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terça-feira, 4 de abril de 2017

As granadas na banca

terça-feira, 4 de abril de 2017 0
A Troika usou Portugal como cobaia para uma nova forma de lidar com crises bancárias. Uma intervenção externa que tinha a estabilização do sistema bancário e financeiro como segundo pilar. E tudo ficou na mesma. A 'saída limpa' não foi mais do que uma forma ardil, para numa tentativa eleitoralista, tentar que um governo submisso de direita continuasse a governar o país. Como se soube recentemente, esses temas nem sequer eram tratados em Conselho de Ministros e a resolução do BES foi decidida com ministros de férias que assinaram de cruz. E com vários dossiers escondidos na gaveta, como foram os casos dos Swap's, da CGD e do Banif.
Antes de sair do governo, Passos Coelho decidiu reconduzir Carlos Costa como governador. Que deixou Ricardo Salgado à frente do BES até ao limite do tolerável. Na troca de favores que marcou a relação entre Passos Coelho e o governador do Banco de Portugal, este escolheu o secretário de Estado Sérgio Monteiro para tratar da venda do banco. Levou para casa um salário pornográfico sem vender coisa nenhuma. E a direita ainda teve lata para criticar os salários da nova administração da CGD. No fim, a batata quente acabou, como tantas outras, na mão de António Costa.
A venda do Novo Banco é o acordo possível, tal como foi o caso do Banif. Nacionalizar o Novo Banco seria insustentável, com uma recapitalização imediata de 1000 milhões de euros. Ainda por cima com a recapitalização da CGD em andamento, recapitalização que diziam ser impossível passar no crivo de Bruxelas. Mas Costa é o homem dos impossíveis.
O acordo alcançado com a Lone Star não deixa de ter um risco, mas minimizado pelas condições que estavam ao alcance de um governo que herdou várias granadas de mão e que as vai desarmando uma a uma.
Passos e Cristas não sobreviverão às suas próprias contradições e erros.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

A sovietização que os esquerdalhos lançaram sobre o país

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017 0
A sovietização que os esquerdalhos lançaram sobre o país é uma catástrofe histórica e pode muito bem ser o definhar definitivo de Portugal.
Senão vejamos o folhetim da CGD e de Centeno. Que Mário Centeno geriu mal todo o processo de substituição do Conselho de Administração da CGD não é novidade para ninguém. E todos intuímos que, mesmo que não tenha havido qualquer acordo formal em relação à dispensa de entrega das declarações ao Tribunal Constitucional, terá havido compromissos informais nesse sentido. Centeno e Costa não são inocentes. Há e terá que haver um julgamento ético de quem não quis assumir a consequência política de ter assumido um compromisso inaceitável. Mas será isto suficiente para fazer cair um ministro? Para a direita é claro. Se não cair, vão tentar fragilizá-lo, almejando até atingir António Costa de ricochete. A comissão parlamentar de inquérito à CGD, é o instrumento encontrado para o efeito, e gerido nos estúdios da SIC pelo bufo de serviço, disfarçado de comentador, Marques Mendes. E vale tudo, desde acusar o ministro de perjúrio, até tentar, atropelando a Constituição (aqui não há novidade, são coerentes) que se divulguem as sms's trocadas entre Centeno e Domingues. Estão dispostos a tudo, mesmo até à devassa da vida privada. Mas Centeno não cairá, é demasiado importante para cair, tendo até Marcelo saído em sua defesa. O esquerdalho-mor de Belém parece que gosta desta geringonça. Parece que há outras coisas que seguram o ministro. E das quais a direita tenta a todo o custo atirar poeira para o ar. O partido que foi liderado pelo irrevogável Portas está agora, tal qual virgem ofendida, chocado com a mentira de Centeno. Passos Coelho não consegue esconder nesta novela, por si criada e alimentada meses a fio, o seu laxismo e incompetência com todos os problemas que a banca nacional veio acumulando, assim como a sua vontade antiga de privatizar a CGD. E pelos vistos já toda a gente se esqueceu da mentira de Passos e das suas dívidas à segurança social. Isso sim, era caso para fazer cair um primeiro ministro.
Mas, ao mesmo tempo, a direita quer desviar as atenções dos números e da política de Centeno e da geringonça. Passos Coelho que chegou a dizer em entrevista que votaria nos partidos desta solução governativa se algum dia eles atingissem as metas a que se propuseram. Uma ideia absurda de devolução de rendimentos, de aposta no consumo e de acabar com a austeridade, que para Passos não podia nunca dar bom resultado. Afinal a sua cartilha neoliberal infalível não pode soçobrar perante um caminho alternativo de desvario das contas públicas e do regresso do despesismo e do diabo.
Esse diabo que a direita tenta encontrar em cada esquina, ansiando para que o país não atinja as suas metas e objectivos, guiando-se pela esperança do desespero e do fracasso português. Sem dúvida, uma estratégia patriótica, feita de casos e casinhos, cambalhotas, folhetins e da política rasteira. Foi assim com a TSU, é assim com a CGD. As sondagens mostram que os portugueses não gostam disso.
E agora os números e factos de que verdadeiramente a direita anda a tentar distrair os portugueses:
O indicador avançado da OCDE aponta para a continuação do crescimento em Portugal; o número de insolvências diminuiu 23% face a 2015; em novembro a TAP alcançou recorde de passageiros, depois da revertida a sua privatização; no 3º trimestre de 2016 Portugal obteve a maior subida de emprego da UE; as compras na rede Multibanco cresceram em dezembro mais 6,5% em relação ao mesmo período de 2015; a taxa de incumprimento das famílias no valor mais baixo dos últimos anos; pela primeira vez na história o país exportou mais electricidade do que a que importou; confiança dos consumidores no valor mais alto desde 2000; salários do sector privado com maior aumento da década; emissões de dívida com juros mais baixos de sempre e a bater recordes negativos; penhoras de imóveis caem 8,2% face a 2015; investimento empresarial cresce 6,5% em 2016; maior criação de emprego dos últimos 16 anos; salários da contratação coletiva com maior subida real dos últimos 6 anos; investimento de capital de risco em Portugal dispara 400% em 2016; agências de rating elogiam gestão "muito rigorosa" das contas públicas; têxteis portugueses bateram recorde de exportações em 2016; portos comerciais batem recorde de carga movimentada em 2016; exportações crescem 4,9% no último trimestre para um novo recorde anual; queda consecutiva do desemprego há meses e maior queda da OCDE em dezembro; Portugal cresce acima da média europeia pela primeira vez em 3 anos no 4º trimestre; contra todas as expectativas Portugal deverá crescer 1,6% em 2016; o défice não ultrapassará 2,1%, o valor mais baixo da história da democracia portuguesa.
É disto que a direita quer que os portugueses se distraiam, assim como do sucesso da via alternativa à austeridade neoliberal. Não haverá piruetas que lhes valham perante estes números.



quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A novela da CGD

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016 0
O ódio visceral e estritamente ideológico de Passos Coelho a tudo o que é sector público é antigo. A política de terra queimada e de privatizações que esbulhou o país nos anos da troika é a prova disso. Assim como o ataque cerrado ao Estado Social. Não conseguiu chegar à CGD e à água. Mas era essa a intenção. Chega a ser confrangedor ouvi-lo a falar de radicalismo de esquerda. Quando a direita que governou nos últimos anos foi a mais radical de sempre. Não admira o desprezo dos sectores mais moderados do PSD, de Marcelo, passando por Ferreira Leite, a Pacheco Pereira.
A novela da constituição do conselho de administração da CGD e dos seus salários foi um embaraço para o governo, sem dúvida. Mas a única razão pela qual está há seis meses sob os holofotes mediáticos e no centro do debate é porque o PSD e o CDS não têm mais nada a que se agarrar. Não é a economia, não é a política, não é a sociedade, não, é a CGD. E com efeitos nefastos na situação do ainda único banco público, com caráter de extrema importância no definir da estratégia sectorial financeira e bancária do país. Pois foi assim mesmo, que a direita, sem qualquer pudor, propôs a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito em plena negociação em Bruxelas para a recapitalização do banco público. Recapitalização já autorizada por Bruxelas (e os muitos que duvidaram) e urgente. Na ânsia de se manterem à tona, o PSD e o CDS, são capazes de se agarrar a qualquer caso e fazer render o peixe até à exaustão.
Só que daí pode advir um problema maior, para eles claro, porque o país, e a CGD, e tudo o resto pode-se lixar (para usar a terminologia de Passos). E o problema, é que esgotado o caso, Passos não tem mais nada para dizer. Não tem qualquer estratégia, pensamento ou ideia que não seja gerir os casos e casinhos e tentar tirar daí os dividendos que puder.
Chegado a esta fase, o feitiço começa a virar-se contra o feiticeiro. António Costa acusou-o de ter empurrado o problema da CGD com a barriga. Logo PSD e CDS vieram a terreiro exigir provas. E não é que elas existiam mesmo. Durante seis meses,  Maria Luís Albuquerque guardou na gaveta dois pareceres da Inspeção-Geral das Finanças relativos a relatórios trimestrais da comissão de auditoria da CGD e o governo só os despachou 15 dias antes das eleições. Por razões eleitoralistas, obviamente. O mesmo aconteceu com o BANIF. E assim se geriu um país. Passos não passará de uma nota de rodapé nos livros de história...



quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A agenda que regressa

quinta-feira, 3 de novembro de 2016 0
A Comissão Europeia enquanto comandada por Durão Barroso e já no tempo de Juncker, tinha um acordo secreto com a França para a ajudar a encobrir os défices excessivos. Passava assim a França por país cumpridor. Mais ou menos como o Lehman Brothers fez com as contas da Grécia. O Lehman Brothers para onde foi o Durão trabalhar. Não há coincidências...
Mas, como disse um dia Schauble "A França é a França". E Herr Schauble, o arrogante e xenófobo ministro das finanças da Alemanha, cada vez que abre a boca é para amesquinhar os mais pobres, os mais indefesos, as nações europeias que nunca destruíram a Europa como o seu país fez por duas vezes, e que agora pretende enterrar-nos na sodomia financeira dos ricos e poderosos. As nações que se afundaram numa moeda que cultiva a divergência económica e social entre os povos que deveria unir. Iludidos por promessas de desenvolvimento e união. Confiantes em completar o ideal europeu.
Herr Schauble não gosta de latinos, nem de gregos, tal como outros no seu tempo não gostaram de judeus, negros e ciganos. O racismo e a xenofobia são as armas que voltam à propaganda e à agenda política. O golpe no Brasil, a incrível possibilidade de Trump, os Herrs...
Assim vai a Europa dos czares e dos chanceleres. O Reino Unido tem à partida um povo bem mais inteligente do que aquilo que seria de esperar. E se discordei do BREXIT, neste momento nem sei se concordo com a UE. Essa, onde todos os dias e todas as noites morrem milhares de refugiados nas suas costas.
A agenda política dos herr's e dos chanceleres, vira-se então para os mais indefesos. Ameaçam com castigos e têm nos media por eles controlados, a sua voz da propaganda. A Comissão Europeia podia ter um comissário da propaganda, a lembrar tempos mais sombrios, que estão de volta, ninguém duvide.
Veja-se o caso português, que de tão bom aluno em querer ir mais além que a troika, não quis renegociar a dívida e agora paga por ano mais 1% de juros que a própria Grécia!, deixou o seu sistema bancário por capitalizar, e endereçou o problema para o governo que viesse a seguir fechar a porta. O Banif e a CGD certamente bombas nas mãos do anterior governo, estavam como se desconfia agora, protegidos pela CE e por Schauble para a saída limpa, com a esperança de serem eleitos outra vez, para continuar as políticas de terra queimada de comissários e alemães. Schauble, que não cala a cremalheira, lá veio dizer mais uma vez, muito aziago e sem esconder o fel dos dentes, que o governo anterior é que era... Eu percebo, caro Herr, o Costa não estava nos planos... e ainda há quem resista ao desmantelar do estado social europeu!
Aliás, o caso de Sérgio Monteiro, nomeado “vendedor” do Novo Banco por um governo demissionário de que era secretário de Estado e que quase todos põem em causa as suas habilitações curriculares para a tarefa, está a receber, para fazer ninguém sabe muito bem o quê, quase 30 mil euros mensais. António Domingues foi nomeado para presidente da CGD por este novo governo, com a missão urgente de tratar da sua recapitalização. Vai ganhar um salário segundo o mercado. Ninguém critica a sua competência técnica e profissional. Mas eis que, a agenda política da direita mesquinha de Passos e Cristas, habituados a lamber as botas da direitalha alemã, logo tratam de pôr na agenda mediática o salário do gestor da CGD, arredios de saber se isso será contra os interesses da Nação, pois a recapitalização da CGD é uma urgência que não lhes assiste. A sua agenda política, acouraçada na agenda mediática, dá para ir fazendo casos e casinhos de coisas que não deveriam ser assunto. O populismo é assim e a isso obriga. Nos sites do “Público” e do “Diário de Notícias” as referências ao salário de António Domingues foram cinco vezes superiores às do salário de Sérgio Monteiro. Nos do “Expresso” e da TSF foram três vezes mais. No do “Correio da Manhã” seis. Nos canais de televisão a proporção deverá ser ainda mais 'favorável' a Domingues. A desproporcionalidade de tratamento entre este governo e o anterior leva a desconfiar de parcialidade que já todos sabemos existir em toda a comunicação social, porque ela também está a soldo dos grupos económicos que são seus donos. Daí a tentativa de Passos em privatizar a RTP e tudo o que mexesse. Directivas ideológicas, lesa-pátria, criminosas, para agradar aos fascistas no poder.
Assistimos a um cerco político que resulta, antes de tudo, do facto de António Costa ter integrado o PCP e o Bloco no arco da governação, dando muletas a uma esquerda coxa há mais de 40 anos. Essa é a razão de fundo para a parcialidade da comunicação social, que foi especialmente visível nas vésperas do Orçamento de Estado, onde cada pequena informação ou sugestão foi transformada num assunto nacional para depois do Orçamento apresentado (e esvaziadas quase todas as polémicas) rapidamente passarmos para outros assuntos e pequeninos escândalos. Até se chegar ao ridículo de se dizer que o Orçamento para a Educação tinha sido reduzido, alimentou-se a comunicação social e os 'paineleiros' e depois analisam-se os gráficos e afinal aumentou 180 milhões de euros.
Vão continuar a criar casos, a alimentar escândalos, a fomentar os media. Até se afundarem nas suas próprias vísceras...

sábado, 11 de janeiro de 2014

Telegramas

sábado, 11 de janeiro de 2014 0
Arnaut assessoria a privatização dos CTT. Goldman Sachs compra 5% dos CTT. Arnaut é nomeado para membro do conselho de administração do conselho consultivo internacional do Goldman Sachs. Porreiro pá!
Vítor Gaspar vai para o FMI, o Álvaro vai para a OCDE e fala-se em Portas para comissário europeu ou para o lugar de Durão Barroso. Entretanto os seguros (lucrativos claro está) da Caixa Geral de Depósitos foram vendidos a... chineses... Porreiro pá!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Semana Horribilis

sexta-feira, 16 de março de 2012 0
António Perez Metelo disse esta quinta-feira que o vice-presidente da Comissão Europeia, Olli Rehn, veio a Lisboa deixar uma mensagem clara: que Portugal não deve sair do curso que está a percorrer neste momento.
Então não veio cá fazer nada, digo eu. É que já todos sabemos que este governo, custe o que custar, mesmo contra os avisos do avisado Cavaco Silva, vai continuar o seu plano de austeridade e empobrecimento. Depois não se queixem de falta de lealdade. Quem vos avisa...
Os jogos de poder no governo estão ao rubro, com o enredo a surgir à volta das energias e do QREN. O Álvaro que veio do Canadá, e não percebe do país nem de política, foi ultrapassado pelo Gaspar, que quer ser o primeiro Primeiro-Ministro tecnocrata português. Assim o ajude o Relvas, que é quem mexe os cordelinhos e já tirou ao Álvaro o desemprego jovem e as privatizações. O 'super-ministério' do Álvaro foi um nítido erro em nome da demagogia, que começa a dar frutos, e que vai custar a cabeça do elo mais fraco e também do mais sobrecarregado dos membros do governo.
Quanto ao Secretário de Estado da Energia, que queria acabar com as rendas usurárias da EDP, teve que se demitir, e depois ainda obrigaram o pobre Álvaro a ir fazer aquele papel ridículo à AR, como se estivesse numa discussão de café. Mas eu até percebo, já fazia parte do pacote comprado pelos chineses, senão provavelmente já não compravam. Repare-se como se está a tentar pagar dividendos de 2011 a quem ainda não era dono da empresa. É um pacote parecido com o do BPN, que por sinal até vai ter duas comissões de inquérito, daquelas que nunca dão em nada. Já que há duas, pena é que não se utilize uma para a SLN.
Registei com apreensão a falta de preparação de Passos Coelho no caso Lusoponte, a primeira PPP, criada por Ferreira do Amaral, de que é agora presidente. Mesmo após cinco dias de intervalo sobre a notícia do duplo pagamento, ainda conseguiu ir à AR gaguejar com uma singela pergunta de Louçã!
Registei também com desagrado as mentiras de Nuno Crato sobre os números da Parque Escolar. Um desmentido era o mínimo exigível, para não ser desmentido como o foi pelo IGF.
Para terminar uma semana desastrosa, mais umas quantas excepções aos cortes salariais ou dos gestores públicos. Desta vez na TAP, após as da CGD e do Banco de Portugal, seguir-se-ão a ANA, a RTP e todas as que forem para alienar.
Cada vez mais, este é um governo à imagem do de Durão Barroso e Santana Lopes... se é que ainda alguém se lembra desse governo... é que o de Sócrates toda a gente conhece.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A dieta Thatcher

quarta-feira, 28 de setembro de 2011 0
1- O Estado obeso é a imagem caricaturada que se nos apresenta como meio de justificar os tão apregoados cortes na despesa, SNS, escola pública e no sector empresarial do Estado. O corte nas gorduras do Estado, como um qualquer concorrente do programa da SIC 'Peso Pesado', deveria implicar exercício físico aliado a uma saudável dieta. Ao mesmo tempo que se reduzia na alimentação sem regra, substituindo-a por outra mais saudável e rica, punha-se o Estado a correr e a ganhar músculo. Ora, a receita que nos apresentam, como cura milagrosa, é nada mais, nada menos, que uma lipoaspiração.
A orientação ideológica de Passos Coelho e seus pares, escudada num acordo com a Troika, visa a fragilização do trabalho, ainda que com medidas que possam inclusivamente atropelar a Constituição, vejam-se as novas medidas anunciadas para acrescentar à licitude do despedimento individual (incumprimento de objectivos e quebra de produtividade). Estas medidas a serem aprovadas, de tão genéricas e discricionárias que são, fragilizam as relações laborais e flexibilizam os despedimentos.
Os dividendos, os juros e o capital não são taxados, em primeiro lugar por uma questão ideológica, em segundo lugar porque é mais fácil ir buscar receita ao trabalho da classe média que trabalha por conta de outrem. Os arautos da economia discutiram até à exaustão a famosa taxa Buffet, para eventualmente poder ser aplicada em Portugal, não chegando a conclusão nenhuma, porque a cientificidade empírica do imposto sobre o património era muito difícil de alcançar. Amorim é um assalariado, Berardo tem um empréstimo de 360 milhões na CGD, que pediu para tomar conta da direcção do BCP, amortizável em acções que não valem um rebuçado, e os cortes que nos impingem são feitos nas prestações e nos apoios sociais, na educação, na saúde e na cultura.
A política de privatizações, em vez de fortalecer o Estado, onde ele é mesmo necessário, vende ao desbarato, numa política cega de terra queimada, sem qualquer estratégia, deixando o Estado afastado dos centros de decisão e indefeso do ponto de vista económico. Ex: se venderem a TAP a Espanha, o tráfego para África será feito a partir de Madrid. Ora, África é precisamente para onde Portugal exporta mais. Sem me alongar mais, Águas de Portugal, GALP, REN, e outros case study de um modelo Thatcheriano aplicado 30 anos depois, irão desmoronar qualquer castelo de esperança e atirar-nos para uma profunda recessão endémica, comparticipada a galope do desemprego, da especulação e da crise das dívidas soberanas, que entraram pelo buraco aberto pelos nossos próprios erros e falhas.
Com tudo isto, teremos um Estado balofo, com menos peso é certo, mas sem músculo, deixando a sociedade abandonada à sua sorte, sem confiança nas instituições, porque tudo o que é público, ou não existe ou não tem qualidade. A iniciativa privada terá então a missão de fazer renascer das cinzas um Portugal amordaçado. A fé irracional neste sistema irá desagregar e desestruturar toda a construção conquistada em democracia de um Estado Social mais justo e eficaz. Até porque já se sabe que o nosso tecido empresarial, não é suficiente nem forte, para poder competir com a especulação financeira e com o impasse negligente e a incapacidade da Europa.

2- O dr. João Jardim escondeu deliberadamente as contas. O dr. João Jardim apela ao separatismo e à desordem. O dr. Jardim goza com a cara de toda a gente e ainda se vangloria em orgias de vinho e inaugurações. Se outros deveriam ser responsabilizados criminalmente como ouvi dizer há uns meses, o dr. João 'cratera' Jardim devia ser extraditado para a Venezuela ou para o Irão...
Passos Coelho na entrevista dada à RTP, para além de não ter ideia nenhuma de dinamização da economia, admitiu uma renegociação da dívida com a Troika. Em Junho isso era uma blasfémia... Cavaco continua sereno e calado como habitualmente. Terá engolido algum sapo com sabor a banana?

3- O reality-show da TVI 'Casa dos Segredos 2', é talvez o pior lixo televisivo a que tive «oportunidade» de assistir (sim, consegui perder 5 minutos), feito à base de pessoas semi-nuas em estado de morte cerebral.




terça-feira, 7 de junho de 2011

Um memorando à medida

terça-feira, 7 de junho de 2011 2
O Povo votou em massa no memorando da Troika (porque é esse que tem que ser executado), e mesmo à medida do programa do PSD, como o próprio Passos Coelho referiu. E bem. Se há coisa de que não se pode acusar o novo Primeiro-Ministro é de esconder o jogo, portanto, quem votou nele não poderá queixar-se mais tarde de ter sido enganado.
E Passos Coelho já avisou que o programa da Troika é curto (!) e o novo governo quer ir mais além. Desde as privatizações mais díspares e disparatadas como as Águas de Portugal, a RTP, a CGD, a REN, aos cortes de um terço no financiamento da saúde e na educação (pondo em causa o SNS, a Escola Pública e o próprio Estado Social - são milhões em caixa se os privados lhes puderem deitar uma mãozinha), desviando assim fundos para a recapitalização da banca, a drástica redução da taxa social única, destruindo a sustentabilidade da Segurança Social e o consequente aumento do IVA, até à redução dos salários e ao despedimento facilitado, tudo isto é o que aí vem - memorando da Troika mais programa do PSD. Não é de estranhar pois, o apoio em plena campanha do 'mecenas' Belmiro de Azevedo. Aliás, e uma vez mais afirmo, honra lhe seja feita, Passos Coelho não escondeu nada, muito do que está no seu programa, estava na sua proposta de revisão constitucional. Tenho pena que a campanha não esclarecesse nem discutisse nada disto. Foi contra isto que lutei, do alto da minha insignificância. Resta um consolo: a Constituição só pode ser alterada com dois terços de maioria no Parlamento.

Não há dúvida que estas eleições foram principalmente contra Sócrates. Eu compreendo, ele foi o rosto das dificuldades económicas e do pedido de ajuda externa... Aliás, nunca vi tanta gente desesperada, chegando mesmo ao insulto fácil, quando as sondagens davam um empate técnico entre PS e PSD, sem qualquer pudor ou respeito por opiniões alheias. Devo dizer que este novo tipo de sondagem diária foi fundamental na vitória do PSD. O voto contra Sócrates, transformou-se em voto útil no PSD. A viragem à esquerda do PS, em resposta à ultra liberal do PSD, capitalizou votos do suicida BE, o centro não estava ocupado por ninguém, o que não se via desde os tempos do PREC, e as massas que geralmente deambulam nesse espaço preferiram livrar-se de Sócrates.
Sócrates que cometeu um enorme erro, do discurso determinado, evoluiu para o determinista e irrealista, e daí para a teimosia. Foi enganado por Passos Coelho, que mentiu aquando do chumbo do PEC IV. Passos disse que iria chumbar o PEC IV porque não tinha sido informado de nada. Soube-se mais tarde que se reuniu com Sócrates no dia anterior... Passos tirou-lhe o tapete e Cavaco deu-lhe o último empurrão. Demitiu-se no passado domingo, num discurso sério e dignificante, para ele e para a democracia em Portugal. A história se encarregará de o julgar.

Estou muito curioso e apreensivo com o que aí vem, ao contrário dos apaniguados de Passos Coelho, que no dia das eleições diziam á boca cheia que no dia a seguir tudo iria ser melhor. Como se o FMI já cá não estivesse.
Ainda assim, desejo sorte a Passos Coelho, pelo bem do meu país.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O fato italiano

quinta-feira, 12 de maio de 2011 0
Concordo com toda a gente que diz que vivemos anos a fio acima das nossas possibilidades, concordo com todos aqueles que dizem que Sócrates demorou a reagir, concordo com os que dizem que não há opções credíveis para se poder votar no futuro do país, concordo ainda com os que dizem que o acordo alcançado entre a República Portuguesa e a Troika (FMI, BCE e UE) foi um bom acordo (para pesar de toda a oposição que esperava capitalizar em votos o corte do 13º e 14º mês), que é um memorando que é o melhor e mais detalhado programa de governo jamais apresentado em Portugal, que aponta metas e define reformas e que apesar de ser um empréstimo, capitaliza juros a uma média de 5%, contra os especuladores 11% que já pagávamos.

Não concordo todavia com o seu cariz ideológico. O memorando da troika é tendencioso. Sobrevaloriza o mercado em detrimento do Estado. A saber: sacrifica os actuais e futuros desempregados, reduz muitos apoios da rede pública na saúde, segurança social e emprego, acaba com as golden share, liquidando assim qualquer defesa de decisão estadual, facilita o despedimento, limita o subsídio de desemprego, obriga à privatização de diversas empresas do Estado, reduz o investimento público, liberaliza o mercado de arrendamento, aumenta o preço dos transportes, dos medicamentos, da energia, do gás e da electricidade, e por fim, last but not least, põe a mãozinha por baixo aos bancos, que continuam a pagar os mesmos impostos (12%!!!), e a quem vai emprestar 12 mil milhões de euros, quase 1/5 do bolo total... que nós pagaremos com juros, quer aos bancos quer à Troika.

Permitam-me que diga, que é um acordo à medida do PSD de Passos Coelho, já sei, vou bater outra vez no ceguinho, se quiserem parem de ler por aqui, mas a verdade é que os radicais que acompanham Passos Coelho, querem a privatização de tudo o que é Estado. A CGD, um canal da RTP, a REN e pasmem-se até as Águas de Portugal. Esquecendo por momentos que a proposta é do PSD, digam-me se acham plausível que dois monopólios como são a REN (Rede Eléctrica Nacional) e as Águas de Portugal possam algum dia ser privatizadas? E como monopólio que são de sectores fundamentais em qualquer Estado livre, não estaremos a entregar nas mãos de uma só pessoa ou empresa, um poder demasiado lesivo para a própria soberania nacional? Imaginem que, e não é difícil acontecer, todos sabemos os malabarismos que se podem fazer e ocultar, até legalmente, que o comprador destas quatro empresas é o mesmo? Querem um Berlusconi à portuguesa? A mandar nos preços da água, da distribuição energética e consequentemente da electricidade, ao mesmo tempo que detém a maioria do capital financeiro e bancário, e com um canal televisivo próprio para a sua propaganda...

P.S. - Os Homens da Luta ficaram-se pela meia-final no Eurofestival...e bem!

P.S. 2 - A dívida das empresas públicas criadas por A. João Jardim já vai em 93% do PIB da Madeira, 4.600 milhões de euros, dois BPN...contas escondidas até agora... Ah! É tão fácil criticar e mandar atoardas...


 
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