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quinta-feira, 5 de abril de 2018

O esgoto do mundo

quinta-feira, 5 de abril de 2018 0

O atual momento da guerra na Síria revela perigos que não devem ser ignorados. Após sete anos de conflito, assiste-se a um novo agravamento da violência.
O conflito que há muito deixou de ser uma guerra civil entre o regime de Bashar al-Assad (um dos maiores genocidas da história recente) e os múltiplos movimentos de oposição transformou-se numa luta pela afirmação de interesses e influência de atores externos: da Rússia aos Estados Unidos, passando pelo Irão, Turquia, Israel e Estados do Golfo.
Significa que estamos perante múltiplos conflitos, em paralelo, no mesmo cenário de guerra, e que encontra na Síria atual um ambiente propício para o confronto. Ignorar esta complexa realidade impede soluções e promove uma fundada inquietação quanto ao futuro próximo.
A passividade perante a tragédia humanitária na Síria enche de vergonha o mundo inteiro. De acordo com a ONU, desde o início do conflito, em Março de 2011, calculam-se mais de 250 mil mortos, 5.,5 milhões de refugiados, 6,1 milhões de deslocados internos e 13,1 milhões de pessoas a necessitar de ajuda humanitária. Em Ghouta, as ações militares das últimas semanas provocaram centenas de mortos, entre os quais dezenas de crianças, e um cerco à cidade que resulta em escassez extrema de alimentos e medicação, deixando ao abandono milhares de feridos.
Chocam as imagens de destruição. A resposta internacional foi a adoção de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que exigia um cessar de hostilidades por 30 dias e uma “pausa humanitária” que permitisse a entrada de ajuda e evacuações médicas. Em Ghouta, continuaram os ataques e cresceu o número de vítimas. As reiteradas violações de resoluções do Conselho de Segurança da ONU leva a questionar para que serve, quando todos os envolvidos têm responsabilidade direta nessas violações. Aprovam a resolução e são os próprios que não a respeitam. Fracassadas as iniciativas diplomáticas, escasseiam soluções. Os Estados Unidos reduzem-se a posições de condenação, consideram responsabilidade russa controlar o regime de Damasco e avaliam novas soluções militares. Com Trump nada é certo e a qualquer momento, como se viu recentemente, pode dar uma cambalhota de 180 graus.
O impasse na Síria resulta da passividade e apatia internacional, mas também da banalização de uma violência que diariamente inunda os cidadãos, tornando a exceção uma regra. A inação face à tragédia na Síria não é apenas um problema no Médio Oriente, é um sinal de alerta para as sociedades liberais, defensoras dos direitos e da dignidade humana.
O cocktail explosivo que sempre foi o Médio Oriente, com particular enfoque em Israel e agora na Síria, a que se soma a política de cambalhota de Trump e Putin, mais os ódios religiosos, tornam o conflito sírio uma bomba relógio que poderá tomar proporções catastróficas.
À míngua de líderes na Europa capazes de ter uma voz ativa, o que nos entra pela casa adentro é a visão perturbadora de crianças desamparadas pela fome e pela guerra, cobertas de sangue inocente. A impotência de uma Europa que não sabe o que quer e assiste a tudo com a ligeireza meteorológica batizada com um nome qualquer.
O que se pode fazer é a pergunta que se impõe. Em primeiro lugar dizer a verdade e transmiti-la. Lutar contra a propaganda que retrata os civis sírios como terroristas legitimando assim as suas mortes. Espalhar que o regime ditatorial de Assad assassinou milhares de crianças com recurso a armas químicas. Denunciar os seus crimes contra a Humanidade. Denunciar os interesses estratégicos e geopolíticos das potências mundiais e regionais envolvidas, ignorando sempre as vítimas e a ajuda humanitária.
Mas sobretudo, o que podemos fazer é acolher e ajudar os refugiados a sentirem-se bem-vindos e apontar o dedo aos xenófobos mesquinhos que usam expressões como ‘não quero cá terroristas’, ou ‘ vão roubar os empregos’.
O que pode fazer o governo? Denunciar o regime sírio ao Tribunal Penal Internacional. Fazer lobby na UE para aumentar a pressão e as sanções à Rússia e ao Irão. Reforçar de uma vez por todas o seu compromisso com os refugiados. Fazer-se ouvir nas várias plataformas internacionais a que pertence, UE, NATO, ONU…
                E porquê? Porque intervir para salvar vidas de civis não é apenas uma responsabilidade humanitária mas uma obrigação moral.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Tuga com muito gosto

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016 0






quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Celebre-se

quinta-feira, 6 de outubro de 2016 0
5 de Outubro. Feriado. Dia da República. Não honraremos o país e as pessoas se não honrarmos os seus símbolos e instituições. Quer se queira quer não, Portugal é uma República, e ao celebrar a sua instituição estamos a celebrar as suas instituições. Democráticas e livres. É por isso que se fazem feriados. Para que não haja esquecimentos.
Cereja no topo do bolo. António Guterres, eleito para o mais alto cargo da ONU. Um orgulho enorme para Portugal, com a certeza de que venceu o melhor candidato por mérito próprio.
Merkel e Juncker aprenderam que não se podem comportar no mundo com recurso aos mesmos truques a que recorrem na política europeia. A Alemanha aprendeu uma dura lição e o presidente da Comissão Europeia caiu no ridículo com a já famosa licença sem vencimento da Kristalina. Uma rapariga armada com a chico-espertice saloia de quem foge ao exame escrito e vai directamente à oral por portas travessas.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A diplomacia cobarde da Palestina

quinta-feira, 6 de outubro de 2011 1
A história dos dias é muito comprida, mas vou tentar resumir em poucas linhas séculos de história, com todas as óbvias imprecisões que daí possam resultar.
As raízes do conflito Israelo-Palestino remontam aos fins do século XIX quando colonos judeus começaram a migrar para a região da Palestina. Sendo os judeus um dos povos do mundo que não tinham um Estado próprio, tendo sempre sofrido por isso várias perseguições, puseram em marcha o projecto sionista - cujo objectivo era refundar na Palestina um estado judeu onde antigamente ficava o reino de Israel, conquistado pelo império Otomano. Entretanto, a Palestina já era habitada há séculos por uma maioria árabe. Com a chegada dos judeus, as tensões começaram a surgir. Após vários Acordos e Conferências, em 1922 a Liga das Nações atribuiu a soberania da região ao Reino Unido, que, por sua vez em 1947, não sabendo e não querendo resolver o conflito que continuava latente com massacres e atentados dos dois lados, abandonou a região.
Em 1947, a recém criada ONU, através da resolução 181, propôs a criação de dois Estados independentes na Palestina. Em 1948, a Agência Judaica proclamou a independência de Israel. Nesse mesmo ano, a Síria, o Egipto, o Iraque, a Jordânia e o Líbano invadem a Palestina, com o argumento de que as populações são na sua maioria árabes e que o Estado de Israel é ilegal, assim como a resolução da ONU. Com o fim da luta armada, Israel passa a controlar metade da Palestina, a Jordânia controla a Cisjordânia e a Faixa de Gaza é controlada pelo Egipto. Até 1967... em seis dias, (daí a Guerra dos Seis Dias) Israel invade a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, os Montes Golã e Jerusalém oriental, alargando e reocupando esses territórios, resultando daí milhares de refugiados. Nasce então a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), todos se lembram de Arafat e da Autoridade Palestiniana, das intifadas, das resoluções da ONU constantemente violadas por Israel, de Rabin, Netanyahu  e Sharon e dos inúmeros acordos e negociações de paz, falhados.
Na semana passada, a Fatah reclamou nas Nações Unidas um Estado para a Palestina. Só que para isso ser solução precisa de um Governo legítimo e legitimado nas urnas, tribunais independentes e imprensa livre. A Fatah e o Hamas estarão em condições de o garantir? Duvido. Israel tem direito à sua defesa e segurança? Tem. Mas o sistema de defesa de Israel, assente na colonização da Faixa de Gaza e da Cisjordânia não facilita o processo.
Portugal foi eleito para o Conselho de Segurança da ONU, eleito em grande parte pelos países árabes e com o voto contra de Israel. Quisemos lá estar para podermos ter influência e voto na matéria, certo? Portas e Passos Coelho disseram nim ao processo. Ou seja, Estado da Palestina sim, desde que negociado com Israel, ou seja nas condições que eles impuserem. Os americanos assim o disseram, os cordeiros vão atrás. Israel impõe mais uns quantos colonatos, e já têm base para negociações por mais 40 anos. O único Estado palestino que Israel reconhecerá será um território de 50 Km2, na faixa de Gaza, rodeado por um muro de 30 metros de altura e cercado por canhões. Se a Palestina não tem direito a Estado na sua própria terra são o quê? Apátridas? Obama recuou, e com ele toda a margem de negociação ficou limitada à vontade de Israel. Os EUA continuam a ter uma visão mercantilista do conflito, apoiando Israel no controlo do Médio Oriente e claro do petróleo que lhe está subjacente. O lóbi pró judaico-americano continua também a ditar regras sobre todos os presidentes norte-americanos, e ainda não houve nenhum que não se acobardasse. As generosas contribuições dos judeus nas campanhas eleitorais americanas assim o ditam. Judeus e cristãos fanáticos que acreditam que Israel é a linha da frente do combate contra o Islão. A UE continua a não ter uma voz única e influente, distraída com as tiradas económico-colonialistas de Merkel. Se acha que Estados europeus deviam perder soberania, muito menos aceitará atribui-la à Palestina. A nova Alemanha com vícios antigos...
A resolução do conflito só se fará quando os EUA quiserem, ou quando a UE tiver voz respeitada e influente. Com dois Estados independentes na região. Não será no meu tempo...



 
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