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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A agenda que regressa

quinta-feira, 3 de novembro de 2016 0
A Comissão Europeia enquanto comandada por Durão Barroso e já no tempo de Juncker, tinha um acordo secreto com a França para a ajudar a encobrir os défices excessivos. Passava assim a França por país cumpridor. Mais ou menos como o Lehman Brothers fez com as contas da Grécia. O Lehman Brothers para onde foi o Durão trabalhar. Não há coincidências...
Mas, como disse um dia Schauble "A França é a França". E Herr Schauble, o arrogante e xenófobo ministro das finanças da Alemanha, cada vez que abre a boca é para amesquinhar os mais pobres, os mais indefesos, as nações europeias que nunca destruíram a Europa como o seu país fez por duas vezes, e que agora pretende enterrar-nos na sodomia financeira dos ricos e poderosos. As nações que se afundaram numa moeda que cultiva a divergência económica e social entre os povos que deveria unir. Iludidos por promessas de desenvolvimento e união. Confiantes em completar o ideal europeu.
Herr Schauble não gosta de latinos, nem de gregos, tal como outros no seu tempo não gostaram de judeus, negros e ciganos. O racismo e a xenofobia são as armas que voltam à propaganda e à agenda política. O golpe no Brasil, a incrível possibilidade de Trump, os Herrs...
Assim vai a Europa dos czares e dos chanceleres. O Reino Unido tem à partida um povo bem mais inteligente do que aquilo que seria de esperar. E se discordei do BREXIT, neste momento nem sei se concordo com a UE. Essa, onde todos os dias e todas as noites morrem milhares de refugiados nas suas costas.
A agenda política dos herr's e dos chanceleres, vira-se então para os mais indefesos. Ameaçam com castigos e têm nos media por eles controlados, a sua voz da propaganda. A Comissão Europeia podia ter um comissário da propaganda, a lembrar tempos mais sombrios, que estão de volta, ninguém duvide.
Veja-se o caso português, que de tão bom aluno em querer ir mais além que a troika, não quis renegociar a dívida e agora paga por ano mais 1% de juros que a própria Grécia!, deixou o seu sistema bancário por capitalizar, e endereçou o problema para o governo que viesse a seguir fechar a porta. O Banif e a CGD certamente bombas nas mãos do anterior governo, estavam como se desconfia agora, protegidos pela CE e por Schauble para a saída limpa, com a esperança de serem eleitos outra vez, para continuar as políticas de terra queimada de comissários e alemães. Schauble, que não cala a cremalheira, lá veio dizer mais uma vez, muito aziago e sem esconder o fel dos dentes, que o governo anterior é que era... Eu percebo, caro Herr, o Costa não estava nos planos... e ainda há quem resista ao desmantelar do estado social europeu!
Aliás, o caso de Sérgio Monteiro, nomeado “vendedor” do Novo Banco por um governo demissionário de que era secretário de Estado e que quase todos põem em causa as suas habilitações curriculares para a tarefa, está a receber, para fazer ninguém sabe muito bem o quê, quase 30 mil euros mensais. António Domingues foi nomeado para presidente da CGD por este novo governo, com a missão urgente de tratar da sua recapitalização. Vai ganhar um salário segundo o mercado. Ninguém critica a sua competência técnica e profissional. Mas eis que, a agenda política da direita mesquinha de Passos e Cristas, habituados a lamber as botas da direitalha alemã, logo tratam de pôr na agenda mediática o salário do gestor da CGD, arredios de saber se isso será contra os interesses da Nação, pois a recapitalização da CGD é uma urgência que não lhes assiste. A sua agenda política, acouraçada na agenda mediática, dá para ir fazendo casos e casinhos de coisas que não deveriam ser assunto. O populismo é assim e a isso obriga. Nos sites do “Público” e do “Diário de Notícias” as referências ao salário de António Domingues foram cinco vezes superiores às do salário de Sérgio Monteiro. Nos do “Expresso” e da TSF foram três vezes mais. No do “Correio da Manhã” seis. Nos canais de televisão a proporção deverá ser ainda mais 'favorável' a Domingues. A desproporcionalidade de tratamento entre este governo e o anterior leva a desconfiar de parcialidade que já todos sabemos existir em toda a comunicação social, porque ela também está a soldo dos grupos económicos que são seus donos. Daí a tentativa de Passos em privatizar a RTP e tudo o que mexesse. Directivas ideológicas, lesa-pátria, criminosas, para agradar aos fascistas no poder.
Assistimos a um cerco político que resulta, antes de tudo, do facto de António Costa ter integrado o PCP e o Bloco no arco da governação, dando muletas a uma esquerda coxa há mais de 40 anos. Essa é a razão de fundo para a parcialidade da comunicação social, que foi especialmente visível nas vésperas do Orçamento de Estado, onde cada pequena informação ou sugestão foi transformada num assunto nacional para depois do Orçamento apresentado (e esvaziadas quase todas as polémicas) rapidamente passarmos para outros assuntos e pequeninos escândalos. Até se chegar ao ridículo de se dizer que o Orçamento para a Educação tinha sido reduzido, alimentou-se a comunicação social e os 'paineleiros' e depois analisam-se os gráficos e afinal aumentou 180 milhões de euros.
Vão continuar a criar casos, a alimentar escândalos, a fomentar os media. Até se afundarem nas suas próprias vísceras...

terça-feira, 25 de agosto de 2015

O mundo em que vivemos

terça-feira, 25 de agosto de 2015 0
Continuamos a assistir estupefactos às repetidas tragédias ocorridas com refugiados do Médio Oriente e de África.
A situação de catástrofe humanitária tem vindo a degradar-se de forma insustentável e a violação dos direitos fundamentais da pessoa humana pode assumir proporções e consequências inimagináveis.
A ONU e a Europa optam por empurrar com a barriga, de país para país, ignorando propositadamente o auxílio e solidariedade para com os refugiados. A tudo isto não será estranho a crise social, de emprego e de valores que teima em fazer parte do quotidiano europeu, com divisões impulsionadas pelos que tudo querem e a todos tiram, a coberto de uma solução de austeridade, de humilhação e de propaganda que só tem paralelo nos idos da segunda grande guerra.
São milhares e milhares de seres humanos, a viver na mais profunda miséria, sem terem acesso aos recursos mais básicos. Fogem da guerra e da fome, procuram liberdade e paz.
A opção pela construção de muros e vedações que impedem a inclusão e a solidariedade é o traço marcador do mundo global em que vivemos, e em que o capital é o denominador que verdadeiramente interessa, deixando milhares de cidadãos, homens, mulheres e crianças, à mercê do negócio feito à custa da dignidade e vidas humanas.
As crises políticas, económicas, sociais e religiosas que devastam essas comunidades foram, em muitos casos, consequência da irresponsabilidade internacional, bem como de um especulativo mercado financeiro global que fomentou a exploração, a guerra, a divisão e a miséria social. E para quem julgava que na Europa da prosperidade e solidariedade jamais se cometeriam os erros do passado, pois bem, eles estão aí a bater-nos à porta. Bastou que a especulação do mercado desregulado perdesse o seu capital de risco. A solidariedade, a compreensão, a integração, os valores da Europa, logo ficaram em segundo plano perante a urgência de recuperar com juros os lucros e as fortunas perdidas. Ainda que à custa de alguns países e do empobrecimento e da miséria de milhares de pessoas.
O Mediterrâneo transformou-se num imenso cemitério e o Túnel da Mancha num dos mais degradantes exemplos da intolerância, da exclusão e do abandono de milhares de seres humanos.
A paz na Europa já não é uma certeza absoluta... e a culpa é do sistema especulativo e desregulado em que nos disseram que era melhor vivermos. Um sistema que verga Estados e atropela toda a gente em nome do capital...
Ainda ninguém lhes disse que na Europa só falta a guerra, porque miséria, pobreza e desemprego estão a sobrar para todos... e os valores da Europa já não são aqueles que lhes contaram que eram... não são muito diferentes daqueles dos países de onde vieram, a Europa hoje não é solidária, não é unida e o racismo e a xenofobia são valores cada vez mais emergentes. Esta é a Europa em que vivemos. O mundo de onde vieram todos esses refugiados, também já cá está, no nosso quintal... bem vedado claro!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A crise da Europa, do país e do PS - Por uma narrativa alternativa

quinta-feira, 3 de julho de 2014 0
A construção europeia, foi, nos últimos anos, uma das maiores vítimas da crise internacional. A resposta da zona euro assente na austeridade e em políticas restritivas e depressivas subjugou o ideal europeu aos interesses de alguns países mais fortes, numa atitude defensiva que passou por cima das instituições e obedeceu aos ditames de tecnocratas, do CE e do diktat.
A presidência de Barroso, moço de recados dos referidos mandadores sem a legitimidade das urnas, permitiu sempre com total complacência que as decisões fossem tomadas por pessoas que apenas representam os interesses dos seus países, sem visão de conjunto e sem coragem.
A falta de democraticidade no seio da União, em que as decisões não são tomadas pelos organismos realmente eleitos pelos cidadãos europeus e a quem teriam que prestar contas, torna o eurocepticismo numa realidade profunda e ambígua, com os resultados desastrosos que se conheceram nas últimas eleições europeias, nomeadamente em França. Quando os cidadãos europeus viram as costas às suas instituições por entenderem, bem, que o seu voto não os representa nem tem qualquer utilidade, é a própria UE que está em risco. A falta de visão progressista (por oposição à do ritmo da austeridade) e a falta de legitimação dos órgãos da UE, açaimados por uns poucos em benefício próprio, estão a minar toda a construção europeia.
O actual estado da zona euro está assente na tal visão egoísta, neoliberal e monetarista que torna inviável o projecto social europeu, muitas vezes promovendo a sua destruição, que levou 50 anos a construir e permitiu cinco décadas de paz na Europa. Visão seguida pelos governos pobres de espírito, alunos engraxadores, ansiosos pelo reconhecimento dos seus mestres. Senhores de uma coluna vertebral elástica, de vénias contorcionistas aos fortes, e de braço de ferro com os fracos. Para defender o Estado social europeu, o caminho é o de romper com esta direita no poder, que não merece consenso. Nem no projecto europeu, nem na receita aplicada, muito menos na visão do futuro.
É essa a esperança que deposito em António Costa. Um líder forte, que não se anule durante 3 longos anos, precisamente quando todas estas questões estavam em cima da mesa. Que não use truques para se perpetuar no poder, que não se esconda nos estatutos que inventou para ele, que não ponha em causa o futuro do seu partido e por conseguinte o do seu país, trocando-o por ambições pessoais mesquinhas de poder. Que crie finalmente as pontes da esquerda, coxa anos a fio. E, que sobretudo, não se conforme com a narrativa que a direita vem apregoando. A narrativa segundo a qual Portugal não soube adaptar-se à moeda única, porque viveu acima das suas possibilidades, porque não fez as reformas necessárias, porque foi despesista, por causa da insustentabilidade do Estado Social, por causa das PPP's. Esta narrativa assenta na ideia que a nossa crise é interna e das finanças públicas. E esta é a narrativa que grassa na Europa. E assim sendo a austeridade é de facto a única solução. Seguro nunca foi capaz de desconstruir esta tese, seja por inabilidade, seja por nunca ter feito as pazes com o seu passado de opositor de Sócrates, visando sobretudo proveitos eleitorais.
Desde a década de 90 que Portugal tem acumulado dívida externa, sobretudo privada. Com a crise financeira internacional de 2008, o sistema através do qual essa dívida era financiada, com especial relevo na banca, implodiu. Após a intervenção dos estados, incentivados numa primeira fase pela zona euro (BPN e afins), o que era uma crise da balança comercial transformou-se numa crise das finanças públicas e das dívidas soberanas, com o aumento das taxas de juros exigidas pelo esbulho e pela ganância dos credores e dos mercados. A crise das finanças públicas não é uma causa, mas sim a consequência e o efeito da crise. Basta atentar que nos 3 anos anteriores ao início da crise, Portugal conseguiu atingir um défice público inferior a 3%. Portugal tem os seus pecados e exageros, é certo, tem vários problemas de nível estrutural, mas tem sobretudo fragilidades expostas por uma crise internacional que pôs a nu as contradições e a incompleta integração da moeda única, sem os mecanismos necessários que possam igualar os diferentes estados.
Seguro sempre jogou o jogo do adversário e por isso nunca foi capaz de se constituir como alternativa e desmontar a narrativa simplista do governo, que impõe aos prevaricadores (todos nós) a austeridade como castigo. Neste preciso momento arranjou um verão quente ao PS, de todo desnecessário, e que poderá trazer ainda mais surpresas desagradáveis (as primárias não constam dos estatutos e como tal poderão ser ilegais e impugnadas por qualquer militante). António Costa já se posicionou no terreno do combate à narrativa da direita, sem medo das consequências ou do passado do seu partido. E essa é a diferença, essa é a alternativa.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Europeias?

quarta-feira, 21 de maio de 2014 0
E de repente parece que no próximo domingo há eleições europeias. Parece. Porque na verdade o que se discute  nada tem a ver com a Europa ou com o papel que cada um defende para o que seja a sua intervenção futura ou para o que foi a sua intervenção na crise. Como sempre em Portugal a politiquice rasteira e mesquinha continua a sobrepôr-se ao debate de ideias.
Sabemos que o candidato da Aliança Portugal, Paulo Rangel, antes de o ser, era crítico das medidas de austeridade cegas e brutais impostas pela UE e pelo diktat alemão e aplicadas pelo governo que sempre quis ir além da troika. Mas o lugar à sombra da bananeira do parlamento europeu fez com que invertesse a tendência e passasse a defender com unhas e dentes a acção governativa e a panaceia imposta. Talvez por isso, tenha também decidido retirar das suas intervenções de campanha, qualquer alusão aos problemas da Europa e à forma como esta decidiu combater a crise com a devida vénia do governo em funções. Preferiu o confronto revanchista com o "vírus socialista" e o ataque cobarde ao do costume, Sócrates. Portas aliou-se ao ataque e reafirmou a ideia de um exame a Sócrates em forma de uma indignação redireccionada, "Sócrates, o pai da troika", disse. Mas se quiseram ir por aí, a troca por um exame a Sócrates talvez acabe por se revelar uma surpresa. A estratégia assenta fundamentalmente num esquema de tapar o sol com a peneira, desviando as atenções da verdadeira indignação latente. Ninguém nega que as eleições europeias são sempre um exame intermédio à política nacional. Na verdade, já passaram três anos desde o chumbo do PEC IV, o pedido de ajuda externa e a chegada ao governo de Passos Coelho, Gaspar, Relvas e Portas. A perspectiva que os portugueses têm hoje desse período é muito diferente da que tinham então. Estaria o PEC IV em condições de evitar uma ajuda externa e uma passagem pela crise mais tranquila para os portugueses? Evitaria os números trágicos de desemprego, de défice, de emigração, de recessão e de aumento de impostos?  Sabemos que tinha o aval da UE e de Merkel. Sabemos que Passos aldrabou tudo o que podia na campanha eleitoral para chegar ao governo. Mas também é certo que com o PEC IV e outros que se lhe seguiriam, com certeza, a política seguida e a vida dos portugueses teria sido bem diferente. E de certeza absoluta que nos teríamos poupado a Relvas, Gaspar e ao vice Portas. Mas o que é mesmo certo, é que Portugal tem o que merece. Em nome de uma vingança e de um ódio que apenas se explicam pela inveja e pelo medo, inveja pelo que foi feito, medo que o povo se aperceba do logro em que caiu.
Marcelo entrou na campanha para dizer que não vota em Rangel nem em Nuno Melo, vota na Aliança que apoia Juncker, o 'luxem-burguês' que disse que "pessoas são iguais a mercadorias ou capitais". Esclarecedor.
No momento em que se impunha um debate sério e esclarecido sobre o papel da UE e sobre a forma de resolver a crise, ou sobre a fórmula que foi aplicada até aqui, a discussão política nacional é sempre mais redutora.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A ameaça europeia

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014 0
O projecto europeu que agora se desmorona foi uma das melhores ideias do século passado. Morta ao primeiro sinal de crise e às mãos dos alemães e seus aliados, com o escárnio dos ingleses e o chauvinismo dos franceses. O idealismo do projecto de uma União Europeia caiu juntamente com a solidariedade dos ratos que abandonam o navio ao sentir o primeiro sinal do seu afundar. A moeda única, sem mecanismos de defesa e igualdade para os estados membros mais fracos, foi o iceberg responsável pelo primeiro rombo e no agudizar das diferenças entre ricos e pobres. As instituições europeias, eleitas pelos cidadãos europeus, reféns do diktat alemão que ninguém elegeu, não passam de verbos de encher melhor personificadas na marioneta que dá pelo nome de Durão Barroso.
Uma Europa desafiada pelo nacionalismo e xenofobia da Suíça e sem qualquer poder argumentativo ou persuasivo nas relações internacionais, como se viu no caso ucraniano em que quem dita as regras do jogo são os EUA (estarão recordados certamente das célebres escutas do "fuck EU") e o FMI. Uma Europa que viu recentemente a Islândia dar um passo atrás no seu pedido de adesão pressentindo a ameaça do roubo descarado que os países mais fortes impõem aos 'irmãos' mais fracos.
Nestas circunstâncias não é de estranhar os sucessivos apelos de Passos Coelho ao PS para um consenso. E compreende-se porquê. Passos Coelho tem medo da saída limpa ao ser deixado por sua conta e risco perante os mercados e sem a rede garantida das taxas de juro do BCE. Passos Coelho sabe que assim que sair a troika, Portugal será largado às feras sem qualquer condescendência ou solidariedade por parte dos parceiros que lhe passaram a mão no lombo até ao momento. Já fizemos a nossa parte e eles a deles. Nós entregámos e demos tudo, destruímos o estado social (SNS, escola pública), a nossa rede produtiva, a economia, o sector público (justiça) e a classe média, empobrecemos o factor trabalho, as pessoas e o país e vendemos os nossos sectores estratégicos, eles receberam tudo com juros.
Por isso as próximas eleições europeias são tão importantes. É a diferença entre haver um novo paradigma na construção europeia e de quem o defenda, ou a continuação do desmoronamento da Europa. É, meus amigos, quer se queira quer não, a diferença entre ganhar a esquerda, ou a direita no poder.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Está tudo doido

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014 0
Aconselha o bom senso que as pessoas só falem daquilo que sabem, e ainda assim, principalmente no caso de serem titulares de órgãos públicos, a falar com prudência num discurso que se exige esclarecedor.
Ora, a histeria colectiva que se vive em Portugal e na Europa é um caso do foro psiquiátrico que não deixa espaço a uma discussão sadia sobre o papel do país na Europa e do Estado no e do país. Enquanto se vai empurrando com a barriga, toda a atoarda propagandista serve para camuflar a realidade. Vai desde um vice primeiro ministro que a pretexto de classificar e enaltecer a grande obra feita nas exportações, recorre a um porta-aviões figurativo, ele que viu um processo de submarinos afundar-se nas entrelinhas do nosso sistema de justiça. E como nós sabemos! que o desempenho das exportações ou o aumento do consumo privado nada tem a ver com algo de concreto que este governo tenha feito, mas antes se deve ao que o TC desfez. Ainda Portas se preparava para desenvolver a propaganda eleitoralista de baixa de impostos em 2015, sublinhando assim o milagre económico anunciado por Passos Coelho que permitiria uma saída limpa (ou suja conforme o ponto de vista), e já o FMI e a Comissão Europeia desfaziam com os pés toda a narrativa que se desenhava no governo e partidos da maioria. Um valente puxão de orelhas nos meninos de coro e até aqui bons alunos que já se preparavam para afrouxar o cinto e voltar aos pecados de antigamente. Assim como quem diz que a supervisão parental vai continuar. O relatório da troika afirma ainda que a austeridade é para manter por muito tempo e ainda urge baixar mais os salários, anunciando um corte de 3 mil milhões de euros para este ano que ainda ninguém tinha descoberto. O empobrecimento que está a destruir o tecido social e empresarial do país é para manter, por mais que se faça mea culpa. Os soluços da pequenada ainda se ouviam quando apareceu o líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, a dizer que "a vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor", como se fosse possível um país sem pessoas. Mas é nisto mesmo que eles acreditam, chegando até ao desespero de, com o intuito populista de disfarçar as medidas menos boas, inventar coisas no memorando inicial, para assim conseguir sacudir a água do capote imputando-as ao Sócrates do costume. Assim sucedeu com o mapa judiciário.
Mas há mais, desde a esquizofrénica proposta de Assunção Esteves de pedir a mecenas para patrocinar as comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, passando pela absurda proposta de Seguro de criar um tribunal especial para grandes investidores e acabando na CPLP que irá permitir a entrada na comunidade de um país que tem um regime ditatorial e sanguinário e onde se fala tudo menos português (Guiné Equatorial), em troca de 150 milhões de euros para o BANIF. Quero ver o escabroso Acordo Ortográfico a ser assinado e ratificado pela Guiné Equatorial, e assim será assinada de vez a sua sentença de morte que já começou a ser escrita pelo Brasil. Tudo está à venda e está tudo doido...

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Thatcher e o início da crise

quarta-feira, 10 de abril de 2013 0
Excluindo raras excepções, a morte de uma pessoa não deve ser celebrada. Ocorrem-me alguns nomes cujo desaparecimento são dignos de festa de arromba: Hitler, Mussolini, Estaline, Pinochet e, entre nós, Salazar.
Esta semana morreu Margaret Thatcher. Houve elogios à sua memória e celebrações da sua morte. A Primeira ministra britânica entre 1979 e 1990 ficou conhecida como a Dama de Ferro. Esta é uma morte que não deve ser celebrada, porque não se compara aos exemplos acima referidos, no entanto o seu percurso político não é digno de elogio. Muito pelo contrário. Thatcher que um dia disse que Nelson Mandela era um terrorista ficará para a história como a mãe do neoliberalismo que está na origem de toda a crise dos Estados que agora vivemos.
A par com Ronald Reagan nos EUA, Thatcher foi responsável pela política mais liberal de sempre. Uma agenda radical de desregulação financeira da banca e do mercado de trabalho. A sua agenda política, de que agora Gaspar e Passos Coelho são seguidores, ainda que tal esteja na origem de toda a crise mundial, assentava nas privatizações do sector empresarial do Estado e apostava na guerra ao Estado social e aos sindicatos. Reduziu o Estado social a um mínimo quase intolerável e reprimiu com punho de ferro as greves dos mineiros, chegando a limitar o direito à greve. Tudo isso, a acrescentar à recessão e ao desemprego levou à sua quase imediata impopularidade. Mas foi salva pela guerra das Malvinas. Com a vitória sobre a Argentina em 1982, conseguiu ser reeleita para o cargo e continuar a sua política, que, anos mais tarde, nos EUA e na Europa levaria à crise económica e financeira mais grave da história recente da humanidade.
Foi com Thatcher que o neoliberalismo nasceu na Europa, e com ele a entrega do poder económico e financeiro aos usurários, investidores e banqueiros, retirando-o da alçada do Estado e da política. Foi com a Dama de Ferro que a política começou a submeter-se ao poder financeiro do capital e do monetarismo em vez de ser ao contrário. O poder político, que está ao serviço do Estado, ficou refém do poder económico e financeiro. Ao submeter o poder político à vontade do capital especulador e desregulado submete-se o Estado à vontade da economia, que devia servir o homem e não o seu contrário.
Foi também com Thatcher que a Inglaterra se auto-excluiu da UE e do euro. No entanto, a sua política é a utilizada (agora mais requentada) para fazer face à crise económica e financeira e da dívida soberana dos Estados e de que a mesma é responsável. É uma contradição insanável de que ninguém tem 'tomates' (assim mesmo) para denunciar. A falta de líderes corajosos e a falta desse poder político agora submetido à vontade do poder financeiro fazem com que a Europa não consiga sair da crise. Os resultados estão à vista. Recessão, défice, dívida pública, desemprego, pobreza. Guerras começaram por bem menos, e não vejo luz ao fundo do túnel, porque o túnel continua a ser escavado.

terça-feira, 26 de março de 2013

Norte e Sul

terça-feira, 26 de março de 2013 0
A guerra da secessão norte americana teve na sua génese a escravatura e o racismo que os estados do sul defendiam e os do norte queriam abolir. Ganhou o norte para bem da humanidade.
As duas guerras mundiais do século XX tiveram como protagonista a Alemanha imperialista e xenófoba. Perdeu das duas vezes para bem da humanidade.
Em pleno século XXI assiste-se à guerra financeira no seio de uma UE que devia ser solidária e igual entre estados. A UE não é um Estado federado, e portanto, apesar de haver uma moeda única, não se põe em questão uma secessão. Não existe o perigo de declarações unilaterais de independência porque os estados são independentes, fora os que tiveram ou têm intervenção da troika.
A Alemanha entrou para a UE sob pressão da França, de modo a conseguir controlar o seu poderio económico e militar. Com receio do que lhe tinha acontecido anos antes. Chipre entrou na UE sob chantagem da Grécia.
Num caso e noutro, a França e a Grécia acabaram por sucumbir a um maior poderio da economia alemã e aos seus próprios erros, que a Alemanha jurou nunca mais cometer.
Sem ter medo das palavras, o imperialismo alemão é de novo uma realidade. Desta vez por uma via menos bélica. A diferença entre o norte e o sul da europa acentua-se à medida que a crise se desenvolve. A Alemanha que controla o BCE, define a intervenção nos países periféricos, mais pequenos e mais expostos. Repare-se como, apesar de urgente, em Espanha e Itália não houve resgate como em Portugal e na Irlanda. Mas a austeridade fez-se sentir quase nos mesmos moldes.
A última novidade é o assalto a Chipre. Duas notas prévias. O Chipre é um paraíso fiscal de lavagem de dinheiro, sobretudo russo. Chipre tem das maiores reservas naturais de gás natural. Os depósitos bancários do Chipre representam quase 900% do seu PIB. Chipre comprou massivamente dívida pública grega. A banca deu o estouro, e naqueles termos, obviamente o país. Qual a solução encontrada para impedir o domínio russo sobre o país e consequentemente sobre o seu gás natural? O confisco das contas bancárias. O que se segue? A fuga de capitais que a Alemanha e a Holanda já se ofereceram para receber. Percebem?
O Eurogrupo, ordenou este assalto a Chipre com o beneplácito de Gaspar, que por ser ministro das Finanças dele faz parte. Votou a favor. Dijsselbloem, o holandês presidente do Eurogrupo disse no domingo que a forma de resgate a Chipre é uma nova forma de resolver os problemas na banca da zona euro. O ministro das Finanças alemão Schauble, disse ontem que os críticos do sul têm inveja da Alemanha.
Norte e Sul, duas europas, e a UE que já não é união nenhuma. A Alemanha paga muito. É verdade. Mas lucra bem mais... Não se iludam. Este assalto às contas bancárias é uma nova forma de comprar um país que só representa 0,2% do PIB da UE. O norte da Europa, impediu a Rússia de controlar o Chipre, comprando-o. E prepara-se agora para enriquecer a sua banca, com a inevitável fuga de capitais do Chipre. O confisco dos depósitos é o maior assalto da história. Um assalto sem precedentes e perigoso. Os líderes europeus ainda não perceberam que as suas acções e sobretudo omissões, serão o fim da UE e o dos ideais que a construíram. Agora juntaram a desconfiança à desesperança.
Acrescente-se ainda que o único órgão que é eleito pelos cidadãos europeus, o Parlamento Europeu, não tem qualquer poder nem voz activa no processo e a Comissão Europeia é subserviente aos desígnios alemães. Quem manda na Europa é o Eurogrupo, e o BCE e quem manda nestes é Merkel. A UE tem falta de democraticidade. É uma amálgama de órgãos inúteis, a que se sobrepõe o diktat alemão.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Morreu um ditador

quarta-feira, 6 de março de 2013 1
Morreu Hugo Chávez. Morreu um ditador. Apesar de nutrir alguma simpatia pelo homem que sempre disse de Bush Jr. o que ninguém tinha coragem para dizer, a verdade é que deixou o seu país na pobreza, mesmo nacionalizando a maioria dos factores de produção, com especial destaque para o petróleo. A sua veia pouco democrática de poder absoluto, de controlo do Estado e de plebiscitos duvidosos é um factor que não pode nem deve ser ignorado. Morreu um ditador. Que usou a propaganda e o populismo como todos os ditadores o fizeram no passado. Aproveitando as crises, económica e financeira, do capitalismo (de mercado e liberal) e dos valores da democracia.
Assim sucedeu, como a história nos faz questão sempre de lembrar, há quase um século. Na Alemanha, na Itália e em Portugal. Em Espanha e na América Latina. Na África e na Ásia. Na URSS.
Na ressaca da I Grande Guerra, o desemprego e a pobreza eram os principais problemas da Europa. Na Alemanha o desemprego atinge os 33% nos princípios dos anos 30. As reparações de guerra e o tratado de paz de Versalhes com perda de território e de população é visto como uma humilhação. As convulsões antidemocráticas e contra a I República de Weimar fazem proliferar os grupos paramilitares e extremistas, entre eles o nazi da Baviera. A onda antidemocrática e antirrepublicana varre o país. A desvalorização do marco e a hiperinflação transformam burgueses em mendigos e especuladores em milionários. A austeridade esmagava o povo e protegia as classes mais abastadas. Entretanto dá-se o crash da Bolsa de Nova Iorque em 1929, o crédito fechou as torneiras e a recessão agrava o que já era grave. Um jovem aproveita a onda e munido de propaganda e populismo promete fazer da Alemanha um império (Reich). Esse jovem chamava-se Adolf Hitler.
À semelhança da Alemanha, na Itália as críticas aos partidos, ao funcionamento do parlamento e aos deputados, ao próprio regime democrático, a crise económica, a crise de valores e de referências são capitalizadas por um orador capaz de inflamar e influenciar as massas, levá-las ao delírio. Dotado de um grande sentido cénico aparece Mussolini.
Em Portugal a I República que chegou a ter três presidentes no mesmo dia está em crise de identidade. De valores. A crise económica e o desemprego levam a um nível nunca visto de emigração. A propaganda fez um homem. Salazar. O resto da história já sabemos.
Nos EUA um homem segue as teorias keynesianas de luta contra a crise. Investimento público, criação do sistema de segurança social, foi lançada a génese do Estado-providência, do Estado social. Foi o New Deal de Roosevelt. A seguir à II Grande Guerra os EUA conheceram uma das épocas de maior prosperidade da sua história. Até Reagan e a mudança de políticas. Já agora, reparem na diferença entre as políticas seguidas na Europa e as dos EUA. Há quase um século e agora. Obama já começou em força o investimento público. A Alemanha começa a reforçar o seu Estado social, enquanto impõe políticas de austeridade à Europa. O diktat de Versalhes é agora o diktat da Troika. Porque a Alemanha jurou nunca mais ter dentro de portas o hiperinflacionismo que a amordaçou antes da II Grande Guerra. As semelhanças com o passado entre esta Europa e aquela de princípios do século XX são assustadoras e muito preocupantes. É bom que os políticos saibam ler os sinais vindos de todo o lado, para já com maior alarme, de Itália.
A propaganda e o populismo que já se pode ver por essa Europa fora, v.g. Grillo em Itália, é um perigo à espreita. O défice de confiança na política e a austeridade castradora de direitos, liberdades e garantias, aliadas à falta de resposta dos líderes em funções, podem levar a uma onda de independentes dispostos a cavalgar a onda da pobreza e da crise. Está nas mãos de quem elege escolher com sabedoria. Para não aparecerem mais grilos falantes a bloquear democracias. E, sobretudo, para que a história não se repita.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O salva-vidas que espera pelo afogamento

quarta-feira, 28 de novembro de 2012 0
O barulho... tanto ruído... todos falam e ninguém se entende, mas sobretudo o que espanta é que não haja acção. Cimeira após cimeira, conselho atrás de conselho, reunião depois de reunião e a Europa não consegue um salto de fé que a faça unir-se em volta de uma ideia que já foi muito boa. À falta de responsabilidade de uns junta-se a falta de solidariedade de outros, a magna carta social e democrática, de expansão e desenvolvimento foi substituída pela cartilha de intenções e destruidora de um estado social que ninguém está disposto a continuar a pagar. Ou está? Na Alemanha o estado social avança e aumenta sob a égide da austeridade. Se é verdade que são eles que pagam, também é verdade que são eles que beneficiam. E não se iludam, vão receber em juros, muito mais do que pagarão. Aí não corremos o risco que a torneira feche. O risco é que a situação se prolongue ao largo do Atlântico, em países com água pelos joelhos, sem esperança e amordaçados, esperando que a água não suba.
O que o OE de 2013 faz à economia em Portugal é virar o país dos avessos, de pernas para o ar, e onde a água chegava aos joelhos, chegará ao pescoço porque a cabeça está dentro de água. O afogamento é mais que previsível, menos para os salva-vidas embriagados de ideologias cegas, que olham do alto da cadeira, avaliando sem trégua, se o resultado  por eles estimado será um ou outro, ansiosos pelos amanhãs que hão-de vir, numa panaceia lenta e mortal, calculada sem qualquer visão estratégica por um qualquer Gaspar de serviço. A ansiedade de uma previsão que não chega, pode e deve afogar a vítima, que depois de morta não adianta salvar. Este OE é injusto, recessivo e de lesa-pátria, aumenta impostos de forma brutal e indiscriminada, acaba com o estado social ou assim pretende, elimina a classe média que sustenta o país, arrasa os trabalhadores, termina com as pequenas e médias empresas afogadas em IVA que também sustentam o país, a massa crítica que produz; e protege os 'boys' do costume, os gestores que ganham como sempre e os grandes interesses que roubam como nunca.
A ver vamos se o OE para 2013 não é inconstitucional... uma especialidade deste governo.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A solução adiada

sexta-feira, 20 de julho de 2012 0
O debate parlamentar sobre o Estado da Nação foi um não debate para cumprir calendário e cumprir a tradição, no seguimento do não assunto do caso Relvas. O debate sobre o mapa judiciário e o sistema prisional serviu para coisa nenhuma, pois tanto os deputados como a ministra da justiça se fartaram de repetir que ainda não havia projecto para discutir e votar, uma vez que este ainda não estava concluído e portanto, iam ter que repetir tudo de novo...
Hollande e Merkel parecem ser agora tão amigos como quando no tempo de Sarkozy. Os mercados não se compadecem com emergências, não querem saber de pactos de crescimento e do simbolismo político de processos de intenções, de recuos mais do que avanços e de negociações em cimeiras inócuas marcadas para quase todas as semanas.
O caso do Barclay's demonstra como a banca e os investimentos não aprenderam nada com a crise, chegando-se ao ponto de serem os próprios gestores, não os do Barclay's, pois claro, a pedir mais regulação. A situação periclitante da França, a contas com níveis de despesa perigosos, não lhe permitem equilibrar os pratos da balança com a Alemanha. Os PIIGS, em último recurso, tomarão parte do lado do dinheiro, e num futuro choque entre alemães e franceses, optarão pelo mais forte, e por quem dependem para salvar o coiro...
Entretanto, e desesperadamente, enquanto alguns tentam manter o pescoço à tona, a austeridade é a bíblia que se descose numa ladainha imperceptível, como a beata no altar...
O Tribunal Constitucional (apesar de existirem algumas lacunas no acórdão), decidiu que os cortes dos subsídios eram inconstitucionais. Goste-se ou não, um dos aspectos positivos de tal decisão, foi a certeza de que para já a nossa Constituição ainda é a nossa Lei Fundamental, o do topo da hierarquia.
Uma pequena nota para desmistificar o papel de Cavaco, que ao alertar para a possível inconstitucionalidade dos cortes, no entanto, nada fez, quando o diploma lhe chegou às mãos, quando, se não concordava, podia ter usado dos poucos poderes que tem... ou o veto, ou o envio para o TC, quer numa fiscalização prévia, quer sucessiva... Aliás, em abono da verdade, os cortes dos subsídios não constavam do memorando assinado com a Troika...
A falta de coragem e de ação são hoje por hoje dos principais obstáculos para uma solução na Europa e só depois, (desenganem-se), em Portugal. A única coisa que Portugal pode fazer por si só é tentar libertar o sector económico da asfixia em que se encontra, e foi precisamente o caminho contrário que o governo escolheu; já todos sabemos que é assim que Gaspar e Passos Coelho pensam. Ir além da Troika, tentando sair dela o mais rápido possível, e por questões ideológicas... O problema é que esse caminho é errado, como se pode ver pelas consequências da recessão e do desemprego.
Soluções? (existem!)... Baixar para a taxa mínima o IVA da restauração e turismo; mais tempo para atingir as metas do défice orçamental, que conduziria a uma maior folga orçamental, com menos austeridade, e possível crescimento económico, com tudo o que lhe vem associado, nomeadamente em matéria de desemprego; reorganização e renegociação de todas as PPP's; efectivo corte nas empresas e institutos do Estado; sobretaxa do IRS para sector público e privado, à imagem do que foi feito em Dezembro do ano passado; tudo isto significa um pacto de crescimento;... pena é que o PS não consiga, ou não queira explicá-lo com medidas concretas.
A Europa, tal como Portugal, continuam adiados...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O caminho do federalismo

sexta-feira, 15 de junho de 2012 0
A grave crise económica e financeira que atravessamos, e nunca é demais repetir, assente nos crimes do capitalismo e nos sucessivos roubos de quem se serviu dos estados em vez de os servir, pode abalar toda a Europa. As crises políticas e sociais que já se fazem sentir, consequência das primeiras, podem deitar por terra toda uma construção e integração da zona euro que permitiu décadas de paz entre os povos europeus. E com elas o desmoronar do Estado Social Europeu.
Os desequilíbrios da zona euro, a crise de confiança na sustentabilidade das dívidas públicas, o efeito de bola de neve, as bolhas imobiliárias, a desregulação da banca, os juros usurários, revelaram o falhanço e as brechas no sistema estrutural da UE. A queda iminente da Grécia e o clima de incerteza que se instalou e que irá agravar-se, por inação e falta de solidariedade entre povos que ainda não sabem que caminho querem para a zona euro, irá, a breve trecho, levar à implosão da união.
A recuperação dos países resgatados não pode resultar da austeridade. As famílias preferem poupar, a investir ou a consumir, com medo do desaparecimento da moeda única e do sistema bancário retraído e/ou falido. Os países endividados não resistirão a um crescimento fraco ou mesmo recessivo. O desemprego galopante, necessariamente saído da austeridade e da quebra dos custos do trabalho, é um factor gerador de desconfiança e de tensões sociais crescentes. O populismo e a demagogia emergem e contribuem para o afrouxar dos cintos de segurança da democracia e dos seus pilares e valores.
A mera coordenação entre estados-membros já não é suficiente. O próximo passo a dar é o decisivo. É o tudo ou nada, e já não há volta atrás. O federalismo é a base do futuro. Um federalismo saído da necessidade, é certo, mas é escolher entre a espada e a parede, sendo que a parede significa o recuo civilizacional do nosso modo de vida, para níveis desastrosos de fome, pobreza e miséria, só comparados com os do Portugal rural dos inícios do Estado Novo. O avanço político é o passo que falta para salvar toda uma geração do caos.
Tal federalismo, com a criação de um Tesouro da Europa, um Banco Central com todos os poderes de intervenção de um banco estatal, injectando ou desvalorizando moeda, com verdadeiros mecanismos de fiscalização fiscal e comuns a todos os estados, um Orçamento único, project bonds que sirvam para financiar projectos de rendimentos futuros, reformas estruturais comuns em todos os serviços e domínios assentes no Estado Social Europeu, instituições que garantam políticas orçamentais e monetárias justas e equilibradas poriam a Europa no caminho da coesão social, mais justa, solidária e democrata, e que reclamaria definitivamente o seu lugar no mundo.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A tomada da Bastilha

segunda-feira, 7 de maio de 2012 0
"O meu verdadeiro adversário não tem voz, nem rosto; o meu principal adversário é a finança."
"A austeridade já não é uma fatalidade."
François Hollande, ontem em França.

Se é verdade que a vitória socialista em França pode ser um flop, ela já ganhou pelo menos na esperança renovada de uma inversão de curso na Europa. E a festa na Bastilha tem um significado extra, no sítio onde nasceu a liberdade, a igualdade e a fraternidade.
Prodi, antigo primeiro-ministro italiano considera que a Itália, a Espanha e a França deviam formar um eixo para relançar a Europa e 'refrear' a Alemanha. Alemanha que por sua vez, na voz de Merkel já afirmou que pode haver um caminho alternativo, assim como Passos Coelho, que teimosamente segue o curso que lhe ensinaram a venerar, mas que agora pode não passar disso mesmo, teimosia cega e estritamente ideológica. Basta atentar nas palavras de Mota Amaral no Expresso, onde claramente se afasta do pensamento neoliberal em curso, afirmando e relembrando a matriz ideológica  da social democracia do PPD/PSD de Sá Carneiro. Aliás como outros sectores do PSD, digamos assim, mais 'experientes'.
O eixo franco-alemão pode ser finalmente o motor de que a Europa precisava. Pena é que as eleições alemãs ainda demorem mais um ano.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A receita iraniana

quinta-feira, 12 de abril de 2012 0
A história encarrega-se sempre de fazer a justiça e dizer a verdade que em determinado momento não foi possível fazer e dizer. Assim, neste contexto, vários exemplos concorrem para demonstrar a teoria. Cingindo-me à questão ora em apreço, todos sabemos que no Iraque não havia armas de destruição massiva. Temos também o exemplo dos apoios políticos e financeiros dados a Saddam Hussein pelos Estados atlânticos e pelos Emirados do Golfo Pérsico para invadir o Irão e acabar com a revolução iraniana de 1979, numa guerra fútil que custou milhões de vidas e deixou o Iraque com a factura na mão. Levaria à invasão do Kuwait, à primeira guerra do Golfo, à 'invasão' de tropas americanas na Arábia Saudita, que por sua vez irritou os árabes, incluindo Bin Laden. A história tem momentos, mas todos são causa e efeito uns dos outros. O cerne da questão nestes casos é e sempre será o petróleo!... Ao isolar o Irão, e com a destruição do Iraque e o apoio à Primavera na Líbia, os seus oleodutos viraram-se para a Europa e para os EUA, podendo estes, deste modo, fazer face ao fecho da torneira no Irão.
O Irão não é uma democracia. Mas também o não é a Coreia do Norte ou o Paquistão. Todos têm um programa nuclear. A diferença? Petróleo...
Se o Irão bloquear o Estreito de Ormuz, as potências atlânticas (com os EUA e a Inglaterra sempre à cabeça, as mais das vezes encapotando-se no apoio da NATO ou da ONU, que diga-se a verdade, actuam assim por pressão e em último caso porque todos os países membros querem o seu quinhão) Israel e os emires do Golfo tratarão a atitude como uma declaração de guerra. A pressão sobre o Irão, feita pela secreta de Israel e a encapotada dos EUA, levará a uma guerra hipócrita, vil e calculada. Ninguém denuncia as mais de 200 ogivas nucleares que Israel possui e que ao contrário dos iranianos e de forma leviana e ilegal não assina o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Os EUA usam como ninguém a receita religiosa em seu favor. Empurrando Israel, branqueando o seu comportamento, porque por eles fomentado, os EUA tentam assim um benefício político em nome da democracia e contra a 'beligerância inata' dos povos islâmicos. A Primavera Árabe é um mito que será transformado a breve trecho em teocracias tementes a Deus e aos EUA. Dividir para reinar parece ser o objectivo estratégico.
E o Irão tem a bomba? Ou também esta não será encontrada? Apesar do regime ditatorial iraniano, e depois de terem sido alvo de uma sabotagem cibernética, incluindo o assassinato de seis cientistas nucleares, é de elogiar a postura até agora mais serena do Irão. Mais uma vez me socorro da história, que lembra que a ONU tudo fez para não condenar Bagdade que tinha invadido o Irão, que por sua vez sofreu um duro embargo, por, ironicamente, ter sido invadido. E o que aconteceu a seguir? Quando Saddam deu por terminado o seu desígnio e quis que lhe pagassem a factura pelo trabalho sujo, e quando lhe viraram as costas, o que fizeram os seus protectores? Destruíram-no. A teoria do país ditador, do eixo do mal, da bomba atómica e dos terroristas já não cola. Ou o Irão é mais ditador que a Síria, a Arábia Saudita ou o Paquistão, detentor da bomba, com relações perigosas a terroristas? As economias emergentes já não vão suportar mais, dois pesos e duas medidas, com estratégias de poder e jogos de guerra ancorados em falsos pretextos.
E o que se passa na Síria não é inocente. A Síria é um ponto estratégico para lá chegar mais facilmente. Derrubar Assad e pôr lá um conselho de transição fantoche, após a intervenção armada por parte da ONU ou da NATO é o passo que falta. Não que Assad não mereça, também não me esqueço e a história não esquecerá que massacrou o seu povo. Mas por trás desta rebelião não está apenas a Primavera Árabe e o efeito dominó. Alguém armou os rebeldes. Os mesmos que armaram os afegãos na guerra contra a ex-União Soviética e que armaram os iraquianos contra os iranianos. Espero que Portugal não faça parte do logro como o fez na triste cimeira da base das Lajes.
Para terminar, e para já, o preço do petróleo ainda não se baseia nisto, para já só se baseia na especulação, mas quando a altura chegar, a Europa e o mundo pagarão a factura, e não será apenas a dois euros por litro de gasolina, será nos transportes, na comida, etc. Os EUA serão a única potência mundial, é essa a estratégia, porque o barril negoceia em dólares e porque as guerras darão os seus frutos. A dúvida está naquilo a que estamos dispostos a fazer para os contrariar. Mas se tudo correr como até agora, os EUA vão ter muitos 'aliados' e Obama ficará na história como o maior 'flop' de propaganda que nos venderam...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Crónica de uma morte anunciada

terça-feira, 31 de janeiro de 2012 0
Chegados aqui, finalmente começam a vislumbrar-se as contas de 2011. O 'desvio colossal' tão apregoado e que deu origem ao corte de 50% nas pensões e salários dos funcionários públicos, teve um valor de 1.863€ milhões  e deveu-se afinal à quebra de receitas, que ficaram 2332€ milhões abaixo do esperado. O 'desvio' não foi, como intencionalmente se quis fazer crer, fruto de despesismo e descontrole nas contas do Estado. Foi, isso sim, como agora se conhece, uma quebra de receitas, vindas fundamentalmente de haver menos descontos para a segurança social e menos colecta de IVA. A tudo isto não será estranho, obviamente, o crescente desemprego, o corte nos salários e pensões, a austeridade com a consequente recessão, a quebra produtiva, e, claro, a fuga de capitais e ao fisco. Sem querer usar de alguma falsa modéstia, pergunto se isto não é óbvio para todos, se a reacção não é consequência da acção? Fugindo até ao facto, de poder haver, como assim parece, uma mensagem de propaganda governamental de querer atirar areia aos olhos dos mais desprevenidos, justificando com o medo do 'desvio colossal', uma série de medidas que de outro modo poderiam ser ainda mais difíceis de encaixar. Não faltam, contudo, avisos de que este ano tudo será ainda mais imprevisível. Não faltam avisos que a austeridade em cima de austeridade, nos condenará à bancarrota, a um segundo resgate e por fim à saída do euro. A estratégia deste governo de tirar e espremer tudo o que pode agora, para reaparecer em grande em 2015, nas próximas eleições, e aí poder esbanjar direitos e regalias, inclusive baixar impostos, poderá ser uma estratégia de falência já este ano, e portanto, um tiro no pé, do governo e de cada português, bem, de uma larga maioria de portugueses.
É chegada a hora de deixarmos de ser os meninos bem comportados, paus mandados da Sra. Merkel, cujo objectivo é, viu-se esta semana, com a proposta de perda de soberania económica da Grécia, a 3ª via do imperialismo perdido em duas guerras mundiais. O fim das democracias, substituídas por tecnocracias capitalistas de mercado, ditará a breve trecho o fim da UE tal como a conhecemos, um espaço de liberdade e progresso, que se esfuma ao cintilar de um cifrão. A chantagem usurária é, e não me canso de o repetir, a nova forma de governo de Estados  menos soberanos, ajoelhados de esmola na mão, geridos por cobradores de fraque, sem serem eleitos por ninguém, e representantes deles próprios. É pois o tempo de, despojados de qualquer preconceito ideológico, os povos europeus retomarem as rédeas e entregarem o poder político aos seus reais donos. Ou sim ou sopas! Ou há Europa, numa verdadeira escala de integração europeia, solidária e com princípios bem definidos, ou então é o caos...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A Europa adiada do euro 2012

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011 0
A Europa outra vez adiada... Desta vez sem a participação do Reino Unido, que também não tem euro nem Shengen, portanto nada de estranhar. O Reino Unido se fica de fora em quase tudo, é uma ilha que não nos interessa. A sua mira está do outro lado do Atlântico, e só se vira para o continente, quando lhe dá jeito, como nas invasões napoleónicas ou na II Grande Guerra. Os alvos eram sempre os ódios de estimação a franceses e alemães, numa Europa com demasiados séculos de história para se poder, de uma penada, unir o que o tempo sempre separou. De facto, é até de estranhar a pretensa parceria franco-alemã.
O acordo alcançado na passada sexta-feira não passa de um adiamento que pode também ficar adiado. As revisões constitucionais limitativas do défice e da dívida pública de cada país, fiscalizadas pelo Tribunal Europeu de Justiça, e com castigos imediatos para futuros prevaricadores, não serão partos fáceis de gerir nos parlamentos nacionais. Porque traduzem a maior perda de soberania até hoje realizada, sem a garantia de qual o passo a dar a seguir. E porque não é um processo que se possa realizar em dois meses. O PS de Seguro não está totalmente convencido, até porque, quem garante que Alemanha e França, que foram os primeiros a violar o pacto de estabilidade, serão castigados como os outros, se ultrapassarem as metas do défice? E as suas contas, serão escrutinadas e previamente aprovadas, como as dos seus parceiros?
Com tudo isto, as agências de notação Moody's e Standard & Poor´s, já ameaçaram baixar o nível de 15 países da UE, bem como o seu fundo de estabilização, e continuam assim a fazer política impunemente, sem que ninguém os tenha eleito.
Esta continua a ser uma Europa sem estratégia e adiada. A única saída neste momento é uma integração fiscal a sério. É tempo de se perguntar se queremos mesmo uma União, com as necessárias perdas de soberania, em passo alargado para o federalismo, ou se queremos continuar a entreter-nos como bons amigos que se juntam de vez em quando para beber uns copos... Ou o federalismo e o euro era só a brincar? Definam-se de uma vez por todas...
2012 será o ano do euro, da moeda, da União, e também de futebol, mas deviam reformular os grupos já sorteados, assim como que uma adjudicação directa, pondo no mesmo grupo Alemanha, França e Inglaterra, noutro grupo podia ficar Portugal, Irlanda e Grécia, noutro juntava-se a Itália com a Espanha e no último o Pai Natal, o coelhinho, o comboio e o circo, para a palhaçada ficar completa.



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Cuidado com os cães

terça-feira, 6 de dezembro de 2011 0
As cúpulas que dominam a política e a economia de mercado, são por estes dias uma espécie de oligarquia. Reinam à vontade protegidos pelo sistema. A verdade é que tudo tem um preço, e se não for mais alto ou mais baixo, alguém há-de ter um almoço de borla. A política protege a economia, desregulando e afastando o Estado dos centros decisores. Dá liberdade e margem de manobra para as engenharias financeiras poderem operar sem a fiscalização que impediria a agiotagem, especulação e fraude a que se assiste diariamente, e através das privatizações dá de barato os seus centros de decisão e de riqueza, para que outros possam entrar num mercado que antes era uma miragem. A economia devolve os favores com 'luvas', empregos remunerados ao nível de um jogador do Real Madrid (em empresas privadas com capitais públicos ou públicas com capitais privados), e participação em negócios, directa ou indirectamente, com lucro garantido. Assim numa espécie de limbo apaziguador de consciências mais afoitas. Os princípios e valores são os que se vendem nos canais de comunicação social que todos eles controlam, directa ou indirectamente. A justiça é feita ao som do clarim mediático, fazedor de opiniões, de inocentes e de culpados.
A Europa segue ao mesmo ritmo, dominada por conceitos ideológicos de 'troikistas' (não confundir com 'trotskistas') e alemães e franceses com saudades imperiais. Os EUA são os oligarcas por natureza, e onde todos aprenderam a conjugar o verbo especular. A China, o Brasil e Angola estão-se a marimbar para o assunto (até porque só um deles é uma democracia), e compram ao desbarato, já sem vergonha de dizer que querem 'entrar' na Europa.
A oligarquia é um sistema em que o poder político está concentrado num pequeno grupo de pessoas ligadas por laços familiares, empresariais ou de influências. Quando se fala em Estados a oligarquia assume o nome de imperialismo. Austeridade é o nome que se dá à garantia pela qual este grupo continuará a governar. Procurem exemplos por aí, e se conseguirem identificar pelo menos 10 em menos de 30 segundos é porque se calhar a democracia que conhecemos já está subvertida e prestes a ser enterrada...

domingo, 4 de dezembro de 2011

A Europa da austeridade

domingo, 4 de dezembro de 2011 0
Mais um Conselho Europeu marcado para o próximo fim de semana. Desta vez, e após as recentes declarações de Merkel estamos perante a iminência de uma união fiscal total.
Portugal teria muito mais a ganhar com a emissão imediata dos 'eurobonds' ou com a transformação do BCE num banco central normal. Ambas as medidas ajudariam num mais rápido e eficaz combate à crise da dívida soberana. Enquanto ela for soberana. A alavancagem daí resultante permitiria que a nossa, como outras dívidas pudessem ser protegidas dos ataques externos dos mercados mais pessimistas e impacientes, por assim dizer. A emissão de moeda por um banco central europeu, ou a emissão de títulos de dívida subscritos por todos os membros do euro permitiria refrear qualquer especulação e credibilizar uma moeda catatónica, vítima de agiotas e da falta de coragem dos líderes medíocres que era suposto protegerem-na.
O BCE teme a inflação e os tratados actuais não permitem que salve um país membro, reduzindo a sua actuação à compra de dívida nos mercados secundários, e a Alemanha teme a bancarrota e a sistematização da falta de responsabilidade dos países prevaricadores. Assim sendo, propõe a união fiscal, e a alteração dos tratados, em troca de castigar com mais austeridade os países que já têm a corda na garganta. Pode ser a solução a longo prazo, pode ser que nos consiga manter no euro, trará mais integração europeia, mas a violência a que nos sujeita nos próximos anos, e que não serão 3 ou 4, causará convulsões de resultado imprevisível, assim como a necessária perda de soberania e a redução do Estado social, na saúde, justiça e educação a meros serviços de gestão, sem qualidade, sem profissionais e sem motivação. Tudo isto num contexto de desemprego e recessão endémica.
Passos Coelho que não tem ideia nenhuma sobre a Europa, faz a vénia a Merkel, como um súbdito bem comportado. Aliás, convém lembrar a sua recente entrevista, em que afirma haver 2 mil milhões de euros para injectar na economia. Como? Não sabemos. Será esta a folga orçamental de que falava Seguro? Será este o dinheiro tirado aos funcionários públicos e aos pensionistas, que agora vai ser dado a empresários para gastar, ninguém sabe como? É que os pensionistas e os funcionários públicos utilizam o dinheiro em consumo, qualquer economista sabe isso, e necessariamente ele irá parar ao comércio e à indústria. Assim, ficamos sem saber. Mas sabemos como funcionam os empréstimos a empresários menos escrupulosos. À semelhança da Grécia e da Itália, ainda vou ver o tecnocrata Vítor Gaspar a substituir Passos Coelho como Primeiro-Ministro, sem recurso a eleições, para garantir que as medidas liberais são bem aplicadas e que a austeridade é só para alguns. Passos Coelho na mesma entrevista já nos avisou que vem aí mais. Mais meia-hora de trabalho escravo, mais desigualdades, mais cortes onde não se deve, mais populismo em que este governo é doutorado, ao estilo da rábula das gravatas, da Vespa que o Ministro da Segurança Social trocou por um Audi de 86 mil euros, do amarfanhar do fundo de pensões da banca, numa engenharia financeira de controlo do défice que tanto criticaram no passado mais recente e dos vôos em económica que João Jardim manda às malvas do alto da sua gabarolice. Estou farto...

domingo, 6 de novembro de 2011

Merkozy

domingo, 6 de novembro de 2011 0
"Manda quem paga", a frase de Manuela Ferreira Leite numa célebre sessão da AR nunca esteve tão actual como agora. A Europa que se queria unida foi dotada ao longo dos tempos de centros de decisão, com directivas supostamente comunitárias de integração imediata no ordenamento jurídico dos países membros. 
Parlamento Europeu, Comissão Europeia e Conselho Europeu foram substituídos pela dupla Merkozy, num golpe palaciano silencioso e consentido por todos.
Até rebentar a crise e o capital começar a arder, quais ratos de porão, as soluções convulsas e a conta-gotas adiaram e continuam a adiar a Europa. Sarkozy e Merkel pegaram nas rédeas e mandaram à fava Tratados e Acordos sempre a reboque e sempre calculistas. "Nós pagamos, portanto a democracia vai ter que esperar." É caso para trazer à liça mais uma célebre tirada da mesma Manuela, que apregoava a suspensão da democracia por seis meses. Quando é que o 'acto' de pagar passou a significar 'ditadura bipartida, camuflada de real interesse em resolver a crise?
Um pouco de história só para lembrar de que é estamos a falar. Falamos da Alemanha que só agora acabou de pagar a dívida da 1ª Guerra Mundial, com variados planos de empréstimos, diluídos no tempo, adiados, suspensos e perdoados em muitos milhões. Só do Plano Marshall receberam 1400 milhões de euros nos anos cinquenta. Inflacionando para os tempos de hoje, daria certamente umas dez vezes mais que a ajuda que falta à Grécia.  A Alemanha destruiu a Europa duas vezes no último século... A solidariedade e a ajuda não pode ter um só sentido... A falta de visão é só para fora, porque internamente, Merkel preocupa-se e muito com as eleições e com aquilo que pensam dela os seus contribuintes. Talvez por isso tenha somado derrota atrás de derrota nas eleições regionais.
A Europa nunca pensou a fundo o seu modelo, com uma moeda única sem a preocupação da igualdade fiscal entre membros e consequentemente sem os necessários instrumentos indispensáveis para a sustentar. Com uma relação de forças desequilibrada, instituições iníquas e a troca dos seus valores civilizacionais por uma visão globalizada e monetarista, vendendo-se aos chineses por um punhado de euros.
A crise na Europa é sistémica, endémica, de fraco crescimento, falta de solidariedade e sobretudo de liderança. Mas nem só a Alemanha  e a França são culpadas... Poucos haverão que não tenham a sua dose de culpa. A começar por nós próprios que nos deixamos mercantilizar, e vendemos os nossos valores pela melhor oferta.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Murro no estômago, murro na mesa!

quarta-feira, 6 de julho de 2011 1
LIXO?! Quem são esses filhos da puta para classificarem um país com mais de 900 anos de história como lixo?
Eu sei, nós exageramos sempre... não é o país, é o risco de incumprimento, a dívida, sempre a dívida... Mas a pergunta tem resposta. A Moody's, uma agência de notação financeira americana, que juntamente com a Fitch e a Standard & Poor's regulam a seu bel-prazer o comércio mundial... Os mesmos filhos da puta que atribuíram a classificação AAA a todos e mais alguns dos célebres produtos tóxicos, que deram origem à crise americana do subprime, e que consequentemente se alastrou à Europa. A história já é mais que sabida. Tal como sempre defendi, mantenho que não pode haver credibilidade para este sistema. Qual a razão para que depois de entrar a troika, mudar o governo, com nova maioria e com novas medidas extra pacote de ajuda externa, a nossa dívida passe a ser cotada ao nível de lixo e os juros continuem a aumentar? A resposta vem a seguir - a sua credibilidade advém de quem lhes paga, e esses são os agiotas anónimos que ganham fortunas à pala da crise e dos contribuintes. Os outros são os que querem recuperar com juros o que perderam em negócios de alto risco. Pergunto eu agora: que adianta o novo imposto sobre o rendimento para o Natal? Grande murro no estômago...
O problema está na resposta que a UE não sabe dar. Para quando um murro na mesa? A solução poderia passar pela emissão de eurobonds, pela criação de uma agência de notação europeia, por um aumento do orçamento da união para fazer face aos seus próprios problemas. Mas até haver coragem para isso, até a Europa mudar de líderes, até aparecer alguém com o estômago de Churchill ou de Helmut Kohl a Europa definhará, afogada em juros e em defaults.
Outra solução seria a saída da moeda única, um desastre! Mas que pelo menos e em última ratio nos permitiria decidir o nosso próprio futuro no dia seguinte.
Importante mesmo é que se definam. Ou somos europeus, ou saímos do euro.

 
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