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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Importa-se de repetir?

terça-feira, 17 de setembro de 2013 0
Agora que se sabe qual ou quais as medidas que o governo liderado por Passos Coelho se prepara para pôr em prática para dar a volta ao chumbo do TC, é caso para perguntar: 'Ainda haverá alguém que acredite nele?'. E o que aí vem é mais um roubo aos reformados, imoral, sádico e desumano, mais uma palmada de 10% a todos que recebam mais de €600 p/mês. E chegaram a equacionar um ataque às pensões de reforma de €300. A linha vermelha que separa a existência da sobrevivência. A tal linha vermelha que Portas dizia inultrapassável. É normal para o Vice primeiro Ministro que o que hoje é verdade amanhã seja mentira, utilizando uma expressão do futebolês.
O que o governo está a fazer não é a convergência entre sistemas. E muito menos garantir a sustentabilidade da CGA. O governo está apenas a ir ao bolso de quem tem menos capacidade para se defender. Esta redução de 10% é, por isso, um ato de cobardia. Um imposto extraordinário como lhe chamou Cavaco... As presas fáceis do costume são utilizadas como isco para o peixe graúdo. Abandonando saúde, educação e segurança social. Abandonando tudo e todos à sua sorte. Um ataque brutal estritamente ideológico a tudo que seja ou represente Estado. A tudo que represente sector público.
E também não se trata de uma requalificação de funcionários públicos. Uma artimanha que encapota um despedimento colectivo sem qualquer critério. De forma aleatória, ao doce sabor do director geral de esquina, e da chantagem.
Vou escusar-me de elencar todas as trapalhadas dos últimos dois anos, já todos sabemos os seus contornos. Apelo por isso a um esforço de memória e com certeza identificaremos de imediato uma dúzia: desde Relvas (que tem direito logo à partida a uma boa meia dúzia), passando pela TSU e pela rábula do último mês de Julho de demissões, umas mais irrevogáveis que outras, até às inconstitucionalidades teimosas.
Um governo à deriva, que falhou em toda a linha, navega à vista, dia a dia, sem planificação nem estratégia, que não seja a de cortar a eito e vender às cegas o Estado, o SNS e tudo que não derive da linha neoliberal.
Deixo um resumo do que foi dizendo Passos Coelho antes de ser eleito, naquele que representa o maior atentado ao sistema político e democrático. Relembro ainda que o famoso PEC IV foi chumbado com o argumento de que os portugueses não aguentavam mais austeridade. Importa-se de repetir?




segunda-feira, 13 de maio de 2013

Às Portas do inferno

segunda-feira, 13 de maio de 2013 0
Paulo Portas tem qualidades indesmentíveis. É um sobrevivente, domina como poucos o discurso, ou se quiserem a narrativa política e é inteligente. No entanto, padece de um mal que lhe é intrínseco e tem um defeito enorme. Num caso é a deslealdade e o oportunismo eleitoralista, no outro é o populismo.
Numa coligação de governo, em que os dois líderes dos partidos que a compõem se digladiam no espaço mediático, Portas sai sempre em defesa dos visados pelas medidas mais impopulares do governo. Os de sempre, pensionistas e funcionários públicos. O discurso em que aparece o polícia bom e quase sempre se confunde com o líder da oposição é uma diversão populista e uma manobra eleitoralista. Como se percebeu quando dias depois meteu o rabo entre as pernas e a "fronteira que não podia ultrapassar" ficou mais ténue e mais receptiva ao contrabando. Gaspar apresenta a medida em Bruxelas, o CDS diz que não é para aplicar.???
Um governo a duas vozes, num jogo duplo malicioso, em que se joga com as vidas de milhões, é pernicioso e maquiavélico, com o alto patrocínio do Presidente da República, que convocou o Conselho de Estado a pedido de Marques Mendes, supostamente para discutir o pós troika (em linguagem cibernética : LOL).
Portas por mero jogo político e de manutenção do poder engoliu um sapo do tamanho da TSU, Portas assim assumiu que só tem um poder e que é romper a coligação, de resto não é ele que governa. Nem sequer tem voz que possa sobrepor-se ao n.º 2 do governo, como disse Passos Coelho, e que é Gaspar. A reforma do Estado, incumbida a Portas não passa daquilo que já se sabia. A nova vaga de assaltos já está em marcha. Mas sempre com a inconstitucionalidade a pairar no ar.  No caso a possível retroactividade dos cortes nas pensões. Afinal é o que este governo sabe fazer. Pôr em causa os direitos e as garantias, garantidas (passo a redundância) pela Constituição e cortar nas gorduras do Estado, que agora sabemos que são os pensionistas e os funcionários públicos. O despedimento de 50.000 funcionários públicos chantageados, outro predicado deste governo. Ou aceitam a indemnização ou vão para  a mobilidade especial, uma espécie de purgatório antes da estocada final e pontapé para o fundo do poço, dizem que agora, se calhar, com direito a subsídio de desemprego. É esta a reforma do Estado, que cuja redução da administração pública pode pôr em xeque o seu funcionamento, como avisa o relatório da OCDE.
Entre as derivas populistas de Portas e a insensibilidade social de Passos e Gaspar o país empobrece, o Estado social e não só desaparece, o país desempregado emigra e recua 50 anos. As elites da finança, da banca, da troika, da UE agradecem e estão-se a marimbar, desde que o país pequenino e pobrezinho se reduza à sua insignificância e continue a pagar...

quinta-feira, 25 de abril de 2013

25 de Abril SEMPRE!!!

quinta-feira, 25 de abril de 2013 0
Celebrar o 25 de Abril é celebrar a democracia e a liberdade. A liberdade de expressão, de opinião, de facto e de direito. Celebrar o fim da ditadura, da censura, do medo, da fome e da pobreza. É celebrar as conquistas do Estado de Direito, da saúde para todos, da educação e da segurança social, do progresso e das eleições, da cidadania. Da igualdade de oportunidades e dos direitos, liberdades e garantias  expressos na Constituição de 1976. A Constituição mais garantística e das mais perfeitas do mundo. Desactualizada em alguns aspectos, é certo, mas não naqueles. Alvo, hoje, dos maiores ataques desde que a palavra foi devolvida ao povo. E essa é uma conquista de Abril. Como o foi também o fim da guerra colonial, injusta e opressora do direito à liberdade e autodeterminação de povos e territórios escravizados durante séculos, que sempre pertenceram às populações que neles habitavam. Mais uma justiça que Abril fez. A forma como decorreu o processo de descolonização já será outro assunto, o que interessa é que foi levado a cabo.
Nunca como hoje, o título deste blogue foi mais actual. Os ataques aos valores de Abril, são os ataques aos valores da social democracia, levados a efeito por um governo incompetente, todavia com uma agenda ideológica e neoliberal bem definida de ataque ao Estado social e de uma estratégia de empobrecimento dos portugueses. Uma estratégia de vingança mesquinha contra tudo o que o Estado representa, contra tudo o que representa diminuição do poder dos mercados, dos particulares e dos interesses. Se é certo que o Estado representa para alguns viver à sombra de recursos inesgotáveis de poder, corrupção e dinheiro fácil, porque construídos sob a égide do domínio público, também é certo que o caminho percorrido ultimamente representa a ditadura do mercado e da austeridade como resposta à corrupção desses mesmos mercados que nos trouxeram até aqui, assentes na usura, na especulação e na ganância.
Os valores de Abril são postos em causa porque os mesmos que os quiseram contornar, são os mesmos que ditam a forma de os ultrapassar definitivamente. A guerra ao Estado é imposta por um diktat, mais ou menos com interesses alemães, mais ou menos com interesses difusos que ninguém sabe quem são. Fundados no empobrecimento, na austeridade, no medo, no populismo e na chantagem. Escudados na troika e no memorando vão trilhando o caminho do desemprego e da recessão. O caminho escolhido pela guerra em surdina dos bastidores do FMI e da Alemanha, seguido com subserviência pela UE e pelo governo de um Portugal amordaçado, lambe botas e sem voz. Esta direita não é a direita social-democrata, a direita do PSD de Sá Carneiro. Esta direita é a direita revanchista. É uma direita que usa os cravos na lapela hipocritamente. É a direita que não gosta da Grândola e não sabe a letra. É a direita que trai os valores de Abril. É a direita que vê na Constituição um óbice ao seu exercício de poder, um obstáculo à prática da sua agenda neoliberal. Que escarna e mal diz dos seus tribunais e instituições, é uma direita tecnocrática e apolítica, sem rumo, sem visão, e esperemos que sem futuro...
Cavaco, que sempre conviveu mal com o 25 de Abril, com a sua memória e com os seus valores, provou hoje que não é digno de representar Portugal e os portugueses, que esqueceu propositadamente Saramago, a quem censurou, numa vingança mesquinha a um Nobel, só porque não partilhava da sua ideologia, provou hoje que tem dois pesos e duas medidas consoante a cor de quem governa, que é complacente com o estado do Estado e do país, que é a mão por detrás do arbusto e que é cúmplice do descalabro e da austeridade, revanchista e fascizóide, fez hoje um dos discursos mais antidemocráticos de que tenho memória.
O 25 de Abril sobreviverá a Cavaco e a este governo. O 25 de Abril é de todos, mas é mais de uns que de outros...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A refundição do Estado

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 0
O que é afinal o Estado Social? A resposta assume três vertentes.
A primeira diz respeito à afectação de recursos do país traduzida na provisão de bens e serviços públicos como a justiça, a segurança, a educação, a defesa, a saúde e a proteção social.
A segunda vertente refere-se à igualdade de oportunidades e como tal, tentar distribuir a riqueza e o rendimento de uma maneira socialmente justa, é aqui que entra, por exemplo, a progressividade dos escalões do IRS, agora em causa no Tribunal Constitucional.
A terceira vertente é a da estabilidade. O poder de autoridade do executivo, v.g. Estado, de comandar e regular o mercado, para combater a inflação, o desemprego, equilibrar as contas externas e promover o crescimento económico. Este é o modelo Keynesiano.
O modelo liberal, aposta sobretudo na auto-regulação do mercado. O Estado deve abster-se o mais possível de intervir. A teoria da mão invisível, de Adam Smith, prevê a eficiência dos mercados, apenas se estes se autoregularem, assente no bem privado em detrimento do bem público.
O modelo neoliberal é muito mais radical. É o capitalismo de casino no seu esplendor. Começou com Reagan e Thatcher e teve o seu epílogo na crise que agora vivemos e de que o governo actual é um fiel seguidor.
A economia deve estar ao serviço da comunidade, regulada por um poder político que impede monopólios e a lei do mais forte. Nos últimos tempos, a doutrina libertinária convenceu-nos que só afastando o papel regulador do Estado seria possível alcançar maiores lucros. O resultado é conhecido. O pior da natureza humana ascendeu como um rastilho. Deslealdade, ilegalidade, avareza, compraram com dinheiro fácil, pessoas, governos, e até países. De uma forma ou de outra.
O recente relatório do FMI, aponta para refundação do Estado Social em Portugal. A tal refundação que o governo sempre apontou. Um relatório feito à medida, em que a refundação do Estado Social não existe. É a sua destruição ideológica urdida nos bastidores do eixo Passos, Relvas, Moedas e Gaspar.
Com o carimbo do FMI, mesmo contradizendo o que até aqui vem afirmando, o governo pode agora, numa chapelada do tamanho do país, refundir (é esta a palavra exacta a utilizar), o Estado Social.
Afinal, o último objectivo do modelo ideológico seguido por este governo, por muito que o CDS esperneie.
O corte cego de 4 mil milhões de euros será feito, mais uma vez, à custa dos contribuintes, dos trabalhadores, dos desempregados, dos pensionistas, dos de sempre. O elo mais fraco. A refundação que se pretende, é o corte das bases do Estado. As suas empresas mais estratégicas e/ou lucrativas, os pilares elencados acima do Estado Social. O que se pretende é a vingança ideológica de um sistema que apesar de ter que ser revisto, concedo, será simplesmente eliminado, coartado, suprimido. O que dantes estava ao serviço do cidadão, passará a estar ao serviço de um qualquer chinês, angolano ou colombiano/brasileiro, que apenas visará o lucro, e se estará marimbando para o comum do pensionista, desempregado, pobre ou excluído.
Se é verdade que eleições antecipadas não ajudam em nada o país, também é verdade que neste momento, poderão ser um mal menor. Com Seguro ou sem Seguro, o caminho que nos querem  fazer percorrer será sempre para pior...
E porque gosto de apresentar alternativas aqui vão algumas:
- Renegociação do memorando de entendimento, nomeadamente, mais um ano de prazo para pagar a dívida, com alívio na conta de juros, alicerçando a economia, aligeirando os bolsos dos portugueses, que com mais poder de compra, mais dinheiro têm para consumo;
- Redução do IVA da restauração e do turismo para a taxa mínima;
- Redução do IRC para 10%, para captar investimento estrangeiro, uma boa medida proposta pelo ministro da economia, já ridicularizada pelo técnico oficial de contas Vítor Gaspar;
- Nacionalização de todas as PPP's deficitárias e prejudiciais para o Estado, pagando as compensações e indemnizações, mas garantindo um futuro livre de juros, prestações, comissões e afins;
- Não ao resgate do BANIF, poupando mil e cem milhões de euros no imediato;
- Corte a sério no parque empresarial do Estado, ao invés das 3! fundações extintas;
- Redimensionamento do Estado Social, com estudos sérios e discussão séria e fundamentada, e não a sua refundação/refundição/alienação, com cortes cegos e, para variar, inconstitucionais.

PS- Um governo de um país, cuja Constituição, estorva em todos os sentidos, diz muito do que poderia ser, se ela não existisse.

sábado, 2 de junho de 2012

Apontamentos sobre o Estado da Nação

sábado, 2 de junho de 2012 0
Portugal não é autossustentável porque vive a crédito, porque cada cidadão acha que só tem direitos e não deveres. Porque não se governa, nem se deixa governar... Porque nos habituámos a viver à sombra do Estado. E quando a coisa não funciona porque simplesmente não existe a ideia de serviço público, o Estado, que somos todos nós, é o culpado. Agora corta-se cegamente no Estado, porque é moda e a agiotagem e a ideologia assim o exigem. Mas não se corta no supérfluo, nem nos poderes instalados, nem nas rendas usurárias; corta-se onde o Estado deve estar, junto dos mais pobres e excluídos, dos mais fracos e oprimidos. O Estado serviu anos a fio para tudo, principalmente para o lucro fácil e contratos milionários de ex-políticos, para a classe dos que usam avental, dos favores e da troca de influências. O português chico-esperto e invejoso, das caixas de comentários dos jornais online, é um dos nossos maiores inimigos.
A classe política há muito que abandonou o que a política tem e pode oferecer de melhor. As ideias e projectos que possam aparecer nunca são pensados a prazo, não há um caminho claro de futuro pensado e organizado. Tudo é feito em cima do joelho, e quase sempre com preocupações eleitoralistas e de popularidade. As reformas necessárias não avançam por pressão dos lobbies e do corporativismo instalado, em que o medíocre é maioritário e o mérito não é valorizado (a avaliação dos professores, p.e.), e quase todas as desnecessárias são feitas contra as populações e contra as pessoas. Os autarcas e seus apaniguados (com algumas raras excepções), são o que resta do caciquismo e do antigo sistema feudal, senhores do bairro em que só algumas casas estão iluminadas. O regime permitiu o seu endividamento até limites pornográficos em nome da costumeira politiquice de obra feita à pala do cidadão, grande parte dela para inglês ver, e em nome da demagogia e do eleitoralismo. Como exemplo máximo temos a Madeira do ditador de trazer por casa, do desbocado, malcriado e arrogante João Jardim. A Madeira que nunca deu nada ao continente, a não ser meia dúzia de futeboleiros, sempre foi uma fonte inesgotável de dívida e de má gestão, que estamos e iremos pagar. Já não há estadistas, que pensem o país, estrategas inteligentes com ideias de longo prazo, mas sim políticos carreiristas, fabricados à pressão. A exemplo do que acontece por toda a Europa, daí não ser de estranhar a crise que se vive por aí fora.
O cavaquismo foi onde tudo começou. O actual PR tentou vender-nos a ideia que éramos um país rico. A política de alcatrão criou a ilusão de um novo-riquismo alcoviteiro, feito de BPN's e BPP's, com casa própria para todos e o país da Europa com mais km de autoestrada por habitante. Abandonaram-se os caminhos de ferro e os transportes alternativos. Nasceram os elefantes brancos e as PPP's que nunca pudemos nem poderemos pagar.
O fartar vilanagem continuou, sem meios eficazes de fiscalização, com a justiça de pernas curtas e sem meios, um sistema  bancário com benefícios injustificados, mais PPP´s, empresas públicas deficitárias para os boys, com a corrupção galopante à custa do Estado e dos contribuintes, com o compadrio e as influências. Sócrates foi o maior reformador em Portugal, até 2009, quando rebentou a crise, quando lhe mandaram investir para a combater e depois lhe tiraram o tapete, quando finalmente cedeu à chantagem dos mercados e dos lobbies do costume, aí por culpa própria. Ainda hoje é usado como bode expiatório. Ainda hoje é o alvo de todos aqueles que não querem assumir culpas no cartório. Viveu sempre acossado por suspeitas e perseguido por jornalistas que do nome nada têm. Também teve os seus deméritos, mas lembro só que os únicos anos em que Portugal conseguiu manter as metas do défice de 3%, foram os três primeiros anos da sua governação, mesmo quando a Alemanha o não fazia. Hoje muita gente terá saudades desses tempos.
Um país de merceeiros e dos maus em que o tecido empresarial nada cria nem produz riqueza, limitando-se à intermediação e distribuição, sem recursos naturais, e em que o turismo é um sector mal aproveitado, agora asfixiado pelo excesso de impostos, a crise internacional criminosa de 2008, em que os mesmos que a criaram são os mesmos que lhe tentam dar solução, sempre da mesma maneira, pôs tudo a nu.
O caminho até aqui foi este, o que agora nos querem impingir será ainda pior, o ciclo vicioso de austeridade criadora de desemprego e de recessão, cego e puramente ideológico, com a venda dos sectores estratégicos e monopólios naturais, ao desbarato e de lesa pátria, a fúria ditadora dos mercados, a alienação de direitos e garantias, o abandono das pessoas e do estado social, a própria democracia ditada por directórios interesseiros, levará a que qualquer dia não exista Estado da Nação.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Por falar em Constituição

quinta-feira, 24 de novembro de 2011 0
Estava a ver as imagens da manifestação em frente à Assembleia da República quando fui surpreendido por uma 'indignada' que frequenta o ensino secundário. E logo tentei perceber as razões que poderiam levar a miúda a mostrar-se tão indignada. Provavelmente se lhe perguntassem não saberia indicar nenhuma. Mas a sua boa vontade ilustra bem a confusão que grassa por aí. Faz-me lembrar a manifestação que houve na minha altura do secundário, feita pelos colegas mais velhos contra a defunta PGA. Eu também me juntei a eles, mas não sabia porquê. A inocência ou a ânsia de querer participar não pode, nem deve, ser levada a mal. O que é de criticar é o aproveitamento que se faz de determinadas conotações. A contestação social é até salutar, desde que as fronteiras da legalidade não sejam ultrapassadas. A manifestação e a greve são direitos garantidos na nossa Constituição e de qualquer Estado de Direito que se preze. Fala-se do 'timing' da greve geral. Que este não seria o momento para a convocar. Que se perde muito dinheiro com a greve. Que pode degenerar em tumultos. Alto e pára o baile! A greve é contra a austeridade. A austeridade está aí agora. É contra o desemprego, que também veio para ficar. Perde-se muito mais dinheiro com certas empresas públicas e negócios mais ou menos públicos. E se houver tumultos, os responsáveis serão punidos porque ainda não crescem bananas no nosso quintal. A falsa premissa do medo de tumultos, não pode ser usada como argumento contra o direito inalienável de manifestação ou de greve. Tal como os professores, apesar de há época não concordar com as suas reivindicações.
E por falar em Constituição, que dizer da medida aprovada na Assembleia Regional da Madeira, que permite que 1 deputado do PSD local possa votar por 25? Hum... Manifestação? Tumultos? Neste caso a desobediência civil podia ser necessária para repor a legalidade duma forma encapotada de ditadura. A nossa sorte é ainda termos um Tribunal Constitucional independente do poder político. Acho curioso, no entanto, que isto tenha passado ao de leve na vasta trupe de comentaristas e 'opinion makers'.
E por falar em Constituição, que dizer da mais que provável eliminação de alguns feriados? Bom... Se for nos feriados que está todo o mal da nossa economia, então a solução é acabar com todos. Se não está ou se acham que é só um bocadinho, então eliminem os católicos porque esses são inconstitucionais. Sim, a nossa Constituição diz que o Estado Português é um Estado laico, portanto acabem com a Páscoa que calha sempre ao Domingo, acabem com o Natal (perdoem-me a blasfémia) porque dia 24 de Dezembro há sempre tolerância de ponto e na sua génese está uma celebração pagã, e os residentes em Portugal (portugueses ou não) que não são católicos não têm direito aos feriados das suas crenças. Mas pelo amor da santa, não me tirem o 25 de Abril, nem o 1º de Maio ou o 5 de Outubro. Há coisas que devem ser relembradas, para não serem esquecidas...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A dieta Thatcher

quarta-feira, 28 de setembro de 2011 0
1- O Estado obeso é a imagem caricaturada que se nos apresenta como meio de justificar os tão apregoados cortes na despesa, SNS, escola pública e no sector empresarial do Estado. O corte nas gorduras do Estado, como um qualquer concorrente do programa da SIC 'Peso Pesado', deveria implicar exercício físico aliado a uma saudável dieta. Ao mesmo tempo que se reduzia na alimentação sem regra, substituindo-a por outra mais saudável e rica, punha-se o Estado a correr e a ganhar músculo. Ora, a receita que nos apresentam, como cura milagrosa, é nada mais, nada menos, que uma lipoaspiração.
A orientação ideológica de Passos Coelho e seus pares, escudada num acordo com a Troika, visa a fragilização do trabalho, ainda que com medidas que possam inclusivamente atropelar a Constituição, vejam-se as novas medidas anunciadas para acrescentar à licitude do despedimento individual (incumprimento de objectivos e quebra de produtividade). Estas medidas a serem aprovadas, de tão genéricas e discricionárias que são, fragilizam as relações laborais e flexibilizam os despedimentos.
Os dividendos, os juros e o capital não são taxados, em primeiro lugar por uma questão ideológica, em segundo lugar porque é mais fácil ir buscar receita ao trabalho da classe média que trabalha por conta de outrem. Os arautos da economia discutiram até à exaustão a famosa taxa Buffet, para eventualmente poder ser aplicada em Portugal, não chegando a conclusão nenhuma, porque a cientificidade empírica do imposto sobre o património era muito difícil de alcançar. Amorim é um assalariado, Berardo tem um empréstimo de 360 milhões na CGD, que pediu para tomar conta da direcção do BCP, amortizável em acções que não valem um rebuçado, e os cortes que nos impingem são feitos nas prestações e nos apoios sociais, na educação, na saúde e na cultura.
A política de privatizações, em vez de fortalecer o Estado, onde ele é mesmo necessário, vende ao desbarato, numa política cega de terra queimada, sem qualquer estratégia, deixando o Estado afastado dos centros de decisão e indefeso do ponto de vista económico. Ex: se venderem a TAP a Espanha, o tráfego para África será feito a partir de Madrid. Ora, África é precisamente para onde Portugal exporta mais. Sem me alongar mais, Águas de Portugal, GALP, REN, e outros case study de um modelo Thatcheriano aplicado 30 anos depois, irão desmoronar qualquer castelo de esperança e atirar-nos para uma profunda recessão endémica, comparticipada a galope do desemprego, da especulação e da crise das dívidas soberanas, que entraram pelo buraco aberto pelos nossos próprios erros e falhas.
Com tudo isto, teremos um Estado balofo, com menos peso é certo, mas sem músculo, deixando a sociedade abandonada à sua sorte, sem confiança nas instituições, porque tudo o que é público, ou não existe ou não tem qualidade. A iniciativa privada terá então a missão de fazer renascer das cinzas um Portugal amordaçado. A fé irracional neste sistema irá desagregar e desestruturar toda a construção conquistada em democracia de um Estado Social mais justo e eficaz. Até porque já se sabe que o nosso tecido empresarial, não é suficiente nem forte, para poder competir com a especulação financeira e com o impasse negligente e a incapacidade da Europa.

2- O dr. João Jardim escondeu deliberadamente as contas. O dr. João Jardim apela ao separatismo e à desordem. O dr. Jardim goza com a cara de toda a gente e ainda se vangloria em orgias de vinho e inaugurações. Se outros deveriam ser responsabilizados criminalmente como ouvi dizer há uns meses, o dr. João 'cratera' Jardim devia ser extraditado para a Venezuela ou para o Irão...
Passos Coelho na entrevista dada à RTP, para além de não ter ideia nenhuma de dinamização da economia, admitiu uma renegociação da dívida com a Troika. Em Junho isso era uma blasfémia... Cavaco continua sereno e calado como habitualmente. Terá engolido algum sapo com sabor a banana?

3- O reality-show da TVI 'Casa dos Segredos 2', é talvez o pior lixo televisivo a que tive «oportunidade» de assistir (sim, consegui perder 5 minutos), feito à base de pessoas semi-nuas em estado de morte cerebral.




 
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