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quinta-feira, 5 de abril de 2018

O esgoto do mundo

quinta-feira, 5 de abril de 2018 0

O atual momento da guerra na Síria revela perigos que não devem ser ignorados. Após sete anos de conflito, assiste-se a um novo agravamento da violência.
O conflito que há muito deixou de ser uma guerra civil entre o regime de Bashar al-Assad (um dos maiores genocidas da história recente) e os múltiplos movimentos de oposição transformou-se numa luta pela afirmação de interesses e influência de atores externos: da Rússia aos Estados Unidos, passando pelo Irão, Turquia, Israel e Estados do Golfo.
Significa que estamos perante múltiplos conflitos, em paralelo, no mesmo cenário de guerra, e que encontra na Síria atual um ambiente propício para o confronto. Ignorar esta complexa realidade impede soluções e promove uma fundada inquietação quanto ao futuro próximo.
A passividade perante a tragédia humanitária na Síria enche de vergonha o mundo inteiro. De acordo com a ONU, desde o início do conflito, em Março de 2011, calculam-se mais de 250 mil mortos, 5.,5 milhões de refugiados, 6,1 milhões de deslocados internos e 13,1 milhões de pessoas a necessitar de ajuda humanitária. Em Ghouta, as ações militares das últimas semanas provocaram centenas de mortos, entre os quais dezenas de crianças, e um cerco à cidade que resulta em escassez extrema de alimentos e medicação, deixando ao abandono milhares de feridos.
Chocam as imagens de destruição. A resposta internacional foi a adoção de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que exigia um cessar de hostilidades por 30 dias e uma “pausa humanitária” que permitisse a entrada de ajuda e evacuações médicas. Em Ghouta, continuaram os ataques e cresceu o número de vítimas. As reiteradas violações de resoluções do Conselho de Segurança da ONU leva a questionar para que serve, quando todos os envolvidos têm responsabilidade direta nessas violações. Aprovam a resolução e são os próprios que não a respeitam. Fracassadas as iniciativas diplomáticas, escasseiam soluções. Os Estados Unidos reduzem-se a posições de condenação, consideram responsabilidade russa controlar o regime de Damasco e avaliam novas soluções militares. Com Trump nada é certo e a qualquer momento, como se viu recentemente, pode dar uma cambalhota de 180 graus.
O impasse na Síria resulta da passividade e apatia internacional, mas também da banalização de uma violência que diariamente inunda os cidadãos, tornando a exceção uma regra. A inação face à tragédia na Síria não é apenas um problema no Médio Oriente, é um sinal de alerta para as sociedades liberais, defensoras dos direitos e da dignidade humana.
O cocktail explosivo que sempre foi o Médio Oriente, com particular enfoque em Israel e agora na Síria, a que se soma a política de cambalhota de Trump e Putin, mais os ódios religiosos, tornam o conflito sírio uma bomba relógio que poderá tomar proporções catastróficas.
À míngua de líderes na Europa capazes de ter uma voz ativa, o que nos entra pela casa adentro é a visão perturbadora de crianças desamparadas pela fome e pela guerra, cobertas de sangue inocente. A impotência de uma Europa que não sabe o que quer e assiste a tudo com a ligeireza meteorológica batizada com um nome qualquer.
O que se pode fazer é a pergunta que se impõe. Em primeiro lugar dizer a verdade e transmiti-la. Lutar contra a propaganda que retrata os civis sírios como terroristas legitimando assim as suas mortes. Espalhar que o regime ditatorial de Assad assassinou milhares de crianças com recurso a armas químicas. Denunciar os seus crimes contra a Humanidade. Denunciar os interesses estratégicos e geopolíticos das potências mundiais e regionais envolvidas, ignorando sempre as vítimas e a ajuda humanitária.
Mas sobretudo, o que podemos fazer é acolher e ajudar os refugiados a sentirem-se bem-vindos e apontar o dedo aos xenófobos mesquinhos que usam expressões como ‘não quero cá terroristas’, ou ‘ vão roubar os empregos’.
O que pode fazer o governo? Denunciar o regime sírio ao Tribunal Penal Internacional. Fazer lobby na UE para aumentar a pressão e as sanções à Rússia e ao Irão. Reforçar de uma vez por todas o seu compromisso com os refugiados. Fazer-se ouvir nas várias plataformas internacionais a que pertence, UE, NATO, ONU…
                E porquê? Porque intervir para salvar vidas de civis não é apenas uma responsabilidade humanitária mas uma obrigação moral.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Trumpalhada

sexta-feira, 11 de novembro de 2016 0
Trump venceu as eleições americanas... Este título há uns anos faria rir muita gente. Hoje ninguém se ri. A não ser os idiotas que nele votaram. Não há volta a dar. Só podem ser idiotas, para não dizer outra coisa. Alguém que diz que as mulheres devem ser tratadas como merda, que diz que vai erguer um muro na fronteira com o México, que diz que vai proibir a entrada a mais imigrantes, especialmente os muçulmanos, que afirmou que se fosse eleito mandaria prender a sua oponente, que diz que o aquecimento global é uma coisa inventada pela China, que é xenófobo, racista, populista, fascista e misógino, alguém que diz o que diz e pensa assim não pode ser eleito para coisa nenhuma, quanto mais para o cargo mais poderoso do mundo. Quem apoia e vota numa pessoa assim não pode merecer respeito. Ou é completamente ignorante, tal como Trump, ou não é, e então é como ele. Milhões de americanos são assim, ignorantes, quero crer.
Importa agora, chegar ao fundo da questão. Porque é que isto aconteceu? E não vale a pena dizerem que aquilo foi tudo show off de campanha. Os discursos do homem vão ser sempre um murro no estômago. E vamos vê-lo e ouvi-lo inúmeras vezes.
O fenómeno, nestas eleições, não era apenas Trump. Era também Clinton. Não poderia haver escolha mais falhada para uma oposição a Trump do que um dos maiores símbolos de tudo o que a maioria dos norte-americanos queria recusar.
A verdadeira razão para a eleição de Trump, é a mesma que surge na Europa. É a ruptura entre a política e as sociedades ocidentais, resultado da longa crise económica e financeira e da globalização que deixa grande parte dos cidadãos de fora.
A insegurança e o medo, as desigualdades, o desemprego, a perda de rendimento, a austeridade, o endividamento e a dívida. A globalização que tinha a virtude de aproximar pessoas e mercados, rapidamente se transformou e subverteu. Desregulou-se o capital e a economia passou a mandar na política. Os mercados orientais entraram-nos pela porta adentro, fazendo uma concorrência impossível de acompanhar pelas nossas empresas. O grande capital financeiro das grandes empresas passou a recrutar no oriente a sua mão de obra, mais barata para minimizar custos e aumentar lucros. O emprego ficou aqui mais caro e a consequência foi o aumento brutal do desemprego. A crise financeira, causada pela total desregulação do mercado rapidamente tomou conta dos estados e dos países.
As pessoas assustaram-se e maltratadas pela globalização estão disponíveis para ouvir e apoiar quem lhes prometa mudança. Com ou sem princípios. Com ou sem conhecimento. O problema é que essa mudança não vem de quem deve vir, num sistema político falhado e paralisado, Nos EUA como aqui.
Usando a demagogia, Trump conseguiu dar uma resposta, ainda que assente em falsidades, aos anseios de milhões. A eleição de Trump é mesmo uma mudança histórica. A sua chegada à Casa Branca criará um clima insuportável de tensão racial no país. Um homem que não acredita no Estado de Direito terá um poder decisivo na constituição do Supremo. Os muçulmanos não esquecerão nada do que Trump disse e os norte-americanos voltarão a ser insidiosos na luta contra o terrorismo. O combate às alterações climáticas recuará e o preço será pago pelos nosso filhos e netos. O mundo ficará ainda mais perigoso porque Trump não acredita na democracia, apesar de ser um filho da globalização.
O mundo está a caminhar para aqui. Líderes populistas e de pensamento fascista, que conseguem capitalizar por essa via o descontentamento popular, transformando-o em poder pessoal anti-sistema.
Vivem-se tempos negros, e se não aparecerem líderes capazes de dar resposta ao ímpeto de mudança que as pessoas desamparadas exigem, que não consigam serenar e diminuir as desigualdades, que não lhes inspirem confiança, que não usem o sistema a seu favor, mas a favor dos votantes, temo o pior... Não sei se depois de Trump ainda iremos a tempo...

quarta-feira, 6 de março de 2013

Morreu um ditador

quarta-feira, 6 de março de 2013 1
Morreu Hugo Chávez. Morreu um ditador. Apesar de nutrir alguma simpatia pelo homem que sempre disse de Bush Jr. o que ninguém tinha coragem para dizer, a verdade é que deixou o seu país na pobreza, mesmo nacionalizando a maioria dos factores de produção, com especial destaque para o petróleo. A sua veia pouco democrática de poder absoluto, de controlo do Estado e de plebiscitos duvidosos é um factor que não pode nem deve ser ignorado. Morreu um ditador. Que usou a propaganda e o populismo como todos os ditadores o fizeram no passado. Aproveitando as crises, económica e financeira, do capitalismo (de mercado e liberal) e dos valores da democracia.
Assim sucedeu, como a história nos faz questão sempre de lembrar, há quase um século. Na Alemanha, na Itália e em Portugal. Em Espanha e na América Latina. Na África e na Ásia. Na URSS.
Na ressaca da I Grande Guerra, o desemprego e a pobreza eram os principais problemas da Europa. Na Alemanha o desemprego atinge os 33% nos princípios dos anos 30. As reparações de guerra e o tratado de paz de Versalhes com perda de território e de população é visto como uma humilhação. As convulsões antidemocráticas e contra a I República de Weimar fazem proliferar os grupos paramilitares e extremistas, entre eles o nazi da Baviera. A onda antidemocrática e antirrepublicana varre o país. A desvalorização do marco e a hiperinflação transformam burgueses em mendigos e especuladores em milionários. A austeridade esmagava o povo e protegia as classes mais abastadas. Entretanto dá-se o crash da Bolsa de Nova Iorque em 1929, o crédito fechou as torneiras e a recessão agrava o que já era grave. Um jovem aproveita a onda e munido de propaganda e populismo promete fazer da Alemanha um império (Reich). Esse jovem chamava-se Adolf Hitler.
À semelhança da Alemanha, na Itália as críticas aos partidos, ao funcionamento do parlamento e aos deputados, ao próprio regime democrático, a crise económica, a crise de valores e de referências são capitalizadas por um orador capaz de inflamar e influenciar as massas, levá-las ao delírio. Dotado de um grande sentido cénico aparece Mussolini.
Em Portugal a I República que chegou a ter três presidentes no mesmo dia está em crise de identidade. De valores. A crise económica e o desemprego levam a um nível nunca visto de emigração. A propaganda fez um homem. Salazar. O resto da história já sabemos.
Nos EUA um homem segue as teorias keynesianas de luta contra a crise. Investimento público, criação do sistema de segurança social, foi lançada a génese do Estado-providência, do Estado social. Foi o New Deal de Roosevelt. A seguir à II Grande Guerra os EUA conheceram uma das épocas de maior prosperidade da sua história. Até Reagan e a mudança de políticas. Já agora, reparem na diferença entre as políticas seguidas na Europa e as dos EUA. Há quase um século e agora. Obama já começou em força o investimento público. A Alemanha começa a reforçar o seu Estado social, enquanto impõe políticas de austeridade à Europa. O diktat de Versalhes é agora o diktat da Troika. Porque a Alemanha jurou nunca mais ter dentro de portas o hiperinflacionismo que a amordaçou antes da II Grande Guerra. As semelhanças com o passado entre esta Europa e aquela de princípios do século XX são assustadoras e muito preocupantes. É bom que os políticos saibam ler os sinais vindos de todo o lado, para já com maior alarme, de Itália.
A propaganda e o populismo que já se pode ver por essa Europa fora, v.g. Grillo em Itália, é um perigo à espreita. O défice de confiança na política e a austeridade castradora de direitos, liberdades e garantias, aliadas à falta de resposta dos líderes em funções, podem levar a uma onda de independentes dispostos a cavalgar a onda da pobreza e da crise. Está nas mãos de quem elege escolher com sabedoria. Para não aparecerem mais grilos falantes a bloquear democracias. E, sobretudo, para que a história não se repita.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Inocências perdidas

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013 0
As crianças são o melhor do mundo. Ponto final, parágrafo.
E é incumbência moral superior de qualquer ser humano adulto, protegê-las. Proteger a sua inocência, para que cresçam saudáveis (mentalmente, bem entendido). São clichés usados por todos, mas que na prática, como em quase tudo é subvertido pelo que a espécie tem de pior.
A fotografia vencedora deste ano da World Press Photo, mostra em todo o seu esplendor o resultado da cólera humana que afecta sempre os inocentes. E os inocentes são as crianças. Quando uma imagem vale mais que mil palavras. O mundo de hoje não se compadece com o martírio e a infelicidade de crianças, que mesmo sobrevivendo a inúmeras causas e caos, nunca mais serão as mesmas. A sua inocência perdeu-se para sempre. Demasiado cedo. E ter que lidar com isso demasiado cedo, por ser tão incompreensível, alterará o seu futuro desenvolvimento.
Mas não se pense que no nosso quintal a matéria não se processa de igual forma. Não é necessária uma guerra para tirar a uma criança a alegria de crescer, e sobretudo de aprender a crescer.
O divórcio dos pais, sobretudo quando os progenitores usam os filhos como arma de arremesso, pode ser um catalisador de inúmeros problemas e patologias. Os casos que temos visto de pais que matam os filhos, para em seguida, na maioria dos casos, se suicidarem, é um gatilho de egoísmo e loucura inexplicável.
Os EUA são os recordistas de perda de vidas e inocências, quase sempre infantis, pois que ocorrem em escolas, um dos principais pilares da educação de todo e qualquer ser humano. A 2ª emenda à constituição americana justificava-se há 150 anos (1871), quando os EUA ainda não eram um estado federal coeso, e a sua guerra civil ainda estava fresca. Já todos vimos inúmeros westerns. Hoje em dia, a emenda só se mantém, escandalosamente, devido ao lobbie das armas. A NRA (National Rifle Association) continua a defender o acesso e uso de armas por qualquer cidadão, ainda que sejam armas de guerra. Após o massacre de Newton veio defender o uso de armas pelos professores e contínuos, afim de se poderem defender de um assalto armado. Põe a questão ao contrário. A principal questão é a de jovens, e muitas vezes crianças, terem acesso a armas. E o porquê de as usarem. A doença mental não explica tudo. Se um doente mental não tiver acesso a armas, é mais que provável que daí não resulte um qualquer massacre.
É dever de todos proteger as nossas crianças, porque quer se queira quer não, são elas que conduzirão o futuro, que já por si se lhes apresenta sinuoso. Se a sua inocência infantil não as ajudar a um crescimento saudável e orientado, então a nossa missão falhou, e o futuro será cada vez mais incerto. As crianças de hoje serão os líderes de amanhã. E esses hoje já não são muito recomendáveis...

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Um pouco mais de esquerda

quinta-feira, 13 de setembro de 2012 0
O calor de Verão naquele dia de Agosto era um fogacho do que se esperaria. E como o tempo é sempre um óptimo desbloqueador de conversa, quebrei o gelo referindo que o Verão naquele dia se tinha escondido. "Os comunistas é que deram cabo disto tudo!" - recebi como resposta. Ora, não sendo comunista, ainda assim percebi que a resposta não se limitava ao estado do tempo em particular, mas a tudo de um modo geral, e não consegui disfarçar um sorriso irónico. No entanto, nada disse.
Como explicar a um homem emigrado nos EUA há mais de 50 anos, que vive o sonho americano, que a coisa não era bem assim?! Como explicar-lhe que os EUA são dos poucos países que se recusaram a assinar os acordos de Quioto? Como explicar que foram as políticas liberais de Thatcher, Reagan, Bush pai e do idiota do Bush Jr. que permitiram a total desregulação do sistema financeiro e levaram ao rebentar da 'bolha'. Com as consequências que se conhecem. Como explicar que foram os especuladores 'agiotas' de colarinho branco que destruíram a economia ocidental, em nome dos mercados e da livre iniciativa de mão invisível. Como explicar que são os mesmos ainda que se propõem resgatar os estados, reféns das suas políticas de austeridade, urdidas em conselhos de administração de empresas que têm ministros e o FMI em speed dial. Como explicar que continuam a ser os mesmos a ditar (do verbo diktat) a maneira como serão os contribuintes e os trabalhadores a pagar o colapso do sistema por eles implodido e que agora pretendem reformar com mais do mesmo, impondo cartilhas liberais a cegos discípulos cheios de tesão, inebriados por uma falsa sensação de poder, cada vez menos legitimados (sim, agora estou a falar do 'conselheiro' Borges). Como explicar que o país mais 'democrat' do mundo, considera eleger para presidente outro idiota (Romney) do género Bush Jr. Será coincidência que todos os referidos venham dos católicos republicanos, que representam uma América contra o aborto, mesmo em caso de violação ou má formação, a favor dos lobbies, dos cidadãos armados até aos dentes, da política externa baseada no petróleo e na mentira e na guerra para o conseguir, num mapa geoestratégico de interesses, de perseguição e de intolerância só comparada com a dos terroristas, numa política fiscal de favorecimento dos mais ricos e proteção dos mais influentes (para o bem ou para o mal), no óbvio reforço do sector militar, na política de saúde do pagador/utilizador, estilo comparar pessoas com scut's (tens dinheiro e seguro vives, não tens morres). Como explicar que 50% de americanos do país com mais estúpidos por m2 não percebe nada disto, nem quer, ferrados no patriotismo bacoco de melhor nação do mundo, com uma arma na mão e uma bandeira na outra.
Obama será melhor? É, mas não muito. É confrangedor ver que a nação mais poderosa do mundo (até a China lhe apetecer) só tem uma visão, de direita ou de  imbecil direita (a China não é uma democracia, por isso não conta para este cálculo), olhando de soslaio uma visão mais social e igualitária da sociedade, assente no individuo, na equidade e na redistribuição. Quem assim pensar leva com o rótulo de comunista, o pior insulto que se pode dirigir a um americano, como tentam insinuar com Obama, que instituiu a saúde gratuita para quem não puder pagá-la. Mais ou menos o contrário do que acontece hoje em dia em Portugal, seguindo uma ideologia deliberadamente assente na desforra do liberalismo sobre a doutrina social, abdicando da soberania dos estados, da proteção social na saúde e no trabalho, rasgando décadas de luta e de evolução.
Um pouco mais de esquerda, e um pouco menos de direita cá e lá e podia ser que os sacrifícios e a crise não doessem tanto... A crise começou lá e continua por cá!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A receita iraniana

quinta-feira, 12 de abril de 2012 0
A história encarrega-se sempre de fazer a justiça e dizer a verdade que em determinado momento não foi possível fazer e dizer. Assim, neste contexto, vários exemplos concorrem para demonstrar a teoria. Cingindo-me à questão ora em apreço, todos sabemos que no Iraque não havia armas de destruição massiva. Temos também o exemplo dos apoios políticos e financeiros dados a Saddam Hussein pelos Estados atlânticos e pelos Emirados do Golfo Pérsico para invadir o Irão e acabar com a revolução iraniana de 1979, numa guerra fútil que custou milhões de vidas e deixou o Iraque com a factura na mão. Levaria à invasão do Kuwait, à primeira guerra do Golfo, à 'invasão' de tropas americanas na Arábia Saudita, que por sua vez irritou os árabes, incluindo Bin Laden. A história tem momentos, mas todos são causa e efeito uns dos outros. O cerne da questão nestes casos é e sempre será o petróleo!... Ao isolar o Irão, e com a destruição do Iraque e o apoio à Primavera na Líbia, os seus oleodutos viraram-se para a Europa e para os EUA, podendo estes, deste modo, fazer face ao fecho da torneira no Irão.
O Irão não é uma democracia. Mas também o não é a Coreia do Norte ou o Paquistão. Todos têm um programa nuclear. A diferença? Petróleo...
Se o Irão bloquear o Estreito de Ormuz, as potências atlânticas (com os EUA e a Inglaterra sempre à cabeça, as mais das vezes encapotando-se no apoio da NATO ou da ONU, que diga-se a verdade, actuam assim por pressão e em último caso porque todos os países membros querem o seu quinhão) Israel e os emires do Golfo tratarão a atitude como uma declaração de guerra. A pressão sobre o Irão, feita pela secreta de Israel e a encapotada dos EUA, levará a uma guerra hipócrita, vil e calculada. Ninguém denuncia as mais de 200 ogivas nucleares que Israel possui e que ao contrário dos iranianos e de forma leviana e ilegal não assina o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Os EUA usam como ninguém a receita religiosa em seu favor. Empurrando Israel, branqueando o seu comportamento, porque por eles fomentado, os EUA tentam assim um benefício político em nome da democracia e contra a 'beligerância inata' dos povos islâmicos. A Primavera Árabe é um mito que será transformado a breve trecho em teocracias tementes a Deus e aos EUA. Dividir para reinar parece ser o objectivo estratégico.
E o Irão tem a bomba? Ou também esta não será encontrada? Apesar do regime ditatorial iraniano, e depois de terem sido alvo de uma sabotagem cibernética, incluindo o assassinato de seis cientistas nucleares, é de elogiar a postura até agora mais serena do Irão. Mais uma vez me socorro da história, que lembra que a ONU tudo fez para não condenar Bagdade que tinha invadido o Irão, que por sua vez sofreu um duro embargo, por, ironicamente, ter sido invadido. E o que aconteceu a seguir? Quando Saddam deu por terminado o seu desígnio e quis que lhe pagassem a factura pelo trabalho sujo, e quando lhe viraram as costas, o que fizeram os seus protectores? Destruíram-no. A teoria do país ditador, do eixo do mal, da bomba atómica e dos terroristas já não cola. Ou o Irão é mais ditador que a Síria, a Arábia Saudita ou o Paquistão, detentor da bomba, com relações perigosas a terroristas? As economias emergentes já não vão suportar mais, dois pesos e duas medidas, com estratégias de poder e jogos de guerra ancorados em falsos pretextos.
E o que se passa na Síria não é inocente. A Síria é um ponto estratégico para lá chegar mais facilmente. Derrubar Assad e pôr lá um conselho de transição fantoche, após a intervenção armada por parte da ONU ou da NATO é o passo que falta. Não que Assad não mereça, também não me esqueço e a história não esquecerá que massacrou o seu povo. Mas por trás desta rebelião não está apenas a Primavera Árabe e o efeito dominó. Alguém armou os rebeldes. Os mesmos que armaram os afegãos na guerra contra a ex-União Soviética e que armaram os iraquianos contra os iranianos. Espero que Portugal não faça parte do logro como o fez na triste cimeira da base das Lajes.
Para terminar, e para já, o preço do petróleo ainda não se baseia nisto, para já só se baseia na especulação, mas quando a altura chegar, a Europa e o mundo pagarão a factura, e não será apenas a dois euros por litro de gasolina, será nos transportes, na comida, etc. Os EUA serão a única potência mundial, é essa a estratégia, porque o barril negoceia em dólares e porque as guerras darão os seus frutos. A dúvida está naquilo a que estamos dispostos a fazer para os contrariar. Mas se tudo correr como até agora, os EUA vão ter muitos 'aliados' e Obama ficará na história como o maior 'flop' de propaganda que nos venderam...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Verdades inconvenientes

quarta-feira, 2 de novembro de 2011 0
A verdade inconveniente é aquela que todos sabemos, ou pensamos que sabemos, mas ninguém tem coragem de dizer. Ou porque não queremos ferir susceptibilidades (como gosto desta expressão!), ou porque temos medo das consequências (principalmente se só nós é que sabemos a verdade) e daquilo que possam ficar a pensar sobre nós. Daí a verdade ser muitas vezes inconveniente. Hoje escrevo com a noção de que poderei ser inconveniente.
1- A esperteza saloia que Papandreou utilizou para agradar a gregos e troianos, é um erro brutal e suicida. É de uma irresponsabilidade sem precedentes. É pôr nas mãos dos gregos a decisão de empobrecer sustentadamente ou empobrecer até atingir o nível de um país africano de terceiro mundo. Papandreou lavou as mãos como Pilatos. Tem a virtude de enfrentar os gregos com a realidade. Mas fica a pergunta: porque não houve referendo aquando do primeiro pedido de ajuda externa e só aparece agora que ele é mais fundamental que nunca? A democracia não se compadece com a escolha dos momentos mais oportunos. É que se a Grécia disser que não à pergunta não deixa de ficar a dever dinheiro. Muito pelo contrário. A falência ficará garantida. E a democracia será garantida após isso?
2- Os EUA são chantagistas e anti-democratas. A visão de povo humanitário esfumou-se com Bush e foi banida dos anais da história com o 'flop' Obama. A decisão de cortar o financiamento que davam à UNESCO apenas porque 107 países votaram a favor da entrada como membro nesse organismo da Autoridade Palestiniana, contra apenas 14 votos contra, é um acto chantagista e anti-democrata. Mas não se coibiram através da NATO de financiar a guerra contra Kadhafi, de quem eram amigos, inimigos, amigos, etc., consoante mudava de mãos o poder sobre o ouro negro. Eles e nós que também fazemos parte dessa corja.
3- Kadhafi morreu como matou. Mas a linha que separa quem mata e quem morre está na diferença como mata. O povo líbio não fez justiça a si próprio. A sua libertação não devia ter ficado manchada como ficou. O resto é mais pacífico. Seja em democracia ou em tirania, EUA, Inglaterra e França assegurarão com certeza os seus interesses, e o povo líbio logo se verá. Afinal Kadhafi também foi amigo muito tempo. A prova ficou em muitos bancos por essa Europa fora, incluindo o nosso banco público. Milhões roubados ao povo líbio com a cobertura dos agiotas do costume.
4- Paulo Portas é para mim o melhor ministro deste governo. (ponto!) Gostava de saber o que pensam os arautos da verdade, os defensores da honestidade sobre o facto de o nosso MNE andar a vender computadores Magalhães ao Hugo Chávez. Basta enviarem-me o que escreveram ou disseram quando era Sócrates a fazê-lo. Depois eu julgo a coerência...
5- A igreja veio criticar a cópia portuguesa do 'Código Da Vinci' de Dan Brown, escrita por José Rodrigues dos Santos. Tirando o pormenor de alguma falta de originalidade do autor português, existirá ainda alguém com dois dedos de testa e menos de 60 anos, que acredite em todas!? as patranhas que a igreja nos quer impingir? Mesmo depois de séculos de desmentidos, de escândalos e de mortes em nome da cruz de Cristo?

Espero ter sido muito inconveniente...


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A diplomacia cobarde da Palestina

quinta-feira, 6 de outubro de 2011 1
A história dos dias é muito comprida, mas vou tentar resumir em poucas linhas séculos de história, com todas as óbvias imprecisões que daí possam resultar.
As raízes do conflito Israelo-Palestino remontam aos fins do século XIX quando colonos judeus começaram a migrar para a região da Palestina. Sendo os judeus um dos povos do mundo que não tinham um Estado próprio, tendo sempre sofrido por isso várias perseguições, puseram em marcha o projecto sionista - cujo objectivo era refundar na Palestina um estado judeu onde antigamente ficava o reino de Israel, conquistado pelo império Otomano. Entretanto, a Palestina já era habitada há séculos por uma maioria árabe. Com a chegada dos judeus, as tensões começaram a surgir. Após vários Acordos e Conferências, em 1922 a Liga das Nações atribuiu a soberania da região ao Reino Unido, que, por sua vez em 1947, não sabendo e não querendo resolver o conflito que continuava latente com massacres e atentados dos dois lados, abandonou a região.
Em 1947, a recém criada ONU, através da resolução 181, propôs a criação de dois Estados independentes na Palestina. Em 1948, a Agência Judaica proclamou a independência de Israel. Nesse mesmo ano, a Síria, o Egipto, o Iraque, a Jordânia e o Líbano invadem a Palestina, com o argumento de que as populações são na sua maioria árabes e que o Estado de Israel é ilegal, assim como a resolução da ONU. Com o fim da luta armada, Israel passa a controlar metade da Palestina, a Jordânia controla a Cisjordânia e a Faixa de Gaza é controlada pelo Egipto. Até 1967... em seis dias, (daí a Guerra dos Seis Dias) Israel invade a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, os Montes Golã e Jerusalém oriental, alargando e reocupando esses territórios, resultando daí milhares de refugiados. Nasce então a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), todos se lembram de Arafat e da Autoridade Palestiniana, das intifadas, das resoluções da ONU constantemente violadas por Israel, de Rabin, Netanyahu  e Sharon e dos inúmeros acordos e negociações de paz, falhados.
Na semana passada, a Fatah reclamou nas Nações Unidas um Estado para a Palestina. Só que para isso ser solução precisa de um Governo legítimo e legitimado nas urnas, tribunais independentes e imprensa livre. A Fatah e o Hamas estarão em condições de o garantir? Duvido. Israel tem direito à sua defesa e segurança? Tem. Mas o sistema de defesa de Israel, assente na colonização da Faixa de Gaza e da Cisjordânia não facilita o processo.
Portugal foi eleito para o Conselho de Segurança da ONU, eleito em grande parte pelos países árabes e com o voto contra de Israel. Quisemos lá estar para podermos ter influência e voto na matéria, certo? Portas e Passos Coelho disseram nim ao processo. Ou seja, Estado da Palestina sim, desde que negociado com Israel, ou seja nas condições que eles impuserem. Os americanos assim o disseram, os cordeiros vão atrás. Israel impõe mais uns quantos colonatos, e já têm base para negociações por mais 40 anos. O único Estado palestino que Israel reconhecerá será um território de 50 Km2, na faixa de Gaza, rodeado por um muro de 30 metros de altura e cercado por canhões. Se a Palestina não tem direito a Estado na sua própria terra são o quê? Apátridas? Obama recuou, e com ele toda a margem de negociação ficou limitada à vontade de Israel. Os EUA continuam a ter uma visão mercantilista do conflito, apoiando Israel no controlo do Médio Oriente e claro do petróleo que lhe está subjacente. O lóbi pró judaico-americano continua também a ditar regras sobre todos os presidentes norte-americanos, e ainda não houve nenhum que não se acobardasse. As generosas contribuições dos judeus nas campanhas eleitorais americanas assim o ditam. Judeus e cristãos fanáticos que acreditam que Israel é a linha da frente do combate contra o Islão. A UE continua a não ter uma voz única e influente, distraída com as tiradas económico-colonialistas de Merkel. Se acha que Estados europeus deviam perder soberania, muito menos aceitará atribui-la à Palestina. A nova Alemanha com vícios antigos...
A resolução do conflito só se fará quando os EUA quiserem, ou quando a UE tiver voz respeitada e influente. Com dois Estados independentes na região. Não será no meu tempo...



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O mundo em mudança

sexta-feira, 16 de setembro de 2011 0
Onde estava no 11 de Setembro de 2001? O que mudou no 11 de Setembro de 2001? São por estes dias as perguntas mais repetidas. No meu caso, à primeira pergunta, pouco interesse terá a sua resposta. Quanto à segunda pergunta, a sua resposta já poderá ser mais pertinente. Sendo assim, o que mudou no 11 de Setembro de 2001? Resposta: nada ou quase nada. Senão vejamos. Os EUA invadiram dois países, Iraque e Afeganistão, afinal de contas tinham a desculpa perfeita. Lembram-se das armas de destruição massiva? 10 anos volvidos, o bodybuilding americano está feito, não fora a crise económica. O petróleo está mais ou menos controlado, e a indústria de armamento está refeita e próspera. Pelo meio, mataram Bin Laden, aliado de outros tempos, quando dava jeito armá-lo contra a invasão russa do Afeganistão, e mataram também Saddam Hussein, à segunda, porque na primeira guerra do golfo não deu jeito. Ambos executados sem julgamento.
É certo que o 11 de Setembro foi um duro golpe, ou se quiserem, murro no estômago, no orgulho bacoco dos EUA. É certo que morreram muitos inocentes. Morreram muitos mais a seguir.
O que verdadeiramente mudou o mundo foi a crise internacional de 2008. Que começou nos EUA. Coincidência ou talvez não. O que mudou foram as economias emergentes que transformaram o mundo bipolar. A China, o Brasil, a Índia transformaram-se em potências económicas à custa da UE, dos EUA e da Rússia.
O que mudou foi a 'primavera Árabe' de 2011. O despertar da democracia, do diálogo e do respeito. Da tolerância e da liberdade. A demonstração cabal de que é possível ser muçulmano e viver em democracia, como o provam a Turquia, a Malásia e a Indonésia. Aliás a jihad e a Al-Qaeda só agora perderam a guerra, com a rejeição das extensas camadas populares a que se dirige. O terrorismo existirá sempre, mas nunca mais da mesma forma.
O que não mudou foi a política sectária, de interesses e de controlo de recursos. Se a NATO, a ONU e os próprios EUA nada tiveram a dizer na Tunísia, pouco fizeram no Egipto. Já na Líbia, quando o 'amigo do petróleo' Kadafi, ficou em risco de não poder controlar o ouro negro e os seus negócios, o bombardeamento da NATO é uma vergonha só comparável ao silêncio castrador do conflito Israel-Palestina. É só reparar na diferença de tratamento e na atenção dispensadas à Síria. É ver as imagens da visita de Cameron e Sarkozy à nova Líbia e as imagens da visita que não fizeram à Tunísia e ao Egipto.
O mundo não mudou no 11 de Setembro de 2001. Mudou uns anos mais tarde.
Os tempos que vivemos, embora difíceis, são extraordinários. Desde a 'primavera Árabe' e os desenvolvimentos que daí possam surgir (com o impacto que terá na Palestina), passando pelo sim ou sopas da UE, em que assistiremos ou ao seu desmoronamento ou ao seu federalismo, terminando numa nova ordem mundial de capitalismo de estado, com a ascensão da China e do Brasil, e a viragem à esquerda da Europa (ontem na Dinamarca, amanhã na Itália, na França e na Alemanha).
O mundo está a mudar hoje, é preciso saber acompanhá-lo...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A esperança joga ao dominó

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011 0
A democracia é um sistema político assente nos ideais da Liberdade, da Justiça e da Igualdade, no sufrágio universal, no respeito pela individualidade, na separação de poderes e no poder soberano do Povo.

Podemos discutir se o sistema é perfeito...não, não é. Mas é o melhor encontrado em milénios de evolução humana. Pode ser melhorado, claro. Podemos alterar a Constituição, a organização, a forma e a maneira de votar e eleger os nossos representantes, mas os princípios são intocáveis.

Por estes dias assistimos ao efeito dominó na Tunísia e no Egipto, e em que verdade seja dita, a internet e as redes sociais tiveram um papel fundamental. Quem nunca conheceu outra coisa que não a ditadura, é levado a pensar que nada de novo existe além fronteiras, até lhe ser 'apresentado'. A internet globalizada e globalizante tem um papel fundamental hoje em dia na partilha de informação, principalmente em sítios onde até há bem pouco tempo essa informação não chegava, fruto de governos e ditaduras fechadas e balizadas na religião.
É hipocrisia não se fazer a associação entre as ditaduras alicerçadas na religião e o Mundo Árabe. Sem qualquer tipo de superiodade moral ou xenófoba, é seguro afirmar que os líderes religiosos e políticos árabes sempre se serviram da religião e do Alcorão para manter o poder em nome de Alá. Aliás, são ensinados desde muito novos a odiar o ocidente e tudo o que ele representa. O fundamentalismo islâmico é fruto da educação e da má interpretação do Alcorão, que apesar de nunca o ter lido, sei que se fundamenta nos mesmos princípios da nossa Bíblia (e esta já a li). Podemos não acreditar no que lá está, mas os princípios são bons (como se dizia no fim do filme 'Conan', 'mas essa já é outra história').

Chegados aqui, vi-me confrontado com as declarações de Benjamin Netanyahu, PM israelita, em que afirma estar preocupado que o fundamentalismo islâmico chegue ao poder nestes países com revoluções em curso (espera-se que o próximo seja a Líbia de Khadafi). Pois bem, devo dizer que o senhor Netanyahu, que tem um Ministro dos Negócios Estrangeiros de extrema direita, está é preocupado que a esses países chegue a democracia.
Pois, se Israel estiver rodeado de países democráticos, com certeza não vão aceitar colonatos e muros em territórios que não são israelitas. O Egipto não vai aceitar continuar a guardar o gueto de Gaza, ocupada ilegalmente com o beneplácito americano. Não podem continuar a aceitar o bombardeamento de civis e crianças, os checkpoints de pessoas só porque são árabes, sendo que nem todos os árabes são islâmicos.
Com democracias vizinhas Israel teria que negociar com países que verdadeiramente se começam a importar com os direitos humanos e especificamente com a sua violação na sua região. Muito seria diferente para um povo que não tinha pátria, foi perseguido durante milhares de anos e passou a ter um governo que sempre se habituou a viver na impunidade, perseguindo os fundamentalistas com o ódio dos radicais e extremistas.
Sem tiranos que chantageiam com o poder de Alá, que usam o fundo americano para se manterem calados e no poder, com a continuação do dominó democrático, e não á bomba como no Iraque e no Afeganistão, talvez um dia haja paz e uma nação israelita que reconheça o direito à vida da nação palestiniana. Talvez com a benção dos EUA. Talvez. Nunca a esperança foi tanta como agora.

Post Scriptum - Já agora, quem é o Carlos Castro?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

In Memoriam

terça-feira, 7 de dezembro de 2010 0
Pearl Harbor
Domingo, 7 de dezembro de 1941. "Um dia que viverá para sempre na infâmia", Franklim Roosevelt.

Os japoneses lançaram um ataque surpresa contra as Forças dos E.U.A. estacionadas em Pearl Harbor, Hawaii. Para a planificação deste ataque a um domingo, os japoneses sob o comando do comandante almirante Nagumo, esperavam apanhar toda a frota do porto. Por sorte, alguns porta-aviões e um dos barcos de guerra não estavam no porto. O USS Enterprise voltava da ilha Wake, onde acabava de entregar alguns aviões. O USS Lexington transportava aviões para Midway e o USS Saratoga e o USS Colorado estavam a ser reparados nos Estados Unidos.
Apesar das últimas informações de inteligência sobre os porta-aviões que faltavam (os seus objectivos mais importantes), o almirante Nagumo decidiu continuar o ataque com a sua força de seis companhias e 423 aviões. A uma distância de 230 milhas ao norte de Oahu, lançou a primeira onda de um ataque de duas ondas. A partir das 06.00 horas a primeira série constava de 183 combatentes e torpedeiros que atacou a frota em Pearl Harbor e os aeródromos en Hickam, Kaneohe y Ewa. O segundo ataque, lançado às 07.15 horas, era composto por 167 aviões, que de novo golpeou os mesmos objectivos.
Às 07.53 horas, o primeiro ciclo consta de 40 aviões Nakajima B5N2, torpedeiros "KATE", bombardeiros Val '51 Aichi D3A1', 50 bombardeiros de grande altitude e 43 Zeros. Atacaram aeródromos e Pearl Harbor, na hora seguinte, a segunda onda chegou e continuou o ataque.
TOTAL: 2.403 mortos, 1.178 feridos e destruição quase completa da frota estacionada em Pearl Harbor (21 barcos - torpedeiros, couraçados, etc. - e 188 aviões).

Por sorte, uma velha máquina fotográfica Brownie e respectiva película foi encontrada recentemente, após quase 70 anos. A película estava surpreendentemente intacta.


















Este ataque teve o condão de "convencer" os relutantes e pouco interessados E.U.A. a entrar na guerra, que de outra forma, nunca ou tarde seria ganha, com consequências ainda mais dramáticas para o que foi e representou no nosso passado e assim continuará a ser no futuro. Para que nunca ninguém esqueça, a II Grande Guerra permitiu a todos perceberem que tal não se pode repetir.
Mas, não acredito que não volte a suceder, agora que os E.U.A., ao contrário de outrora, estão sempre dispostos a entrar em guerra e a invadir outros países em busca dos cada vez mais parcos recursos planetários e com a existência hoje em dia de várias bombas-relógio prestes a rebentar, v.g. em África, continente de ditaduras, diamantes de sangue e de guerras civis, Somália, Costa do Marfim, Zimbabué, a região do Darfur no Sudão, Angola, Ruanda, Egipto, Argélia, Líbia; no Médio-Oriente, a velha questão judaico-palestiniana, com forte influência na Síria, Irão, Iraque, Afeganistão e Arábia Saudita; outra velha questão na Ásia, da Índia e Paquistão, passando pela Chéchénia, a China, o Tibete, Taiwan (Ilha Formosa em português), Birmânia, as Coreias do Norte e do Sul; a América do Sul e Central da Bolívia, Venezuela e Cuba, etc...se tudo explode ao mesmo tempo...!?!?! Acho que a Humanidade não aprendeu com a II Guerra Mundial, pelo que nunca é demais recordá-la, até porque os ciclos da nossa história têm tendência a repetir-se.
Convém salientar que sou totalmente contra qualquer forma de terrorismo, e defendo que os seus responsáveis devem ser levados à justiça...mas não a qualquer preço, muito menos fazendo milhares de vítimas inocentes. Não se combate terrorismo com terror.
Agora está na moda o voyeurismo, a nova tortura sob a forma de divulgação de escutas e documentos secretos (wikileaks), que vêm mandar mais lenha para a fogueira...a coisa está a ficar descontrolada, e mais uma vez reafirmo que têm que ser os Estados com a sua regulação e providência a pôr um travão em tudo isto, antes que seja tarde demais e corram o risco de desaparecer, vergados aos interesses de poucos, que controlam muitos...

 
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