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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O mundo em mudança

sexta-feira, 16 de setembro de 2011 0
Onde estava no 11 de Setembro de 2001? O que mudou no 11 de Setembro de 2001? São por estes dias as perguntas mais repetidas. No meu caso, à primeira pergunta, pouco interesse terá a sua resposta. Quanto à segunda pergunta, a sua resposta já poderá ser mais pertinente. Sendo assim, o que mudou no 11 de Setembro de 2001? Resposta: nada ou quase nada. Senão vejamos. Os EUA invadiram dois países, Iraque e Afeganistão, afinal de contas tinham a desculpa perfeita. Lembram-se das armas de destruição massiva? 10 anos volvidos, o bodybuilding americano está feito, não fora a crise económica. O petróleo está mais ou menos controlado, e a indústria de armamento está refeita e próspera. Pelo meio, mataram Bin Laden, aliado de outros tempos, quando dava jeito armá-lo contra a invasão russa do Afeganistão, e mataram também Saddam Hussein, à segunda, porque na primeira guerra do golfo não deu jeito. Ambos executados sem julgamento.
É certo que o 11 de Setembro foi um duro golpe, ou se quiserem, murro no estômago, no orgulho bacoco dos EUA. É certo que morreram muitos inocentes. Morreram muitos mais a seguir.
O que verdadeiramente mudou o mundo foi a crise internacional de 2008. Que começou nos EUA. Coincidência ou talvez não. O que mudou foram as economias emergentes que transformaram o mundo bipolar. A China, o Brasil, a Índia transformaram-se em potências económicas à custa da UE, dos EUA e da Rússia.
O que mudou foi a 'primavera Árabe' de 2011. O despertar da democracia, do diálogo e do respeito. Da tolerância e da liberdade. A demonstração cabal de que é possível ser muçulmano e viver em democracia, como o provam a Turquia, a Malásia e a Indonésia. Aliás a jihad e a Al-Qaeda só agora perderam a guerra, com a rejeição das extensas camadas populares a que se dirige. O terrorismo existirá sempre, mas nunca mais da mesma forma.
O que não mudou foi a política sectária, de interesses e de controlo de recursos. Se a NATO, a ONU e os próprios EUA nada tiveram a dizer na Tunísia, pouco fizeram no Egipto. Já na Líbia, quando o 'amigo do petróleo' Kadafi, ficou em risco de não poder controlar o ouro negro e os seus negócios, o bombardeamento da NATO é uma vergonha só comparável ao silêncio castrador do conflito Israel-Palestina. É só reparar na diferença de tratamento e na atenção dispensadas à Síria. É ver as imagens da visita de Cameron e Sarkozy à nova Líbia e as imagens da visita que não fizeram à Tunísia e ao Egipto.
O mundo não mudou no 11 de Setembro de 2001. Mudou uns anos mais tarde.
Os tempos que vivemos, embora difíceis, são extraordinários. Desde a 'primavera Árabe' e os desenvolvimentos que daí possam surgir (com o impacto que terá na Palestina), passando pelo sim ou sopas da UE, em que assistiremos ou ao seu desmoronamento ou ao seu federalismo, terminando numa nova ordem mundial de capitalismo de estado, com a ascensão da China e do Brasil, e a viragem à esquerda da Europa (ontem na Dinamarca, amanhã na Itália, na França e na Alemanha).
O mundo está a mudar hoje, é preciso saber acompanhá-lo...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A esperança joga ao dominó

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011 0
A democracia é um sistema político assente nos ideais da Liberdade, da Justiça e da Igualdade, no sufrágio universal, no respeito pela individualidade, na separação de poderes e no poder soberano do Povo.

Podemos discutir se o sistema é perfeito...não, não é. Mas é o melhor encontrado em milénios de evolução humana. Pode ser melhorado, claro. Podemos alterar a Constituição, a organização, a forma e a maneira de votar e eleger os nossos representantes, mas os princípios são intocáveis.

Por estes dias assistimos ao efeito dominó na Tunísia e no Egipto, e em que verdade seja dita, a internet e as redes sociais tiveram um papel fundamental. Quem nunca conheceu outra coisa que não a ditadura, é levado a pensar que nada de novo existe além fronteiras, até lhe ser 'apresentado'. A internet globalizada e globalizante tem um papel fundamental hoje em dia na partilha de informação, principalmente em sítios onde até há bem pouco tempo essa informação não chegava, fruto de governos e ditaduras fechadas e balizadas na religião.
É hipocrisia não se fazer a associação entre as ditaduras alicerçadas na religião e o Mundo Árabe. Sem qualquer tipo de superiodade moral ou xenófoba, é seguro afirmar que os líderes religiosos e políticos árabes sempre se serviram da religião e do Alcorão para manter o poder em nome de Alá. Aliás, são ensinados desde muito novos a odiar o ocidente e tudo o que ele representa. O fundamentalismo islâmico é fruto da educação e da má interpretação do Alcorão, que apesar de nunca o ter lido, sei que se fundamenta nos mesmos princípios da nossa Bíblia (e esta já a li). Podemos não acreditar no que lá está, mas os princípios são bons (como se dizia no fim do filme 'Conan', 'mas essa já é outra história').

Chegados aqui, vi-me confrontado com as declarações de Benjamin Netanyahu, PM israelita, em que afirma estar preocupado que o fundamentalismo islâmico chegue ao poder nestes países com revoluções em curso (espera-se que o próximo seja a Líbia de Khadafi). Pois bem, devo dizer que o senhor Netanyahu, que tem um Ministro dos Negócios Estrangeiros de extrema direita, está é preocupado que a esses países chegue a democracia.
Pois, se Israel estiver rodeado de países democráticos, com certeza não vão aceitar colonatos e muros em territórios que não são israelitas. O Egipto não vai aceitar continuar a guardar o gueto de Gaza, ocupada ilegalmente com o beneplácito americano. Não podem continuar a aceitar o bombardeamento de civis e crianças, os checkpoints de pessoas só porque são árabes, sendo que nem todos os árabes são islâmicos.
Com democracias vizinhas Israel teria que negociar com países que verdadeiramente se começam a importar com os direitos humanos e especificamente com a sua violação na sua região. Muito seria diferente para um povo que não tinha pátria, foi perseguido durante milhares de anos e passou a ter um governo que sempre se habituou a viver na impunidade, perseguindo os fundamentalistas com o ódio dos radicais e extremistas.
Sem tiranos que chantageiam com o poder de Alá, que usam o fundo americano para se manterem calados e no poder, com a continuação do dominó democrático, e não á bomba como no Iraque e no Afeganistão, talvez um dia haja paz e uma nação israelita que reconheça o direito à vida da nação palestiniana. Talvez com a benção dos EUA. Talvez. Nunca a esperança foi tanta como agora.

Post Scriptum - Já agora, quem é o Carlos Castro?

 
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