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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A tragédia e o pasquim - diferentes visões da comunicação social

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012 0
1- A tragédia que se abateu ontem num estádio de futebol no Egipto deve ser vista à luz dos recentes acontecimentos ocorridos naquele país. A nossa comunicação social tem cada vez mais uma visão voyeurista no que concerne aos grandes escândalos e tragédias. Ouvi uma jornalista dizer que os adeptos egípcios são muito fervorosos. Uma forma subtil de dizer que são agressivos ou violentos. Acontece que esse fervor já não é de agora. A diferença está sim no tratamento dado pelas autoridades. Quando submetidos a um regime ditatorial e autoritário, os adeptos fervorosos não matavam ninguém. As autoridades regiam com punho de aço e o adepto era quartado na sua missão vingadora. O povo egípcio fez a sua revolução, votou em quem muito bem entendeu e as autoridades sabem que agora quem manda é o povo. Óptimo, digo eu. O pormenor está na falta de liberdade de expressão que manietou durante décadas os egípcios. A liberdade chegou de uma só vez, e num povo maioritariamente árabe, com fortes restrições religiosas e após décadas de uma ditadura autoritária, também ela aproveitando a religião como truque de sistema, o povo egípcio ainda não sabe viver em liberdade (Portugal é livre há quase 40 anos e ainda não sabe; e esteve perto da guerra civil em 1975). Certamente irá aprender, mas excessos destes não são culpa do futebol. A maioria das vítimas são agentes de segurança e da polícia, e isso diz tudo acerca da maneira de como os egípcios vêem a autoridade.
O povo da Síria é martirizado todos os dias, morrem aos milhares, trucidados e assassinados, e não vejo nenhum directo ou programa de comentadores residentes ou não na comunicação social. Há muitos Murdoch's por aí...

2- Atalho de foice, o pasquim 'A Bola' trazia na capa de segunda-feira o seguinte título "Galo amigo da Águia". Sem tirar o mérito ao Gil Vicente, sem passar uma esponja na inexistente exibição portista, ignorou o pasquim propositadamente a influência negativa dessa vuvuzela que dá pelo nome de Bruno Paixão, ao não assinalar duas grandes penalidades consensuais a favor do FCPorto e ao validar dois golos ilegais ao Gil (o primeiro golo nasce de uma falta que não existe, e o segundo é precedido de fora de jogo). É muita coisa a ser ignorada.
Como ignorados foram os alegados comentários racistas dirigidos por Javi Garcia a Alan. Não sei se existiram ou não, mas pelo menos um inqueritozinho era o mínimo. Vejam aqui o tratamento inglês dado à questão e o que foi dado por um grande benfiquista aqui.
E como quase ignorada foi a declaração do grande Rei Eusébio de amor eterno benfiquista, talvez para justificar o cachet de embaixador, mas que de profissional não tem nada: "Já tinha avisado o treinador do Beira-Mar, o Manuel de Oliveira, que não ia rematar à baliza. 15 minutos antes do jogo fui ao balneário do Benfica e avisei para que não se preocupassem, pois não ia marcar golos. Não rematei, não marquei faltas nem grandes penalidades... andava lá no campo só a passar a bola aos outros. E nesse ano o Beira-Mar ganhou ao Sporting e o Benfica foi campeão". Se fosse um jogador conotado com outro clube?!?!
A comunicação social paga a pessoas para escreverem artigos de opinião e para comentarem segundo a sua visão. A comunicação social tem que ser isenta. Não quero com isto dizer que 'A Bola' é o único a usar este tipo de jornalismo desportivo, muitas vezes provocador, mas que abusa lá isso abusa.

Declaração de interesses - Sou adepto e sócio do FCPorto mas reconheço que o Benfica está na frente do campeonato por mérito próprio. É que ainda há quem justifique com as arbitragens as vitórias inquestionáveis do FCPorto e isso irrita-me... (mesmo quando o 2º classificado ficava a vinte e tal pontos de distância e quando era campeão europeu - o que aconteceu nos anos do famoso apito dourado - curioso que toda a gente agora é adepta do Mourinho).

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A esperança joga ao dominó

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011 0
A democracia é um sistema político assente nos ideais da Liberdade, da Justiça e da Igualdade, no sufrágio universal, no respeito pela individualidade, na separação de poderes e no poder soberano do Povo.

Podemos discutir se o sistema é perfeito...não, não é. Mas é o melhor encontrado em milénios de evolução humana. Pode ser melhorado, claro. Podemos alterar a Constituição, a organização, a forma e a maneira de votar e eleger os nossos representantes, mas os princípios são intocáveis.

Por estes dias assistimos ao efeito dominó na Tunísia e no Egipto, e em que verdade seja dita, a internet e as redes sociais tiveram um papel fundamental. Quem nunca conheceu outra coisa que não a ditadura, é levado a pensar que nada de novo existe além fronteiras, até lhe ser 'apresentado'. A internet globalizada e globalizante tem um papel fundamental hoje em dia na partilha de informação, principalmente em sítios onde até há bem pouco tempo essa informação não chegava, fruto de governos e ditaduras fechadas e balizadas na religião.
É hipocrisia não se fazer a associação entre as ditaduras alicerçadas na religião e o Mundo Árabe. Sem qualquer tipo de superiodade moral ou xenófoba, é seguro afirmar que os líderes religiosos e políticos árabes sempre se serviram da religião e do Alcorão para manter o poder em nome de Alá. Aliás, são ensinados desde muito novos a odiar o ocidente e tudo o que ele representa. O fundamentalismo islâmico é fruto da educação e da má interpretação do Alcorão, que apesar de nunca o ter lido, sei que se fundamenta nos mesmos princípios da nossa Bíblia (e esta já a li). Podemos não acreditar no que lá está, mas os princípios são bons (como se dizia no fim do filme 'Conan', 'mas essa já é outra história').

Chegados aqui, vi-me confrontado com as declarações de Benjamin Netanyahu, PM israelita, em que afirma estar preocupado que o fundamentalismo islâmico chegue ao poder nestes países com revoluções em curso (espera-se que o próximo seja a Líbia de Khadafi). Pois bem, devo dizer que o senhor Netanyahu, que tem um Ministro dos Negócios Estrangeiros de extrema direita, está é preocupado que a esses países chegue a democracia.
Pois, se Israel estiver rodeado de países democráticos, com certeza não vão aceitar colonatos e muros em territórios que não são israelitas. O Egipto não vai aceitar continuar a guardar o gueto de Gaza, ocupada ilegalmente com o beneplácito americano. Não podem continuar a aceitar o bombardeamento de civis e crianças, os checkpoints de pessoas só porque são árabes, sendo que nem todos os árabes são islâmicos.
Com democracias vizinhas Israel teria que negociar com países que verdadeiramente se começam a importar com os direitos humanos e especificamente com a sua violação na sua região. Muito seria diferente para um povo que não tinha pátria, foi perseguido durante milhares de anos e passou a ter um governo que sempre se habituou a viver na impunidade, perseguindo os fundamentalistas com o ódio dos radicais e extremistas.
Sem tiranos que chantageiam com o poder de Alá, que usam o fundo americano para se manterem calados e no poder, com a continuação do dominó democrático, e não á bomba como no Iraque e no Afeganistão, talvez um dia haja paz e uma nação israelita que reconheça o direito à vida da nação palestiniana. Talvez com a benção dos EUA. Talvez. Nunca a esperança foi tanta como agora.

Post Scriptum - Já agora, quem é o Carlos Castro?

 
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