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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A agenda que regressa

quinta-feira, 3 de novembro de 2016 0
A Comissão Europeia enquanto comandada por Durão Barroso e já no tempo de Juncker, tinha um acordo secreto com a França para a ajudar a encobrir os défices excessivos. Passava assim a França por país cumpridor. Mais ou menos como o Lehman Brothers fez com as contas da Grécia. O Lehman Brothers para onde foi o Durão trabalhar. Não há coincidências...
Mas, como disse um dia Schauble "A França é a França". E Herr Schauble, o arrogante e xenófobo ministro das finanças da Alemanha, cada vez que abre a boca é para amesquinhar os mais pobres, os mais indefesos, as nações europeias que nunca destruíram a Europa como o seu país fez por duas vezes, e que agora pretende enterrar-nos na sodomia financeira dos ricos e poderosos. As nações que se afundaram numa moeda que cultiva a divergência económica e social entre os povos que deveria unir. Iludidos por promessas de desenvolvimento e união. Confiantes em completar o ideal europeu.
Herr Schauble não gosta de latinos, nem de gregos, tal como outros no seu tempo não gostaram de judeus, negros e ciganos. O racismo e a xenofobia são as armas que voltam à propaganda e à agenda política. O golpe no Brasil, a incrível possibilidade de Trump, os Herrs...
Assim vai a Europa dos czares e dos chanceleres. O Reino Unido tem à partida um povo bem mais inteligente do que aquilo que seria de esperar. E se discordei do BREXIT, neste momento nem sei se concordo com a UE. Essa, onde todos os dias e todas as noites morrem milhares de refugiados nas suas costas.
A agenda política dos herr's e dos chanceleres, vira-se então para os mais indefesos. Ameaçam com castigos e têm nos media por eles controlados, a sua voz da propaganda. A Comissão Europeia podia ter um comissário da propaganda, a lembrar tempos mais sombrios, que estão de volta, ninguém duvide.
Veja-se o caso português, que de tão bom aluno em querer ir mais além que a troika, não quis renegociar a dívida e agora paga por ano mais 1% de juros que a própria Grécia!, deixou o seu sistema bancário por capitalizar, e endereçou o problema para o governo que viesse a seguir fechar a porta. O Banif e a CGD certamente bombas nas mãos do anterior governo, estavam como se desconfia agora, protegidos pela CE e por Schauble para a saída limpa, com a esperança de serem eleitos outra vez, para continuar as políticas de terra queimada de comissários e alemães. Schauble, que não cala a cremalheira, lá veio dizer mais uma vez, muito aziago e sem esconder o fel dos dentes, que o governo anterior é que era... Eu percebo, caro Herr, o Costa não estava nos planos... e ainda há quem resista ao desmantelar do estado social europeu!
Aliás, o caso de Sérgio Monteiro, nomeado “vendedor” do Novo Banco por um governo demissionário de que era secretário de Estado e que quase todos põem em causa as suas habilitações curriculares para a tarefa, está a receber, para fazer ninguém sabe muito bem o quê, quase 30 mil euros mensais. António Domingues foi nomeado para presidente da CGD por este novo governo, com a missão urgente de tratar da sua recapitalização. Vai ganhar um salário segundo o mercado. Ninguém critica a sua competência técnica e profissional. Mas eis que, a agenda política da direita mesquinha de Passos e Cristas, habituados a lamber as botas da direitalha alemã, logo tratam de pôr na agenda mediática o salário do gestor da CGD, arredios de saber se isso será contra os interesses da Nação, pois a recapitalização da CGD é uma urgência que não lhes assiste. A sua agenda política, acouraçada na agenda mediática, dá para ir fazendo casos e casinhos de coisas que não deveriam ser assunto. O populismo é assim e a isso obriga. Nos sites do “Público” e do “Diário de Notícias” as referências ao salário de António Domingues foram cinco vezes superiores às do salário de Sérgio Monteiro. Nos do “Expresso” e da TSF foram três vezes mais. No do “Correio da Manhã” seis. Nos canais de televisão a proporção deverá ser ainda mais 'favorável' a Domingues. A desproporcionalidade de tratamento entre este governo e o anterior leva a desconfiar de parcialidade que já todos sabemos existir em toda a comunicação social, porque ela também está a soldo dos grupos económicos que são seus donos. Daí a tentativa de Passos em privatizar a RTP e tudo o que mexesse. Directivas ideológicas, lesa-pátria, criminosas, para agradar aos fascistas no poder.
Assistimos a um cerco político que resulta, antes de tudo, do facto de António Costa ter integrado o PCP e o Bloco no arco da governação, dando muletas a uma esquerda coxa há mais de 40 anos. Essa é a razão de fundo para a parcialidade da comunicação social, que foi especialmente visível nas vésperas do Orçamento de Estado, onde cada pequena informação ou sugestão foi transformada num assunto nacional para depois do Orçamento apresentado (e esvaziadas quase todas as polémicas) rapidamente passarmos para outros assuntos e pequeninos escândalos. Até se chegar ao ridículo de se dizer que o Orçamento para a Educação tinha sido reduzido, alimentou-se a comunicação social e os 'paineleiros' e depois analisam-se os gráficos e afinal aumentou 180 milhões de euros.
Vão continuar a criar casos, a alimentar escândalos, a fomentar os media. Até se afundarem nas suas próprias vísceras...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A tomada da Bastilha

segunda-feira, 7 de maio de 2012 0
"O meu verdadeiro adversário não tem voz, nem rosto; o meu principal adversário é a finança."
"A austeridade já não é uma fatalidade."
François Hollande, ontem em França.

Se é verdade que a vitória socialista em França pode ser um flop, ela já ganhou pelo menos na esperança renovada de uma inversão de curso na Europa. E a festa na Bastilha tem um significado extra, no sítio onde nasceu a liberdade, a igualdade e a fraternidade.
Prodi, antigo primeiro-ministro italiano considera que a Itália, a Espanha e a França deviam formar um eixo para relançar a Europa e 'refrear' a Alemanha. Alemanha que por sua vez, na voz de Merkel já afirmou que pode haver um caminho alternativo, assim como Passos Coelho, que teimosamente segue o curso que lhe ensinaram a venerar, mas que agora pode não passar disso mesmo, teimosia cega e estritamente ideológica. Basta atentar nas palavras de Mota Amaral no Expresso, onde claramente se afasta do pensamento neoliberal em curso, afirmando e relembrando a matriz ideológica  da social democracia do PPD/PSD de Sá Carneiro. Aliás como outros sectores do PSD, digamos assim, mais 'experientes'.
O eixo franco-alemão pode ser finalmente o motor de que a Europa precisava. Pena é que as eleições alemãs ainda demorem mais um ano.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Um Pacto precipitado

sexta-feira, 20 de abril de 2012 0
"Portugal aprovou o Pacto Orçamental com um voto que reuniu unanimemente a direita no poder e a oposição socialista", Nathalie Kosciusco-Morizet, porta-voz de Nicolas Sarkozy.

Pois é, Seguro e o PS votaram a favor do Pacto Orçamental imposto por Merkel e Sarkozy. Fomos os primeiros a votar e a aprovar o Pacto Orçamental. Todos os restantes países esperam prudentemente o resultado das eleições francesas do próximo Domingo. Hollande, candidato do Partido Socialista francês e até aqui favorito para vencer as eleições diz que quer renegociar o Pacto Orçamental e introduzir-lhe uma adenda sobre crescimento e emprego na UE. E diz também que o actual Pacto Orçamental só reforça a austeridade. Seguro propôs o mesmo, mas perante a rejeição de Passos Coelho, enfiou o rabo entra as pernas e lá aprovou o Pacto que a direita francesa, alemã e portuguesa defendem, apesar dos avisos do FMI.
É confrangedor assistir agora, em plena campanha das eleições francesas, a Sarkozy a utilizar o argumento português contra o candidato socialista francês, além dos outros argumentos xenófobos e populistas, numa espiral de descontrolo, para tirar votos à extrema direita. O PS ou votava contra, afinal não estamos a falar do memorando da Troika, ou adiava a votação mais um mês. Se Hollande vencer as eleições como se espera e eu anseio, Portugal é o menino bem comportadinho que aprovou um Pacto que vai valer zero. Ou duvidam que se a França o não ratificar, a Itália, a Espanha ou outros o farão. O futuro da UE passa muito pelo que acontecer nas próximas semanas.
Sem prescindir, das dúvidas, muitas dúvidas, que se levantam, sobre o mérito do próprio Pacto. Mesmos as que se põem ao nível constitucional, a nossa Constituição é sempre um 'estorvo' nestas coisas. Afinal, o Pacto, servirá para a Alemanha e a França menos, controlarem as políticas financeiras de toda a UE, e se eles não cumprirem, como já o fizeram no passado, não virá mal ao mundo.
A Troika não deve ser diabolizada, afinal fomos nós que os mandamos vir, mas a 'receita' aplicada está a afundar-nos. E isso deve ser posto em causa todos os dias, assim como a política do Gasparzinho e amigos, que utilizam o país como um teste de laboratório, uma experiência num tubo de ensaio, às suas ideologias liberais, contra o povo, e contra todos os avisos. Sócrates era teimoso? Era. Este governo é teimoso? Muito mais...

P.S.- Paula Teixeira da Cruz admitiu hoje o que já desconfiava, os subsídios de férias e de Natal não regressarão em 2015. Mais uma feira do disse-que-não disse se seguirá.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A Europa adiada do euro 2012

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011 0
A Europa outra vez adiada... Desta vez sem a participação do Reino Unido, que também não tem euro nem Shengen, portanto nada de estranhar. O Reino Unido se fica de fora em quase tudo, é uma ilha que não nos interessa. A sua mira está do outro lado do Atlântico, e só se vira para o continente, quando lhe dá jeito, como nas invasões napoleónicas ou na II Grande Guerra. Os alvos eram sempre os ódios de estimação a franceses e alemães, numa Europa com demasiados séculos de história para se poder, de uma penada, unir o que o tempo sempre separou. De facto, é até de estranhar a pretensa parceria franco-alemã.
O acordo alcançado na passada sexta-feira não passa de um adiamento que pode também ficar adiado. As revisões constitucionais limitativas do défice e da dívida pública de cada país, fiscalizadas pelo Tribunal Europeu de Justiça, e com castigos imediatos para futuros prevaricadores, não serão partos fáceis de gerir nos parlamentos nacionais. Porque traduzem a maior perda de soberania até hoje realizada, sem a garantia de qual o passo a dar a seguir. E porque não é um processo que se possa realizar em dois meses. O PS de Seguro não está totalmente convencido, até porque, quem garante que Alemanha e França, que foram os primeiros a violar o pacto de estabilidade, serão castigados como os outros, se ultrapassarem as metas do défice? E as suas contas, serão escrutinadas e previamente aprovadas, como as dos seus parceiros?
Com tudo isto, as agências de notação Moody's e Standard & Poor´s, já ameaçaram baixar o nível de 15 países da UE, bem como o seu fundo de estabilização, e continuam assim a fazer política impunemente, sem que ninguém os tenha eleito.
Esta continua a ser uma Europa sem estratégia e adiada. A única saída neste momento é uma integração fiscal a sério. É tempo de se perguntar se queremos mesmo uma União, com as necessárias perdas de soberania, em passo alargado para o federalismo, ou se queremos continuar a entreter-nos como bons amigos que se juntam de vez em quando para beber uns copos... Ou o federalismo e o euro era só a brincar? Definam-se de uma vez por todas...
2012 será o ano do euro, da moeda, da União, e também de futebol, mas deviam reformular os grupos já sorteados, assim como que uma adjudicação directa, pondo no mesmo grupo Alemanha, França e Inglaterra, noutro grupo podia ficar Portugal, Irlanda e Grécia, noutro juntava-se a Itália com a Espanha e no último o Pai Natal, o coelhinho, o comboio e o circo, para a palhaçada ficar completa.



domingo, 6 de novembro de 2011

Merkozy

domingo, 6 de novembro de 2011 0
"Manda quem paga", a frase de Manuela Ferreira Leite numa célebre sessão da AR nunca esteve tão actual como agora. A Europa que se queria unida foi dotada ao longo dos tempos de centros de decisão, com directivas supostamente comunitárias de integração imediata no ordenamento jurídico dos países membros. 
Parlamento Europeu, Comissão Europeia e Conselho Europeu foram substituídos pela dupla Merkozy, num golpe palaciano silencioso e consentido por todos.
Até rebentar a crise e o capital começar a arder, quais ratos de porão, as soluções convulsas e a conta-gotas adiaram e continuam a adiar a Europa. Sarkozy e Merkel pegaram nas rédeas e mandaram à fava Tratados e Acordos sempre a reboque e sempre calculistas. "Nós pagamos, portanto a democracia vai ter que esperar." É caso para trazer à liça mais uma célebre tirada da mesma Manuela, que apregoava a suspensão da democracia por seis meses. Quando é que o 'acto' de pagar passou a significar 'ditadura bipartida, camuflada de real interesse em resolver a crise?
Um pouco de história só para lembrar de que é estamos a falar. Falamos da Alemanha que só agora acabou de pagar a dívida da 1ª Guerra Mundial, com variados planos de empréstimos, diluídos no tempo, adiados, suspensos e perdoados em muitos milhões. Só do Plano Marshall receberam 1400 milhões de euros nos anos cinquenta. Inflacionando para os tempos de hoje, daria certamente umas dez vezes mais que a ajuda que falta à Grécia.  A Alemanha destruiu a Europa duas vezes no último século... A solidariedade e a ajuda não pode ter um só sentido... A falta de visão é só para fora, porque internamente, Merkel preocupa-se e muito com as eleições e com aquilo que pensam dela os seus contribuintes. Talvez por isso tenha somado derrota atrás de derrota nas eleições regionais.
A Europa nunca pensou a fundo o seu modelo, com uma moeda única sem a preocupação da igualdade fiscal entre membros e consequentemente sem os necessários instrumentos indispensáveis para a sustentar. Com uma relação de forças desequilibrada, instituições iníquas e a troca dos seus valores civilizacionais por uma visão globalizada e monetarista, vendendo-se aos chineses por um punhado de euros.
A crise na Europa é sistémica, endémica, de fraco crescimento, falta de solidariedade e sobretudo de liderança. Mas nem só a Alemanha  e a França são culpadas... Poucos haverão que não tenham a sua dose de culpa. A começar por nós próprios que nos deixamos mercantilizar, e vendemos os nossos valores pela melhor oferta.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O jogo dos números

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011 1
"Vemos que toda a cidade é uma espécie de comunidade, e toda a comunidade se forma com vista a algum bem, pois todas as acções de todos os homens são praticadas com vista ao que lhes parece um bem; se todas as comunidades visam algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras, tem mais que todas este objectivo e visa o mais importante de todos os bens; chama-se cidade e é a comunidade política" Aristóteles (384a.c. - 322 a.c.)

A D. Augusta vivia nos arredores de Lisboa, tinha 87 anos a última vez que foi vista. Era cidadã portuguesa e como tal também era contribuinte. É costume dizer-se que na vida só duas coisas são certas: a morte e os impostos. O Estado, a comunidade política de cidadãos não quis saber da pessoa. A morte, o abandono e a solidão não interessam para quem é apenas um número fiscal. O que realmente importa é se o contribuinte tem dívidas ao fisco e se tal dívida se pode capitalizar, penhorando a sua casa, vendendo-a e cobrando. A D. Augusta tinha dívidas ao fisco, só porque morreu abandonada, sem que a GNR e os tribunais se dessem ao trabalho de a procurar. Foi encontrada porque para as Finanças só os impostos são certos, ainda que a pessoa não esteja viva. O que é mais importante não é o desaparecimento de um ser humano, mas sim o número fiscal que acumula dívidas mesmo depois de morto. A D. Augusta morreu na sua casa e aí esteve durante nove anos na cozinha, com o seu cão que morreu com ela. A comunidade da D. Augusta não se importou. Resta um consolo: se morrermos sozinhos, o fisco mais tarde ou mais cedo encontrar-nos-á.

Entretanto, o Governo decidiu ceder às pressões do eixo  liberal Franco-Alemão, e começou a desbaratar e flexibilizar o despedimento, porque alguém na Alemanha e na França se lembrou que isto traria mais emprego. O princípio é claramente errado. Se se despede mais facilmente e mais barato, a consequência não é mais emprego, mas sim menos emprego e com salários mais baixos. O problema surge porque os salários mais baixos não serão os dos gestores claro, mas sim os dos trabalhadores. Os patrões agradecem. Obedece quem deve, manda quem pode, o capital pois claro.
Esquece-se muitas vezes, que Portugal não é obrigado a pedir ajuda a FMI's, Fundos Europeus e afins, e não temos por que ceder à pressão liberal que nos querem impôr. Mais uma vez, o debate ideológico é suprimido pela pressão dos mercados chantagistas e especuladores. Estou farto de assistir à venda do Estado Social, ao leilão dos princípios de solidariedade, à corrupção de valores, à capitalização dos números, das taxas, das dívidas e dos juros, abandonando as D. Augustas da NOSSA comunidade.

O Médio-Oriente joga ao dominó, a África joga à roleta russa e o resto do mundo joga ao monopólio...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Solidariedade Nacional e Coesão Europeia

terça-feira, 4 de janeiro de 2011 2
Já aqui escrevi no último artigo sobre a falta de solidariedade e de coesão nacional que representava a medida de Carlos César de compensar os cortes salariais nos Açores. Também me insurgi contra a falta de ética que representa a existência de um sindicato que represente os Magistrados do Ministério Público e os Juízes, como órgão de soberania e um dos pilares da democracia que são. E para me dar razão, vieram agora os sindicatos do M.P. e dos Juízes anunciar que vão dar entrada em tribunal de acções para travar os cortes salariais. Ora, em última análise, quem julga essas acções são os juízes, fazendo-o assim em causa própria. Mais um exemplo do país solidário e de valores que somos. Não adianta nada a luta contra a crise, com estes portuguesinhos de  terceira. Só espero a entrada do FMI, para que de uma vez por todas este povo ingovernável saiba que o seu voto não adianta de nada porque quem manda é Bruxelas do eixo Franco-Alemão, que de solidário também não tem nada. E então sim, quando os cortes salariais forem de 10% a 20%, quando finalmente os patrões puderem despedir sem justa causa e sem indemnização, com o consequente maior desemprego, talvez  assim andemos de sorriso aberto na rua.
E volta a questão incontornável: como é que os mercados, agências de rating, bancos e afins, responsáveis pela crise, são os mesmos que ditam as regras e tomam as rédeas da suposta recuperação económica e financeira?
Como é que as agências de rating que aconselhavam a comprar créditos incobráveis, que sem quaisquer escrúpulos valorizavam os 'activos tóxicos' dos bancos, e quanto mais o fizessem mais destes recebiam, são agora as mesmas que valorizam ou não as dívidas soberanas dos Estados? Como é que a União Europeia permite que três agências de notação americanas, regulem o mercado e as dívidas europeias?
É simples, a França a reboque da Alemanha, pretendem salvar o coiro, ainda que isso implique a implosão de um ou dois países europeus, ou mesmo de toda a União Europeia. A moeda única sem a união política e sem a coesão que também vai faltando em Portugal, aliadas à crise de valores e de lideranças fortes e corajosas, está a levar ao colo a China não democrática, mas agora capitalista e sem qualquer respeito pelos direitos humanos. Aliás, a mão-de-obra barata chinesa, contrastante com a subida exponencial e pouco criteriosa dos salários da zona euro e em especial de Portugal ao longo dos anos, permite à China neste momento comprar ao desbarato os países da desmembrada União Europeia, comprando o seu silêncio na luta por valores democráticos e de respeito pelos direitos humanos. Os abutres que controlam os mercados continuam a viver á custa dos milhões de contribuintes e de desempregados, á custa dos Estados que permitiram a sua desregulação e agora não têm alternativa a não ser obedecer ao capital e a quem o controla. A crise de ética e de valores veio para ficar, mais tempo que a crise económica e financeira. A ganância capitalista atropela tudo e todos e nós deixamos. A União Europeia perdeu o rumo, e ao mínimo sinal de crise, acabou-se a solidariedade entre estados, o estado-social europeu foi trocado pelo salve-se quem puder, e quem pode salvar-se mandou à fava a integração e os valores sociais que faziam a diferença na Europa. 
2010 foi o ano em que ficou provado que os mercados devem ser regulados pelos Estados, um sem o outro não podem existir, a virtude está no meio.
2011 é o ano em que, ou sabemos o que queremos, ou seremos engolidos pelos charlatães e pelas burlas de mão branca.
Portugal e a Europa precisam mais do que nunca de coesão, solidariedade e  de uma sociedade a rumar para o mesmo lado, separando o trigo e regulando o joio. Precisa de saber quais os seus valores, os que quer seguir, e que com certeza não são os valores da China, da Moody's, da Fitch, da Standard & Poor's, da Goldman Sachs, de Merkel, de Sarkozy e dos mercados capitalistas, gananciosos e desregulados.

 
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