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quinta-feira, 12 de maio de 2011

O fato italiano

quinta-feira, 12 de maio de 2011 0
Concordo com toda a gente que diz que vivemos anos a fio acima das nossas possibilidades, concordo com todos aqueles que dizem que Sócrates demorou a reagir, concordo com os que dizem que não há opções credíveis para se poder votar no futuro do país, concordo ainda com os que dizem que o acordo alcançado entre a República Portuguesa e a Troika (FMI, BCE e UE) foi um bom acordo (para pesar de toda a oposição que esperava capitalizar em votos o corte do 13º e 14º mês), que é um memorando que é o melhor e mais detalhado programa de governo jamais apresentado em Portugal, que aponta metas e define reformas e que apesar de ser um empréstimo, capitaliza juros a uma média de 5%, contra os especuladores 11% que já pagávamos.

Não concordo todavia com o seu cariz ideológico. O memorando da troika é tendencioso. Sobrevaloriza o mercado em detrimento do Estado. A saber: sacrifica os actuais e futuros desempregados, reduz muitos apoios da rede pública na saúde, segurança social e emprego, acaba com as golden share, liquidando assim qualquer defesa de decisão estadual, facilita o despedimento, limita o subsídio de desemprego, obriga à privatização de diversas empresas do Estado, reduz o investimento público, liberaliza o mercado de arrendamento, aumenta o preço dos transportes, dos medicamentos, da energia, do gás e da electricidade, e por fim, last but not least, põe a mãozinha por baixo aos bancos, que continuam a pagar os mesmos impostos (12%!!!), e a quem vai emprestar 12 mil milhões de euros, quase 1/5 do bolo total... que nós pagaremos com juros, quer aos bancos quer à Troika.

Permitam-me que diga, que é um acordo à medida do PSD de Passos Coelho, já sei, vou bater outra vez no ceguinho, se quiserem parem de ler por aqui, mas a verdade é que os radicais que acompanham Passos Coelho, querem a privatização de tudo o que é Estado. A CGD, um canal da RTP, a REN e pasmem-se até as Águas de Portugal. Esquecendo por momentos que a proposta é do PSD, digam-me se acham plausível que dois monopólios como são a REN (Rede Eléctrica Nacional) e as Águas de Portugal possam algum dia ser privatizadas? E como monopólio que são de sectores fundamentais em qualquer Estado livre, não estaremos a entregar nas mãos de uma só pessoa ou empresa, um poder demasiado lesivo para a própria soberania nacional? Imaginem que, e não é difícil acontecer, todos sabemos os malabarismos que se podem fazer e ocultar, até legalmente, que o comprador destas quatro empresas é o mesmo? Querem um Berlusconi à portuguesa? A mandar nos preços da água, da distribuição energética e consequentemente da electricidade, ao mesmo tempo que detém a maioria do capital financeiro e bancário, e com um canal televisivo próprio para a sua propaganda...

P.S. - Os Homens da Luta ficaram-se pela meia-final no Eurofestival...e bem!

P.S. 2 - A dívida das empresas públicas criadas por A. João Jardim já vai em 93% do PIB da Madeira, 4.600 milhões de euros, dois BPN...contas escondidas até agora... Ah! É tão fácil criticar e mandar atoardas...



quinta-feira, 10 de março de 2011

Os rascas da geração

quinta-feira, 10 de março de 2011 2
Na semana passada uma música foleira com letra foleira do grupo musical 'Deolinda' deu a uma nova geração o epíteto de "geração à rasca". Isabel Stilwell foi a autora do artigo que a baptizou, por contraponto àquela "geração rasca" do então 'iluminado' e hipócrita Vicente Jorge Silva.

1- Já aqui escrevi sobre a "geração à rasca" (v.d. artigo anterior de 2 de Março). No passado fim-de-semana, surgiu uma outra música foleira com letra foleira, que, pasmem-se!, venceu o Festival da Canção português que nos irá reprentar no Festival da Eurovisão. Como a imagem acima documenta, podem ver-se "os homens da luta" vestidos à anos 70, acompanhados por um trolha, um militar do 25 de Abril e uma peixeira (ou lá o que é aquilo). Não é que ligue muito ao Festival, verdade seja dita, a maioria da música ali apresentada roça os limites do ridículo, mas nunca pensei que se pudesse descer tão baixo. Apesar de tudo, o Festival Europeu é visto por milhões em toda a Europa, e não me revejo de todo naquela actuação enquanto cidadão português. No fundo, as músicas acima referidas, assim como a importância que lhes foi atribuída são um espelho da nossa sociedade, definhada e sem ideias.
É pena quando um grupo de humoristas, de 'Jel' e companhia, que tão bem representavam a 'luta', se comece a levar a sério. Esse é o princípio do fim, e acontece a cada passo, vejam-se os casos do Herman ou dos Gatos Fedorentos.

2- Esta semana também vimos mais um caso em que a ambição de meia dúzia suplanta a luta de milhares. Com uma manifestação marcada para Sábado , 12 de Março, no dia de Carnaval, meia dúzia de jovens em busca dos seus 15 minutos de fama, resolveram interromper o discurso de Sócrates num comícío privado. Têm o direito de se manifestar, mas não com falta de educação e de civismo, inrompendo num sítio e numa festa privada, e interrompendo quem no seu exercício legítimo, (e nunca é demais dizê-lo, legitimado nas urnas pelo povo português), discursava numa reunião, e volto a frisar, privada. A luta faz-se na rua. E assim como me revejo no manifesto apresentado e que dá consistência e razão à manifestação de Sábado, não posso concordar com atitudes desrespeituosas dos direitos dos outros. Tenho a certeza que muitos dos que manisfestarão no Sábado não concordaram com a mancha que já levam nos sapatos.

3- Para terminar, ontem, Cavaco Silva, tomou posse para o seu segundo mandato como PR. A magistratura activa, por contraponto com a passiva do primeiro mandato, começou a definir os seus contornos. E foi o que se desconfiava. A magistratura activa de Cavaco, como ficou patente no seu discurso, será a de tomar as rédeas da oposição, numa atitude sectária e facciosa de quem é Presidente só de alguns portugueses. Cavaco apresentou ontem a sua moção de censura ao Governo, ignorando propositadamente a crise internacional. O discurso de tomada de posse, ao nível de um qualquer líder da oposição, foi um discurso populista, reacionário, demagógico, e chantagista. Não apresentou uma única medida ou solução, não apontou um caminho, não fez o seu papel. Chegou ao cúmulo de ser o primeiro PR a incitar ao levantamento popular e à reacção. Foi o primeiro a ser ao mesmo tempo Presidente da República, líder da oposição e sindicalista mobilizador de manifestações. Cavaco tem saudades de ser Primeiro-Ministro, eu não tenho, mas gostava de ver o que era capaz de fazer neste momento de crise internacional, sem dinheiro para auto-estradas...

O FMI assim que aterrasse na Portela, emigrava no próximo vôo.


 
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