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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Abril

quarta-feira, 26 de abril de 2017 0
Celebrar e relembrar Abril é necessário para recordar o antes de Abril. Para que nunca se esqueça o passado e possa haver esperança no futuro. Para que os valores de Abril não possam ser ameaçados ou postos em causa como se tem visto por esse mundo fora. Para que oportunistas, xenófobos e populistas não tragam para a praça o medo. O medo que tolhe consciências e se aproveita dos mais fracos para impor totalitarismos, nacionalistas e extremistas.
Os valores de Abril são a liberdade, a igualdade e a democracia. Pilares fundamentais de um estado de direito.
Para que nunca se esqueça... porque a história tem tendência a repetir-se e o ser humano tem tendência a não aprender com os erros...

sábado, 30 de abril de 2016

42 anos depois

sábado, 30 de abril de 2016 0
42 anos após o 25 de Abril, e rompendo com o sistema coxo do arco da governação, temos finalmente um Governo do PS suportado pelos partidos à sua esquerda, e que se atreve a ter uma política que rompe com o caminho do empobrecimento. A geringonça que funciona. Um governo que não faz a devida vénia e critica Bruxelas ao defender Portugal. Um Governo que já apresentou um verdadeiro plano nacional de reformas com reforço da coesão e igualdade social, e que não ficou na gaveta.
Perante as críticas da comissão europeia, nomeadamente quanto ao aumento do salário mínimo, temos finalmente um primeiro-ministro que não faz de criado, afirmando claramente que recusa um modelo de país baseado em baixos salários e que a batalha pela igualdade continua.
Temos finalmente um primeiro-ministro que diz: “a batalha pela igualdade é permanente, já a travámos antes do 25 de Abril de 1974 e temos de continuar a travá-la. Quando vemos alguns cá dentro ou na Europa a dizerem que em Portugal nós não nos desenvolveremos aumentando o salário mínimo nacional, porque estamos condenados a viver num país de baixos salários e de pobreza, temos de dizer que não aceitamos”. A isto chama-se defender Portugal e Abril.
O 25 de Abril é de todos, mas para não cair na tentação da hipocrisia, é justo dizer-se que alguma direita encara o 25 de Abril como uma coisa mais à esquerda, e de que esta se apropriou. Veja-se a forma como alguma direita encara o cravo enquanto símbolo do 25 de Abril como um símbolo da esquerda, daí a forma desengonçada como os sucessivos dirigentes dos partidos da direita o encaram, em particular, aqueles que chegam a Presidente da República. Cavaco nunca o usou, Marcelo exibe-o na mão e as fontes de Belém justificam a sua não colocação na lapela por ser um político do centro.
O facto de o cravo ser o símbolo da revolução deve-se ao facto de ser uma flor da época. Alguém se lembrou de colocar um cravo numa G3 e por uma feliz coincidência do destino um fotógrafo aproveitou para fazer uma bela imagem. Quem colocou o cravo na G3 não estava a fazê-lo por o cravo ser vermelho, era simplesmente uma flor que brotava de uma arma de onde seria de esperar que brotassem balas.
Portanto, nem o cravo é um símbolo da esquerda, nem o vermelho dessa flor era uma opção ideológica. O cravo foi um símbolo de uma tolerância que se tornou a imagem da revolução.
42 anos depois, a direita, na casa da democracia, fica desconfortável quando o presidente da Assembleia da República agradece aos capitães de Abril pelo 25 de Abril. Está desconfortável quando o Presidente da República, oriundo da sua área política, agradece aos militares pelo 25 de Abril e pela liberdade e pela democracia devolvida aos portugueses. Militares de Abril que regressaram à casa da democracia, após 4 anos de interrupção, enquanto por lá passou o governo neoliberal de Passos Coelho e de Paulo Portas. O primeiro que anunciou no último congresso do PSD o regresso à social democracia, que, portanto, tinha perdido, a matriz ideológica de Sá Carneiro e que até nasceu à esquerda, e o segundo que saiu de cena, espera-se, irrevogavelmente. Haverá alguém que acredite numa e noutra?
Mas 42 anos depois, temos mesmo uma democracia livre? Ou temos uma democracia a soldo dos grupos económicos, como no caso recente do GES em que se descobriu que a empresa de Salgado pagava avenças a políticos e jornalistas?
Uma democracia com o garrote dos poderes europeus e do diktat alemão que manda e desmanda na política de países soberanos seus parceiros, alimentado por uma direita subserviente aos jogos de casino e dos juros usurários.
Ficámos todos contentes porque nos deram a liberdade. Podemos dizer mal de quem nos apetecer. Mas, na verdade, após 42 anos, estão a reduzir-nos ao papel de idiotas votantes, manipulados na opinião a soldo, livres, sim, mas utilizados para caucionar uma democracia hipócrita em que meia dúzia reinam sobre os súbditos ululantes e explorados na quinta do capitalismo selvagem.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Sempre

segunda-feira, 25 de abril de 2016 0




sexta-feira, 25 de abril de 2014

25 de Abril Sempre!

sexta-feira, 25 de abril de 2014 0
Assim simples...




quarta-feira, 16 de abril de 2014

Telegramas

quarta-feira, 16 de abril de 2014 0
1- Eu sei que é uma piada fácil e será muito repetida, mas não resisto à tentação: Jesus (J.J.) vai ressuscitar no domingo de Páscoa...

2- Ainda no futebol, Bruno de Carvalho vai exigir à UEFA e à FIFA o título de campeão europeu para o Sporting do ano de 2013...

3- Os militares de Abril queriam discursar na AR nas comemorações do 25 de Abril. 'O problema é deles' respondeu Assunção Esteves. Se é verdade que tal nunca sucedeu e nem sequer me escandaliza que tal não lhes seja permitido (apesar de também não vislumbrar nenhuma razão para que não o façam), já a resposta da presidente da AR, uma segunda escolha depois da rábula Fernando Nobre, veio confirmar o que já suspeitava, Assunção Esteves tem momentos alucinados, e fico-me por aqui. Ao menos algum respeito, algum respeito...

4- Que se lixem as eleições? Não! Nada como a campanha eleitoral para se pensar em subir o salário mínimo nacional. Com as devidas exigências de contrapartidas (v.g. indemnizações por despedimentos ainda mais baratas). Este governo só conhece uma forma de negociar: a chantagem.

5- Os juízes que vão presidir às novas comarcas já estão envoltos em polémica. Segundo o Conselho Superior da Magistratura, os critérios para a escolha foram tudo menos objectivos e transparentes, e selecionados por uma comissão ad hoc sem competência para o efeito. O juiz presidente, figura também saída do novo mapa judiciário tem toda uma nova panóplia de funções e competências, como por exemplo atribuir ou não a determinado juiz determinado processo. Torna-se agora mais fácil ao poder político influenciar o caminho da justiça, porque o poder judicial está mais concentrado nas mãos de apenas 23 juízes, correspondentes às 23 novas comarcas. A insídia ganha terreno perante o silêncio de quem acha que não adianta fazer nada. O controlo do poder judicial é um passo fundamental para que os fantasmas regressem. A porta vai-se abrindo. Frincha a frincha. Após o PREC, nunca a democracia viveu tempos tão perigosos, com o maior ataque de que há memória em Portugal ao Estado social, a tudo o que é domínio público e ao interior do país...

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A factura de Abril

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014 0
Anda no ar uma nova narrativa, que (mal) disfarçada de propaganda pretende fazer crer que Portugal terá uma saída limpa (à Irlandesa) do programa de ajustamento. Veja-se como Portas já admite baixar o IRS no ano eleitoral de 2015. E para isso, faz-se a vontade à troika, que está à vontadinha, e oferece-se aos patrões o poder de despedir indiscriminadamente quem bem entendem, como entendem e quantos entendem, apoiados na lei que lhes atribui competências de juiz em causa própria, com avaliações de desempenho sempre subjectivas e imagine-se em que um dos critérios diz respeito à 'vantagem' de quem tiver o salário mais baixo. Era a 'reforma' que faltava para ficar completo o ciclo de destruição do factor trabalho. Essa classe rastejante e repugnante que tem a desfaçatez de reivindicar direitos, adquiridos ou não. A troika agradece e lá remete mais 900 milhões de euros enquanto o governo planeia a saída limpa com emissões de dívida pagando 5% de juros e deixa impunes mais de 400 milhões de euros em juros e coimas num perdão fiscal em que se premeia os incumpridores. Portugal entrou para o apelidado programa de ajustamento com muito menos dívida, com muito menos desempregados, com mais empresas viáveis, com uma economia mais optimista. 'Democratizou-se' o país abrindo-o ao partido comunista chinês e ao angolano e inventa-se um sorteio semanal em que se premeia uma obrigação e um dever de qualquer cidadão com um automóvel pago por todos, após a tentativa de tornar cada um num bufo. Não haja porém qualquer dúvida que a emissão de facturas vai ter um crescimento nunca visto, mas transmite a ideia errada. A reforma do Estado é a aniquilação do sector público, do contrato social. A saída limpa será a da troika, que depois do desastre de experimentação no país, lavarão as mãos com lixívia aproveitando a propaganda de um grupo de extremistas novatos, incompetentes e que ajudaram militantemente a rebentar a bomba de ensaio no país. Sobre o assunto o PS já perdeu a sua margem de manobra e esvazia dia após dia o seu discurso. Seguro não conseguirá em tempo útil transmitir qualquer mensagem que não tenha a desconfiança de quem o ouve, inclusive do seu próprio partido. Já nem sei se a coligação não estará a rezar por uma derrota nas próximas europeias, ganhando lastro para as legislativas de 2015, ao sabor da navegação à vista e do desnorte da oposição. A esperança mora (pessoalmente) no edil de Lisboa.
Entretanto o debate em torno do 40º aniversário do 25 de Abril gira em torno dos seus custos e não em torno das suas conquistas. Percebe-se porquê. Não subestimando o receio (que asseguro não está em causa) de Assunção Esteves poder não receber a sua reforma vencida aos quarenta, eis que se propõe a intervenção de mecenas na comparticipação de despesas. É falar com Soares dos Santos e Fernando Ulrich, mais os chineses e os angolanos, e obrigar todos os deputados, convidados e afins a usar nas comemorações uma t-shirt com os altos patrocínios do Pingo Doce, BPI, EDP, REN ou BIC e já agora a publicitar 50% de desconto nas próximas.
A proposta não é inocente e nada melhor do que o populismo mais rasteiro para paulatinamente moldar o presente fazendo esquecer o passado. As conquistas de Abril não se coadunam com este tipo (ou estes tipos) de política. Os direitos laborais, a liberdade de associação, de organização, de expressão, de imprensa, o SNS, a educação para todos, a igualdade e a justiça social, a integração europeia e o aumento da qualidade de vida de todos. A ditadura selvagem e usurária, usurpadora de Estados e de pessoas, não se revê em culturas para o individuo. Abril é um estorvo distractor da panaceia em curso, vendida à pala de patrocínios e de números.
Eu vou para a rua celebrar os 40 anos do 25 de Abril. Hoje faz mais sentido que nunca... 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

25 de Abril SEMPRE!!!

quinta-feira, 25 de abril de 2013 0
Celebrar o 25 de Abril é celebrar a democracia e a liberdade. A liberdade de expressão, de opinião, de facto e de direito. Celebrar o fim da ditadura, da censura, do medo, da fome e da pobreza. É celebrar as conquistas do Estado de Direito, da saúde para todos, da educação e da segurança social, do progresso e das eleições, da cidadania. Da igualdade de oportunidades e dos direitos, liberdades e garantias  expressos na Constituição de 1976. A Constituição mais garantística e das mais perfeitas do mundo. Desactualizada em alguns aspectos, é certo, mas não naqueles. Alvo, hoje, dos maiores ataques desde que a palavra foi devolvida ao povo. E essa é uma conquista de Abril. Como o foi também o fim da guerra colonial, injusta e opressora do direito à liberdade e autodeterminação de povos e territórios escravizados durante séculos, que sempre pertenceram às populações que neles habitavam. Mais uma justiça que Abril fez. A forma como decorreu o processo de descolonização já será outro assunto, o que interessa é que foi levado a cabo.
Nunca como hoje, o título deste blogue foi mais actual. Os ataques aos valores de Abril, são os ataques aos valores da social democracia, levados a efeito por um governo incompetente, todavia com uma agenda ideológica e neoliberal bem definida de ataque ao Estado social e de uma estratégia de empobrecimento dos portugueses. Uma estratégia de vingança mesquinha contra tudo o que o Estado representa, contra tudo o que representa diminuição do poder dos mercados, dos particulares e dos interesses. Se é certo que o Estado representa para alguns viver à sombra de recursos inesgotáveis de poder, corrupção e dinheiro fácil, porque construídos sob a égide do domínio público, também é certo que o caminho percorrido ultimamente representa a ditadura do mercado e da austeridade como resposta à corrupção desses mesmos mercados que nos trouxeram até aqui, assentes na usura, na especulação e na ganância.
Os valores de Abril são postos em causa porque os mesmos que os quiseram contornar, são os mesmos que ditam a forma de os ultrapassar definitivamente. A guerra ao Estado é imposta por um diktat, mais ou menos com interesses alemães, mais ou menos com interesses difusos que ninguém sabe quem são. Fundados no empobrecimento, na austeridade, no medo, no populismo e na chantagem. Escudados na troika e no memorando vão trilhando o caminho do desemprego e da recessão. O caminho escolhido pela guerra em surdina dos bastidores do FMI e da Alemanha, seguido com subserviência pela UE e pelo governo de um Portugal amordaçado, lambe botas e sem voz. Esta direita não é a direita social-democrata, a direita do PSD de Sá Carneiro. Esta direita é a direita revanchista. É uma direita que usa os cravos na lapela hipocritamente. É a direita que não gosta da Grândola e não sabe a letra. É a direita que trai os valores de Abril. É a direita que vê na Constituição um óbice ao seu exercício de poder, um obstáculo à prática da sua agenda neoliberal. Que escarna e mal diz dos seus tribunais e instituições, é uma direita tecnocrática e apolítica, sem rumo, sem visão, e esperemos que sem futuro...
Cavaco, que sempre conviveu mal com o 25 de Abril, com a sua memória e com os seus valores, provou hoje que não é digno de representar Portugal e os portugueses, que esqueceu propositadamente Saramago, a quem censurou, numa vingança mesquinha a um Nobel, só porque não partilhava da sua ideologia, provou hoje que tem dois pesos e duas medidas consoante a cor de quem governa, que é complacente com o estado do Estado e do país, que é a mão por detrás do arbusto e que é cúmplice do descalabro e da austeridade, revanchista e fascizóide, fez hoje um dos discursos mais antidemocráticos de que tenho memória.
O 25 de Abril sobreviverá a Cavaco e a este governo. O 25 de Abril é de todos, mas é mais de uns que de outros...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Grândola

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013 0
Frequentar um curso superior é hoje em dia um privilégio a que cada vez menos pessoas têm acesso. Portugal paga das mais altas propinas de toda a Europa. Terminar com êxito uma licenciatura, um mestrado ou doutoramento requer muito estudo, perseverança, dedicação e saber.
Convidar Relvas para um 'Clube de Pensadores', ou para dar uma palestra numa conferência numa universidade, neste caso o ISCTE, roça o ultraje e é uma provocação.
Não só por causa de ser ministro deste governo, mas também por ser Relvas. Tudo começou com ele, e 'Grandolar' será agora viral para os outros ministros.
O mesmo Relvas que fez uma cadeira, frequentou quatro e teve equivalência a trinta e tal, das quais algumas nem existiam. O mesmo Relvas que foi acusado de fazer pressões ilegítimas a jornalistas do Público. Quanto ao 'Clube dos Pensadores' estamos conversados. Relvas é um pensador do mais alto calibre, que nem a letra da emblemática música "Grândola, vila morena" sabe. Um dos símbolos do 25 de Abril. Que dirá pouco ao ministro. Nem sequer trautear uns versos. Ridículo. Aliás, a sua última tirada foi promover a agricultura para jovens. Para quem nunca estudou, incentivar jovens licenciados e desempregados a dedicarem-se à agricultura poderá ser visto no mínimo como uma ofensa.
Ainda mais ridículo, e mal andou a TVI, é convidar Relvas para discursar numa universidade, e numa conferência dedicada ao futuro do jornalismo. O futuro que Relvas queria para o jornalismo está bom de ver. Quanto à palestra na universidade, mesmo sendo expulso, terá passado mais tempo no ISCTE do que todo o tempo que durou a sua 'licenciatura'.
A legitimidade para este tipo de acções deu-a o governo com a sua política de austeridade, de derrapagem e de contas de merceeiro. Com a sua teimosia, com a sua agenda liberal, com a espiral recessiva, com o desemprego galopante, com a sua incompetência. Quando uma acção ilícita é necessária para salvaguardar direitos, liberdades e garantias de valor sensivelmente superior, valores da democracia, afastar um perigo iminente, a ilicitude do facto é excluída, tal como prevê o nosso Código Penal. 
Relvas e este governo ainda não perceberam que mais tarde ou mais cedo a corda vai partir, que os portugueses não aguentam mais e que a partir de agora vão ser eles a falar, ou a cantar. Bem mais cedo, antes que seja tarde... Porque se quer igualdade e fraternidade, os valores que se perderam do 25 de Abril, e porque o povo é quem mais ordena, deixo-vos a letra, pode dar jeito um dia destes...

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Reflexões

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013 0
Caiu um meteorito na Rússia e um meteoro (v.g. estrela cadente) na Assembleia da República... no caso russo infelizmente causou centenas de feridos, no caso português vinha acompanhado de banda sonora a fazer lembrar o 25 de Abril, "Grândola Vila Morena", e para já só interrompeu o discurso de Passos Coelho.
É urgente um sobressalto cívico de Grândolas, em que o povo é quem mais ordena, na volta ordenar a alguns 'tomar no c...', nas palavras eloquentes de Viegas.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 de Abril, sempre...

quarta-feira, 25 de abril de 2012 0
Os valores de Abril, como a democracia, a liberdade e a igualdade nascidos da Revolução dos Cravos devem ser comemorados e lembrados, mesmo para quem, como eu, nasceu em liberdade. Estes são os valores que devem nortear toda a acção política e todo o modelo de cidadania. Não percebo tanta celeuma em redor das comemorações do 25 de Abril. Ano após ano, parece haver na sociedade um certo mau estar perante o 25 de Abril. Essa faixa de fascistas saudosistas para quem o 25 de Abril é da esquerda e não de todos, espera ansiosa o regresso de um D. Sebastião de capacho na testa e arma na mão. Agradeço a quem fez a Revolução, por mim e pelos meus filhos.
Não consigo aceitar nem concordar com a ausência dos capitães de Abril, de Soares e de Alegre das comemorações, mas consigo percebê-la. O contrato social rasgado por este governo põe em causa os valores de Abril, e essa faixa fascista de ignóbeis de manjedoura, ancorados numa ideologia cega, rejubilam com esgares libidos ao assistirem à destruição do estado social, sonham com a fatia que lhes caberá num negócio qualquer de desmantelamento ou esbulho de uma qualquer empresa do Estado. Principalmente, se forem as mais estratégicas e lucrativas.
O 25 de Abril é de todos, porque todos temos a liberdade de escolha e de expressão que outros não tiveram e por isso foram torturados, presos e exilados. O 1º de Dezembro é comemorado há séculos, para nos lembrar a nossa identidade e independência. Dizer que escolhemos o nosso governo, que faz o que lhe incumbe, bem ou mal, é pouco. Todos temos o direito e o dever de, em liberdade e com respeito pelas opiniões contrárias, lutar com as nossas armas, exercendo a nossa cidadania, em nome dos nossos ideais. Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não.
Recordo só aos mais incautos, que foi também a partir de Abril de 1974 que se começou a ouvir falar em 'iniciativa privada' e 'capitalismo'. Afastando uma tese maniqueísta, o capitalismo é hoje o sistema que vigora, e os valores da liberdade e da igualdade não chocam com o sistema, desde que haja Estado regulador, garante e protector.
Quem não concordar com os valores que estiveram na base da revolução de Abril, quer o Povo amordaçado e aí me inclui. E Abril Hoje? Os valores de Abril, hoje, estão subvertidos. O lucro, a inveja, o favor, o juro e a especulação, são hoje os valores que nos são impostos, castigando com austeridade quem vai pagar o que outros destruíram e continuam a destruir, hipocritamente, sem qualquer laivo de vergonha, e que continuam a ser os mesmos que arquitectam o leilão do Estado, em teias de máfias financeiras cozinhadas num país qualquer entre a França e a Alemanha. O verdadeiro eixo do mal está nesses rostos escondidos que lucram entre sorrisos de charutos feitos em Cuba, cavalgando sobre os povos austerizados de corda na garganta.
É castrador assistir de mãos atadas ao aplicar dessa receita em Portugal, na glória impotente do 'ir além da Troika', sem a discutir e sem qualquer rasgo de cedência, mesmo perante o desmoronar da economia, do SNS, e o flagelo do desemprego.
Os valores de Abril, não são hoje os mesmos de há 38 anos...

quinta-feira, 22 de março de 2012

'Não invocarás o 25 de Abril em vão'

quinta-feira, 22 de março de 2012 0

Jorge Jesus invocou o 25 de Abril, para justificar a sua liberdade de expressão e de crítica em relação às arbitragens. Só que o 25 de Abril também trouxe outras coisas, nomeadamente, o direito das pessoas à sua imagem e bom nome. Em democracia também existe... como é que é se chama?, ah!, responsabilidade criminal.
Por coincidência, Otelo, que está sempre a invocar o 25 de Abril, e que depois até pôs umas bombas aqui e acolá, já merecia um inquéritozinho, só para não chatear mais com incitações a um golpe de estado, que também é crime em Portugal, ainda...
O direito à greve também foi, para além de direito constitucionalmente garantido, uma conquista de Abril, por isso, acho estranho, que se critique quem, no exercício de um direito, repito, constitucionalmente garantido, ache que o deva fazer. Se os sindicatos estarão ou não a banalizar esse direito, isso já será outra questão.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Os cravos e as ferraduras

quinta-feira, 28 de abril de 2011 0
Não vivi o 25 de Abril de 1974, não vivia antes de 1974, sempre conheci a liberdade tal como hoje é entendida, mas sei quais foram os valores que emanaram da Revolução dos Cravos. E também sei o que foi extinto, para que nunca mais volte, espero... Sei o que é a liberdade de expressão e de opinião, sei o que é viver em democracia, sei o que é o direito de voto e a cidadania, sei o que é segurança, estado social, SNS, escola para todos, sei o que são os valores da igualdade e da justiça. Felizmente nunca soube o que era fome, repressão, censura, injustiça, guerra... mas sei que existiram.
A lembrança e a comemoração do 25 de Abril serve para isto mesmo, para que nunca ninguém esqueça onde estamos, de onde viemos, e para onde queremos ir. Para ensinar a quem não sabe, e para relembrar a quem se esquece. E só esquece a quem não dá jeito a democracia, a igualdade e a justiça. E há muita gente a esquecer-se...
Há 37 anos, renasceu um país que se queria modernizar, e nasceu um regime que tem ainda hoje na sua Constituição os valores de Abril, da sua Revolução e da sua liberdade.
Infelizmente, esse país passou quase sempre ao lado do essencial, nenhum governo desde então soube dirigir os seus destinos sem sucumbir aos interesses privados, sem se misturar com esses interesses e lóbis, sem se deixar instrumentalizar no seu âmago.
Os progressos foram no entanto enormes, a título de exemplo, a taxa de mortalidade infantil e a frequência e aproveitamento escolares, o SNS, etc., mas falhou o essencial, a requalificação do território e das instituições, a implementação de um modelo social criador de riqueza com a implementação de um paradigma da sua justa redistribuição, o esbanjar de milhões da UE em PPP's, em 'jobs', em betão (das estradas ao desporto), em vez de se investir nos serviços, nas pessoas e na sua organização modelar.
A obsessão das oligarquias reinantes e obscuras aproveitam agora a miséria dos povos desregulados e vendidos a crédito. Durante anos a fio, tudo era crédito, para pagar agora. E os credores aí estão a bater à porta. Em 37 anos de democracia compramos a crédito tudo o que nos quiseram vender, sem que nenhum governo se alheasse do saque. A liberdade deu lugar à libertinagem, e hoje tudo é possível, desde a quebra de confiança entre países que eram unidos pelo euro, ao resgate criminoso do dinheiro dos contribuintes, feito de especulação e de juros usurários de credores encapuzados e grupos económicos dignos da 'Cosa Nostra'. E quem se lixa é o mexilhão!
A seguir à renegociação da dívida grega, segue-se a perseguição à Espanha, e quando esta cair, porque vai cair, a extorsão assim o exige, cairá o euro ou não, ou a Europa reage como devia ter já reagido, ou temo o pior. Estará então nas mãos da Alemanha, a maior beneficiada da moeda única.
Nas próximas eleições legislativas, apesar de tudo, e das escolhas possíveis, a possibilidade de escolher foi definida há 37 anos...a 25 de Abril...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A República

quarta-feira, 6 de outubro de 2010 2
 Antes de 1910 e após o ultimatum inglês, do qual a monarquia portuguesa da época saiu muito beliscada, subjugando-se por completo aos britânicos, a incapacidade de se modernizar e o crescente descontentamento da população operária e rural que passava fome, por contraponto aos favores, luxos e mordomias dos nobres e monárquicos, criaram o ambiente que o recém criado Partido Republicano esperava ansiosamente. O regicídio de 1908 foi o gatilho que preparou o 5 de Outubro de 1910. Os ideais republicanos saídos da Revolução Francesa de 1789 da fraternidade, liberdade e sobretudo da igualdade, são os valores que então como hoje norteiam e devem regular toda a acção política. No entanto, a jovem República era inexperiente, e o Povo com 75% de analfabetos não compreendia, nem lhe interessava as mudanças entretanto ocorridas. A informação era escassa e não chegava à maioria dos cinco milhões de residentes no Portugal dos princípios do século XX, que ao contrário de hoje se fixavam quase todos no interior do país rural, atrasado e analfabeto.
Após a eleição em 1911 do 1º Presidente da República Manuel de Arriaga, registaram-se 42 greves nesse mesmo ano. O proletariado operário e fabril, aliado às classes mais baixas de agricultores e rendeiros, não viam as prometidas melhorias das suas condições de vida, miseráveis na maioria dos casos.
O movimento sindicalista revolucionário crescia a olhos vistos, e à míngua de qualquer estratégia económica para o país a República não teve o apoio popular  de que necessitava. A população não votava, porque desinteressada e desinformada, os actos eleitorais no interior eram dirigidos por velhos caciques da monarquia e a República transformou-se rapidamente numa Oligarquia, em que só os mais instruídos e ligados aos partidos republicanos ditavam o futuro do país. A base de sustentação de que a República necessitava, o Povo, não existia, e as lutas pelo poder entre partidos iam fazendo suceder Presidente atrás de Presidente, com alguns apenas com um ano de mandato.
A separação promovida entre Estado e Igrejas num país católico, a participação activa de Portugal na I Grande Guerra e a incapacidade de lutar contra os grandes monopólios burgueses e de comerciantes de importações e exportações das colónias, abriram a janela de oportunidade para a Ditadura.
Assim, em Maio de 1926, Mendes Cabeçadas lidera o golpe de Estado que instaura a Ditadura militar e inicia a II República (apesar de haver quem assim não entenda, para mim esta foi a II República).
Em 1928 Salazar é nomeado Ministro das Finanças que cria a União Nacional (único partido permitido), e com a Constituição de 1933 começa o Estado Novo. O resto já conhecemos.
Portanto, podemos afirmar que a verdadeira Democracia só chegou com o 25 de Abril de 1974, e com a III República, o que me leva a dizer que apesar da República já ter 100 anos, a Democracia em Portugal só tem 36.
E é por isso, que dou mais importância ao 25 de Abril que ao 5 de Outubro, mas que no entanto teve o condão de despertar Portugal para os ideais da República e acabar com velhos vícios da Monarquia.
Eu quero escolher o meu Chefe de Estado, por uma questão de igualdade e não de sangue.

 
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