Mostrar mensagens com a etiqueta PSD. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta PSD. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

A sovietização que os esquerdalhos lançaram sobre o país

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017 0
A sovietização que os esquerdalhos lançaram sobre o país é uma catástrofe histórica e pode muito bem ser o definhar definitivo de Portugal.
Senão vejamos o folhetim da CGD e de Centeno. Que Mário Centeno geriu mal todo o processo de substituição do Conselho de Administração da CGD não é novidade para ninguém. E todos intuímos que, mesmo que não tenha havido qualquer acordo formal em relação à dispensa de entrega das declarações ao Tribunal Constitucional, terá havido compromissos informais nesse sentido. Centeno e Costa não são inocentes. Há e terá que haver um julgamento ético de quem não quis assumir a consequência política de ter assumido um compromisso inaceitável. Mas será isto suficiente para fazer cair um ministro? Para a direita é claro. Se não cair, vão tentar fragilizá-lo, almejando até atingir António Costa de ricochete. A comissão parlamentar de inquérito à CGD, é o instrumento encontrado para o efeito, e gerido nos estúdios da SIC pelo bufo de serviço, disfarçado de comentador, Marques Mendes. E vale tudo, desde acusar o ministro de perjúrio, até tentar, atropelando a Constituição (aqui não há novidade, são coerentes) que se divulguem as sms's trocadas entre Centeno e Domingues. Estão dispostos a tudo, mesmo até à devassa da vida privada. Mas Centeno não cairá, é demasiado importante para cair, tendo até Marcelo saído em sua defesa. O esquerdalho-mor de Belém parece que gosta desta geringonça. Parece que há outras coisas que seguram o ministro. E das quais a direita tenta a todo o custo atirar poeira para o ar. O partido que foi liderado pelo irrevogável Portas está agora, tal qual virgem ofendida, chocado com a mentira de Centeno. Passos Coelho não consegue esconder nesta novela, por si criada e alimentada meses a fio, o seu laxismo e incompetência com todos os problemas que a banca nacional veio acumulando, assim como a sua vontade antiga de privatizar a CGD. E pelos vistos já toda a gente se esqueceu da mentira de Passos e das suas dívidas à segurança social. Isso sim, era caso para fazer cair um primeiro ministro.
Mas, ao mesmo tempo, a direita quer desviar as atenções dos números e da política de Centeno e da geringonça. Passos Coelho que chegou a dizer em entrevista que votaria nos partidos desta solução governativa se algum dia eles atingissem as metas a que se propuseram. Uma ideia absurda de devolução de rendimentos, de aposta no consumo e de acabar com a austeridade, que para Passos não podia nunca dar bom resultado. Afinal a sua cartilha neoliberal infalível não pode soçobrar perante um caminho alternativo de desvario das contas públicas e do regresso do despesismo e do diabo.
Esse diabo que a direita tenta encontrar em cada esquina, ansiando para que o país não atinja as suas metas e objectivos, guiando-se pela esperança do desespero e do fracasso português. Sem dúvida, uma estratégia patriótica, feita de casos e casinhos, cambalhotas, folhetins e da política rasteira. Foi assim com a TSU, é assim com a CGD. As sondagens mostram que os portugueses não gostam disso.
E agora os números e factos de que verdadeiramente a direita anda a tentar distrair os portugueses:
O indicador avançado da OCDE aponta para a continuação do crescimento em Portugal; o número de insolvências diminuiu 23% face a 2015; em novembro a TAP alcançou recorde de passageiros, depois da revertida a sua privatização; no 3º trimestre de 2016 Portugal obteve a maior subida de emprego da UE; as compras na rede Multibanco cresceram em dezembro mais 6,5% em relação ao mesmo período de 2015; a taxa de incumprimento das famílias no valor mais baixo dos últimos anos; pela primeira vez na história o país exportou mais electricidade do que a que importou; confiança dos consumidores no valor mais alto desde 2000; salários do sector privado com maior aumento da década; emissões de dívida com juros mais baixos de sempre e a bater recordes negativos; penhoras de imóveis caem 8,2% face a 2015; investimento empresarial cresce 6,5% em 2016; maior criação de emprego dos últimos 16 anos; salários da contratação coletiva com maior subida real dos últimos 6 anos; investimento de capital de risco em Portugal dispara 400% em 2016; agências de rating elogiam gestão "muito rigorosa" das contas públicas; têxteis portugueses bateram recorde de exportações em 2016; portos comerciais batem recorde de carga movimentada em 2016; exportações crescem 4,9% no último trimestre para um novo recorde anual; queda consecutiva do desemprego há meses e maior queda da OCDE em dezembro; Portugal cresce acima da média europeia pela primeira vez em 3 anos no 4º trimestre; contra todas as expectativas Portugal deverá crescer 1,6% em 2016; o défice não ultrapassará 2,1%, o valor mais baixo da história da democracia portuguesa.
É disto que a direita quer que os portugueses se distraiam, assim como do sucesso da via alternativa à austeridade neoliberal. Não haverá piruetas que lhes valham perante estes números.



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

TSU

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017 0
Ao contrário do PCP e do BE, o PSD não tem qualquer problema substancial com a redução da TSU para os empregadores. Não tinha em 2012, continuava a não ter em 2014, quando a defendia com os mesmos pressupostos da proposta agora apresentada na concertação social pelo PS. O chumbo a esta medida pretende apenas explorar as divergências na geringonça e emperrar o seu funcionamento. É um jogo político calculista e cínico. Tradicionalmente o PSD sempre fez da concertação social uma bandeira, e está na génese e no apoio de base dos seus princípios. Este bloqueio é mais um tiro no pé do seu líder, contorcionista e revanchista.
As diferenças entre a redução proposta por Passos Coelho e a atual são, no entanto, várias. Desde logo, estamos perante valores muitíssimo inferiores, com um regime transitório e apenas para uma parte dos salários e que tem como objetivo aumentar os salários mais baixos, não reduzir o salário indireto. Para além de só se aplicar aos novos e futuros contratos. A única diferença que o PSD aponta é não ser totalmente subsidiada pelo OE, e aposta aí todas as fichas.
A chico-espertice do PSD pode a médio prazo sair-lhe ainda mais caro, como já se viu com o caso da CGD. A falta de coerência tem sido tão gritante que não me espantaria nada que nas próximas sondagens o PS já aparecesse com uma maioria absoluta robusta.
No entanto, é necessário que o PS veja com preocupação o puxão do tapete à sua esquerda. A não ser que Costa esteja a prever outra coisa que para já ainda não passou pela cabeça de ninguém... Como uma moção de confiança...

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

As opções do grande plano

terça-feira, 13 de dezembro de 2016 0
O OE para 2017 aprovado por toda a esquerda parlamentar não é o melhor, mas também não é mau. É o possível. Foi alimentado de casos e casinhos inventados pela direita, apegados a qualquer coisinha que os possa manter à tona.
Ainda antes de se conhecer o próprio documento, já a direita se punha em bicos de pés, atirando em todas as direções possíveis e imaginárias. O caso do imposto 'Mortágua' como ficou conhecido, é todo um 'case study' de como se pode criticar violentamente uma medida justa, sem qualquer ponta de vergonha, mesmo tendo defendido essa medida no passado. É preciso ter lata e muita, mas mesmo muita incoerência.
No ano passado, o PSD como se sabe, ainda combalido com o coelho que Costa tirou da cartola, a famosa geringonça, absteve-se de fazer qualquer proposta de alteração ao então OE para 2016. Eis as suas opções à época:


Eis as opções do PSD para o OE de 2017:


Nisto o PSD é coerente, e é aquilo que já se sabia, é contra as pessoas, contra tudo o que mexa e seja do domínio público e contra qualquer tipo de apoio social. É a cartilha de Passos Coelho em todo o seu esplendor. Em boa hora saiu pela porta mais pequena. Em breve desaparecerá pela dos fundos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Cenas dos próximos capítulos

sexta-feira, 6 de novembro de 2015 0
As cenas dos próximos capítulos são previsíveis. Passos Coelho apresentará um programa de propaganda para dificultar a vida ao PS. Já no dia de ontem o que resultou do Conselho de Ministros é um bom exemplo disso mesmo. O que até ao dia das últimas eleições eram medidas socialistas (e aqui uso o "socialistas" como adjectivo) e de despesismo irresponsável, são agora medidas perfeitamente viáveis. Se de um lado, como se diz, há sede de pote, do outro ninguém quer largá-lo.
Desde que esteja dentro dos limites da Constituição, é tudo perfeitamente aceitável. Pode é discutir-se o papel, os cenários, as ambições e desilusões, o passado e o futuro de cada protagonista e de cada partido político. O caos nasce sempre da ignorância e nunca do conhecimento. Os radicalismos, venham de onde vierem, não fogem à regra. O conhecimento é partilha, descoberta e sempre consensual. Só tem medo da novidade quem nunca se reconciliou com o passado. O passado só serve de base para construir o presente e alicerçar o futuro. E a novidade comporta sempre riscos. O receio é legítimo e bem vindo, mas a chantagem da propaganda do medo é redutora e perigosa.
Se no passado o PCP tinha uma matriz totalitária, ainda e quando dentro da lógica comunista da ex-União Soviética, também é verdade que o PSD e o CDS votaram contra a lei de bases que criava o SNS. Se se quiser falar de passado também é bom saber que o PPD/PSD de Sá Carneiro nasceu como partido de esquerda. Que o CDS/PP de Portas antes de ir para o governo de Durão Barroso era antieuropeísta.
O que se questiona, e que a direita questiona, é a legitimidade de BE e PCP poderem formar governo ou serem as muletas de um governo do PS que perdeu as eleições. Nunca valoriza a maioria de esquerda na AR. Mais, quem destruiu o consenso que havia no centro da política portuguesa em torno de um modelo social que nos guia há quatro décadas foi Passos Coelho. Foi Passos Coelho que em nome da glorificação da crise e dos sermões à província, baseado no rompimento ideológico da matriz do seu partido, quebrou o consenso com o PS, extremou posições e rompeu o diálogo. A maioria absoluta era o instrumento para pôr em prática a sua cartilha liberal e nela não cabia qualquer negociação com a esquerda. Foi Passos que semeou o vento que se transformou em tempestade. É sempre interessante ver como agora se fazem cedências, se apela ao diálogo e ao consenso, coisas que sempre desprezaram.
Que não haja dúvidas, quem corre grandes riscos é o PS. Se não houver acordo, ou se a estratégia correr mal, o PS pode ser afastado do centro decisório por largos anos. A fratura é hoje tão grande em Portugal que ninguém perdoará um falhanço nas negociações e na constituição de uma alternativa à esquerda. E esse acordo não se mostra nada fácil. A melhor forma desse acordo poder ser definitivo e responsabilizador era com o BE e o PCP no governo. Confesso até alguma curiosidade na hipótese remota de tal vir a suceder. De qualquer modo, a esquerda que sempre mancou de uma perna, pode agora fazer história e mudar o paradigma no país.
Que não haja dúvidas também que o BE e o PCP são partidos que têm o direito de poder governar ou de se posicionarem como apoio de governo. Que não haja dúvidas que o milhão de pessoas que votaram nesses partidos não são de segunda e que os seus votos em democracia valem tanto como os outros. Que não haja dúvidas que tudo o que está a acontecer é legal. Já ouvi expressões que falam em golpe, fraude e totalitarismo vindas de pessoas com responsabilidades públicas. O desespero nunca é bom conselheiro. E pela amostra de Calvão da Silva, o governo minoritário de Passos seria ainda mais desesperante que o anterior...


quarta-feira, 1 de julho de 2015

Segundo as sondagens...

quarta-feira, 1 de julho de 2015 0
Quando os tribunais se pronunciam desfavoravelmente acerca das ações governativas, o governo contra ataca e diz que os tribunais se imiscuem na política de forma pouco isenta. Foi assim com as variadas e consecutivas decisões do Tribunal Constitucional e repetiu-se agora com o parecer do Tribunal de Contas que afirmou que as privatizações da EDP e da REN, para além de pouco transparentes foram altamente lesivas dos interesses do Estado. Mas isso já nós sabíamos, só não sabia quem não quisesse ver, e ainda são alguns, segundo as sondagens. Estou ansioso pelo parecer das privatizações dos CTT e da TAP e da concessão do Oceanário de Lisboa, entre outras...
Quando Sócrates diz que o seu processo visa influenciar as próximas eleições legislativas e fazer com que o PS as perca, o que faz o PSD? Vem pedir explicações a Costa. Como se fosse Costa o responsável pelas declarações de terceiros. É nítida a intenção de colar Costa e o PS ao antigo líder, assim como é nítida a intenção de hostilizar o poder judicial, que o governo considera uma força de bloqueio, a não ser quando esse poder judicial resolve prender Sócrates preventivamente, com todos os atropelos que se conhecem, e que alguns fingem desconhecer, segundo as sondagens...
E segundo as sondagens, uma larga maioria prefere Costa como primeiro Ministro. Segundo as sondagens uma larga maioria ficou bastante agradada e apoia o programa de governo do PS. Até pôs o ministério da Economia e o da Justiça a analisá-lo. Mais uma trapalhada sem ninguém responsável, claro. Mas segundo as sondagens quem ganha as eleições é a coligação! Como? Importa-se de repetir?

quinta-feira, 30 de abril de 2015

O desespero dos 'garçons'

quinta-feira, 30 de abril de 2015 0
O desespero latente no seio do governo face ao relatório macroeconómico apresentado pelo PS conseguiu pôr o PSD e o CDS a comportarem-se como oposição. No dia em que apresentava o plano de estabilidade e crescimento no parlamento, Portas e companhia, mas principalmente Portas, usou todo o tempo disponível para criticar o documento apresentado pelo PS. E nem uma palavra sobre o seu, que era o que se discutia. O documento para a década do PS suscitou o aplauso quase generalizado, a juntar aos elogios provenientes de alguns sectores do quadrante do PSD.
Com algumas dúvidas aqui e ali, é certo, mas com a certeza porém que não se trata ainda do programa de governo que será apresentado no início de Junho, a política impôs-se em Portugal, e para isso bastou apresentar um caminho alternativo com medidas alternativas e efectivas.
O desespero cresceu e as veias latejantes do PSD impuseram um comportamento nunca antes visto em qualquer governo. O PSD que suporta a maioria, logo se apressou a levantar dúvidas e sugestões e resolveu enviar ao PS uma carta com 29 perguntas, como faria se estivesse na oposição, na lúgrube tentativa de dizer ao país que sabe do que está a falar e que já tinha pensado sobre o tema. Mas não, os temas foram-lhe finalmente impostos e a alternativa impôs-se por si só. Não satisfeito, o PSD e o seu garçon de serviço, Marco António Costa, propuseram submeter o documento socialista à Unidade Técnica de Apoio Orçamental. Agora ameaça que se o PS o não fizer que os próprios o farão, inclusivé em sede de AR. Nunca antes visto. Poderemos estar a assistir ao início da auditoria prévia de programas de governo. A diferença, é que este documento ainda não é um programa de governo.
Se dúvidas houvesse acerca das propostas socialistas, o comportamento do PSD veio dar-lhe a legitimidade toda. Elementar meu caro Marco António...

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

'Recapitulando'

segunda-feira, 1 de setembro de 2014 0
Nem sempre concordo com tudo o que diz ou escreve, mas desta vez não tiro uma vírgula... Já agora vale a pena pensar nisto:


Miguel Sousa Tavares, Recapitulando [in Expresso]:

"Espero bem que o país não se esqueça de ajustar contas com essa gente um dia. Esses economistas, esses catedráticos da mentira e da manipulação, servindo muitas vezes interesses que estão para lá de nós, continuam por aí, a vomitar asneiras e a propor crimes, como se a impunidade fizesse parte do estatuto académico que exibem como manto de sabedoria.
Essa gente, e a banca, foram os que convenceram Passos Coelho a recusar o PEC 4 e a abrir caminho ao resgate, propondo- -lhe que apresentasse como seu programa nada mais do que o programa da troika — o que ele fez, aliviado por não ter de pensar mais no assunto. Vale a pena, aliás, lembrar, que o amaldiçoado José Sócrates, foi o único que se opôs sempre ao resgate, dizendo e repetindo que ele nos imporia condições de uma dureza extrema e um preço incomportável a pagar. Esta maioria, há que reconhecê-lo, conseguiu o seu maior ou único sucesso em convencer o país que o culpado de tudo o que de mal nos estava a acontecer foi Sócrates — o culpado de vinte anos sucessivos de défice das contas públicas, o culpado da ordem vinda de Bruxelas em 2009 para gastar e gastar contra a recessão (que, curiosamente, só não foi cumprida pela Alemanha, que era quem dava a ordem), e também o culpado pela vinda da troika. Mas, tanto o PSD como o CDS, sabiam muito bem que, chumbado o PEC 4, o país ficaria sem tesouraria e não restava outro caminho que não o de pedir o resgate. Sabiam-no, mas o apelo do poder foi mais forte do que tudo, mesmo que, benevolamente, queiramos acreditar que não mediram as consequências.
E também o sabia o PCP e a CGTP, que, como manda a história, não resistiram à tentação do quanto pior, melhor. E sabiam-no Francisco Louçã e o Bloco de Esquerda, que, por razões que um psicanalista talvez explique melhor do que eu, se juntaram também à mais amoral das coligações direita/extrema-esquerda, com o fim imediato e mais do que previsível de obrigar o país ao resgate e colocar a direita e os liberais de aviário no poder, para fazer de nós o terreno de experimentação económica e desforra social a que temos assistido."

terça-feira, 8 de abril de 2014

Durão baixa as orelhas e mostra os dentes

terça-feira, 8 de abril de 2014 0
Durão Barroso não tem nada que o recomende. Patrocinou na Base das Lajes a fotografia histórica que permitiu a invasão do Iraque baseada nas célebres armas de destruição maciça, um pressuposto errado e enganador. Abandonou o país em nome de um cargo europeu para o qual e após 10 anos de exercício provou não ter qualquer competência. Um 'job' que com Durão ficou esvaziado ao doce balançar do fantoche de Merkel. Ganhou ódios em quase todos os sectores decisórios da União e chegou mesmo enquanto tal a dar-se à lata de criticar uma instituição soberana do seu país (falo claro do Tribunal Constitucional). Lambe as botas de Berlim como um cão amestrado, sem demonstrar qualquer respeito pelo cargo que ocupa. Não se lhe conhece qualquer contributo positivo para a resolução da crise financeira e económica que grassa na Europa, antes pelo contrário. Não tem opinião sobre nada que não seja o ámen reverencial ao diktat troikiano. E quer agora regressar impoluto ao país que deixou entregue nas mãos de Santana Lopes. Mas não regressa sem antes tentar limpar a imagem de um PSD obscuro que se afundou no BPN. E tenta fazê-lo atacando o regulador da época, na figura de Constâncio. Diz agora que houve falhas na regulação e que perguntou por ela aquando da sua fugaz passagem por primeiro Ministro. Esquece todavia que faria um melhor favor ao seu partido se calasse para sempre o maior escândalo financeiro de que há memória em Portugal. Esquece que foi o seu partido e o cavaquismo de que ele é fiel seguidor, os únicos e principais responsáveis pelos crimes perpetrados no BPN e que custaram aos portugueses 7 mil milhões de euros. Esquece que nomeou Dias Loureiro para órgão dirigente do PSD 2 anos depois de ter alertado Constâncio. E alertou sobre o quê e em que termos? Falava de crimes? Se sim, também alertou as autoridades policiais? É que uma coisa são as irregularidades que são da responsabilidade do BdP, outra coisa são os crimes que por lá se cometeram, até hoje sem castigo, como é apanágio português quando se trata da alta criminalidade financeira. E porquê só agora? Porque é que só 10 anos depois se lembrou do BPN?
Quer o lugar de Constâncio ou quer o de Cavaco?

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O congresso é uma festa pá!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014 0
Muito penosamente Marcelo, o catavento de serviço da TVI, lá se arrastou ao congresso do PSD. Num misto de surpresa e de saudosismo, alicerçado numa vã tentativa de travar os barrosistas que se preparam para nomear o alto comissário para a presidência da República. O avião ou o táxi em que diz que decidiu dizer qualquer coisa para marcar posição, mais não é senão uma táctica populista de juras de amor e perdão a quem o terá atraiçoado. Santana Lopes registou.
Passos Coelho que prepara a narrativa eleitoralista do país que operou o milagre económico de Fátima e a saída limpa, pressionou mais uma vez o PS a alinhar com a sua política de empobrecimento que o próprio anuncia e fomenta. Ao mesmo tempo que toda a gente bate em Seguro, secretamente esperançosos numa vitória socialista nas europeias, não vá o homem demitir-se e ceder o lugar ao Costa. Talvez venha daí o desafio de Rangel para que o PS (bem mandado) apresentasse o seu candidato. Assis foi a rolha que saltou da garrafa de champanhe de Passos, aberta no momento em que soube do anúncio socialista. Assis é o garante da vitória do PS nas europeias e da continuação de Seguro ao leme da sua fraca oposição e que poderá proporcionar ao PSD um laivo de confiança para as legislativas de 2015.
Entretanto, e como Passos nada sabe de política, resolveu dar mais um tiro no pé, reabilitando em 6 meses Relvas, o amigo leal, cumprindo a promessa que lhe havia feito aquando da sua demissão. Passos não o deixaria cair. Registei que Portas foi mais aplaudido apenas e só desfilando na passadeira vermelha do que o único discurso com conteúdo político da autoria de Morais Sarmento.
Quanto aos chumbos do TC, nomeadamente o mais recente ao referendo sobre a co-adopção e o relatório do FMI nem uma palavra. O congresso é uma festa e um concurso de banalidades. Sem críticos, que ficam em casa à espera de vez, o congresso é o sítio onde se pode esquecer a realidade e celebrar-se a si mesmo. Não há espaço para elitistas, sulistas e menos ainda para liberais...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Está tudo doido

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014 0
Aconselha o bom senso que as pessoas só falem daquilo que sabem, e ainda assim, principalmente no caso de serem titulares de órgãos públicos, a falar com prudência num discurso que se exige esclarecedor.
Ora, a histeria colectiva que se vive em Portugal e na Europa é um caso do foro psiquiátrico que não deixa espaço a uma discussão sadia sobre o papel do país na Europa e do Estado no e do país. Enquanto se vai empurrando com a barriga, toda a atoarda propagandista serve para camuflar a realidade. Vai desde um vice primeiro ministro que a pretexto de classificar e enaltecer a grande obra feita nas exportações, recorre a um porta-aviões figurativo, ele que viu um processo de submarinos afundar-se nas entrelinhas do nosso sistema de justiça. E como nós sabemos! que o desempenho das exportações ou o aumento do consumo privado nada tem a ver com algo de concreto que este governo tenha feito, mas antes se deve ao que o TC desfez. Ainda Portas se preparava para desenvolver a propaganda eleitoralista de baixa de impostos em 2015, sublinhando assim o milagre económico anunciado por Passos Coelho que permitiria uma saída limpa (ou suja conforme o ponto de vista), e já o FMI e a Comissão Europeia desfaziam com os pés toda a narrativa que se desenhava no governo e partidos da maioria. Um valente puxão de orelhas nos meninos de coro e até aqui bons alunos que já se preparavam para afrouxar o cinto e voltar aos pecados de antigamente. Assim como quem diz que a supervisão parental vai continuar. O relatório da troika afirma ainda que a austeridade é para manter por muito tempo e ainda urge baixar mais os salários, anunciando um corte de 3 mil milhões de euros para este ano que ainda ninguém tinha descoberto. O empobrecimento que está a destruir o tecido social e empresarial do país é para manter, por mais que se faça mea culpa. Os soluços da pequenada ainda se ouviam quando apareceu o líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, a dizer que "a vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor", como se fosse possível um país sem pessoas. Mas é nisto mesmo que eles acreditam, chegando até ao desespero de, com o intuito populista de disfarçar as medidas menos boas, inventar coisas no memorando inicial, para assim conseguir sacudir a água do capote imputando-as ao Sócrates do costume. Assim sucedeu com o mapa judiciário.
Mas há mais, desde a esquizofrénica proposta de Assunção Esteves de pedir a mecenas para patrocinar as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, passando pela absurda proposta de Seguro de criar um tribunal especial para grandes investidores e acabando na CPLP que irá permitir a entrada na comunidade de um país que tem um regime ditatorial e sanguinário e onde se fala tudo menos português (Guiné Equatorial), em troca de 150 milhões de euros para o BANIF. Quero ver o escabroso Acordo Ortográfico a ser assinado e ratificado pela Guiné Equatorial, e assim será assinada de vez a sua sentença de morte que já começou a ser escrita pelo Brasil. Tudo está à venda e está tudo doido...

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Chafurdanço de Big Brother

quinta-feira, 25 de julho de 2013 1
Eis que, regressado de férias, termina a novela da política portuguesa. Em vários episódios, durante um mês, também o governo e o país tiraram férias, e saciaram-se à grande a assistir ao entra e sai em directo. Com prefácio de Gaspar, e o fica/não fica irrevogável de Portas, as personagens foram desenvolvendo uma trama digna de uma qualquer série do big brother.
Veja-se o exemplo dessa personagem que dá pelo nome de Rui Machete, um histórico do PSD, recauchutado e vendido como novo. A exemplo da refundação do governo, a refundação do Estado ganha assim um novo significado. Então não é que não chegava o secretário de Estado Franquelim Alves, a quem eliminaram do currículo a sua passagem pelo BPN, agora também o 'novíssimo' ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros oculta da sua biografia os rabos de palha na SLN/BPN e quando questionado sobre essa passagem, acusa todos os outros de podridão! O pântano do BPN e a sua ligação íntima ao cavaquismo permite toda a perfídia, em nome da vassourada para debaixo do tapete de qualquer resquício que possa aparecer no futuro. A podridão de que fala Machete é a maior nojeira e o maior escândalo da democracia portuguesa e cada vez mais se percebe a necessidade de certas nomeações, não vá alguém descobrir ainda mais do que aquilo que já se sabe...
Outra personagem chave do enredo é a ministra das Finanças, sim a dos swaps, a que mentiu na comissão de inquérito, a que Portas não queria no governo e não se sabe porque artes mágicas vai coordenar. Mas coordenar o quê? Como e até quando? Vale tudo em nome do poder comesinho e da fruta no fim da refeição... É este o padrão de honestidade do governo? O mais pequeno de sempre, em nome da falsa moralidade, que tornou os 11 ministérios iniciais ingovernáveis e que em 2 anos já saltou para 14? Até quando?
Mas esta falsa moralidade, este jogo do empurra vai mais longe, veja-se o que tem feito Cavaco Silva, a personagem principal do final da novela. Paulo Portas tentou fugir do desastre para tentar salvar o partido mas um Passos Coelho quase a afogar-se deu-lhe tudo para poder continuar agarrado ao poder. O que fez o presidente? Inventou uma manobra para ocultar as responsabilidades do 'seu' governo, de há muito a esta parte de sua iniciativa presidencial. Usou o país e as dificuldades dos portugueses para uma pérfida e engendrada tática de salvação nacional, tentando colar o PS a este governo miserável, incompetente e moribundo, tudo para acabar a dar posse a uma remodelação já pronta há 15 dias e deixando no ar a culpa do PS por não lhe ter feito o frete. Ou esquece-se do seu discurso no 25 de Abril último, sectário e mesquinho. Feito de ajuste de contas. Ou esquece-se que este governo ignorou o PS e os seus parceiros sociais, pelo menos desde há 1 ano a esta parte? As manobras de Belém tiveram como único objectivo ocultar, adiar e escamotear a verdadeira trapalhada que é e continuará a ser este governo. Um governo dado como morto por 3 vezes, ressuscitou pela mão atrás do arbusto. A mesma mão que o tinha ligado à máquina por mais um ano. Em que ficamos? Há 15 dias este governo, recauchutado ou não, só servia para um ano, e isto porque eleições antecipadas poriam o país em suspenso durante muito tempo, as avaliações da troika, o orçamento para 2014, blá, blá, blá. E agora, passados que foram 15 dias, dá posse a uma remodelação governamental, que já pode servir até ao final da legislatura. Durante estes 15 dias Cavaco lembrou-se que afinal este governo é maioritário. Façam o que fizerem. Até quando?
Entretanto, temos no executivo, dois governos distintos, o da economia de Portas e Pires de Lima, que quer crescimento económico, e o de Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque que quer continuar a senda neoliberal e de austeridade castrantes como até aqui. Até quando?
Estes 15 dias foram uma tentativa de prova de vida do PR, numa manobra suja de arrastar o PS para o lamaçal e atirar poeira para os olhos de alguns portugueses mais incautos, na esperança de esquecerem as cartas de Gaspar e de Portas, de esquecerem os 'swaps' da ministra das Finanças e o afundanço na lama da política portuguesa e de Portugal. Por causa de um governo mentiroso, impreparado, incompetente e premeditado na sacanice e na trampa ideológica que os faz chafurdar como moscas no meio da m...
 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

A semana do Pedrinho e do Paulinho

sexta-feira, 5 de julho de 2013 0

Vítor Gaspar dixit:

"O incumprimento dos programas originais para o défice e a dívida, em 2012 e 2013, foi determinado por uma queda muito substancial da procura interna e por uma alteração da sua composição que provocaram uma forte quebra nas receitas tributárias. A repetição destes desvios minou a minha credibilidade enquanto Ministro das Finanças. (...) o nível de desemprego e de desemprego jovem são muito graves. (...) Pela nossa parte exigem a rápida transição para uma nova fase do ajustamento: a fase do investimento!"

Paulo Portas dixit:

"Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.
São conhecidas as diferenças políticas que tive com o ministro das Finanças. A sua decisão pessoal de sair permitia abrir um ciclo político e económico diferente. A escolha feita pelo primeiro-ministro teria, por isso, de ser especialmente cuidadosa e consensual.
O primeiro-ministro entendeu seguir o caminho da mera continuidade no Ministério das Finanças. Respeito mas discordo.
Expressei, atempadamente, este ponto de vista ao primeiro-ministro, que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível.
Ao longo destes dois anos protegi até ao limite das minhas forças o valor da estabilidade. Porém, a forma como, reiteradamente, as decisões são tomadas no Governo torna, efectivamente, dispensável o meu contributo."

Como se percebe são excertos da carta e do comunicado de Gaspar e Portas, respectivamente, aquando da apresentação das suas demissões do governo.
Como também se percebe elas encerram fortes críticas ao rumo e à política seguida pelo governo. Se Gaspar faz uma autocrítica e aponta o caminho do investimento, Portas torna irrevogável a sua continuação neste governo e com estas políticas. E essas são as conclusões maiores que se tiram desta semana, em que não esteve suspensa a democracia, como alguém um dia disse que seria necessário, mas esteve suspenso o governo. Em dois dias o país assistiu incrédulo a uma novela mexicana em que o amor-ódio faz sempre parte do guião. Um arrufo de rapazolas, putos imberbes que comandam um país, deu para os gregos poderem dizer que a Grécia não é Portugal.
O que sobra da semana é a confirmação daquilo que já se sabia, mas que muitos não queriam ver. A política de cartilha pseudo-imbecil neo-liberal seguida por Passos Coelho e Gaspar resultou numa recessão de 2,3% com estimativas de atingir 4% no fim do ano, o desemprego está nos 18,6%, o défice em 10,6 % e a dívida pública já vai em 127% do PIB. Há dois anos, quando o país estava em bancarrota os mesmos indicadores eram os seguintes: recessão (0,2%), desemprego (12,6%), défice (8,8%) e dívida (107%). É isto que a troika e agora Passos Coelho isolado defendem como 'o bom aluno', 'o caminho certo', 'a consolidação das contas públicas', 'o ajustamento'. Os credores estão-se a marimbar para as pessoas e para o país, desde que lucrem com a nossa crise. Se ela for política, óptimo, mais juros, mais dinheiro. Ora, se o país estava na bancarrota há dois anos, agora, ninguém duvidará de um segundo resgate. Aliás, os juros atingiram 8% esta semana, com as traquinices do Pedro e do Paulo, acima dos 7% que obrigou Sócrates a pedir a intervenção da troika.
Esta semana representou o consumar do colapso e do falhanço de um governo impreparado, incompetente e ligado à máquina de há uns meses a esta parte. E Relvas, nunca se esqueçam de Miguel Relvas. E do Borges e Moedas, da Paula, do Álvaro e afins.
Alguém dará credibilidade a este governo, mesmo se Portas recuar? E Portas terá alguma? E a reforma do Estado que supostamente entregará daqui a quinze dias? A reforma do Estado que provavelmente não soube nem conseguiu fazer. Como o governo até agora não soube e que era por onde devia ter começado.
E Cavaco após aquela humilhação farsante em que se envolveu ao dar posse a uma ministra que não se sabe se estará no cargo segunda feira, tem margem de manobra para quê? O homem que pôs a mão no rabo de Portas e Coelho que terá agora a dizer? Que sempre disse que preferia a estabilidade e agora levou um pontapé no cu e um bofardo na língua? O governo que sair desta  porcaria durará até quando? Até às autárquicas? Ao OE? Ou até ao segundo resgate?
Esta semana serviu também para se poder dizer alto e em bom som: AS ELEIÇÕES FAZEM PARTE DA DEMOCRACIA E NÃO HÁ ARGUMENTOS ECONÓMICOS QUE POSSAM DISSUADIR A SUA REALIZAÇÃO!!! NÃO HÁ CHANTAGEM ALGUMA DOS MERCADOS E DE QUEM QUER QUE SEJA QUE POSSA IMPEDIR O POVO DE SE PRONUNCIAR NAS URNAS! DEITAR ESTES DOIS ANOS PELA BORDA FORA É O MELHOR QUE NOS PODIA ACONTECER. AINDA QUE COM SEGURO AO LEME.
Esta semana esclareceu de uma vez por todas que é preferível eleições a aturar birras de canalha mimada, preocupada com os seus umbigos eleitoralistas, deixando o país suspenso e à deriva. Este governo é, foi e será uma nulidade. Uma farsa e uma calamidade. Os últimos dois anos foram tempo perdido à custa de todos.
Esta semana demonstrou que qualquer alternativa é preferível ao triste espéctaculo de morte assistida do país e do sistema político, repito, com razões válidas de Portas, mas demagógicas, sectárias e caciqueiras como se verá amanhã ou nos próximos dias, quando Portas for ministro da Economia e Macedo das Finanças. Passos Coelho é o maior culpado por todas as razões (principalmente porque teima em levar ao leme o país rumo ao precipício) e Maria Albuquerque será um rodapé no capítulo respeitante aos contratos swaps.
Esta semana foi a maior vergonha, das muitas, a que este governo já nos habituou, tamanha, que é urgente pedir desculpa a Santana Lopes. As suas trapalhadas foram de menino comparadas com as destes fedelhos.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

25 de Abril SEMPRE!!!

quinta-feira, 25 de abril de 2013 0
Celebrar o 25 de Abril é celebrar a democracia e a liberdade. A liberdade de expressão, de opinião, de facto e de direito. Celebrar o fim da ditadura, da censura, do medo, da fome e da pobreza. É celebrar as conquistas do Estado de Direito, da saúde para todos, da educação e da segurança social, do progresso e das eleições, da cidadania. Da igualdade de oportunidades e dos direitos, liberdades e garantias  expressos na Constituição de 1976. A Constituição mais garantística e das mais perfeitas do mundo. Desactualizada em alguns aspectos, é certo, mas não naqueles. Alvo, hoje, dos maiores ataques desde que a palavra foi devolvida ao povo. E essa é uma conquista de Abril. Como o foi também o fim da guerra colonial, injusta e opressora do direito à liberdade e autodeterminação de povos e territórios escravizados durante séculos, que sempre pertenceram às populações que neles habitavam. Mais uma justiça que Abril fez. A forma como decorreu o processo de descolonização já será outro assunto, o que interessa é que foi levado a cabo.
Nunca como hoje, o título deste blogue foi mais actual. Os ataques aos valores de Abril, são os ataques aos valores da social democracia, levados a efeito por um governo incompetente, todavia com uma agenda ideológica e neoliberal bem definida de ataque ao Estado social e de uma estratégia de empobrecimento dos portugueses. Uma estratégia de vingança mesquinha contra tudo o que o Estado representa, contra tudo o que representa diminuição do poder dos mercados, dos particulares e dos interesses. Se é certo que o Estado representa para alguns viver à sombra de recursos inesgotáveis de poder, corrupção e dinheiro fácil, porque construídos sob a égide do domínio público, também é certo que o caminho percorrido ultimamente representa a ditadura do mercado e da austeridade como resposta à corrupção desses mesmos mercados que nos trouxeram até aqui, assentes na usura, na especulação e na ganância.
Os valores de Abril são postos em causa porque os mesmos que os quiseram contornar, são os mesmos que ditam a forma de os ultrapassar definitivamente. A guerra ao Estado é imposta por um diktat, mais ou menos com interesses alemães, mais ou menos com interesses difusos que ninguém sabe quem são. Fundados no empobrecimento, na austeridade, no medo, no populismo e na chantagem. Escudados na troika e no memorando vão trilhando o caminho do desemprego e da recessão. O caminho escolhido pela guerra em surdina dos bastidores do FMI e da Alemanha, seguido com subserviência pela UE e pelo governo de um Portugal amordaçado, lambe botas e sem voz. Esta direita não é a direita social-democrata, a direita do PSD de Sá Carneiro. Esta direita é a direita revanchista. É uma direita que usa os cravos na lapela hipocritamente. É a direita que não gosta da Grândola e não sabe a letra. É a direita que trai os valores de Abril. É a direita que vê na Constituição um óbice ao seu exercício de poder, um obstáculo à prática da sua agenda neoliberal. Que escarna e mal diz dos seus tribunais e instituições, é uma direita tecnocrática e apolítica, sem rumo, sem visão, e esperemos que sem futuro...
Cavaco, que sempre conviveu mal com o 25 de Abril, com a sua memória e com os seus valores, provou hoje que não é digno de representar Portugal e os portugueses, que esqueceu propositadamente Saramago, a quem censurou, numa vingança mesquinha a um Nobel, só porque não partilhava da sua ideologia, provou hoje que tem dois pesos e duas medidas consoante a cor de quem governa, que é complacente com o estado do Estado e do país, que é a mão por detrás do arbusto e que é cúmplice do descalabro e da austeridade, revanchista e fascizóide, fez hoje um dos discursos mais antidemocráticos de que tenho memória.
O 25 de Abril sobreviverá a Cavaco e a este governo. O 25 de Abril é de todos, mas é mais de uns que de outros...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A tomada da Bastilha

segunda-feira, 7 de maio de 2012 0
"O meu verdadeiro adversário não tem voz, nem rosto; o meu principal adversário é a finança."
"A austeridade já não é uma fatalidade."
François Hollande, ontem em França.

Se é verdade que a vitória socialista em França pode ser um flop, ela já ganhou pelo menos na esperança renovada de uma inversão de curso na Europa. E a festa na Bastilha tem um significado extra, no sítio onde nasceu a liberdade, a igualdade e a fraternidade.
Prodi, antigo primeiro-ministro italiano considera que a Itália, a Espanha e a França deviam formar um eixo para relançar a Europa e 'refrear' a Alemanha. Alemanha que por sua vez, na voz de Merkel já afirmou que pode haver um caminho alternativo, assim como Passos Coelho, que teimosamente segue o curso que lhe ensinaram a venerar, mas que agora pode não passar disso mesmo, teimosia cega e estritamente ideológica. Basta atentar nas palavras de Mota Amaral no Expresso, onde claramente se afasta do pensamento neoliberal em curso, afirmando e relembrando a matriz ideológica  da social democracia do PPD/PSD de Sá Carneiro. Aliás como outros sectores do PSD, digamos assim, mais 'experientes'.
O eixo franco-alemão pode ser finalmente o motor de que a Europa precisava. Pena é que as eleições alemãs ainda demorem mais um ano.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Há lodo no cais

quinta-feira, 29 de março de 2012 0
O traço ao alto, na linha a piscar... a piscar... não sei que diga... não sei que escreva... qualquer coisa, convencido que o meu super blogue precisa de comida. Os meus ávidos leitores precisam de qualquer coisa. Eles que me seguem religiosamente, que anseiam um artigo novo a cada dia que passa. Já não escrevo nada há quase uma semana... Que pretensioso!, que convencimento tão inocente! Não há nem meia dúzia que leiam esta merda, e já tens que descontar a tua mulher que te faz o favor. Foda-se, não escrevo nada! Escrevo.
Sobre o congresso do PSD no passado fim de semana? Não. Isso nem foi notícia. Foi só bater no Sócrates.
E que tal futebol? Também não. Já mete nojo. Parece que os árbitros é que jogam à bola.
Os processos contra Sócrates? Também já enjoa. Condenem o homem de uma vez por todas. Na praça se possível e com uma corda ao pescoço.
A entrevista de Passos a garantir a retoma económica em 2013 e sem necessidade de qualquer medida adicional de austeridade? Desmentido no dia seguinte pelo Banco de Portugal, recessão de 3,7% no final do ano.
A aprovação na AR do novo Código Laboral? Estou farto de bater no ceguinho. Já sabemos que temos que pagar salários ao nível dos praticados na China. Já sabemos que o pessoal tem que ir tratar de vidinha quando der mais jeito ao patrão. Já sabemos que a resposta liberal é o desemprego. Há deputados do PS que vão furar a disciplina partidária e vão votar contra? Acho muito bem. Eu, se lá estivesse, fazia o mesmo. Quero que se lixe a Troika e o Seguro e o 'sei o que assinaste no ano passado'.
Os jogos de bastidores nas comissões de inquérito ao BPN? Ponham-nos a todos na praça com a corda ao pescoço! Quem o nacionalizou, sem nacionalizar a SLN, e quem privatizou gastando quase tanto como custou a nacionalização.
O Catroga que há um ano achava que havia rendas excessivas no sector energético e que agora que passou para o outro lado diz que é preciso ter calma e ponderação? Sem comentários...
O sindicato dos juízes que fez uma queixa contra os ex-ministros do governo PS, alegando gastos ilegais e excessivos? Achava muito bem, se não fosse a sensação de vingança por esse governo ter cortado nos salários de S. Exas. Se não fosse um juiz a julgar essa queixa. Em causa própria obviamente.
O Borges e quem o pôs lá?, que acham que não existe nenhuma incompatibilidade entre as funções que exerce na Jerónimo Martins, e as novas funções de 'alto' conselheiro para as privatizações? À mulher de César...
O 10 de Junho ser comemorado este ano em Lisboa? É para ajudar Miguel Relvas com a reforma territorial e administrativa, afinal em Lisboa está o país todo.
Afinal... não falta lodo sobre o que dizer qualquer coisa... e nisso somos muito ricos!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

É o Povo pá!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012 0
O liberalismo e o primado do mercado está em queda livre. A frase não é minha. Diz-se em surdina por aí. Ainda ninguém (com voz que se ouça) o disse abertamente.
De 1978 a 2008, aumentar as desigualdades era um mal menor, em troca do crescimento. Que o digam Reagan ou Thatcher. Os líderes mundiais confiaram que assim fosse.
As bases do início da crise internacional de 2008 abalaram o sistema, e a sua suposta cura, com as draconianas medidas de austeridade, criaram a ruptura entre os afortunados e os excluídos. A luta de classes está aí ao virar da esquina. As dicotomias acentuaram-se, patrões/trabalhadores, financeiros/políticos/manifestantes/indignados. Se é certo que o liberalismo progrediu e vingou durante 30 anos, a sua 'mão invisível' de mercado, transformou-se na mão manipuladora, egoísta e especuladora, que visa o lucro a qualquer preço, ainda e à custa dos mais desfavorecidos.
A seguir ao liberalismo, dizem-nos, que a resposta é o neo-liberalismo (apesar de que quem o pratica assim não se considere). Em duas correntes. A corrente populista de direita, do Partido da Liberdade na Holanda, da Frente Nacional da França ou da Liga do Norte na Itália. São anti-globalização, anti-UE e anti-imigração. São proteccionistas de extrema-direita e estão em forte expansão por toda a Europa e com ligações ao movimento Tea Party nos EUA. Sarkozy conta com eles para vencer as eleições francesas. Oxalá não consiga.
A segunda corrente é a que está a aplicar e a fazer aplicar a austeridade na Europa, a que defende o Estado mínimo, a corrente defendida pelo governo português. Acham que o Estado tem demasiada intervenção e denunciam o socialismo. Defendem que a actual crise não se deve a excesso de capitalismo, mas sim a excesso de Estado demasiado poderoso. Por isso, privatizam os seus sectores fundamentais, e liberalizam o trabalho, em nome da austeridade e da Troika. Seguem o caminho cegamente, movidos por uma ideologia que só vê números, custe o que custar. É a corrente libertária ou neo-liberal.
A tendência oposta não se consegue impor. Por culpa própria ou porque o poder liberal é neste momento mais forte, a que não será alheia a Alemanha 'ditadora' das regras. A esquerda social-democrata, Keynesiana e socialista, da igualdade e do Estado social defende mais regulamentação para a alta finança, bancos incluídos, um travão na especulação imobiliária e das bolsas, combate à desigualdade, maior redistribuição da riqueza através dos impostos e consequentemente, maior intervenção do Estado. Só que os Estados, falidos e reféns da austeridade, não conseguem libertar-se. O crescimento da desigualdade e do desemprego tornaram-se uma preocupação global, que pode criar condições a um movimento anti-capitalista mais alargado e influente, como já se viu no caso Occupy Wall Street.
Qual das tendências sairá vencedora não sei, mas espero que seja a social-democracia de esquerda, porque a de centro-direita está agora subvertida, como se vê no próprio PSD português, contra toda a sua matriz ideológica. O mau estar em alguns sectores do partido é evidente. A cegueira que acompanha esta nova ideologia não deixa ver que a economia dificilmente recuperará sem um alívio na austeridade castradora de consumo, poupança e investimento e sem uma renegociação da dívida de forma a aligeirar a corda na garganta e permitir um crescimento sustentável e sustentado. As regras que ditarão a nova era sairão das cinzas deste combate. Só falta saber à custa de quê e de quem... para já, sofrem os mesmos de sempre. É o Povo pá...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Os bastidores do poder

terça-feira, 10 de janeiro de 2012 0
Portugal demora quase tanto tempo como a Igreja Católica a adaptar-se e a encarar a verdade. Assim como aconteceu com a crise internacional que não existia no tempo de Sócrates, agora e após vários escândalos de incompatibilidades, tráfico de influências, negociatas e favores, com as secretas e a maçonaria à mistura, parece que se começa a abrir a pestana. Só para citar alguns nomes, lembram-se de Branquinho?, ex-deputado do PSD,  que durante um inquérito parlamentar perguntou "o que é a Ongoing?", antes de ingressar nos quadros da Ongoing Brasil; e Bernardo Bairrão, afastado à última hora da lista de Secretários de Estado do novo governo, porque era administrador-executivo da TVI e era contra a privatização da RTP, a mesma que a Ongoing era a principal interessada na sua aquisição; Silva Carvalho, ex-director do SIED, com o célebre caso de espionagem e contra-informação para a Ongoing, membro da loja Mozart maçónica; e agora Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, membro da mesma loja maçónica, que era suposto  investigar as secretas num inquérito parlamentar, e que cujo relatório a essa mesma investigação foi alvo de uma pequena emenda de modo a esconder as relações entre essa loja maçónica, alguns dirigentes do PSD, as secretas e a Ongoing...
Não conheço o que é a maçonaria, não conheço os seus meandros e objectivos. Só não percebo o carácter obscuro, e que ninguém diga que é o mesmo que ser sócio de um qualquer clube. Compreendo que nem todos os seus membros sejam carreiristas ou negociantes, tal como na Opus Dei e outras organizações mais ou menos secretas. Não defendo que quem o seja tenha que o anunciar, ou a sua ilegalização, ou a sua perseguição e diabolização porque são secretas ou discretas, o direito de associação é garantia Constitucional desde que os seus fins não sejam ilegais, mas  no caso desta loja Mozart, é caso para perguntar onde é que reside afinal o verdadeiro poder. Na Assembleia da República, nas reuniões de avental das lojas maçónicas criadas para tomar conta do Estado, ou nos corredores da sede da Ongoing? A resposta estará algures em cada em uma delas. A instrumentalização, as influências, o favores de vão de escada é que mandam às malvas o mérito e a competência, em corredores sinistros de empresas que visam o lucro através da informação e do poder político. O perigo para a democracia está nestes golpes palacianos e nos seus bastidores. As nomeações para a EDP também não foram inocentes, pasmem-se com os nomes!, tendo o seu apogeu na nomeação de Catroga que negociou ele próprio com a Troika a privatização da empresa. Tudo ao invés do prometido, num governo que se arrisca a ser o pior de sempre. Que saudades do Freeport (ainda acham que foi inocente a perseguição da TVI a Sócrates? Ou a ida de José Eduardo Moniz, então director, marido de Manuela Moura Guedes para a Ongoing?) e das licenciaturas Independentes, porque o verdadeiro assalto ao Estado está agora em andamento. Uma lição para alguns, uma preocupação que deve ser de todos. É urgente que se diga sem medo, que a democracia está a ser substituída por uma coisa que ainda não sabemos bem o que é. Aqui como na Europa e no mundo. E não é para melhor pelo caminho que isto leva...

P.S. - Uma boa notícia esta semana. Bruxelas vai limitar o direito de voto na REN, no caso de ser uma empresa chinesa a comprá-la. A UE ainda serve.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Liquidação Total

sexta-feira, 1 de julho de 2011 0
O país está à venda, e quem nele vive também. É proibido por lei vender seres humanos, mas pode desbaratar-se-lhes a alma, os bolsos e a esperança.
Afinal a desilusão não demorou uma semana a abater-se sobre o novo Governo, que deverá ter o menor período de 'estado de graça' de sempre.
Não se bastando com a polémica em volta de Fernando Nobre, o único deputado que depois de indicado para presidir à AR não conseguiu ser eleito, a medida ontem anunciada não estava nos planos da troika, não estava no programa de governo e não estava nos planos de Passos Coelho... ou estava? É que na pré-campanha o próprio anunciou que era um disparate falar-se de cortes no 13º mês... Porquê? Porque é que insistem em descredibilizar a missão nobre que lhes é confiada pelo povo? Onde estão os guardiões da verdade e da moral acima de qualquer suspeita? Aqueles que insultavam Sócrates e quem o defendesse? Falem agora ó soberanos da democracia!!! Juntem lá os painéis de economistas, comentaristas, politólogos e jornalistas.
Até porque a medida não se vai aplicar aos detentores do grande capital, não haverá nenhuma medida especial que se aplique aos grandes depósitos e dividendos... para variar. Esses continuam a encaixar o produto da austeridade imposta e a receber os juros que compensam eventuais perdas que tenham tido com a crise... a troco de um piquenique e um concerto do Tony.
O aumento do IVA não estava nos planos da troika, não estava no programa de governo e não estava nos planos de Passos Coelho... ou estava?
Mas então não era do lado da despesa que estava todo o mal que vinha ao mundo?
E agora também já puseram à venda todo o património que pertencia aos extintos Governos Civis, mas será que conhecem os edifícios que lhes serviram de sede? Nomeadamente o de Aveiro, que é um património histórico e de interesse nacional. Ou o interesse nacional também está à venda?
Uma pequena curiosidade: Passos Coelho disse esta semana que os Governos Civis tinham sido importantes e cumprido o seu papel sobretudo na época da ditadura... ora, atendendo a que estes foram criados em 1835, não se percebe o que terá querido dizer... é mais uma fuga para a frente.
A privatização da RTP ficará para momento oportuno. Pinto Balsemão já disse que não há espaço para mais um canal privado... dois mais dois igual a quatro... já se percebeu que aí não vão ter coragem de mexer. Atenta contra outros interesses privados e o que interessa é que esses tenham acesso ao Estado e não este que lhes faça concorrência...
O PSD e o CDS/PP mentiram ao país e esconderam tudo isto... é mais do mesmo, e mais do mesmo vai levar o país do hospital para o cemitério.
Vamos deixar que nos enterrem?

terça-feira, 7 de junho de 2011

Um memorando à medida

terça-feira, 7 de junho de 2011 2
O Povo votou em massa no memorando da Troika (porque é esse que tem que ser executado), e mesmo à medida do programa do PSD, como o próprio Passos Coelho referiu. E bem. Se há coisa de que não se pode acusar o novo Primeiro-Ministro é de esconder o jogo, portanto, quem votou nele não poderá queixar-se mais tarde de ter sido enganado.
E Passos Coelho já avisou que o programa da Troika é curto (!) e o novo governo quer ir mais além. Desde as privatizações mais díspares e disparatadas como as Águas de Portugal, a RTP, a CGD, a REN, aos cortes de um terço no financiamento da saúde e na educação (pondo em causa o SNS, a Escola Pública e o próprio Estado Social - são milhões em caixa se os privados lhes puderem deitar uma mãozinha), desviando assim fundos para a recapitalização da banca, a drástica redução da taxa social única, destruindo a sustentabilidade da Segurança Social e o consequente aumento do IVA, até à redução dos salários e ao despedimento facilitado, tudo isto é o que aí vem - memorando da Troika mais programa do PSD. Não é de estranhar pois, o apoio em plena campanha do 'mecenas' Belmiro de Azevedo. Aliás, e uma vez mais afirmo, honra lhe seja feita, Passos Coelho não escondeu nada, muito do que está no seu programa, estava na sua proposta de revisão constitucional. Tenho pena que a campanha não esclarecesse nem discutisse nada disto. Foi contra isto que lutei, do alto da minha insignificância. Resta um consolo: a Constituição só pode ser alterada com dois terços de maioria no Parlamento.

Não há dúvida que estas eleições foram principalmente contra Sócrates. Eu compreendo, ele foi o rosto das dificuldades económicas e do pedido de ajuda externa... Aliás, nunca vi tanta gente desesperada, chegando mesmo ao insulto fácil, quando as sondagens davam um empate técnico entre PS e PSD, sem qualquer pudor ou respeito por opiniões alheias. Devo dizer que este novo tipo de sondagem diária foi fundamental na vitória do PSD. O voto contra Sócrates, transformou-se em voto útil no PSD. A viragem à esquerda do PS, em resposta à ultra liberal do PSD, capitalizou votos do suicida BE, o centro não estava ocupado por ninguém, o que não se via desde os tempos do PREC, e as massas que geralmente deambulam nesse espaço preferiram livrar-se de Sócrates.
Sócrates que cometeu um enorme erro, do discurso determinado, evoluiu para o determinista e irrealista, e daí para a teimosia. Foi enganado por Passos Coelho, que mentiu aquando do chumbo do PEC IV. Passos disse que iria chumbar o PEC IV porque não tinha sido informado de nada. Soube-se mais tarde que se reuniu com Sócrates no dia anterior... Passos tirou-lhe o tapete e Cavaco deu-lhe o último empurrão. Demitiu-se no passado domingo, num discurso sério e dignificante, para ele e para a democracia em Portugal. A história se encarregará de o julgar.

Estou muito curioso e apreensivo com o que aí vem, ao contrário dos apaniguados de Passos Coelho, que no dia das eleições diziam á boca cheia que no dia a seguir tudo iria ser melhor. Como se o FMI já cá não estivesse.
Ainda assim, desejo sorte a Passos Coelho, pelo bem do meu país.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O fato italiano

quinta-feira, 12 de maio de 2011 0
Concordo com toda a gente que diz que vivemos anos a fio acima das nossas possibilidades, concordo com todos aqueles que dizem que Sócrates demorou a reagir, concordo com os que dizem que não há opções credíveis para se poder votar no futuro do país, concordo ainda com os que dizem que o acordo alcançado entre a República Portuguesa e a Troika (FMI, BCE e UE) foi um bom acordo (para pesar de toda a oposição que esperava capitalizar em votos o corte do 13º e 14º mês), que é um memorando que é o melhor e mais detalhado programa de governo jamais apresentado em Portugal, que aponta metas e define reformas e que apesar de ser um empréstimo, capitaliza juros a uma média de 5%, contra os especuladores 11% que já pagávamos.

Não concordo todavia com o seu cariz ideológico. O memorando da troika é tendencioso. Sobrevaloriza o mercado em detrimento do Estado. A saber: sacrifica os actuais e futuros desempregados, reduz muitos apoios da rede pública na saúde, segurança social e emprego, acaba com as golden share, liquidando assim qualquer defesa de decisão estadual, facilita o despedimento, limita o subsídio de desemprego, obriga à privatização de diversas empresas do Estado, reduz o investimento público, liberaliza o mercado de arrendamento, aumenta o preço dos transportes, dos medicamentos, da energia, do gás e da electricidade, e por fim, last but not least, põe a mãozinha por baixo aos bancos, que continuam a pagar os mesmos impostos (12%!!!), e a quem vai emprestar 12 mil milhões de euros, quase 1/5 do bolo total... que nós pagaremos com juros, quer aos bancos quer à Troika.

Permitam-me que diga, que é um acordo à medida do PSD de Passos Coelho, já sei, vou bater outra vez no ceguinho, se quiserem parem de ler por aqui, mas a verdade é que os radicais que acompanham Passos Coelho, querem a privatização de tudo o que é Estado. A CGD, um canal da RTP, a REN e pasmem-se até as Águas de Portugal. Esquecendo por momentos que a proposta é do PSD, digam-me se acham plausível que dois monopólios como são a REN (Rede Eléctrica Nacional) e as Águas de Portugal possam algum dia ser privatizadas? E como monopólio que são de sectores fundamentais em qualquer Estado livre, não estaremos a entregar nas mãos de uma só pessoa ou empresa, um poder demasiado lesivo para a própria soberania nacional? Imaginem que, e não é difícil acontecer, todos sabemos os malabarismos que se podem fazer e ocultar, até legalmente, que o comprador destas quatro empresas é o mesmo? Querem um Berlusconi à portuguesa? A mandar nos preços da água, da distribuição energética e consequentemente da electricidade, ao mesmo tempo que detém a maioria do capital financeiro e bancário, e com um canal televisivo próprio para a sua propaganda...

P.S. - Os Homens da Luta ficaram-se pela meia-final no Eurofestival...e bem!

P.S. 2 - A dívida das empresas públicas criadas por A. João Jardim já vai em 93% do PIB da Madeira, 4.600 milhões de euros, dois BPN...contas escondidas até agora... Ah! É tão fácil criticar e mandar atoardas...


 
◄ Free Blogger Templates by The Blog Templates | Design by Pocket