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quinta-feira, 5 de abril de 2018

O esgoto do mundo

quinta-feira, 5 de abril de 2018 0

O atual momento da guerra na Síria revela perigos que não devem ser ignorados. Após sete anos de conflito, assiste-se a um novo agravamento da violência.
O conflito que há muito deixou de ser uma guerra civil entre o regime de Bashar al-Assad (um dos maiores genocidas da história recente) e os múltiplos movimentos de oposição transformou-se numa luta pela afirmação de interesses e influência de atores externos: da Rússia aos Estados Unidos, passando pelo Irão, Turquia, Israel e Estados do Golfo.
Significa que estamos perante múltiplos conflitos, em paralelo, no mesmo cenário de guerra, e que encontra na Síria atual um ambiente propício para o confronto. Ignorar esta complexa realidade impede soluções e promove uma fundada inquietação quanto ao futuro próximo.
A passividade perante a tragédia humanitária na Síria enche de vergonha o mundo inteiro. De acordo com a ONU, desde o início do conflito, em Março de 2011, calculam-se mais de 250 mil mortos, 5.,5 milhões de refugiados, 6,1 milhões de deslocados internos e 13,1 milhões de pessoas a necessitar de ajuda humanitária. Em Ghouta, as ações militares das últimas semanas provocaram centenas de mortos, entre os quais dezenas de crianças, e um cerco à cidade que resulta em escassez extrema de alimentos e medicação, deixando ao abandono milhares de feridos.
Chocam as imagens de destruição. A resposta internacional foi a adoção de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que exigia um cessar de hostilidades por 30 dias e uma “pausa humanitária” que permitisse a entrada de ajuda e evacuações médicas. Em Ghouta, continuaram os ataques e cresceu o número de vítimas. As reiteradas violações de resoluções do Conselho de Segurança da ONU leva a questionar para que serve, quando todos os envolvidos têm responsabilidade direta nessas violações. Aprovam a resolução e são os próprios que não a respeitam. Fracassadas as iniciativas diplomáticas, escasseiam soluções. Os Estados Unidos reduzem-se a posições de condenação, consideram responsabilidade russa controlar o regime de Damasco e avaliam novas soluções militares. Com Trump nada é certo e a qualquer momento, como se viu recentemente, pode dar uma cambalhota de 180 graus.
O impasse na Síria resulta da passividade e apatia internacional, mas também da banalização de uma violência que diariamente inunda os cidadãos, tornando a exceção uma regra. A inação face à tragédia na Síria não é apenas um problema no Médio Oriente, é um sinal de alerta para as sociedades liberais, defensoras dos direitos e da dignidade humana.
O cocktail explosivo que sempre foi o Médio Oriente, com particular enfoque em Israel e agora na Síria, a que se soma a política de cambalhota de Trump e Putin, mais os ódios religiosos, tornam o conflito sírio uma bomba relógio que poderá tomar proporções catastróficas.
À míngua de líderes na Europa capazes de ter uma voz ativa, o que nos entra pela casa adentro é a visão perturbadora de crianças desamparadas pela fome e pela guerra, cobertas de sangue inocente. A impotência de uma Europa que não sabe o que quer e assiste a tudo com a ligeireza meteorológica batizada com um nome qualquer.
O que se pode fazer é a pergunta que se impõe. Em primeiro lugar dizer a verdade e transmiti-la. Lutar contra a propaganda que retrata os civis sírios como terroristas legitimando assim as suas mortes. Espalhar que o regime ditatorial de Assad assassinou milhares de crianças com recurso a armas químicas. Denunciar os seus crimes contra a Humanidade. Denunciar os interesses estratégicos e geopolíticos das potências mundiais e regionais envolvidas, ignorando sempre as vítimas e a ajuda humanitária.
Mas sobretudo, o que podemos fazer é acolher e ajudar os refugiados a sentirem-se bem-vindos e apontar o dedo aos xenófobos mesquinhos que usam expressões como ‘não quero cá terroristas’, ou ‘ vão roubar os empregos’.
O que pode fazer o governo? Denunciar o regime sírio ao Tribunal Penal Internacional. Fazer lobby na UE para aumentar a pressão e as sanções à Rússia e ao Irão. Reforçar de uma vez por todas o seu compromisso com os refugiados. Fazer-se ouvir nas várias plataformas internacionais a que pertence, UE, NATO, ONU…
                E porquê? Porque intervir para salvar vidas de civis não é apenas uma responsabilidade humanitária mas uma obrigação moral.


sexta-feira, 24 de março de 2017

Os idiotas

sexta-feira, 24 de março de 2017 0
O que disse Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, sobre os países do sul da Europa e de quem lá mora, não é mais do que a ideia torpe que andaram a vender a todos para justificar a austeridade/castigo a que submeteram, com laivos de sadismo, os países que necessitaram de recorrer à famosa troika. E é até curioso porque o presidente do Eurogrupo é holandês, o país das prostitutas em montras e da 'ganza' legalizada. Por cá a coligação de direita fez o trabalho de casa, e como bons alunos, acusaram os portugueses de viver acima das suas possibilidades e por isso teriam que ser castigados.
Nem uma palavra sobre a principal directriz que a Comissão Europeia aconselhou em 2009 para responder à maior crise financeira desde 1929. E que era investir, investir, investir. Ou seja, dos erros da UE, da banca, dos EUA, das seguradoras, etc., nem uma palavra.
Já na Alemanha, quando sai alguma notícia menos boa sobre o estado calamitoso do Deutsche Bank, logo aparece o fascista Schauble a dizer qualquer coisa sobre os preguiçosos e perigosos 'comunistas' do sul da Europa.
Dos fracos não reza a história, dos idiotas muito menos...





quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Com o diabo à espreita

quinta-feira, 17 de novembro de 2016 0
Orçamento do Estado para 2017 aprovado em Bruxelas? ✔
Orçamento do Estado para 2017 aprovado sem necessitar de qualquer medida adicional? ✔
Encerramento do processo por défice excessivo? ✔
Encerramento do processo de sanções a Portugal? ✔
Crescimento da economia? ✔
Maior crescimento do PIB no 3º trimestre de toda a zona euro? ✔
A geringonça funciona? ✔
Passos Coelho ainda à espera do diabo? ✔✔
Passos Coelho vai ter que esperar sentado até cair da cadeira? ✔✔✔



quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A agenda que regressa

quinta-feira, 3 de novembro de 2016 0
A Comissão Europeia enquanto comandada por Durão Barroso e já no tempo de Juncker, tinha um acordo secreto com a França para a ajudar a encobrir os défices excessivos. Passava assim a França por país cumpridor. Mais ou menos como o Lehman Brothers fez com as contas da Grécia. O Lehman Brothers para onde foi o Durão trabalhar. Não há coincidências...
Mas, como disse um dia Schauble "A França é a França". E Herr Schauble, o arrogante e xenófobo ministro das finanças da Alemanha, cada vez que abre a boca é para amesquinhar os mais pobres, os mais indefesos, as nações europeias que nunca destruíram a Europa como o seu país fez por duas vezes, e que agora pretende enterrar-nos na sodomia financeira dos ricos e poderosos. As nações que se afundaram numa moeda que cultiva a divergência económica e social entre os povos que deveria unir. Iludidos por promessas de desenvolvimento e união. Confiantes em completar o ideal europeu.
Herr Schauble não gosta de latinos, nem de gregos, tal como outros no seu tempo não gostaram de judeus, negros e ciganos. O racismo e a xenofobia são as armas que voltam à propaganda e à agenda política. O golpe no Brasil, a incrível possibilidade de Trump, os Herrs...
Assim vai a Europa dos czares e dos chanceleres. O Reino Unido tem à partida um povo bem mais inteligente do que aquilo que seria de esperar. E se discordei do BREXIT, neste momento nem sei se concordo com a UE. Essa, onde todos os dias e todas as noites morrem milhares de refugiados nas suas costas.
A agenda política dos herr's e dos chanceleres, vira-se então para os mais indefesos. Ameaçam com castigos e têm nos media por eles controlados, a sua voz da propaganda. A Comissão Europeia podia ter um comissário da propaganda, a lembrar tempos mais sombrios, que estão de volta, ninguém duvide.
Veja-se o caso português, que de tão bom aluno em querer ir mais além que a troika, não quis renegociar a dívida e agora paga por ano mais 1% de juros que a própria Grécia!, deixou o seu sistema bancário por capitalizar, e endereçou o problema para o governo que viesse a seguir fechar a porta. O Banif e a CGD certamente bombas nas mãos do anterior governo, estavam como se desconfia agora, protegidos pela CE e por Schauble para a saída limpa, com a esperança de serem eleitos outra vez, para continuar as políticas de terra queimada de comissários e alemães. Schauble, que não cala a cremalheira, lá veio dizer mais uma vez, muito aziago e sem esconder o fel dos dentes, que o governo anterior é que era... Eu percebo, caro Herr, o Costa não estava nos planos... e ainda há quem resista ao desmantelar do estado social europeu!
Aliás, o caso de Sérgio Monteiro, nomeado “vendedor” do Novo Banco por um governo demissionário de que era secretário de Estado e que quase todos põem em causa as suas habilitações curriculares para a tarefa, está a receber, para fazer ninguém sabe muito bem o quê, quase 30 mil euros mensais. António Domingues foi nomeado para presidente da CGD por este novo governo, com a missão urgente de tratar da sua recapitalização. Vai ganhar um salário segundo o mercado. Ninguém critica a sua competência técnica e profissional. Mas eis que, a agenda política da direita mesquinha de Passos e Cristas, habituados a lamber as botas da direitalha alemã, logo tratam de pôr na agenda mediática o salário do gestor da CGD, arredios de saber se isso será contra os interesses da Nação, pois a recapitalização da CGD é uma urgência que não lhes assiste. A sua agenda política, acouraçada na agenda mediática, dá para ir fazendo casos e casinhos de coisas que não deveriam ser assunto. O populismo é assim e a isso obriga. Nos sites do “Público” e do “Diário de Notícias” as referências ao salário de António Domingues foram cinco vezes superiores às do salário de Sérgio Monteiro. Nos do “Expresso” e da TSF foram três vezes mais. No do “Correio da Manhã” seis. Nos canais de televisão a proporção deverá ser ainda mais 'favorável' a Domingues. A desproporcionalidade de tratamento entre este governo e o anterior leva a desconfiar de parcialidade que já todos sabemos existir em toda a comunicação social, porque ela também está a soldo dos grupos económicos que são seus donos. Daí a tentativa de Passos em privatizar a RTP e tudo o que mexesse. Directivas ideológicas, lesa-pátria, criminosas, para agradar aos fascistas no poder.
Assistimos a um cerco político que resulta, antes de tudo, do facto de António Costa ter integrado o PCP e o Bloco no arco da governação, dando muletas a uma esquerda coxa há mais de 40 anos. Essa é a razão de fundo para a parcialidade da comunicação social, que foi especialmente visível nas vésperas do Orçamento de Estado, onde cada pequena informação ou sugestão foi transformada num assunto nacional para depois do Orçamento apresentado (e esvaziadas quase todas as polémicas) rapidamente passarmos para outros assuntos e pequeninos escândalos. Até se chegar ao ridículo de se dizer que o Orçamento para a Educação tinha sido reduzido, alimentou-se a comunicação social e os 'paineleiros' e depois analisam-se os gráficos e afinal aumentou 180 milhões de euros.
Vão continuar a criar casos, a alimentar escândalos, a fomentar os media. Até se afundarem nas suas próprias vísceras...

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O modelo experimental europeu

quinta-feira, 15 de setembro de 2016 0
Terminada a chamada silly season, passou ao lado de muita gente o relatório pedido pelo FMI sobre o programa da troika em Portugal. E não terá sido inocente. Não diz nada que já não se tivesse dito. Foram muitas as vozes a chamar a atenção dos erros flagrantes do chamado plano de resgate, das prioridades trocadas, da destruição do tecido económico que inevitavelmente aconteceria, do desemprego e emigração que provocaria.
Essas e muitas outras críticas foram feitas antes da sua implementação e, sobretudo, quando eram já mais que óbvias as falhas do programa. O próprio Vítor Gaspar as reconheceu na sua célebre carta de despedida. O próprio FMI já tinha noutras ocasiões admitido vários erros.
Nesse relatório o que lá está é o seguinte: o programa da troika falhou em toda a linha. Ponto. Os pressupostos estavam errados, enganaram-se nas fórmulas e nos seus efeitos e, claro, nenhum dos problemas estruturais da nossa economia melhorou, a sustentabilidade da dívida pública e da balança continua tão débil como antes e até o crescimento das exportações - visto como um dos sucessos do programa - ou o celebrado regresso aos mercados - os autores do relatório com uma mal disfarçada vergonha sugerem que não será evidente que isso não tenha sido consequência das políticas do BCE - em nada esteve relacionado com a malfadada receita. Ou seja, ajudou-se a destruir o nosso sistema bancário e, surpresa das surpresas, chega-se à conclusão de que uma restruturação da dívida teria sido uma medida bem vinda.
O pior de tudo não é perceber que se mandaram para o desemprego milhares de pessoas, não foi termos perdido milhares para a emigração, não foi só ver o factor trabalho humilhado com a aposta em salários baixos, não terá sido a aposta no empobrecimento, não foi por a receita ter produzido um país ainda mais desigual e mais injusto.
O que mais choca no relatório não é a assunção dos erros, é perceber a ligeireza com que se fizeram experiências com as vidas das pessoas, como meras cobaias ao serviço de uns senhores que nunca tinham testado uma fórmula, e com a cobertura de um ex-primeiro Ministro que serviu em bandeja um país inteiro e que continua interessado no insucesso do atual modelo em gestão.
E depois, e ainda segundo o FMI, o Deutsche Bank é o maior risco sistémico em todo o mundo. Mas não deixa de ser curioso que, com uma bomba relógio em casa, Shauble tenha obrigado a Europa a entreter-se com a destabilização de Portugal. Se essa bomba lhe rebentar nas mãos, os famigerados limites do défice serão uma brincadeira de criança e a Alemanha voltará a violar esses limites, como já o fez por várias vezes e sem qualquer sanção ou sequer ameaça.
Desde o Brexit que a Alemanha intensificou o bullying sobre Portugal. O objetivo é mostrar mão firme depois da debandada britânica ou criar problemas a um governo que não lhe agrada. E a direita portuguesa, responsável pela derrapagem do défice do ano passado, volta-se a comportar como o cordeirinho degolado e de joelhos à espera que alguém lhe venha um dia a dar razão.
Basta ver os novos empregos da nossa anterior Ministra das Finanças e do anterior Presidente da Comissão Europeia para se perceber de que lado estavam enquanto nos ‘governavam’. O código de ética não pode ser só para alguns, deveria ser para todos.

P.S. – Costumo dizer em tom de brincadeira que os heróis que conheço estão todos mortos. Mas conheço uns quantos bem vivos, os nossos bombeiros, bem hajam...

Publicado hoje no semanário 'A Voz de Chaves'


sexta-feira, 24 de junho de 2016

BREXIT

sexta-feira, 24 de junho de 2016 0

As divergências económicas e fiscais egoístas que dinamitaram o modelo social europeu, todas as ingerências e castigos, o abandono da solidariedade, tendo como exemplo máximo a não resposta à crise dos refugiados, as ameaças de sanções por ministros das finanças de um país contra os outros, fizeram implodir por dentro e por culpa própria todo o ideário da Europa unida que trouxe décadas de paz e desenvolvimento social e económico.
As regras que a uns são impostas e a outros esquecidas, a desigualdade por oposição ao caminho trilhado da integração, os vistos prévios de tecnocratas que ninguém elegeu, a substituição da política pelo mercantilismo dos números que torcem e fazem cair governos, que atropelam e substituem por marionetas de mão. Mandadores sem lei que impõem crivos ideológicos contra programas de governos eleitos, e que cujo conceito de democracia se desvia à luz do mais forte. Tudo isto minou as fundações da UE e fez sobressair o populismo e o nacionalismo das extremas, esquerdas ou direitas.
Sobrou o medo, a chantagem, a xenofobia e o racismo. A forma como a Grécia foi enxovalhada e vergada foi o princípio do fim. E o problema que era o governo de esquerda em Portugal...
A saída do Reino Unido pode também causar mossa no próprio, com divisões que se adivinham na Escócia e na Irlanda do Norte, e em abono da verdade se diga que o Reino Unido nunca esteve com os dois pés na UE. Os nacionalistas estão no palanque a exigir referendos na Holanda, na França e por aí fora... A Alemanha caminha sozinha há quase uma década, e prepara-se para ficar sozinha. A UE tal como a conhecemos começou a acabar com as crises das dívidas soberanas, continuou hoje com o Brexit, terminará em breve. A triste realidade que transformou um europeísta em eurocéptico. Os muros costumam nascer assim, como alguns que crescem por aí. Outros muros se levantarão, se não se arrepiar caminho e se não se souber convencer o povo que a democracia é o caminho que garante a liberdade, ao invés do medo, do racismo e da xenofobia...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

“Não há nada mais parecido a um fascista do que um burguês assustado.” - Bertolt Brecht

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016 0
Crescimento:
PSD e CDS: previsão de 1,7% mantendo austeridade (deixou país com crescimento ZERO no 3º trimestre de 2015) e baseia-se principalmente nas exportações que, como se sabe, irão diminuir em 2016 devido ao agravar da conjuntura externa. "Especialistas" dizem que está bem.
PS: parte do cenário base da comissão e faz previsão de 2,1% com estímulos no mercado interno (devolução do que foi roubado). "Especialistas" dizem que é irrealista.

Défice Estrutural:
PSD e CDS: previram descer em 2015 de 0,9% para 0,5%. Derrapou para 1,3%. "Especialistas" falam em rigor.
PS: prevê descida em 2016 de 1,3% para 1,1%. "Especialistas" exigem explicações e falam em incumprimento das regras.

Défice Público:
PSD e CDS: prometeram que a austeridade já era passado, ao mesmo tempo que iam a Bruxelas falar em défice de 1,6% em 2016... depois de 4 anos seguidos com derrapagens monumentais. "Especialistas" batiam palmas à seriedade.
PS: reconhecem que com a menor austeridade, o défice não desce tão depressa. Prometem passar de 3% para 2,6%. "Especialistas" falam em ato de fé e que agora é que a coisa vai derrapar.

Parece que alguém anda com muitas saudades dos tempos da austeridade, alguém se acagaça com o simples vislumbre de que um programa progressista, humanista e socialista possa ter êxito. Alguém tem ansiedade de que a fúria europeia caia sobre o reino e vergue à chicotada os comunas que ousam pensar que as pessoas não se contabilizam como os juros. Uma simples carta da Comissão Europeia dá azo a todo um manancial de hecatombes que levará sem qualquer apelo ao apocalipse. Uma carta encarada como um chumbo prévio em que apenas se pedem esclarecimentos. Uma carta que nada tem a ver com os ultimatos que a mesma CE enviou ao anterior governo por causa do Banif. Uma simples carta que Itália, Espanha e França também receberam. E com a qual a Espanha limpou o rabo. Foi só dar uma vista de olhos nos países da UE que cumprem o acordo orçamental e as metas do défice e chegou à conclusão que eram para aí três ou quatro. Aliás quando entram em ação as agências de notação, as tais que estiveram na antecâmara da grande crise internacional de 2008 e que ninguém reconheceu até 2011, tenho a certeza que por detrás delas está um homem a acender charutos cubanos importados com notas de cem dólares.
Até o grande economista e pensador Soares dos Santos vem dizer que Costa anda a comprar os portugueses. E di-lo sem se rir, o que é espantoso.


terça-feira, 25 de agosto de 2015

O mundo em que vivemos

terça-feira, 25 de agosto de 2015 0
Continuamos a assistir estupefactos às repetidas tragédias ocorridas com refugiados do Médio Oriente e de África.
A situação de catástrofe humanitária tem vindo a degradar-se de forma insustentável e a violação dos direitos fundamentais da pessoa humana pode assumir proporções e consequências inimagináveis.
A ONU e a Europa optam por empurrar com a barriga, de país para país, ignorando propositadamente o auxílio e solidariedade para com os refugiados. A tudo isto não será estranho a crise social, de emprego e de valores que teima em fazer parte do quotidiano europeu, com divisões impulsionadas pelos que tudo querem e a todos tiram, a coberto de uma solução de austeridade, de humilhação e de propaganda que só tem paralelo nos idos da segunda grande guerra.
São milhares e milhares de seres humanos, a viver na mais profunda miséria, sem terem acesso aos recursos mais básicos. Fogem da guerra e da fome, procuram liberdade e paz.
A opção pela construção de muros e vedações que impedem a inclusão e a solidariedade é o traço marcador do mundo global em que vivemos, e em que o capital é o denominador que verdadeiramente interessa, deixando milhares de cidadãos, homens, mulheres e crianças, à mercê do negócio feito à custa da dignidade e vidas humanas.
As crises políticas, económicas, sociais e religiosas que devastam essas comunidades foram, em muitos casos, consequência da irresponsabilidade internacional, bem como de um especulativo mercado financeiro global que fomentou a exploração, a guerra, a divisão e a miséria social. E para quem julgava que na Europa da prosperidade e solidariedade jamais se cometeriam os erros do passado, pois bem, eles estão aí a bater-nos à porta. Bastou que a especulação do mercado desregulado perdesse o seu capital de risco. A solidariedade, a compreensão, a integração, os valores da Europa, logo ficaram em segundo plano perante a urgência de recuperar com juros os lucros e as fortunas perdidas. Ainda que à custa de alguns países e do empobrecimento e da miséria de milhares de pessoas.
O Mediterrâneo transformou-se num imenso cemitério e o Túnel da Mancha num dos mais degradantes exemplos da intolerância, da exclusão e do abandono de milhares de seres humanos.
A paz na Europa já não é uma certeza absoluta... e a culpa é do sistema especulativo e desregulado em que nos disseram que era melhor vivermos. Um sistema que verga Estados e atropela toda a gente em nome do capital...
Ainda ninguém lhes disse que na Europa só falta a guerra, porque miséria, pobreza e desemprego estão a sobrar para todos... e os valores da Europa já não são aqueles que lhes contaram que eram... não são muito diferentes daqueles dos países de onde vieram, a Europa hoje não é solidária, não é unida e o racismo e a xenofobia são valores cada vez mais emergentes. Esta é a Europa em que vivemos. O mundo de onde vieram todos esses refugiados, também já cá está, no nosso quintal... bem vedado claro!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Porque existem muitos vírus...

terça-feira, 11 de novembro de 2014 0
E para ajudar ao meu cepticismo europeísta, vem o Juncker, novo presidente da comissão europeia, borrar de vez a pintura. Enquanto ministro das Finanças e primeiro Ministro do Luxemburgo, parece que terá negociado (secretamente) com algumas centenas de empresas multinacionais para que aliviassem a carga fiscal que teriam de pagar nos seus países, aproveitando-se da legislação generosa do Grão-Ducado.
Não se trata de evasão fiscal, trata-se de erosão da solidariedade entre estados membros. Trata-se da ética e da independência. Trata-se dos tais nacionalismos que farão implodir a UE há míngua de leis fiscais unificadas que pelos vistos ninguém quer. A integração ficou-se pela moeda que desaparecerá a breve trecho, deixando atrás de si um rasto bafiento de escudos que também ninguém quer, e com uma crise maior que a actual, se é que isso possa ser concebível. Mas a crise só chegará aos países periféricos. Os outros, enfim, os outros já sabemos quem são, os agiotas credores lucram sempre à custa da desgraça alheia... Começa bem Juncker...

P.S.- Parece que a PGR arquivou o processo contra os bodes expiatórios que a ministra da Justiça inventou. A seguir será a vez da legionella...

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A implosão da UE

quinta-feira, 6 de novembro de 2014 0
Cameron quer recuar na livre circulação de pessoas na Europa. Merkel diz que é um "ponto de não retorno" para a saída do Reino Unido da UE e tem razão. Os recuos na integração vão continuar, como reacção dos poderes nacionais e resposta ao crescimento de movimentos nacionalistas e populistas contra o sistema. A falta de uma política comum solidária e uniforme de resposta à crise, de que o recém condecorado Durão Barroso é dos principais culpados, levará mais tarde ou mais cedo à implosão da UE. Basta ver a resposta dada à Rússia na recente crise ucraniana. Zero.
Na UE de hoje em dia, obedece quem deve, manda quem pode, e enquanto aqueles tentam sobreviver com as migalhas impostas pelos outros, os outros tentam capitalizar os medos internos enquanto engordam com os juros das políticas de austeridade alicerçadas em chavões falaciosos repetidos vezes sem conta. Assim se curvou Passos Coelho por cá.
Eu sei porque é que Merkel diz que Portugal tem licenciados a mais. Porque o tiro lhe fez ricochete no traseiro. A política de austeridade que impôs na UE levou à emigração de milhares de portugueses, e muitos deles para a Alemanha. O que Merkel está a dizer não é muito diferente do que disse Cameron. Estão os dois a dizer: "nós não queremos os vossos licenciados a tirar emprego aos nossos cidadãos". Além de ser um argumento que viola os princípios da UE, não corresponde à verdade. Se é verdade que em Portugal esta é a geração mais qualificada de sempre, também é verdade que o ratio de licenciados/população ainda é inferior à média da UE.
Mas os anseios e receios internos ditam outro tipo de respostas que não se coadunam com a integração europeia. Sou um europeísta federalista cada vez mais céptico.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A crise da Europa, do país e do PS - Por uma narrativa alternativa

quinta-feira, 3 de julho de 2014 0
A construção europeia, foi, nos últimos anos, uma das maiores vítimas da crise internacional. A resposta da zona euro assente na austeridade e em políticas restritivas e depressivas subjugou o ideal europeu aos interesses de alguns países mais fortes, numa atitude defensiva que passou por cima das instituições e obedeceu aos ditames de tecnocratas, do CE e do diktat.
A presidência de Barroso, moço de recados dos referidos mandadores sem a legitimidade das urnas, permitiu sempre com total complacência que as decisões fossem tomadas por pessoas que apenas representam os interesses dos seus países, sem visão de conjunto e sem coragem.
A falta de democraticidade no seio da União, em que as decisões não são tomadas pelos organismos realmente eleitos pelos cidadãos europeus e a quem teriam que prestar contas, torna o eurocepticismo numa realidade profunda e ambígua, com os resultados desastrosos que se conheceram nas últimas eleições europeias, nomeadamente em França. Quando os cidadãos europeus viram as costas às suas instituições por entenderem, bem, que o seu voto não os representa nem tem qualquer utilidade, é a própria UE que está em risco. A falta de visão progressista (por oposição à do ritmo da austeridade) e a falta de legitimação dos órgãos da UE, açaimados por uns poucos em benefício próprio, estão a minar toda a construção europeia.
O actual estado da zona euro está assente na tal visão egoísta, neoliberal e monetarista que torna inviável o projecto social europeu, muitas vezes promovendo a sua destruição, que levou 50 anos a construir e permitiu cinco décadas de paz na Europa. Visão seguida pelos governos pobres de espírito, alunos engraxadores, ansiosos pelo reconhecimento dos seus mestres. Senhores de uma coluna vertebral elástica, de vénias contorcionistas aos fortes, e de braço de ferro com os fracos. Para defender o Estado social europeu, o caminho é o de romper com esta direita no poder, que não merece consenso. Nem no projecto europeu, nem na receita aplicada, muito menos na visão do futuro.
É essa a esperança que deposito em António Costa. Um líder forte, que não se anule durante 3 longos anos, precisamente quando todas estas questões estavam em cima da mesa. Que não use truques para se perpetuar no poder, que não se esconda nos estatutos que inventou para ele, que não ponha em causa o futuro do seu partido e por conseguinte o do seu país, trocando-o por ambições pessoais mesquinhas de poder. Que crie finalmente as pontes da esquerda, coxa anos a fio. E, que sobretudo, não se conforme com a narrativa que a direita vem apregoando. A narrativa segundo a qual Portugal não soube adaptar-se à moeda única, porque viveu acima das suas possibilidades, porque não fez as reformas necessárias, porque foi despesista, por causa da insustentabilidade do Estado Social, por causa das PPP's. Esta narrativa assenta na ideia que a nossa crise é interna e das finanças públicas. E esta é a narrativa que grassa na Europa. E assim sendo a austeridade é de facto a única solução. Seguro nunca foi capaz de desconstruir esta tese, seja por inabilidade, seja por nunca ter feito as pazes com o seu passado de opositor de Sócrates, visando sobretudo proveitos eleitorais.
Desde a década de 90 que Portugal tem acumulado dívida externa, sobretudo privada. Com a crise financeira internacional de 2008, o sistema através do qual essa dívida era financiada, com especial relevo na banca, implodiu. Após a intervenção dos estados, incentivados numa primeira fase pela zona euro (BPN e afins), o que era uma crise da balança comercial transformou-se numa crise das finanças públicas e das dívidas soberanas, com o aumento das taxas de juros exigidas pelo esbulho e pela ganância dos credores e dos mercados. A crise das finanças públicas não é uma causa, mas sim a consequência e o efeito da crise. Basta atentar que nos 3 anos anteriores ao início da crise, Portugal conseguiu atingir um défice público inferior a 3%. Portugal tem os seus pecados e exageros, é certo, tem vários problemas de nível estrutural, mas tem sobretudo fragilidades expostas por uma crise internacional que pôs a nu as contradições e a incompleta integração da moeda única, sem os mecanismos necessários que possam igualar os diferentes estados.
Seguro sempre jogou o jogo do adversário e por isso nunca foi capaz de se constituir como alternativa e desmontar a narrativa simplista do governo, que impõe aos prevaricadores (todos nós) a austeridade como castigo. Neste preciso momento arranjou um verão quente ao PS, de todo desnecessário, e que poderá trazer ainda mais surpresas desagradáveis (as primárias não constam dos estatutos e como tal poderão ser ilegais e impugnadas por qualquer militante). António Costa já se posicionou no terreno do combate à narrativa da direita, sem medo das consequências ou do passado do seu partido. E essa é a diferença, essa é a alternativa.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Europeias?

quarta-feira, 21 de maio de 2014 0
E de repente parece que no próximo domingo há eleições europeias. Parece. Porque na verdade o que se discute  nada tem a ver com a Europa ou com o papel que cada um defende para o que seja a sua intervenção futura ou para o que foi a sua intervenção na crise. Como sempre em Portugal a politiquice rasteira e mesquinha continua a sobrepôr-se ao debate de ideias.
Sabemos que o candidato da Aliança Portugal, Paulo Rangel, antes de o ser, era crítico das medidas de austeridade cegas e brutais impostas pela UE e pelo diktat alemão e aplicadas pelo governo que sempre quis ir além da troika. Mas o lugar à sombra da bananeira do parlamento europeu fez com que invertesse a tendência e passasse a defender com unhas e dentes a acção governativa e a panaceia imposta. Talvez por isso, tenha também decidido retirar das suas intervenções de campanha, qualquer alusão aos problemas da Europa e à forma como esta decidiu combater a crise com a devida vénia do governo em funções. Preferiu o confronto revanchista com o "vírus socialista" e o ataque cobarde ao do costume, Sócrates. Portas aliou-se ao ataque e reafirmou a ideia de um exame a Sócrates em forma de uma indignação redireccionada, "Sócrates, o pai da troika", disse. Mas se quiseram ir por aí, a troca por um exame a Sócrates talvez acabe por se revelar uma surpresa. A estratégia assenta fundamentalmente num esquema de tapar o sol com a peneira, desviando as atenções da verdadeira indignação latente. Ninguém nega que as eleições europeias são sempre um exame intermédio à política nacional. Na verdade, já passaram três anos desde o chumbo do PEC IV, o pedido de ajuda externa e a chegada ao governo de Passos Coelho, Gaspar, Relvas e Portas. A perspectiva que os portugueses têm hoje desse período é muito diferente da que tinham então. Estaria o PEC IV em condições de evitar uma ajuda externa e uma passagem pela crise mais tranquila para os portugueses? Evitaria os números trágicos de desemprego, de défice, de emigração, de recessão e de aumento de impostos?  Sabemos que tinha o aval da UE e de Merkel. Sabemos que Passos aldrabou tudo o que podia na campanha eleitoral para chegar ao governo. Mas também é certo que com o PEC IV e outros que se lhe seguiriam, com certeza, a política seguida e a vida dos portugueses teria sido bem diferente. E de certeza absoluta que nos teríamos poupado a Relvas, Gaspar e ao vice Portas. Mas o que é mesmo certo, é que Portugal tem o que merece. Em nome de uma vingança e de um ódio que apenas se explicam pela inveja e pelo medo, inveja pelo que foi feito, medo que o povo se aperceba do logro em que caiu.
Marcelo entrou na campanha para dizer que não vota em Rangel nem em Nuno Melo, vota na Aliança que apoia Juncker, o 'luxem-burguês' que disse que "pessoas são iguais a mercadorias ou capitais". Esclarecedor.
No momento em que se impunha um debate sério e esclarecido sobre o papel da UE e sobre a forma de resolver a crise, ou sobre a fórmula que foi aplicada até aqui, a discussão política nacional é sempre mais redutora.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Durão baixa as orelhas e mostra os dentes

terça-feira, 8 de abril de 2014 0
Durão Barroso não tem nada que o recomende. Patrocinou na Base das Lajes a fotografia histórica que permitiu a invasão do Iraque baseada nas célebres armas de destruição maciça, um pressuposto errado e enganador. Abandonou o país em nome de um cargo europeu para o qual e após 10 anos de exercício provou não ter qualquer competência. Um 'job' que com Durão ficou esvaziado ao doce balançar do fantoche de Merkel. Ganhou ódios em quase todos os sectores decisórios da União e chegou mesmo enquanto tal a dar-se à lata de criticar uma instituição soberana do seu país (falo claro do Tribunal Constitucional). Lambe as botas de Berlim como um cão amestrado, sem demonstrar qualquer respeito pelo cargo que ocupa. Não se lhe conhece qualquer contributo positivo para a resolução da crise financeira e económica que grassa na Europa, antes pelo contrário. Não tem opinião sobre nada que não seja o ámen reverencial ao diktat troikiano. E quer agora regressar impoluto ao país que deixou entregue nas mãos de Santana Lopes. Mas não regressa sem antes tentar limpar a imagem de um PSD obscuro que se afundou no BPN. E tenta fazê-lo atacando o regulador da época, na figura de Constâncio. Diz agora que houve falhas na regulação e que perguntou por ela aquando da sua fugaz passagem por primeiro Ministro. Esquece todavia que faria um melhor favor ao seu partido se calasse para sempre o maior escândalo financeiro de que há memória em Portugal. Esquece que foi o seu partido e o cavaquismo de que ele é fiel seguidor, os únicos e principais responsáveis pelos crimes perpetrados no BPN e que custaram aos portugueses 7 mil milhões de euros. Esquece que nomeou Dias Loureiro para órgão dirigente do PSD 2 anos depois de ter alertado Constâncio. E alertou sobre o quê e em que termos? Falava de crimes? Se sim, também alertou as autoridades policiais? É que uma coisa são as irregularidades que são da responsabilidade do BdP, outra coisa são os crimes que por lá se cometeram, até hoje sem castigo, como é apanágio português quando se trata da alta criminalidade financeira. E porquê só agora? Porque é que só 10 anos depois se lembrou do BPN?
Quer o lugar de Constâncio ou quer o de Cavaco?

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A ameaça europeia

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014 0
O projecto europeu que agora se desmorona foi uma das melhores ideias do século passado. Morta ao primeiro sinal de crise e às mãos dos alemães e seus aliados, com o escárnio dos ingleses e o chauvinismo dos franceses. O idealismo do projecto de uma União Europeia caiu juntamente com a solidariedade dos ratos que abandonam o navio ao sentir o primeiro sinal do seu afundar. A moeda única, sem mecanismos de defesa e igualdade para os estados membros mais fracos, foi o iceberg responsável pelo primeiro rombo e no agudizar das diferenças entre ricos e pobres. As instituições europeias, eleitas pelos cidadãos europeus, reféns do diktat alemão que ninguém elegeu, não passam de verbos de encher melhor personificadas na marioneta que dá pelo nome de Durão Barroso.
Uma Europa desafiada pelo nacionalismo e xenofobia da Suíça e sem qualquer poder argumentativo ou persuasivo nas relações internacionais, como se viu no caso ucraniano em que quem dita as regras do jogo são os EUA (estarão recordados certamente das célebres escutas do "fuck EU") e o FMI. Uma Europa que viu recentemente a Islândia dar um passo atrás no seu pedido de adesão pressentindo a ameaça do roubo descarado que os países mais fortes impõem aos 'irmãos' mais fracos.
Nestas circunstâncias não é de estranhar os sucessivos apelos de Passos Coelho ao PS para um consenso. E compreende-se porquê. Passos Coelho tem medo da saída limpa ao ser deixado por sua conta e risco perante os mercados e sem a rede garantida das taxas de juro do BCE. Passos Coelho sabe que assim que sair a troika, Portugal será largado às feras sem qualquer condescendência ou solidariedade por parte dos parceiros que lhe passaram a mão no lombo até ao momento. Já fizemos a nossa parte e eles a deles. Nós entregámos e demos tudo, destruímos o estado social (SNS, escola pública), a nossa rede produtiva, a economia, o sector público (justiça) e a classe média, empobrecemos o factor trabalho, as pessoas e o país e vendemos os nossos sectores estratégicos, eles receberam tudo com juros.
Por isso as próximas eleições europeias são tão importantes. É a diferença entre haver um novo paradigma na construção europeia e de quem o defenda, ou a continuação do desmoronamento da Europa. É, meus amigos, quer se queira quer não, a diferença entre ganhar a esquerda, ou a direita no poder.

terça-feira, 26 de março de 2013

Norte e Sul

terça-feira, 26 de março de 2013 0
A guerra da secessão norte americana teve na sua génese a escravatura e o racismo que os estados do sul defendiam e os do norte queriam abolir. Ganhou o norte para bem da humanidade.
As duas guerras mundiais do século XX tiveram como protagonista a Alemanha imperialista e xenófoba. Perdeu das duas vezes para bem da humanidade.
Em pleno século XXI assiste-se à guerra financeira no seio de uma UE que devia ser solidária e igual entre estados. A UE não é um Estado federado, e portanto, apesar de haver uma moeda única, não se põe em questão uma secessão. Não existe o perigo de declarações unilaterais de independência porque os estados são independentes, fora os que tiveram ou têm intervenção da troika.
A Alemanha entrou para a UE sob pressão da França, de modo a conseguir controlar o seu poderio económico e militar. Com receio do que lhe tinha acontecido anos antes. Chipre entrou na UE sob chantagem da Grécia.
Num caso e noutro, a França e a Grécia acabaram por sucumbir a um maior poderio da economia alemã e aos seus próprios erros, que a Alemanha jurou nunca mais cometer.
Sem ter medo das palavras, o imperialismo alemão é de novo uma realidade. Desta vez por uma via menos bélica. A diferença entre o norte e o sul da europa acentua-se à medida que a crise se desenvolve. A Alemanha que controla o BCE, define a intervenção nos países periféricos, mais pequenos e mais expostos. Repare-se como, apesar de urgente, em Espanha e Itália não houve resgate como em Portugal e na Irlanda. Mas a austeridade fez-se sentir quase nos mesmos moldes.
A última novidade é o assalto a Chipre. Duas notas prévias. O Chipre é um paraíso fiscal de lavagem de dinheiro, sobretudo russo. Chipre tem das maiores reservas naturais de gás natural. Os depósitos bancários do Chipre representam quase 900% do seu PIB. Chipre comprou massivamente dívida pública grega. A banca deu o estouro, e naqueles termos, obviamente o país. Qual a solução encontrada para impedir o domínio russo sobre o país e consequentemente sobre o seu gás natural? O confisco das contas bancárias. O que se segue? A fuga de capitais que a Alemanha e a Holanda já se ofereceram para receber. Percebem?
O Eurogrupo, ordenou este assalto a Chipre com o beneplácito de Gaspar, que por ser ministro das Finanças dele faz parte. Votou a favor. Dijsselbloem, o holandês presidente do Eurogrupo disse no domingo que a forma de resgate a Chipre é uma nova forma de resolver os problemas na banca da zona euro. O ministro das Finanças alemão Schauble, disse ontem que os críticos do sul têm inveja da Alemanha.
Norte e Sul, duas europas, e a UE que já não é união nenhuma. A Alemanha paga muito. É verdade. Mas lucra bem mais... Não se iludam. Este assalto às contas bancárias é uma nova forma de comprar um país que só representa 0,2% do PIB da UE. O norte da Europa, impediu a Rússia de controlar o Chipre, comprando-o. E prepara-se agora para enriquecer a sua banca, com a inevitável fuga de capitais do Chipre. O confisco dos depósitos é o maior assalto da história. Um assalto sem precedentes e perigoso. Os líderes europeus ainda não perceberam que as suas acções e sobretudo omissões, serão o fim da UE e o dos ideais que a construíram. Agora juntaram a desconfiança à desesperança.
Acrescente-se ainda que o único órgão que é eleito pelos cidadãos europeus, o Parlamento Europeu, não tem qualquer poder nem voz activa no processo e a Comissão Europeia é subserviente aos desígnios alemães. Quem manda na Europa é o Eurogrupo, e o BCE e quem manda nestes é Merkel. A UE tem falta de democraticidade. É uma amálgama de órgãos inúteis, a que se sobrepõe o diktat alemão.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O caminho do federalismo

sexta-feira, 15 de junho de 2012 0
A grave crise económica e financeira que atravessamos, e nunca é demais repetir, assente nos crimes do capitalismo e nos sucessivos roubos de quem se serviu dos estados em vez de os servir, pode abalar toda a Europa. As crises políticas e sociais que já se fazem sentir, consequência das primeiras, podem deitar por terra toda uma construção e integração da zona euro que permitiu décadas de paz entre os povos europeus. E com elas o desmoronar do Estado Social Europeu.
Os desequilíbrios da zona euro, a crise de confiança na sustentabilidade das dívidas públicas, o efeito de bola de neve, as bolhas imobiliárias, a desregulação da banca, os juros usurários, revelaram o falhanço e as brechas no sistema estrutural da UE. A queda iminente da Grécia e o clima de incerteza que se instalou e que irá agravar-se, por inação e falta de solidariedade entre povos que ainda não sabem que caminho querem para a zona euro, irá, a breve trecho, levar à implosão da união.
A recuperação dos países resgatados não pode resultar da austeridade. As famílias preferem poupar, a investir ou a consumir, com medo do desaparecimento da moeda única e do sistema bancário retraído e/ou falido. Os países endividados não resistirão a um crescimento fraco ou mesmo recessivo. O desemprego galopante, necessariamente saído da austeridade e da quebra dos custos do trabalho, é um factor gerador de desconfiança e de tensões sociais crescentes. O populismo e a demagogia emergem e contribuem para o afrouxar dos cintos de segurança da democracia e dos seus pilares e valores.
A mera coordenação entre estados-membros já não é suficiente. O próximo passo a dar é o decisivo. É o tudo ou nada, e já não há volta atrás. O federalismo é a base do futuro. Um federalismo saído da necessidade, é certo, mas é escolher entre a espada e a parede, sendo que a parede significa o recuo civilizacional do nosso modo de vida, para níveis desastrosos de fome, pobreza e miséria, só comparados com os do Portugal rural dos inícios do Estado Novo. O avanço político é o passo que falta para salvar toda uma geração do caos.
Tal federalismo, com a criação de um Tesouro da Europa, um Banco Central com todos os poderes de intervenção de um banco estatal, injectando ou desvalorizando moeda, com verdadeiros mecanismos de fiscalização fiscal e comuns a todos os estados, um Orçamento único, project bonds que sirvam para financiar projectos de rendimentos futuros, reformas estruturais comuns em todos os serviços e domínios assentes no Estado Social Europeu, instituições que garantam políticas orçamentais e monetárias justas e equilibradas poriam a Europa no caminho da coesão social, mais justa, solidária e democrata, e que reclamaria definitivamente o seu lugar no mundo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A Europa adiada do euro 2012

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011 0
A Europa outra vez adiada... Desta vez sem a participação do Reino Unido, que também não tem euro nem Shengen, portanto nada de estranhar. O Reino Unido se fica de fora em quase tudo, é uma ilha que não nos interessa. A sua mira está do outro lado do Atlântico, e só se vira para o continente, quando lhe dá jeito, como nas invasões napoleónicas ou na II Grande Guerra. Os alvos eram sempre os ódios de estimação a franceses e alemães, numa Europa com demasiados séculos de história para se poder, de uma penada, unir o que o tempo sempre separou. De facto, é até de estranhar a pretensa parceria franco-alemã.
O acordo alcançado na passada sexta-feira não passa de um adiamento que pode também ficar adiado. As revisões constitucionais limitativas do défice e da dívida pública de cada país, fiscalizadas pelo Tribunal Europeu de Justiça, e com castigos imediatos para futuros prevaricadores, não serão partos fáceis de gerir nos parlamentos nacionais. Porque traduzem a maior perda de soberania até hoje realizada, sem a garantia de qual o passo a dar a seguir. E porque não é um processo que se possa realizar em dois meses. O PS de Seguro não está totalmente convencido, até porque, quem garante que Alemanha e França, que foram os primeiros a violar o pacto de estabilidade, serão castigados como os outros, se ultrapassarem as metas do défice? E as suas contas, serão escrutinadas e previamente aprovadas, como as dos seus parceiros?
Com tudo isto, as agências de notação Moody's e Standard & Poor´s, já ameaçaram baixar o nível de 15 países da UE, bem como o seu fundo de estabilização, e continuam assim a fazer política impunemente, sem que ninguém os tenha eleito.
Esta continua a ser uma Europa sem estratégia e adiada. A única saída neste momento é uma integração fiscal a sério. É tempo de se perguntar se queremos mesmo uma União, com as necessárias perdas de soberania, em passo alargado para o federalismo, ou se queremos continuar a entreter-nos como bons amigos que se juntam de vez em quando para beber uns copos... Ou o federalismo e o euro era só a brincar? Definam-se de uma vez por todas...
2012 será o ano do euro, da moeda, da União, e também de futebol, mas deviam reformular os grupos já sorteados, assim como que uma adjudicação directa, pondo no mesmo grupo Alemanha, França e Inglaterra, noutro grupo podia ficar Portugal, Irlanda e Grécia, noutro juntava-se a Itália com a Espanha e no último o Pai Natal, o coelhinho, o comboio e o circo, para a palhaçada ficar completa.



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O mundo em mudança

sexta-feira, 16 de setembro de 2011 0
Onde estava no 11 de Setembro de 2001? O que mudou no 11 de Setembro de 2001? São por estes dias as perguntas mais repetidas. No meu caso, à primeira pergunta, pouco interesse terá a sua resposta. Quanto à segunda pergunta, a sua resposta já poderá ser mais pertinente. Sendo assim, o que mudou no 11 de Setembro de 2001? Resposta: nada ou quase nada. Senão vejamos. Os EUA invadiram dois países, Iraque e Afeganistão, afinal de contas tinham a desculpa perfeita. Lembram-se das armas de destruição massiva? 10 anos volvidos, o bodybuilding americano está feito, não fora a crise económica. O petróleo está mais ou menos controlado, e a indústria de armamento está refeita e próspera. Pelo meio, mataram Bin Laden, aliado de outros tempos, quando dava jeito armá-lo contra a invasão russa do Afeganistão, e mataram também Saddam Hussein, à segunda, porque na primeira guerra do golfo não deu jeito. Ambos executados sem julgamento.
É certo que o 11 de Setembro foi um duro golpe, ou se quiserem, murro no estômago, no orgulho bacoco dos EUA. É certo que morreram muitos inocentes. Morreram muitos mais a seguir.
O que verdadeiramente mudou o mundo foi a crise internacional de 2008. Que começou nos EUA. Coincidência ou talvez não. O que mudou foram as economias emergentes que transformaram o mundo bipolar. A China, o Brasil, a Índia transformaram-se em potências económicas à custa da UE, dos EUA e da Rússia.
O que mudou foi a 'primavera Árabe' de 2011. O despertar da democracia, do diálogo e do respeito. Da tolerância e da liberdade. A demonstração cabal de que é possível ser muçulmano e viver em democracia, como o provam a Turquia, a Malásia e a Indonésia. Aliás a jihad e a Al-Qaeda só agora perderam a guerra, com a rejeição das extensas camadas populares a que se dirige. O terrorismo existirá sempre, mas nunca mais da mesma forma.
O que não mudou foi a política sectária, de interesses e de controlo de recursos. Se a NATO, a ONU e os próprios EUA nada tiveram a dizer na Tunísia, pouco fizeram no Egipto. Já na Líbia, quando o 'amigo do petróleo' Kadafi, ficou em risco de não poder controlar o ouro negro e os seus negócios, o bombardeamento da NATO é uma vergonha só comparável ao silêncio castrador do conflito Israel-Palestina. É só reparar na diferença de tratamento e na atenção dispensadas à Síria. É ver as imagens da visita de Cameron e Sarkozy à nova Líbia e as imagens da visita que não fizeram à Tunísia e ao Egipto.
O mundo não mudou no 11 de Setembro de 2001. Mudou uns anos mais tarde.
Os tempos que vivemos, embora difíceis, são extraordinários. Desde a 'primavera Árabe' e os desenvolvimentos que daí possam surgir (com o impacto que terá na Palestina), passando pelo sim ou sopas da UE, em que assistiremos ou ao seu desmoronamento ou ao seu federalismo, terminando numa nova ordem mundial de capitalismo de estado, com a ascensão da China e do Brasil, e a viragem à esquerda da Europa (ontem na Dinamarca, amanhã na Itália, na França e na Alemanha).
O mundo está a mudar hoje, é preciso saber acompanhá-lo...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Crónica de uma crise anunciada ou como o capitalismo tem o colarinho sujo

quarta-feira, 17 de agosto de 2011 0
Bem podia ser a imagem da crise do capitalismo. Traduzindo o que se vê na imagem: 'Colarinho Branco - Para resolver os crimes mais difíceis, contrate o criminoso mais esperto'.
Na década de 1980, Reagan e Thatcher, a soldo dos interesses e dos favores, inventaram a desregulamentação dos bancos. O dogma capitalista tinha que ser desregulamentado em prol da ideia que os mercados são omniscientes e auto-reguladores. Que a sua 'mão invisível' é infalível. Como uma mola, as oportunidades para a fraude abrigavam-se na desregulamentação potenciadora de crimes. Primeiro os empréstimos 'predatórios' para as classes mais desfavorecidas da sociedade americana. Depois as fraudes com os produtos mutualistas dos bancos de investimento, os chamados 'activos tóxicos', sobrevalorizados pelas agências de rating, que já todos conhecemos, juízes em causa própria, assumindo sem pudor um conflito de interesses latente. O resto já se sabe. Milhares de casas, grande parte hipotecadas duas vezes!, foram devolvidas aos bancos por impossibilidade de pagamento dos respectivos empréstimos. A crise do 'subprime' devolveu aos bancos casas sobrevalorizadas, sem a liquidez que a falta de pagamento dos créditos acarretou. As seguradoras, que asseguravam o risco dos títulos 'falsos', com notações de AAA, abriram falência. A 'bolha' rebentou. Os bancos com ela. Quem lucrou? Os mesmos de sempre, os que pagam às agências de notação a sua actividade fraudulenta, ainda que legal neste sistema. Os mesmos que são assessores da Casa Branca. Os mesmos que usam o Estado para engordar os seus activos. Os mesmos que geriam esses bancos.
Este capitalismo, que se quer auto-regulado e liberal, e desregulamentado ao mesmo tempo, que  não depende dele próprio, do seu auto-funcionamento, mas antes dos estados e dos contribuintes que pagam com austeridade os juros dessas fraudes vai rebentar por dentro. Quando finalmente as pessoas se derem conta de quem puseram no poder, de quem lidera tributando o trabalho e não o capital, de quem aumenta impostos sem cortar despesa, de quem governa juntamente com o colarinho branco, - e não falo só de Portugal - , talvez a crise comece a acabar. Sabiam que alguns bancos norte americanos lavam dinheiro sujo dos cartéis da droga mexicanos como meio de obterem mais liquidez?; Sabiam que os maiores poluidores do planeta 'compram' organizações ecologistas para lavar a imagem?
Não quero com isto esconder o trabalho de casa mal feito. O aumento brutal de salários e de empréstimos, a despesa excessiva do Estado, o mau gerir da coisa pública, o atraso tecnológico que concorrendo com as economias emergentes arrasou as exportações. Tudo isso exponenciou a crise e pôs à sua mercê a solvabilidade dos próprios estados. Mas a crise não começou neles, tal como a que se avizinha.
Em alternativa, enterra-se a cabeça na areia, tapa-se o sol com a peneira, pagamos sem bufar o que nos pedem e o que nos 'roubam', e perante um desvio colossal nas contas públicas do Jardim, diz-se como ele, que a culpa é do Sócrates.
Enquanto Merkel e Sarkozy dão pontapés para a frente, como se fossem eles as instituições que não funcionam no seio da UE. As medidas ontem anunciadas são o fazer de conta que estão preocupados, preocupados que estão com as eleições internas dos seus países. O governo económico da UE a ser feito, será partilhado pelos dois (claro). A haver justiça levarão um chuto no traseiro. Lá e pelo caminho.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O terror europeu

sexta-feira, 29 de julho de 2011 0
O terrorismo chegou à Europa, no mais insuspeito dos países, a Noruega.aqui tinha alertado (a minha mania da premonição) para o perigo dos populismos e da falta de liderança, a que a resposta natural são os extremismos, neste caso de direita que podem levar a situações como as que se viram no passado dia 22 em Oslo. A UE corre o risco de desagregação e com ela o perigo de guerras que a história nos ensinou que são cíclicas. Num continente de ódios e diferenças, de etnias várias e de séculos de desavenças e lutas, não é fácil o caminho para uma Federação Europeia. Aliás, o caminho mais fácil no momento é deitar por terra mais de 50 anos de integração. Tudo, sempre tudo, girou à volta de poder, território e recursos. O futuro não será diferente e os lideres actuais não sabem e não querem prevê-lo. Os extremos posicionam-se e a turbe de excluídos está aí, disposta a levá-los ao poder. Veja-se a última proposta na UE. Os países que necessitem de um próximo resgate serão obrigados a abdicar de uma parcela de soberania... mais ainda da que já abdicaram com o Tratado de Lisboa e com os próprios resgates. A fazer lembrar a União Soviética de Brejnev. Cuidado com o que se deseja, pois pode estourar nas mãos. A única via de perda de soberania, será a da constituição de uma federação europeia, mas também aí os passos não podem ser maiores que as pernas. O respeito pela individualidade de cada povo e de cada pessoa estão na base da fundação europeia. E isso é o que podemos perder. Como na Noruega...

Por cá, os exemplos começam a surgir, num país de brandos costumes, onde secretas, espiões e empresas privadas tipo Ongoing não eram misturadas no mesmo saco. Os jornalistas até podiam ser alvo de pressões por parte do Governo, mas não o seu contrário, tudo por causa de uma nomeação para Secretário de Estado.

A Moody's não baixa a notação da dívida americana, quando esta está prestes a atingir o default... porque será? Prevejo uma crise ainda maior no espaço de dois anos e mais uma vez a reboque dos Estados Unidos. Espero que a UE tenha resolvido os seus problemas até lá, porque se assim não acontecer algo de muito grave nos espera...
 
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