Mostrar mensagens com a etiqueta FMI. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta FMI. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O modelo experimental europeu

quinta-feira, 15 de setembro de 2016 0
Terminada a chamada silly season, passou ao lado de muita gente o relatório pedido pelo FMI sobre o programa da troika em Portugal. E não terá sido inocente. Não diz nada que já não se tivesse dito. Foram muitas as vozes a chamar a atenção dos erros flagrantes do chamado plano de resgate, das prioridades trocadas, da destruição do tecido económico que inevitavelmente aconteceria, do desemprego e emigração que provocaria.
Essas e muitas outras críticas foram feitas antes da sua implementação e, sobretudo, quando eram já mais que óbvias as falhas do programa. O próprio Vítor Gaspar as reconheceu na sua célebre carta de despedida. O próprio FMI já tinha noutras ocasiões admitido vários erros.
Nesse relatório o que lá está é o seguinte: o programa da troika falhou em toda a linha. Ponto. Os pressupostos estavam errados, enganaram-se nas fórmulas e nos seus efeitos e, claro, nenhum dos problemas estruturais da nossa economia melhorou, a sustentabilidade da dívida pública e da balança continua tão débil como antes e até o crescimento das exportações - visto como um dos sucessos do programa - ou o celebrado regresso aos mercados - os autores do relatório com uma mal disfarçada vergonha sugerem que não será evidente que isso não tenha sido consequência das políticas do BCE - em nada esteve relacionado com a malfadada receita. Ou seja, ajudou-se a destruir o nosso sistema bancário e, surpresa das surpresas, chega-se à conclusão de que uma restruturação da dívida teria sido uma medida bem vinda.
O pior de tudo não é perceber que se mandaram para o desemprego milhares de pessoas, não foi termos perdido milhares para a emigração, não foi só ver o factor trabalho humilhado com a aposta em salários baixos, não terá sido a aposta no empobrecimento, não foi por a receita ter produzido um país ainda mais desigual e mais injusto.
O que mais choca no relatório não é a assunção dos erros, é perceber a ligeireza com que se fizeram experiências com as vidas das pessoas, como meras cobaias ao serviço de uns senhores que nunca tinham testado uma fórmula, e com a cobertura de um ex-primeiro Ministro que serviu em bandeja um país inteiro e que continua interessado no insucesso do atual modelo em gestão.
E depois, e ainda segundo o FMI, o Deutsche Bank é o maior risco sistémico em todo o mundo. Mas não deixa de ser curioso que, com uma bomba relógio em casa, Shauble tenha obrigado a Europa a entreter-se com a destabilização de Portugal. Se essa bomba lhe rebentar nas mãos, os famigerados limites do défice serão uma brincadeira de criança e a Alemanha voltará a violar esses limites, como já o fez por várias vezes e sem qualquer sanção ou sequer ameaça.
Desde o Brexit que a Alemanha intensificou o bullying sobre Portugal. O objetivo é mostrar mão firme depois da debandada britânica ou criar problemas a um governo que não lhe agrada. E a direita portuguesa, responsável pela derrapagem do défice do ano passado, volta-se a comportar como o cordeirinho degolado e de joelhos à espera que alguém lhe venha um dia a dar razão.
Basta ver os novos empregos da nossa anterior Ministra das Finanças e do anterior Presidente da Comissão Europeia para se perceber de que lado estavam enquanto nos ‘governavam’. O código de ética não pode ser só para alguns, deveria ser para todos.

P.S. – Costumo dizer em tom de brincadeira que os heróis que conheço estão todos mortos. Mas conheço uns quantos bem vivos, os nossos bombeiros, bem hajam...

Publicado hoje no semanário 'A Voz de Chaves'


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Está tudo doido

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014 0
Aconselha o bom senso que as pessoas só falem daquilo que sabem, e ainda assim, principalmente no caso de serem titulares de órgãos públicos, a falar com prudência num discurso que se exige esclarecedor.
Ora, a histeria colectiva que se vive em Portugal e na Europa é um caso do foro psiquiátrico que não deixa espaço a uma discussão sadia sobre o papel do país na Europa e do Estado no e do país. Enquanto se vai empurrando com a barriga, toda a atoarda propagandista serve para camuflar a realidade. Vai desde um vice primeiro ministro que a pretexto de classificar e enaltecer a grande obra feita nas exportações, recorre a um porta-aviões figurativo, ele que viu um processo de submarinos afundar-se nas entrelinhas do nosso sistema de justiça. E como nós sabemos! que o desempenho das exportações ou o aumento do consumo privado nada tem a ver com algo de concreto que este governo tenha feito, mas antes se deve ao que o TC desfez. Ainda Portas se preparava para desenvolver a propaganda eleitoralista de baixa de impostos em 2015, sublinhando assim o milagre económico anunciado por Passos Coelho que permitiria uma saída limpa (ou suja conforme o ponto de vista), e já o FMI e a Comissão Europeia desfaziam com os pés toda a narrativa que se desenhava no governo e partidos da maioria. Um valente puxão de orelhas nos meninos de coro e até aqui bons alunos que já se preparavam para afrouxar o cinto e voltar aos pecados de antigamente. Assim como quem diz que a supervisão parental vai continuar. O relatório da troika afirma ainda que a austeridade é para manter por muito tempo e ainda urge baixar mais os salários, anunciando um corte de 3 mil milhões de euros para este ano que ainda ninguém tinha descoberto. O empobrecimento que está a destruir o tecido social e empresarial do país é para manter, por mais que se faça mea culpa. Os soluços da pequenada ainda se ouviam quando apareceu o líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, a dizer que "a vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor", como se fosse possível um país sem pessoas. Mas é nisto mesmo que eles acreditam, chegando até ao desespero de, com o intuito populista de disfarçar as medidas menos boas, inventar coisas no memorando inicial, para assim conseguir sacudir a água do capote imputando-as ao Sócrates do costume. Assim sucedeu com o mapa judiciário.
Mas há mais, desde a esquizofrénica proposta de Assunção Esteves de pedir a mecenas para patrocinar as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, passando pela absurda proposta de Seguro de criar um tribunal especial para grandes investidores e acabando na CPLP que irá permitir a entrada na comunidade de um país que tem um regime ditatorial e sanguinário e onde se fala tudo menos português (Guiné Equatorial), em troca de 150 milhões de euros para o BANIF. Quero ver o escabroso Acordo Ortográfico a ser assinado e ratificado pela Guiné Equatorial, e assim será assinada de vez a sua sentença de morte que já começou a ser escrita pelo Brasil. Tudo está à venda e está tudo doido...

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Um país que persiste e insiste

sexta-feira, 22 de novembro de 2013 0
A degradação da política e dos seus valores resulta quase sempre da actuação dos seus intérpretes. Os limites da decência e da vergonha não conhecem, por estes dias, fronteiras nem linhas vermelhas. O relatório da Comissão Europeia sobre os resultados da 8ª e 9ª avaliações faz referência de forma inaceitável e depreciativa a decisões do Tribunal Constitucional de Portugal, um país independente e soberano, que tem instituições soberanas e onde impera o princípio da separação de poderes, entre muitos outros, garantidos, felizmente, por uma Constituição. Mas contém ainda conjeturas acerca da forma como o TC deverá agir e decidir, pressionando levianamente uma instituição democrática, independente e soberana, nunca é demais repetir. A chantagem dos agiotas, venham de Bruxelas, do FMI ou da Alemanha tem como único objectivo garantir que os credores recebem o seu dinheiro, com juros a contento, marimbando-se para o país, para as pessoas e para a economia. Veja-se como a Alemanha tem um superavit de 7%, com medidas restritivas de importações, violando os tratados, a confiança, a solidariedade e a cooperação da UE.
Durão Barroso, o empregado de mesa na célebre reunião da base das Lajes, que 'legitimou' a invasão do Iraque, foi pago e promovido a empregado de mesa da Alemanha, e como sempre passou a mão no lombo de Merkel. Cá dentro, Passos Coelho, Cavaco e seguidores, correlegionários bafientos, de cuspe sempre pronto para lamber sapatos, comem e calam, em silêncio, sem qualquer laivo de dignidade ou de responsabilidade institucional de defesa da soberania de um povo que os elegeu para representar as suas instituições e a sua identidade. Aos sermões humilhantes de burocratas de corredor, baixam as orelhas como os alunos impotentes que querem ser bons mas que são limitados à única causa que conhecem: arranjar um caminho alternativo de subjugação e bajulação. O governo que sistematicamente provoca o TC e teima em legislar contra a lei é um governo que está de má-fé. O governo que canta em coro, com toda a complacência, a música que se toca lá fora é um governo de lesa-pátria. Um Presidente da República que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição e se põe com especulações de custo-benefício não está a desempenhar as suas funções com rigor. O enxovalho só conhece travão se ofenderem o Ronaldo e o futebol. E não, nunca vi ninguém comentar os Tribunais ou as Constituições de outros países, em particular da Alemanha, e que já tomou medidas no passado de grande impacto na UE.
Ontem, na Aula Magna, uma reunião em nome da defesa da Constituição, da democracia e do Estado Social contrastou com uma reunião de desobediência civil por parte das... polícias.
Quanto à primeira, Mário Soares, apesar de demonstrar alguma fraqueza própria da idade, um tanto ou quanto desbocado, nomeadamente quanto ao uso de expressões que quase incitam à violência, faz mais pelo país numa noite que Seguro num mês inteiro de total ausência de ideias.
Faz sentido uma reunião de esquerdas (que não foi exclusivamente das esquerdas) em defesa da CRP, da democracia e do Estado Social? Quando se abalam as fundações do edifício que é o garante da democracia em Portugal, quando se pressiona de uma forma inqualificável um Tribunal, órgão de soberania do nosso país e bastião da defesa da Lei Fundamental, de direitos, liberdades e garantias; quando o princípio da confiança não se pode aplicar aos cortes nos salários, nas pensões e nas reformas mas já se pode aplicar aos contratos privados da energia, das privatizações e das PPP´s, então sim faz todo o sentido.
Quanto aos polícias, é caso para perguntar: quem guarda os guardas? Factualmente os agentes de segurança violaram um cordão de segurança, de facto houve uma desobediência por parte das polícias, e isso, comparando com outros cidadãos que ali se manifestaram e foram alvo de cargas policiais, é injusto e discriminatório. No entanto, registo com agrado, tanto nas escadarias da AR como na Aula Magna um país que persiste e insiste em defender os seus direitos, as suas garantias, as suas instituições, os seus tribunais, ainda que com algum excesso de liberdade. Mas dessas e doutras liberdades tratamos nós, nas nossas instituições. No Brasil, país emergente, as manifestações são pela exigência de mais Estado Social, aqui são pela sua defesa e manutenção. Já agora vale a pena pensar nisto.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Guinness

sexta-feira, 30 de agosto de 2013 0
Mais um recorde do 'Guinness' para Portugal. Uma vez mais, o Tribunal Constitucional chumba uma lei do Governo. Um Governo fora-da-lei, insensível à lei e que insiste na sua violação. Vai por tentativas. Pode ser que se salve a dos dinossauros autárquicos. Ou não...
Já muito se tinha alertado para os perigos da mobilidade especial do sector público. A insegurança e discricionariedade, o factor aleatório dos despedimentos encapotados e a quebra de confiança. Obviamente que estes princípios estão consagrados na CRP. Haverá alguém que suporte a tese de que lá não deveriam constar? Passos Coelho já sabemos, dava-lhe jeito passar por cima dessas coisas.
Ainda não está em vigor a última alteração que reduziu a compensação por despedimento para 12 dias e o FMI já avisou que os salários do privado devem ser ainda mais reduzidos. O FMI pede um corte no salário mínimo e propõe cortes nos salários (abaixo do salário mínimo) dos jovens até 24 anos ou em alternativa nos três primeiros anos de contrato. Se não fosse a nossa velhinha Constituição que seria de milhares de pessoas. A exigência de redução de salários tem como fundamento um relatório com dados viciados, que oculta os cortes que em dois anos já foram feitos. A cartilha do FMI, livro de bolso deste governo e dos Borges que o compõem, é o que sempre foi, e se for necessário martelar números para pôr em prática a sua teoria ideológica, fazem-no sem qualquer pudor. É esta a desvalorização salarial que o programa de ajustamento pretende impor. A transferência de rendimentos do factor trabalho para o factor capital é essencial nesta verdadeira revolução neoliberal. Vítor Gaspar tinha razão quando disse que os portugueses eram "o melhor povo do mundo".
Os números enviados pelo Governo para o FMI sobre cortes salariais foram falsificados. Partindo dessa base, o FMI elaborou gráficos e um relatório no qual defende que Portugal precisa de ajustar ainda mais os salários. Os dados enviados que serviram de base para a elaboração do relatório ignoram milhares de casos. E o relatório, surpreendentemente, não foi corrigido.
Os números enviados assim, ou foram martelados negligentemente, o que também é uma característica deste governo, e então demonstra uma vez mais toda a incompetência de quem nos governa, ou foram martelados propositadamente, para servir a continuação da aplicação da cartilha ideológica e de facção governamental, e neste caso estaremos perante matéria do foro criminal. Por alguma razão esta medida foi antecipada e não constará da próxima proposta de Orçamento. Porque havia a suspeita da sua inconstitucionalidade e assim daria tempo para a emendar. Assim se governa em Portugal. Vai-se apalpando terreno e quando a bomba explode recua-se, não antes de pressionar as instituições e mandar às malvas a separação de poderes e o Estado de direito democrático.
Entre público e privado ninguém fica a rir. A canalhice não conhece limites e o que se anuncia será ainda pior...

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Chega de brincadeira

quarta-feira, 12 de junho de 2013 0
Quando Vítor Gaspar diz que a recessão no 1º trimestre se deve à chuva está a brincar com os portugueses. Quando Gaspar pede para terem pena dele por causa da sua alma benfiquista dorida está a brincar com os benfiquistas.
Quando o FMI admite que se enganou na receita de austeridade aplicada à Grécia está a brincar com os gregos. Quando a mesma receita foi a aplicada em Portugal é óbvio que o FMI admite que também se enganou na receita aqui aplicada, e portanto também brinca com os portugueses. Quem quis ir além da receita, como afirmou Passos Coelho, andou a brincar este tempo todo.
Quando Passos Coelho afirma a sua intenção de vender ainda este ano os CTT e a TAP está a brincar com os trabalhadores e com os portugueses. Quando Mexia diz que já não é aumentado há mais de 8 anos, depois de se saber que recebe €600 mil por ano mais prémios, está a brincar com a esmagadora maioria dos portugueses. Quando Nuno Crato põe em causa a greve anunciada pelos professores e depois vê chumbada a hipótese de serviços mínimos e ainda assim insiste, um tanto ou quanto ditatorialmente, está a brincar com milhares de professores. Quando Passos Coelho diz que não há dinheiro para pagar o subsídio de férias a milhares de funcionários públicos, apesar de assim ter sido ordenado pelo TC, está a brincar com eles. Quando dezenas de municípios, em ano de autárquicas!, ao arrepio das instruções do governo pagarem, e bem, aos seus funcionários o dito subsídio, o pagode está instalado.
Sobra a pergunta: QUANDO É QUE ACABA A PUTA DA BRINCADEIRA?

quinta-feira, 28 de março de 2013

As perguntas que se impõem

quinta-feira, 28 de março de 2013 0
Silva Carvalho foi reintegrado nos serviços do Estado por imposição legal. A lei orgânica dos serviços de informações permite aos elementos do SIED, SIRP ou SIS com seis anos de serviço ininterrupto terem automaticamente vínculo definitivo ao Estado e o direito à integração na Secretaria Geral da Presidência do Conselho de Ministros. A diferença é que o ex-espião só não tinha, ao que se julga saber, licença para matar. Porque de resto, desde abuso de poder, passando por violação de segredo de Estado, até acesso indevido a dados pessoais, o homem está acusado de tudo. Impõe-se a pergunta: Passos e Gaspar tinham que o reintegrar no staff da Presidência do Conselho de ministros já? Tanto se fala em períodos de nojo e falta de vergonha na cara e isso só se aplica ao José regressado de Paris?
Alguns médicos receberam horas extraordinárias relativamente ao período normal de trabalho e operaram utentes do privado nos hospitais públicos. Impõe-se a pergunta: de quem é a culpa? Dos médicos prevaricadores ou dos Conselhos de Administração que lhe amparam o jogo? Sendo que alguns médicos receberam mais de €200 mil anuais... Eventualmente o problema do SNS é um problema de gestão e gestores e não tanto do que é mal gasto em pensos e bisturis... E se calhar também dos subsistemas de saúde com claro destaque para a ADSE. Mas isso já é outra conversa. Com a Ordem dos Médicos não é conveniente levantar muitas ondas, não é?
O PSD chumbou a proposta do CDS para a audição na AR do chefe de redacção da RTP. Por causa de Sócrates obviamente. Impõe-se a pergunta: a coligação aguenta?
O Estado pagou a António Borges mais de €300 mil no ano passado. Impõe-se a pergunta: porquê? Para assessorar a venda do país a retalho e em saldo? Para o 'ministro das privatizações' poder dizer que os salários em Portugal são demasiado altos?
Passos Coelho disse que a decisão do TC deve ser responsável. Impõe-se a pergunta: ao invés de pressionar um Tribunal, órgão de soberania da nação, não deveria perguntar-se onde está a sua responsabilidade? Porque não se absteve previamente de violar a CRP? Porque é que o Orçamento poderá ser inconstitucional? Porquê é que o Orçamento trinta dias após entrar em vigor já era inaplicável por incompetência e erro grosseiro nas previsões e nas contas?
O chefe da missão do FMI para Portugal, Abebe Selassié, numa entrevista à Lusa, admitiu o falhanço total das previsões e das expectativas tanto da troika como do governo. No desemprego, no défice, na dívida pública, nas rendas e nos preços da energia, na recessão, no consumo, etc, etc, etc. Não estará na altura de mudar de estratégia e de políticas? 
E o que se discute em Portugal é o regresso de Sócrates como comentador?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A saga continua

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013 0
O ataque continua... Podia ser o título de um filme, mas é o resumo da realidade em Portugal.
O governo persiste na sua política cobarde de ataque a tudo o que é Estado e do domínio público. Para atingir os objectivos da sua agenda liberal e ajustar contas com o passado do Estado social, utiliza um esquema vil e cobarde, que consiste na pré publicação de estudos mais ou menos encomendados, ou então, anunciando a catástrofe para depois ceder nalguns pontos e atingir o objectivo inicialmente previsto.
Assim foi com o relatório do FMI, que, sabe-se agora, foi instruído com dados e premissas fornecidas pelo governo. Muitos deles errados, quase todas assentes no processo de intenções que define o esquema estritamente ideológico deste governo. Assim aconteceu também em sede de concertação social. Estranho no entanto a complacência do FMI com este estilo. Não me espanta a falta de confiança agora demonstrada pela UGT. Os primeiros ao arrepio do que têm dito até à data, inclusive pela sua presidente Lagarde. Os segundos enganados pela sua ânsia de protagonismo.
Hoje mais um estudo. O aumento significativo de portagens. Sem coragem para propor as suas medidas draconianas, o governo escuda-se na sua estratégia Relvista de terraplanagem, de dividir para reinar. A TSU, a RTP, a TAP, a reorganização territorial e autárquica, as Comunidades Inter-Municipais, o mapa judiciário e agora as novas portagens.
O novo estudo tem como único objectivo, sacar mais 250 milhões de euros, aos de sempre, afim de serem os de sempre a pagar as pseudo-negociações das PPP's anunciadas com toda a pompa. Mais um embuste. E cortes na despesa nem vê-los... No parque empresarial do Estado, de institutos e fundações inúteis, já nem das PPP's como agora se vê e que tanta propaganda mereceu... Os estudos sobre o impacto na economia das regiões afectadas e das populações fica para mais tarde. Afinal, o que é que isso interessa, se a economia é recessiva, ou se há desemprego, ou se as pessoas emigram. Interessa é financiar bancos de casino e falidos e apostar na lotaria dos juros, como os 3 mil milhões de euros perdidos em esquemas financeiros por parte de empresas públicas.
Um estudo sério, acerca das funções do Estado, sobre que Estado querem os portugueses, de que tipo, etc., aberto a uma real discussão e à sociedade civil poderia ser uma óptima oportunidade para de uma vez por todas termos um Estado mais igual para todos e sustentável, mas isso também exige um compromisso sério de verdadeira comunicação e diálogo, num espírito leal de verdadeiro serviço público em prol do bem comum. Terá que ficar para outra oportunidade, e necessariamente para outro governo, se até lá ainda houver Estado e país...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A refundição do Estado

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 0
O que é afinal o Estado Social? A resposta assume três vertentes.
A primeira diz respeito à afectação de recursos do país traduzida na provisão de bens e serviços públicos como a justiça, a segurança, a educação, a defesa, a saúde e a proteção social.
A segunda vertente refere-se à igualdade de oportunidades e como tal, tentar distribuir a riqueza e o rendimento de uma maneira socialmente justa, é aqui que entra, por exemplo, a progressividade dos escalões do IRS, agora em causa no Tribunal Constitucional.
A terceira vertente é a da estabilidade. O poder de autoridade do executivo, v.g. Estado, de comandar e regular o mercado, para combater a inflação, o desemprego, equilibrar as contas externas e promover o crescimento económico. Este é o modelo Keynesiano.
O modelo liberal, aposta sobretudo na auto-regulação do mercado. O Estado deve abster-se o mais possível de intervir. A teoria da mão invisível, de Adam Smith, prevê a eficiência dos mercados, apenas se estes se autoregularem, assente no bem privado em detrimento do bem público.
O modelo neoliberal é muito mais radical. É o capitalismo de casino no seu esplendor. Começou com Reagan e Thatcher e teve o seu epílogo na crise que agora vivemos e de que o governo actual é um fiel seguidor.
A economia deve estar ao serviço da comunidade, regulada por um poder político que impede monopólios e a lei do mais forte. Nos últimos tempos, a doutrina libertinária convenceu-nos que só afastando o papel regulador do Estado seria possível alcançar maiores lucros. O resultado é conhecido. O pior da natureza humana ascendeu como um rastilho. Deslealdade, ilegalidade, avareza, compraram com dinheiro fácil, pessoas, governos, e até países. De uma forma ou de outra.
O recente relatório do FMI, aponta para refundação do Estado Social em Portugal. A tal refundação que o governo sempre apontou. Um relatório feito à medida, em que a refundação do Estado Social não existe. É a sua destruição ideológica urdida nos bastidores do eixo Passos, Relvas, Moedas e Gaspar.
Com o carimbo do FMI, mesmo contradizendo o que até aqui vem afirmando, o governo pode agora, numa chapelada do tamanho do país, refundir (é esta a palavra exacta a utilizar), o Estado Social.
Afinal, o último objectivo do modelo ideológico seguido por este governo, por muito que o CDS esperneie.
O corte cego de 4 mil milhões de euros será feito, mais uma vez, à custa dos contribuintes, dos trabalhadores, dos desempregados, dos pensionistas, dos de sempre. O elo mais fraco. A refundação que se pretende, é o corte das bases do Estado. As suas empresas mais estratégicas e/ou lucrativas, os pilares elencados acima do Estado Social. O que se pretende é a vingança ideológica de um sistema que apesar de ter que ser revisto, concedo, será simplesmente eliminado, coartado, suprimido. O que dantes estava ao serviço do cidadão, passará a estar ao serviço de um qualquer chinês, angolano ou colombiano/brasileiro, que apenas visará o lucro, e se estará marimbando para o comum do pensionista, desempregado, pobre ou excluído.
Se é verdade que eleições antecipadas não ajudam em nada o país, também é verdade que neste momento, poderão ser um mal menor. Com Seguro ou sem Seguro, o caminho que nos querem  fazer percorrer será sempre para pior...
E porque gosto de apresentar alternativas aqui vão algumas:
- Renegociação do memorando de entendimento, nomeadamente, mais um ano de prazo para pagar a dívida, com alívio na conta de juros, alicerçando a economia, aligeirando os bolsos dos portugueses, que com mais poder de compra, mais dinheiro têm para consumo;
- Redução do IVA da restauração e do turismo para a taxa mínima;
- Redução do IRC para 10%, para captar investimento estrangeiro, uma boa medida proposta pelo ministro da economia, já ridicularizada pelo técnico oficial de contas Vítor Gaspar;
- Nacionalização de todas as PPP's deficitárias e prejudiciais para o Estado, pagando as compensações e indemnizações, mas garantindo um futuro livre de juros, prestações, comissões e afins;
- Não ao resgate do BANIF, poupando mil e cem milhões de euros no imediato;
- Corte a sério no parque empresarial do Estado, ao invés das 3! fundações extintas;
- Redimensionamento do Estado Social, com estudos sérios e discussão séria e fundamentada, e não a sua refundação/refundição/alienação, com cortes cegos e, para variar, inconstitucionais.

PS- Um governo de um país, cuja Constituição, estorva em todos os sentidos, diz muito do que poderia ser, se ela não existisse.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Não havia necessidade

quarta-feira, 30 de maio de 2012 0
Scolari diz que não convocou Baía porque Pinto da Costa lhe disse para não o convocar. Ora, ao dizer isto, está a dizer que era influenciado, coisa que o brasileiro sempre negou. Até lhe chamavam o sargentão. E não estou a ver Pinto da Costa a tentar influenciar o seleccionador para não convocar um jogador do FCPorto. E as próprias relações entre os dois ficaram muito azedas desde o dia em que Scolari resolveu não convocar Baía para a selecção. Madail veio entretanto dizer que a história não tem pés nem cabeça... Então de onde terá vindo isto? Uma aldrobanada de pernas curtas...

A resposta do FCPorto ao ataque de L. F. Vieira desceu ao mesmo nível daquele. Injurioso, asqueroso e criminoso. Lamento.

Um decreto de 1864 vai ser aproveitado pela Câmara Municipal do Porto para tomar posse de todos os terrenos e prédios ao largo do Rio Douro e numa área de 50 metros. Segundo tal decreto, todos esses terrenos serão posse do Estado. Quem não quiser ser despejado terá que provar que em 1864, o terreno/prédio já era privado... Rui Rio no seu melhor... E mais um imbróglio para a Justiça resolver, ou não...

Lagarde, presidente do FMI, mandou os gregos pagar impostos, e diz estar mais preocupada com as crianças do Níger do que com as da Grécia. Quanto às crianças, devia estar preocupada com todas, mas no Níger é maior a probabilidade de haver crocodilos que possam servir de matéria prima para as suas carteiras ou sapatos. Esqueceu-se a senhora que ela própria não paga impostos e recebe à volta de 400 mil euros por ano. A soberba e a arrogância sem escrúpulos, a estupidez conformada e a falta de respeito e de bom senso deviam ser crime nalguns casos...

Até no Vaticano se assiste a casos de polícia. Quando a esmola é grande...

O negócio das secretas, ongoing, relatórios com recurso à devassa privada, e Relvas na equação continua nos próximos episódios, num país ou numa AR perto de si...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

FMI

quinta-feira, 17 de novembro de 2011 0
Em 1982!!!, era assim...





"o FMI é só um pretexto vosso, seus cabrões, o FMI não existe, o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma, o FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua, desandem daqui para fora" FMI, José Mário Branco


terça-feira, 7 de junho de 2011

Um memorando à medida

terça-feira, 7 de junho de 2011 2
O Povo votou em massa no memorando da Troika (porque é esse que tem que ser executado), e mesmo à medida do programa do PSD, como o próprio Passos Coelho referiu. E bem. Se há coisa de que não se pode acusar o novo Primeiro-Ministro é de esconder o jogo, portanto, quem votou nele não poderá queixar-se mais tarde de ter sido enganado.
E Passos Coelho já avisou que o programa da Troika é curto (!) e o novo governo quer ir mais além. Desde as privatizações mais díspares e disparatadas como as Águas de Portugal, a RTP, a CGD, a REN, aos cortes de um terço no financiamento da saúde e na educação (pondo em causa o SNS, a Escola Pública e o próprio Estado Social - são milhões em caixa se os privados lhes puderem deitar uma mãozinha), desviando assim fundos para a recapitalização da banca, a drástica redução da taxa social única, destruindo a sustentabilidade da Segurança Social e o consequente aumento do IVA, até à redução dos salários e ao despedimento facilitado, tudo isto é o que aí vem - memorando da Troika mais programa do PSD. Não é de estranhar pois, o apoio em plena campanha do 'mecenas' Belmiro de Azevedo. Aliás, e uma vez mais afirmo, honra lhe seja feita, Passos Coelho não escondeu nada, muito do que está no seu programa, estava na sua proposta de revisão constitucional. Tenho pena que a campanha não esclarecesse nem discutisse nada disto. Foi contra isto que lutei, do alto da minha insignificância. Resta um consolo: a Constituição só pode ser alterada com dois terços de maioria no Parlamento.

Não há dúvida que estas eleições foram principalmente contra Sócrates. Eu compreendo, ele foi o rosto das dificuldades económicas e do pedido de ajuda externa... Aliás, nunca vi tanta gente desesperada, chegando mesmo ao insulto fácil, quando as sondagens davam um empate técnico entre PS e PSD, sem qualquer pudor ou respeito por opiniões alheias. Devo dizer que este novo tipo de sondagem diária foi fundamental na vitória do PSD. O voto contra Sócrates, transformou-se em voto útil no PSD. A viragem à esquerda do PS, em resposta à ultra liberal do PSD, capitalizou votos do suicida BE, o centro não estava ocupado por ninguém, o que não se via desde os tempos do PREC, e as massas que geralmente deambulam nesse espaço preferiram livrar-se de Sócrates.
Sócrates que cometeu um enorme erro, do discurso determinado, evoluiu para o determinista e irrealista, e daí para a teimosia. Foi enganado por Passos Coelho, que mentiu aquando do chumbo do PEC IV. Passos disse que iria chumbar o PEC IV porque não tinha sido informado de nada. Soube-se mais tarde que se reuniu com Sócrates no dia anterior... Passos tirou-lhe o tapete e Cavaco deu-lhe o último empurrão. Demitiu-se no passado domingo, num discurso sério e dignificante, para ele e para a democracia em Portugal. A história se encarregará de o julgar.

Estou muito curioso e apreensivo com o que aí vem, ao contrário dos apaniguados de Passos Coelho, que no dia das eleições diziam á boca cheia que no dia a seguir tudo iria ser melhor. Como se o FMI já cá não estivesse.
Ainda assim, desejo sorte a Passos Coelho, pelo bem do meu país.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Mãos ao ar! Isto é um assalto!

terça-feira, 24 de maio de 2011 0
Dominique Strauss-Khan era presidente do FMI. Demitiu-se por causa de um escândalo sexual. Fez bem. O que me choca mais é o mediatismo circense da justiça norte-americana. Atropelando sempre o princípio da inocência até prova em contrário, resolveram passear o homem algemado pela rua, para quem quisesse ver o que era um predador sexual, sujo e humilhado na praça pública, a fazer lembrar o far-west. Não sei se o homem é culpado, sei que até ser considerado como tal é presumivelmente inocente. Não o defendo, não gosto é do show-off da justiça americana, aliás, com certeza que haverá em Nova Iorque uma carrinha ou duas para transportar presos.

Isto posto, cumpre referir que o FMI sob a liderança de Strauss-Khan, foi bem menos austero que os nossos 'parceiros' e 'amigos' europeus do BCE e Comissão Europeia. Apesar de a receita ser a mesma, ou seja, privatizar, flexibilizar, liberalizar, desregulamentar, pondo o poder político ao serviço do financeiro, o que levou à crise internacional e cujos protagonistas continuam, como se nada fosse a gerir empresas e países, aliás como o próprio Strauss-Khan fez questão de referir no documentário 'Inside Job', ainda assim foi o FMI que se bateu com os nossos 'amigos' europeus por condições menos penalizadoras no pagamento da dívida portuguesa. Mais tempo para pagar, com juros mais baixos, por contraponto com os usurários que nos exigem os nossos 'amigos' europeus. Amigos, amigos, negócios à parte, dirão Merkel e Sarkozy, reféns do populismo que lhes é exigido pelos contribuintes dos seus países, reféns da exigência dos seus bancos, à espera de recapitalizar os juros para a sua própria retoma, à espera da degola e do esvaziamento dos cofres antes da renegociação da dívida lá para 2013. Sim, porque a dívida vai ser renegociada, assim como aconteceu com a Grécia. É esse o objectivo, mas só daqui a 2 ou 3 anos. Quando os juros já tiverem pago a recapitalização dos bancos alemães, franceses e nórdicos. Portugal, Grécia e Irlanda sairão da moeda única e a europa enlouquecida pelo capital fácil a juros elevados estar-se-á marimbando para as fronteiras e para a união. Ainda assim, o FMI optou por não nos extorquir ou esbulhar. Tentou mesmo ajudar... A Espanha que se cuide, os agiotas querem mais...

Num plano completamente diferente, não posso deixar de me regozijar pelas vitórias extraordinárias do 'meu' F.C.Porto! Mesmo na europa, contra o Braga, na Irlanda...Só faltou um árbitro grego... Uma época demolidora, sem árbitros, sem apitos e outras falácias encomendadas. Poderoso e esmagador, como nunca se tinha visto...

P.S. - É vergonhoso o PS encher comícios com imigrantes famintos à espera de um saco de comida, assim como é insultuoso dizer-se que as Novas Oportunidades certificam ignorantes...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Vamos à bola

terça-feira, 12 de abril de 2011 4
Bom tempo para a prática do futebol. Estádio bonito, com capacidade para 10 milhões de espectadores, mas que por esta altura deve rondar os 50% da sua capacidade total. Era esperada mais gente para assistir a este grande clássico do futebol português. De um lado o PS, de Sócrates, o capitão de equipa e organizador de todo o jogo socialista. Do outro lado, a oposição, sem grandes estrelas, mas uma equipa coesa e unida.
A equipa de arbitragem veio da Alemanha, liderada pela Sra. Merkel, os fiscais de linha, FMI e BCE, e o quarto árbitro é a CE. Ambos os treinadores se cumprimentam, Mário Soares pelo PS, sempre interventivo, mas que tem averbado algumas derrotas ultimamente. O treinador da oposição, Cavaco Silva, já leva alguns anos no cargo, disciplinador e raramente contestado.
As principais ausências: de um lado Manuel Alegre, expulso no último jogo e a cumprir castigo. Do outro Manuela Ferreira Leite, que se lesionou gravemente há já um ano e que falha o resto da temporada. A surpresa surge do lado da oposição, Fernando Nobre, contratação de última hora, surge a titular no lugar do central António Capucho, relegado para o banco.
Este é o jogo do tudo ou nada, com um grau de risco muito elevado, em especial pela troca de palavras mais azedas trocadas nos últimos dias, pelos dirigentes de ambas as equipas.
E aí está, começa o jogo. Miguel Relvas, leva a bola pela estrema esquerda, passa para Louçã, que tenta driblar Sócrates que lhe sai ao caminho... uma primeira finta, e é rasteirado por Sócrates... grande confusão agora, com ambos a trocar argumentos e empurrões. E atenção, Louçã agride Sócrates com uma censura, e a juiz da partida expulsa Louçã com vermelho directo. A oposição fica agora reduzida a dez elementos, mesmo no princípio do jogo. Mário Soares e todo o banco socialista a gesticular, e Cavaco, sempre impávido e sereno ainda não se levantou.
Primeiro quarto de hora de jogo cumprido, e ainda ninguém fez qualquer remate à baliza adversária, aliás Passos Coelho já perdeu três vezes a bola e é sempre apanhado em fora de jogo.
Portas conduz a bola pela extrema direita, com um passe longo, cruza para a extrema esquerda onde Jerónimo aparece, e de cabeça põe a bola à mercê de Passos Coelho, que se isola em frente à baliza, grande perigo, Passos Coelho remata e...gooooolo! Mas, atenção, o fiscal de linha BCE, invalida o golo, diz que Passos Coelho controlou o PEC com a mão, Passos Coelho protesta, mas Merkel confirma a anulação do golo.
O jogo socialista está muito amarrado no meio campo, muito por culpa do jogo táctico da oposição, não deixando Sócrates controlar o jogo.
Começa a segunda parte, e surpresa na equipa socialista, Sócrates ficou nas cabinas ao intervalo, substituído por Francisco Assis. O jogo socialista está agora mais solto, mas continua sem criar grandes oportunidades de golo.
Setenta minutos de jogo, e a assistência começa a abandonar o estádio. Está um jogo desinteressante, muito faltoso, com Merkel a ter que mostrar muitos amarelos. Aliás, Fernando Nobre, até aqui sem qualquer amarelo na Liga, também já viu um amarelo, por gestos agressivos em direcção ao público.
Final do jogo, com um empate a zero, sem dúvida o pior clássico dos últimos anos, com a equipa de arbitragem a ser obrigada a muita intervenção, para parar o jogo sujo e faltoso de ambas as equipas, sem grande sentido de responsabilidade e de oportunidades criadas. Destaque pela negativa para o jogo pobre de Sócrates, excelente jogador, mas hoje muito criticado pelo público, e também Passos Coelho que não soube agarrar a titularidade, caindo sempre no fora de jogo, e com o lugar em risco.
Cavaco não faz comentários como habitualmente, e Mário Soares a dizer que foi mais uma oportunidade desperdiçada.
Dia 5 de Junho temos novo clássico, onde se espera um jogo muito melhor, mas que se prevê com pouca adesão do público e que a Liga ainda não se decida nesse jogo. Para infortúnio dos espectadores...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A máfia quando aposta ganha sempre

quinta-feira, 7 de abril de 2011 3
Juro que hoje era minha intenção escrever sobre futebol...mas, tal como no domingo em pleno estádio da Luz, também a luz se apagou em Portugal...

E, se no domingo rejubilei com a vitória histórica do meu clube, em plena casa do rival, hoje vivo um dia triste, pelo meu país...
O lenocínio e a extorsão, a máfia e a especulação venceram um país soberano com 800 anos de história...A UE cedeu ao roubo e à chantagem, o poder financeiro finalmente venceu o poder político. Pensem bem nisto, e perguntem se é este futuro que queremos, se são estes valores que desejamos. O cobrador do fraque está a chegar, e nós abrimos a porta, com a cabeça baixa, vergados e envergonhados, como os meninos que estão prestes a levar uma tareia.

Não houve ninguém com a coragem de dizer basta!, nós não pagamos!, que tivesse coragem de taxar a banca, de dizer às agências de rating que podiam ir à merda, juntamente com o lixo dos seus clientes...que em Portugal mandam os portugueses e o seu Governo, que na Europa mandam os europeus e a sua Comissão.
Se é verdade que Sócrates ficou à beira do abismo, também é verdade que Passos Coelho deu o empurrão que faltava. É curioso que ambos vão a votos, e que nenhum será derrotado...alguém tem paciência neste país para a campanha eleitoral que se vai seguir? Não seria melhor o PEC? Que programa de governo poderão apresentar os partidos, se sabem que não vão ser eles a governar? Por muito que tentem, não há como esconder que esta campanha será mais uma vez a do empurra-culpas...e todos são culpados!

Os profetas da desgraça que se regozijam por finalmente verem o FEE e o FMI a desmantelar o país, talvez mudem de opinião daqui a três meses...porque o que aí vem não vai pôr o país na ordem, vai apenas certificar-se que os credores recebem e que Portugal paga. Não vão acabar com PPP's, com empresas públicas deficitárias por norma ou sem qualquer sentido, com empresas municipais, com os jobs dos boys, etc...apostamos o país, eles fizeram bluff e nós mesmo pagando para ver, fomos a jogo e perdemos...

quinta-feira, 24 de março de 2011

Inside Job - ou como a bomba nos explodiu nas mãos

quinta-feira, 24 de março de 2011 0
Finalmente! Caiu o papão... o animal feroz, o mentiroso! Aleluia! Até que enfim, vem aí o FMI, por culpa dele claro, e eleições que já tinha saudades, por culpa dele, claro. Vem aí um governo diferente, que vai aplicar com orgulho as medidas de Merkel, que vai acabar com a justa causa de despedimento, que vai pôr toda a gente a recibos verdes, que vai recuar 30 anos nas leis laborais, que vai despedir 20.000 funcionários públicos, a mando do FMI claro, que vai cortar entre 10% a 20% nos salários, a mando do FMI obviamente, que vai pôr o país na ordem, que eles é que são bons, e com a crise podem eles, que os outros é que tiveram culpa da maior crise desde 1929, agora é que vai ser...explodiu a bomba e o país fica para depois.

Eis o que vi e ouvi no dia de ontem...demissão de Sócrates incluída.
Assisti incrédulo à seguinte afirmação por parte de Miguel Macedo, líder parlamentar do PSD: "O PSD não chumbou as medidas do PEC, o PSD chumbou a credibilidade do Governo."
Antes disto, numa nota em inglês para os seus homólogos de Bruxelas, o PSD, entre outras disse: "é preciso atacar a base de apoio de funcionários públicos do PS".
Vi a intervenção na AR de M. Ferreira Leite. Tive vontade de rir, mas não consegui, só conseguia visualizar a austera  Ministra das Finanças de Durão Barroso. Tentei lembrar-me de alguma medida de mérito que ela tenha tomado, de alguma obra que ficasse, de redução do défice, de redução da despesa, etc. Não consegui. Lembrei-me então de quando ela era Ministra da Educação. Definitivamente não consegui sequer esboçar um sorriso.
Então, com muito esforço, tentei lembrar-me de alguma coisa que Cavaco tenha dito para, com a sua magistratura activa, tentar pôr ordem nos rapazolas que estavam a brincar aos governos de um país endividado. E não é que o homem não disse nem fez nada?!?!
Tentei lembrar-me de alguma ideia, medida ou letra de canção a roçar o foleiro mas com epíteto de intervenção, que o PSD tivesse sugerido...nada.
Vi que ninguém quis saber do apoio e aplauso de todas as instituições europeias às medidas constantes do PEC IV, que, como é imposto por estas vão mergulhar o país numa crise ainda pior.
Pensei que Sócrates devia estar mesmo agarrado ao poder, demitindo-se quando a isso não era obrigado, mas sentindo que não lhe davam condições mínimas de estabilidade para continuar a  governar.
Mais tarde, já com muito sono, deu-me para tentar imaginar o que é que PSD e CDS poderiam fazer de diferente, e acordei com Passos Coelho a dizer que já está a pensar aumentar o IVA.
Como é possível brincar assim com o país, principalmente com  um golpe vindo de dentro (Inside Job). Como se não bastasse o maravilhoso sistema em que a União Europeia se deixou amordaçar, em que a agências de rating Fitch, Moody's e Standard and Poor's, baseadas nos Estados Unidos da América (onde havia de ser?) controlam as políticas fiscais, económicas e sociais dos Estados-Membros da União Europeia através da atribuição das notações de crédito.


"Aníbal António Cavaco Silva, agora Presidente, mas primeiro-ministro durante uma década, entre 1985 e 1995, anos em que estavam despejando bilhões através das suas mãos a partir dos fundos estruturais e do desenvolvimento da UE, é um excelente exemplo de um dos melhores políticos de Portugal. Eleito fundamentalmente porque ele é considerado "sério" e "honesto" (em terra de cegos, quem vê é rei), como se isso fosse um motivo para eleger um líder (que só em Portugal, é) e como se a maioria dos restantes políticos (PSD/PS) fossem um bando de sanguessugas e parasitas inúteis (que são), ele é o pai do défice público em Portugal e o campeão de gastos públicos.
A sua "política de betão" foi bem concebida, mas como sempre, mal planeada, o resultado de uma inepta, descoordenada e, às vezes inexistente localização no modelo governativo do departamento do Ordenamento do Território, vergado, como habitualmente, a interesses investidos que sugam o país e seu povo.
Uma grande parte dos fundos da UE foram canalizadas para a construção de pontes e auto-estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte interno e fomentando a construção de parques industriais nas cidades do interior para atrair a grande parte da população que assentava no litoral.
O resultado concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem do interior e chegar ao litoral ainda mais rápido. Os parques industriais nunca ficaram repletos e as indústrias que foram criadas, em muitos casos já fecharam. Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou em empresas e esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram encomendados Lamborghini. Maserati. Foram organizadas caçadas de javali em Espanha. Foram remodeladas casas particulares. O Governo e Aníbal Silva ficou a observar, no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi desperdiçado. No seu segundo mandato, Aníbal Silva ficou a observar os membros do seu governo a perderem o controle e a participarem. Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido político. E ele é um dos melhores (...) Depois de Aníbal A. Cavaco da Silva veio o bem-intencionado e humanitário, António Guterres (PS), um excelente Alto Comissário para os Refugiados e um candidato perfeito para Secretário-Geral da ONU, mas um buraco negro em termos de (má) gestão financeira. Ele foi seguido pelo diplomata excelente, mas abominável primeiro-ministro José Barroso (PSD) (agora Presidente da Comissão da EU, "Eu vou ser primeiro-ministro, só que não sei quando") que criou mais problemas com seu discurso do que ele resolveu, passou a batata quente para Pedro Lopes (PSD), que não tinha qualquer hipótese ou capacidade para governar e não viu a armadilha.
Resultando em dois mandatos de José Sócrates; um Ministro do Ambiente competente, que até formou um bom governo de maioria e tentou corajosamente corrigir erros anteriores. Mas foi rapidamente asfixiado por interesses instalados.
Agora, as medidas de austeridade apresentadas por este primeiro-ministro, são o resultado da sua própria inépcia para enfrentar esses interesses, no período que antecedeu a última crise mundial do capitalismo (aquela em que os líderes financeiros do mundo foram buscar três triliões de dólares de um dia para o outro para salvar uma mão cheia de banqueiros irresponsáveis, enquanto nada foi produzido para pagar pensões dignas, programas de saúde ou projectos de educação)."
Timothy Bancroft-Hinc in "Pravda", jornal russo, esta semana, sobre Portugal.


Post Scriptum - Aconselho vivamente o documentário sobre a crise internacional "Inside Job".


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O jogo dos números

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011 1
"Vemos que toda a cidade é uma espécie de comunidade, e toda a comunidade se forma com vista a algum bem, pois todas as acções de todos os homens são praticadas com vista ao que lhes parece um bem; se todas as comunidades visam algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras, tem mais que todas este objectivo e visa o mais importante de todos os bens; chama-se cidade e é a comunidade política" Aristóteles (384a.c. - 322 a.c.)

A D. Augusta vivia nos arredores de Lisboa, tinha 87 anos a última vez que foi vista. Era cidadã portuguesa e como tal também era contribuinte. É costume dizer-se que na vida só duas coisas são certas: a morte e os impostos. O Estado, a comunidade política de cidadãos não quis saber da pessoa. A morte, o abandono e a solidão não interessam para quem é apenas um número fiscal. O que realmente importa é se o contribuinte tem dívidas ao fisco e se tal dívida se pode capitalizar, penhorando a sua casa, vendendo-a e cobrando. A D. Augusta tinha dívidas ao fisco, só porque morreu abandonada, sem que a GNR e os tribunais se dessem ao trabalho de a procurar. Foi encontrada porque para as Finanças só os impostos são certos, ainda que a pessoa não esteja viva. O que é mais importante não é o desaparecimento de um ser humano, mas sim o número fiscal que acumula dívidas mesmo depois de morto. A D. Augusta morreu na sua casa e aí esteve durante nove anos na cozinha, com o seu cão que morreu com ela. A comunidade da D. Augusta não se importou. Resta um consolo: se morrermos sozinhos, o fisco mais tarde ou mais cedo encontrar-nos-á.

Entretanto, o Governo decidiu ceder às pressões do eixo  liberal Franco-Alemão, e começou a desbaratar e flexibilizar o despedimento, porque alguém na Alemanha e na França se lembrou que isto traria mais emprego. O princípio é claramente errado. Se se despede mais facilmente e mais barato, a consequência não é mais emprego, mas sim menos emprego e com salários mais baixos. O problema surge porque os salários mais baixos não serão os dos gestores claro, mas sim os dos trabalhadores. Os patrões agradecem. Obedece quem deve, manda quem pode, o capital pois claro.
Esquece-se muitas vezes, que Portugal não é obrigado a pedir ajuda a FMI's, Fundos Europeus e afins, e não temos por que ceder à pressão liberal que nos querem impôr. Mais uma vez, o debate ideológico é suprimido pela pressão dos mercados chantagistas e especuladores. Estou farto de assistir à venda do Estado Social, ao leilão dos princípios de solidariedade, à corrupção de valores, à capitalização dos números, das taxas, das dívidas e dos juros, abandonando as D. Augustas da NOSSA comunidade.

O Médio-Oriente joga ao dominó, a África joga à roleta russa e o resto do mundo joga ao monopólio...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O chico-esperto

terça-feira, 25 de janeiro de 2011 1
O Português mais comum do século XXI é um percevejo narcisista e pessimista, que faz do chico-espertismo o seu ideal de conduta.

É cínico, arrogante, ignorante em quase tudo tirando futebol, sabe sempre mais que os outros, não pode ser alvo de críticas a não ser que sejam boas e acha que teve azar porque tinha capacidades para estar no poder e tudo melhorava em 2 dias. Olha para o próprio umbigo sempre, imediatamente antes de criticar o do vizinho, ou quando olha primeiro para o do vizinho tem como missão especial e secreta a de se render ao seu desporto favorito: a inveja. Aproveita sempre que pode uma benesse, uma lacuna, ou uma fuga ao fisco. Nunca é responsável por nada, mesmo que seja chefe ou patrão de várias pessoas, e por muito que a coisa dê para o torto. Ser chefe de qualquer coisa é um fim e não importa o meio de o atingir.
O chico-esperto português acha sempre que tudo vai mal e que dantes é que era. Quando não havia créditos, nem publicidades, nem Europa, nem se calhar televisão. Assim, no Portugal colonial dos escravos, do esbulho e do lenocínio de povos inteiros, no Portugal dos emigrantes que lavavam escadas por essa Europa fora, no Portugal da guerra é que era.
Um país que mesmo há 30 anos atrás tinha taxas de mortalidade infantil ao nível de África, que tinha mais de 50% de analfabetos, onde só havia carros para alguns, assim como electricidade, não se imaginava um Serviço Nacional de Saúde, quanto mais de Educação, o Portugal do FMI dos princípios da década de 80.
Mas, é um facto, também não havia empréstimos, nem desemprego, nem rendimento social de inserção, nem reformas, nem subsídios, nem telemóveis, nem férias, um luxo. Magnífico país...Endividamento zero! Nesse país é que eu gostava de morar.
Curioso ver que essa geração de chico-espertos, tem os políticos que vemos (da esquerda à direita), espelho da sociedade que representam, a geração dos corruptos e dos pedófilos. A geração que olha admirada o Portugal dos Descobrimentos, um Portugal de portugueses extintos há muito. A geração que nos vai fazer pagar os juros durante anos a fio.
A geração que inventa aumentos quando outros têm cortes, que acha que há Portugueses de 1ª e de 2ª e de 3ª, que está acima da lei e que apesar de privilegiados, querem sempre mais, que acha que deve beneficiar enquanto outros pagam a crise que não é nossa, que acha que o trabalho e o emprego é um bem supérfluo que pode ser desbaratado e precarizado, que pimenta no cu dos outros é refresco...e que o FMI nunca mais vem...
Felizmente há excepcões e ainda há em Portugal quem pense de maneira diferente, quem acredite num Estado Social, num mercado com regras, no SNS, na educação para todos e na política de serviço público feita para o Povo e a favor do Povo.
Ainda existe o Português optimista, apesar de estar em vias de extinção.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O candidato Presidente

terça-feira, 11 de janeiro de 2011 2
É incontornável e não há como fugir ao tema. O caso BPN está a marcar a campanha para as Presidenciais  de 2011.

Como se sabe, o Banco Português de Negócios e o seu fundador Oliveira e Costa, são os clones numa escala e dimensão à portuguesa do Lemahn Brothers e do Madoff americanos. O resto é fácil de imaginar, investimentos com lucros garantidos a percentagens escandalosas, produtos tóxicos e casos de polícia. A única diferença foi que o nosso Governo nacionalizou o BPN, ao contrário do americano, mas ainda assim deixou cair o BPP. Poder-se-á discutir o mérito da decisão, pode-se discutir se não deveria ter nacionalizado também a SLN, sociedade anónima que detinha a maioria do capital do Banco, mas isso fica para outra ocasião, talvez quando Passos Coelho chegar a Primeiro Ministro e já governe como pretende lado a lado com o FMI e Paulo Portas. Aliás, imagino-o a salivar pela entrada do FMI em Portugal, preparando-se a queda do Governo com a ajuda da magistratura activa de Cavaco.
E por falar em Cavaco, o candidato Presidente viu-se confrontado por Defensor Moura, com uma venda de acções que detinha então na SLN. O candidato Presidente, que é político mas diz que não é, o impoluto economista que deu luz verde à nacionalização desse Banco, o autoproclamado arauto da honestidade e que nunca se molha debaixo de chuva, respondeu ao seu interlocutor com a frase "...para ser honesto como eu, tem que se nascer duas vezes". Ora, nesse campo improvável da biologia humana, só encontro Santana Lopes, que já nasceu quatro vezes e continua a andar por aí.
O candidato Presidente que acha que não deve explicações, questionado por Manuel Alegre, outro candidato, chutou para a frente e acusou a actual direcção do Banco de incompetência, esquecendo ou tentando fazer esquecer a anterior direcção criminosa dos seus amigos. 
Confrontado por Francisco Lopes, o candidato do PCP, remeteu para a sua declaração de IRS de então.
De que tem medo o candidato Presidente? Provavelmente não haveria aqui caso político se Cavaco nos brindasse com uma resposta, mas o Senhor Presidente, com a boca a rebentar de bolo rei não consegue responder. E como não responde e a honestidade não se proclama, pratica-se, dúvidas se levantam. Assim, quem o convenceu a investir na SLN? Oliveira e Costa, seu ex-Secretário de Estado, ou Dias Loureiro, seu ex-Ministro e Conselheiro? Porque é que remete para uma declaração de IRS que sabe que  não é pública nem tinha que ser entregue no TC porque nos anos de 2001 a 2003, a que se reportam os factos, Cavaco não exercia funções públicas? Porque comprou as acções a €1 quando outros compravam a mais? Porque remete para uma declaração de 2008 que nada explica?
Eis algumas respostas: o candidato Presidente, a convite dos seus amigos do SLN, investiu e ganhou. Ganhou à volta de €150.000,00 e a sua filha €200.000,00, com ganhos superiores a 75% ao ano. Quem deu ordem de venda dessas acções foi Oliveira e Costa, sabe-se agora. A declaração que fez em Novembro de 2008 diz que nada tinha a ver com o BPN, sabe-se agora que nos estava a atirar poeira para os olhos, não tinha que ver com o BPN, mas sim com a SLN, que controlava o BPN. Honesto?
O candidato da honestidade, acha que é superior a todos os políticos rasteiros e menores, mas se para alguma coisa serviu esta campanha, ela mostra que Cavaco não é o que ele diz que é. E é interessante ouvi-lo falar em campanha negra imaginando o quanto se deve ter rido quando calhou a Sócrates.
O assunto é sujo e o candidato Presidente desta vez molhou-se.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Solidariedade Nacional e Coesão Europeia

terça-feira, 4 de janeiro de 2011 2
Já aqui escrevi no último artigo sobre a falta de solidariedade e de coesão nacional que representava a medida de Carlos César de compensar os cortes salariais nos Açores. Também me insurgi contra a falta de ética que representa a existência de um sindicato que represente os Magistrados do Ministério Público e os Juízes, como órgão de soberania e um dos pilares da democracia que são. E para me dar razão, vieram agora os sindicatos do M.P. e dos Juízes anunciar que vão dar entrada em tribunal de acções para travar os cortes salariais. Ora, em última análise, quem julga essas acções são os juízes, fazendo-o assim em causa própria. Mais um exemplo do país solidário e de valores que somos. Não adianta nada a luta contra a crise, com estes portuguesinhos de  terceira. Só espero a entrada do FMI, para que de uma vez por todas este povo ingovernável saiba que o seu voto não adianta de nada porque quem manda é Bruxelas do eixo Franco-Alemão, que de solidário também não tem nada. E então sim, quando os cortes salariais forem de 10% a 20%, quando finalmente os patrões puderem despedir sem justa causa e sem indemnização, com o consequente maior desemprego, talvez  assim andemos de sorriso aberto na rua.
E volta a questão incontornável: como é que os mercados, agências de rating, bancos e afins, responsáveis pela crise, são os mesmos que ditam as regras e tomam as rédeas da suposta recuperação económica e financeira?
Como é que as agências de rating que aconselhavam a comprar créditos incobráveis, que sem quaisquer escrúpulos valorizavam os 'activos tóxicos' dos bancos, e quanto mais o fizessem mais destes recebiam, são agora as mesmas que valorizam ou não as dívidas soberanas dos Estados? Como é que a União Europeia permite que três agências de notação americanas, regulem o mercado e as dívidas europeias?
É simples, a França a reboque da Alemanha, pretendem salvar o coiro, ainda que isso implique a implosão de um ou dois países europeus, ou mesmo de toda a União Europeia. A moeda única sem a união política e sem a coesão que também vai faltando em Portugal, aliadas à crise de valores e de lideranças fortes e corajosas, está a levar ao colo a China não democrática, mas agora capitalista e sem qualquer respeito pelos direitos humanos. Aliás, a mão-de-obra barata chinesa, contrastante com a subida exponencial e pouco criteriosa dos salários da zona euro e em especial de Portugal ao longo dos anos, permite à China neste momento comprar ao desbarato os países da desmembrada União Europeia, comprando o seu silêncio na luta por valores democráticos e de respeito pelos direitos humanos. Os abutres que controlam os mercados continuam a viver á custa dos milhões de contribuintes e de desempregados, á custa dos Estados que permitiram a sua desregulação e agora não têm alternativa a não ser obedecer ao capital e a quem o controla. A crise de ética e de valores veio para ficar, mais tempo que a crise económica e financeira. A ganância capitalista atropela tudo e todos e nós deixamos. A União Europeia perdeu o rumo, e ao mínimo sinal de crise, acabou-se a solidariedade entre estados, o estado-social europeu foi trocado pelo salve-se quem puder, e quem pode salvar-se mandou à fava a integração e os valores sociais que faziam a diferença na Europa. 
2010 foi o ano em que ficou provado que os mercados devem ser regulados pelos Estados, um sem o outro não podem existir, a virtude está no meio.
2011 é o ano em que, ou sabemos o que queremos, ou seremos engolidos pelos charlatães e pelas burlas de mão branca.
Portugal e a Europa precisam mais do que nunca de coesão, solidariedade e  de uma sociedade a rumar para o mesmo lado, separando o trigo e regulando o joio. Precisa de saber quais os seus valores, os que quer seguir, e que com certeza não são os valores da China, da Moody's, da Fitch, da Standard & Poor's, da Goldman Sachs, de Merkel, de Sarkozy e dos mercados capitalistas, gananciosos e desregulados.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A Crise que não é nossa...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010 2
Já muito se tem dito sobre a malfadada crise, apontam-se culpados, esgrimem-se argumentos, debatem-se teorias, inventam-se soluções. O FMI, a UE, os bancos, os mercados, os Estados, etc... É chegada a altura de desmistificar tudo isto.

1- Em primeiro lugar, esta crise nasce da desregulação dos mercados, que na sua sede de ganância e do lucro fácil passaram a controlar o sistema financeiro, com o beneplácito dos Estados e do poder político, que numa espiral especulativa, aliado ao consequente crescimento da dívida pública e do défice orçamental e público, foram enchendo o balão até ao seu iminente estouro.
A crise nasceu nos E.U.A. – meca do capitalismo liberal do banco Lemhan Brothers, da seguradora AIG e do especulador e usurário Maddof - , com início na crise do subprime em que as instituições de crédito americanas concediam empréstimos hipotecários de alto risco, arrastando os bancos para uma situação de insolvência e da especulação imobiliária, e com o beneplácito da sua Reserva Federal no mandato de Alan Greenspan e das famosas agências de rating, que inundaram o mercado com esses produtos tóxicos.
Surgiram os primeiros escândalos financeiros, de bancos e seguradoras que já não conseguiam obter liquidez nem pagar o preço do risco de produtos que não valiam o que por eles se pagava, sem se endividarem até ao limite do rebentamento da “bolha” e consequente falência. Os E.U.A. optaram por deixar cair um dos seus maiores bancos, simultâneamente com a falência de seguradoras e imobiliárias. Obviamente que de seguida, no mercado global em que vivemos, dependente das directrizes e dos ventos favoráveis do grande capital, os efeitos não demoraram a fazer-se sentir.

Afinal, tínhamos sido enganados. Os bancos viviam com dinheiro virtual, feito de especulação, de propaganda, de aposta no risco do lucro fácil, mas sobretudo dos empréstimos que vendiam com empréstimos que faziam. Os juros eram a sua liquidez. De repente, a dívida externa dos bancos, e por arrasto dos Estados, tornou-se insuportável. Os empréstimos no estrangeiro dos bancos para bancos, para fazer face à falta de liquidez real, além de sofrerem uma drástica redução, sofreram um inevitável aumento de juros. Os juros do que se emprestava aos clientes, começou a não chegar para pagar aqueles da dívida externa. Os Estados viram-se forçados a segurar o sistema bancário, fundamental na economia de mercado, injectando capital em alguns bancos, nacionalizando outros, e, por consequência, aumentando a dívida pública. Na Irlanda isso representou a bancarrota. Em Portugal os exemplos do BPP e do BPN.

Os Estados com maior défice e maior dívida pública até então, eram os mais fragilizados. Os periféricos PIIGS. O exemplo português não é nada de que devamos orgulhar-nos. É verdade que vivemos anos a fio acima das possibilidades, com empréstimos sobre empréstimos, com PPP’s, com salários escandalosos de crescimento superior a 10% ao ano, com favores perniciosos e tráfico de influências entre a coisa pública e a privada, com descontrolo financeiro de empresas públicas e privadas, mas também não é caso para baixar a cabeça, enfiar as orelhas de burro e ir para o canto da sala. Existe pior. Muito pior. E não fomos nós os coveiros.
Curiosidade: o nosso Serviço Nacional de Saúde é dos melhores do mundo. De facto.
A Islândia e a Irlanda, países nórdicos e mais desenvolvidos caíram primeiro que nós. A Grécia nem se compara e a própria Espanha está na calha. É falso dizer-se como se dizia que os mercados acalmariam com o pedido de ajuda da Irlanda, baixando as taxas de juro da dívida pública. Já ninguém sabe explicar porquê.
Também não é verdade que saímos prejudicados com a nossa demora a reagir. A Irlanda há um ano reduziu severamente salários de políticos e da função pública e tomou sérias medidas contra a despesa do Estado. Foi alvo de aplausos, mas não houve perdão. Caiu a semana passada. Portugal reagiu tarde e AINDA não se ajoelhou.

Impõe-se uma pergunta: porque há-de ser o estado-social e os contribuintes a pagar os erros, os buracos e a ganância de corruptos, especuladores do mercado? Como é que em dois anos não se aprendeu nada, continuando os Estados reféns dos mercados desregulados tal como estavam? Como é que se transforma a crise do modelo neo-liberal numa crise do estado-social? Como é que se põe em questão um dos maiores avanços civilizacionais dos últimos 30 anos? Eu sei, já são várias perguntas.
Há uma resposta: o mercado quer receber o que esbanjou, e já não há marcha-atrás. O cobrador do fraque não vai mudar de opinião e vai arrasar, confiscar e roubar tudo o que puder aos contribuintes. A política é ditada pelos mercados, pelo BCE, pelo FMI, pela Alemanha cuja despesa pública é das maiores da UE, e por todos os que continuam a ter dinheiro que influencia a tomada de decisões.

E é por tudo isto, que agora devo dizer, que já não estou tão convencido que Portugal não tenha que pedir ajuda ao exterior. Os mercados assim o exigem. A Espanha é a grande meta, e só lá chegam através da Grécia, da Irlanda e de Portugal. Dos dois primeiros estamos conversados, a seguir só posso imaginar. É o preço que temos a pagar por pertencer ao mercado. Há dois anos a UE falava a uma só voz, e incentivava o investimento público, hoje cada um fala por si e a Alemanha por todos mas sobretudo no seu exclusivo interesse, tentando desviar a atenção do seu país e mandando à fava 50 anos de integração europeia. O capitão devia ser o último a abandonar o barco. Confesso que o meu optimismo esmorece a cada dia que passa e se cair a Espanha como parece ser o interesse ainda não sei ao certo de quem, a UE pode ter os dias contados com tudo o que de negativo daí pode advir, nomeadamente a perda de influência no mundo cada vez mais chinês. A troca do estado social europeu pelo modelo de mercado liberal tout-court foi, afinal, o resultado da crise. Money makes the World go around.

2- A entrada do FMI em Portugal significa perda de soberania, de democracia e recessão. A redução de salários passaria de 5% a 10% para 20%, milhares de funcionários públicos no desemprego, flexibilização das leis laborais criando ainda mais desemprego com influência negativa no sector privado. Ignora-se uma das maiores e mais bem sucedidas reformas da Segurança Social em toda a Europa. Os cortes salariais estão feitos, a redução nas prestações sociais também, foi feita alguma reforma das leis laborais em 2008. O FMI quer um sistema de despedimento ao mesmo nível do preconizado por Passos Coelho, que curiosamente esta semana disse não se importar de governar com o FMI. Esquece-se de um pormenor. Não irá governar com o FMI, o FMI é que irá governar por ele. Já agora, Dr. Passos Coelho, não seja demagógico nem populista e compre uma prendinha às suas filhas no Natal. Não faça de nós parvos.

 
◄ Free Blogger Templates by The Blog Templates | Design by Pocket