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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Eusébio

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014 0
Na Grécia antiga o templo onde se adoravam os Deuses era o Panteão. Actualmente, o Panteão é um Mausoléu onde se abrigam os restos mortais de pessoas que se notabilizaram nas mais diversas áreas e elevaram o nome do seu país. Em Portugal, o Panteão Nacional divide-se entre a Igreja de Santa Engrácia em Lisboa e o Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, estatuto reconhecido em 2003 por albergar os túmulos de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I. Recordo que os túmulos de Camões e Vasco da Gama estão no Mosteiro dos Jerónimos.
Feita a  introdução, e porque a questão está em cima da mesa por causa de Eusébio, vários nomes me ocorrem que, falecidos há mais tempo, merecem a sua trasladação para o Panteão Nacional, reconhecida como a mais alta homenagem de prestígio e agradecimento de um povo aos seus heróis e ídolos. Dentre esses nomes os mais consensuais seriam Eça de Queiroz, Egas Moniz, Aristides de Sousa Mendes, Camilo Castelo Branco, José Saramago entre muitos outros. O que importa aqui e neste momento é definir quais são os critérios, as justificações e a sua natureza, para que a alguém possa ser atribuído o estatuto de Panteável. Julgo que esses critérios, para além dos definidos na lei, devem também ser definidos pelo sentimento do povo que os sustenta. Outro critério será o da memória. Porque o mediato é efémero e só o tempo e a história fazem justiça, com o distanciamento necessário dos factos e da verdade. Não me chocaria por aí além que Eusébio pudesse entrar para o Panteão. Numa época de ditadura, de fome e de pobreza, muitas vezes o consolo está nas pequenas coisas. E inequivocamente Eusébio marcou uma geração, elevou o nome do Benfica e da Selecção ao topo, e com eles o país. Poderia usar facilmente o nome de Amália, que pelas mesmas razões de Eusébio já faz parte dos nossos "deuses". A época foi a mesma, a alegria de ouvir um e ver o outro seria a mesma, a fama de Eusébio será porventura ainda maior por esse mundo fora, e ambos foram ícones de um povo subjugado por um regime opressor. Por tudo isto, repito, não sou contra a ida de Eusébio para o Panteão, apenas exigo que os outros vão primeiro. Sem qualquer laivo de elitismo cultural, a memória de um povo e a sua alma não se resume às letras e à política, às artes e à história, são uma mescla de tudo, e são sobretudo o que o povo quiser que seja. O desporto é uma pequena parte dessa memória colectiva, dessa história, e marca como já marcou muitas cenas da história, basta lembrar os jogos olímpicos de 1936 ou os de 1972 e os de 1980, em que o desporto se misturou com a política. Os heróis são assim improváveis. Concedendo facilmente que não é comparável o incomparável, misturar Eusébio com qualquer um dos nomes que acima descrevi é um erro e não pode servir para a discussão em causa. A memória, o sentimento, a gratidão, a notabilidade com que se ergueu acima dos outros, do povo e para o povo, sempre com humildade, sabendo sempre onde pertencia e o levar com ele o nome do país para todo o lado, são as justificações; distintas, sem dúvida de outros notáveis que fizeram, escreveram e pensaram o país, ou que por outras razões como Aristides de Sousa Mendes merecem a vénia dos seus pares. Talvez, ainda assim, a maior justificação possa estar na época em que Eusébio foi jogador de futebol e tudo o que representou para a vivência de milhões nessa altura, aliada ao valor da humildade que sempre cultivou, com amigos e rivais. Essa será a única justificação porque senão o patamar chegaria à comparação com Ronaldo e Mourinho, que como sabemos, de humildes nada têm. Provavelmente Eusébio, do alto da sua profunda e genuína humildade preferiria ficar no Estádio da Luz. A memória colectiva do país vê em Eusébio consagrado o valor da humildade. Para mim chega. Ainda que com todo o circo que rodeou a sua morte. Volto, contudo, a reafirmar que não se pode comparar o que não é comparável, sendo que na minha opinião, o mediato emocional colectivo e popular, sempre fugaz, não se deve sobrepor à maturação que um processo deste género exigirá.
Já quase tudo foi dito e escrito sobre Eusébio. Foi, aliás, repetido até à exaustão por todos os meios de comunicação social. O mediático assim o exige e como se sabe o mediático vende. Desde aproveitamentos políticos, populismos nauseabundos, aparições de lavagem de cara, expressões e tiradas menos felizes, recordo só as de Mozer, Assunção Esteves, Mário Soares e Sócrates, cortejo fúnebre a parar uma capital, Panteão e Avenidas, de tudo um pouco se serviu à mesa dos portugueses. E como eles comem! Nada disso importaria a Eusébio. E essa é a melhor homenagem que lhe posso prestar. Porque gosto de futebol. Teve em campo a mesma atitude que revelou fora dele. Um rei nas quatro linhas, um senhor fora delas. Sempre humilde, foi por isso respeitado por esse mundo fora, admirado por rivais e idolatrado pelos seus adeptos. Não vi jogar Eusébio, mas as imagens que já vi de jogadas e golos de génio, as vénias dos colegas da época e a admiração dos maiores chegam para formar uma opinião. Eusébio foi um dos melhores jogadores da sua época e um dos melhores de sempre. Basta atentar nas estatísticas da sua carreira e nos títulos ganhos. O sentimento de perda de um benfiquista será sempre maior  que o meu, mas ainda assim reconheço em Eusébio uma figura que não teve até hoje qualquer rival (Ronaldo à parte porque a sua história ainda não terminou). Fico-lhe grato por tudo o que fez ao serviço da selecção e nas competições internacionais ao serviço do seu clube. Nos jogos contra o Porto perdoar-me-ão mas não consigo agradecer-lhe. Rest In Peace Eusébio.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A tragédia e o pasquim - diferentes visões da comunicação social

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012 0
1- A tragédia que se abateu ontem num estádio de futebol no Egipto deve ser vista à luz dos recentes acontecimentos ocorridos naquele país. A nossa comunicação social tem cada vez mais uma visão voyeurista no que concerne aos grandes escândalos e tragédias. Ouvi uma jornalista dizer que os adeptos egípcios são muito fervorosos. Uma forma subtil de dizer que são agressivos ou violentos. Acontece que esse fervor já não é de agora. A diferença está sim no tratamento dado pelas autoridades. Quando submetidos a um regime ditatorial e autoritário, os adeptos fervorosos não matavam ninguém. As autoridades regiam com punho de aço e o adepto era quartado na sua missão vingadora. O povo egípcio fez a sua revolução, votou em quem muito bem entendeu e as autoridades sabem que agora quem manda é o povo. Óptimo, digo eu. O pormenor está na falta de liberdade de expressão que manietou durante décadas os egípcios. A liberdade chegou de uma só vez, e num povo maioritariamente árabe, com fortes restrições religiosas e após décadas de uma ditadura autoritária, também ela aproveitando a religião como truque de sistema, o povo egípcio ainda não sabe viver em liberdade (Portugal é livre há quase 40 anos e ainda não sabe; e esteve perto da guerra civil em 1975). Certamente irá aprender, mas excessos destes não são culpa do futebol. A maioria das vítimas são agentes de segurança e da polícia, e isso diz tudo acerca da maneira de como os egípcios vêem a autoridade.
O povo da Síria é martirizado todos os dias, morrem aos milhares, trucidados e assassinados, e não vejo nenhum directo ou programa de comentadores residentes ou não na comunicação social. Há muitos Murdoch's por aí...

2- Atalho de foice, o pasquim 'A Bola' trazia na capa de segunda-feira o seguinte título "Galo amigo da Águia". Sem tirar o mérito ao Gil Vicente, sem passar uma esponja na inexistente exibição portista, ignorou o pasquim propositadamente a influência negativa dessa vuvuzela que dá pelo nome de Bruno Paixão, ao não assinalar duas grandes penalidades consensuais a favor do FCPorto e ao validar dois golos ilegais ao Gil (o primeiro golo nasce de uma falta que não existe, e o segundo é precedido de fora de jogo). É muita coisa a ser ignorada.
Como ignorados foram os alegados comentários racistas dirigidos por Javi Garcia a Alan. Não sei se existiram ou não, mas pelo menos um inqueritozinho era o mínimo. Vejam aqui o tratamento inglês dado à questão e o que foi dado por um grande benfiquista aqui.
E como quase ignorada foi a declaração do grande Rei Eusébio de amor eterno benfiquista, talvez para justificar o cachet de embaixador, mas que de profissional não tem nada: "Já tinha avisado o treinador do Beira-Mar, o Manuel de Oliveira, que não ia rematar à baliza. 15 minutos antes do jogo fui ao balneário do Benfica e avisei para que não se preocupassem, pois não ia marcar golos. Não rematei, não marquei faltas nem grandes penalidades... andava lá no campo só a passar a bola aos outros. E nesse ano o Beira-Mar ganhou ao Sporting e o Benfica foi campeão". Se fosse um jogador conotado com outro clube?!?!
A comunicação social paga a pessoas para escreverem artigos de opinião e para comentarem segundo a sua visão. A comunicação social tem que ser isenta. Não quero com isto dizer que 'A Bola' é o único a usar este tipo de jornalismo desportivo, muitas vezes provocador, mas que abusa lá isso abusa.

Declaração de interesses - Sou adepto e sócio do FCPorto mas reconheço que o Benfica está na frente do campeonato por mérito próprio. É que ainda há quem justifique com as arbitragens as vitórias inquestionáveis do FCPorto e isso irrita-me... (mesmo quando o 2º classificado ficava a vinte e tal pontos de distância e quando era campeão europeu - o que aconteceu nos anos do famoso apito dourado - curioso que toda a gente agora é adepta do Mourinho).

 
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