se isenções fiscais aos patrões e à banca, que já pagam menos que todos os outros juntos, e por fim liberaliza-se o despedimento e desbaratam-se as respectivas indemnizações. A aplicação e a distribuição do resultado da cobrança desses impostos é para pagar a quem devemos e para recapitalizar a banca. É triste mas é verdade o nosso fado. Sinais dos tempos.
E pensar que na Madeira, onde a desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres é das maiores entre todas as regiões europeias, destino turístico onde pululam caciques e abençoados pelo Governo Regional, onde alguns têm um paraíso fiscal e os outros ou são alinhados ou são filhos da puta, onde a censura não tem vergonha, tem um desvio colossal de 277 milhões de euros para uma população de 267 mil habitantes. Se fosse no continente equivaleria em proporção a mais ou menos 13 mil milhões de euros. Coisa pouca.
2- Mira Amaral lá conseguiu através da Sonangol ficar com a presidência do BPN, num negócio ruinoso e mal explicado, e que mais uma vez vai ser pago com os impostos dos suspeitos do costume. Parafraseando Miguel Sousa Tavares no Expresso: '...muito conveniente para arquivar o passado comprometedor da confraria bancária do cavaquismo’. Não diria melhor.
A mesma Sonangol que através de negócios obscuros e num consórcio de raízes duvidosas, a China Sonangol, com sede em Hong Kong, é responsável pela exportação de mais de 20 mil milhões de euros anuais para a China em petróleo e diamantes, com o respectivo branqueamento de capitais e o produto dessas exportações a serem canalizadas para contas privadas, com graves conflitos de interesses entre o governo angolano e empresários chineses, onde se fala de roubo ao estado angolano e portanto não admira que José Eduardo dos Santos compre mansões no algarve por 14 milhões de euros e a filha compre bancos e aquilo quer quer cada vez que cá vem. Pode ser que a primavera do jasmim chegue a Angola. A Líbia já está, venha a Síria e o Irão e estarão criadas as bases para a democracia imperar em todo o continente africano. Para mais informação sobre os negócios secretos e obscuros entre Angola e a China vejam o 'The Economist', aqui.
3- Warren Buffett, americano e terceiro mais rico do mundo, veio a público dizer que devia pagar mais impostos porque tem isenções a mais. Porque paga menos, comparando proporcionalmente com os seus trabalhadores. Porque é tempo de os governos deixarem de apaparicar os ricos. A reboque deste, vieram dizer os 16 mais ricos franceses que querem participar no esforço da crise e propuseram um imposto extraordinário para o efeito. Se os mercados funcionassem assim, com exemplos destes, até podia ser que funcionassem bem. O problema é de quem governa e deste capitalismo de casino que inventou esta crise geradora de greves e tensões sociais, que não soube gerir, nem quis solucionar. Não sou contra os ricos, sou contra os pobres (no sentido de que desejava que não existissem pobres, bem entendido). Por cá Américo Amorim diz que não é rico. Tem razão. Afinal não há ricos em Portugal. Resumidamente, sem um sistema fiscal justo e equitativo, sem pessoas sérias e corajosas, sem líderes, a gestão da crise será feita nas ruas, quer eles queiram quer não. Alguns dos mais remediados, por assim dizer, começam a abrir os olhos em defesa das suas posses, porque também sabem que este tipo de capitalismo não prospera com tensões sociais. Sinais dos tempos.
P.S.- Só uma pequena nota para dizer que o que se passa entre Angola e a China nada tem a ver com capitalismo, apenas com roubo e ditadura.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Crónica de uma crise anunciada ou como o capitalismo tem o colarinho sujo
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
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Bem podia ser a imagem da crise do capitalismo. Traduzindo o que se vê na imagem: 'Colarinho Branco - Para resolver os crimes mais difíceis, contrate o criminoso mais esperto'.
Na década de 1980, Reagan e Thatcher, a soldo dos interesses e dos favores, inventaram a desregulamentação dos bancos. O dogma capitalista tinha que ser desregulamentado em prol da ideia que os mercados são omniscientes e auto-reguladores. Que a sua 'mão invisível' é infalível. Como uma mola, as oportunidades para a fraude abrigavam-se na desregulamentação potenciadora de crimes. Primeiro os empréstimos 'predatórios' para as classes mais desfavorecidas da sociedade americana. Depois as fraudes com os produtos mutualistas dos bancos de investimento, os chamados 'activos tóxicos', sobrevalorizados pelas agências de rating, que já todos conhecemos, juízes em causa própria, assumindo sem pudor um conflito de interesses latente. O resto já se sabe. Milhares de casas, grande parte hipotecadas duas vezes!, foram devolvidas aos bancos por impossibilidade de pagamento dos respectivos empréstimos. A crise do 'subprime' devolveu aos bancos casas sobrevalorizadas, sem a liquidez que a falta de pagamento dos créditos acarretou. As seguradoras, que asseguravam o risco dos títulos 'falsos', com notações de AAA, abriram falência. A 'bolha' rebentou. Os bancos com ela. Quem lucrou? Os mesmos de sempre, os que pagam às agências de notação a sua actividade fraudulenta, ainda que legal neste sistema. Os mesmos que são assessores da Casa Branca. Os mesmos que usam o Estado para engordar os seus activos. Os mesmos que geriam esses bancos.
Este capitalismo, que se quer auto-regulado e liberal, e desregulamentado ao mesmo tempo, que não depende dele próprio, do seu auto-funcionamento, mas antes dos estados e dos contribuintes que pagam com austeridade os juros dessas fraudes vai rebentar por dentro. Quando finalmente as pessoas se derem conta de quem puseram no poder, de quem lidera tributando o trabalho e não o capital, de quem aumenta impostos sem cortar despesa, de quem governa juntamente com o colarinho branco, - e não falo só de Portugal - , talvez a crise comece a acabar. Sabiam que alguns bancos norte americanos lavam dinheiro sujo dos cartéis da droga mexicanos como meio de obterem mais liquidez?; Sabiam que os maiores poluidores do planeta 'compram' organizações ecologistas para lavar a imagem?
Não quero com isto esconder o trabalho de casa mal feito. O aumento brutal de salários e de empréstimos, a despesa excessiva do Estado, o mau gerir da coisa pública, o atraso tecnológico que concorrendo com as economias emergentes arrasou as exportações. Tudo isso exponenciou a crise e pôs à sua mercê a solvabilidade dos próprios estados. Mas a crise não começou neles, tal como a que se avizinha.
Em alternativa, enterra-se a cabeça na areia, tapa-se o sol com a peneira, pagamos sem bufar o que nos pedem e o que nos 'roubam', e perante um desvio colossal nas contas públicas do Jardim, diz-se como ele, que a culpa é do Sócrates.
Enquanto Merkel e Sarkozy dão pontapés para a frente, como se fossem eles as instituições que não funcionam no seio da UE. As medidas ontem anunciadas são o fazer de conta que estão preocupados, preocupados que estão com as eleições internas dos seus países. O governo económico da UE a ser feito, será partilhado pelos dois (claro). A haver justiça levarão um chuto no traseiro. Lá e pelo caminho.
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terça-feira, 12 de julho de 2011
Onde estavam todos há um ano?
terça-feira, 12 de julho de 2011
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Finalmente fez-se luz em Portugal. Finalmente é unânime aqui e na Europa que há uma crise internacional maioritariamente responsável pela crise da banca descapitalizada e do aumento das dívidas públicas dos países. Finalmente chegou-se à conclusão que as agências de rating não têm outro critério senão a especulação. Ainda falta, mas está aí a chegar a conclusão de que fosse quem fosse Primeiro Ministro em Portugal, fossem quais fossem as medidas de austeridade, os juros aumentariam, as notações desceriam. Chegará o tempo em que a culpa não será só de Sócrates.
Enoja-me assistir agora ao coro de vozes contra a Moody's, contra os especuladores. Os economistas a cartel, magnânimos na sua imensa sabedoria, que vão a reboque dos acontecimentos, sem qualquer visão macro-económica. Não sou economista, mas escrevi aqui vezes sem conta, aquilo que hoje é um vislumbre de descoberta. Uma verdade escondida.
Agora a Europa tem que fazer alguma coisa, agora Cavaco fala e todos os dias e até já tem opinião sobre as agências de rating, agora Merkel está calada, agora a crise é internacional, agora existem especuladores sem qualquer critério, agora os mercados têm que ser regulados. Agora abrem-se inquéritos e instauram-se processos às agências de rating. Agora Bruxelas já prevê coisas e até já quer regular as agências de rating. Agora os mercados são voláteis e não são auto reguláveis. Agora o modelo tem que ser pensado. A sério?!?!
Tanta falta de visão, tanta falta de coerência. Onde estavam todos há um ano?
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sexta-feira, 17 de junho de 2011
A Europa populista
sexta-feira, 17 de junho de 2011
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A crise das dívidas soberanas da Europa – é curioso e tem piada chamar-se soberana à dívida e não aos países – desmascarou toda a farsa que esteve na origem da criação da moeda única (o Euro). Resumidamente, prometeu-se o enriquecimento súbito acompanhando o consequente desenvolvimento exponencial, uma moeda estável e taxas de juro sempre baixas, aumento de competividade e a possibilidade da conquista de mercados internacionais. O BCE garantiria a estabilidade dos preços e o famoso pacto de estabilidade impunha a regra dos 3% de máximo autorizado de défice público em relação ao PIB. Tudo isto, desacompanhado de um mecanismo de resolução de crises, confiando no princípio naif de que não há incumprimento nem resgate, deixando escancarada a porta a uma possível crise, que sem qualquer gestão ou controlo se tornaria incontrolável. Alie-se a isto a falta de uma política fiscal em comum e desequilíbrios macro económicos mais que evidentes entre os vários membros, mais um sistema bancário desregulado e temos nas mãos uma bolha prestes a rebentar.
O que começou por ser um problema dos privados, bancos e seguradoras - primeiro nos E.U.A. e que depois se alastrou à zona Euro, por tabela globalizada - rapidamente se transformou num problema dos Estados. A primeira resposta da UE para a crise foi o ‘salve-se quem puder’. Cada um resgataria os seus próprios bancos (BPN e BPP no caso português). Mais tarde, a segunda resposta, austeridade. Se tivessem criado o tal mecanismo de resgate para o sistema financeiro comum, a UE conseguiria limitar os danos aos privados e centrar-se na única crise orçamental que tinha pela frente: a Grécia. O principal erro foi considerar-se a dívida pública excessiva como principal problema, em vez de se ir ao cerne da questão, ou seja, os bancos insolventes e desregulados que estiveram na origem dessa crise. Veja-se como no plano da Troika para Portugal, 1/3 do dinheiro que nos vão emprestar servirá para recapitalizar o sistema bancário. Enquanto não se separar a dívida nacional do sistema financeiro, a crise europeia manter-se-á até o default em série dos países membros se tornar incontornável. Se não se reconhecer isto de uma vez por todas, se não se disser aos privados que o risco é por conta deles, se não se regular e reordenar o sistema bancário e financeiro, então a união monetária está condenada ao fracasso. Pelo menos em relação aos mais pequenos, aliás como é normal.
As reacções à austeridade estão aí, grupos anárquicos, extremistas e revolucionários. Acampamentos de protesto. Movimentos nas redes sociais e afins. Corrupção na política. E depois... violência, racismo, xenofobia e populismo, sobretudo populismo. Por toda a Europa podemos assistir a este tipo de movimentos. E por toda a Europa a extrema direita ganha adeptos e deputados. O populismo é a arma de mais fácil arremesso como resposta ao dramatismo actual, ‘o medo colectivo’, ‘a nossa protecção’, ‘a invasão da nossa terra’. A modernidade actual, consumista e egoísta, é intrinsecamente antidemocrática. Os grandes grupos de interesses pessoais que emergem na cena política recorrem frequentemente ao populismo, revelando uma nítida impaciência em relação à democracia, que exige consenso e compromisso. O populismo exige um bode expiatório. A suspensão do Acordo de Schengen na Dinamarca, na Itália de Berlusconi o ‘inimigo’ são os juízes, os comunistas e os imigrantes refugiados africanos que se deixam morrer no mar alto, para a Liga do Norte são os habitantes preguiçosos do sul, para a direita húngara coligada com a extrema direita são os ciganos e os intelectuais, para a direita francesa de Sarkozy e Le Pen são os ciganos, os imigrantes e os jovens suburbanos, na Escócia, na Bélgica e na Espanha temos os separatistas...
Desde o nazismo à Jugoslávia não faltam exemplos no século XX... A Nova Ordem Mundial vai nascer ainda neste século. Temo que a sua génese possa ser muito violenta.
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