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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A agenda que regressa

quinta-feira, 3 de novembro de 2016 0
A Comissão Europeia enquanto comandada por Durão Barroso e já no tempo de Juncker, tinha um acordo secreto com a França para a ajudar a encobrir os défices excessivos. Passava assim a França por país cumpridor. Mais ou menos como o Lehman Brothers fez com as contas da Grécia. O Lehman Brothers para onde foi o Durão trabalhar. Não há coincidências...
Mas, como disse um dia Schauble "A França é a França". E Herr Schauble, o arrogante e xenófobo ministro das finanças da Alemanha, cada vez que abre a boca é para amesquinhar os mais pobres, os mais indefesos, as nações europeias que nunca destruíram a Europa como o seu país fez por duas vezes, e que agora pretende enterrar-nos na sodomia financeira dos ricos e poderosos. As nações que se afundaram numa moeda que cultiva a divergência económica e social entre os povos que deveria unir. Iludidos por promessas de desenvolvimento e união. Confiantes em completar o ideal europeu.
Herr Schauble não gosta de latinos, nem de gregos, tal como outros no seu tempo não gostaram de judeus, negros e ciganos. O racismo e a xenofobia são as armas que voltam à propaganda e à agenda política. O golpe no Brasil, a incrível possibilidade de Trump, os Herrs...
Assim vai a Europa dos czares e dos chanceleres. O Reino Unido tem à partida um povo bem mais inteligente do que aquilo que seria de esperar. E se discordei do BREXIT, neste momento nem sei se concordo com a UE. Essa, onde todos os dias e todas as noites morrem milhares de refugiados nas suas costas.
A agenda política dos herr's e dos chanceleres, vira-se então para os mais indefesos. Ameaçam com castigos e têm nos media por eles controlados, a sua voz da propaganda. A Comissão Europeia podia ter um comissário da propaganda, a lembrar tempos mais sombrios, que estão de volta, ninguém duvide.
Veja-se o caso português, que de tão bom aluno em querer ir mais além que a troika, não quis renegociar a dívida e agora paga por ano mais 1% de juros que a própria Grécia!, deixou o seu sistema bancário por capitalizar, e endereçou o problema para o governo que viesse a seguir fechar a porta. O Banif e a CGD certamente bombas nas mãos do anterior governo, estavam como se desconfia agora, protegidos pela CE e por Schauble para a saída limpa, com a esperança de serem eleitos outra vez, para continuar as políticas de terra queimada de comissários e alemães. Schauble, que não cala a cremalheira, lá veio dizer mais uma vez, muito aziago e sem esconder o fel dos dentes, que o governo anterior é que era... Eu percebo, caro Herr, o Costa não estava nos planos... e ainda há quem resista ao desmantelar do estado social europeu!
Aliás, o caso de Sérgio Monteiro, nomeado “vendedor” do Novo Banco por um governo demissionário de que era secretário de Estado e que quase todos põem em causa as suas habilitações curriculares para a tarefa, está a receber, para fazer ninguém sabe muito bem o quê, quase 30 mil euros mensais. António Domingues foi nomeado para presidente da CGD por este novo governo, com a missão urgente de tratar da sua recapitalização. Vai ganhar um salário segundo o mercado. Ninguém critica a sua competência técnica e profissional. Mas eis que, a agenda política da direita mesquinha de Passos e Cristas, habituados a lamber as botas da direitalha alemã, logo tratam de pôr na agenda mediática o salário do gestor da CGD, arredios de saber se isso será contra os interesses da Nação, pois a recapitalização da CGD é uma urgência que não lhes assiste. A sua agenda política, acouraçada na agenda mediática, dá para ir fazendo casos e casinhos de coisas que não deveriam ser assunto. O populismo é assim e a isso obriga. Nos sites do “Público” e do “Diário de Notícias” as referências ao salário de António Domingues foram cinco vezes superiores às do salário de Sérgio Monteiro. Nos do “Expresso” e da TSF foram três vezes mais. No do “Correio da Manhã” seis. Nos canais de televisão a proporção deverá ser ainda mais 'favorável' a Domingues. A desproporcionalidade de tratamento entre este governo e o anterior leva a desconfiar de parcialidade que já todos sabemos existir em toda a comunicação social, porque ela também está a soldo dos grupos económicos que são seus donos. Daí a tentativa de Passos em privatizar a RTP e tudo o que mexesse. Directivas ideológicas, lesa-pátria, criminosas, para agradar aos fascistas no poder.
Assistimos a um cerco político que resulta, antes de tudo, do facto de António Costa ter integrado o PCP e o Bloco no arco da governação, dando muletas a uma esquerda coxa há mais de 40 anos. Essa é a razão de fundo para a parcialidade da comunicação social, que foi especialmente visível nas vésperas do Orçamento de Estado, onde cada pequena informação ou sugestão foi transformada num assunto nacional para depois do Orçamento apresentado (e esvaziadas quase todas as polémicas) rapidamente passarmos para outros assuntos e pequeninos escândalos. Até se chegar ao ridículo de se dizer que o Orçamento para a Educação tinha sido reduzido, alimentou-se a comunicação social e os 'paineleiros' e depois analisam-se os gráficos e afinal aumentou 180 milhões de euros.
Vão continuar a criar casos, a alimentar escândalos, a fomentar os media. Até se afundarem nas suas próprias vísceras...

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O modelo experimental europeu

quinta-feira, 15 de setembro de 2016 0
Terminada a chamada silly season, passou ao lado de muita gente o relatório pedido pelo FMI sobre o programa da troika em Portugal. E não terá sido inocente. Não diz nada que já não se tivesse dito. Foram muitas as vozes a chamar a atenção dos erros flagrantes do chamado plano de resgate, das prioridades trocadas, da destruição do tecido económico que inevitavelmente aconteceria, do desemprego e emigração que provocaria.
Essas e muitas outras críticas foram feitas antes da sua implementação e, sobretudo, quando eram já mais que óbvias as falhas do programa. O próprio Vítor Gaspar as reconheceu na sua célebre carta de despedida. O próprio FMI já tinha noutras ocasiões admitido vários erros.
Nesse relatório o que lá está é o seguinte: o programa da troika falhou em toda a linha. Ponto. Os pressupostos estavam errados, enganaram-se nas fórmulas e nos seus efeitos e, claro, nenhum dos problemas estruturais da nossa economia melhorou, a sustentabilidade da dívida pública e da balança continua tão débil como antes e até o crescimento das exportações - visto como um dos sucessos do programa - ou o celebrado regresso aos mercados - os autores do relatório com uma mal disfarçada vergonha sugerem que não será evidente que isso não tenha sido consequência das políticas do BCE - em nada esteve relacionado com a malfadada receita. Ou seja, ajudou-se a destruir o nosso sistema bancário e, surpresa das surpresas, chega-se à conclusão de que uma restruturação da dívida teria sido uma medida bem vinda.
O pior de tudo não é perceber que se mandaram para o desemprego milhares de pessoas, não foi termos perdido milhares para a emigração, não foi só ver o factor trabalho humilhado com a aposta em salários baixos, não terá sido a aposta no empobrecimento, não foi por a receita ter produzido um país ainda mais desigual e mais injusto.
O que mais choca no relatório não é a assunção dos erros, é perceber a ligeireza com que se fizeram experiências com as vidas das pessoas, como meras cobaias ao serviço de uns senhores que nunca tinham testado uma fórmula, e com a cobertura de um ex-primeiro Ministro que serviu em bandeja um país inteiro e que continua interessado no insucesso do atual modelo em gestão.
E depois, e ainda segundo o FMI, o Deutsche Bank é o maior risco sistémico em todo o mundo. Mas não deixa de ser curioso que, com uma bomba relógio em casa, Shauble tenha obrigado a Europa a entreter-se com a destabilização de Portugal. Se essa bomba lhe rebentar nas mãos, os famigerados limites do défice serão uma brincadeira de criança e a Alemanha voltará a violar esses limites, como já o fez por várias vezes e sem qualquer sanção ou sequer ameaça.
Desde o Brexit que a Alemanha intensificou o bullying sobre Portugal. O objetivo é mostrar mão firme depois da debandada britânica ou criar problemas a um governo que não lhe agrada. E a direita portuguesa, responsável pela derrapagem do défice do ano passado, volta-se a comportar como o cordeirinho degolado e de joelhos à espera que alguém lhe venha um dia a dar razão.
Basta ver os novos empregos da nossa anterior Ministra das Finanças e do anterior Presidente da Comissão Europeia para se perceber de que lado estavam enquanto nos ‘governavam’. O código de ética não pode ser só para alguns, deveria ser para todos.

P.S. – Costumo dizer em tom de brincadeira que os heróis que conheço estão todos mortos. Mas conheço uns quantos bem vivos, os nossos bombeiros, bem hajam...

Publicado hoje no semanário 'A Voz de Chaves'


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Um país que persiste e insiste

sexta-feira, 22 de novembro de 2013 0
A degradação da política e dos seus valores resulta quase sempre da actuação dos seus intérpretes. Os limites da decência e da vergonha não conhecem, por estes dias, fronteiras nem linhas vermelhas. O relatório da Comissão Europeia sobre os resultados da 8ª e 9ª avaliações faz referência de forma inaceitável e depreciativa a decisões do Tribunal Constitucional de Portugal, um país independente e soberano, que tem instituições soberanas e onde impera o princípio da separação de poderes, entre muitos outros, garantidos, felizmente, por uma Constituição. Mas contém ainda conjeturas acerca da forma como o TC deverá agir e decidir, pressionando levianamente uma instituição democrática, independente e soberana, nunca é demais repetir. A chantagem dos agiotas, venham de Bruxelas, do FMI ou da Alemanha tem como único objectivo garantir que os credores recebem o seu dinheiro, com juros a contento, marimbando-se para o país, para as pessoas e para a economia. Veja-se como a Alemanha tem um superavit de 7%, com medidas restritivas de importações, violando os tratados, a confiança, a solidariedade e a cooperação da UE.
Durão Barroso, o empregado de mesa na célebre reunião da base das Lajes, que 'legitimou' a invasão do Iraque, foi pago e promovido a empregado de mesa da Alemanha, e como sempre passou a mão no lombo de Merkel. Cá dentro, Passos Coelho, Cavaco e seguidores, correlegionários bafientos, de cuspe sempre pronto para lamber sapatos, comem e calam, em silêncio, sem qualquer laivo de dignidade ou de responsabilidade institucional de defesa da soberania de um povo que os elegeu para representar as suas instituições e a sua identidade. Aos sermões humilhantes de burocratas de corredor, baixam as orelhas como os alunos impotentes que querem ser bons mas que são limitados à única causa que conhecem: arranjar um caminho alternativo de subjugação e bajulação. O governo que sistematicamente provoca o TC e teima em legislar contra a lei é um governo que está de má-fé. O governo que canta em coro, com toda a complacência, a música que se toca lá fora é um governo de lesa-pátria. Um Presidente da República que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição e se põe com especulações de custo-benefício não está a desempenhar as suas funções com rigor. O enxovalho só conhece travão se ofenderem o Ronaldo e o futebol. E não, nunca vi ninguém comentar os Tribunais ou as Constituições de outros países, em particular da Alemanha, e que já tomou medidas no passado de grande impacto na UE.
Ontem, na Aula Magna, uma reunião em nome da defesa da Constituição, da democracia e do Estado Social contrastou com uma reunião de desobediência civil por parte das... polícias.
Quanto à primeira, Mário Soares, apesar de demonstrar alguma fraqueza própria da idade, um tanto ou quanto desbocado, nomeadamente quanto ao uso de expressões que quase incitam à violência, faz mais pelo país numa noite que Seguro num mês inteiro de total ausência de ideias.
Faz sentido uma reunião de esquerdas (que não foi exclusivamente das esquerdas) em defesa da CRP, da democracia e do Estado Social? Quando se abalam as fundações do edifício que é o garante da democracia em Portugal, quando se pressiona de uma forma inqualificável um Tribunal, órgão de soberania do nosso país e bastião da defesa da Lei Fundamental, de direitos, liberdades e garantias; quando o princípio da confiança não se pode aplicar aos cortes nos salários, nas pensões e nas reformas mas já se pode aplicar aos contratos privados da energia, das privatizações e das PPP´s, então sim faz todo o sentido.
Quanto aos polícias, é caso para perguntar: quem guarda os guardas? Factualmente os agentes de segurança violaram um cordão de segurança, de facto houve uma desobediência por parte das polícias, e isso, comparando com outros cidadãos que ali se manifestaram e foram alvo de cargas policiais, é injusto e discriminatório. No entanto, registo com agrado, tanto nas escadarias da AR como na Aula Magna um país que persiste e insiste em defender os seus direitos, as suas garantias, as suas instituições, os seus tribunais, ainda que com algum excesso de liberdade. Mas dessas e doutras liberdades tratamos nós, nas nossas instituições. No Brasil, país emergente, as manifestações são pela exigência de mais Estado Social, aqui são pela sua defesa e manutenção. Já agora vale a pena pensar nisto.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Morreu um ditador

quarta-feira, 6 de março de 2013 1
Morreu Hugo Chávez. Morreu um ditador. Apesar de nutrir alguma simpatia pelo homem que sempre disse de Bush Jr. o que ninguém tinha coragem para dizer, a verdade é que deixou o seu país na pobreza, mesmo nacionalizando a maioria dos factores de produção, com especial destaque para o petróleo. A sua veia pouco democrática de poder absoluto, de controlo do Estado e de plebiscitos duvidosos é um factor que não pode nem deve ser ignorado. Morreu um ditador. Que usou a propaganda e o populismo como todos os ditadores o fizeram no passado. Aproveitando as crises, económica e financeira, do capitalismo (de mercado e liberal) e dos valores da democracia.
Assim sucedeu, como a história nos faz questão sempre de lembrar, há quase um século. Na Alemanha, na Itália e em Portugal. Em Espanha e na América Latina. Na África e na Ásia. Na URSS.
Na ressaca da I Grande Guerra, o desemprego e a pobreza eram os principais problemas da Europa. Na Alemanha o desemprego atinge os 33% nos princípios dos anos 30. As reparações de guerra e o tratado de paz de Versalhes com perda de território e de população é visto como uma humilhação. As convulsões antidemocráticas e contra a I República de Weimar fazem proliferar os grupos paramilitares e extremistas, entre eles o nazi da Baviera. A onda antidemocrática e antirrepublicana varre o país. A desvalorização do marco e a hiperinflação transformam burgueses em mendigos e especuladores em milionários. A austeridade esmagava o povo e protegia as classes mais abastadas. Entretanto dá-se o crash da Bolsa de Nova Iorque em 1929, o crédito fechou as torneiras e a recessão agrava o que já era grave. Um jovem aproveita a onda e munido de propaganda e populismo promete fazer da Alemanha um império (Reich). Esse jovem chamava-se Adolf Hitler.
À semelhança da Alemanha, na Itália as críticas aos partidos, ao funcionamento do parlamento e aos deputados, ao próprio regime democrático, a crise económica, a crise de valores e de referências são capitalizadas por um orador capaz de inflamar e influenciar as massas, levá-las ao delírio. Dotado de um grande sentido cénico aparece Mussolini.
Em Portugal a I República que chegou a ter três presidentes no mesmo dia está em crise de identidade. De valores. A crise económica e o desemprego levam a um nível nunca visto de emigração. A propaganda fez um homem. Salazar. O resto da história já sabemos.
Nos EUA um homem segue as teorias keynesianas de luta contra a crise. Investimento público, criação do sistema de segurança social, foi lançada a génese do Estado-providência, do Estado social. Foi o New Deal de Roosevelt. A seguir à II Grande Guerra os EUA conheceram uma das épocas de maior prosperidade da sua história. Até Reagan e a mudança de políticas. Já agora, reparem na diferença entre as políticas seguidas na Europa e as dos EUA. Há quase um século e agora. Obama já começou em força o investimento público. A Alemanha começa a reforçar o seu Estado social, enquanto impõe políticas de austeridade à Europa. O diktat de Versalhes é agora o diktat da Troika. Porque a Alemanha jurou nunca mais ter dentro de portas o hiperinflacionismo que a amordaçou antes da II Grande Guerra. As semelhanças com o passado entre esta Europa e aquela de princípios do século XX são assustadoras e muito preocupantes. É bom que os políticos saibam ler os sinais vindos de todo o lado, para já com maior alarme, de Itália.
A propaganda e o populismo que já se pode ver por essa Europa fora, v.g. Grillo em Itália, é um perigo à espreita. O défice de confiança na política e a austeridade castradora de direitos, liberdades e garantias, aliadas à falta de resposta dos líderes em funções, podem levar a uma onda de independentes dispostos a cavalgar a onda da pobreza e da crise. Está nas mãos de quem elege escolher com sabedoria. Para não aparecerem mais grilos falantes a bloquear democracias. E, sobretudo, para que a história não se repita.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O rapto da banca e o osso do Borges

terça-feira, 12 de junho de 2012 0
A Espanha lá pediu o resgate para a banca, como se a banca tivesse sido raptada. Já agora, ainda ninguém deu conta que a banca não se sabe governar? Não é dr. Vítor Constâncio? E o caminho é maior desregulação? Aqui, como em Espanha, e por todo o mundo capitalista?
Enquanto isso, discute-se mais uma vez a solidariedade europeia, em que a uns, apenas e só, se exige austeridade e a outros se concede um empréstimo com juros mais baixos. A Irlanda e a Espanha tiveram o mesmo tipo de empréstimo, a diferença reside no facto de que em Espanha o FMI não entra na equação. Há que ajudar os graúdos, porque os outros são dispensáveis. Entretanto, o que falta no PIB dos países resgatados, é capitalizado pela Alemanha, que já se financia nos mercados com juros altíssimos de 0%!
Uma boa ideia para dar cabo da estratégia alemã, era mandar emigrar para lá o 'ministro' António Borges, para lhes tratar das contas e vender tudo ao desbarato, baixar-lhes os salários para a China lá poder entrar à vontadinha e com uma folha salarial e de compensações pelos serviços prestados ainda mais milionárias, tudo a ser pago no destinatário.

P.S.- Só eu é que reparei que António Borges, ontem no Prós e Contras da RTP, foi identificado como primeiro ministro?! Sinal dos tempos que se avizinham?!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Heróis do mar

quinta-feira, 7 de junho de 2012 1
Já se sabia que começando o Euro de futebol, tudo o resto em volta seca, como um eucalipto no meio da seara. E enquanto a nossa seleção, que partiu para novas descobertas, é alvo de críticas injustas e falsas, mesmo antes da competição começar, por parte dos invejosos, revanchistas e oportunistas que nestas alturas aparecem para uma dose extra de protagonismo (Queiroz e Manuel José incluídos), a mannschaft, que não abre telejornais, aproveita para visitar Auschwitz e para criticar a Ucrânia pela prisão ilegal de Tymoshenko. Pequenas diferenças fora de campo... que se podem repercutir dentro dele...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A Europa adiada do euro 2012

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011 0
A Europa outra vez adiada... Desta vez sem a participação do Reino Unido, que também não tem euro nem Shengen, portanto nada de estranhar. O Reino Unido se fica de fora em quase tudo, é uma ilha que não nos interessa. A sua mira está do outro lado do Atlântico, e só se vira para o continente, quando lhe dá jeito, como nas invasões napoleónicas ou na II Grande Guerra. Os alvos eram sempre os ódios de estimação a franceses e alemães, numa Europa com demasiados séculos de história para se poder, de uma penada, unir o que o tempo sempre separou. De facto, é até de estranhar a pretensa parceria franco-alemã.
O acordo alcançado na passada sexta-feira não passa de um adiamento que pode também ficar adiado. As revisões constitucionais limitativas do défice e da dívida pública de cada país, fiscalizadas pelo Tribunal Europeu de Justiça, e com castigos imediatos para futuros prevaricadores, não serão partos fáceis de gerir nos parlamentos nacionais. Porque traduzem a maior perda de soberania até hoje realizada, sem a garantia de qual o passo a dar a seguir. E porque não é um processo que se possa realizar em dois meses. O PS de Seguro não está totalmente convencido, até porque, quem garante que Alemanha e França, que foram os primeiros a violar o pacto de estabilidade, serão castigados como os outros, se ultrapassarem as metas do défice? E as suas contas, serão escrutinadas e previamente aprovadas, como as dos seus parceiros?
Com tudo isto, as agências de notação Moody's e Standard & Poor´s, já ameaçaram baixar o nível de 15 países da UE, bem como o seu fundo de estabilização, e continuam assim a fazer política impunemente, sem que ninguém os tenha eleito.
Esta continua a ser uma Europa sem estratégia e adiada. A única saída neste momento é uma integração fiscal a sério. É tempo de se perguntar se queremos mesmo uma União, com as necessárias perdas de soberania, em passo alargado para o federalismo, ou se queremos continuar a entreter-nos como bons amigos que se juntam de vez em quando para beber uns copos... Ou o federalismo e o euro era só a brincar? Definam-se de uma vez por todas...
2012 será o ano do euro, da moeda, da União, e também de futebol, mas deviam reformular os grupos já sorteados, assim como que uma adjudicação directa, pondo no mesmo grupo Alemanha, França e Inglaterra, noutro grupo podia ficar Portugal, Irlanda e Grécia, noutro juntava-se a Itália com a Espanha e no último o Pai Natal, o coelhinho, o comboio e o circo, para a palhaçada ficar completa.



domingo, 6 de novembro de 2011

Merkozy

domingo, 6 de novembro de 2011 0
"Manda quem paga", a frase de Manuela Ferreira Leite numa célebre sessão da AR nunca esteve tão actual como agora. A Europa que se queria unida foi dotada ao longo dos tempos de centros de decisão, com directivas supostamente comunitárias de integração imediata no ordenamento jurídico dos países membros. 
Parlamento Europeu, Comissão Europeia e Conselho Europeu foram substituídos pela dupla Merkozy, num golpe palaciano silencioso e consentido por todos.
Até rebentar a crise e o capital começar a arder, quais ratos de porão, as soluções convulsas e a conta-gotas adiaram e continuam a adiar a Europa. Sarkozy e Merkel pegaram nas rédeas e mandaram à fava Tratados e Acordos sempre a reboque e sempre calculistas. "Nós pagamos, portanto a democracia vai ter que esperar." É caso para trazer à liça mais uma célebre tirada da mesma Manuela, que apregoava a suspensão da democracia por seis meses. Quando é que o 'acto' de pagar passou a significar 'ditadura bipartida, camuflada de real interesse em resolver a crise?
Um pouco de história só para lembrar de que é estamos a falar. Falamos da Alemanha que só agora acabou de pagar a dívida da 1ª Guerra Mundial, com variados planos de empréstimos, diluídos no tempo, adiados, suspensos e perdoados em muitos milhões. Só do Plano Marshall receberam 1400 milhões de euros nos anos cinquenta. Inflacionando para os tempos de hoje, daria certamente umas dez vezes mais que a ajuda que falta à Grécia.  A Alemanha destruiu a Europa duas vezes no último século... A solidariedade e a ajuda não pode ter um só sentido... A falta de visão é só para fora, porque internamente, Merkel preocupa-se e muito com as eleições e com aquilo que pensam dela os seus contribuintes. Talvez por isso tenha somado derrota atrás de derrota nas eleições regionais.
A Europa nunca pensou a fundo o seu modelo, com uma moeda única sem a preocupação da igualdade fiscal entre membros e consequentemente sem os necessários instrumentos indispensáveis para a sustentar. Com uma relação de forças desequilibrada, instituições iníquas e a troca dos seus valores civilizacionais por uma visão globalizada e monetarista, vendendo-se aos chineses por um punhado de euros.
A crise na Europa é sistémica, endémica, de fraco crescimento, falta de solidariedade e sobretudo de liderança. Mas nem só a Alemanha  e a França são culpadas... Poucos haverão que não tenham a sua dose de culpa. A começar por nós próprios que nos deixamos mercantilizar, e vendemos os nossos valores pela melhor oferta.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Vamos à bola

terça-feira, 12 de abril de 2011 4
Bom tempo para a prática do futebol. Estádio bonito, com capacidade para 10 milhões de espectadores, mas que por esta altura deve rondar os 50% da sua capacidade total. Era esperada mais gente para assistir a este grande clássico do futebol português. De um lado o PS, de Sócrates, o capitão de equipa e organizador de todo o jogo socialista. Do outro lado, a oposição, sem grandes estrelas, mas uma equipa coesa e unida.
A equipa de arbitragem veio da Alemanha, liderada pela Sra. Merkel, os fiscais de linha, FMI e BCE, e o quarto árbitro é a CE. Ambos os treinadores se cumprimentam, Mário Soares pelo PS, sempre interventivo, mas que tem averbado algumas derrotas ultimamente. O treinador da oposição, Cavaco Silva, já leva alguns anos no cargo, disciplinador e raramente contestado.
As principais ausências: de um lado Manuel Alegre, expulso no último jogo e a cumprir castigo. Do outro Manuela Ferreira Leite, que se lesionou gravemente há já um ano e que falha o resto da temporada. A surpresa surge do lado da oposição, Fernando Nobre, contratação de última hora, surge a titular no lugar do central António Capucho, relegado para o banco.
Este é o jogo do tudo ou nada, com um grau de risco muito elevado, em especial pela troca de palavras mais azedas trocadas nos últimos dias, pelos dirigentes de ambas as equipas.
E aí está, começa o jogo. Miguel Relvas, leva a bola pela estrema esquerda, passa para Louçã, que tenta driblar Sócrates que lhe sai ao caminho... uma primeira finta, e é rasteirado por Sócrates... grande confusão agora, com ambos a trocar argumentos e empurrões. E atenção, Louçã agride Sócrates com uma censura, e a juiz da partida expulsa Louçã com vermelho directo. A oposição fica agora reduzida a dez elementos, mesmo no princípio do jogo. Mário Soares e todo o banco socialista a gesticular, e Cavaco, sempre impávido e sereno ainda não se levantou.
Primeiro quarto de hora de jogo cumprido, e ainda ninguém fez qualquer remate à baliza adversária, aliás Passos Coelho já perdeu três vezes a bola e é sempre apanhado em fora de jogo.
Portas conduz a bola pela extrema direita, com um passe longo, cruza para a extrema esquerda onde Jerónimo aparece, e de cabeça põe a bola à mercê de Passos Coelho, que se isola em frente à baliza, grande perigo, Passos Coelho remata e...gooooolo! Mas, atenção, o fiscal de linha BCE, invalida o golo, diz que Passos Coelho controlou o PEC com a mão, Passos Coelho protesta, mas Merkel confirma a anulação do golo.
O jogo socialista está muito amarrado no meio campo, muito por culpa do jogo táctico da oposição, não deixando Sócrates controlar o jogo.
Começa a segunda parte, e surpresa na equipa socialista, Sócrates ficou nas cabinas ao intervalo, substituído por Francisco Assis. O jogo socialista está agora mais solto, mas continua sem criar grandes oportunidades de golo.
Setenta minutos de jogo, e a assistência começa a abandonar o estádio. Está um jogo desinteressante, muito faltoso, com Merkel a ter que mostrar muitos amarelos. Aliás, Fernando Nobre, até aqui sem qualquer amarelo na Liga, também já viu um amarelo, por gestos agressivos em direcção ao público.
Final do jogo, com um empate a zero, sem dúvida o pior clássico dos últimos anos, com a equipa de arbitragem a ser obrigada a muita intervenção, para parar o jogo sujo e faltoso de ambas as equipas, sem grande sentido de responsabilidade e de oportunidades criadas. Destaque pela negativa para o jogo pobre de Sócrates, excelente jogador, mas hoje muito criticado pelo público, e também Passos Coelho que não soube agarrar a titularidade, caindo sempre no fora de jogo, e com o lugar em risco.
Cavaco não faz comentários como habitualmente, e Mário Soares a dizer que foi mais uma oportunidade desperdiçada.
Dia 5 de Junho temos novo clássico, onde se espera um jogo muito melhor, mas que se prevê com pouca adesão do público e que a Liga ainda não se decida nesse jogo. Para infortúnio dos espectadores...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O jogo dos números

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011 1
"Vemos que toda a cidade é uma espécie de comunidade, e toda a comunidade se forma com vista a algum bem, pois todas as acções de todos os homens são praticadas com vista ao que lhes parece um bem; se todas as comunidades visam algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras, tem mais que todas este objectivo e visa o mais importante de todos os bens; chama-se cidade e é a comunidade política" Aristóteles (384a.c. - 322 a.c.)

A D. Augusta vivia nos arredores de Lisboa, tinha 87 anos a última vez que foi vista. Era cidadã portuguesa e como tal também era contribuinte. É costume dizer-se que na vida só duas coisas são certas: a morte e os impostos. O Estado, a comunidade política de cidadãos não quis saber da pessoa. A morte, o abandono e a solidão não interessam para quem é apenas um número fiscal. O que realmente importa é se o contribuinte tem dívidas ao fisco e se tal dívida se pode capitalizar, penhorando a sua casa, vendendo-a e cobrando. A D. Augusta tinha dívidas ao fisco, só porque morreu abandonada, sem que a GNR e os tribunais se dessem ao trabalho de a procurar. Foi encontrada porque para as Finanças só os impostos são certos, ainda que a pessoa não esteja viva. O que é mais importante não é o desaparecimento de um ser humano, mas sim o número fiscal que acumula dívidas mesmo depois de morto. A D. Augusta morreu na sua casa e aí esteve durante nove anos na cozinha, com o seu cão que morreu com ela. A comunidade da D. Augusta não se importou. Resta um consolo: se morrermos sozinhos, o fisco mais tarde ou mais cedo encontrar-nos-á.

Entretanto, o Governo decidiu ceder às pressões do eixo  liberal Franco-Alemão, e começou a desbaratar e flexibilizar o despedimento, porque alguém na Alemanha e na França se lembrou que isto traria mais emprego. O princípio é claramente errado. Se se despede mais facilmente e mais barato, a consequência não é mais emprego, mas sim menos emprego e com salários mais baixos. O problema surge porque os salários mais baixos não serão os dos gestores claro, mas sim os dos trabalhadores. Os patrões agradecem. Obedece quem deve, manda quem pode, o capital pois claro.
Esquece-se muitas vezes, que Portugal não é obrigado a pedir ajuda a FMI's, Fundos Europeus e afins, e não temos por que ceder à pressão liberal que nos querem impôr. Mais uma vez, o debate ideológico é suprimido pela pressão dos mercados chantagistas e especuladores. Estou farto de assistir à venda do Estado Social, ao leilão dos princípios de solidariedade, à corrupção de valores, à capitalização dos números, das taxas, das dívidas e dos juros, abandonando as D. Augustas da NOSSA comunidade.

O Médio-Oriente joga ao dominó, a África joga à roleta russa e o resto do mundo joga ao monopólio...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Solidariedade Nacional e Coesão Europeia

terça-feira, 4 de janeiro de 2011 2
Já aqui escrevi no último artigo sobre a falta de solidariedade e de coesão nacional que representava a medida de Carlos César de compensar os cortes salariais nos Açores. Também me insurgi contra a falta de ética que representa a existência de um sindicato que represente os Magistrados do Ministério Público e os Juízes, como órgão de soberania e um dos pilares da democracia que são. E para me dar razão, vieram agora os sindicatos do M.P. e dos Juízes anunciar que vão dar entrada em tribunal de acções para travar os cortes salariais. Ora, em última análise, quem julga essas acções são os juízes, fazendo-o assim em causa própria. Mais um exemplo do país solidário e de valores que somos. Não adianta nada a luta contra a crise, com estes portuguesinhos de  terceira. Só espero a entrada do FMI, para que de uma vez por todas este povo ingovernável saiba que o seu voto não adianta de nada porque quem manda é Bruxelas do eixo Franco-Alemão, que de solidário também não tem nada. E então sim, quando os cortes salariais forem de 10% a 20%, quando finalmente os patrões puderem despedir sem justa causa e sem indemnização, com o consequente maior desemprego, talvez  assim andemos de sorriso aberto na rua.
E volta a questão incontornável: como é que os mercados, agências de rating, bancos e afins, responsáveis pela crise, são os mesmos que ditam as regras e tomam as rédeas da suposta recuperação económica e financeira?
Como é que as agências de rating que aconselhavam a comprar créditos incobráveis, que sem quaisquer escrúpulos valorizavam os 'activos tóxicos' dos bancos, e quanto mais o fizessem mais destes recebiam, são agora as mesmas que valorizam ou não as dívidas soberanas dos Estados? Como é que a União Europeia permite que três agências de notação americanas, regulem o mercado e as dívidas europeias?
É simples, a França a reboque da Alemanha, pretendem salvar o coiro, ainda que isso implique a implosão de um ou dois países europeus, ou mesmo de toda a União Europeia. A moeda única sem a união política e sem a coesão que também vai faltando em Portugal, aliadas à crise de valores e de lideranças fortes e corajosas, está a levar ao colo a China não democrática, mas agora capitalista e sem qualquer respeito pelos direitos humanos. Aliás, a mão-de-obra barata chinesa, contrastante com a subida exponencial e pouco criteriosa dos salários da zona euro e em especial de Portugal ao longo dos anos, permite à China neste momento comprar ao desbarato os países da desmembrada União Europeia, comprando o seu silêncio na luta por valores democráticos e de respeito pelos direitos humanos. Os abutres que controlam os mercados continuam a viver á custa dos milhões de contribuintes e de desempregados, á custa dos Estados que permitiram a sua desregulação e agora não têm alternativa a não ser obedecer ao capital e a quem o controla. A crise de ética e de valores veio para ficar, mais tempo que a crise económica e financeira. A ganância capitalista atropela tudo e todos e nós deixamos. A União Europeia perdeu o rumo, e ao mínimo sinal de crise, acabou-se a solidariedade entre estados, o estado-social europeu foi trocado pelo salve-se quem puder, e quem pode salvar-se mandou à fava a integração e os valores sociais que faziam a diferença na Europa. 
2010 foi o ano em que ficou provado que os mercados devem ser regulados pelos Estados, um sem o outro não podem existir, a virtude está no meio.
2011 é o ano em que, ou sabemos o que queremos, ou seremos engolidos pelos charlatães e pelas burlas de mão branca.
Portugal e a Europa precisam mais do que nunca de coesão, solidariedade e  de uma sociedade a rumar para o mesmo lado, separando o trigo e regulando o joio. Precisa de saber quais os seus valores, os que quer seguir, e que com certeza não são os valores da China, da Moody's, da Fitch, da Standard & Poor's, da Goldman Sachs, de Merkel, de Sarkozy e dos mercados capitalistas, gananciosos e desregulados.

 
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